Até aqui, França, Alemanha, Chile e Costa Rica são os melhores da Copa

França 5x1 Suíça
Apesar de ter craques como Pogba e Benzema (que hoje marcou um gol, teve outro anulado após o apito final e perdeu um pênalti), a coletividade é a maior virtude do futebol da França, cujos cinco gols de hoje sobre a Suíça saíram de cinco jogadores diferentes (foto de Sergei Grits – AP Photo)

 

Antes da Copa, a crônica esportiva mundial foi quase unânime ao apontar quatro favoritos a conquistá-la: Espanha, Alemanha, Brasil e Argentina. Um dia antes do Mundial começar, analisando as possibilidades de quem corria por fora, escrevi aqui: “Sinceramente, se tivesse que apostar em ‘surpresa’ nesse torneio curto, de no máximo sete jogos, sendo os último quatro eliminatórios (perdeu, volta para casa), empilharia minhas fichas sobre a França”.

Bem, se os 3 a 0 na estreia francesa diante de Honduras não queriam dizer lá muita coisa, dada a fraqueza do adversário, a convincente goleada de 5 a 2 emplacada agora há pouco sobre a Suíça, cabeça de chave do Grupo E, coloca a França entre os times “grandes” que apresentaram o melhor futebol até agora nesta Copa. Ao seu lado, a Alemanha fará seu segundo jogo amanhã, contra a Gana, após a sapatada de 4 a 0 que aplicou na estreia contra Portugal de Cristiano Ronaldo.

Entre os times “médios”, o Chile foi o mais consistente, com vitórias contra a Austrália (3 a 1) e a Espanha (2 a o). Em pontos conquistados (seis), foi uma atuação igual à da Costa Rica, que saiu das equipes consideradas “pequenas”, com pouca tradição, para se tornar a grande surpresa. Mas considerado o nível dos adversários superados, Uruguai (3 a 1) e hoje Itália (1 a 0, o fato é que a seleção do pequeno país da América Central, tradição às favas, é a de melhor desempenho até agora na Copa.

Diante de uma Inglaterra sem nada a perder e determinada a cumprir bom papel na despedida, será interessante ver a Costa Rica já como franco atiradora revelada. Mas nada mudará sua conquista às oitavas de final, num “Grupo da Morte” contra três campeões do mundo, com um deles (a Inglaterra) já eliminado e os outros dois (Itália e Uruguai) com uma briga de foice no escuro marcada, na próxima terça (24/06), na disputa pela segunda vaga. E isso nem o mais otimista costarriquenho poderia projetar antes da Copa começar.

Todavia, confirmem ou desmintam previsões, há surpresas e surpresas. Se a França é uma surpresa com chances de brigar pelo título — embora provavelmente vá encarar a Alemanha nas quartas de final —, quase ninguém enxergaria essa mesma envergadura no Chile, ou, sobretudo, na Costa Rica. Se conseguisse chegar às semifinais, como só fez quando sediou a Copa em 1962, o desempenho chileno já poderia ser considerado tão épico quanto o resgate dos seus 33 mineiros da mina de San José. Quanto a Costa Rica, embora possa encontrar um acesso em tese menos difícil às quartas de final, por pegar nas oitavas um adversário vindo do Grupo C, o mais fraco da Copa, ninguém em sã consciência projetaria nada além disso.

Chile e Costa Rica ainda pertencem àquela categoria de surpresa capaz de eliminar um ou mais favoritos à Copa, mas não vencê-la.

Falando nos favoritos, e quanto aos demais? Antes de perder para o Chile, a Espanha já havia sido humilhada na goleada de 5 a 1, e só espera cumprir tabela contra a Austrália para voltar para casa. A Argentina mostrou pouco contra a Bósnia, além de um único lance genial de Messi, mas terá excelente chance amanhã, contra o fraco Irã, de ganhar mais confiança na competição. Já o Brasil, embora tenha conseguido bater uma Croácia sem Mandzukic e com a ajuda capital do juiz, depois ficou no empate sem gols contra o México.Como los hermanos diante da seleção dos aiatolás, o time de Felipão terá a pior Camarões de todas as Copas para tentar inspirar confiança por algo além da sua defesa.

Merecem também análises a Holanda, que empolgou na goleada sobre a Espanha, mas ficou devendo nos sofridos 3 a 2 sobre a Austrália, e a Bélgica, que todos apostavam como possível surpresa, mas suou em sua estreia para virar de 2 a 1 em cima da Argélia. Com nível real abaixo do seu primeiro jogo, bem como acima do segundo, os holandeses têm cancha para voos mais altos, nem que seja para bater mais uma vez na trave. Quanto à Bélgica, até pela juventude da sua talentosa geração, seu teto nesta Copa talvez ainda seja o mesmo do Chile: uma semifinal estaria bom demais.

Por fim, Itália e Uruguai. Além da expectativa por um dos grandes jogos da Mundial, qualquer um que na terça passar às oitavas, não duvide, leitor: deve ser temido.

 

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