Crítica de cinema — Carícias burocráticas

Colyseu

 

O garoto da casa ao lado

 

Mateusinho 1O garoto da casa ao lado — Define-se o “slut shaming” como o ato de induzir uma mulher a se sentir culpada ou inferior devido a prática de certos comportamentos sexuais que desviam de expectativas ditas tradicionais de seu gênero. Estes comportamentos incluem, dependendo da cultura, ter um grande número de parceiros sexuais, ter relações sexuais fora do casamento, ter relações sexuais casuais, agir ou se vestir de uma maneira que é considerado excessivamente sexual.

Vivemos  tempos de multitonalidades do cinza, mas também de muita luta e discursos feministas inflamados, que nos trazem à discussão sobre a igualdade de gênero, como o da atriz Patrícia Arquette, que ganhou o Oscar 2015 de melhor atriz pelo papel de Olivia Evans em “Boyhood — Da Infância à Juventude”.

Aí, vem a Universal Pictures e lança o thriller erótico/suspense “The Boy Next Door” ( “O Garoto da Casa ao Lado”). Com um orçamento de quatro milhões de dólares — muito abaixo dos padrões de Hollywood, roteiro da quase iniciante Barbara Curry (empapuçado de clichês) e com a direção do nova-iorquino Rob Cohen, de filmes como “A sombra do Inimigo” (2012), “A Múmia – Tumba do Imperador Dragão” (2008), “Ameaça Invisivel – Steath” (2005), “Velozes e Furiosos” (2001) e “Sociedade Secreta” (2000), que realiza toda filmagem, de seu segundo filme teatral, em um prazo apertado de 25 dias.

No elenco, Jennifer Lopez, a linda produtora, cantora e atriz americana de descendência e curvas latinas (“Selena”, de 1997; “Sangue e Vinho”, de 2006; e “Dança Comigo”, de 2004) interpreta a protagonista Claire Peterson. Ryan Gusman (“Força de Elite”, de 2014, “Ela Dança, Eu Danço” 4 e 5) como o sedutor sarado maníaco/obsessivo Noah Sandbom. John Corbett (“Bebê a Bordo”, de 2009; “Sex and the City”, de 2010; “NCIS: Los Angeles”, de 2012; e “Sex&Drugs&Rock&Roll”, de 2014), vive o marido traidor arrependido: Garrett Peterson. E Ian Nelson (“Jogos Vorazes”, de 2012; “O Melhor de Mim”, de 2014; e “O Juiz”, de 2014), como Kevin, o filho tímido e influenciável com problemas de saúde.

Na trama, após ser traída pelo seu marido Garrett Peterson (John Corbett) , a professora de literatura clássica Claire Peterson (Jennifer Lopez) está em vias de se divorciar. Ela vive sozinha com o filho adolescente Kevin, até perceber que um jovem acaba de se mudar para a casa ao lado. O sedutor,  Noah Sandborn (Ryan Guzman) rapidamente oferece ajuda nas tarefas da casa e se torna o melhor amigo do filho de Claire. Diante da fragilidade, carência e beleza da professora,  aos poucos, o vizinho passa a seduzi-la, levando a uma noite de amor entre os dois. No dia seguinte, a professora está decidida que tudo foi apenas um erro, mas Noah não pretende abandoná-la tão cedo. O caso de amor torna-se uma violenta obsessão e o drama erotizado se transforma em suspense com sustos bastante previsíveis. Confesso que não dava para contar com a seringada no olho do vilão.

Sem nenhum destaque nas atuações. O casal protagonista não passa muita paixão na cena mais ardente do  filme, com movimentos e carícias burocráticas que não encantam. A beleza do casal, não se discute. O Ryan Gusman  tenta um Noah que lembra, fisicamente, o Stanley Kowalski de Marlon Brando em “Uma Rua Chamada Pecado” (1951), com direito a camisetas brancas de mangas enroladas, e faz suas primeiras cenas de nudez, para a felicidade das mulheres e simpatizantes. A Jennifer Lopez não convence como professora de literatura clássica e nem como mulher sexy na carestia, mas é de uma beleza muito generosa, indo e vindo. De repente, correria com um Chevrolet esportivo roxo na descida e com freio sabotado. Depois, acidente de mini-van com explosão de caminhão tanque. Foi que aproveitaram a experiência do diretor Rob Cohen em  “Velozes e Furiosos”.

A Diva tem fãs fieis pelo mundo todo, o que pode garantir uns caraminguás. O que me espanta, é que a atriz/cantora ainda precise fazer esses filmes e bancar uma coprodução para garantir o papel de protagonista.

Não está fácil para ninguém. De bom tom parar com esse negócio de “slut shaming” com a J-Lo!

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje da Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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