Dilmaaaaa!!!
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:11 de março de 2015 - 17:00
- Categoria do post:Sem categoria
- Comentários do post:0 comentário

Desgoverno já acaba quando mal começou
Por José Nêumanne
Dilma perdeu uma oportunidade, se não boa, no mínimo razoável, de se levantar do banquinho no córner, onde está acuada pela crise política e pelo péssimo desempenho da economia, e, pelo menos, voltar ao ringue, no pronunciamento à Nação por TV e rádio no Dia Internacional da Mulher, domingo. Seu discurso inócuo, boboca e incompreensível teve o que merecia (aqui): panelaço, vaias e xingamentos pelo País inteiro. Só não se decepcionou com ela quem não viu.
De fato, não havia muito espaço para manobra. Mas pedir paciência a uma plateia que dela só tem ouvido mentiras autoindulgentes não poderia deixar de soar tolo, inútil, arrogante e alienado. Poderia ter começado com um pedido de desculpas por tudo quanto prometeu na campanha e começou a descumprir quando foi divulgada a vitória na reeleição. A continuação inevitável poderia ser uma demonstração de que a paciência exigida dos cidadãos, que ela trata como súditos, seria compensada por algum sacrifício: redução de ministérios, cujo número é absurdo, por exemplo. Nem fez a velha proposta de pacto. Talvez porque padim Lula se tenha recusado a apertar as mãos estendidas na eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral, no apoio à Constituição, que o Partido dos Trabalhadores (PT) assinou amargamente constrangido, e no governo de união nacional de Itamar Franco, depois da queda de Fernando Collor.
Em vez disso, preferiu adotar a tática stalinista de reescrever o passado para garantir as boquinhas por um tempo longe de ser promissor para ela, seu governo e, sobretudo, para o País. Atribuiu a conjuntura “à maior crise econômica desde a recessão de 1929”, a de 2008, que, para Lula, passaria por aqui feito uma “marolinha” e ela jura que paira sobre nós há sete anos, como nos sonhos das vacas magras de José do Egito. E à seca, desgraça perene do Nordeste, que, ela esquece, faz parte do Brasil, apesar de ter-lhe garantido, com milhões de votos, a permanência no trono. Lá se sabe que a chuva é incerta e caprichosa.
Os tomates imaginários jogados pelos “podres burgueses golpistas” partem do pressuposto de que a piada do barítono que anuncia um tenor pior à plateia que o apupa nem sequer servirão de metáfora para a crônica de seu desgoverno abortado: este, ao contrário do Cassino do Chacrinha, já acaba quando mal começou. Tudo indica que a militância armada contra a ditadura a impediu de frequentar aulas de História do Brasil, cujo aprendizado lhe faz falta. E mais ainda ao populacho, que verga sob sua inépcia. O desastrado discurso em que a mulher, festejada domingo no mundo todo, foi aqui celebrada às avessas evidencia que nossa experiência da dona da casa no poder será apenas um “duela a quién duela” coletivo.
Reconheça-se que os citados episódios históricos têm algumas diferenças em relação aos eventos destes idos de março em que o cego Tirésias teria a bendizer os temporais eventuais, prenunciados pelo cheiro. Nestes 61 anos foram aplicadas três soluções pessoais para resolver crises políticas. Em 1954, Getúlio Vargas disparou contra o próprio peito para não morrer afogado no “mar de lama” de uma corrupção de aprendiz, comparada com o caso Celso Daniel, o mensalão e as petrorroubalheiras — o crime continuado que ora corrói as bases da republiqueta sob os petralhas. Sabe-se que Getúlio era um suicida vocacional. O tiro foi o único jeito que teve para abortar o golpe dos militares da geração dos tenentes de 1930. Ao “sair da vida para entrar na História” adiou o golpe, sim, mas por apenas dez anos.
Contra o manhoso estancieiro de São Borja havia também a oratória inflamada e eficiente da UDN de Affonso Arinos de Mello Franco e de Carlos Frederico Werneck de Lacerda. A retórica, a ação parlamentar e a capacidade de construir caminhos para desviar o País da crise a que foi levado pela insana gula petista passam longe do perfil da oposição de hoje, indigna até dessa denominação.
Seis anos após o suicídio no Catete, um presidente popular, eleito acima dos partidos, com a vassoura feita símbolo e a faxina como missão, renunciou para livrar-se das dificuldades impostas por um Congresso dominado por partidos que desprezava. A renúncia de Jânio Quadros foi um autogolpe que falhou por conta da fé cega em si mesmo. “Renuncia, Dilma”, prega quem lhe atribui idêntico defeito. Mas ela não tem a persistência suicida revelada nos Diários de Getúlio, nem o perfil nobre de quem renuncia para facilitar a saída pela qual um governo de união nacional possa impedir a tragédia que se prenuncia com as fraturas da Nação, expostas na disputa eleitoral e agravadas com a determinação do grupo no poder de se agarrar ao que restar de bife no osso descarnado.
Fala-se ainda mais em deposição, repetindo a solução dada em 1992, 31 anos após os nove meses de Jânio, com 20 anos de ditadura militar no meio. Lá se vão apenas 23 anos, mas urge lembrar que o impedimento inevitável cedeu lugar à renúncia consentida do presidente, que, como Jânio, tentou em vão pôr de joelhos o Congresso (de 300 “picaretas” de Lula e 400 “achacadores” de El Cid Gomes?). Ao contrário de Dilma, a cujos propósitos ele serve, o ex-presidente tentou o lance do “Ministério ético”. Mas foi defenestrado sem dó.
Sábado O Globo informou que, conforme delação premiada, Mário Negromonte foi trocado no Ministério das Cidades por Aguinaldo Ribeiro por pressão de seus correligionários acusados de se abastecerem no propinoduto da Petrobrás. Foi Dilma quem assinou nomeações e demissão de ambos. Dizer que era assunto interno de aliados e não lhe diz respeito em nada vai ajudar a suspender a queda de sua reputação. Para piorar, a dupla protagoniza a mesma investigação, na qual ela não figura.
Mas, com os militares de 1930 mortos e sepultados e a oposição incapaz de apunhalá-la politicamente, Dilma depende do Imponderável da Silva nas ruas para escapar aos idos de março — chova ou faça sol.
Publicado aqui, no neumanne.com


Popularidade de Dilma no chão
Por Merval Pereira
As vaias de ontem (aqui) no 21º Salão Internacional da Construção, no pavilhão do Anhembi, em São Paulo, e o panelaço de domingo são exemplares do sentimento generalizado de rejeição ao governo Dilma que pesquisas de posse do Palácio do Planalto mostram com exatidão.
Lendo-as, não é possível continuar dizendo que as manifestações públicas contra o governo refletem apenas a posição dos ricos. O mesmo autoengano foi cometido pelo governo durante a Copa do Mundo, quando as vaias no jogo inaugural foram inicialmente atribuídas aos setores mais abastados da população.
As medições diárias indicam que o índice de avaliação boa/ótima do governo chegou a um dígito nesta semana, jogando no chão a popularidade da presidente Dilma, que despencou de 42% em dezembro de 2014, depois da eleição, para 23% em fevereiro, segundo o Datafolha.
E agora chega a um dígito, menor do que o índice de popularidade do ex-presidente Collor seis meses antes de a Câmara dos Deputados autorizar o processo de impeachment. Naquela ocasião, Collor chegou a 15% de avaliação positiva, depois de ter tido, no início do seu governo, a expectativa de 71% da população de que faria um governo bom/ótimo.
Três meses depois, no entanto, só 36% mantinham a avaliação, percentual que caiu para 24% no primeiro ano e, ao final de dois anos apenas 15% mantinham esta avaliação positiva.
A trivialização do roubo
Espanta tanto a trivialização da roubalheira no relato do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco (aqui) ontem na CPI, quanto a normalização do fato feita pelo relator petista deputado federal Luiz Sergio, que não viu “dados novos” no depoimento do delator.
Ora, a repetição de dados antigos que abrangem sempre milhões de dólares, o tratamento banal dado às negociações sobre as propinas, tudo isso é escandaloso demais para que se procure tratar dentro do terreno da normalidade o que Barusco descreveu nas muitas horas de depoimento na CPI.
Foi um verdadeiro circo de horrores o desfiar de detalhes do esquema que está sendo investigado pela Operação Lava-Jato, e o raciocínio de Barusco é cartesiano: se ele, que era gerente, ganhou os milhões de dólares que ganhou, por que seu superior imediato Renato Duque e o tesoureiro do PT João Vaccari, com quem se reunia para fazer a divisão do butim, deixariam de receber o que estava previsto nas planilhas?
É claro que Barusco não pode afirmar quanto Vaccari levou para o PT, só estimar, pois não era ele quem dava o dinheiro, e sim Duque. Mas pelas porcentagens acertadas, é fácil estimar que entre US$ 150 a 200 milhões de dólares entraram no cofrinho petista no período em que vigorou o esquema.
Assim como foi patético o esforço do relator e de alguns deputados petistas de tentar fazer Baruco dizer que o esquema criminoso começou ainda no governo de Fernando Henrique. O ex-gerente da Petrobras foi até involuntariamente cômico quando reagiu com veemência dizendo que até 2003-2004, o que ganhava de propina era de sua atuação pessoal, sem que ninguém soubesse.
Essa propina própria está misturada à propina institucionalizada pela gestão petista a partir do momento em que o partido chegou ao poder central com Lula, em 2003, e Barusco quase lamentou que, não podendo definir o que era o que, resolveu devolver os US$ 97 milhões aos cofres públicos, depois de sua colaboração premiada ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal.
Pelo seu relato, confirmando a informação dada por Paulo Roberto Costa em outro depoimento em Curitiba, a campanha de Dilma Rousseff de 2010 está necessariamente maculada pelas doações ilegais, desviadas dos cofres da Petrobras e muitas vezes lavadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como doações legais.
Publicado aqui, no Blog do Merval

Caminhando (ou…) e cantando (ou…)
Por Elio Gaspari
Na sexta-feira, quando o repórter Lucas Reis telefonou para o vice-governador da Bahia, João Leão, do PP, pedindo-lhe um comentário a respeito de sua inclusão na lista de políticos arrolados pela Procuradoria-Geral da República, ouviu (aqui) o seguinte:
“Estou cagando e andando, no bom português, na cabeça desses cornos todos.”
João Leão acumula o cargo de vice-governador do estado com a Secretaria do Planejamento, para a qual foi nomeado pelo governador petista Rui Costa. Feito o estrago, dois dias depois Leão desculpou-se de forma tortuosa, explicando “a exata dimensão das minhas palavras”:
“Foram considerações feitas num momento de profunda indignação e surpresa. (…) Não há, da minha parte, nenhuma intenção de ofender o Ministério Público, o Poder Judiciário, ou quaisquer outras instituições essenciais na manutenção do Estado Democrático de Direito, nem pessoas.”
Se o doutor tivesse explodido ao sair de um bar ou mesmo de uma missa, tudo bem. Sua declaração foi dada numa resposta à indagação do repórter. Pode ter sido influenciada pela contrariedade, mas a “exata dimensão das minhas palavras” é só uma.
Faz tempo, as pessoas iam para a rua com os versos de Geraldo Vandré:
“Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não”
O doutor Leão ofereceu dois novos gerúndios para a velha letra, mas desta vez os “iguais” são outros. Foi a percepção da diferença que provocou os protestos de domingo, enquanto a doutora Dilma falava.
Passados alguns dias do episódio, sem que se possa atribuir qualquer conteúdo emocional ao que disse, o governador Rui Costa justificou as palavras de Leão: “No momento de dor e revolta você pode acabar pronunciando palavras que não sejam as mais adequadas”. Antes fosse. Nesse caso, seria compreensível que chamasse de “cornos” sabe-se lá quem. (Corno só não era ofensa para Andrew Parker Bowles, o marido de Camilla, namorada do príncipe Charles, atual duquesa da Cornualha.) A essência dos gerúndios seria então “estou pouco ligando”. Sairia a vulgaridade e permaneceria a soberba. Se um cidadão disser isso a um delegado em Salvador, toma uma cana por desacato a autoridade.
O comissário Rui Costa não tem poderes para demitir o vice-governador eleito em sua chapa. Contudo, o doutor Leão é seu secretário de Planejamento e ele informa: “Não vejo motivo nenhum para afastá-lo. Ele foi citado por alguns dos delatores. O que o STF fez foi autorizar o início do processo de investigação”. Não é bem assim. A simples abertura da investigação poderia, a juízo do governador, ser motivo insuficiente para afastá-lo. Tomado ao pé da letra, Leão informou que estava “cagando e andando” para o procedimento que um ministro do Supremo Tribunal Federal autorizou que fosse instaurado em relação a ele.
A linda canção de Vandré, com os gerúndios originais, era um hino para a rua e por isso foi proibida. Com os gerúndios de Leão, ela se torna um hino para o andar de cima:
“Seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não.”
Publicado aqui, no globo.com


Por Ricardo Noblat
No meio do caminho do auditório do Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, onde abriria, ontem, com uma palestra, o 21º Salão Internacional da Construção, a presidente Dilma Rousseff
ouviu as primeiras vaias e decidiu dar meia volta.
— Vamos voltar — ordenou de cara amarrada ao seu obediente séquito.
Foi então que as vaias se multiplicaram e aumentaram. Acompanharam Dilma durante mais de cinco minutos. Só cessaram quando ela sumiu da vista dos manifestantes.
Ninguém ali havia sido convidado para vaiar Dilma. A maioria nem sabia que ela honraria o compromisso assumido há algum tempo.
O público não era branco nem rico. Era um público jovem, de classe média baixa. Justamente aquele que na última eleição, em peso, votou em Dilma no Norte e Nordeste, de preferência.
Golpista? Talvez fosse, sim, a se acreditar no delírio do PT.
Na palestra, Dilma não comentou as vaias. Nem empresários, que a vaiaram também, comentaram.
O que ela disse?
E de fato importa?
O governo está em pânico com o risco de as manifestações contra ele marcadas para o próximo domingo levarem às ruas grandes multidões.
Até o discurso de Dilma, no último domingo, o governo apostava no fracasso das manifestações. Depois do discurso, e das vaias de ontem, teme o pior.
Se dependesse dele, a Central Única dos Trabalhadores cancelaria as manifestações que marcou para a próxima sexta-feira. Elas serviriam para protestar contra o ajuste fiscal.
Serão reorientadas para que sirvam de defesa à Petrobras e ao governo.
O governo cultiva outro temor: o de que as manifestações patrocinadas pela CUT fracassem.
Publicado aqui, no Blog do Noblat
Confira abaixo o vídeo da vaia de ontem a Dilma:

Por Antonio Jiménez Barca e Talita Bedinelli
O peemedebista Eduardo Cunha entra em uma das salas de seu gabinete rodeado por seguranças e assistentes. Na sala de onde despacha, responde aos questionamentos do EL PAÍS entre uma ligação e outra, em meio a diversas trocas de mensagens pelo celular. Ainda que em alguns momentos fale depressa e feche os olhos ao se incomodar com algumas perguntas, aparenta calma, apesar de toda a pressão dos últimos dias.
O presidente da Câmara dos Deputados, que desde que chegou ao comando da Casa, em fevereiro, impôs uma série de derrotas a então aliada Dilma Rousseff (PT), é um dos 54 nomes que serão investigados nos processos relativos à operação Lava Jato.
Cunha será investigado por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo as apurações iniciais, um dos delatores, o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como “Careca”, afirmou ter entregue dinheiro na casa de um aliado de Cunha a mando do doleiro Alberto Youssef, um dos operadores do esquema.
Segundo reportagem do jornal O Globo do último domingo, Youssef também teria afirmado em sua delação premiada que Cunha era um dos beneficiários da propina da estatal em um contrato de aluguel de um navio-plataforma das empresas Samsung e Mitsui. Ele nega tudo.
Pergunta. O Psol fez uma representação para que os envolvidos na Lava Jato com cargo de mando deixem seus postos.
Resposta. O inquérito é um pedido de investigação inicial. Não podemos culpar ninguém previamente. Estão querendo pegar uma carona política para criar constrangimento.
P. O requerimento o afetaria diretamente. Vai renunciar?
R. Não cogito nada disso e não o farei.
P. Quem tem que colocar o requerimento em votação é você…
R. Não vai ser colocado em votação. Para ser colocado em votação tem que pedir um regime de urgência. Para ter o regime de urgência tem que ter a assinatura dos líderes que representem a maioria. Tem que ter votação nominal no Plenário com 257 deputados. Isso não vai acontecer, não tem apoio para isso. Não é um partido com cinco deputados numa bancada de 513 que vai ditar a pauta da Casa.
P. Não pode haver conflito de interesse pelos cargos que ocupam os da lista? Há deputado investigado, inclusive, na CPI da Petrobras.
R. É juízo de valor de cada um. O que está na CPI, aí sim, tem uma vedação regimental. Não se pode investigar algo em que você está sendo investigado. Não precisa criar nada novo.
P. Parlamentares investigados da Comissão de Ética também?
R. Não, desde que não participe do julgamento em relação à matéria. Se ele se declarar impedido em relação a esse tema, segundo for julgado, não vejo nada demais.
P. Mas não sente, como presidente da Câmara…
R. Eu me sinto, por acaso, perseguido! O procurador escolheu a quem investigar. Não tenho a menor preocupação com o conteúdo do pedido da minha investigação. Ninguém está imune à investigação. Aliás, eu já respondi dois inquéritos e uma denúncia. Os dois inquéritos foram arquivados e fui absolvido da denúncia. Ninguém pode fazer juízo antecipado de quem quer que seja. A nossa Constituição assegura o direito da presunção da inocência.
P. Por que se sente perseguido pela Procuradoria?
R. Porque a Procuradoria escolheu a quem investigar. Ela não teve o mesmo critério para todos e a petição que foi feita em relação ao meu caso é uma piada.
P. Por quê?
R. Porque os fatos são absolutamente… para você rir. Porque ele fala da casa. Reconhece a comprovação de que a casa não é minha, que é de alguém ligado a uma pessoa que supostamente é minha aliada e, então, tem que me investigar. Eu vou rebater ponto por ponto na quinta-feira, na CPI e em todos os foros apropriados, por quem demandar, sem nenhuma dificuldade. O procurador começa citando uma parte do delator Youssef, falando do suposto aluguel de um navio-plataforma da Samsung em 2006, quando eu era oposição ao Governo. Depois, cita como referência a pessoa que teria supostamente pago o benefício [propina]. Essa pessoa também é delator, mas na delação dele não citou nada sobre isso. Existem muitas incoerências.
P. Por que o procurador-geral o perseguiria?
R. Não sei. Acho que é uma tentativa clara de enfraquecer o Poder Legislativo. Não há dúvidas.
P. Uma tentativa por parte de quem? Da Presidência?
R. De quem quer que seja. Pode ser do Governo, propriamente dito, em atuação com a Procuradoria-geral da República. Acho que há um interesse de colocar todo mundo na mesma situação.
P. Acha que o ministro da Justiça fez isso?
R. Não acuso nominalmente ninguém. Acuso o Poder Executivo. Quando saiu a matéria no jornal O Globo eu coloquei no meu Twitteruma nota que desmontava as razões do pedido de arquivamento do senador Delcídio do Amaral [do PT]. No entanto, o procurador optou pelo arquivamento no caso dele. Não que eu queira acusar o Delcídio de nada, mas os critérios foram diferentes.
P. Com tantos parlamentares envolvidos na lista, a vida parlamentar do país não vai ficar insustentável?
R. Acho que não. A pauta vai ser tocada normalmente. Esse é um esquema do Poder Executivo. A corrupção está no Governo, não está no Parlamento. Eventualmente, alguém do Parlamento pode ter se beneficiado da corrupção do Governo, o que é uma coisa que está sendo investigada. Há um esquema sistêmico de corrupção da Petrobras.
P. Mas os parlamentares receberam dinheiro.
R. Isso que vai ser comprovado e, quem o fez, vai responder por isso. Mas a corrupção não existiu pelo Poder Legislativo. Alguns parlamentares até podem ter apoiado sem saber que era corrupção, pela natureza política. Outros, podem ter compartilhado. Essa crise é do Poder Executivo, não é daqui. Há uma nítida tentativa de transferir ela para cá. Como se fosse aqui que se assinasse a contratação de plataforma, que construísse refinaria, que convidasse cartel de empreiteiras para participar de licitação. Onde se faz isso é lá.
P. Acha que ainda há muito mais coisa escondida?
R. Em um esquema de corrupção dessa monta, com certeza deve haver ainda muita coisa a ser investigada. Deve ter muito mais corrupção dentro da Petrobras que ainda não chegou a público. A investigação está apenas em uma diretoria. É o maior esquema de corrupção já divulgado no mundo segundo os montantes envolvidos.
P. Você falou que é um esquema sistêmico, que acontece há muitos anos…
R. Desde que alteraram o regulamento de licitações da Petrobras. Ela deixou de obedecer a Lei 8666 [das licitações públicas] e passou a ter um regulamento próprio, por carta convite. A partir disso se formaram os carteis e foi a porteira da corrupção.
P. E isso aconteceu em que ano?
R. No Governo Fernando Henrique Cardoso. Foi um decreto do Governo Fernando Henrique.
P. Então o governo Fernando Henrique tem que ser investigado?
R. Eu acho que ninguém está imune a investigação. Todos podem e devem ser investigados.
P. Mas você sinalizou que governo tucano não será investigado na CPI.
R. O que eu falei em relação à CPI é que a ementa que pediu a criação dela tinha uma destinação. E eu sou regimentalista, não vou alterar. Se quiserem investigar o Governo Fernando Henrique façam uma ementa da CPI e colham as assinaturas para a investigação que envolva o Governo Fernando Henrique.
P. Você nunca tinha ouvido falar desse esquema de corrupção tão amplo antes de ele vir a público?
R. Eu não fazia parte desse processo, não tinha nomeação na Petrobras. Não tenho absolutamente nada com isso.
P. O delator Paulo Roberto Costa afirmou que a corrupção está ligada às doações de campanha. O que acha?
R. Acho que o Paulo Roberto não tem credibilidade. Não tenho que concordar, nem discordar.
P. Mas e na sua opinião: existem doações inocentes?
R. Eu acredito simplesmente que existe uma Lei que prevê a forma dos partidos receberem as doações legais. A menos que se comprove que efetivamente alguma doação foi pagamento de propina disfarçado, o que não se tem, não tem razão de desqualificar isso.
P. O PT diz que quer proibir o financiamento privado.
R. O PT tenta mudar, mas, no entanto, um ano antes da eleição, em 2013, foi o partido que arrecadou 83 milhões de reais de contribuições privadas, sem eleição. Então, falta ao PT ter coerência entre seus atos e seu discurso. Receber isso em um ano não eleitoral causa muita estranheza. Isso, sim, tem que ser objeto de apuração. Na eleição, acho normal.
P. Não acha que a conta pela doação vem depois?
R. Na minha vida, em todas as eleições que eu participei, de todas as doações que eu recebi, nunca ninguém me apresentou a conta ou me pediu nada antecipadamente. Doaram pela minha posição política, pelas minhas opiniões e por aquilo que eu defendo. E eu acredito que deva ser assim com todos.
P. O presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta, indicação da liderança do PMDB, recebeu na última eleição doações da Andrade Gutierrez por meio do partido, além de outros R$ 200 mil da Odebrecht, também por meio do partido.
R. Garanto que ele sequer sabia de onde estava vindo a doação. O partido que recebeu e distribuiu entre os parlamentares que achava que precisavam.
P. Isso não denota um conflito de interesses no futuro? Ele é presidente da CPI que vai investigar o esquema que envolve essas empresas.
R. Ele sequer vota na CPI.
P. Mas não é uma relação perigosa?
R. Se partirmos desse princípio, a presidenta da República não poderia ser presidenta da República porque ela recebeu doação das empreiteiras. O candidato de oposição também recebeu e não pode criticar. Não acho que querer criminalizar a doação eleitoral é o caminho para resolver o problema. Se você vir que ele efetivamente recebeu alguma vantagem indevida e está protegendo na CPI alguma dessas empresas… Essas empresas não são nem as que têm executivos presos.
P. Acha que o PMDB a partir de agora está mais enfraquecido com os seus dois principais nomes na Casa investigados?
R. Eu não acho que é o PMDB. Eu acho que é o poder Legislativo. Eu acho que não vai enfraquecer o PMDB. Nós vamos continuar atuando como temos que atuar.
P. Mas você e o presidente do Senado, Renan Calheiros, ambos do PMDB, vinham batendo de frente desde o inicio com a presidenta Dilma…
R. O presidente Renan foi até apoiado pelo PT.
P. Mas depois devolveu a Medida Provisória do ajuste fiscal.
R. Eu não quero falar pelos atos do presidente Renan. Ssobre isso fala ele, eu falo pelos meus atos.
P. O PMDB hoje é aliado ou é oposição?
R. Não é oposição.
P. É aliado?
R. Faz parte da base aliada, mas com bastante pimenta de independência.
P. Essa pimenta gerou uma crise…
R. Você acha que ser independente é ruim?
P. A Presidência talvez ache…
R. Quero deixar bem claro que isso não tem nada a ver com o ajuste fiscal. Não existe da nossa parte nenhuma vontade de querer explodir o país. A minha responsabilidade é manter o mínimo de governabilidade para que a economia não seja afetada.
P. Mas a economia está sendo afetada.
R. Não pelos meus atos. Não fui eu que me coloquei na lista. Não fui eu que inventei a corrupção da Petrobras. Então eu não posso ser culpado por isso. Eu sou presidente da Câmara. Aqui na Câmara eu não tenho nenhuma matéria sobre ajuste fiscal a ser votada. Se tiver, ponho para votar na hora.
P. Está de acordo com o ajuste? Acha que é necessário?
R. Fundamental.
P. E como vê, então, a reação de Calheiros?
R. Volto a dizer: pergunte a ele.
P. Mas vocês fazem parte de um mesmo partido político.
R. Sim, mas as razões que o levaram a tomar a decisão foram razões de natureza não só política, mas também jurídicas e regimentais. Não posso criticar a interpretação dele.
P. Como começou essa crise entre PT e PMDB?
R. Nós não participamos das discussões daquilo que ia acontecer. Não fomos partícipes da formulação, não podemos ser partícipes na sua execução. Se tinha um ajuste fiscal para fazer, por que não nos chamaram previamente? Pelo menos para comunicar o que ia ser feito antes de ser feito. Essa é uma crítica que fazemos. Estamos no direito de dar opinião.
P. Onde acha que o PT começou a errar na articulação política? Quando tentou enfrentá-lo pela presidência da Câmara?
R. Aí já deve ter sido o segundo, o terceiro ou o quarto erro.
P. E qual foi o primeiro?
R. A articulação política que foi montada, deixando o PMDB completamente fora dela. E uma articulação política completamente atabalhoada. A própria tentativa de criar um partido para enfraquecer o PMDB [O PL, que o ministro Gilberto Kassab quer recriar] foi a principal razão de estresse entre os dois lados. Esse é um erro político. Você não parte para buscar a destruição do seu aliado. É como se estivesse dormindo com o inimigo. E, ao mesmo tempo, vai esfaquear o inimigo de manhã.
P. O afastamento do PMDB também tem relação com a fragilidade do Governo? Com o sentimento de que o PT está no final de um ciclo?
R. Não é isso. Acho que o fim de ciclo está acontecendo mesmo, mas não é porque a gente está achando isso e se afastou. A gente não vai fazer isso com um Governo no primeiro mês se você está junto no projeto, e tem o vice-presidente da República. Agora, ficar sócio só do ônus… Só nos chamam para poder tomar ovo na cabeça. Não nos chamam para poder discutir se a gente quer tomar o ovo na cabeça. É essa a diferença.
P. O que o PT precisa fazer para melhorar a relação?
R. Quebrar a desconfiança generalizada que existe nas intenções de cada um.
P. O partido do Kassab já foi enterrado por vocês…
R. Ainda falta a presidente sancionar. Aí acho que enterra. Desde que ele não protocole o pedido antes.
P. O vice-presidente Temer foi chamado para fazer parte do círculo que discute com Rousseff as questões importantes.
R. Espero que haja tempo para que isso tenha resultados. Tomara que dê certo.
P. Acha que o PT tem condições de vencer em 2018?
R. Não sei nem quem é o candidato… Eu pretendo que o PMDB tenha candidato. Se depender da minha vontade pessoal terá. Eu defendo o nome do Eduardo Paes.
P. Acha que o PMDB consegue ter um nome nacional?
R. Por isso que estou defendendo o nome do Eduardo Paes. Depois das Olimpíadas, é um bom nome.
P. Mas as articulações nos Estados como ficam? Em cada Estado o PMDB é alinhado com um partido.
R. Nós temos situações de alinhamento com o PSDB, situações de alinhamento com o PT, em vários Estados, cada um com a sua realidade. Essas realidades se constroem independentemente da realidade nacional.
P. Então esse enfrentamento com o PT já é o início da campanha de 2018?
R. Ainda falta muito tempo. Até lá tem tanta água pra rolar, tanta coisa pode acontecer…
P. O que achou do panelaço contra a presidenta Dilma?
R. Uma manifestação popular, natural, legítima. É a expressão de uma perda de popularidade dela, que pode aumentar ou diminuir dependendo do momento.
P. A impopularidade vai crescer mais?
R. Já chegou num nível de 2013, segundo a última pesquisa que eu vi. Então, consequentemente, a manifestação é um reflexo. Ela está com um número baixo de apoio. Todas as vezes que isso acontece, há manifestações contrárias. No Governo Sarney, Fernando Henrique… Em todos eles aconteceu.
P. Há a possibilidade de ocorrer impeachment?
R. Não tem. E eu sou contrário a isso. Acho que é golpe.
Publicado aqui, no elpais.com
Para sempre Alice — A fusão de arte e vida, em que ambas são diariamente misturadas e se confundem, é uma questão indiscutível. A temática do Mal de Alzheimer é um assunto corriqueiramente abordado — tanto superficial quanto minuciosamente —, no cinema, em filmes como A Separação (2011), de Asghar Farhadi, e Há tanto tempo que te amo (2008), de Philippe Claudel; e na literatura, na obra O lugar escuro, da jornalista Heloísa Seixas. Novamente o tema retorna às telas, no filme Para sempre Alice, dirigido por Richard Glatzer e Wash Westmoreland.
Baseado na obra de ficção homônima de Lisa Genova, Para sempre Alice, por meio de cenas ricas que afloram perturbadores sentimentos no público, mostra a realidade dos pacientes diagnosticados com mal de Alzheimer — somente no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer, há mais de 1,2 milhão de enfermos. Alice Howland, interpretada por Julianne Moore, é uma renomada professora americana de Linguística, que leciona na Universidade Columbia, conhecida pelas produções acadêmicas e incontestável inteligência.
Os primeiros traços da doença aparecem suavemente durante o jantar em comemoração ao aniversário da docente, no momento em que ela confunde uma conversa sobre as filhas e se refere à irmã, morta na juventude. No entanto, a confusão, como ocorre diariamente em quadros clínicos ainda não diagnosticados, passa despercebida por todos os presentes.
O avanço do Alzheimer começa a ser notado pela mulher durante uma palestra proferida na universidade, quando lhe falta uma palavra comumente utilizada. A partir de então, Alice se perde, conforme ela própria afirma, e seu lugar é tomado por uma mulher emocional, física e
mentalmente frágil e debilitada. À medida que a doença evolui rapidamente, percebe-se ainda mais a semelhança com o cotidiano no qual vivem os enfermos. Nesses momentos, o diálogo entre ficção e realidade se torna ainda mais nítido, ao mostrar as degradações e perdas, tanto emocionais quanto físicas, trazidas com a passagem do tempo.
Notando-se cada vez mais incapaz de exercer suas funções cognitivas normais, Alice recorre a mecanismos eletrônicos e manuais que possam ajudá-la a manter-se conectada ao mundo real e às suas memórias. Os dias de linguista tornam-se tão nebulosos quanto as lembranças que
permearam seu cérebro por 50 anos, idade em que foi diagnosticada com mal de Alzheimer.
Os danos causados são apresentados por meio de cenas turvas e pouco nítidas, equivalentes à confusão mental da professora, fazendo o espectador enxergar o mundo através dos olhos vagos de uma Alice abatida e lívida, sem o ar sóbrio que lhe era característico. Em uma sequência, enquanto a personagem caminha pela praia, a captação das imagens é feita em plano aberto, colocando-a sozinha diante da areia e do mar. A sensação de vazio, causada pela ausência de outros elementos cênicos, é a representação imagética da situação da mulher, em que os detalhes mais íntimos desaparecem por completo de sua memória, deixando-a órfã de si mesma e entregue à solidão absoluta.
Em um discurso proferido na Associação de Alzheimer, Alice Howland traduz a percepção das pessoas enfermas acerca da nova realidade e, também, o sentimento dos espectadores que acompanham, em aproximadamente 1h40 min, a curva descendente da vida da protagonista. Brilhantemente montado e dirigido, o filme facilita a empatia entre o público e a personagem.
A temática, embora recorrente, é abordada com total verossimilhança, e o longa-metragem destaca-se, sobretudo, pela atuação de Julianne Moore, que incorpora plenamente a personagem após o diagnóstico de Alzheimer da linguista. O papel rendeu à artista os merecidos prêmios de Melhor Atriz do Oscar, do BAFTA e do Prêmio Critic’s Choice, e, também, de Melhor Atriz em Filme de Drama do Globo de Ouro.
No decorrer do filme, a troca entre o público e a protagonista é plena, fazendo doer em nós, sujeitos passivos e meros receptores, todas as limitações e receios da mulher, visto que, dia a dia, também deixamos para trás um pouco de nossa história.
Publicado na edição de hoje da Folha Dois
Confira o trailer do filme:

O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) classificou como “chocante” o depoimento do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco à CPI montada na Câmara dos Deputados para apurar irregularidades na estatal.
Barbosa foi ao Twitter na madrugada desta quarta-feira (11) comentar o depoimento. “Como milhões de brasileiros, vi a programação da TV Câmara ontem. Chocante”, escreveu.
Barusco, que admite o recebimento de propinas e a divisão delas com o PT,detalhou nesta terça-feira (10) seu relacionamento com o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto — citando jantares em hotéis e contatos por mensagens telefônicas — e contou que, a pedido do petista, providenciou o repasse de US$ 300 mil para a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010.
O ex-gerente também revelou que o Ministério Público está fazendo o levantamento dos registros telefônicos, para fazer o cruzamento e comprovar esse elo com Vaccari. O telefone que usava na época, porém, era seu funcional, e não pessoal -por isso diz não ter mais detalhes. Ele ainda confirmou que começou a receber propina da SBM entre 1997 e 1998, época da gestão Fernando Henrique Cardoso, mas não entrou em detalhes porque, segundo ele, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal e pela Justiça holandesa.
A secretaria de Finanças do PT — chefiada por Vaccari Neto — contestou o depoimento afirmando que Barusco não apresentou prova ou indício que liguem o tesoureiro do partido ao recebimento de propinas.
Antes de postar a mensagem, o ex-ministro do STF afirmou ser importante falar um pouco de história “no momento atual”. E escreveu: “1) Quem diria em maio de 1789 que aquele convescote estranho realizado em Versalhes iria desembocar na terrível revolução francesa? 2) Em 15/11/1889, nem mesmo o general Deodoro da Fonseca tinha em mente derrubar o regime imperial sob o qual o Brasil vivia. Aconteceu. 3) nem o mais radical bolchevique imaginaria lá pelos idos de 1914 que a 1a guerra mundial facilitaria a queda do regime czarista da Rússia.”
Segundo Barbosa, a história no Brasil “pouca gente pensa nas ‘voltas’ e nas ‘peças’ que a História dá e aplica’. Ele avaliou ser um “tremendo erro” ver o depoimento de Barusco à CPI apenas sob a ótica partidária.
“Partidos são meros instrumentos. Nossa nação não se construiu e tampouco se define à luz de momentâneos interesses partidários”, finalizou.
Cunha e Grabrielli
Nesta quinta (12), será a vez do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli prestarem depoimento à CPI.
Cunha foi acusado pelo doleiro Alberto Youssef de ter recebido propina referente a um contrato da petroleira. Ele nega e afirma que o governo atuou para que ele fosse alvo da investigação.
Apesar de o PPS e o Psol terem apresentado requerimentos pedindo a convocação de Cunha, o presidente da comissão, deputado Hugo Motta (PMDB-PB) afirmou que foi procurado pelo próprio presidente da Câmara, que disse querer ir “espontaneamente” à comissão.
“Ontem (9/3) à noite recebi uma ligação do presidente [Eduardo Cunha] expressando seu desejo de vir até esta comissão”, anunciou Hugo Motta.
A decisão, porém, foi questionada pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que argumentou que a CPI “deveria escolher o melhor momento para este depoimento”, e não imediatamente, porque ainda poderiam surgir novos fatos.
Motta rebateu e confirmou o depoimento do peemedebista.
Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

Por Catarina Alencastro
Brasília — A presidente Dilma Rousseff vai receber o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) na manhã desta quarta-feira no Palácio do Planalto. Este será seu primeiro compromisso do dia e não estava previsto até a noite de terça-feira, quando foi divulgada a agenda da presidente.
Toffoli, que foi assessor da Casa Civil e Advogado-Geral da União no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e, antes disso, advogado do PT, presidirá a segunda turma do STF, que julgará os casos de políticos investigados no âmbito da Lava-Jato. Toffoli pertence à primeira turma do tribunal, mas se candidatou para integrar a segunda turma na noite de ontem para evitar que os julgamentos resultem em empate, já que o colegiado está sem um membro desde a saída de Joaquim Barbosa. A sugestão da ida de algum membro da primeira para a segunda turma partiu do ministro Gilmar Mendes. Como o mais antigo da Primeira Turma, Marco Aurelio Mello, declarou que não queria mudar de colegiado, a cadeira vazia ficou com Toffoli.
O ministro Dias Toffoli se dispôs a trocar e, com isso, vai presidir, a partir de maio, a análise da maioria dos inquéritos que apuram as fraudes na Petrobras. Até lá, a presidência da Segunda Turma permanecerá com Teori Zavascki, cujo mandato de um ano chega ao fim. Como o decano da corte, Celso de Mello, não manifestou interesse em presidir a turma, ficando assim com Toffoli por ser o segundo mais antigo.
Depois de receber Toffoli, Dilma receberá o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Em seguida ela parte para Rio Branco (AC), onde entregará 967 unidades do programa Minha Casa Minha Vida.
Publicado aqui, no globo.com

Por Aguirre Talento, Gabriel Mascarenhas e Márcio Falcão
O ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, afirmou em depoimento à CPI da Petrobras nesta terça-feira (10) que se reunia com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para discutir o repasse ao PT de propinas pagas à estatal, mas se negou a dar detalhes sobre o recebimento de propina durante a gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso alegando estar sob investigação.
Primeiro depoimento da CPI, Barusco frustrou as expectativas do PT de obter detalhes de irregularidades durante a gestão tucana e pouco avançou nas informações já dadas em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, que investiga os desvios na Petrobras.
Ele disse que começou a receber propina de forma “institucionalizada” a partir de 2003 ou 2004, já sob gestão petista, quando assumiu o cargo de gerente executivo de Engenharia. No caso das propinas que começaram a ser pagas a ele entre 1997 e 1998, informou que foi uma “iniciativa pessoal minha”.
De acordo com as investigações da Lava Jato, a propina era paga por um cartel de empreiteiras para garantir a obtenção de contratos com a estatal. Parte ficava com funcionários da Petrobras e parte era repassada a partidos.
Questionado pelo relator Luiz Sérgio (PT-RJ) se outros também recebiam propina na época da gestão tucana, Barusco evitou responder. “Sobre essa questão, existe uma investigação em curso, eu sou investigado. Essa é uma parte que eu vou me ater ao depoimento [na delação premiada]. Não vou aprofundar, porque está ocorrendo uma investigação”. Ele não explicou quem está fazendo essa investigação.
Repasses
Em relação aos repasses para o PT, repetiu que o partido recebia um percentual da propina paga por empresas à diretoria de Serviços. Afirmou que não sabia se esses recursos eram dados para políticos, citando apenas o tesoureiro Vaccari. “Eu realmente sentava com ele, discutia, (…) mas eu não me envolvia com essa parte, se o dinheiro era para ele, pro partido. O rótulo era PT.”
Os encontros ocorriam principalmente nos hotéis Meliá, em São Paulo, e Windsor, no Rio — mesmos locais onde o ex-diretor Renato Duque e Vaccari se encontravam, conforme relatado pelos dois à Polícia Federal.
Segundo ele, esse assunto era “sempre combinado” com Vaccari. “Isso cabia ao João Vaccari gerenciar. Ele que era responsável. Não sei como ele recebia, para quem ele distribuía, se era oficial, extra-oficial. Cabia a ele naquele percentual uma parte”.
Barusco também fez questão de fazer um esclarecimento de como fez a estimativa de que o PT recebeu até US$ 200 milhões em propina: era o dobro do que ele próprio havia recebido.
“Como ao PT, na divisão da propina, cabia receber o dobro ou um pouco mais, eu estimava que ele [Vaccari] poderia ter recebido o dobro. Se eu recebi, porque os outros não teriam recebido?”, afirmou, provocando risos aos integrantes da CPI.
Vaccari assumiu as finanças do PT em 2010. Questionado se teve contato com o antigo tesoureiro Delúbio Soares, que cuidava das finanças do partido na época do mensalão, Barusco respondeu negativamente. Também disse que teve poucos contatos e somente em eventos sociais com o ex-ministro José Dirceu, condenado no mensalão.
Apesar da defesa de Barusco ter pedido que a sessão fosse fechada, houve uma negociação e sua advogada, Beatriz Catta Preta, concordou que fosse aberta, desde que não lhe fizessem perguntas de ordem pessoal.
O tesoureiro do PT João Vaccari Neto nega o recebimento de propinas em contratos da Petrobras.
Sobre a delação premiada de Barusco, o PT já havia afirmado em nota que todas as doações recebidas são legais.
Alívio
Em um momento de desabafo, Barusco disse que está “aliviado” com a delação e com a devolução dos recursos aos cofres públicos.
ÓEsse é um caminho que não tem volta. A gente começa a receber recurso no exterior, vai indo, vai indo, vai crescendo, de um ano pra outro isso vira uma espada em nossa cabeça. Não tem saída para isso. Essa delação que estou fazendo está me dando um alívio”.
Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com
Aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, o poeta, dramaturgo e professor Adriano Moura, teve a coragem de assumir a defesa do governo Dilma Rousseff (PT), questionando os motivos e as maneiras pelos quais a presidente e seu partido vêm sendo frontalmente questionados em boa parte do território brasileiro. Até porque de um lado e do outro também, há sempre a possibilidade de se estar (parcial ou completamente) equivocado, o contraditório só faz bem à democracia. Não por outro motivo, este “Opiniões” pede licença para reproduzir abaixo:

Ontem procurei a lista dos investigados (aqui). Não vi o nome da Dilma (aqui), que se transformou na única responsável pelos problemas dessa pátria amada e idolatrada salve salve. Mas tinha o nome de Aécio Neves (aqui), o que, para os que “não aguentam mais a corrupção”, salvaria o Brasil da sanha comunista que ameaça a família e a propriedade… privada. To esperando um panelaço (aqui) e uma passeata contra esses nomes. Ah, esqueci que o problema não é bem a corrupção, praga que nos persegue desde o encontro de Cabral com os índios. O problema é com a Dilma, eleita pelo voto popular (aqui). Vejo muito mais oportunismo de quem não se conformou ainda com o resultado das eleições 2014 do que a vontade de construir um país decente. Pra isso é preciso muito mais do que o impeachment de um presidente, pois já fizemos um com liderança de um “cara pintada” que também está sendo investigado (aqui). Pra acabar com a corrupção precisamos de uma tomada de vergonha na cara generalizada, não de oportunismo. Ah…e se vivêssemos mesmo numa ditadura de esquerda kkkkk (só rindo) , ninguém xingaria a presidente de “vaca” e ficaria por isso mesmo. Prova de que parte da nossa “elite” mestiça (aqui) (por mais que ela se ache branca), além de desinformada é mal educada, não entende a diferença entre um ato político de protesto e pirracinha porque foi contrariada pela terceira vez numa eleição. Boa terça – feira!