Entre 2007 e 2013, empreiteiras do Petrolão fizeram 40% das doações de PT, PMDB e PSDB

Info estadão - doações empreiteiras
Infográfico do Estadão (clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Por Daniel Bramatti e Valmar Hupsel Filho 

 

O conjunto das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato foi responsável, em média, pela doação de 40% dos recursos privados canalizados para os cofres dos três principais partidos do País – PT, PMDB e PSDB – entre 2007 e 2013. No período, as legendas, somadas, receberam pelo menos R$ 557 milhões de 21 empresas envolvidas no escândalo.

Em valores absolutos, o PT foi o principal beneficiado pelos repasses oficiais do cartel acusado de superfaturar obras na Petrobras. Mas o cerco ao grupo também ameaça as finanças do maior partido de oposição: 42% das doações privadas recebidas pelo PSDB vieram das empresas investigadas.

É nesse contexto de crise de financiadores que o Congresso decidiu triplicar a destinação de recursos públicos para o Fundo Partidário, que banca parcialmente o funcionamento das legendas. Na votação do Orçamento da União, há duas semanas, a dotação do fundo foi elevada de R$ 290 milhões para R$ 868 milhões.

No período de sete anos analisado pelo Estadão Dados, o PT recebeu R$ 321,9 milhões das empreiteiras investigadas, em valores atualizados pela inflação. O PSDB recebeu menos da metade: R$ 137,9 milhões. Os dados se referem somente às doações feitas aos diretórios nacionais dos partidos.

A Operação Lava Jato, que investiga desvios e superfaturamentos de contratos de empreiteiras com a Petrobras, desvendou a existência de um cartel formado por quase todas as grandes empresas de construção do País. Cinco delas – Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Grupo Odebrecht e OAS – respondem por quase 77% dos repasses feitos pelas empresas investigadas aos três partidos nos últimos anos.

 

Foco

As doações do chamado cartel da Lava Jato estão sob os holofotes da Justiça por causa da suspeita de que camuflavam pagamentos de propina. Com base em depoimentos de envolvidos no escândalo, o Ministério Público Federal afirma que repasses oficiais feitos ao PT eram, na verdade, pagamento em troca de benefícios em contratos firmados com a Petrobrás. Outros partidos, como o PMDB e o PP, teriam se utilizado de canais diferentes para coletar recursos desviados.

Augusto Mendonça, diretor do grupo Setal, entregou à Justiça Federal recibos de doações partidárias e eleitorais feitas por suas empresas para o PT entre 2008 e 2012. Segundo ele, era dessa forma que se dava o pagamento de propinas desviadas da Petrobrás. Mendonça foi preso e assinou um acordo de delação premiada com os promotores.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que também colabora com as investigações em troca de redução de penas, já declarou em depoimento que as doações aos partidos são, na verdade, “empréstimos” cobrados posteriormente na forma de benefícios em seus negócios com o governo.

Líderes do PT negaram o envolvimento em irregularidades e acusaram os procuradores do caso Lava Jato de tentar criminalizar doações feitas conforme as determinações legais – com recibo e registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Petistas também alegaram que as empresas acusadas financiaram diversos partidos, inclusive os de oposição.

No PT, o principal alvo dos procuradores é o tesoureiro João Vaccari Neto. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público e acolhida pela Justiça, Vaccari participou de reuniões com Renato Duque, então diretor de Serviços da Petrobrás, nas quais teriam sido acertados pagamentos de propinas ao PT na forma de doações legais.

Segundo o Luiz Flávio D’Urso, advogado de Vaccari, o tesoureiro “não recebeu ou solicitou qualquer contribuição de origem ilícita destinada ao PT”.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

0

Senador do PT: “governo Dilma pune trabalhador, mas não cuida da corrupção”

Paim e Dilma rachados
Petista histórico, senador Paulo Paim está cada vez mais distante do governo Dilma e do partido que ajudou a consolidar e levar ao poder (arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Laryssa Borges

 

Petista histórico, o ex-deputado constituinte e senador Paulo Paim (RS) está prestes a deixar o partido (aqui) a que se filiou há 30 anos. Ele integra a lista de pelo menos 16 senadores que apresentaram recentemente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consultas sobre regras de migração partidária. Mas, ao contrário das motivações político-eleitorais que regem os interesses, por exemplo, da senadora Marta Suplicy (PT), que pretende disputar a prefeitura de São Paulo, Paim admite se filiar ao PMDB, PDT ou PSB e até mesmo fundar uma nova sigla se o governo insistir em aprovar, no Congresso Nacional, medidas que endurecem as regras para concessão de benefícios trabalhistas — como seguro-desemprego, pensão por morte e seguro-defeso. Para o senador, a população se sente “enganada” pelo governo, que nas eleições de outubro prometera manter intactas as conquistas previstas em lei. “Em vez de aumentar a fiscalização contra a corrupção, o trabalhador é mais uma vez chamado para pagar a conta”, diz. Leia a entrevista:

 

Como o senhor pretende atuar nas duas medidas provisórias que afetam os direitos dos trabalhadores? 

Eu fiquei constrangido e perplexo com as duas medidas provisórias que tiram direito dos trabalhadores. E essa não é uma reação só minha, é de todas as centrais, de todas as confederações, sindicatos, associações de trabalhadores, que não concordam com o que o governo fez. Sou o último dos parlamentares do PT que participou da Constituinte e hoje ainda está em atividade, sempre em uma linha de coerência. Como é que a essa altura do campeonato eu vou votar contra pescador, contra a viúva, contra o trabalhador desempregado? Não tem sentido. Não tem como mexermos nesses direitos trabalhistas. O governo alega que são apenas correções e não supressão de direitos adquiridos. Claro que sou a favor de medidas moralizadoras. Mas a questão é ampliar a fiscalização, cruzar os dados nesses tempos de tecnologia para detectar as irregularidades. A gente sabe que dá para fazer. Podemos combater casos específicos de irregularidades, mas não fazer como o governo, mudar a lei e diminuir o valor dos benefícios dos trabalhadores. Não podemos aceitar que o governo use a desculpa de moralizar quando na verdade quer trazer prejuízo para o conjunto dos assalariados brasileiros e aposentados. Está aí o PIB de 0,1%. Em época de recessão, todos sabemos que o desemprego está aumentando. No Rio Grande do Sul, mais de 22.000 trabalhadores no polo naval foram demitidos. Como vou aceitar essa nova quarentena para o seguro-desemprego quando sabemos que a alta rotatividade é real?

 

Por que acha que a presidente Dilma decidiu editar as MPs contra os trabalhadores? 

Essas MPs vão na contramão de tudo que pregamos ao longo de nossas vidas. A base está, de fato, constrangida. Talvez a máquina do governo não quis enfrentar um outro debate, que é reforma tributária profunda para que de fato quem ganhe mais pague mais. Mas nesse país parece que é tudo ao contrário. Poderíamos ter enfrentado o debate de aumentar a fiscalização, mas o governo Dilma foi pelo caminho mais fácil. Poderíamos discutir como tributar fortunas, uma proposta defendida até pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Deveríamos chamar os empresários, os trabalhadores, a base do governo, a oposição e dialogar sobre esses temas.

 

A presidente Dilma então optou por punir os trabalhadores? 

Não usaria esse termo. Conheço Dilma há mais de 30 anos, como conheço o Lula há mais de 30 também. Na minha primeira candidatura à Presidência do sindicato dos metalúrgicos, a presidente Dilma e o então marido dela Carlos Araújo me ajudavam a entregar boletim na porta de fábrica. Por isso, não consigo assimilar que ela tenha optado por essas medidas contra os trabalhadores. Acho que o núcleo duro dentro do governo, liderado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, ganhou o debate interno e defende esse lado, que nos preocupa muito.

 

O senhor manifestou interesse de deixar o PT por causa do pacote de ajuste fiscal? 

Nos debates internos do PT me disseram que, como eu discordava tanto do pacote antitrabalhador, eu deveria sair do PT. Se tiver que sair, eu saio mesmo, não tem problema nenhum. Não vou votar contra aquilo que eu escrevi durante toda a minha vida. O PT também escreveu esse discurso a favor do trabalhador durante toda a vida e agora mudou. Se não houver negociação, eu não tenho outro caminho a não ser deixar o PT. Será meio que natural, como as águas do rio irem em direção ao mar A luta interna no PT é muito forte e muito dura. Se o Lula, com toda a popularidade que tinha na época, negociou a reforma da Previdência no seu governo e acabou concordando em votar um texto alternativo que ficou conhecido como PEC Paralela, por que nesse momento de crise a gente não negocia?

 

Que consequências projeta para a imagem do governo caso as medidas sejam aprovadas e diminuam os direitos do trabalhador? 

Ainda que o governo ganhe e consiga emplacar as medidas de ajuste fiscal, isso vai ser um tiro no pé. O povo humilde, que já está indignado, quando vir que o próprio Congresso consolidou esse desastre, vai se rebelar e alguém vai ter que pagar a conta politicamente. E quem vai pagar são todo o Congresso e os partidos aliados. Como vão explicar que votaram contra o trabalhador? Não tem como explicar. Principalmente diante da promessa nas eleições de não mudar os direitos trabalhistas. Isso é fato e é real. Com essas medidas, o governo está se voltando contra eleitores que o apoiaram. E não tenho nenhuma dúvida de que essa fatia da população pode engrossar os protestos de rua marcados para 12 de abril. Sou um defensor da democracia, mas estamos colocando o próprio regime em xeque com medidas que não cabem.

 

Como o senhor avalia a situação do governo, que quer rever os benefícios trabalhistas ao mesmo tempo em que tem de lidar com escândalos de corrupção? 

Nesse escândalo do Carf, por exemplo, estimam fraudes de R$ 19 bilhões. Devemos combater a impunidade e a corrupção e aprovarmos uma lei dura para que aquele que roubou dinheiro da saúde, da educação e da habitação, além de condenações de cadeia, seja penalizado a devolver pelo menos o dobro do que roubou. Temos que assustar os corruptos. Já apresentei emenda à Constituição para tornar o crime de corrupção inafiançável e sem prescrição. Veja esse escândalo da Petrobras. Todos nós, em sã consciência, temos obrigação de exigir que se aprofunde a investigação doa a quem doer. Quem se apropriou do dinheiro público vai ter que responder pelo que fez. Será que cortar o 14º salário a pessoas que ganham até dois salários mínimos é o que dá o impacto negativo nas contas da Previdência? Ou são os bilhões e bilhões que são desviados em escândalos de corrupção? Em vez de aumentar a fiscalização, o trabalhador é mais uma vez chamado para pagar a conta.

 

O senhor acha que o eleitor vai se insurgir contra essas medidas? 

O governo vai ficar em uma situação muito difícil se não buscar uma saída negociada nessas medidas trabalhistas. Queiramos ou não, a população se sente enganada. Essa população que tanto nos apoiou e que sempre votou no PT se sente enganada. Vai ser muito ruim e o reflexo vai ser já nas eleições do ano que vem, com o povo rejeitando os políticos que ele vincula a este governo. Seria muito mais fácil eu ficar quietinho no meu canto vendo a tempestade passar e dar uma de avestruz, mas aí o povo vem e dá um chute na bunda. É o que vai acontecer.

 

Publicado aqui, na veja.com

 

0

Para Edinho, financiamento da campanha de Dilma o “credencia como homem público”

Novo ministro da Comunicação de Dilma disse ter “orgulho do financiamento da campanha de Dilma”, que contou com doações de empreiteiras ligadas ao Petrolão, sob investigação da Justiça Federal do Paraná
Novo ministro da Comunicação de Dilma disse ter “orgulho” do financiamento da campanha da reeleição da presidente, que coordenou como tesoureiro e contou com doações de empreiteiras ligadas ao Petrolão, sob investigação da Justiça Federal do Paraná

Por Luiza Dame e Simone Iglesias

 

O novo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva (aqui e aqui), disse nesta sexta-feira, em entrevista ao Globo, que a presidente Dilma Rousseff pediu que ele estabelecesse um “diálogo” com a mídia. Ele ressaltou ainda que não teve conhecimento do documento de seu antecessor, Thomas Traumann, com críticas à condução do governo no setor.

Abaixo, a íntegra da entrevista:

 

O que é preciso mudar em meio à crise que o governo enfrenta?

A presidente Dilma foi direta. Pediu que eu estabeleça o diálogo com os veículos (de comunicação). A prioridade é estabelecer o diálogo com os veículos para que a informação chegue à sociedade. Este governo conduziu o Brasil em momentos difíceis. Este governo tem credibilidade para dizer que os ajustes são necessários para o Brasil voltar a crescer e continuar gerando renda e emprego.

 

O que foi determinante para sua escolha?

Estão dizendo que fui escolhido para o cargo para direcionar as verbas de publicidade. Só quem não me conhece pode achar que vou ocupar um cargo público para manipular recursos. Só quem não me conhece pode achar que vou ocupar cargo público para fazer algo que não seja de interesse da sociedade.

 

Leu o documento de Thomas Traumann com críticas ao governo?

Não, não conheço o documento, não tive acesso a ele, mas liguei para o Thomas e combinamos de tomar um café. Ele se colocou à minha disposição. Eu vou usar o legado dele na pasta, mas vou conduzir a comunicação olhando para a frente.

 

Pretende fazer mudanças na secretaria?

Fui convidado ontem (quinta-feira), o anúncio ocorreu hoje (ontem). Então, vou tomar conhecimento do orçamento, do ministério e construir minha equipe. A presidente me deu autonomia. Temos um trabalho de primeira grandeza para fazer.

 

O senhor teme que o fato de ter sido tesoureiro da campanha da presidente seja usado politicamente, já que a Justiça Eleitoral aprovou as contas com ressalvas?

O financiamento da campanha da presidente não tem problema algum. É transparente e legal. Foi aprovado por unanimidade.

 

Não houve ressalvas?

Todos têm ressalvas. O importante é que foi aprovado por unanimidade. Isso é algo positivo. O financiamento da campanha é algo que me credencia como homem público. Eu me orgulho.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

0

Levy: “Há um desejo genuíno (de Dilma) de acertar, às vezes, não da maneira mais fácil”

Em evento fechado na terça, em São Paulo, para alunos da universidade de Chicago, Levy disse e a  Folha de São Paulo vazou ontem (28/03): “Acho que há um desejo genuíno da presidente (Dilma) de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil”
Em evento fechado na terça, em São Paulo, falando em inglês para alunos da Universidade de Chicago, Levy disse e a Folha de São Paulo vazou ontem (28/03): “Acho que há um desejo genuíno da presidente (Dilma) de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil”

 

 

Por Bernardo Carame, Ricardo Della Coletta e Celia Froufe 

 

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou em evento fechado na terça-feira, em São Paulo, que a presidente Dilma Rousseff demonstra um “desejo genuíno” de acertar, mas não o faz “da maneira mais fácil” e “efetiva”. Na noite deste sábado, ele divulgou nota em que diz ter sido mal interpretado.

A frase, divulgada neste sábado pelo portal da Folha de S.Paulo, foi dita em inglês, para dezenas de alunos da escola de negócios da Universidade de Chicago — e segundo várias lideranças políticas pode contribuir para enfraquecer o governo em um momento em que ele já está fragilizado. Políticos de vários partidos já admitiam, na  noite deste sábado, que ele será convidado a se explicar melhor na audiência a que comparecerá, terça-feira, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Aos estudantes, Levy afirmou na terça: “Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil… Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno”. No original, segundo alguns dos presentes, mencionou “a genuine desire by the president to get things right, sometimes not the easiest way, but…Not the most effective way, but there is this genuine desire”. Era um comentário paralelo, quando ele abordou pontos do ajuste fiscal.

 

Sem reação

A presidente Dilma Rousseff foi informada sobre a fala de Levy por volta das 18 horas deste sábado. O Palácio do Planalto avisou que não se pronunciaria a respeito. Os ministros responsáveis pela articulação política do governo também não quiseram comentar.

No início da noite, o ministro reagiu à divulgação de sua fala com uma nota “pessoal” em que lamentava a interpretação dada ao que havia dito. Ele afirmou: “O ministro sublinha que os elementos dessa fala são os seguintes: aqueles que têm a honra de encontrarem-se ministros sabem que a orientação política do governo é genuína, reconhecem que o cumprimento de seus deveres exige ações difíceis, inclusive da exma. sra. presidente, Dilma Rousseff, e eles têm a humildade de reconhecer que nem todas as medidas têm a efetividade esperada”.

 

Cobranças 

A avaliação entre lideranças da oposição, assim que a fala de Levy foi divulgada, era de era de que os desafios para o governo só vão aumentar. Para o deputado Antonio Imbasshy (PSDB-BA), a declaração de Levy joga mais peso na audiência que o ministro terá na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na próxima terça-feira. Segundo o parlamentar, os senadores certamente pedirão que ele detalhe seu comentário. “A única coisa de que eu discordo (na fala de Levy) é que, ao invés de ser “às vezes”, é “quase sempre” (que Dilma não age de forma eficaz). O ministro foi muito generoso”, ironizou o parlamentar baiano.

Segundo Álvaro Dias (PSDB-PR), “o principal ministro dizer isso publicamente desarruma o governo”. O peemedebista Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) atribuiu à falta de formação política de Levy o seu novo “sincericídio”. Esta não é a primeira vez que o ministro faz comentários negativos para o Planalto. Há um mês, ele chamou de “grosseira” a iniciativa de se desonerar a folha de pagamentos. No dia seguinte, Dilma Rousseff disse que o ministro tinha sido “infeliz”ao usar a expressão.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

0

Mundo entre petismo e antipetismo atropela as ideias — e pessoas

atropelamento

 

 

Jornalista José Roberto Toledo
Jornalista José Roberto Toledo

O atropelamento das ideias

Por José Roberto Toledo

 

Partidarizar toda e qualquer ideia equivale a classificar, obrigatoriamente, cada proposta, programa ou pessoa como petista ou antipetista. É um jeito fácil de simplificar o mundo, mas transforma debate em bate-boca, sufoca a argumentação sob o coro das torcidas e desintegra a sociedade ao dividi-la em guetos. Além de tudo, é suicida, pois inviabiliza os próprios partidos.

Nunca, desde o fim da ditadura militar, tão poucos brasileiros se identificaram com uma agremiação partidária. O Datafolha mostrou que 3 a cada 4 não têm, hoje, simpatia ou preferência por qualquer partido. E não é por falta de opção: nunca houve tantas siglas partidárias no Brasil. Para 75% dos brasileiros, os 32 partidos cheiram igual – e, embora rime, não é a perfume.

Grande parte dessa aversão se deve ao PT, que, após a recessão e a Lava Jato, despencou da preferência de um terço dos eleitores para a vala comum das demais agremiações, todas com apenas um dígito de simpatizantes. Tucanos e peemedebistas podem comemorar a anemia petista, mas não têm nada para mostrar a seu favor. Não ganharam nenhum ponto de simpatia com a desgraça do concorrente.

Nem parecem preocupados com isso. A política, para caciques do PSDB, do PMDB e – sob Dilma Rousseff – também do PT, se resume a Brasília. Não por acaso, são sempre surpreendidos pelas ruas e têm extremo cuidado – para não dizer temor – ao pisá-las.

A perda de prestígio dos partidos é só um dos sintomas. Todas as instituições democráticas têm dificuldades para passar pelas narinas da população. O Executivo raramente foi tão mal avaliado. E a impopularidade não é apenas o governo federal. Governadores e prefeitos também sofrem tendência de baixa.

Os novos deputados e senadores mal tomaram posse, mas metade dos brasileiros já acha que eles são ruins ou péssimos em seus mandatos. Apenas 9% acham que fazem um trabalho bom ou ótimo, segundo a mesma pesquisa Datafolha que deu 62% de ruim/péssimo para o governo Dilma, contra só 13% de opiniões positivas.

Pesquisa de opinião feita em 2014 pelo Barômetro das Américas, da Universidade Vanderbilt (EUA), concluiu que apenas 38% dos brasileiros confiam no sistema judicial nacional, uma das cinco taxas de confiança mais baixas entre 25 países do continente. Menor do que as dos EUA, Canadá, México, Argentina e até Haiti.

Um gráfico da mesma pesquisa causou algum furor na semana passada nas redes sociais. Ele mostra que 48% dos brasileiros acham um golpe militar justificável diante de muita corrupção. É o dobro do que no Chile e dois terços mais do que na Argentina e no Uruguai. É preocupante, mas menos extraordinário se tomarmos os EUA como base. Lá, um terço concorda com a tese golpista.

Tudo isso se resume em uma ideia, cada vez mais frequente e popular entre os brasileiros: o sistema político não funciona. Isso ficou muito claro nas manifestações de 2013, mas sempre é bom colocar as coisas em perspectiva e comparar com outros países. O apoio ao sistema político no Brasil é o mais baixo do continente: 38%. Perde até para a dividida Venezuela (42%). Toma de goleada da Costa Rica (62%), Canadá (60%) e Argentina (55%).

Pode-se constatar isso tanto na pesquisa do Barômetro das Américas quanto, de forma mais prosaica, na discussão sobre as ciclovias paulistanas. Só a partidarização irracional das ideias é capaz de tratar uma tendência global, que vai de Paris a Nova York com escala em Londres, como “coisa de petista”. Ainda mais quando duas das maiores ciclovias de São Paulo foram construídas pelo governo tucano, nas margens dos Rios Pinheiros e Tietê.

Antecipando a disputa de 2016, demoniza-se uma ideia porque ela pode – talvez – ajudar o prefeito do PT a se reeleger. Assim, todo ciclista é tratado como petista e, por oposição, todo motorista vira um antipetista. Vai acabar em atropelamento.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

0

Na mira de Moro pela campanha de Dilma, Edinho nas Comunicações é perigo anunciado

Numa rara demonstração de afeto, a presidente Dilma e seu ex-tesoureiro de campanha e novo ministro das Comunicações, Edinho Silva
Numa rara demonstração de afeto, a presidente Dilma e seu ex-tesoureiro de campanha e novo ministro das Comunicações, Edinho Silva

 

 

Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat
Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat

Dilma gosta de viver perigosamente. Assim como o PT

Por Ricardo Noblat

 

Eu não disse que o PT, seu governo ou os dois juntos gostam de viver perigosamente?

Foi a propósito da manifestação convocada para o próximo dia 31 de março, destinada a se opor à manifestação de 12 de abril que deverá pedir novamente o impeachment de Dilma.

Pois bem: ontem, Dilma escalou para ministro da Secretaria de Comunicação Social da presidência da República o petista Edinho Silva, tesoureiro da campanha dela à reeleição.

O juiz Sérgio Moro, que investiga a corrupção na Petrobras, coleciona referências e indícios sobre a origem suja de parte do dinheiro doado por empresas para a campanha de Dilma.

E se tais elementos ganharem corpo e se transformarem em provas, complicando a vida de Edinho? Ele ficará no governo até ser condenado ou inocentado? O governo suportará o desgaste?

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

 

0

Cara mais conhecida do Petrolão, Cerveró é também investigado em escândalo na Receita

 

Por Fábio Fabrini e Andreza Matais

 

A Operação Zelotes investiga o envolvimento do ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró com o grupo acusado de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), espécie de “tribunal” que julga recursos de grandes contribuintes em débito com a Receita Federal.

Os investigadores suspeitam que Cerveró atuou perante advogados e conselheiros investigados como representante de fornecedores da estatal endividados com a Receita. Cerveró também é alvo da Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobras. Ele está preso, acusado de cobrar propina de empreiteiras em troca de contratos na diretoria que comandava na petroleira.

E-mails. Uma das evidências colhidas na Operação Zelotes são e-mails trocados entre advogados e empresários com Edison Pereira Rodrigues, apontado pelos investigadores como um dos mentores do esquema. Ele presidiu o 1.º Conselho de Contribuintes — órgão que antecedeu ao Carf —, deixando as funções em 2005.

Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras e cara mais conhecida do Petrolão, agora investigado também na operação Zelotes, da PF
Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras e cara mais conhecida do Petrolão, agora investigado também na operação Zelotes, da PF

 

Cerveró aparece como destinatário de algumas dessas mensagens, de 2010, quando era diretor da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. Os responsáveis pela Zelotes estão em contato com a força-tarefa encarregada da Lava Jato para aprofundar as investigações sobre a ligação do ex-diretor com o esquema.

Edison Rodrigues é descrito como um gênio na área tributária e atuaria em parceria com a filha, Meigan Sack Rodrigues, conselheira do Carf e dona de um escritório. Rodrigues seria procurado pelas grandes empresas por causa das relações que mantém no órgão e de seu amplo conhecimento.

Procurado pelo Estado, o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, disse que a suspeita de envolvimento de seu cliente em fraudes no Carf não passa de uma “ilação fantasiosa”, despida de elementos probatórios.

Ele afirmou que não pode se pronunciar com base em “hipóteses”, mas adiantou que falará com o ex-diretor a respeito, em visita marcada para a próxima semana no Complexo Médico Penal em Curitiba.

O Estado telefonou para o escritório Sack Rodrigues nesta sexta-feira, mas a atendente, que não se identificou, disse que tanto Meigan quanto o pai estavam viajando e não poderiam dar entrevista.

 

Carros de luxo 

A Polícia Federal apreendeu na quarta-feira, em Brasília, R$ 1,8 milhão em dinheiro com acusados de envolvimento no esquema de corrupção no Carf. Além do dinheiro, também foram apreendidos 16 carros de luxo, alguns das marcas Porsche e Mercedes-Benz, três motocicletas e joias.

O diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Oslain Santana, disse na quarta-feira que conselheiros do Carf deixavam o órgão para montar escritórios de advocacia e cooptar empresas para o esquema de corrupção. Segundo ele, a PF poderá utilizar a delação premiada nas investigações.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

0

Tesoureiro das doações de empreiteiras da Lava Jato agora dita o verbo nas Comunicações

Novo ministro das Comunicações, Edinho ecoa o discurso dos “aloprados” petistas, para os quais as manifestações de rua são coisa dazelite
Novo ministro das Comunicações, Edinho ecoa o discurso dos “aloprados” petistas, para os quais as manifestações de rua são coisa dazelite

 

 

Jornalista, escritor e blogueiro Merval Pereira
Jornalista, escritor e blogueiro Merval Pereira

O PT com a verba e o verbo

Por Merval Pereira

 

Mais importante que a constatação de que a economia brasileira está estagnada desde o ano da eleição, o que foi escondido do povo brasileiro por uma ação publicitária que distorceu números e fatos numa clara agressão ao sistema democrático, é saber que a culpa pelos nossos males é coisa nossa, não de crises internacionais.

Um levantamento do professor Reinaldo Gonçalves mostra que o Brasil em 2014 ficou em 172ª posição num conjunto 188 países, o que quer dizer que nada menos que 91% dos países tiveram melhor desempenho que o nosso.

Em relação ao quadriênio de Dilma Rousseff (2011-14), nossa posição tem uma melhora relativa: ficamos na 126ª posição, sendo superados por 67% dos países.

No plano interno, a presidente Dilma continua na mesma posição constrangedora de ser a presidente com a terceira pior média de crescimento do PIB da República brasileira, ao lado de Venceslau Brás, com 2,1% de crescimento, superando apenas dois presidentes que tiveram média negativa de crescimento em seus mandatos: Fernando Collor -1,3; Floriano Peixoto -7,5.

Se as previsões se confirmarem para este ano, com uma retração do PIB que pode chegar a até 1% segundo alguns economistas, a média para cinco anos cairá abaixo de 2%. Como a situação política é fortemente influenciada pela economia, dificilmente a presidente Dilma encontrará este ano condições de recuperação de sua popularidade, que as pesquisas de opinião mostram estar num momento crucial, provavelmente na casa de um dígito de aprovação se tomarmos a média dos institutos de pesquisa.

Foi sob o impacto da informação de que o nível de aprovação da presidente Dilma estava em 7 pontos num tracking encomendado pelo Palácio do Planalto que o ex-ministro da Comunicação Social Thomas Trauman escreveu aquele já famoso relatório que afinal o derrubou.

Entre as ilegalidades que defendia, destacam-se o uso dos blogs sujos para atacar os adversários do governo. No que via como uma “guerrilha de comunicação”, o documento lamentava que os robôs que atuaram na campanha presidencial para espalhar boatos e elogios a favor de Dilma tivessem sido desativados, e recomendava que o Planalto desse “munição” para “os soldados de fora” dispararem.

Há também a defesa do uso da Voz do Brasil e da televisão oficial para mostrar os feitos do governo, numa confusão clara entre órgãos do governo e do Estrado brasileiro. A demissão de Trauman, ao contrário do que se podia supor, não foi devida ao conteúdo do documento, mas ao seu vazamento.

Infere-se isso pela escolha por Dilma de seu tesoureiro de campanha, o petista Edinho Silva, para o cargo, entregando ao PT a verba e o verbo da comunicação do governo. Como nos governos petistas as pessoas importam mais que os cargos que ocupam, Edinho quase foi nomeado para diretor da Autoridade Pública Olímpica, mas a presidente Dilma desistiu ao constatar que ele não seria aprovado pelo Senado.

Como a nomeação para o ministério é de inteira responsabilidade da presidente, lá se vai Edinho Silva tratar da imagem do governo federal. Logo ele, que foi tesoureiro da campanha de 2014 de Dilma e, segundo anotações atribuídas a Ricardo Pessoa, dono da UTC, “está preocupadíssimo”. E segue texto de Pessoa: “Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma. Será que falarão sobre vinculação campanha x obras da Petrobras?”.

Esse e outros textos encontrados se parecem com chantagem, no momento em que delações premiadas estão sendo negociadas. Mas Edinho Silva pode trazer também mais problemas políticos para Dilma. Ele afirmou recentemente que as manifestações de rua são coisa da elite golpista, e que é preciso “combater a direita” em todo o continente.

Coroando seu pensamento, antes mesmo de assumir a missão palaciana ele já havia dito o que pensava especificamente sobre a área em que vai atuar: “Temos que criar efetivamente condições para que haja uma democratização da comunicação no país. E isso passa pela democratização da propriedade dos veículos”.

Mesmo que tenha salientado que esse debate “deve ser feito com muita tranquilidade, sem partidarismo e em parceria com a sociedade”, Edinho já disse a que veio.

 

Publicado aqui, no Blog do Merval

 

0

Homem do PT no Petrolão, Duque se cala na PF. Costa levou 4 meses preso antes de “cantar”

 

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

 

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque — homem forte do PT no esquema de corrupção e cartel na estatal petrolífera — permaneceu calado, como lhe garante a Constituição Federal, ao ser questionado pela Polícia Federal se “tinha interesse em celebrar acordo de delação premiada, como fez Paulo Roberto Costa”, seu ex-colega da Diretoria de Abastecimento, que após quatro meses de cárcere decidiu contar o que sabia, em troca de redução de pena.

O ex-diretor de Serviços foi preso no dia 16, na décima etapa da Lava Jato, batizada de “Que País é Esse”, uma referência à frase dita por ele ao telefone, quando conversava com o advogado, no instante em que era detido pela primeira, dia 14 de novembro de 2014.

Além de Costa, o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco, que era braço-direito de Duque na estatal e espécie de contador da propina arrecadada na diretoria de Serviços fez delação premiada com a Lava Jato.

 

Renato Duque chega à Polícia Federal (foto de Márcia Foletto - Ag. O Globo)
Renato Duque chega à Polícia Federal (foto de Márcia Foletto – Ag. O Globo)

 

Duque, medalhão desse grupo de agentes públicos indicados por partidos e corrompidos pelo cartel de empreiteiras, era braço estratégico do PT na estatal. Por meio de sua diretoria, o partido arredava 2% de propina nos contratos da demais áreas, por ser responsável pelas licitações e execuções dos contratos.

Os delegados da Lava Jato ouviram Duque no dia 18 de março, dois dias após ser preso pela segunda vez, em sua residência no Rio. O primeiro dos questionamentos registrados no termo foi sobre seu possível parentesco com o ex-ministro José Dirceu, conforme disse os delatores. Ele não respondeu, usando o direito dado ao acusado de não produzir prova contra si mesmo.

No Congresso, ao ser ouvido pela CPI da Petrobrás, ele também recorreu ao direito constitucional ao silêncio, mas fez explicações pontuais. uma delas foi para negar que tinha ligação familiar com o ex-ministro, também alvo da Lava Jato.

Duque ocupou o cargo de diretor de Serviços entre 2003 e 2012, indicado por Dirceu — que nega. Saiu e montou uma empresa de consultoria, a D3TM, pela qual continuou a trabalhar para empreiteiras do cartel, como consultor. Mesmo caminho percorrido por Paulo Roberto Costa, que abriu a Costa Global.

 

Trecho do depoimento à PF no qual Duque, por enquanto, preferiu permanecer calado diante à oferta de delação premiada só aceita por Paulo Roberto Costa após quatro meses de cadeia
Trecho do depoimento à PF no qual Duque, por enquanto, preferiu permanecer calado diante à oferta de delação premiada só aceita por Paulo Roberto Costa após quatro meses de cadeia

 

“Bob”

No interrogatório, os delegados da PF perguntaram também quem era o “Bob” que ele tinha registrado em um dos programa de bate-papo em seu telefone celular, que foi apreendido. Duque, mais uma vez, nada falou.

Em delação premiada, o doleiro Alberto Youssef afirmou que Dirceu e o ex-ministro Antônio Palocci eram “as ligações” do lobista e operador de propina Julio Gerin Camargo com o PT.  Segundo ele, o nome de Dirceu consta no registro de contabilidade de propina com a rubrica “Bob” — suposta referência ao apelido de um ex-assessor do ex-ministro da Casa Civil.

“Julio Camargo possuía ligações com o Partido dos Trabalhadores, notadamente com José Dirceu e Antonio Palocci”, afirmou Youssef.

O doleiro disse que o lobista tinha uma pessoa que era responsável pela contabilidade das propinas, Franco Clemente Pinto.
“Franco é homem de confiança de Julio Camargo e o responsável pela contabilidade de pagamentos ilícitos a título de propina e caixa 2”, afirmou Youssef. Segundo o doleiro, Franco armazenava toda movimentação de propina em um “pen drive”, acessado com senha.

“Eram utilizadas siglas em tal contabilidade ilícita”, explicou o doleiro. “A de José Dirce era ‘Bob’.” Para a PF, pode tratar-se de Roberto Marques, um ex-assessor. Youssef diz ter visto várias vezes o registro de contabilidade. Ele não foi encontrado. Atualmente, trabalha na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O doleiro afirmou ainda não sabe sobre valores que teriam sido repassados a Dirceu, mas contou que o ex-ministro, depois de deixar o governo Luiz Inácio Lula da Silva, utilizou o jato Citation Excel que pertence ao lobista Julio Camargo.

“Não sabe dizer quantas vezes o avião foi utilizado por José Dirceu e nem a razão do uso. Mas pode afirmar que Julio Camargo e José Dirceu são amigos”, registraram os investigadores da Lava Jato no termo de delação 11 do doleiro.

 

Publicado aqui, no Blog do Fausto Macedo

 

0

No “Opiniões”, a opinião de Renato Janine sobre o governo Dilma antes de ser seu ministro

coincidência

 

Quase sempre à frente, dentro da blogosfera goitacá, na cobertura da preocupante cenário nacional, deflagrada pelo envolvimento até a medula do PT e do governo federal no Petrolão, além do estelionato eleitoral praticado por Dilma Rousseff (PT) em 2014, fruto do desempenho econômico desastroso do seu primeiro mandato, este “Opiniões” tem se preocupado em reproduzir o que há de mais revelante não só em noticiário, mas também em opinião sobre a grave crise brasileira. Foi assim que, veja só você, leitor, o blog reproduziu aqui, em tempo real, a entrevista feita pela jornalista de O Globo Mariana Sanches com Renato Janine Ribeiro, filósofo e professor da Universidade de São Paulo (USP), antes dele ser indicado por Dilma como seu novo ministro da Educação, conforme o jornalista da Folha Arnaldo Neto ontem adiantou aqui, em primeira mão, na blogosfera local.

Quem quiser conferir o destino vexatório do antigo titular da pasta no governo Dilma, o intempestivo Cid Gomes, basta refrescar a lembrança aqui, aqui e aqui.

Como diria outro filósofo, o alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche: “coincidências não há”. Não por outro motivo, ilustrativo relembrar e guardar bem vivo na memória o que Janine de fato pensava do governo Dilma, no qual chegou a votar em 2014, antes de aceitar ser seu mais novo ministro:

— Há um descontentamento grande com o governo. Até porque o governo descumpriu promessas da eleição sem dar excelentes explicações. A Dilma e os ministros tinham que ir à TV todo dia. É um erro grande da Dilma não perceber que fazer política democraticamente é explicar o tempo todo. A Dilma parece ter uma ideia de que comunicação é contratar um assessor de imprensa que embale qualquer coisa de maneira bonita. Como se não tivesse a ver com conteúdo, fosse uma questão de forma.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

 

“A novidade da Lava Jato é que pegou os corruptores”

Por Aluysio, em 08-03-2015 – 6h46

Filósofo, professor e agora novo ministro da Educação Renato Janine Ribeiro
Filósofo, professor e agora novo ministro da Educação Renato Janine Ribeiro

Por Mariana Sanches

 

Para Renato Janine Ribeiro, há descontentamento com o governo porque promessas da eleição foram descumpridas sem grandes explicações

Qual é a origem da prática de se tratar a coisa pública como privada?

A corrupção da Lava-Jato não destoa da linha histórica do país, que, em sua origem, tem o patrimonialismo ibérico, de Portugal. Mas estamos independentes há 200 anos. Portanto, isso não é mais problema deles, é nosso. A separação entre público e privado aqui não é de pedra e cal, como nos EUA. O Brasil tem uma cultura política muito pobre, a única forma que a maior parte das pessoas tem para conceituar sua divergência de um político é dizer que ele é ladrão. Daí achamos que quando um país funciona é porque ele não tem roubo.

O financiamento empresarial de campanha é um fator comum no mensalão e na Lava-Jato. Ele favorece a corrupção?

O problema está vinculado ao financiamento: se a campanha é cara e demanda dinheiro pesado, esse dinheiro é dado em troca de algo. Se você doa como indivíduo, pode estar motivado por ideais, por preferências por políticas. Mas empresas só têm o incentivo de contribuir se conseguem tirar vantagens, e essas vantagens não são republicanas. Empresa não é eleitor. A regra número um de uma empresa é a busca do lucro. Qual é o lucro de uma empresa que financia um candidato? É um lucro sujo.

O fato de empresários ricos e políticos já terem ido parar atrás das grades revela algum prenúncio de mudança num país em que a Justiça sempre foi mais rigorosa com ladrões de galinha?

Podemos ter esperança. A novidade da Lava-Jato é que pela primeira vez aparecem as figuras dos corruptores. Antes a corrupção era sempre algo que acontecia sem autor. Era como a imaculada concepção, não havia quem fizesse o mal, embora o mal estivesse feito. Claro que esses empresários têm que ter defesa, tem que ser tudo apurado e julgado. Não temos que ficar contentes só porque eles foram presos. Temos que ficar contentes porque, caso forem condenados, a Justiça no Brasil finalmente começa a ser aplicada aos ricos e não só aos pobres.

Como o senhor vê a situação da presidente Dilma diante da crise política provocada a partir da Lava-Jato?

Há um descontentamento grande com o governo. Até porque o governo descumpriu promessas da eleição sem dar excelentes explicações. A Dilma e os ministros tinham que ir à TV todo dia. É um erro grande da Dilma não perceber que fazer política democraticamente é explicar o tempo todo. A Dilma parece ter uma ideia de que comunicação é contratar um assessor de imprensa que embale qualquer coisa de maneira bonita. Como se não tivesse a ver com conteúdo, fosse uma questão de forma. Há uma deficiência muito grande do governo nisso.

A insatisfação justificaria a queda do governo?

A única maneira de retirar uma pessoa do poder no presidencialismo de coalizão é acusar a pessoa de crime. Não democracia, não há um instrumento de “cansou”, de “não queremos mais”, como no parlamentarismo. Então como você vai retirar um governo cuja chefe não cometeu ilegalidade e, no entanto, há descontentamento com ele? É a grande questão que ronda o país. Vai se forçar a renúncia dela? A renúncia é uma decisão unilateral. E, além disso, na linha de sucessão há três cabeças do PMDB, duas na mira da Lava-Jato.

O senhor declarou voto na Dilma. Se sente enganado por ela?

Na situação que estava, foi o melhor voto, mas não quer dizer que esteja satisfeito. Me sinto enganado no sentido de que houve um compromisso implícito de que ela mudaria o estilo de governo, ia parar de governar pela braveza e dialogar e delegar mais. Ela o cumpriu limitadamente quando nomeou um ministro que praticamente não pode demitir, o Joaquim Lévy. Dilma tem a imagem de quem não dialoga e isso não é bom para um presidente.

Como interpretar o fato de que só se consiga desnudar um caso como esse por meio de delação premiada?

É um sistema-padrão para quebrar a coesão de uma quadrilha. É preciso jogar um criminoso contra outro e desfazer laços de lealdade. É legítimo fazer isso, é o único meio de se quebrar uma máfia. É ético? Sim, pelo resultado final, mas não pelo meio. Temos que garantir que o delator vá pagar alguma pena, mesmo pequena. Se não, há o risco de o crime se tornar vantajoso.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

0

Bola rolada à tabela do Alexandre Bastos com o Arnaldo Neto

pausa

 

Por conta de outras atividades jornalísticas, farei outra pequena pausa na lida blogueira. Para quem se acostumou a buscar neste “Opiniões”, em tempo real, o que há de mais relevante em noticiário e opinião sobre a grave crise brasileira, instalada pela corrupção do Petrolão e pelo desastre econômico do primeiro governo Dilma Rousseff (PT), pode continuar a fazê-lo no Blog do Bastos e no Blog do Arnaldo Neto. Na certeza, leitor, que você estará em melhor companhia, aceite meu desejo sincero de uma boa tarde.

Inté!!!…

 

0

Eduardo Cunha é vaiado por militantes do Psol e aplaudido por petistas

Beijo gay em protesto hoje nas galerias da Assembleia Legislativa de São Paulo, contra Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal (foto de Jorge Araújo - Folhapress)
Beijo gay em protesto hoje nas galerias da Assembleia Legislativa de São Paulo, contra Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal (foto de Jorge Araújo – Folhapress)

Por Alexandre Aragão

 

Recebido em sessão pública da Assembleia Legislativa de São Paulo nesta sexta (27), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi vaiado por manifestantes, que acabaram retirados à força por policiais militares.

Enquanto era apresentado pelo presidente da Alesp, deputado estadual Fernando Capez (PSDB), Cunha começou a ser vaiado por manifestantes, que ocupavam a galeria do plenário.

Logo em seguida, para abafar o som incômodo, os políticos presentes aplaudiram Cunha — inclusive petistas, como o secretário municipal Alexandre Padilha (Relações Governamentais), terceiro colocado na disputa ao governo estadual no ano passado, e o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP).

Boa parte dos manifestantes era de integrantes do Juntos!, movimento ligado ao Psol. Cunha iniciou sua fala, mas foi interrompido diversas vezes aos gritos de: “O povo quer falar, constituinte já!”.

“A educação manda que a gente aprenda a escutar, até para que a gente possa discutir”, disse o presidente da Câmara, semblante impassível, sem alterar o tom de voz.

Os manifestantes retrucaram: “Machista, machista, não passarão! Fora Cunha! Corrupto!”, gritaram. Dois manifestantes entraram no plenário com uma faixa, mas foram retirados por um policial.

“Muito obrigado pela possibilidade de permitir a minha fala”, afirmou Cunha, com um riso irônico.

 

“Constrangedor”

Em meio à confusão, o deputado estadual Luiz Fernando Machado (PSDB) pediu a Capez que as galerias fossem esvaziadas, ou que a sessão fosse encerrada, já que, segundo ele, a situação era “constrangedora”.

O presidente da Assembleia determinou que o público fosse retirado, citando trecho do Regimento Interno que determina o fechamento da galeria caso o público esteja atrapalhando.

Policiais militares foram, a princípio, conversar com os manifestantes, pedindo que saíssem. Com a recusa, os PMs empurraram e puxaram pela camisa e pelo braço os cerca de 50 presentes.

Só então Cunha continuou a falar. Disse: “Cumprimentos aos intolerantes, os intolerantes sempre merecem os nossos cumprimentos”.

Mais à frente, a galeria foi reaberta, e as pessoas que acompanhavam a sessão puderam entrar novamente.

Depois que Cunha deixou a Alesp, os manifestantes que haviam sido retirados também voltaram —um representante do Juntos! chegou a fazer perguntas aos deputados que permaneceram na sessão.

 

PM tentou dialogar com manifestantes, antes de retirá-los à força (foto de Jorge Araújo - Folhapress)
PM tentou dialogar com manifestantes, antes de retirá-los à força (foto de Jorge Araújo – Folhapress)

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

0