Refém do PMDB, Dilma “aceita” demissão de Cid Gomes

Eu penso que
Por Ricardo André Vasconcelos, em 18-03-2015 – 18h54
Cid Gomes
Cid Gomes foi demitido agora há pouco pela presidente Dilma Rouseff, minutos depois de ser sabatinado na Câmara dos Deputados. Cid foi à Câmara, como convocado, para prestar esclarecimentos sobre uma declaração sua, feita a estudantes no Pará, de que no Congresso teria “400 ou 300 achacadores”. O então ministro, numa sessão tensa, se desculpou alegando que falara em como “pessoa física”, num contexto privado e sem elaborar a frase, mas durante toda a sessão, manteve suas críticas à base aliada do governo e terminou apontando diretamente para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha:

— Eu fui acusado de ser mal educado. O ministro da Educação é mal educado. Eu prefiro ser acusado por ele [Eduardo Cunha] do que ser como ele, acusado de achaque.”

A notícia da demissão de Gomes, foi dada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que disse ter recebido telefonema do ministro da Casa Civil, Aluizio Mercadante.
Do Portal da Câmara dos Deputados:

18/03/2015 – 18h05 (atualizado às 18h11)

Eduardo Cunha diz que foi comunicado da demissão do ministro Cid Gomes

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acaba de anunciar que foi comunicado pela Casa Civil da Presidência da República sobre a demissão do ministro da Educação, Cid Gomes. O ministro estava há pouco no Plenário da Câmara, onde foi chamado para explicar declaração de que haveria “300 ou 400 achacadores no Congresso”.
O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), disse que o ministro vai conversar com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Muitos líderes cobraram a saída do ministro do cargo, depois que ele manteve as declarações de que alguns deputados seriam “achacadores”.
Explicando-se aos deputados, Cid Gomes disse que há deputados que “criam dificuldades para obter facilidades”, pediu desculpas a quem se sentiu ofendido, mas partiu para o ataque, cobrando lealdade dos deputados da base e apontando ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha.Atualização correção de título – Oficialmente foi Cid que pediu demissão.
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PMDB dá ultimato a Dilma: Ou Cid Gomes sai agora, ou partido sai da base

Ciro Gomes, ministro da Educação, teve a cabeça exigida a Dilma pelo PMDB, após ter dito que a Câmara Federal teria entre 300 a 400 “achacadores”
Ciro Gomes, ministro da Educação, teve a cabeça exigida a Dilma pelo PMDB, após ter dito que a Câmara Federal teria entre 300 a 400 “achacadores”

 

 

Por Vera Magalhães

 

O PMDB fez chegar à presidente Dilma Rousseff  que ou o ministro Cid Gomes é demitido ou pede demissão da pasta da Educação ainda na tarde desta quarta-feira (18) ou o partido está fora do governo e da base aliada.

Cid participa neste momento de uma Comissão Geral, no plenário da Câmara, que foi marcada para ouvi-lo sobre declarações em que disse que, na Casa, haveria entre 300 e 400 deputados “achacadores”.

A expectativa do governo e do Legislativo era que ele se desculpasse pelas declarações e tentasse recompor suas relações.

Não só Cid Gomes não fez isso como, dedo em riste em direção ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vociferou: “Prefiro ser acusado de mal educado a ser acusado de achacador como ele [Cunha], que é o que dizem dele as manchetes dos jornais”.

Antes, o ministro já havia dito que quem é da base aliada do governo tem de votar com o governo. “Ou larguem o osso. Saiam do governo.”

Seu único gesto conciliador foi pedir desculpas “àqueles que não agem dessa maneira”, depois de reafirmar que alguns eram “oportunistas”.

A partir daí, líderes se revezam na tribuna para exigir a demissão de Cid Gomes.

Na chegada, Cid Gomes levou uma claque para apoiá-lo no depoimento, mas Cunha os expulsou das galerias. O depoimento do ministro já havia sido adiado por conta de uma internação médica do titular do MEC.

Enquanto isso, a cúpula do PMDB avisou diretamente a um auxiliar de Dilma que o partido não abre mão de que ele seja demitido ou renuncie ao cargo ao término da sessão. “Ou é isso ou ela perderá o partido. Dessa vez é sério”, diz um interlocutor peemedebista com acesso ao Planalto à coluna.

A avaliação do partido é que o que Cid Gomes fez é a “desmoralização completa da relação institucional” entre os dois Poderes.

Deputados acusaram o ministro de mentir e fizeram uma série de acusações de irregularidades a seu governo no Ceará. “Quem não lhe conhece que lhe compre”, disse o deputado Cabo Sabino (PR-CE).

Outro o acusou de superfaturar um show de Ivete Sangalo para inaugurar um hospital e de viajar com a sogra em jatinho pago pelo governo.

A todas as acusações e críticas, Cid Gomes ouviu calado, com riso irônico nos lábios, em pé na tribuna do lado oposto àquela em que os parlamentares se revezavam.

Assessores próximos a Dilma consideram a queda do ministro a saída mais provável para mais esse capítulo da crise política que traga o mandato da presidente.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

Ou dá ou desce

 

 

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Crítica de cinema — Mais do mesmo

Bagdá Café

 

 

Simplesmente acontece

 

 

Mateusinho 1Quem aprecia cinema sabe que, em larga escala, as histórias produzidas atualmente visam o lucro. Para alcançá-lo, a equipe se adéqua apenas às exigências do mercado e elabora longas-metragens conhecidas como blockbusters, que, fatalmente, atrairão grande quantidade de pessoas para as salas espalhadas pelo mundo. Não há preocupação em cumprir um dos maiores papéis da arte: envolver o espectador a ponto de produzir reflexões e discussões a partir do que é mostrado, como ocorre tanto em filmes estrangeiros — Efeito Borboleta (2004), de Eric BressJ. Mackye Gruber — quanto em brasileiros — Solidões (2013), de Oswaldo Montenegro.

No entanto, a relação esperada entre arte e público não é uma das preocupações presentes em “Simplesmente acontece”, dirigido por Christian Ditter. O roteiro, adaptado do livro homônimo de Cecelia Ahern, abusa das fórmulas repetitivas e enjoativas sobre o final da adolescência e novas experiências de personagens entre 18 e 30 anos, sempre focando em desencontros amorosos. Não há novidades no enredo que possam ser aproveitadas e extraídas da história sem temperos e maiores atrativos, podendo levar o espectador ao tédio com apenas vinte minutos de filme.

A história se passa na Inglaterra e nos Estados Unidos. Dois jovens, Rosie (Lily Collins) e Alex (Sam Claflin) são alunos da mesma escola. Os personagens, adolescentes no começo da história, são amigos desde a infância. Mas, como esperado em filmes de comédia romântica, ambos nutrem sentimentos até então impossíveis de serem concretizados. Ela namora outros rapazes, assim como ele mantém relacionamentos com outras meninas, e nenhum dos dois deseja ceder ao romance, sendo este o atrativo para os admiradores do gênero.

Ambos querem sair da Europa para a América do Norte com o objetivo de estudar. Ela visa a Universidade de Boston e ele, Harvard. Ao ser aprovada na instituição, Rosie descobre que está grávida e abre mão do seu sonho de cursar Hotelaria. Alex, sem saber da situação da amiga, parte para outro continente e promete esperá-la. A garota, então, dedica-se à filha Katie. Mas o amor platônico pelo rapaz não é esquecido, e eles continuam a se corresponder periodicamente. O desenrolar da história, como anseiam os espectadores envolvidos com o sonhado namoro dos personagens — tática usada por escritores, roteiristas e demais criadores para manter o público preso à narrativa — culmina no esperado fim para os longas-metragens do estilo.

Ao longo do filme, determinadas sequências indicam outros possíveis caminhos mais interessantes para a história, como as consequências da morte do pai da protagonista e o impacto da gravidez na vida da jovem, que troca os estudos pelo papel de mãe em tempo de integral.

Uma dessas cenas mostra o diálogo entre os personagens, no qual Rosie explica a Alex o motivo de não ter contado sobre o nascimento de sua filha. A protagonista diz ao amigo que esta seria a única forma de alguém continuar a vê-la como Rosie, e não como uma estranha. A conversa demonstra a dificuldade de amadurecimento da mulher, que não consegue se enxergar, agora, como adulta e gostaria de manter, por meio do amigo, um vínculo com o passado, representando o sentimento de meninas despreparadas para a maternidade.

A despeito da existência de outras perspectivas para a história, o roteiro de Juliette Towhidi deságua no previsível (o amor mal resolvido do casal) e afunda na entediante mesmice, indo de encontro às possibilidades narrativas que poderiam ser exploradas para melhor aproveitamento do filme.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme

 

 

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Vencedor do Oscar, “Ida” finalmente chega hoje à tela do cinema de Campos

Ida 1

 

Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano, mas sonegado na programação dos cinemas comerciais de Campos, o polonês “Ida”, de Pawel Pawlikowski, terá sua primeira exibição pública hoje nestas terras de planície cortadas pelo Paraíba do Sul. E o que é melhor, com entrada gratuita. Será a terceira sessão de 2015 do Cineclube Goitacá, sempre às quartas-feiras, a partir das 19h30, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento da rua Conselheiro Otaviano com av. 13 de Maio. O filme será apresentado e terá o debate mediado por mim, cuja crítica ainda impactado pelo encantamento da sua primeira sessão, num cinema de Botafogo, no Rio de Janeiro, escrevi e publiquei aqui.

À crítica e à matéria publicada hoje na Folha dois, aqui e reproduzida abaixo, da jornalista e também crítica de cinema Paula Vigneron, pouco ou nada tenha a acrescentar. Exceção única a uma pergunta feita ontem pela repórter, após fazer-lhe um confissão sobre o filme, mas cuja resposta mais adequada só me ocorreu hoje, não em prosa, mas nos versos do mestre Dante Milano: Por que me apaixonei pela personagem Ida?

 

Imagem

Uma coisa branca,
Eis o meu desejo.

Uma coisa branca
De carne, de luz,

Talvez uma pedra,
Talvez uma testa,

Uma coisa branca,
Doce e profunda,

Nesta noite funda,
Fria e sem Deus.

Uma coisa branca,
Eis o meu desejo.

Que eu quero beijar,
Que eu quero abraçar,

Uma coisa branca
Para me encostar

E afundar o rosto.
Talvez um seio,

Talvez um ventre,
Talvez um braço,

Onde repousar.
Eis o meu desejo,

Uma coisa branca
Bem junto de mim,

Para me sumir,
Para me esquecer,

Nesta noite funda,
Fria e sem Deus.

 

Ida 5

 

O filme polonês “Ida” (2013), de Pawel Pawlikowski, será exibido hoje (18), às 19h30, no Cineclube Goitacá. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o longa-metragem será apresentado pelo jornalista e crítico de cinema Aluysio Abreu Barbosa. O Cineclube acontece todas as quartas-feiras, na sala 507 do edifício Medical Center, no Centro.

— É um filme que não passou em circuito comercial em Campos e vai ser exibido amanhã (hoje) de forma gratuita — alertou o jornalista.

“Ida” conta a trajetória de uma jovem noviça prestes a se tornar freira. A personagem é interpretada por Agata Trzebuchowska. Antes de prestar os votos, a madre superiora a aconselha a buscar Wanda, sua tia e única parente viva, vivida por Agata Kulesza. Ela, então, é confrontada por uma rotina diferente da sua devido à vida desregrada da mulher. O encontro leva Ida a conhecer a verdadeira história de sua família, que é judia e foi morta durante a Segunda Guerra Mundial.

Aluysio destacou o contexto histórico da Polônia no período da Segunda Guerra Mundial, que compõe, entre outros aspectos, o filme “Ida”.

— A Segunda Guerra começa na Polônia. Hitler e Stalin invadem, juntos, o país. Quando se tornam antagonistas, a Polônia passa a ser palco de guerra dos dois genocidas. A presença dos judeus foi muito forte — comentou, ressaltando que alguns dos principais campos de concentração foram construídos na região, como Auschwitz.

A fotografia do filme, cuja direção é de Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski, foi destacada pelo jornalista. Segundo Aluysio, a fotografia de “Ida” está lado a lado com filmes como “Barry Lyndon”, de Stanley Kubrick; “Lawrence da Arábia”, de David Lean; “O homem de Aran”, de Robert Flaherty; “Ran”, de Akira Kurosawa;  “Imensidão Azul”, de Luc Besson; e “Herói”, de Zhang Yimou.

— É uma das maiores já feitas na história do cinema. Não tem uma tomada que não seja genial. A fotografia me lembrou muito o trabalho de Walter Carvalho no filme brasileiro “Heleno” – afirmou.

A atuação de Agata Trzebuchowska e Agata Kulesza é, também, um dos pontos positivos do filme.

— As atrizes estão soberbas. Na vida, você tem uma série de paixões platônicas irrealizáveis. Acho que me apaixonei platonicamente pela personagem Ida. Dá vontade de abraçar, cuidar e, ao mesmo tempo, admirar uma força que eu nunca vou ter. É uma personagem fantástica. Acima de tudo, assisto ao filme embasbacado porque não vou entendê-lo completamente. Para isso, tem que ser mulher. O filme é muito feminino — opinou.

Ganhador, também, dos prêmios de Melhor Filme Europeu, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia e Júri Popular da 27ª edição do European Film Awards, “Ida” recebeu críticas de poloneses, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Grzegorz Schetyna. Eles lamentaram o fato de o cinema do país ser reconhecido somente pela abordagem de temas judeus. Segundo matéria divulgada pelo portal G1, a opinião foi rebatida por Pawlikowski, que questionou a “crença ‘patriótica’ de que um longa-metragem deve passar uma boa imagem de seu país de origem”.

A crítica sobre o filme “Ida” foi publicada na edição do dia 22 de fevereiro da Folha Dois, na coluna “Caixa de Luzes”, escrita por Aluysio. O texto pode ser encontrado no blog Opiniões, hospedado na Folha Online. Na próxima quarta-feira (25), o filme “A experiência” (2001), de Oliver Hirschbiegel, será comentado pelo jornalista Marcos Curvello.

 

Até às 19h30, confira o trailer do filme:

 

 

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Nem uma passeata de golpistas, nem o Brasil unido de verde-amarelo contra a corrupção

Mulher agita bandeira para manifestantes (EFE)
Mulher agita bandeira para manifestantes (EFE)

 

 

Por Flávia Marreiro

 

Nem a caricatura de uma passeata inteira de banqueiros e golpistas nem a apaziguadora imagem televisiva do Brasil, heterogêneo, unido e de verde-amarelo contra corrupção. O retrato que as reportagens e os institutos de pesquisa, o Datafolha em São Paulo e o Index em Porto Alegre, revelam sobre domingo é um pouco mais complexo e nem por isso menos aterrador para a presidenta Dilma Rousseff. O que os números mostram é que há potencial de crescimento na onda anti-Governo, entre outras coisas, pelo “contágio afetivo” e potente das contundentes imagens dos últimos dias. Se juntarmos a análise do perfil de quem foi à marcha pró-Governo na sexta na avenida Paulista, o quadro piora mais. E, ao que parece, a primeira resposta de Brasília e de Dilma não tem como amainar essas insatisfações.

Segundo o instituto Datafolha, 82% dos que foram à passeata de centenas de milhares na Paulista no domingo votou no candidato da oposição, Aécio Neves (PSDB). Quase metade deles (47%) disseram ter se motivado pela luta anticorrupção enquanto menos de um terço (27%) disseram defender o impeachment da presidenta. Disseram ganhar mais de dez salários mínimos 41% do entrevistados. Em termos de renda, um panorama bastante parecido emergiu na medição do instituto Index, em Porto Alegre, que monitorou a grande passeata de estimados 100.000 na capital gaúcha — 40,5% disseram receber mais que dez mínimos — e se conhece a correlação entre o dado e eleitores de Aécio. Sobre Curitiba se pode dizer algo semelhante.

Esse contingente provavelmente já sensibilizado pela campanha opositora no ano passado, e com um núcleo antipetista consistente ao menos em São Paulo, só encontrou mais motivação e discurso com o tarifaço do começo de janeiro e o desfile de tragédias da estatal Petrobras e seu enorme escândalo de corrupção entre janeiro e fevereiro. Mas, provavelmente, nesse grupo, ainda está sub-representado o eleitorado que votou em Dilma, mas a classificaramde mentirosa por aplicar um ajuste fiscal que não foi adiantado na campanha (vide as vaias que a presidenta recebeu no evento em São Paulo). São os que começam a sentir e a reclamar dos efeitos da estagnação econômica e da inflação.

O que os números mostram é que há potencial de crescimento na onda anti-Governo, entre outras coisas, pelo “contágio afetivo” e potente das contundentes imagens dos últimos dias

A isso se soma o resultado do Datafolha sobre a marcha pró-Dilma na avenida Paulista na sexta, com o núcleo mais organizado da base petista: centrais sindicais e movimentos sociais consolidados, como o MST. Para 25%, maior percentual entre os medidos, o motivo de ter ido às ruas foi defender os direitos trabalhistas, ou seja, para tentar resistir à parte das medidas que integram o pacote de arrocho fiscal (entre elas, mudanças na pensão por morte e no seguro desemprego).

“A pergunta não é apenas sobre quem estava nas ruas ontem, mas sobre todos que temos ouvido falar nas ruas, nos bares, nos ônibus nessas últimas semanas. Há muita gente que não está mobilizada (ainda), mas está participando desta onda anti-Governo”, escreveu Rodrigo Nunes, professor da PUC-Rio que analisou os protestos de junho de 2013. “Contágio afetivo é exatamente isso: uma participação que necessariamente precede uma adesão refletida e deliberada”.

 

Insatisfação

Agora, Dilma discute o que pode fazer para tentar aplacar a resistência nessa parte dos governados que já foi às ruas no domingo, e que poder fazê-lo de novo em abril. Aqui a palavra importa: governados. Não adianta falar de eleitorado, como fez o ministro Miguel Rossetto (Relações Institucionais), e esse é um dos ruídos causados pela retórica do Planalto, que ainda ressoa a campanha. Com a legitimidade avariada por uma eleição apertada, espera-se uma ação mais programática, que reconheça concretamente a força das manifestações de domingo e contemple algo do que estão pedindo. Mas isso é o que? Provavelmente, apenas o pacote anticorrupção não bastará. A presidenta Dilma, apesar de todo o ensaio de flexibilidade e citações sobre humildade, deixou transparecer desconfiança de que é possível, de fato, atender aos que protestam contra ela. “Você só pode abrir diálogo com quem quer abrir diálogo também. Com que não quer abrir diálogo você não tem como abrir diálogo”, repetiu.

Agora Dilma discute o que pode fazer para tentar aplacar a resistência nessa parte dos governados que já foi às ruas no domingo, e que poder fazê-lo de novo em abril. Aqui a palavra importa: governados. não adianta falar de eleitorado

Dilma e parte do Governo parecem estar inclinados a acreditar que lidam com um sentimento difuso contrário a ela e a seu partido difícil de conter, a despeito. Algo que parece ter, na visão de parte dos petistas, relação com o que o ex-ministro do Governo tucano, Luiz Carlos Bresser-Pereira, disse em entrevista à Folha de S. Paulo: um ódio de classes de cima para baixo. Na análise completa do ex-ministro, parte da responsabilidade é do próprio Governo, já que um combustível para o sentimento é a falta de crescimento econômico que teria dinamitado o pacto socioeconômico dos governos do PT.

Nunes, da PUC-Rio, e  Pablo Ortellado, da USP, estão entre os que tentam entender a composição social das manifestações de junho de 2013 e as de agora para encontrar matizes. André Singer, também da USP, vê a volta da direita com força às ruas pela primeira vez desde a redemocratização. Antes, em um artigo já clássico sobre os protestos de junho, Singer afirmou que um baixo proletariado com maior grau de instrução que seus pais foi às ruas em junho de 2013, uma espécie de vanguarda da nova ‘Classe C’ (e que talvez esteja sendo afetado pelas mudanças no FIES), é um público “em disputa”. Pelos números do Datafolha, essa faixa ainda não foi às ruas majoritariamente.

Vários analistas já apontaram que há uma disposição maior em se definir publicamente como de direita, algo que ainda teria certo atraso para ser refletido inteiramente no sistema político

Vários analistas já apontaram que há uma disposição maior em se definir publicamente como de direita, algo que ainda teria certo atraso para ser refletido inteiramente no sistema político. Até pouco tempo, como demonstraram as pesquisas do brasilianista Timothy Power, da Universidade de Oxford,pouquíssimos parlamentares se definiam como de direita no Brasil.  Uma virada se aproxima, com a quebra do consenso social e político no qual foi escrita a Constituição de 1989, em meio a um triênio de estagnação?

Ortellado vê uma tensão entre a direita ainda minoritária institucionalizada em partidos e o “ativismo de direita”, como o Movimento Brasil Livre e o Vem Para Rua, mais afinados com o discurso sobre a falência dos partidos. Nas manifestações de domingo, os políticos que tentaram ter protagonismo foram rechaçados.

Para o professor Nunes, há que se separar, na análise, uma pauta socialmente conservadora de uma defesa de políticas mais à direita, com privatizações e críticas aos programas sociais. No caso das primeiras, que inclui bandeiras como a redução da maioridade penal por exemplo, há alimentação ativa “em programas de rádio e TV, igrejas”, diz ele.

As pessoas estão sentindo uma série de coisas, que vão da deterioração do quadro econômico à frustração com os serviços públicos e com a insularidade do sistema político, e há uma narrativa vaga que diz para eles: “o nome disso que vocês estão sentindo é corrupção, é PT”

“Não é que essas pessoas tenham subitamente se descoberto a favor do estado mínimo e das privatizações. Mas elas estão sentindo uma série de coisas, que vão da deterioração do quadro econômico à frustração cotidiana com os serviços públicos e com a insularidade do sistema político, e há uma narrativa vaga que diz para eles: ‘o nome disso que vocês estão sentindo é corrupção, é PT, etc”, escreveu Rodrigo Nunes. O escândalo da Lava Jato, os problemas de gestão na Petrobras combinados com alta de preços e impostos são combustível para o quadro. “Essa narrativa oferece não só a perspectiva de uma gratificação imediata […] como a possibilidade de uma vez mais estar participando de algo coletivo, de sentir novamente aquela sensação de pertencer a uma força maior, capaz de meter medo nas autoridades.”

Segundo o Datafolha, 74% foram às ruas pela primeira vez no domingo. Se a análise acima está certa, não será difícil convencê-los a voltar.

 

Publicado aqui, no elpais.com

 

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Não fica impune o governante que xinga seu próprio povo de golpista

tiro pela culatra 1

 

 

 

Professor e engenheiro Hubert Alquéres
Professor e engenheiro Hubert Alquéres

Não se xinga o povo de golpista

Por Hubert Alquéres

 

A presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e a turma do PT ainda não descobriram que não se xinga o povo, cansado de corrupção, de golpista. No panelaço do Dia Internacional da Mulher rotularam a manifestação como uma tentativa das elites de forçar o terceiro turno eleitoral.

A resposta veio velozmente. Nesse domingo dois milhões de brasileiros foram às ruas e em São Paulo aconteceu a maior manifestação da história do país contra um governo.

Nem isso tirou o Planalto do universo próprio em que vive e da alienação na qual estão mergulhados o governo e a presidente.

Em vez de tomar um choque de realidade e calçar as sandálias da humildade, o governo fez exatamente o contrário, através dos ministros Eduardo Cardozo e Miguel Rossetto.

O Ministro da Justiça repetiu promessas de dois anos atrás, quando das jornadas de junho de 2013, como se elas respondessem a indignação manifestada hoje.

Palavras surdas frente ao clamor de 2013 e muito menos capazes de satisfazer aos sentimentos cívicos que brotaram nas ruas nesse 15 de março, de norte a sul, de leste a oeste do país. Em todos os andares da sociedade.

O outro, Miguel Rossetto, fez pior. Reproduziu a tese do golpismo, praticou o autoengano, ou tentou enganar a todos nós.

Duas questões preocupam em seu pronunciamento. A primeira é a insistência do Planalto de dividir o país entre os eleitores de Aécio Neves — os que fizeram as manifestações —, e os de Dilma.

Ora, é obrigação da presidente governar para todos os brasileiros, independente de como cada um votou na última disputa presidencial.

O dito do ministro desnudou o governo petista: só pensam em função de sua carteirinha partidária. Se consideram representantes do PT e não do povo. E tratam os outros como se fosse o “resto”.
A segunda questão é o apelo ao medo para levar a sociedade à paralisia.

Propositadamente Rossetto superestimou o peso da meia dúzia que prega intervenção militar, rechaçada pelos milhões que ocuparam as ruas.

Balela. As Forças Armadas sequer dão ouvidos às vozes isoladas que se comportam como viúvas da ditadura. Estão em sintonia com o amplo sentimento de civismo, de amor à democracia, expresso na já histórica jornada de 15 de março.

Em vez de criar fantasmas, o governo Dilma deveria cair na real para não ampliar o fosso que o aparta do povo brasileiro.

Esse é o xis do problema: não basta apenas o governo reconstruir a interlocução com sua base parlamentar.

Mais importante é criar pontes com a sociedade. E isto não é uma questão de marketing, é política.

Passa, obrigatoriamente, por um pedido de desculpas aos brasileiros por sua inépcia de não ter percebido o assalto à Petrobras. Pelos erros primários e grosseiros cometidos na condução da economia; pelo discurso falso e ilusionista da campanha eleitoral.

Mas, contar ao povo a verdade será a condenação do seu partido. Representaria a negação do que foi até agora o seu governo.

O jeito vai ser se encastelar no Palácio. Como fez nesta segunda-feira à tarde quando admitiu dar entrevista coletiva num horário onde a população estaria trabalhando e não poderia bater panelas. Não conseguiu. À noite, quando o Jornal Nacional repercutiu a fala da presidente, milhares de pessoas em diversas cidades mantiveram a marcação cerrada e fizeram mais um panelaço.

Como se nota, não fica impune o governante que xinga seu próprio povo de golpista.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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Verde-amarelo do cidadão comum, sem ideologia ou utopia, mas com a moralidade intacata

Em progresso

 

 

 

Antropólogo Roberto DaMatta
Antropólogo Roberto DaMatta

A hora do cidadão comum

Por Roberto da Matta

 

Passei a semana acompanhando a CPI da Petrobras, lendo os jornais mais importantes do Brasil e seguindo pessoalmente as manifestações. Não fui ao Rio, mas fiquei numa Niterói ilhada por obras que, espero, venham a melhorar a minha vida: a vida de um homem comum que, durante décadas, tem trabalhado no Rio e em todo lugar. Sujeito que subiu em ônibus, tomou barca, lotação e foi do tempo do andar de bicicleta e a pé.

Dizer que há uma guerra entre ricos e pobres ou afirmar, como fazem os áulicos da presidente Dilma, que “o contra” é mais motivador do que o “a favor” é ficar no mais imbecil dos sofismas.

Pois quem é a favor é contra e quem é contra é a favor. De alguém, de alguma causa ou coisa. No caso: o povo manifestou-se contra um governo paralisado por sua mendacidade, mas a favor da punição dos ladrões do mais pornográfico sistema de corrupção jamais montado no Brasil. Um sistema que vem do centro do poder e chega à periferia da sociedade É claro que as pessoas estão contra o governo Dilma, mas estão a favor daquilo que move todo povo trivial e idiota: a honestidade, a dor de consciência, a vergonha de testemunhar o furto daquilo que faria o progresso e o bem-estar de um Brasil que eles não acham que é atraso ou babaquice amar.

Do mesmo modo, todo rico tem quem seja mais rico e todo pobre conhece alguém mais pobre. Trata-se de uma oposição segmentar, como diziam os antigos sociólogos ou, como dizem os mais jovens, é um fractal. Como acontece com a oposição entre a casa e a rua na sociedade e, na política, entre direita e esquerda. Não é preciso pensar muito para descobrir que a casa tem uma rua (e vice-versa) e que cada direita tem a sua esquerda. Ou o velho Trotsky não foi assassinado? Quem o matou foi a direita ou a esquerda do stalinismo?

Quando eu fiz uma pesquisa num bairro periférico de São Paulo com pessoas que se definiam como “pobres”, fiquei parvo ao descobrir que todos, rigorosamente todos, se diziam pobres. Assim como os porta-vozes de Dilma que dizem querer um “diálogo” que termine por calar a nossa boca: a boca que foi calada por tanto tempo do cidadão comum. O tal povo que, neste movimento histórico, sai das asas dos partidos. Seja porque eles são todos falidos, mentirosos, malandros — maquinas de enricar seus membros; seja porque ninguém atura mais os Lulas, as Dilmas, as Gleises, os Cardozos (com z), os Dirceus (o “capitão do time”) os seus mensaleiros-jogadores, os Mantegas e as Rosemarys com suas pachorras e bebês.

O homem e a mulher comum se cansaram de pagar a conta da bomba de hidrogênio que foi o roubo ordenado, calculado, com um óbvio viés político-ideológico-partidário na maior e mais querida empresa do país.

Ouvir o Sérgio Gabrielli na CPI foi uma aula e um insulto. Ouvir novamente as reuniões do Supremo ou dos outros tribunais não pode mais ser um outro ato de autoflagelação. Ou mais uma aula de douta malandragem. O povo se cansou de testemunhar que o crime compensa quando o roubo é feito por agentes públicos graduados, eleitos para redimir e não sacanear o Brasil. Pois cada oitiva não termina numa lição de justiça, mas numa pedagogia de corrupção. Numa demonstração dos dotes necessários para bem roubar o Brasil: ter cara de pau, cinismo, frieza, ousadia, ausência absoluta de espírito publico, de patriotismo e, acima de tudo, de gosto pela malandragem que não dá em nada!

O outro aprendizado tenebroso é o seguinte: para roubar nesta escala e com tanta legitimidade, é preciso ser governo. Quem rouba não é o partido, nem as empresas, nem o papel de deputado, governador, prefeito, senador ou presidente. Quem rouba é a urdidura partidária relacional que mete na cabeça uma utopia ou um ideal revolucionário, o qual vai tirar a sociedade de sua miséria de pessoas comuns que trabalham, casam e fazem filhos misturados, que comem arroz com feijão e adoram carne-seca, samba e cerveja. Aceita a ideologia e implementado o partido como governo, começa a ação de “cuidar” ou revolucionar a sociedade. E, já que não se pode acabar com o mercado e a eleição, por que não comprá-los?

A nobreza das utopias — alimentar os famintos, vestir os nus, dar abrigo aos sem-teto — são as palavras mágicas dessa cosmologia política pervertida, segundo a qual o governo, sabendo tudo e tudo possuindo, sabe mais e melhor do que a sociedade.

Mas eis que, depois uma década no poder, nada disso ocorre, exceto a utopia de enricar sem fazer nada — apenas governando e politicando: vendo onde, quando e quanto se pode tirar sem dolo, culpa ou remorso porque o dinheiro era do lucro e o lucro, como na Idade Média, é roubo e pecado. E quem rouba o ladrão tem mil anos de perdão…

Assusta, neste glorioso 15 de março, essas manifestações não encarnadas pelo falso vermelho, e marcadas pelo verde-amarelo. O verde-esperança e o ouro sem mácula que pintam o coração de milhares de brasileiros. Esses cidadãos comuns. Essa gente miúda. Esse povinho sem ideologia ou utopia, mas com a moralidade, apesar de tudo, intacta!

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

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Datafolha: Com 62%, Dilma tem maior reprovação desde Collor antes do impeachment

Dilma em queda

 

 

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira mostra que 62% dos brasileiros consideram a gestão da presidente Dilma Rousseff como ruim ou péssima. A impopularidade de Dilma subiu 18 pontos comparada ao levantamento anterior do instituto em fevereiro.

É a mais alta taxa de reprovação de um mandatário desde setembro de 1992, véspera do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, que era de 68%.

Apenas 13% classificam o governo de Dilma como ótimo ou bom, uma queda de de dez pontos em relação à pesquisa anterior.

A pesquisa foi feita com 2.842 eleitores logo após as manifestações contra Dilma no domingo. O levantamento, que tem dois pontos percentuais de margem de erro, mostra a deterioração da popularidade de Dilma em todos os segmentos sociais e em todos as regiões do país.

As taxas mais altas de rejeição da presidente estão nas regiões Centro-oeste (75%) e Sudeste (66%), nos municípios com mais de 200 mil habitantes (66%), entre os eleitores com escolaridade média (66%) e no grupo dos que têm renda mensal familiar de 2 a 5 salários mínimos (66%). A maior taxa de aprovação está na região Norte, com 21%. No Nordeste, 16% dos seus habitantes aprovam o governo de Dilma.

A presidente obteve nota 3,7, a pior desde a chegada de Dilma à Presidência, em 2011. Em fevereiro a nota média era 4,8. No primeiro mandato, a pior média foi 5,6, em junho e julho de 2014.

A pesquisa também mostra que somente 9% consideram ótimo ou bom o desempenho do Congresso. Para 50% a atuação dos deputados e senadores é ruim ou péssima.

Para 60%, a economia vai piorar

O pessimismo econômico também foi abordado pela pesquisa e a expectativa com a situação do país é a pior desde 1997. Para 60%, a situação da economia vai piorar. Em fevereiro, a percepção de que a situação econômica iria piorar nos próximos meses chegava a 55%.Segundo o Datafolha, 69% acreditam que o desemprego deve aumentar, mas 61% pensam não correr risco de demissão.

A expectativa para a maioria, 77%, é que a inflação aumentará

 

Publicado aqui, em oglobo.com

 

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Petrolão — Sucessor de Cerveró tem R$ 34,7 milhões bloqueados no Principado de Mônaco

 

Principado de Mônaco, paraíso mediterrâneo famoso pelos cassinos, pela prova de Fórmula 1 e agora também pelo Petrolão brasileiro
Principado de Mônaco, paraíso mediterrâneo famoso pelos cassinos, pela prova de Fórmula 1 e agora também como destino do dinheiro público brasileiro roubado no Petrolão

 

 

Jorge  Zelada, sucessor de Nestor Cerveró como diretor internacional da Petrobras
Jorge Zelada, sucessor de Nestor Cerveró como diretor internacional da Petrobras

Por Renato Onofre

 

As autoridades do Principado de Mônaco bloquearam 10 milhões de euros (R$ 34,7 milhões) do ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), há a suspeita de que o ex-diretor, que substituiu Nestor Cerveró, possa estar envolvido no esquema de corrupção.

Para o procurador federal da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, o acúmulo de recursos no exterior é incompatível com a renda do ex-diretor que até o momento não foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF).

— É estranho que esses recursos não são compatíveis com sua renda – afirmou o procurador, explicando que ainda não é possível oferecer denúncia contra Zelada porque ainda não há o rastro do pagamento de propina.

Zelada já era alvo de investigação da Controladoria Geral da União (CGU) junto com o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, e o ex-diretor da Área Internacional, Nestor Cerveró. Eles respondem a processos administrativos que apuram suposta participação dos três no esquema de pagamento de propina pela empresa holandesa SBM Offshore.

A SBM é uma empresa que atua com construção de plataformas de petróleo e mantém contratos com a Petrobras. Diretores da companhia internacional já admitiram ter pago US$ 139 milhões a representantes no Brasil, mas ainda não detalharam o caminho final da propina na estatal brasileira.

A CGU instaurou 13 processos administrativos sancionadores e três sindicâncias patrimoniais para investigar a suposta participação de empregados e ex-empregados da Petrobras no esquema da holandesa SBM. Em dezembro, o GLOBO mostrou que os ex-diretores são Duque, Cerveró e Zelada e o ex-gerente de Serviços, Pedro Barusco terão o patrimônio avaliado pelos auditores do órgão federal.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Com listado no Petrolão e o vice de Dilma à frente, PMDB propõe reforma política

 

Por Bernardo Caram

 

O PMDB apresentou na manhã desta terça-feira, 17, uma proposta de reforma política que será apresentada ao Congresso Nacional. Entre os pontos defendidos, está a garantia do financiamento privado de campanha eleitoral e o fim da reeleição.

No que diz respeito ao financiamento de campanha, o partido propõe que seja público e privado, com a condição de que as doações de pessoas jurídicas sejam feitas diretamente a um único partido político – hoje uma mesma empresa pode doar a quantos partidos e candidatos quiser. A proposta foi elaborada pela Fundação Ulysses Guimarães, braço de formulação política do PMDB, e apresentada pelo presidente da instituição, Moreira Franco, além do vice-presidente, Michel Temer, e o presidente do Congresso, Renan Calheiros.

 

Entre o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, e o vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado listado no Petrolão, Renan Calheiros, foram as caras à frente da proposta de reforma política do PMDB (foto de Andre Dusek - Estadão)
Entre o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, e o vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado listado no Petrolão, Renan Calheiros, foram as caras à frente da proposta de reforma política do PMDB (foto de Andre Dusek – Estadão)

 

O vice presidente Michel Temer, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), o ex ministro Moreira Franco(presidente da Fundação Ulysses Guimarães) e senadores do PMDB, durante cerimônia de entrega ao vice-presidente de uma proposta de reforma política feita pelo PMDB, na câmara Câmara dos Deputados, em Brasília.

O fim da reeleição viria conjugado com a implementação de mandato de 5 anos e com a coincidência das eleições. A defesa do partido é que a proposta seja aprovada para valer já nas eleições municipais de 2016. Uma transição seria implementada para que a coincidência de todas as eleições seja alcançada em 2022.

Pela proposta, o sistema eleitoral deve ser o “distritão”, no qual cada Estado e o Distrito Federal seria um distrito. Pelo sistema, são eleitos para a Câmara, Senado, assembleias estaduais e Câmaras de vereadores os candidatos mais votados em ordem decrescente até atingir o número total de vagas. O modelo acaba com a figura do “puxador de voto” do atual sistema.

O texto prevê ainda a proibição de coligação nas eleições proporcionais e o estabelecimento da cláusula de desempenho para o funcionamento parlamentar de partidos, com exigência de no mínimo 5% dos votos em pelo menos um terço dos Estados.

Por fim, o texto propõe que o mandato pertence ao partido pelo qual o parlamentar foi eleito. Pelo texto, o parlamentar que deixar o partido perderá automaticamente o mandato, com exceção dos casos de fusão de partidos, mudança substancial do programa partidário e grave discriminação pessoal.

Congresso. O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), ressaltou nesta manhã a importância do poder Legislativo na aprovação de uma reforma política. “O PMDB vem agora a público para revelar sua proposta de reforma política e o faz com a convicção de que se trata de uma colaboração com o Congresso Nacional. O Congresso é o senhor absoluto dessa matéria”, disse.

Temer afirmou que o partido vai tentar sustentar a proposta, que inclui o financiamento privado de campanha e o fim da reeleição. “Vamos manter contato com os mais variados partidos para discutir esse tema”, disse. “Temos a obrigação de não falharmos neste momento”, completou.

Segundo Temer, o País confia na aprovação da reforma, num momento em que o PMDB ocupa as presidências da Câmara e do Senado. “Como tivemos agora a responsabilidade de equacionar a revalorização do imposto sobre a renda. Deveu-se especialmente às ponderações feitas pelo PMDB”, exemplificou ao citar a negociação sobre a correção da tabela do IR.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

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A humildade de quem arruinou o Brasil, enquanto a corrupção corroía a Petrobras

Dilma, a humilde

 

 

Jornalista Sandro Vaia
Jornalista Sandro Vaia

Dilma, a humilde

Por Sandro Vaia

 

Lula mandou Dilma ser humilde. O marqueteiro João Santana sugeriu que, por uma questão estratégica, Dilma fingisse que estava humilde. Até o Mercadante, depois de cofiar os bigodões aloprados, disse que achava que no momento uma dose de humildade seria bem-vinda
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Afinal de contas, no domingo dia 8, Dia Internacional da Mulher, tinha convocado uma rede nacional de rádio e TV — algo impensável em países sérios, mas o Brasil, a gente está cansado de saber, até o general De Gaulle estava cansado de saber, não é um país sério —, para pedir paciência ao povo.

A mulher literalmente arrasa a economia do país, com sua soberba, sua absoluta autoconfiança, sua crença empedernida de que é a maior economista que já pisou a casca deste planeta. Enquanto o esquema de roubalheira que é intrínseco a seu partido corroía a maior empresa nacional, Dilma Rousseff arruinou tudo, não deixou pedra sobre pedra: inflação alta, persistente, contas públicas em frangalhos, indústria arrasada, setor elétrico completamente alucinado, exportações decrescentes, estagnação.

Aí então, depois de tudo isso, é forçada a dar um cavalo de pau, mudar a direção, e aí vai à TV, com aquela cara simpática, agradável, pedir paciência!
Recebeu de volta vaia, berro, panelaço, buzinaço, acendapagaço de luz.

Uma semana depois do discurso vaiado, berrado, panelaçado, buzinado, acendapagaçado, dois milhões de pessoas vão às ruas berrar Fora Dilma, Fora PT.

Horas após as maiores manifestações populares desde as Diretas-Já, a mulher bota dois trapalhões para falar na TV em defesa do governo. Um dos trapalhões, tadinho, resolve toda a questão: ah, protestou quem não votou em nós!

Os dois trapalhões são recebidos com panelaço nas grandes cidades do país.

Aí, finalmente, entraram em campo os profissionais, os políticos bem preparados, os tarimbados, os com jogo de cintura. Lula, João Santana. Baiano por baiano, Jacques Wagner deve ter ido também falar com a patroa. O Berzo, claro, o inteligentíssimo Berzo, ele também deu um toque.

Todo mundo disse para a presidente: É hora de demonstrar humildade.

Aí Dilma foi participar de uma cerimônia qualquer no Palácio e, no discurso, pronunciou: – “Se cometemos algum erro de dosagem (da política econômica), é possível que a gente possa até ter cometido algum.”

Na cara com que ela falou isso estava escrito assim: — “Por#a, car*l&o, merda, nesta joça aqui mando eu e eu sei o que faço, tá bom proceis? E parem de me encher o saco, porque até agora eu tô aqui bancando a boazinha, mas tô quase perdendo a paciência.”

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

 

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