Cineclube Goitacá, Cine Jornalismo e Sarau Baião de Dois são oásis

Colyseu

 

 

 

Cineclube 1

 

 

“Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação.”

(Charles Chaplin)

 

Ao completar 1 ano no último dia 26 de junho, a lei 13.006/14 que obriga a utilização de produção audiovisual nacional, por no mínimo 2h/mês, nas escolas de educação básica está longe de começar a engatinhar. Entre os embaraços para sua implementação está a falta de apoio para produção e difusão de obras que, na maioria das vezes, não são  contempladas com exibição nas salas comerciais. Urgente também a capacitação para os educadores operarem os equipamentos de som e imagem adequadamente, já que encontramos estes sub utilizados em grande parte das unidades escolares. Porém, o grande gargalo que se observa é quanto ao conteúdo a ser utilizado. Acredito que a medida ideal para sairmos desse atoleiro seja o incentivo de criação de cineclubes nas escolas.

Os cineclubes surgiram na década de 20 no século XX, como um encontro para discussão de pequenos grupos, com filmes que apontavam discussões sobre questões sociais e políticas, escondidas em grande parte dos espaços públicos e também da maioria da população. Trazer o cineclube para o espaço educacional formal é antes de tudo, trazer a arte ao encontro do educador, mas um educador/espectador que não só assiste, mas participa, discute, relaciona e transfere para o seu dia, todas as dúvidas escondidas e as perguntas não respondidas para, em campo, reconhecer os seus iguais, os seus diferentes e as possibilidades de olhar a sua prática a partir de tantas outras. Compreende-se o cinema como experiência e como tal, destituído de uso, entende-se que os cineclubes na aproximação com a educação, devem oportunizar o encontro entre cinema e educação de forma subjetiva e coletiva, relacional, onde o cinema é concebido como alteridade. É neste sentido, de ser tocado pelo outro, que o cineclube se apropria dos debates para se emancipar como objeto de análise, contribuindo com a formação cultural e com as relações cotidianas. É o conhecimento a partir do encantamento, um convite ao questionamento das ações pedagógicas e de seus diferentes caminhos, através da interação com o outro.

É preciso encontrar saídas, com olhar diferenciado, sobre as potências desta relação e as perdas que ela pode produzir. Está nesta possibilidade de aprender e desaprender a respeito do sujeito, da educação, do cinema, da vida, que esta análise se dispõe. Trata-se de um posicionamento estético da ordem da ocupação dos espaços, dos tempos, dos ritmos, dos recortes, das conexões e rupturas. A partir deste pensamento, o cineclube, através da experiência do cinema, ilumina a arte como sonho e realidade, sem distinção, incluindo o outro, sendo o próprio outro, no diálogo de experiências comuns, lugares onde se encontram e podem se transformar. Trata-se os cineclubes como objetos que propiciam a transformação, mas faz laços fortes com a linguagem audiovisual se apropriando dela para falar em nome dela.

Em Campos dos Goytacazes contamos com alguns oásis da cultura cineclubista como o Cineclube Goitacá da Oráculo Produções, o Cine Jornalismo da Associação de Imprensa Campista (AIC) e o Sarau Baião de 2, no Sinasefe, que reúnem assiduamente estudantes universitários, profissionais de várias áreas, cinéfilos e apreciadores do cinema em seus diversos formatos e gêneros para sessões e debates enriquecedores e maravilhosos.

Vamos lutar pela garantia da implementação da lei 13.006/14, com conteúdo de qualidade e educadores capacitados para promover a acessibilidade, a democratização, a reflexão e o uso da arte cinematográfica adequadamente.

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

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Este post tem um comentário

  1. Sandra Machado

    “Cineclube Goitacá ,melhor programa não há.”

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