
O que cabe nos segundos?
Milésimos de segundos. Dias. Meses. Anos. Horas. Séculos de espera. Ânsias de saudade. Arrastados domingos em vidas de paciência. Uma dose de desejo. Um amor. Dois. O amor. A dois.
Que cabe nos segundos?
Cabe, também, a voz. O ardor. O sentimento, o vínculo, o passado. Passado? Presente entre linhas. E línguas. E tantos outros casos em um caber. Surge. Ela. Nasce. Ele. Transparecem. E somem. Em um segundo. Ou milésimo. Infinito de uma vida.
Cabe nos segundos?
Cabe. Sempre cabe. Basta ajeitar. Um pouco à esquerda. Ou à direita. Dois passos para lá. Mais dois para cá. Passos em danças e direções. Basta caber. Inserir e espremer nos espaços ainda não ocupados. Camuflados. Escondidos entre meios, entre fins e inícios.
Nos segundos?
Em milésimos. Poucos respiros em tantos suspiros. Indícios de afagos pelo caminho em pétalas.
Segundos?
Bastam alguns.
Poucos segundos.
Aí, então, caibo. Cabemos. Eu, você. Eu e você. Nós em nossos nós.