Morre o holandês Rutger Hauer, que imortalizou o líder andróide de “Blade Runner”

 

Com o prego cravado na mão esquerda e a pomba na direita, Rutger Hauer no papel que imortalizou no cinema

Conheci o ator holandês Rutger Hauer no primeiro filme que vi de sua pátria, o consistente drama da II Guerra “Soldado de Laranja” (1977). Era dirigido pelo então desconhecido Paul Verhoeven, que depois se tornaria famoso em Hollywood por “RoboCop” (1987), refilmado em 2014, sem o mesmo sucesso, pelo brasileiro José Padilha.

Hauer fez a mesma migração. E foi protagonista de clássicos dos anos 1980, como o cavaleiro medieval amaldiçoado por sua paixão, em “O Feitiço de Áquila” (85), de Richard Donner; ou o temível psicopata do thriller de supense “A Morte Pede Carona” (86), de Robert Harmon.

Mas Hauer passaria à história do cinema por sua composição do líder replicante Roy Batty, em “Blade Runner — O Caçador de Andróides” (1982), de Ridley Scott. Ele é o líder dos andróides usados como força militar escrava na exploração espacial, que se rebelam e voltam à Terra para ajustar contas com seu criador. Caçados como animais, buscam as respostas às mesmas perguntas que perseguem o homem desde o início dos tempos: Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Quanto tempo tenho? Que diabos estou fazendo aqui?

O ator de expressivos olhos azuis hoje os fechou definitivamente, aos 75 anos, após uma doença breve e não divulgada. Como disse seu mais famoso personagem, em sua última fala no clássico de Ridley Scott:

—  Eu vi coisas que vocês, humanos, jamais acreditariam. Vi naves estelares em fogo na Constelação de Orion. Vi raios cósmicos cingindo o espaço perto de Tannhaüser Gate. E esses momentos ficarão perdidos para sempre, como lágrimas na chuva. Hora de morrer!

 

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