Opiniões

Se vai dar Trump ou Biden, o seu papel na eleição a presidente dos EUA

 

 

São 2h30 da manhã de Brasília. E para quem, nesta Terra de Vera Cruz, acha que sua torcida contra ou a favor de Donald Trump importa a quem pode ontem tê-lo reelegido presidente dos EUA, a verdade é dura: sua vontade sempre contou tanto quanto o voto de quem recentemente reconduziu a esquerda ao poder na Bolívia. E isso só pode ser encarado como elogio pelo tupiniquim com menos hemácias no cérebro que nunca pisou na orgulhosa República Andina dos Aimaras.

Escrevo sem saber o resultado final da eleição presidencial dos EUA. A bem da verdade, ninguém sabe. Mas, a não ser que o voto pelos correios mude o resultado do swing state (estado pendular e decisivo) da Pensilvânia, onde nasceu Joe Biden, é bem possível que Trump ganhe mais quatro anos de mandato. Caso contrário, a questão deve parar na Suprema Corte, transformada em bastião conservador pelo sucessor de um republicano diferente, Abraham Lincoln.

Confirmada a derrota de Biden, ela não se dará pela derrota em seu estado natal. Mas pela que Trump impôs aos democratas na Flórida, com os votos latinos de cubanos refugiados de Fidel e até de brasileiros entusiastas de Bolsonaro. No complexo sistema do colégio eleitoral dos EUA, o estado tem 29 votos. Mesmo se o candidato democrata vencer na Pensilvânia (20 votos), mais Winsconsin (10 votos) e Maine (4 votos, um dos dois únicos estados com divisão proporcional), ele ficaria 5 votos aquém dos 270 delegados necessários para vencer o pleito. Outro estado com divisão proporcional de delegados (5 votos), Nebraska seria a única alternativa de alternância no poder.

Em um país como o Brasil, onde todos se ungem espessialistas em futebol e política em tempo de Copa do Mundo e eleição, é pedir demais que se entenda um sistema criado pelos Pais Fundadores dos EUA, no séc. 18, para evitar que um populista chegasse ao poder. E que, mais de 230 anos depois, serve para que um populista como Trump possa se perpetuar no poder. Mas, diante de uma mesma Constituição desde aquela época, não tem moral para criticar quem está na sua sétima. E só consegue mantê-la a despeito dos boçais que saem às ruas para pedir a volta do AI-5.

São os mesmos que, da sua irrelevância subequatoriana, comemorarão mais quatro anos para Trump. “Patriotas” que, como seu “mito”, baterão continência à bandeira estrangeira. Enquanto Benjamin Franklin, Thomas Jefferson e John Adams — que nunca viram mais gordos — se reviram nos seus túmulos.

 

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