O que apoio de Garotinho a Castro muda em Campos?

 

Rodrigo Bacellar, Cláudio Castro, Anthony Garotinho, Helinho Nahim, Frederico Paes, Washigton Reis, Castro, Wladimir Garotinho e Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A foto da convenção estadual do União no domingo (31), com o governador Cláudio Castro (PL) e o ex-governador Anthony Garotinho (União) de rostos constrangidos, foi notícia de repercussão nacional. Mas o que muda em Campos, na composição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal e na tentativa de imposição pela oposição de 5% de remanejamento no Orçamento de 2023 ao governo Wladimir Garotinho (sem partido), que também esteve Castro na segunda (1º)? O prefeito de Campos não revelou o que acordou com o governador, mas reforçou seu apoio a ele em outubro:

— Vou trabalhar pela reeleição de Cláudio Castro e vou confiar no que ele me disse, que neste momento cabe a mim e a ele — disse Wladimir.

Já segundo o vereador de oposição Helinho Nahim (Agir), primo do prefeito, o apoio de Garotinho a Castro não muda nada na Câmara de Campos:

— Falei ontem por telefone com o nosso líder, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL, que só saiu da secretaria de Governo de Castro para se candidatar à reeleição na Alerj). E orientação dele foi de que nada mudou na Câmara. O que tem que mudar é a maturidade do prefeito. Rodrigo disse que Castro não esperava o apoio de Garotinho (formalizado na convenção do União) e ficou até constrangido. Se tiver condições jurídicas para se candidatar (espera julgamento previsto para sexta, dia 5, das provas da Chequinho no Supremo Tribunal Federal), Garotinho deve se eleger deputado federal. O que, na minha opinião, seria bom para Campos. Por ter mais um representante em Brasília e para ele parar de ficar se metendo na política da cidade. Mas, para Campos, é só isso — garantiu Helinho, sobrinho de Garotinho.

O prefeito Wladimir respondeu ao primo, também em tom forte:

— Quanto às palavras do vereador Helinho Nahim, quem precisa de maturidade é ele, que ainda não entendeu que não vou ceder a chantagem.

Outras fontes governistas dão conta que o apoio de Garotinho à candidatura de Castro a governador, a quem vinha atacando de maneira pesada, pode sim mudar a relação entre governo de Campos e a oposição comandada pelos Bacellar. Quer seja na mudança do percentual de remanejamento do prefeito no Orçamento a ser aprovado na Câmara, quer seja na composição da sua nova Mesa Diretora, que tem até dezembro para ser eleita.

Candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Castro e ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB) é aliado dos Garotinho. E tem disputado espaço com Rodrigo dentro do governo estadual.

 

Morre aos 63 anos o mestre Marcelino Moreira

 

Mestre Marcelino Moreira

Mineiro radicado em Campos desde os anos 1980, morreu em sua casa,  por volta das 3h da manhã de hoje, o mestre Marcelino Moreira. Tinha 63 anos e lutava há mais de dois anos contra um câncer de próstata. Faixa preta de 7ª dan e grão-mestre de taekwondo, ele foi o introdutor da arte-marcial coreana em Campos, onde formou gerações de atletas no esporte. Formado em Educação Física, foi também poeta, compositor e professor de violão clássico, além de líder do movimento Hare Krishna na cidade. Seu corpo será sendo velado na capela do Cemitério do Caju, onde será sepultado às 16h. Ele deixa a esposa Maria Amália e os filhos Marcelo, Marcelino e Matheus.

Marcelino era natural de Betim, na zona metropolitana de Belo Horizonte, onde teve na capoeira seu primeiro contato com o mundo das lutas. Segundo disse em entrevista ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3, seu objetivo quando menino era ser um homem forte. No final dos anos 1970, se mudou à cidade do Rio de Janeiro. Lá, chegou a praticar boxe inglês, na academia do lendário treinador Santa Rosa. Mas não quis se profissionalizar, por conta dos danos do esporte em contraste com o pouco retorno financeiro. E acabaria se encontrando quando conheceu no Rio outra lenda, o mestre Woo-Jae Le, ex-militar e ex-monge da Coréia do Sul que introduziu o taekwondo no Brasil.

Após se destacar como pupilo do mestre Lee, Marcelino foi por ele usado para expandir o taekwondo no estado do Rio. E veio para Campos em 1981, onde abriu a Academia Faixa Preta, nos altos de um sobrado na rua João Pessoa. Na segunda metade da década de 1980, mudaria a academia para espaço mais amplo, nos altos de outro prédio, na rua do Ouvidor. Depois, nos anos 1990, se mudaria para a academia TKD, na rua Saldanha Marinho. Nos anos 2000, Marcelino passaria a dar aulas de taekwondo na academia Estação Saúde.

Mais conhecido no mundo as artes-marciais, Marcelino era também íntimo de outras artes. Compositor e exímio violonista, lecionou violão clássico durante anos no antigo Conservatório de Música de Campos, na rua 13 de Maio. Da composição musical, enveredou também pela poesia literária, onde se destacava pelo lirismo. Do seu contato com a filosofia oriental, através da luta, acabou se convertendo ao Hare Krishna, uma das várias vertentes religiosas do hinduísmo. E foi, também durante muitos anos, um dos líderes do movimento em Campos.

Desde que a notícia da sua morte na madrugada passou a correr nas redes sociais da cidade, no início da manhã de hoje, centenas de comentários sentidos de ex-alunos e pais de ex-alunos atestaram como esse mineiro que, quando menino, queria ser um homem forte, marcou fortemente sua passagem de 40 anos por Campos. Grande lutador, dono de uma plasticidade invejável de movimentos, lutou até o final contra o câncer. Com a vida calçada em conceitos como dedicação, disciplina, autoconhecimento e respeito ao próximo, foi um mestre de vida muito além das artes-marciais.

Na sua última entrevista ao Folha no Ar, em 2 de agosto de 2021, há exatamente um ano da sua morte hoje, ele deixou sua mensagem final:

 

 

— A mensagem é que a vida é a vida é muito breve. E nós temos que ter um cuidado muito esmerado com o corpo, cuidar bem da alma, do espírito, através de uma boa alimentação, através de relações sadias, através de valores como a honestidade, a compaixão, a benevolência, ser mais filantrópicos, altruístas. O ser humano tem que ter essa preocupação, porque é essa característica que o torna distinto das demais formas de vida. A vida humana destina-se à autorrealização espiritual. Quando foge desse escopo, a vida se torna medíocre; você vive mais como um animal sofisticado do que como um ser humano.

 

De Miracema ao Brasil, voto impresso X urna eletônica

 

Formado pela Faculdade de Direito de Campos (FDC) em 1993, José Souto Tostes é advogado eleitoral, consultor em gestão pública e especialista em licitações. Foi procurador municipal em Miracema, no Noroeste Fluminense, de onde é natural e sobre a qual mantém um blog há 15 anos, dedicado a acompanhar a política local.

Em seu blog, também chamado Miracema, o advogado eleitoral publicou um texto sobre sua experiência acompanhando votações com votos em papel e urna eletrônica. Que serve de exemplo a todo o Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores pretendem voltar a um tempo saudoso apenas a quem não o viveu. Ou, se viveu, finge que esqueceu.

Confira abaixo:

 

Primeira urna eletrônica usada no ano de 2000 (Reprodução do blog “Miracema”)

 

José Souto Tostes, advogado eleitoral, ex-fiscal de apuração na passagem do voto impresso à urna eletrônica no Brasil e autor do blog “Miracema”

Em tempos de equipamentos usando comando de voz, ainda questionam urna eletrônica

Por José Souto Tostes

 

Este texto merece um breve introito para revelar que participo do processo eleitoral desde 1988, quando acompanhei a votação e apuração da eleição municipal, que elegeu Jairo Barroso Tostes (1989/1992) prefeito de Miracema. Em 1992 estive bem próximo na fiscalização da votação e apuração dos votos que elegeram Ivany Samel (1993/1996) também prefeito de Miracema.

Em 1996 o Brasil iniciou a implantação da urna eletrônica, em municípios com mais de 200 mil habitantes, que já usaram a nova tecnologia. A eleição de 1996, que elegeu Gutemberg Damasceno (1997/2000) prefeito de Miracema, ainda ocorreu sob a votação manual e estive fiscalizando a votação e apuração. No ano 2000, Gutemberg foi reeleito na urna eletrônica (2001/2004), primeira eleição em que a tecnologia foi adotada em 100% dos municípios brasileiros.

Dessas quatro eleições que acompanhei, no modelo de votação por cédulas, a primeira como observador e estagiário da OAB e as demais já atuando como delegado partidário e advogado, posso afirmar que a experiência não foi nada boa, tanto no processo de votação, no dia da eleição, como no processo de apuração manual e contagem de votos.

VOTAÇÃO — O processo de votação não flui, como deveria, no voto no papel nos moldes do que acontece na votação via urna eletrônica. É muito mais demorado. Lembrando que na votação municipal há o voto do prefeito, que pode ocorrer pelo número ou nome e o voto no candidato a vereador, que são 5 números. O eleitor menos letrado tem dificuldades, fica nervoso, as filas são enormes. E nessas filas, nessa aglomeração, facilita-se a ocorrência da fraude e da compra de votos.

Há históricos, em Miracema, mas que servem para ilustrar ocorrências repetidas em todos os municípios brasileiros, de abordagem de eleitores por candidatos e cabos eleitorais na vias que dão acesso à votação e nos locais onde ficavam as urnas. Na votação eletrônica o processo é muito mais rápido e a possibilidade do eleitor ser abordado é infinitamente menor.

APURAÇÃO — O maior problema ocorre certamente na apuração. A contagem manual depende da leitura e interpretação, pelo membro da mesa de apuração, que julga ler o que ele quer. E como o volume para contagem é muito grande, impossível o fiscal parar a cada cédula e questionar a contagem dada ao candidato A ou ao candidato B.

Se o responsável pela contagem é partidário de um candidato, facilmente ele interpreta votos escritos para quem ele quiser. Até o X ou a marcação na cédula do espaço dedicado a cada candidato, pode ser interpretado. Imagine uma cédula em papel que tem um espaço para o candidato A e um quadradinho na frente onde o eleitor deve marcar com X. Se o eleitor, por descuido marcar fora do quadradinho, o responsável pela contagem pode escolher se o voto é de A ou de B, dependendo de sua livre interpretação, sob a alegação de que o X ou outra marca, estava mais próximo do nome de A ou B. Uma verdadeira “loteria”. E a possibilidade de fiscalização é zero.

Numa dessas eleições em Miracema impugnamos algumas urnas, por suposto erro na contagem. De 8 urnas, o Juiz Eleitoral acatou 3. A contagem apresentou número totalmente diferente da primeira. O adversário pediu recontagem, obtendo-se um terceiro número. Que segurança há nisso? Nenhuma!

O problema é maior no momento da indicação dos eleitos. No Brasil o mais votado nem sempre é eleito (para eleições do Legislativo). Esse cálculo não é de fácil realização. E os chamados arredondamentos, são de livre contagem. Um horror!

URNA ELETRÔNICA — A urna eletrônica apresenta processo totalmente transparente, desde o início da votação até a apuração. Para quem nunca acompanhou, veja o relato de como funciona.

Antes da abertura da votação, a urna é apresentada aos fiscais dos partidos no local onde ocorrerá a votação (geralmente a votação acontece em escolas). Nesse momento é emitida a impressão dos votos da urna (que no caso está zerado). O responsável pela mesa aciona a urna e emite esse documento. Assim, todos recebem essa contagem de votos com o voto zero para os candidatos. É chamada de zerésima. Por esse documento impresso dá para se perceber que não há votos inseridos na urna. É uma espécie de auditoria prévia ao início da votação.

Os fiscais podem permanecer durante todo o dia no local, observando os eleitores e o comportamento dos integrantes da mesa de votação.

Ao final do dia, o mesmo processo utilizado pela manhã se repete. Nesse momento é impressa a votação dada, naquele urna, para cada candidato. Os partidos podem obter cópia desse documento. Para uma apuração paralela, basta que o fiscal, que está no local da votação, envie uma foto daquele material impresso, para contagem externa.

Portanto, a apuração acontece no próprio local onde os eleitores votam, sem interferência externa nenhuma. Após isso, a urna é levada para uma central, nas proximidades do local de votação, para que se faça a totalização dos votos de todas as urnas daquela zona eleitoral.

Se o partido político quiser, por exemplo, realizar uma apuração paralela dos votos colhidos em Miracema, por exemplo, basta que aloque fiscais para cada sessão de votação e eles enviarão, ao final do dia, para um determinado lugar, os votos obtidos por presidente, governador, deputados (federal e estadual) e senador. E assim, o partido, se desejar, pode realizar contagem paralela em todo o Brasil.

Importante refletir que a tecnologia das urnas permite auditoria antes, durante e depois da votação. Nunca assisti qualquer indício de fraude. Nunca presenciei, desde o ano 2000, nenhuma denúncia ou queixa válida sobre a utilização das urnas eletrônicas.

Como qualquer equipamento eletrônico, já assisti equipamentos quebrarem. Mas com substituição imediata, sem perda dos votos. Mas isso é margem muito pequena. Raros casos em cidades menores.

Estamos entrando na era da utilização de equipamentos usando comando de voz, como é o caso da Alexa e seus concorrentes. O que se faz em mecanismo eletrônico é possível de ser apurado, não há como apagar. Daí, impossível admitir-se que seja possível a fraude eletrônica sem que ninguém, até hoje, em mais de 20 anos, venha a desacreditar esse modelo de tecnologia tão vitorioso.

Note-se que além dos fiscais partidários, que atuam desde o TSE, quando são inseridos os dados nas urnas, a Justiça Eleitoral conta com servidores públicos, todos cidadãos eleitores, com suas preferências, com opção partidária distinta, todos a assistir a utilização das urnas. Houvesse fraude, algum já teria apontado onde ele ocorreu e de que forma. Teria que a Justiça combinar a fraude com muitos envolvidos…

Além desses, o processo de votação é assistido pelo Ministério Público Federal Eleitoral, por juízes eleitorais, advogados dos partidos e técnicos especializados, em todas as instâncias.

Garanto a vocês, que nunca tiveram a oportunidade de assistir esse processo de perto, que não há fraude na urna eleitoral. É muito mais seguro que a votação manual. O resto, é choro de quem já viu que vai perder a eleição…

 

Eleição a governador e presidente no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Jornalista e analista político dos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas, Luiz Carlos Azedo é o convidado do Folha no Ar desta terça (02), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele dará sua projeção das eleições a governador e senador do Estado do Rio de Janeiro.

Azedo também tentará projetar a eleição a presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.