
Campos e região lucram com guerras de Israel?
Como a escalada do conflito no Oriente Médio, nos bombardeios aéreos na quinta (12) e sexta (13) de Israel ao Irã, que contra-atacou com mísseis e drones, pode influenciar diretamente Campos e outros municípios petrorrentistas da região? Base de cálculo dos royalties, o preço do barril Brent de petróleo chegou a subir 13% na madrugada de sexta, ultrapassando US$ 78.
Prefeito de Macaé em bunker israelense
Além do impacto econômico, o Norte Fluminense vive a tensão humana do conflito. Prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania) está em Israel (confira aqui, aqui, aqui e aqui), junto a uma comitiva de prefeitos brasileiros em missão técnica sobre cidades inteligentes, segurança pública e infraestrutura urbana. Todos foram transferidos a um bunker do governo israelense na cidade de Kfar Saba.
Welberth: “Sinto-me seguro”
Como o espaço aéreo de Israel está fechado, não há previsão de voos para retorno ao Brasil. Mas a embaixada brasileira em Tel Aviv, capital do país, coordena os esforços para repatriar os brasileiros assim que possível. “Estamos em um bunker projetado para resistir a impactos poderosos. Por mais que estejamos em um clima de guerra, me sinto seguro”, disse Welberth.
Impactos positivos, mas nem tanto
Mas e os impactos econômicos a Campos, Macaé e região, com a maior alta intradiária do preço do barril de petróleo desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em março de 2022? Eles serão positivos? Sim, mas nem tanto, para o economista Alcimar Ribeiro e o especialista em finanças Igor Franco, professores, respectivamente, da Uenf e Uniflu.

Preço do petróleo a curto prazo
“O aprofundamento do conflito no Oriente Médio joga uma nuvem de pessimismo na conjuntura econômica mundial. A região do conflito é responsável por 1/3 da produção global de petróleo. Com os preços estabilizados neste ano, em função do esfriamento da economia mundial, a expectativa de curto prazo é de possível escalada do preço”, disse Alcimar.
Seis por meia dúzia? (I)
“Para regiões exportadoras de petróleo, como o estado do Rio de Janeiro, não dá para imaginar vantagens dessa situação. A possível escalada do preço do petróleo, caso o conflito escale, tende a ser amortecida pela retração da demanda pela fragilização da economia mundial. Não há beneficiários em um ambiente hostil como este”, ressalvou o economista.
Subida do petróleo antes e após ataque
“Antes mesmo das explosões em Teerã, o mercado já antecipava tensões: o barril de petróleo subia com força diante dos rumores sobre o impasse nas negociações nucleares e a disposição crescente de Israel em atacar o Irã. Após os bombardeios, o Brent e o WTI chegaram a subir mais de 10%, em meio à queda das bolsas globais”, lembrou Igor.
Seis por meia dúzia? (II)
“Do ponto de vista dos municípios produtores, a perspectiva é de uma recuperação de curto prazo nas verbas do petróleo. Mas pouca coisa muda, pois o preço do barril está no mesmo patamar de março de 2025. Até o momento, o ataque israelense tem o efeito de segurar a queda que era observada na cotação da commodity”, ponderou o especialista em finanças.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
