Guinada da América do Sul à direita pelo voto popular?

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Oliver Stuenkel, pesquisador e professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Indicação à direita no Chile

“Tudo indica que o próximo presidente chileno será de direita”. Foi o que também projetou, ainda na noite de domingo, o pesquisador e escritor Oliver Stuenkel, alemão radicado no Brasil como professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e respeitado analista do tema na imprensa do mundo.

 

Direita vence na Bolívia e Argentina

“Diante da derrota histórica da esquerda nas eleições presidenciais da Bolívia (o conservador Rodrigo Paz venceu em 19 de outubro, após 20 anos da esquerda no poder do país) e do bom resultado de Javier Milei na Argentina (nas eleições parlamentares de 26 de outubro), parece claro que está em curso uma guinada à direita na política latino-americana”, concluiu Stuenkel.

 

Brian Winter, jornalista dos EUA e editor da revista Americas Quaterly

Crime gera guinada na América Latina

“Não acredito que a guinada à direita na América Latina seja mais um movimento passageiro, um típico pêndulo contra os governantes no poder. É algo maior. O crime organizado é hoje a principal preocupação em diversos países”, cravou o jornalista estadunidense Brian Winter, editor da revista Americas Quaterly, dedicada à política, negócios e cultura nas Américas.

 

Filho de nazista, admirador de Pinochet

Candidato a presidente do Chile pela 3ª vez, tendo perdido o 2º turno em 2021 para Boric, Kast é advogado, admirador do ex-ditador chileno Augusto Pinochet e filho de um ex-militar da Alemanha na II Guerra (1939/1945), que foi filiado ao partido Nazista. Sua plataforma de campanha tem como base o combate ao crime e à imigração ilegal, que culpa pelo primeiro.

 

Crime e imigração na eleição chilena

Embora com criminalidade bem menor que a do Brasil, o Chile vive a explosão de 140% em homicídios na última década, com 76% de aumento em sequestros durante o governo Boric. Para Kast, essa violência está ligada à imigração ilegal, sobretudo de venezuelanos. Hoje, cerca de 10% dos residentes do Chile, atraente aos vizinhos pela economia estável, são estrangeiros.

 

Alberto Aggio, historiador, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em História Política da América Latina

“Kast, provavelmente, vencerá”

Perguntado no Folha no Ar de ontem sobre o aumento da violência entre os chilenos, Aggio respondeu: “Houve um avanço muito grande da criminalidade no Chile. Em comparação com o Brasil, você poderia dizer que é até irrelevante. Mas afeta o chileno porque é uma mudança forte. Isso pode definir uma eleição. Kast, provavelmente, vencerá em 14 de dezembro”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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