
Futuro do RJ no celular de Bacellar
Preso após ser convidado pelo superintendente da PF no RJ, delegado Fábio Galvão, para uma reunião na manhã de quarta, Bacellar teve também apreendidos R$ 91 mil em espécie que levava em seu carro blindado. Como o seu celular pessoal. Cujo conteúdo é temido por muitos na cúpula política fluminense. E tem o poder de ser o definidor eleitoral (e policial) do RJ.
Alerj entre a cruz e a espada
Entre o medo de Moraes e o de um Bacellar reeleito presidente pela unanimidade dos seus pares, a Alerj adiou para esta segunda (8) a votação sobre a prisão marcada para ontem (5). Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em sequência, no plenário da Casa. Mas, mesmo que ambos decidam a favor de Bacellar, há a expectativa de que Moraes mantenha a prisão.
Medo de mais prisões
Contra Bacellar, inclusive entre seus muitos aliados da direita bolsonarista na Alerj, pesa o fato de que ir contra uma acusação de associação com o Comando Vermelho pode custar muito caro na tentativa de reeleição em 2026. Como, a favor da decisão de Moraes, pode pesar o medo de que a prisão de Bacellar possa ser seguida de outras.
O que está sob sigilo na Oricalco?
Na decisão sobre a prisão de Bacellar, Moraes sinalizou que a investigação terá desdobramentos. Ele pediu o compartilhamento de informações da Operação Oricalco. Que, pelo menos publicamente, ainda não aconteceu. O processo está no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2) e corre sob sigilo.
Mais deputados no alvo da PF?
“Ao desembargador relator Júdice Neto, da 1ª Seção Especializada do TRF 2, (solicito) o compartilhamento de todos os elementos de convicção angariados em todos os procedimentos e processos relacionados à operação Oricalco”, despachou (confira aqui) Moraes. Nos bastidores da Alerj, corre que, além de Bacellar, outros cinco deputados seriam alvo da PF.
Sobre prisão de políticos
No lugar de celebrar, prisão de políticos deveria servir à reflexão de quem os elege. Seja dos presidentes Lula, Temer, Collor e Bolsonaro; dos governadores Sérgio Cabral, Pezão, Moreira Franco, Garotinho e Rosinha; dos presidentes da Alerj José Nader, Jorge Picciani, Paulo Melo e, agora, Rodrigo Bacellar. O próprio Lula prova que quem cai hoje pode se reerguer amanhã.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
