Transporte de Campos: Wladimir questiona questionamentos do PT

 

Wladimir Garotinho, Danilo Dutra, Juliana Carneiro e Roberto Dutra (Montagem: Hevertton Luna)

 

“É sempre mais correto reconhecer os erros e apontar os motivos. Foi o que eu fiz no caso do transporte público. O PT parece ter como regra não reconhecer os seus erros. Mas pra quem diz que na Lava Jato não houve crime, é complicado mesmo esperar que reconheçam algum erro menor”. Foi o que disse o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (hoje, PP), sobre os questionamentos que sofreu (confira aqui) na questão do transporte por integrantes do PT goitacá e do governo Lula 3.

Em entrevista (confira aqui) ao Folha no Ar na manhã da última sexta-feira (20), Wladimir disse porque não aceitou o financiamento ofertado pelo governo Lula 3 à renovação da frota do transporte público de Campos. Segundo o prefeito, teria havido uma mudança nas condições de pagamento, de 36 meses, via BNDES, para 12 meses, via Caixa Econômica Federal (CEF). E teve respostas:

— O prefeito tenta transferir a responsabilidade de uma falha da sua gestão para o Governo Federal através de mentiras. Ele fez a opção de não aceitar o financiamento de 354 novos ônibus mesmo tendo um ano de carência para organizar o orçamento municipal antes de iniciar o pagamento. Tomou essa decisão sabendo que o transporte público é um dos problemas mais graves para a população do município — respondeu o presidente do PT de Campos, Danilo Dutra.

No microfone da Folha FM 98,3, Wladimir citou nominalmente a historiadora campista Juliana Carneiro, então secretária especial de Assuntos Federativos da Presidência da República e hoje secretária executiva adjunta do ministério da Saúde, para não ter aceitado o financiamento do Lula 3 ao transporte público de Campos. Em sete pontos, Juliana também contradisse o prefeito:

— 1) Desde o primeiro momento a Prefeitura de Campos sabia que o empréstimo seria da CEF; 2) as condições de financiamento são dadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e não são de escolha de nenhum gestor; 3) não existe nenhum “privilégio” em condições melhores para nenhuma “prefeitura aliada”. Prefeituras de vários partidos também foram selecionadas para a CEF. 4) O critério central para Campos não poder pegar financiamento do BNDES é porque ele pediu também 248 ônibus do tipo Euro 6, tipo de veículo que não é elétrico. Como o BNDES usava o Fundo Clima não aceitava esse tipo de objeto. 5) As regras estavam claras, tanto no processo de seleção, quanto no ato do resultado. Nunca existiu nenhuma troca de posição do Governo Federal. 6) Inclusive no ato da seleção a Prefeitura tinha Capag B, capacidade de endividamento, e atualmente tem Capag C, o que significa que de lá pra cá piorou a sua situação. 7) Por fim, considero que a Prefeitura deve buscar outros argumentos para justificar a decisão de não pegar o empréstimo e não cumprir sua promessa/compromisso com a mobilidade urbana da cidade.

Em sua tréplica, Wladimir também provocou Danilo e Juliana:

— A cidade de Campos vai apresentar novo projeto (ao financiamento da renovação da frota do transporte público de Campos pelo PAC Mobilidade). Espero que dessa vez ambos, como campistas, ajudem a aprovar.

Sem filiação ao PT e com críticas ao partido e ao governo Lula 3, o sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf, também se manifestou sobre a questão do transporte público na cidade. Embora reconheça o saldo positivo da gestão Wladimir em Campos, nos últimos 5 anos e 2 meses, ele disse no grupo de WhatsApp deste blog e do programa Folha no Ar:

— Independentemente da questão federal, a responsabilidade é total do prefeito. Que, ao invés de pensar em questões estruturais desde o começo, só pensa em não ficar sem mandato — disse o sociólogo, em referência ao fato de que Wladimir vai renunciar ao cargo no próximo dia 2, passando a Prefeitura ao vice, Frederico Paes (MDB), para poder concorrer a deputado federal nas eleições de outubro.

 

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