

A cultura como pauta em ano eleitoral
Por Edmundo Siqueira
Na série de entrevistas que a Folha FM 98,3 faz com todos os candidatos à Prefeitura de Campos, onde já foram ouvidos o Dr. Buchaul (06/09), a Delegada Madeleine (10/09) e Wladimir Garotinho (13/09), por ordem definida em sorteio, o tema “cultura” sempre é trazido como forma de proporcionar um maior entendimento ao eleitor do que se propõe a um setor determinante numa cidade com as características de Campos.
Na entrevista de ontem, o atual prefeito e candidato à reeleição Wladimir Garotinho trouxe explicações sobre o que foi feito nos quatro anos de sua gestão e o que deixou de fazer. Em temas como patrimônios históricos, orçamento à cultura, acordos com a Câmara e Alerj, e Lei Paulo Gustavo, o candidato apresentou propostas e justificativas.
O ano eleitoral é sempre uma excelente oportunidade de se discutir a cidade, tratando dos problemas e das possíveis soluções. A cultura, como um tema que serve de guarda-chuva para tantos outros, guarda um potencial enorme para Campos, e apresentá-la aos candidatos é essencial à sociedade campista.
Nas próximas semanas a Folha FM 98,3 receberá Thin (17/09), Fabrício Lírio (20/09), Pastor Fernando (24/09) e Professor Jefferson (01/10), seguindo a ordem definida em sorteio, na presença de representantes de cada candidatura.
Leia parte da entrevista de ontem com Wladimir, onde o tema cultura foi tratado:
Edmundo Siqueira – “Cultura é um setor que gera tantos benefícios para a cidade, não apenas pertencimento, que já seria o suficiente, mas gera empregos, desenvolvimento e turismo. Alguns prédios históricos começaram a receber investimentos, como o Solar dos Airizes, mas ainda temos diversos problemas. O Hotel Flávio caiu recentemente, o Museu Olavo Cardoso, a cabeça do Tiradentes que ainda não foi restaurada, o Palácio da Cultura ainda fechado, e tantos outros. Mas precisamos tentar criar uma política pública cultural para Campos, que abrace os patrimônios, e essas questões tantas que precisamos abraçar em uma cidade histórica com mais de 350 anos”.
Wladimir Garotinho – “A gente pode falar de ações concretas. A Fundação Cultural tem status de secretaria. Tem certas facilidades em ser Fundação, como fundo próprio, receber recursos de leis de incentivo, etc. No nosso governo, a Fundação tem o maior orçamento da sua história. Está em execução na Fundação Jornalista Oswaldo Lima o maior orçamento da cultura de Campos” (…)
“Os prédios históricos, a gente precisa entender que em sua grande maioria são de propriedade privada, e aí gera um problema. A prefeitura pode isentar o IPTU, mas não compensa o que se gastaria para fazer uma restauração. E cria uma amarra jurídica, inclusive, pois o prédio é de propriedade privada e os proprietários muitas vezes não têm recurso para fazer o investimento. A Prefeitura isentar o IPTU não resolve nada. E ficamos com esses prédios históricos se deteriorando na cidade”(…)
“Onde a Prefeitura está agindo? No Solar dos Airizes, as obras já estão acontecendo. Ali, teremos uma parceria futura com a Ferroport [empresa responsável pela operação do terminal portuário de minério de ferro do Porto do Açu], que já foi anunciada, para restauração daquele importante prédio histórico. No projeto regional do ‘Caminhos do Açúcar’, do Cidennf, o Solar dos Airizes será o final, o ápice do roteiro. Será o museu do açúcar, da energia ou do petróleo. Ele estará inserido, depois de restaurado, em uma rota turística importante e regional”.
Museu Olavo Cardoso
Wladimir — “Sobre o Olavo [Museu Olavo Cardoso], foi feito um acordo, anunciado pela Folha da Manhã, entre eu o presidente da Câmara [para restaurar o Olavo Cardoso]. Na época que o Fábio Ribeiro era presidente da Câmara, o orçamento era R$ 32,33 milhões por ano, uma vez que o orçamento da Câmara é um percentual da receita própria do município. O atual presidente [Marquinhos Bacellar] tem um orçamento de R$ 48 milhões. Foi feito um entendimento, como gesto de parceria, a Câmara iria fazer a obra de revitalização do Museu Olavo” (…)
“A prefeitura fez o projeto, enviou para a Câmara, e até hoje não foi feito. Além de reformar o Olavo ele iria fazer um anexo ao Olavo para funcionar a Escola Legislativa, a Emugle. O projeto foi feito, belíssimo, encaminhado para Câmara, mas não foi feito”.
Arquivo Público
Wladimir – “A verba do Arquivo Municipal foi uma iniciativa minha enquanto prefeito, onde consegui junto à Alerj, com o [então] presidente André Ceciliano, e a Uenf atrasou muito a execução, A Rafaela [Machado, diretora do Arquivo] me mandava vídeos, desesperada, chovendo dentro do Arquivo Público e a cidade perdendo documentos históricos, e o dinheiro parado na conta da Uenf” (…)
“Quando Raul [Palacio, ex-reitor da Uenf) saiu, reconheceu a dificuldade da Uenf, que nunca tinha feito isso… mas, enfim, não era nada pessoal. Mas o dinheiro está lá e acho que agora está começando a caminhar alguma coisa”.
Lei Paulo Gustavo
Aluysio Abreu Barbosa – “Sobre a questão da Lei Paulo Gustavo, sei que tentou-se ajustar, mas [o não pagamento] levou a uma grita muito grande da classe artística, em movimento muito semelhante ao ‘Ocupa TB’ [movimento de ocupação do Teatro de Bolso pelos artistas em 2016] que acabou marcando o segundo governo de sua mãe [Rosinha Garotinho] e a eleição de Rafael Diniz [a prefeito naquele mesmo ano]”.
Wladimir – “Pode ter ali alguma falta de entendimento, a gente entende, em período eleitoral as discussões ficam mais acaloradas mesmo, mas o texto da lei diz que nós temos até 31 de dezembro de 2024 para poder fazer o pagamento. E ele será feito. Uma burocracia a mais aqui e ali, houve uma mudança de direção na Fundação Cultural, era a professora Auxiliadora, agora é a Fernanda [Campos], mas o prazo legal da lei será cumprido, e os artistas não precisam se preocupar, ou achar que esse dinheiro será perdido. Não será perdido, e tenho a informação que mês que vem, em outubro, já será pago. E vamos honrar nosso compromisso”.
Aluysio – “Para deixar claro, conheço a maioria deles [dos artistas] e não há motivação política. É gente com dinheiro aprovado e que espera para realizar os projetos”.
Wladimir – “Não estou falando dos artistas, não. Estou falando sobre alguns atores políticos que se posicionaram, criticando o governo, como a Professora Natália e o Professor Jefferson. E digo que o dinheiro será pago aos artistas. Recebi a informação que será em outubro”.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
