
Moraes como novo Moro?
A quem não gosta de Bacellar e, sobretudo, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Alexandre de Moraes pode ser um paladino da justiça. Uma versão à esquerda, e muito mais empoderada no STF, do que o hoje senador Sergio Moro (União) foi como juiz de 1ª instância, na 13ª Vara Federal de Curitiba, contra Lula e o PT na operação Lava Jato.
Como caiu a máscara de Moro
Antes mesmo da Vaza Jato em junho de 2019, a máscara de Moro começou a cair com a delação do ex-ministro de Lula Antonio Palocci. Que o então juiz federal divulgou (confira aqui) em 2 de outubro de 2018, a cinco dias do 1º turno presidencial daquele ano, para prejudicar o petista Fernando Haddad, ajudar a eleger Bolsonaro e depois ser seu ministro da Justiça.
A parcialidade de Moraes
A despeito das fartas evidências ligando Bolsonaro à tentativa de golpe de Estado, como havia da corrupção bilionária do Petrolão, uma vítima de um plano de sequestro e homicídio, como foi Moraes (confira aqui) na operação Punhal Verde e Amarelo, jamais poderia (confira aqui) ter julgado o seu algoz. Isso fere de morte o princípio da impessoalidade da Justiça.
Caiu a máscara de Moraes?
Mas a máscara caiu de vez com a revelação de que o escritório de advocacia da esposa de Moraes foi (confira aqui) contratado por três anos no valor de R$ 129 milhões (R$ 3,6 milhões por mês) pelo Banco Master. Que foi liquidado por fraude de R$ 12 bilhões e teve seu presidente, Daniel Vorcaro, preso em 17 de novembro, quando tentava fugir do Brasil.
Vorcaro livre em monocrática
O contrato com o escritório de advocacia da família de Moraes foi achado pela PF na operação Compliance Zero, no celular apreendido de Vorcaro. Que foi solto no dia 18, em decisão monocrática da (confira aqui) desembargadora Solange Salgado Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1).
Tofffoli na ponte Lima/Master
Em 3 de dezembro, o ministro do STF Dias Tofolli transferiu o inquérito do Banco Master à Corte, sob sigilo e sua relatoria. Dois dias antes, Toffoli havia viajado (confira aqui) a Lima, no Peru, para ver a final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, num voo particular e na companhia do advogado de um dos diretores do Master presos no caso.
A sorte, Moraes e Toffoli
A despeito de quaisquer ilícitos que possam ter cometido, um leigo desavisado poderia especular sobre a sorte jurídica de Bolsonaro e Bacellar. Seria diferente se tivessem contratado o escritório da esposa de Moraes por R$ 3,6 milhões/mês? Ou um advogado que dividisse os mesmos assentos grátis num jatinho particular a Lima com Toffoli?
Publicado hoje na Folha da Manhã.
