
No dia 2, sai Wladimir e entra Frederico
No próximo dia 2, em reunião do teatro Trianon com sua equipe de governo e em sessão extraordinária da Câmara Municipal, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (hoje, PP), vai anunciar a renúncia para disputar um novo mandato de deputado federal em outubro. No seu lugar, assumirá a cidade o atual vice-prefeito, Frederico Paes (MDB).
Motivos pragmáticos
Embora não tenha admitido isso em entrevista (confira aqui) ao Folha no Ar do início da manhã de ontem (20), esse é o plano traçado por Wladimir. Que tem sentimento por governar sua cidade nos últimos cinco anos e dois meses, mas é um político pragmático. Não quer ficar sem mandato e sabe que pode ajudar Campos na Câmara dos Deputados. Como já fez de 2019 a 2020.
A primeira questão: Garotinho
A saída de Wladimir da Prefeitura para ser pré-candidato a deputado federal traz duas questões. A primeira é a possibilidade de ter que disputar, até 4 de outubro, o mesmo voto pelo mesmo cargo com seu pai, o ex-governador Anthony Garotinho (REP). Que também pode ser candidato (confira aqui) para voltar à Câmara dos Deputados, onde atuou entre 2011 e 2015.
Grupo racharia entre pai e filho?
Uma disputa de Garotinho e Wladimir a deputado federal pode rachar o grupo. Que ainda é conhecido pelo nome do pai, a despeito da força eleitoral demonstrada pelo filho desde 2014. Quando, impedido por Garotinho de concorrer a deputado estadual, Wladimir foi fundamental à primeira eleição de Bruno Dauaire (hoje, União) à Alerj.
Édipo x Laio
A disputa a deputado federal entre pai e filho remontaria a tragédia grega “Édipo Rei”, escrita por Sófocles mais de 400 anos antes de Cristo. Com uma diferença, já registrada (confira aqui) pelo cientista político George Gomes Coutinho: “Garotinho se apresentou como o dono do clã. Retoma espaço e capital eleitoral. Aí, na referência literária, Laio, quem diria, resolveu intimidar Édipo.”
Publicado hoje na Folha da Manhã.
