
Come cru x amado pai
“O apressado come cru e quente”, advertiu (confira aqui) na segunda-feira (6) o ex-governador Anthony Garotinho (REP). “Não é apressado, meu amado pai, é ser responsável. A cidade não pode ficar sem deputado federal, mas você e Clarissa permitiram isso na última eleição e a cidade sofre”, respondeu (confira aqui) o filho ex-prefeito, Wladimir Garotinho (PL).
Garotinho questiona Wladimir
O embate se deu nas redes sociais de Garotinho, em que ele postou: “Aconselhei, mas cada um decide o que vai fazer de sua vida política. Serei candidato a governador se tiver eleição direta em julho, em outubro serei candidato a deputado federal. Mas (Wladimir) escolheu disputar com o pai podendo ficar na Prefeitura. Por que será?”
Wladimir questiona Garotinho
“Sempre tive minha definição e fui claro, enquanto você (Garotinho) não decide que cargo disputar. Hora deputado, hora governador e hora senador. Já que tem tantas opções, escolha aquela que não cause mais um conflito na sua família. Terá meu total e irrestrito apoio, como sempre teve”, disse Wladimir, pré-candidato a deputado federal.

Da psicanálise à ciência política
“Creio que colegas da psicanálise, diante dessa relação edipiana, teriam muito a dizer. Todavia, na minha seara e abrindo mão de Freud, o que pai e filho fazem é usar as redes sociais para criar constrangimentos mútuos e interferir a tomada de decisão do outro”, avaliou o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.
São os votos em disputa
“Isso é fazer política, em termos bastante diretos. Saímos de Sófocles (autor da tragédia ‘Édipo Rei’, em que pai e filho disputam o mesmo trono) para entrar em uma competição marcial pelos votos do eleitor. Que podem não ser suficientes para eleger dois Garotinhos ao Legislativo Federal. É isso que está em disputa”, concluiu George.

Caráter patrimonial-familiar
“A fala de Garotinho, censurando o filho por postular volta à Câmara Federal sem seguir sua orientação, é típica de briga partidária. Como no Brasil a maioria dos partidos tem forte caráter patrimonial-familiar, então a divergência assume a forma de ‘desavença familiar’” analisou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.
Personagens diferentes, mesma estrutura
“A questão já havia aparecido quando Wladimir cogitou pela primeira vez se afastar do cargo, e se baseou na experiência de Garotinho (confira aqui) com seus vice-prefeitos Sérgio Mendes e Arnaldo Viana. Os contextos e os personagens são diferentes, mas a estrutura é a mesma: uma municipalidade empoderada por royalties”, concluiu Hamilton.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
