Morre aos 79 anos Braulino Teixeira, figura querida de Atafona

 

Braulino Teixeira, figura emblemática de Atafona, em uma de suas ruas com a sua inseparável bicicleta (Foto: Viviane de Aquino)

Morreu na noite de ontem, aos 79 anos, Braulino Teixeira. Conhecido e querido por gerações de moradores e veranistas da praia sanjoanense de Atafona, onde facilmente se cruzava com ele nas ruas, quase sempre pedalando sua bicicleta, estava internado na Santa Casa de São João da Barra, onde veio a óbito em decorrência de metástase de um câncer de próstata.

Seu corpo está sendo velado na Capela Mortuária de São João da Barra, de onde seguirá ao sepultamento às 17h. Ele deixa viúva Joselina da Silva Teixeira e três filhos, Márcio, Mauro e Manuela; além de nove netos e quatro bisnetos. A Irmandade N. S. da Penha, tradicional em Atafona, lamentou em nota o falecimento de “um dos irmãos mais antigos da Nossa Irmandade, com uma fé inabalável em Nossa Senhora da Penha.

Conheci Braulino quando saí do apartamento dos meus pais em Campos, em 1994, após passar em concurso público para a auxiliar de fonoteca na Uenf, e aluguei a casa de Anginha Andrade, hoje do seu filho Orêncio Aquino, em Atafona. Preto, alto, elegante no trato com todos, ele trabalhava para a família Aquino. E se tornou meu primeiro amigo em Atafona, onde moraria, também em outras casas, por 11 anos.

Rito de passagem marcante para qualquer um, quando se tem 21 anos e se sai da casa dos pais para morar em outro município, Braulino, ou Brau, como o chamava carinhosamente, foi minha primeira amizade da vida adulta. Que me orgulho de ter conservado enquanto a dele durou. Sempre foi muito carinhoso também com meu único filho, Ícaro, desde bebê até seu falecimento precoce, com 23 anos, em 2023.

Tanto com Ícaro, quanto com sua mãe, Dora Paula, quanto com as demais companheiras que tive ao longo dos anos, confidenciava sempre após encontrar Brau ao acaso numa rua de Atafona, botar o papo em dia e me despedir: “Se os budistas e kardecistas estiverem certos, preciso evoluir ainda umas 10 vidas para chegar a Braulino”. Cuja elevação de alma se estampava em seu riso fácil e acolhedor.

Vá em paz amigo Brau. Daqui a umas 10 vidas, o alcanço. Para colocarmos o papo em dia numa rua de Atafona, entre o Atlântico e a foz do rio Paraíba do Sul.

 

2

Deixe um comentário