Condenação de Bolsonaro entre os votos de Fux e Cármen

 

Luix Fux, Jair Bolsonaro e Cármen Lúcia (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Projeção de março

Quase seis meses atrás, a coluna projetou (relembre aqui) em 19 de março: “O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será condenado por tentativa de golpe de Estado pelo STF. Possivelmente, em setembro, com pena que pode chegar a 40 anos de prisão. Provavelmente, pela unanimidade dos cinco ministros da 1ª Turma do STF. Talvez com o contraditório do ministro Luiz Fux na dosimetria”.

 

Bolsonaro, generais e almirante condenados

Em 11 de setembro, a condenação de Bolsonaro se confirmou (confira aqui) no STF, a 27 anos e três meses de prisão. Como foram condenados os outros sete réus do “núcleo crucial” da trama golpista. Entre eles, três generais do Exército: Walter Braga Netto (26 anos), Augusto Heleno (21 anos) e Paulo Sérgio Nogueira (19 anos). E um almirante da Marinha: Almir Garnier (24 anos).

 

Inédito na História do Brasil

A República foi parida no Brasil em um golpe militar de Estado, em 1889. E de lá aos outros seis golpes consumados e outras 16 tentativas nos mais de 130 anos depois, contado o 8 de janeiro de 2023, foi a primeira vez na História do Brasil que um ex-presidente, três generais e um almirante foram julgados. E condenados à prisão por atentarem contra a democracia.

 

Sem unanimidade, por 4 a 1

Diferente do previsto, a condenação de Bolsonaro não se deu por unanimidade da 1ª Turma do STF, mas por 4 votos a 1. O contraditório de Fux foi muito além da dosimetria. Ele votou pela absolvição de Bolsonaro, Heleno, Paulo Sérgio, Garnier, do deputado federal Alexandre Ramagem (pena de 16 anos 1 um mês) e do ex-ministro da Justiça Anderson Torres (24 anos).

 

A contradição de Fux

Fux só considerou culpados Braga Netto e o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, com pena reduzida a 2 anos na condição de colaborador. Ao votar pela absolvição dos outros seis réus, o ministro foi contraditório com toda sua postura punitivista no STF, da operação Lava Jato aos invasores da Praça dos Três Poderes no 8 de janeiro.

 

O contraditório de Fux

Se foi contraditório como juiz, Fux ofereceu contraditório à relevante parcela dos brasileiros que acham que Bolsonaro foi submetido a um julgamento político. Em seu voto longo e bem sustentado, o ministro divergente ofertou caminhos jurídicos à reversão da condenação no futuro: de lacunas da acusação à própria competência do STF para julgar o caso.

 

Fachin com Lula

Não é preciso ser jurista para lembrar: foi por incompetência de foro que outro ministro do STF, Edson Fachin, anulou em 8 de janeiro de 2021 a condenação de Lula pela Lava Jato. O que devolveu os direitos políticos ao líder petista para voltar a concorrer a presidente. E vencer Bolsonaro no 2º turno de 2022, por apenas 1,8 ponto dos votos válidos.

 

O Fachin de Bolsonaro?

Se Fux será o Fachin de Bolsonaro, o tempo dirá. Ao que parece, o voto pela absolvição foi tão político quanto o da condenação pelos ministros Alexandre de Moraes, singular exemplo de juiz relator de um caso em que se planejou seu homicídio, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Os dois últimos, respectivamente, ex-ministro da Justiça e ex-advogado pessoal de Lula.

 

Heróis e vilões à direita e à esquerda

Na bipolaridade política brasileira, Fux se tornou herói à direita e vilão à esquerda. Como foi na Lava Jato o hoje senador Sergio Moro. Ou o substituto deste, em mão ideológica invertida, como novo “herói” jurídico do Brasil: Xandão. Que sempre foi politicamente conservador e punitivista. E, como tal, foi indicado ao STF pelo presidente “golpista” Michel Temer (MDB).

 

Aposta em Tarcísio em 2026?

Da esquizofrenia ao pragmatismo político: o voto pela absolvição de Bolsonaro pode ter sido uma aposta de Fux, que se aposenta do STF em abril em 2028. Mas aposta em quê? A eventual eleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), a presidente em 2026, mesmo que Lula seja hoje (confira aqui) favorito nas pesquisas, talvez não pagasse muito em nenhuma bet.

 

Carmén Lúcia de 2018 a 2025

Diferente de Fux, Moraes, Dino e Zanin, o único voto que pareceu despido de caráter político foi da ministra Cármen Lúcia. Que, tão logo fechou a tampa do caixão de Bolsonaro com base nos autos, foi alçada a “heroína” pela mesma esquerda que atacou sua residência (relembre aqui) em abril de 2018. Quando deu o voto de Minerva no STF que negou, por 6 a 5, o habeas corpus a Lula.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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A 1 ano da urna, Paes favorito a governador e Flávio a senador

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Vencido agosto com três pesquisas eleitorais no estado do Rio de Janeiro (RJ), de institutos conceituados, chega-se a setembro de 2025 com pouco mais de 12 meses à urna de 4 de outubro de 2026. Quando os fluminenses votarão para eleger governador e dois senadores. Mas como interpretar essas pesquisas, com dois favoritos: o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) e o senador Flávio Bolsonaro (PL)? Ou o papel estadual que dois campistas terão em 2026: o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e o prefeito Wladimir Garotinho (PP)?

Para tentar responder, a Folha ouviu quatro especialistas. Dois em pesquisas: o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em estatística no IBGE; e o empresário Murillo Dieguez, diretor do instituto Pro-4, que antecipou a eleição de Rafael Diniz (Cidadania) a prefeito de Campos em 2016. E dois especialistas da ciência política: George Gomes Coutinho e Hamilton Garcia, professores, respectivamente, da UFF-Campos e da Uenf.

Baseado nos números das disputas majoritárias a governador e duas cadeiras de senador pelo RJ, aferidos pelas pesquisas Quaest (confira aqui: feita de 13 a 17 de agosto, com 1.404 eleitores e margem de erro de 3 pontos para mais ou menos), Paraná (confira aqui e aqui: feita de 24 a 27 de agosto, com 2.000 eleitores e margem de erro de 2,2 pontos) e Atlas (confira aqui e aqui: feita de 25 a 29 de agosto, com 2.001 eleitores e margem de erro de 2 pontos), pergunta-se:

 

Folha da Manhã – Com intenções de voto nas consultas estimuladas (com a apresentação dos nomes dos possíveis candidatos ao eleitor) das pesquisas de agosto que variam de 35% (Quaest), a 54,8%, 56,8% e 50% (nos três cenários Paraná); a 40% e 43,9% (nos dois cenários Atlas), o prefeito carioca Eduardo Paes chega a 12 meses da urna favorito a governador?

William Passos – Sim. Eduardo Paes já disputou o Palácio Guanabara, tendo chegado ao segundo turno em 2018. Está no quarto mandato como prefeito do Rio e, ainda assim, mantém alta popularidade. Este dado é importante porque sabemos que, quanto mais tempo uma figura política se mantém na cena pública, mais exposta ela permanece a uma possível rejeição. Eduardo, portanto, vem superando o teste da rejeição. E, dos nomes colocados ao eleitorado fluminense nas pesquisas, ele está entre os mais conhecidos. Além disso, é visto como um político de centro, o que considero uma vantagem. Políticos de centro têm maior facilidade para capturar eleitores à direita e à esquerda do espectro ideológico.

George Gomes Coutinho – Sem dúvida, Eduardo Paes é, neste setembro de 2025, o líder isolado das intenções de voto para a disputa ao Governo do Estado. Isto se dá por um conjunto de atributos conquistados pelo atual prefeito da capital. Destaco uma gestão da prefeitura que conta com aprovação e popularidade; o recall do nome do prefeito, que é um dos políticos na disputa para o Governo do Estado mais experientes e com mais tempo de estrada; ou sua habilidosa gestão de suas redes sociais. Eduardo Paes sabe se comunicar nas características exigidas por nossos tempos. A soma desses atributos torna Eduardo um adversário poderoso na disputa para o Palácio Guanabara em 2026.

Murillo Dieguez – Considerando que pesquisa é retrato do momento, sem dúvida, Eduardo Paes é favorito no atual cenário. Embora eu desconheça duas taxas importantíssimas à análise: a de conhecimento e de rejeição. Outro fator que me chamou atenção é que numa dessas pesquisas, 30% afirmaram não votar em nenhum candidato.

Hamilton Garcia – Sim, Paes é o favorito, mas o ambiente político, extremamente polarizado e em vias de radicalização por conta das sanções estadunidenses e da prisão de Bolsonaro, pode volatizar esta preferência esmagadora que agora se apresenta. Sendo ele um político de centro com perspectiva liberal progressista, é de se esperar que sofra perdas eleitorais num cenário como esse. Que potencializa a nacionalização e, até mesmo, a internacionalização da política regional.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Folha – Paes também era favorito em todas as pesquisas a governador em 2018, até a véspera do primeiro turno vencido naquele ano por Wilson Witzel (hoje, PSDB). Que confirmaria sua eleição sobre Paes no segundo turno. Aquela foi a exceção que confirma a regra, em um tempo em que as pesquisas ainda não tinham se adaptado à velocidade das redes sociais? Ou poderia acontecer de novo em 2026? Por quê?

William – A eleição de 2018 foi um ponto fora da curva, mas ao mesmo tempo um ponto de virada para as pesquisas. Foi um ponto fora da curva porque a velocidade das redes sociais adicionou um elemento novo e as projeções, com metodologias ajustadas a cenários anteriores da nossa história, tiveram dificuldade de capturar o resultado das urnas. Mas é importante destacar que as pesquisas são o retrato do momento em que elas entrevistam o eleitorado e não um cálculo de probabilidade do resultado eleitoral. Se a decisão do voto acontecer no dia anterior, ou mesmo no dia da eleição, as pesquisas acabam tendo muita dificuldade de captar. Mas é importante que se considere que os institutos aprendem com a experiência de uma eleição e, dessa forma, acabam ajustando suas metodologias exatamente para diminuir a possibilidade de dificuldade de captação da decisão do voto do eleitorado. Quanto a 2026, acredito que resultados imponderáveis, como aqueles de 2018, serão mais difíceis de acontecer, mas não serão impossíveis. Contudo, creio que não teremos grande surpresa quando as próximas urnas abrirem.

George – A eleição de 2018 no estado do Rio foi um raio em dia de céu azul. O fenômeno em si não é impossível. Todavia é fenômeno raro, improvável em condições normais de temperatura e pressão. As eleições de 2018 são explicadas pela conjuntura pós-lavajatismo da prisão do presidente Lula; foi a eleição dos outsiders. Em outros termos, foi uma eleição ocorrida em alta temperatura onde o eleitor demonstrou em suas opções o seu humor do momento. A lógica do contra tudo que está aí foi hegemônica, foi uma eleição disruptiva, antissistema. Não me parece ser o caso nas eleições para o Governo do Estado do Rio em 2026. As eleições do próximo ano me parecem ser “normais” em âmbito estadual, não obstante ainda termos grupos radicalizados quantitativamente relevantes. Inclusive, o grupo que está no Palácio Guanabara é o dos outsiders de 2018. Os outsiders de outrora se tornaram o status quo e neste momento quem deseja a mudança terá em Eduardo Paes uma das opções possíveis. E Eduardo é um político que atua nas regras do Estado Democrático de Direito.

Murillo – Falta muito tempo para as eleições de 2026. Só como exemplo, estamos vivendo nesta semana, o julgamento de Bolsonaro, que poderá trazer desdobramentos imprevisíveis. Penso que o momento político de 2018 é diferente do atual. Naquela época havia um sentimento a favor de uma ruptura com a política tradicional, o que possibilitou o surgimento de outsider. É bom lembrar que mesmo Eduardo Paes liderando, à época, sua rejeição era altíssima. A meu ver, esta eleição passa pela polarização que estamos vivendo intensamente no nosso país. Mas, considerando as pré-candidaturas postas, Paes tem maior densidade, capilaridade e serviços prestados.

Hamilton – Sim, pode acontecer, por conta da volatilização já indicada entre nacionalização e internacionalização. Mas, agora, é de se esperar que as pesquisas estejam mais preparadas para ler essa realidade e apresentar números dessa possível progressão.

 

Folha – Sem medição pela Quaest de agosto, mas com intenções de voto que variam de 33,4% e 35,6% (nos dois cenários da pesquisa Paraná), a 22,6% e 23,6% (nos dois cenários Atlas), Flávio Bolsonaro (PL) chega a 12 meses da urna como favorito à reeleição na primeira das duas cadeiras que o RJ elegerá a senador? Por quê?

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William – Flávio já é senador. É um Bolsonaro e, dentro da família do ex-presidente, tem um perfil mais agregador. Além disso, estamos no Estado do Rio de Janeiro, que é o berço do bolsonarismo. O RJ tem um eleitorado evangélico muito forte e um voto muito conservador. Ao mesmo tempo, o sobrenome Bolsonaro sempre remete à pauta da Segurança Pública, um dos maiores problemas fluminenses. Tudo isso favorece o aparecimento do nome do Flávio na liderança da disputa ao Senado e, consequentemente, o cacifa à reeleição, caso o filho do ex-presidente concorra a uma das duas cadeiras.

George – Sim, o Senado Federal, embora seja Poder Legislativo, tem uma eleição nas regras de uma disputa majoritária, ainda que sem a possibilidade de dois turnos. Com essa característica, sim, Flávio Bolsonaro, tudo mais constante, terá uma das cadeiras em disputa no estado do Rio de Janeiro. Vale dizer que se há uma discussão neste momento que apontaria para o início da retração do bolsonarismo, o nome, a grife Bolsonaro, não se esvaziará de uma hora para outra. Gostaria de ressaltar que, especialmente na pesquisa Paraná, o quantitativo detectado de intenção de votos em Flávio Bolsonaro coincide com o que seria na média o quantitativo de eleitores fiéis ao bolsonarismo no Brasil. É esta configuração das preferências do eleitorado que pode garantir votos suficientes para angariar cadeiras para o Senado também em outros estados da Federação.

Murillo – Esses resultados confirmam a polarização e consequentemente a força representativa do bolsonarismo no RJ.

Hamilton – Isso se explica pela política de polarização levada a cabo pelo Governo Lula e o PT, que visava manter Bolsonaro e sua visão autoritária da política vivos o suficiente para tê-los como espantalhos plausíveis para reeditar a frente ampla de ocasião eleitoral. Ocorre que tal frente, promovida na campanha de 2022 com êxito, esteve ausente de todo seu atual governo. E o STF extrapolou todos os parâmetros da normalidade jurídica para sufocar a direita radical. Assim, os bolsonaristas, desmoralizados depois do 8 de janeiro, parecem agora se beneficiar da irresponsabilidade das lideranças institucionais dos Poderes Executivo e Judiciário. Que, agora, é explorada também pela ultradireita internacional em busca de conter o declínio do Ocidente cristão em face da ascensão asiática confuciana (filosofia chinesa).

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

 

Folha – Favorito ao Senado, Flávio também aparece em 2º lugar destacado a governador, sempre que teve o nome listado nessa disputa. Na qual não entrou na Quaest, mas teve 30,5% de intenção de voto a governador (contra 50,6% de Paes, 20,1 pontos acima) em uma das consultas Paraná e 32,8% (contra 40% de Paes, 7,2 pontos acima) em uma das consultas Atlas. Hoje, Flávio é o nome mais competitivo contra Paes pelo Palácio Guanabara?

William – Acredito que sim, pelos mesmos motivos que o fazem o nome mais competitivo ao Senado da República. Flávio já é senador, já é conhecido pelo eleitorado fluminense, é um Bolsonaro e, dentro da família do ex-presidente, tem perfil mais agregador. Por tudo isso, penso não apenas que Flávio é o nome mais competitivo contra Eduardo Paes, mas um dos poucos nomes que podem apertar a diferença contra o prefeito do Rio a ponto de levar o pleito do Palácio Guanabara para uma disputada eleição de segundo turno. Todos estes ingredientes complexificam a decisão de Flávio e mexem com as disputas ao Governo do Estado e ao Senado da República, na medida em que uma delas contará com a ausência dele.

George – Eis a questão… pelos dados fornecidos em pesquisa podemos afirmar que neste setembro de 2025, sim, o Flávio Bolsonaro é o nome mais competitivo, o nome com potencial de maior capital eleitoral para competir com Paes. Todavia é importante ressaltar que vivemos em uma conjuntura de grande complexidade que pode trazer mudanças no cenário, especialmente no caso de Flávio que representa aí o clã Bolsonaro que está envolvido em tramas diversas, algo que também pode se traduzir na reversão de expectativas na disputa para o Senado. Além disso ainda há a vindoura campanha propriamente, com todos os movimentos que lhe são naturais, cujo objetivo é interferir na preferência dos eleitores. Mas, com os dados de hoje, Flávio Bolsonaro pode causar danos ao favoritismo de Eduardo Paes.

Murillo – Essa indagação robustece a análise feita na terceira pergunta: a força do bolsonarismo no estado. E ninguém melhor do que Flávio para encarnar esse sentimento. Se isso será o suficiente para vencer as eleições a governador, são outros quinhentos.

Hamilton – Sim, pois a ultradireita tem uma expressão forte no Estado do Rio em função da crise profunda que este atravessa, inclusive de liderança. O governo Castro e sua coalizão com a Alerj, não obstante o potencial eleitoral do fisiologismo político que representam, podem ser prejudicados pela força de Paes na capital, tornando a disputa potencialmente competitiva diante do agravamento da crise política.

 

Folha – Campos tem um nome entre os pré-candidatos a governador em 2026: o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). Nas consultas sem Flávio, Bacellar ficou em 2º lugar a governador, com 9% de intenção de voto na Quaest (contra 35% de Paes, 26 pontos acima) e 12,4% na Atlas (contra 43,9% de Paes, 31,5 pontos acima). E em 3º lugar, com 7,8% na Paraná (atrás dos 54,8% de Paes e dos 10,6% de Washington Reis). Como você projeta?

William – Projeto potencial de crescimento da intenção de voto do deputado campista, caso Rodrigo Bacellar venha candidato com o apoio da família Bolsonaro e com Flávio Bolsonaro disputando o Senado. O fato de ser presidente da Alerj neste momento e a possibilidade de disputar a eleição de outubro de 2026 já como governador do Estado, em função de uma eventual saída de Cláudio Castro (PL) para a disputa de outro cargo eletivo, configuram uma vantagem adicional em favor de Rodrigo. No entanto, entendo que um possível crescimento da intenção de Rodrigo seria determinado pelo apoio ou não do bolsonarismo. Tendo apoio da família Bolsonaro, Rodrigo pode ser tornar um candidato muito competitivo.

George – Rodrigo Bacellar segue sendo um político exitoso em seus projetos e um dos homens mais poderosos da política fluminense na atual conjuntura. Contudo, diferente de nomes como Eduardo Paes e Flávio Bolsonaro, neste momento ele carece de um trunfo muito importante em uma disputa para o Governo do Estado: a popularidade. Bacellar, neste momento, tem capital eleitoral suficiente para ser vitorioso em disputas para uma cadeira na Alerj, penso que também para a Câmara dos Deputados. Mas, para o Palácio Guanabara, tendo adversários como os citados, ele, por agora, não se apresenta ungido pelo favoritismo. Claro que há o “Sobrenatural de Almeida”, como dizia Nelson Rodrigues. Justamente por conta do imponderável, Bacellar pode insistir em uma candidatura nas condições dadas. Todavia, voltando a raios em dia de céu azul, a prudência recomenda não contar com esse desfecho.

Murillo – Acho que Bacellar tem dois problemas a serem enfrentados. O primeiro é sua baixa taxa de conhecimento, sobretudo na capital. O segundo é sua ligação umbilical com o governador Cláudio Castro, cujo governo é mal avaliado pela população.

Hamilton – Bacellar é um nome da política regional que só ganhará tração mais próximo à eleição em função das relações fisiológicas que representa, que se avolumam perto dos pleitos pelo “toma lá, dá cá”. Todavia, a polarização político-ideológica pode interferir nessa ascensão, assim como no favoritismo de Paes, dada a propensão dela a catapultar líderes com discursos radicais de mudança do sistema, mesmo que desacompanhados de propostas efetivas para tal objetivo e sem nenhum histórico consistente para respaldar tal atitude.

 

Folha – Especulado como candidato a vice-governador numa chapa encabeçada por Paes ou por Reis, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), também chegou a ser listado como candidato a governador numa pesquisa Prefab, feita de 12 a 16 de agosto e que (confira aqui) majorou o percentual de evangélicos em 41,8% dos 1.001 entrevistados em relação aos 32% que o IBGE aponta na população fluminense. A despeito do vício metodológico numa pesquisa de baixa credibilidade, como vê o papel de Wladimir no cenário estadual de 2026?

William – Wladimir desponta como uma importante liderança regional, projetada não apenas pela condição de prefeito de Campos, o maior colégio eleitoral do interior fluminense e berço do garotismo, que já deu dois governadores ao Estado, mas também, neste momento, pela condição de autor do projeto de lei do semiárido, o PL 1440/2019, que defendeu a inclusão dos 22 municípios do Norte e do Noroeste Fluminense no reconhecimento de uma nova classificação climática. Com o veto ao PL, penso que o potencial de liderança de Wladimir aumentou, expandindo para o conjunto destes 22 municípios. Embora a maior parte do eleitorado fluminense esteja localizado na Região Metropolitana, o interior também é muito importante para a eleição. Nesse sentido, o apoio de Wladimir tem potencial estratégico e, por isso, no meu ponto de vista, o nome dele para vice foi ventilado em duas candidaturas.

George – Por enquanto, Wladimir parece que segue se aproximando muito de agentes fiéis ao bolsonarismo, vide (o deputado federal do PL) Altineu Côrtes, aquele que ameaçou fazer a sociedade brasileira engolir o projeto da impunidade, ou da anistia, assim que Hugo Motta se ausentar do país. Há também Washington Reis, nome ejetado por Rodrigo Bacellar do Palácio Guanabara a despeito das súplicas do clã Bolsonaro por sua permanência. Por isso, caso essa proximidade com o bolsonarismo se consolide, a opção de ser vice de Paes parece dinamitada. Ainda seguindo nesta trajetória, Wladimir pode estar se contentando em assumir uma posição subalterna em projeto de poder alheio no curto prazo. Precisamos ver se no futuro próximo esta trajetória será sustentada ou se Wladimir tentará se aliar a outros grupos políticos em atuação na política fluminense. Por enquanto, vejo o prefeito se acomodando em ser correia de transmissão de um projeto que pode alienar seu próprio potencial de crescimento político. Neste cenário, a participação de Wladimir para a disputa de 2026 ao Governo do Estado será a de coadjuvante ou de pura e simplesmente estrela regional a emprestar palanque, prestígio e capital político a agentes vindos da capital.

Murillo – Penso que Wladimir deveria cuidar mais do seu governo, que, a meu ver, vive um momento nada bom. Concordo com a avaliação do seu pai, quando este afirma que foi precipitado o desejo do filho de abandonar, com tanta antecedência, o mandato que o povo lhe conferiu com tamanha expressividade na sua reeleição em 2024. Neste momento, não o vejo como um player determinante para compor a chapa majoritária ao Governo do Estado. Em resumo: ele pode até estar no ônibus da sucessão, mas não sentado na janela.

Hamilton – Sem dúvida, Wladimir é um político fortalecido pela reeleição a prefeito. Ele projeta uma imagem de conservadorismo pragmático que o aproxima de Paes. E pode se habilitar para o jogo de trocas da política fluminense, o aproximando de Reis. Mas que pode também, daí a dúvida, ser forçado a um posicionamento político-ideológico mais incisivo em função do provável agravamento da crise política. Neste caso, a dobradinha com Paes pode lhe custar um alto preço.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Após prisão e libertação, Gilberto do PT no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Secretário de Comunicação do PT de Campos, Gilberto Gomes é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (12), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Da sua perspectiva, ele falará da prisão a que foi submetido por acusação de racismo (confira aqui) durante o desfile cívico do 7 de Setembro em Campos, da qual foi liberado pela Justiça (confira aqui) na terça (9).

Em contrapartida, Gilberto comentará o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 7 réus por tentativa de golpe de Estado, pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Cuja unanimidade pela condenação inicialmente projetada foi quebrada ontem (10), com o voto do ministro Luiz Fux (confira aqui) pela absolvição de Bolsonaro.

Por fim, com base nas pesquisas, ele tentará projetar as eleições de 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 12 meses, a presidente (confira aqui), governador (confira aqui, aqui e aqui), senador (confira aqui e aqui) e deputados.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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STF pós-Fux e acusação de racismo no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Advogado, João Paulo Granja é o convidado do Folha no Ar desta quinta (11), ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), após o voto hoje (confira aqui) do ministro Luiz Fux.

Como advogado de Gilberto Gomes, secretário de Comunicação do PT de Campos, preso por acusação de racismo (confira aqui) no desfile cívico de 7 de Setembro e posto em liberdade (confira aqui) ontem (9), João Paulo detalhará o caso na visão da defesa.

Por fim, com base nas pesquisas, ele tentará projetar as eleições de 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 12 meses, a presidente (confira aqui), governador (confira aqui, aqui e aqui), senador (confira aqui e aqui) e deputados.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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A 1 ano da urna, como chegam Paes, Flávio, Bacellar e Wladimir?

 

Eduardo Paes, Flávio Bolsonaro, Rodrigo Bacellar e Wladimir Garotinho nas pesquisas do RJ a 2026 e sob análise de William Campos, George Gomes Coutinho, Murillo Dieguez e Hamilton Garcia (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Favoritos: Paes a governador e Flávio a senador

Enquanto setembro de 2025 veio com a pesquisa presidencial (confira aqui) que mais acertou as urnas de 2022, três pesquisas feitas no RJ em agosto (Quaest, Paraná e Atlas) indicam como as eleições estaduais estão hoje, a pouco mais de um ano da urna de 2026. Com dois favoritos: o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador e o senador Flávio Bolsonaro (PL) à reeleição.

 

Dilema de Flávio: senador ou governador?

A 12 meses entre a intenção e o voto, nada é certo. E, para fortalecer as dúvidas, as pesquisas trazem outro aparente dilema: favorito a se reeleger na 1ª das duas cadeiras que o RJ elegerá ao Senador em 2026, Flávio também é, até aqui, o único nome que apareceu nas pesquisas Paraná e Atlas com chances de levar a eleição de governador com Paes a um 2º turno.

 

Pesquisas do RJ por especialistas de Campos

Para tentar interpretar essas três pesquisas de agosto no RJ, a Folha fez algumas perguntas. A dois especialistas em pesquisa, o geógrafo e estatístico William Passos e o empresário Murillo Dieguez, diretor do instituto campista Pro-4; e a dois cientistas políticos: George Gomes Coutinho e Hamilton Garcia, professores, respectivamente, da UFF-Campos e da Uenf.

 

Não perca no sábado! E Bacellar e Wladimir?

A matéria com a análise completa dos quatro será publicada pela Folha neste sábado (13). Inclusive com a projeção que atores de Campos, como o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e o prefeito Wladimir Garotinho (PP), podem ter na disputa eleitoral de 2026.

 

Paes, hoje, líder sem dúvida

Hoje, Paes é franco favorito a governador? “Sem dúvida, Eduardo Paes é, neste setembro de 2025, o líder isolado das intenções de voto para a disputa no Governo do Estado”, constatou George. Sem que, com base nas pesquisas, houvesse discordâncias entre William, Murillo ou Hamilton.

 

Raio de 2018 no RJ de 2026?

As pesquisas podem ser surpreendidas no pleito estadual, como se deu com a atropeladora eleição de Wilson Witzel (hoje, PSDB) a governador em 2018? “Penso que o momento político de 2018 é diferente do atual. Naquela época havia um sentimento a favor de uma ruptura com a política tradicional, o que possibilitou o surgimento de outsider”, ponderou Murillo

 

“Flávio já é senador”. E a governador?

Flávio é favorito ao Senado? “Flávio já é senador, é um Bolsonaro e, dentro da família do ex-presidente, tem um perfil mais agregador”, apostou William. Mas pode vir a governador? “Sim, pois a ultradireita tem uma expressão forte no Estado do Rio em função da crise profunda que este atravessa, inclusive de liderança”, ensejou Hamilton.

 

Bacellar 2026 sob análise

E Bacellar a governador? “É um nome da política regional que só ganhará tração mais próximo à eleição em função das relações fisiológicas que representa, que se avolumam perto dos pleitos pelo ‘toma lá, dá cá’”, definiu Hamilton. “Um possível crescimento da intenção de Rodrigo seria determinado pelo apoio ou não do bolsonarismo”, condicionou William.

 

Wladimir 2026 sob análise

E Wladimir, cotado a vice numa chapa encabeçada por Paes ou o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB), na eleição a governador? “A participação de Wladimir para a disputa de 2026 ao Governo do Estado será a de coadjuvante”, projetou George. “Ele pode até estar no ônibus da sucessão, mas não sentado na janela”, advertiu Murillo.

 

Confira a matéria completa neste sábado (13).

 

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Lula tem imagem negativa de governo, mas lidera 1º e 2º turnos

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula desaprovado e favorito ao 1º e 2º turno

Pesquisa que mais se aproximou dos resultados da urna nos 1º e 2º turnos presidenciais de 2022, a MDA divulgada na segunda (8) revelou que o governo Lula ainda tem mais avaliação negativa (40%) do que positiva (30,5%). Ainda assim, hoje, o atual presidente bateria todos os adversários nas simulações de 1º e 2º turno para 2026, daqui a pouco mais de um ano.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula 36,2% x 29,7% Bolsonaro no 1º turno

Feita entre 3 e 6 de setembro, com 2.002 eleitores e margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, Lula liderou as três consultas estimuladas (com apresentação dos nomes dos candidatos) da pesquisa MDA ao 1º turno. Contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030, o petista venceria por 36,2% de intenção de voto a 29,7%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula à frente de Tarcísio e do 03 no 1º turno

Contra adversários elegíveis, Lula também ficou à frente no 1º turno contra o governador paulista Tarcísio de Freitas (REP), por 35,8% a 17,1%. Já contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), residindo nos EUA desde março, o petista venceria o 1º turno por 37,1% a 14,6%. Nos três cenários, a vantagem de Lula ficou fora da margem de erro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ciro, Ratinho, Caiado e Zema, mas sem Michelle e Flávio

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e os governadores Ratinho Jr. (PSD), Ronaldo Caiado (União) e Romeu Zema (Novos), respectivamente, do Paraná, Goiás e Minas Gerais, foram testados nos três cenários MDA ao 1º turno, sempre abaixo dos dois primeiros. Mas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foram ignorados na pesquisa.

 

Lula bate todos no 2º turno, sem Michelle

Nas seis simulações de 2º turno da MDA, Lula também ganhou todas. Por 45,7% a 37,7% contra Bolsonaro, 43,9% a 37,6% contra Tarcísio, 43,4% a 36,7% contra Ratinho, 45,0% a 30,7% contra Zema e 44,8% a 30,7% contra Caiado. Novamente, Michelle não foi incluída nas sondagens.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Empate técnico com Ciro

Lula também venceria numericamente Ciro, por 39,4% a 36,0%, na simulação MDA ao 2º turno. Mas, mesmo que o ex-governador do Ceará não seja cogitado como candidato a presidente em 2026, foi o único com quem Lula ficou em empate técnico na margem de erro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Rejeição de 49,8% é empecilho a Lula

Apesar dos bons resultados de intenção de voto na pesquisa MDA, Lula tem nela um empecilho ao 2º turno: com apenas 0,4% dos eleitores que não o conhecem, 49,8% dos brasileiros não votariam nele de jeito nenhum. É uma rejeição menor apenas que os proibitivos 57,6% de Bolsonaro, desconhecido por ínfimos 0,9% dos eleitores.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Tarcísio e Ratinho têm espaço para crescer

Por sua vez, se Tarcísio acumula 33,6% de rejeição nacional, ele tem 27,9% dos brasileiros que não o conhecem. Enquanto, entre os nomes medidos pela MDA no índice negativo, Ratinho Jr. tem 33,1% de rejeição, mas com 30,4% dos eleitores que não o conhecem. Ou seja, Tarcísio e Ratinho têm espaço razoável para crescer, em um eventual 2º turno, que Lula não tem ou terá.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Semiárido à região e FDP! adiado no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Geógrafo climatologista, escritor, presidente da Academia Pedralva de Letras e Artes e membro da Academia Campista de Letras, Carlos Augusto Souto de Alencar é o convidado do Folha no Ar desta quarta (10), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele explicará a diferença de critérios entre o clima semiárido científico e o adotado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para beneficiar regiões do Sudeste como o norte do Espírito Santo. Que agora pleiteia a classificação também ao sul do estado vizinho, separado de Campos apenas pelo rio Itabapoana.

Carlos Augusto também analisará o fato do PL 1.440/2019, aprovado por unanimidade (confira aqui) em todas as comissões por que passou no Congresso Nacional para classificação do clima do Norte e Noroeste Fluminense ao semiárido, ter sido vetado (confira aqui) pela Casa Civil no ministro-chefe Rui Costa por uma disputa (entenda aqui e aqui) pelo poder no PT da Bahia com o senador Jaques Wagner.

Por fim, ele falará da sua expectativa para o Festival Doces Palavras (FDP!), adiado pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima de setembro para 5 a 9 de novembro.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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“Quem disser que Gilberto Gomes é racista está mentindo!”

 

Gilberto Gomes em campanha política sempre multirracial pelas ruas de Campos (Foto: Instagram)

 

Como jornalista, conheci Gilberto Gomes há alguns anos, quando ele ainda integrava o DCE da Uenf. Reconheci, desde o nosso primeiro contato, não só um jovem idealista de esquerda, de sólida base cristã formada no catolicismo progressista, mas alguém, talvez até precocemente, dotado de pragmatismo político. Seja na política universitária ou na partidária, na qual despontou como um dos quadros mais promissores do PT goitacá.

Na relação entre repórter e fonte, sempre estabelecida com base na confiança da conversa em off e na garantia constitucional do sigilo de fonte, nossa relação profissional derivou naturalmente à amizade pessoal. Se não mais próxima ou assídua, tampouco na concordância pessoal no pensamento político, mas naquela em que reciprocamente se reconhece o compromisso comum com a defesa dos interesses coletivos da cidade, da região e do país.

Foi por reconhecer essa atuação cidadã de Gilberto, para além do PT, como a sua facilidade geracional com as mídias sociais, que o convidei há alguns para hospedar seu Blog do Gilberto (confira aqui) no Folha1. No qual, mesmo sem formação jornalística, ele chegou a dar alguns furos de reportagem, que mereceram chamada entre as principais do site. Talento natural para a área que o faria, depois, secretário de comunicação do PT de Campos.

No plantão do último domingo (7), assim que soube das primeiras notícias de desavenças envolvendo a já tradicional “marcha dos excluídos” que o PT e outras legendas de esquerda promovem junto a sindicatos e movimentos sociais, nos desfiles cívicos do 7 de Setembro em Campos, passei a acompanhar o caso. Apurei por telefone informações com várias fontes, interagindo com a reportagem da Folha presente, primeiro no Cepop e, depois, na 134ª DP.

Pela equipe da Folha que cobria o plantão dominical da DP, fui informado que Gilberto seria autuado (confira aqui) em flagrante por suspeita de crime de injúria racial. Porque, após alguns desentendimentos envolvendo integrantes da “marcha dos excluídos” e agentes da Guarda Municipal, Gilberto teria questionado o fato de um militante do Brasil Império, presente ao evento e que já teria feito provocações aos militantes de esquerda, ser preto.

Alguém que conhece História do Brasil, como Gilberto, pode ter lembrado que o Império neste país foi montado sobre a força da mão de obra de escravos pretos, capturados em África e de lá trazidos acorrentados no “sonho dantesco” que o poeta Castro Alves narra em detalhes em seu “O Navio Negreiro”. Como alguém poderia também lembrar que a Princesa Isabel deu fim, tardiamente, à escravidão no Brasil em 1888. Pelo que alcançou à época grande popularidade entre os recém-libertos, após mais de três séculos sendo tratados como animais.

Como qualquer questão retórica, sobretudo na bipolaridade política do Brasil, há argumentos subjetivos aos dois lados. Objetivamente, no entanto, há duas questões. A primeira é jurídica. E é ressaltada pelo conceituado criminalista Alex Ribeiro Cabral, advogado de Gilberto: o crime de injúria racial não é culposo, demanda dolo, intenção. Que inexiste. E remete à segunda e principal questão: Gilberto não é racista!

Para além da mera opinião, a posição de Gilberto contra qualquer forma de discriminação pode ser objetivamente constatada ao longo dos anos. Em que ele sempre esteve na linha de frente da luta contra o racismo em Campos, da sua atuação na política estudantil à partidária. Basta uma simples zapaeada em seus perfis nas redes sociais para qualquer um, imperialista ou republicano, de esquerda, centro, direita ou apolítico, testemunhar isso (confira aqui) por conta própria.

Após dormir de domingo para segunda na 134ª DP, de ser transferido na manhã de hoje para o Presídio Carlos Tinoco da Fonseca, Gilberto agora aguarda audiência de custódia a partir das 13h desta terça (9). Antes e depois dela, muitos poderão concordar ou discordar, com veemência, da ideologia política do militante do PT de Campos.

Mas, ao fim e ao cabo, se minha palavra como cidadão, mais que como jornalista ou diretor do Grupo Folha, vale algo, afirmo com integral convicção: quem disser que Gilberto Gomes é ou chegou a ser por algum momento racista, está mentindo!

 

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Bolsonaro no STF e acusação de racismo em Campos no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Os advogados criminalistas Ana Carolina Ramos e Roberto Corrêa são os convidados do Folha no Ar nesta terça, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Eles analisarão o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus do chamado “núcleo crucial” na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado em cinco crimes. Com projeção de conclusão nesta sexta (12) e penas que podem exceder 4o anos de prisão.

Roberto e Ana Carolina também analisarão a condução do julgamento pelo ministro Alexandre de Moares como relator do caso, assim como a participação dos outros quatro ministros da 1ª Turma do STF e do PGR, Paulo Gonet.

Por fim, os dois criminalistas falarão do caso da acusação de racismo (confira aqui) contra o secretário de Comunicação do PT de Campos, Gilberto Gomes. Pelo qual ele foi detido, encaminhado à 134ª DP e depois à Casa de Custódia Dalton Crespo de Castro, após uma discussão com um militante do Brasil Império, no desfile cívico do 7 de Setembro em Campos.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Cidennf vai debater como derrubar veto do PT ao semiárido à região

 

Longas estiagens que secam trechos do Paraíba evidenciam a mudança climática de Campos, Norte e Noroeste Fluminense (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

“A informação divulgada pela assessoria de imprensa do Cidennf sobre a existência de um texto alternativo ao PL 1.440/2019 (do semiárido ao Norte e Noroeste Fluminense) foi incorreta”. Foi o que esclareceu hoje o próprio secretário executivo do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense (Cidennf), Vinícius Vieira, sobre o tema da assembleia da entidade às 14h desta terça (9), em Itaperuna.

A informação anterior da assessoria do Cidennf, que chegou a ser divulgada pela Folha, dava a ideia de capitulação dos 22 municípios das duas regiões pelo PL do Semiárido. Que facilitaria linhas de crédito (confira aqui) aos produtores rurais de todos esses municípios. E foi aprovado (confira aqui) por unanimidade no Congresso Nacional, mas acabou vetado (confira aqui) pelo Governo Lula para atender às disputas internas de poder (entenda aqui e aqui) no PT da Bahia.

Assim, no lugar de buscar alternativas ao veto, como chegou a ser divulgado ontem pelo Cidennf e foi proposto pelo secretário nacional para Assuntos Parlamentares de Lula, o ex-presidente da Alerj André Ceciliano (PT), o foco do debate de quarta será sobre as possibilidades e caminhos do Norte e Noroeste Fluminense para derrubar o veto do semiárido.

O Projeto de Lei (PL) 1440/2019 é de autoria do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), quando era deputado federal. A proposta visa alterar, com base em estudos realizados pela Uenf, a classificação climática das regiões Norte e Noroeste Fluminense para semiárido. O que garantiria os benefícios do programa Garantia-Safra aos produtores rurais e a criação de um fundo de desenvolvimento para as duas regiões.

Abaixo, a íntegra da nota oficial do Cidennf, presidido pelo prefeito de Italva, Léo Pelanca (PL), que foi divulgada na tarde de hoje:

 

 

NOTA OFICIAL

O Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense (Cidennf) informa que os temas da Assembleia Geral Ordinária foram definidos em continuidade às discussões anteriormente realizadas, assegurando a sequência dos encaminhamentos e a busca por soluções conjuntas entre os(as) prefeitos(as) integrantes da entidade.

No ponto 3 da ordem do dia, será tratado especificamente o alinhamento em relação ao veto ao PL 1.440, momento em que serão estabelecidas as deliberações subsequentes e o posicionamento conjunto do CIDENNF.

Esclarece-se, ainda, que a informação divulgada pela assessoria de imprensa do Cidennf, acerca da existência de um texto alternativo ao PL 1.440/2019, não procede.

Cidennf – Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense

 

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Flávio lidera todas pesquisas ao Senado, seguido de Benedita

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Flávio competitivo a governador e líder a senador

Em todas as consultas (confira aqui) que incluem seu nome, Flávio é o nome menos distante da liderança de Paes a governador: 7,2 pontos atrás na Atlas e 20,1 pontos atrás na Paraná. E o senador lidera todas as pesquisas, até aqui, à reeleição. Como a Quaest não realizou essa consulta em agosto, Flávio seguiu à frente da corrida ao Senado na Atlas (confira aqui) e na Paraná (confira aqui) do último mês.

 

Na Atlas: Flávio, Bené, Molon e Portinho

Nas duas consultas estimuladas da pesquisa Atlas ao Senado, Flávio liderou em ambas. No cenário 1, seus 22,6% foram seguidos, 5,6 pontos atrás, pela deputada federal Benedita da Silva (PT), com 17%. Na margem de erro, ela ficou empatada tecnicamente com o ex-deputado federal Alessandro Molon (PSB), com 16,1%; e com o senador Carlos Portinho (PL), com 14,1%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Atrás de Flávio, Bené e Molon, Castro pior que Portinho

No cenário 2 da pesquisa Atlas a senador, Flávio teve 23,1% de intenção. Ele veio seguido, 5,9 pontos atrás, novamente por Benedita, com 17,2%. Que ficou tecnicamente empatada na margem de erro com Molon, que teve 16,5%. Ao substituir Portinho como candidato a senador em 2026, o governador Cláudio Castro (PL) ficou nos 12,4%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na Paraná, Flávio lidera, mas Castro empata com Bené

Nas duas consultas estimuladas da pesquisa Paraná ao Senado pelo RJ, Flávio também liderou em ambas. No cenário 1, com 10 nomes, ele teve 33,4% de intenção. Ficou 7 pontos à frente de Benedita, com 26,4%. Na margem de erro, a petista ficou tecnicamente empatada na 2ª posição com Castro, que teve 25,6%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Castro em 2º ao Senado, mas com Bené e sem Portinho

No cenário 2 da Paraná ao Senado, em uma lista mais curta de seis nomes, Flávio permaneceu liderando com 35,6% de intenção. Ficou 4,7 pontos à frente de Castro, com 30,9%. Que registrou outro empate técnico na 2ª posição com Benedita, que teve 29,8%. Nas consultas Paraná a senador, diferente da Atlas, Molon foi colocado como opção, mas Portinho não.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Paes favorito a governador em todas as pesquisas de agosto

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Paes favorito a governador e Flávio a senador

A pouco mais de 12 meses da urna de 4 de outubro de 2026, três pesquisas de agosto de 2025, de institutos e com metodologias diferentes, apontam os favoritos de hoje às eleições ao Governo do Estado e às duas cadeiras ao Senado que os fluminenses elegerão: o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador e o senador Flávio Bolsonaro (PL) à reeleição.

 

Pesquisa Atlas de agosto

A pesquisa mais recente é (confira aqui) a Atlas. Foi divulgada no dia 2 e feita de 25 a 29 de agosto, com 2.001 eleitores. E deu a Paes uma liderança a governador entre 40% e 43,9% de intenções de voto, em dois cenários de consulta estimulada (com a apresentação dos nomes dos possíveis candidatos).

 

Paes 31,5 pontos à frente de Bacellar

No cenário 1 da Atlas a governador, Paes liderou com 43,9% de intenção. Foi seguido, 31,5 pontos atrás, pelo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), com 12,4%. Na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos na pesquisa, o político de Campos ficou empatado tecnicamente na 2ª posição com o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB), que teve 9,8%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Flávio encurta com Paes a governador: 7,2 pontos

No cenário 2 da Atlas a governador, Paes liderou com 40%. Foi seguido, 7,2 pontos atrás, por Flávio. Favorito em todas as pesquisas à reeleição ao Senado, o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é, nas simulações que o colocam como opção a governador, o adversário até aqui mais competitivo ao prefeito carioca ao Palácio Guanabara.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ninguém bate 2 dígitos contra Paes e Flávio

Com Flávio na disputa a governador contra Paes, nenhum outro nome chega a dois dígitos de intenção de voto. No cenário 2 da Atlas, bem atrás e todos empatados tecnicamente na margem de erro, vieram o ex-prefeito de Maricá Fabiano Horta (PT), com 5,6%; Bacellar, com 5,2%; Reis, com 4%; e a vereadora carioca Monica Benicio (Psol), com 3,6%.

 

Paes lidera também pesquisa Paraná

Antes da Atlas, a pesquisa de agosto mais recente a governador foi (confira aqui) a do instituto Paraná. Foi divulgada no dia 1º e feita de 24 a 27 de agosto, com 2.000 eleitores. E deu a Paes uma liderança a governador entre 50,6% e 54,9% de intenções de voto, em três cenários de consulta estimulada.

 

Paes 44,2 pontos à frente de Reis

No cenário 1 da Paraná a governador, Paes liderou com 54,8%. Foi seguido, 44,2 pontos atrás, por Reis, com 10,6%. O político da Baixada Fluminense ficou empatado tecnicamente na 2ª colocação, na margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos da pesquisa, com Bacellar, que teve 7,8%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Paes 20,1 pontos à frente de Flávio

No cenário 3 da Paraná a governador do RJ, Paes liderou com 50,6%. Foi seguido, 20,1 pontos atrás, por Flávio, com 30,5%. No único cenário da pesquisa com o filho de Bolsonaro na disputa ao Palácio Guanabara, pré-candidatos que ambicionam o eleitorado bolsonarista para se tornarem competitivos, como Reis e Bacellar, sequer foram listados.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Quaest sem Flávio com Paes 26 pontos à frente de Bacellar

Antes da Atlas e da Paraná, a Quaest fez sua pesquisa a governador do RJ (confira aqui) em agosto. Foi divulgada no dia 22 e feita dos dias 13 a 17. E foi o único dos três institutos que não testou o nome de Flávio em nenhum cenário estimulado a governador. Mas a liderança também foi de Paes, com 35% de intenção. Que foi seguido, 26 pontos atrás, por Bacellar, com 9%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sem Flávio, ninguém bate 2 dígitos abaixo de Paes

Sem Flávio, Bacellar ficou na 2º colocação a governador na Quaest. Mas empatado tecnicamente, na margem de erro de 3 pontos para mais ou menos, com Reis, que teve 5%, e com Monica, que registrou 4%. O dado estranho é que, em pesquisa que realizou no RJ em fevereiro, a Quaest havia listado (confira aqui) o filho 01 de Bolsonaro como opção a governador.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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