Crônica — BH no STJD, Bolsonaro no STF e Tarcísio de porta-bandeira da anistia

 

Bruno Henrique, Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

— E aí, quer começar por onde? Bruno Henrique no STJD, Bolsonaro e o barata voa da defesa do general Paulo Sérgio no STF ou tentativa de anistia no Congresso com Tarcísio de porta-bandeira? — indagou Manoel, já sentado, copo de cerveja na mão, à mesa do boteco.

— Como diria um amigo, cada assunto dá uma série da Netflix — respondeu Aníbal, enquanto puxou a cadeira, se sentou e pediu um copo ao garçom.

— Vamos começar por Bruno Henrique? Sei o quanto você gosta dele.

— Para mim, BH é o maior ídolo do Flamengo desde Zico, Leandro e Júnior.

— Você acha que ele jogou mais que Romário ou Sávio nos anos 90, ou que Adriano ou Petković nos anos 2000?

— A questão não é essa. É no sentido daquele que não treme diante de nenhum adversário, que sempre aparece nos jogos grandes e nos momentos mais difíceis, que Bruno Henrique tem sua condição de maior ídolo rubro-negro desde aquele mítico Flamengo dos anos 1980.

— Em 2019, Bruno Henrique foi eleito melhor jogador da Libertadores, que o Flamengo não ganhava desde 1981. Muito embora, na final dura contra o River Plate, tenha sido Gabigol que achou os dois gols, no final do jogo, para virar e levar o caneco.

— Ninguém pode tirar esse feito histórico dele. Mas é um moleque da mesma escola de Neymar: os “meninos do Santos” que nunca crescem. Gabigol é um atacante razoável que teve uma grande fase. Mas não evoluiu seu jogo, não se cuidou fisicamente, aprontou um bando de imundas, foi embora do Flamengo com a graça de Deus e hoje esquenta banco no Cruzeiro.

— Naquele mesmo 2019, Gabigol foi colocado no bolso pelo zagueiraço holandês Van Dijk e se escondeu na final do Mundial. Assim como Arrascaeta e Gérson. O próprio técnico Jorge Jesus disse isso na entrevista coletiva após a derrota, por 1 a 0, na prorrogação.

— E BH foi o único craque daquele Flamengo que não tremeu diante do Liverpool. Partiu para dentro e tirou o excelente lateral-direito Alexander-Arnold, hoje no Real Madrid, para nada.

— E contra o Chelsea na Copa do Mundo de Clubes deste ano, que depois seria o campeão?

— Bruno Henrique empatou contra o Chelsea e comandou a virada rubro-negra por 3 a 1. Com a qual, 44 anos depois de 1981, “botou os ingleses na roda”. E se tivesse marcado na chance que teve de empatar contra o Bayern, quando este vencia o Flamengo por 3 a 2, a história daquele jogo teria sido outra.

— Mas não foi por nada disso que Bruno Henrique foi condenado e suspenso por 12 jogos no STJD. Foi porque forçou um cartão amarelo contra o Santos em 2023 para beneficiar apostadores. E está tudo nas mensagens entre ele e o irmão, capturadas pela Polícia Federal.

— Não há dúvida de que BH forçou o cartão para manipular resultado de apostas. Mas não prejudicou o Flamengo, que ficou e está ao seu lado. E não levou dinheiro de nenhuma quadrilha de apostas. Como ocorreu com todos os outros jogadores brasileiros que tiveram punições mais severas. E que por isso foram denunciados por seus próprios clubes.

— Mas Bruno Henrique também é réu na Justiça comum. Ele agora responde criminalmente por fraude em esquema de apostas. E a pena é de 2 a 6 anos de prisão.

— O filósofo espanhol Ortega y Gasset dizia que “o homem é ele e suas circunstâncias”. Mesmo dotado de grande talento e capacidade de decisão no futebol, BH é um homem simples. E café muito pequeno diante das maracutaias financeiras na cartolagem de um Textor, Eurico da terra de Trump. Ou das circunstâncias nacionais: um ex-presidente da República, três generais do Exército e um almirante da Marinha julgados por tentativa de golpe de Estado no STF, em cinco crimes com penas que podem exceder 40 anos de prisão.

— Enfim, invertemos o jogo. E o Andrews Farias no STF, advogado do general Paulo Sérgio Nogueira, jurando de pés juntos, cinco vezes, que seu cliente tentou “demover o presidente”.

— No que a ministra Cármen Lúcia, na sua mineirice sutil e precisa, tomou a bola: “Demover de quê?”

— E o advogado de Paulo Sérgio não hesitou: “De qualquer medida de exceção”. Ou seja, rifou Bolsonaro e jogou no seu colo toda a responsabilidade do golpe.

— Pois é. Não é mais só Mauro Cid. No desespero do navio afundando, agora foi seu próprio ex-ministro da Defesa que entregou Bolsonaro. Juridicamente, não há salvação para ele.

— O que nos leva à última pergunta que fiz umas cervejas atrás: E a anistia no Congresso com Tarcísio de porta-bandeira?

— Quem melhor classificou a proposta de anistia que o PL passou a circular na Câmara foi a jornalista Vera Magalhães: “pornográfica”! A pretexto de anistiar Bolsonaro, anistiariam qualquer outra quadrilha armada que tenha atuado criminalmente no Brasil desde 2019.

— E olha que é a patota do “bandido bom é bandido morto”. Mas a pergunta é: passará?

— Como diz a menininha do comercial da Sadia: “Nem a pau, Juvenal!” Pode até ser colocado em pauta na Câmara pela presidência enfraquecida de Hugo Motta. Mas, certamente, sucumbirá. Se não por falta de voto, pelo veto de Lula. Que, mesmo se o Congresso derrubar, será considerado inconstitucional pelo STF.

— Mas há também a possibilidade do Alcolumbre, presidente mais esperto e empoderado do Senado, tentar costurar uma alternativa com o STF.

— Que só passaria na redução das penas excessivas dos bois de piranha presos pela invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro, não para os tubarões da tentativa de golpe. E Tarcísio, que já foi definido pelo Centrão como adversário de Lula em 2026, sabe muito bem disso.

— Então por que ele virou porta-bandeira da anistia?

— O Centrão, como a Faria Lima, o agro e o empresariado, alvos do tarifaço de Trump, nem querem mais Bolsonaro elegível. Candidato precificado dos quatro, Tarcísio vive o dilema: não perder os votos bolsonaristas para conseguir chegar ao 2º turno. E, lá chegando, não perder os votos do centro que definiram a vitória de Bolsonaro em 2018 e de Lula em 2022.

— Para tentar negociar as tarifas contra o Brasil, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, estava até ontem em Washington. Onde fugiu de Dudu Bananinha como o diabo da cruz. Enquanto aqui, Tarcísio rasgou a pose de “moderado” e deixou São Paulo para virar capacho dos Bolsonaro em Brasília.

— De novo, é como o futebol: Tarcísio corre pela anistia para não chegar. Até 2026, veremos se não levará bola nas costas — advertiu Aníbal, enquanto via no iPhone o ex-botafoguense Luiz Henrique, investigado na Espanha por manipulação de resultado, entrar no 2º tempo para incendiar o jogo contra o Chile no Maracanã. E definir, no final daquela noite de quinta, a vitória de 3 a 0 do Brasil de Ancelotti.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Flávio lidera a senador, com Benedita, Molon e Portinho pela 2ª vaga

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Adversário menos distante (7,2 pontos atrás) do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador (confira aqui), o senador Flávio Bolsonaro (PL) confirmou seu favoritismo à reeleição para uma das duas cadeiras ao Senado que o RJ elegerá em 4 de outubro de 2026, daqui a 13 meses. Em dois cenários de consulta estimulada da pesquisa AtlasIntel, feita de 25 a 29 de agosto, Flávio liderou ambos, entre 22,6% e 23,1% das intenções de voto a senador.

Cenário 1 ao Senado — No cenário 1 da AtlasIntel a senador, o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve 22,3% de intenção. Ficou 5,6 pontos à frente da deputada federal Benedita da Silva (PT). Com 17%, ela ficou no empate técnico, na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, com o ex-deputado federal Alessandro Molon (PSB) e o senador Carlos Portinho (PL), respectivamente, com 16,1% e 14,1%.

Clarissa no cenário 1 — Atrás de Flávio, Benedita, Molon e Portinho no cenário 1 da AtlasIntel ao Senado, a ex-deputada federal campista Clarissa Garotinho (REP) ficou em 5º lugar, com 4,1%. Atrás dela, em 6º, ficou o deputado federal Otoni de Paula (MDB), com 2,2%. Outros 11,4% escolheram outro nome.

Cenário 2 ao Senado — No cenário 2 da AtlasIntel a senador, Flávio teve 23,1% de intenção. Ficou 5,9 pontos à frente de Benedita, com 17,2%. A petista ficou em outro empate técnico com Molon, que teve 16,5%. Depois dele, veio o governador Cláudio Castro (PL), com 12,4%; o ex-prefeito carioca Marcelo Crivella (REP), com 2,5%; e Otoni, com 1,7%. Outros 12,2% escolheram outro nome.

Rejeição a senador — No quesito rejeição, entre os nomes listados pela AtlasIntel ao Senado, Castro liderou: 52,7% dos eleitores fluminenses não votariam nele de jeito nenhum. Ele veio seguido no índice negativo por Crivella, com 49,5%; Flávio, com 48%; Benedita, com 41,8%; Clarissa, com 41,1%; Portinho, com 31,7%; e Molon, com apenas 28,1% de rejeição.

Castro desaprovado por 64% — Entre os que tentam concorrer ao Senado em 2026, a liderança de Castro na rejeição parece refletir a baixa aprovação em 2025 à sua gestão como governador. Que é aprovada por apenas 29% dos eleitores fluminenses, com a desaprovação da maioria expressiva de 64%. Outros 7% não opinaram.

Análise do especialista — “Na disputa ao Senado, Flávio liderou as duas consultas. No cenário 1, Benedita, Molon e Portinho apareceram tecnicamente empatados na 2ª colocação, dentro da margem de erro. No cenário 2, o empate técnico na 2ª colocação restringiu-se a Benedita e Molon. Destaca-se também o aparecimento do nome da campista Clarissa na 5ª colocação do cenário 1. A AtlasIntel também testou a aprovação da gestão Cláudio Castro, pré-candidato ao Senado e desaprovado como governador por 64% da população”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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Após Quaest e Paraná, Paes também lidera AtlasIntel a governador

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Outra pesquisa aponta o favoritismo atual do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) à eleição a governador de 4 de outubro de 2026, daqui a 13 meses. Depois dos institutos Quaest (confira aqui) e Paraná (confira aqui), ontem (2) foi a vez da AtlasIntel divulgar sua pesquisa, feita com 2.001 eleitores de 25 a 29 de agosto. Na qual Paes variou de 40% a 43,9% de intenção de voto nas duas consultas estimuladas a governador — com a apresentação dos nomes dos possíveis candidatos.

Cenário 1 a governador — No cenário 1 da AtlasIntel a governador, Paes teve 43,9% de intenção. São 31,5 pontos de vantagem sobre o 2º colocado, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), com 12,4%. Na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da pesquisa, o político de Campos ficou empatado tecnicamente com o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB), que teve 9,8%. Atrás dele, ficou a vereadora carioca Monica Benicio (Psol), com 6,6%.

Cenário 2 a governador — No cenário 2 da AtlasIntel a governador, Paes teve 40% de intenção. E sua liderança caiu para 7,2 pontos de vantagem sobre o 2º colocado, o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 32,8%. Atrás dele, todos empatados tecnicamente na margem de erro, vieram o ex-prefeito de Maricá Fabiano Horta (PT), com 5,6%; Bacellar, com 5,2%; Reis, com 4%; e Monica, com 3,6%. Na rabeira, ficou o ex-governador Wilson Witzel (PSDB), com 0,6%.

Rejeição a governador — Caso a eleição a governador ocorra em dois turnos, a rejeição determinará o crescimento ou não de cada candidato. Na AtlasIntel, ninguém é mais rejeitado do que Witzel: 69,2% dos eleitores não votariam nele de jeito nenhum. Entre os possíveis candidatos a governador, Flávio tem 48% de rejeição, Monica tem 39,8%, Horta tem 36,7%, Bacellar tem 33,5%, Reis tem 32,5% e Paes tem apenas 26,7%. O que, hoje, reforça o favoritismo deste para 2026.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A AtlasIntel de agosto de 2025 testou dois cenários ao Governo do Estado, com Eduardo Paes liderando nas duas simulações. No cenário 1, sem Flávio Bolsonaro, Rodrigo Bacellar aparece na 2ª colocação, 31,5 pontos percentuais atrás de Paes. No cenário 2, é Flávio Bolsonaro que aparece atrás de Eduardo, mas com uma diferença bem mais apertada em favor do atual prefeito do Rio: 7,2 pontos”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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História do Brasil tem 1º julgamento por tentativa de golpe de Estado

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Inédito na História do Brasil

A República foi instalada no Brasil com um golpe militar de Estado em 1889. De lá para cá, foram 22 tentativas e golpes de Estado consumados no país. E, desde ontem (02), é a primeira vez que os responsáveis, entre eles um ex-presidente da República, três generais do Exército e um almirante da Marinha, são julgados (confira aqui) por atentarem contra a democracia brasileira.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Exemplos vizinhos da Argentina e Chile

Não é preciso ir muito longe. Na Guerra Fria (1947/1991), as ditaduras militares da Argentina (1976/1983) e do Chile (1973/1990) foram mais sangrentas que a do Brasil entre 1964 e 1985. Ainda assim, após a redemocratização da Argentina e do Chile, os militares de lá se ativeram à sua função constitucional. E nunca mais apitaram na vida política dos dois países vizinhos.

 

Questão simples: qual opção?

No Brasil, entre novembro e dezembro de 2022, até a invasão à Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, toda a argumentação jurídica se resume a uma questão relativamente simples a qualquer leigo. Qual opção democrática poderia existir a quem perdeu uma eleição? Que não fosse aceitar a derrota, voltar para casa e tentar voltar pelo voto popular na próxima?

 

“Opção” admitida por Bolsonaro

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 10 de junho, a existência da minuta do golpe foi admitida pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como “opção” ao resultado eleitoral de 2022. Como admitiu ter cogitado decretar estado de sítio após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar o pedido do PL para anular parte dos votos do 2º turno de 2022.

 

“Opção” de Bolsonaro aos militares

Bolsonaro também admitiu no STF que apresentou a minuta do golpe, em 7 de dezembro de 2022, com o ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio de Oliveira, aos ex-comandantes do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes; e da Marinha, almirante Almir Garnier. O fato foi confirmado por todos. Como foi o único ali contrário à ideia, Freire Gomes hoje não é réu.

 

Projeção de março

Antes de tudo ser confirmado em juízo, a coluna projetou (relembre aqui) em 29 de março: “Bolsonaro será condenado por tentativa de golpe de Estado no STF. Possivelmente em setembro, com pena que pode chegar a 40 anos. Provavelmente, pela unanimidade dos cinco ministros da 1ª Turma. Talvez com contraditório de Luiz Fux na dosimetria”. É o que hoje se projeta ao dia 12.

 

Questionamentos independentes a Moraes

Há questionamentos independentes (confira aqui) à condução do processo no STF pelo ministro Alexandre de Moraes. Sobretudo por sua condição prévia de vítima da operação “Punhal Verde e Amarelo”. Que tinha por objetivo assassiná-lo, ao presidente Lula e ao vice Geraldo Alckmin. E cuja existência foi admitida no STF, em 25 de julho, por outro general e réu, Mario Fernandes.

 

Entre voto e democracia?

Não parece haver questionamento à culpa de Bolsonaro. Que independe da biruta moral lulopetista, de garantista contra o Super-Moro a punitivista pró-Xandão, ao sopro do interesse. Após dar a Bolsonaro 63,14% dos seus votos válidos no 2º turno presidencial de 2022, Campos tem que refletir. Não sobre esquerda e direita, mas seu compromisso entre voto e democracia.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Flávio lidera ao Senado, com Benedita e Castro pela 2ª cadeira

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Se ficou mais de 20 pontos atrás do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador (confira aqui), o senador Flávio Bolsonaro (PL) segue liderando a corrida pelas duas cadeiras que o RJ elegerá ao Senado em 4 de outubro, a pouco mais de 13 meses. Em dois cenários de consulta estimulada (com apresentação dos nomes dos candidatos) da pesquisa do instituto Paraná, o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) variou de 33,4% a 35,6% nas intenções de voto.

Flávio, Benedita e Castro — No 1º cenário estimulado a Senado, 7 pontos abaixo dos 33,4% de Flávio, veio a deputada federal Benedita da Silva (PT), com 26,4%. Na margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos da pesquisa, ela ficou em empate técnico na 2ª colocação com governador Cláudio Castro (PL), com 25,6%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prateleira debaixo a senador — Ainda no 1º cenário, atrás de Benedita e Castro, vieram em outro empate técnico o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB), com 14,9%; o ex-prefeito carioca Marcelo Crivella (REP), com 14,4%; e o ex-deputado federal Alessandro Molon (PSB), com 10,9%. Eles foram seguidos do deputado federal Pedro Paulo (PSD), com 9,0%; do ex-prefeito de Maricá Fabiano Horta (PT), com 4,0%; e dos deputados federais Otoni de Paula (MDB) e Sóstenes Cavalcante (PL), respectivamente, com 2,5% e 2,2%.

Flávio, Castro e Benedita — No 2º cenário estimulado ao Senado pelo RJ, numa lista de opções mais enxuta ao eleitor, Flávio continua na liderança à corrida, com 35,6% de intenção. Ainda é uma liderança isolada, mas só 0,3 ponto acima do limite da margem de erro para o 2º colocado: Castro, com 30,9%. Este, por sua vez, fica no empate técnico com Benedita, numericamente em 3º, com 29,8%. Atrás dela, vieram Reis, com 19,4%; Pedro Paulo, com 12,7%; e Otoni, com 4,3%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Gestão Castro desaprovada por 49,4% — Embora pontue bem na corrida ao Senado, em 3º lugar em um cenário estimulado da pesquisa Paraná e em 2º no outro, Castro tem o governo desaprovado por 49,4% do eleitorado fluminense. Os que aprovam, em outro empate técnico na margem de erro, são 45,6%, enquanto 5,1% não souberam opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dados da pesquisa — Divulgada hoje (1º), a pesquisa Paraná ouviu 2.000 eleitores em 66 dos 92 municípios fluminenses, entre 24 e 27 de agosto.

 

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Paes lidera a governador de 44 a 20 pontos de vantagem, mesmo com Flávio

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeito carioca, Eduardo Paes (PSD) segue líder isolado a governador do RJ no pleito de 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 13 meses. Pesquisa do instituto Paraná divulgada hoje (1º), feita com 2.000 eleitores fluminenses entre 24 e 27 de agosto, com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, deu a Paes de 50,6% a 56,8% de intenção de voto em três cenários de consulta estimulada — com apresentação dos nomes dos possíveis candidatos.

Paes contra Reis e Bacellar — No 1º cenário estimulado, Paes teve 54,8% de intenção. Mais de 44 pontos à frente, ele veio seguido do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB), com 10,6%; do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), com 7,8%; da vereadora carioca Monica Benicio (Psol), com 4,4%; e do médico bolsonarista Italo Marsili (Novo), com 1,0%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Reis ou Bacellar na 2ª posição? — Na pesquisa Paraná, houve uma inversão nas posições abaixo de Paes e relação à pesquisa Quaest do mesmo mês de agosto. Que colocou Bacellar (confira aqui) como 2º colocado, com 9%, enquanto Reis ficou em 3º, com 5%. Na Paraná, o político de Campos aparece só em 3º a governador, mas em empate técnico com o seu desafeto da Baixada Fluminense na 2ª posição.

Paes contra Reis e sem Bacellar — No 2º cenário estimulado da pesquisa Paraná, sem Bacellar, que se cogita tentar uma vaga a conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Paes teve 56,8% de intenção. Mais de 43 pontos à frente, ele veio seguido por Reis, com 13,3%; por Monica, com 5,2%; e por Marsili, com 1,3%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Paes contra Flávio — No 3º cenário estimulado ao Palácio Guanabara, veio a maior novidade entre os possíveis concorrentes de Paes. E sua menor vantagem registrada na Paraná de agosto. Quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi testado a governador (confira aqui a possibilidade aventada desde 20 de agosto) no lugar de Reis, Bacellar e Marsili, Paes continuou líder isolado: 50,6% de intenção. Com pouco mais de 20 pontos de vantagem sobre Flávio, com 30,5%; com 5,3% para Monica.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Espontânea — Paes também liderou a consulta espontânea a governador, quando o eleitor fala da própria cabeça em quem votará, com menos chance de mudar até outubro de 2026. O prefeito carioca teve 12,8% de intenção cristalizada de voto. Ele foi seguido do governador Cláudio Castro (PL), que não pode se candidatar à reeleição, com 2,9%; por Flávio, com 1,0%, por Reis e Bacellar, com 0,5% cada; e pelo deputado federal Tarcísio Motta (Psol), com 0,3%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Eleição matematicamente aberta — Com 1,1% para outros nomes e 6,3% declarando que votarão branco ou nulo, a maioria do eleitorado na consulta espontânea a governador do RJ revela um dado fundamental. Os 74,6% dos eleitores fluminenses que não souberam ou quiseram opinar, se ainda revelando indecisos, evidenciam uma eleição matematicamente aberta a 13 meses da urna.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A Paraná de agosto testou três cenários a governador do RJ, todos com Eduardo Paes liderando isolado. No 1º cenário, Reis e Bacellar empatam na 2ª colocação, dentro da margem de erro de 2,2 pontos. No 2º cenário, sem Bacellar, Reis aparece isolado na 2º posição. No 3º cenário, sem Reis, Bacellar e Marsili, quem aparece isolado em 2º é Flávio Bolsonaro. Ele teve mais que o dobro de Reis no 2º cenário e cerca do triplo deste no 1º cenário”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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Atrás de Tarcísio no 2º turno, Lula tem 1ª queda nas pesquisas pós-Trump

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Até onde Lula crescerá pós-Trump?

A partir de 9 de julho, quando Donald Trump ameaçou tarifar o Brasil por conta do julgamento de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), todas as pesquisas revelaram a recuperação de Lula (PT) em aprovação e intenção de voto a 2026. A pergunta que passou a ser feita foi: até onde e quando o petista cresceria?

 

No Canadá antes do Brasil

No Canadá, os conservadores tinham 20 pontos de vantagem nas pesquisas às eleições do seu sistema parlamentar. Até que Trump assumiu como presidente dos EUA em 20 de janeiro, taxou e ameaçou anexar o país vizinho em fevereiro. A população canadense reagiu, erodiu a vantagem conservadora e elegeu o progressista Mark Carney primeiro-ministro em 28 de abril.

 

Nome da centro-esquerda, Mark Carney comemora sua eleição como primeiro-ministro do Canadá em abril, após Trump tarifar e ameçar anexar o país vizinho em fevereiro (Foto: Divulgação)

 

Voo de galinha?

Trump definiu a eleição do Canadá. Mas foi em tiro curto, nos dois meses de fevereiro a abril, entre a ameaça estrangeira e a urna nacional. No Brasil, entre a ameaça de julho de 2025 e a urna de outubro de 2026, são 14 meses. E, já em agosto, pesquisa AtlasIntel divulgada na quinta (28) parece indicar que a reação de Lula pós-Trump pode ter começado a desandar.

 

Lula cai aprovação e cresce desaprovação

Feita com 6.238 eleitores, com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, a AtlasIntel revelou que Lula caiu 2,3 pontos em aprovação, dos 50,2% de julho aos 47,9% de agosto. E que sua desaprovação cresceu 1,3 ponto no mesmo período: de 49,7% aos atuais 51%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Atrás de Bolsonaro inelegível no 1º turno

No enfrentamento teórico contra Bolsonaro, inelegível de fato até 2030, Lula também teve queda de 3,2 pontos na consulta de 1º turno: dos 47,8% de intenção em julho aos 44,6% de agosto. No mesmo período, o capitão cresceu 1,2 ponto: de 44,2% aos atuais 45,4%. Numericamente atrás de Bolsonaro, Lula está hoje em empate técnico com seu antecessor.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Atrás de Tarcísio no 2º turno

Se o revés nas intenções de voto com Bolsonaro é só simbólico, a AtlasIntel de agosto trouxe Lula também numericamente atrás, na simulação de 2º turno, do seu possível adversário elegível e hoje mais cotado: o governador paulistano Tarcísio de Freitas (REP). Que, em 2025, contabilizou 48,4% de intenção contra 46,6% do petista em um eventual turno extra em 2026.

 

Tarcísio sobe, Lula desce

Apesar do empate técnico com Tarcísio dentro da margem de erro, são as tendências da série AtlasIntel de julho a agosto a maior preocupação à reeleição de Lula. Na simulação de 2º turno entre os dois, o governador de São Paulo cresceu 1,8 ponto em relação aos 46,6% que tinha em julho, enquanto o petista perdeu 3,9 pontos dos 50,4% que tinha no mês passado.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Empate exato com Bolsonaro e técnico com Michelle

Em outras simulações de 2º turno da AtlasIntel, Lula registrou um empate exato com Bolsonaro: com 48,3% de intenção cada. E, entre os elegíveis, o petista registrou outro empate técnico em um eventual turno extra: contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). De quem ficou numericamente à frente, mas dentro da margem de erro, por 48,8% a 47,9%.

 

Lula à frente dos demais

Para além da margem de erro da AtlasIntel, Lula venceria um eventual 2º turno contra o governador mineiro Romeu Zema (Novo), por 47,1% a 40,9%. Como o governador goiano Ronaldo Caiado (União), por 46,7% a 40,3%; o governador paranaense Ratinho Jr. (PSD), por 46,9% a 41,1%; e o governador gaúcho Eduardo Leite (PSD), por 47,2% a 24,9%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A ver

Mesmo de um instituto internacionalmente conceituado como o AtlasIntel, uma pesquisa não basta para afirmar que Lula não só teria parado de crescer na reação nacional à ameaça estrangeira de Trump, como teria começado a perder já em agosto parte do que ganhou a partir de julho. Só os próximos meses e pesquisas sérias poderão deixar isso mais claro.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Impeachment de Moraes divide o Brasil: 46% querem, 43% não

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Impeachment de Moraes: 46% sim a 43% não

Não é novidade que a condução do julgamento de Bolsonaro (PL) no STF pelo ministro Alexandre de Moraes divide o Brasil. Essa divisão foi medida na pesquisa Quaest de agosto: 46% dos brasileiros são favoráveis ao impeachment de Moraes, que só pode se dar no Senado, com 43% contra. É um empate técnico na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

 

Lei dos EUA sobre ministro do STF

Com números não tão próximos, a divisão também se dá sobre a aplicação da lei Magnitsky, criada nos EUA para sancionar financeiramente acusados de crimes contra direitos humanos em outros países, sobre Moraes. Para 49% dos brasileiros, a Magnitsky sobre o ministro do STF é injusta. Ela é justa a 39%, 10 pontos a menos, enquanto 12% não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em quatro partes, Quaest antes da AtlasIntel

Entre os quatro institutos de pesquisa do Brasil que mais acertaram (confira aqui) a votação de Lula e Bolsonaro no 2º turno presidencial de 2022, a Quaest ouviu 2.004 eleitores, entre 13 e 17 de agosto (antes da AtlasIntel). E divulgou sua consulta em quatro partes: aprovação de governo (confira aqui) no dia 20, eleitoral (confira aqui) no dia 21 e sobre Bolsonaro no STF (confira aqui)  no dia 25 e sobre Moraes (confira aqui) no dia 26.

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista (I)

“Na Quaest, 49% dos brasileiros consideram injusta a aplicação da Magnitsky contra Moraes, enquanto 39% consideram a punição justa. Já no caso do impeachment do ministro do STF, a divisão é maior, registrando empate técnico: 46% dos brasileiros são a favor e 43% são contra”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Análise do especialista (II)

“Nas fatias da pesquisa Quaest de agosto, os brasileiros do Nordeste, com até 5 salários-mínimos de renda familiar e que votaram em Lula no 2º turno presidencial de 2022, são os mais favoráveis a Moraes” detalhou o geógrafo e estatístico.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Norte, Noroeste Fluminense e Baixadas têm população de 2,25 milhões

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

De acordo com o IBGE, Norte, Noroeste Fluminense e Baixadas Litorâneas têm uma população estimada em 2.250.207 habitantes em 2025. Os dados têm como data de referência o dia 1º de julho de 2025.

Também segundo o IBGE, o entorno do Porto do Açu, considerando Campos, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, alcança 605.396 habitantes. Por sua vez, a Região da Bacia de Campos, formada por 15 municípios (Campos, SFI, SJB, Quissamã, Carapebus, Conceição de Macabu, Macaé, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Cabo Frio, Búzios, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande e Araruama), atinge 1.738.153 moradores.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Baseadas nas Estimativas da População Residente para o Brasil, os Estados e os Municípios, do IBGE, as Estimativas da População Residente dos Municípios do Norte Fluminense, Noroeste Fluminense, Baixadas Litorâneas, Entorno do Porto do Açu e Região da Bacia de Campos foram levantadas pelo geógrafo com especialização doutoral no IBGE William Passos. E estão sendo divulgadas com exclusividade pela Folha, no infográfico que abre esta matéria.

Essas estimativas são as mesmas utilizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no cálculo do Fundo de Participação de Estados e Municípios. E são consideradas fundamentais para a construção de indicadores econômicos, sociais e populacionais nos anos em que o Brasil não realiza Censo Demográfico.

Embora não possam ser diretamente comparadas com a contagem do Censo Demográfico 2022, por adotarem metodologias diferentes, o geógrafo Wiliam Passos lembra que essas estimativas incluem em seu cálculo a evolução do crescimento anual da população de cada município e estado do país apurada pelo último Censo Demográfico, realizado há três anos.

Ao divulgar o levantamento, William acrescentou: “As Estimativas divulgadas pelo IBGE confirmam que a população brasileira, do Estado do Rio de Janeiro e dos municípios fluminenses deverá crescer até 2041, iniciando, a partir de 2042, uma trajetória de lenta diminuição, no contexto da chamada transição demográfica. Por isso, ao olhar a população de cada município fluminense, precisamos considerar essas transformações, dentro de um processo irreversível”.

 

Página 7 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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João e Edmundo Siqueira — Semiárido ao NF é realidade social e econômica

 

Longas estiagens que secam trechos do Paraíba evidenciam a mudança climática de Campos, Norte e Noroeste Fluminense (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

 

João Gomes Siqueira, diretor do Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Paraíba, doutor em veterinária pela Uenf e produtor rural; e Edmundo Siqueira, servidor federal, jornalista e produtor rural (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Por João Gomes Siqueira e Edmundo Siqueira

 

O Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro vivem uma contradição que se arrasta há décadas. Os dados climáticos, as condições agronômicas e a experiência cotidiana dos produtores rurais mostram que a região possui características próprias de semiárido. Entretanto, a ausência de reconhecimento oficial nega a esses municípios instrumentos essenciais de apoio, incentivo fiscal e linhas de crédito diferenciadas, tornando a atividade agropecuária cada vez menos competitiva e menos sustentável.

Segundo estudos do professor José Carlos Mendonça, da Uenf, a aridez do solo e da vegetação na região segue uma curva ascendente, agravada pelas mudanças climáticas globais e pela má distribuição das chuvas. Embora a média anual de precipitação varie entre 800 e 900 mm — pouco acima do índice utilizado como corte técnico do semiárido nordestino (700 a 800 mm) —, a diferença é ilusória. O que caracteriza o semiárido não é apenas o volume anual de chuva, mas a sua distribuição e a capacidade do solo em reter umidade.

E é exatamente nesse ponto que a região se distingue de forma negativa. O regime pluviométrico concentra volumes elevados entre dezembro e março (300 a 400 mm mensais), seguidos de longos períodos de estiagem, que podem ir de abril a outubro, quando a média não ultrapassa 10 a 20 mm por mês. Trata-se de um padrão dramático: enquanto a planta recebe excesso de água em poucos meses, passa o restante do ano em situação de estresse hídrico severo.

Além disso, a forte incidência de ventos — característica geográfica ligada à posição da Serra do Mar — intensifica a evaporação da pouca umidade existente no solo, agravando o processo de desidratação das plantas. No Nordeste, mesmo em áreas de menor pluviosidade, as chuvas tendem a ser mais regulares e, sobretudo, a evaporação é menor, o que permite alguma acumulação hídrica no solo. No Norte Fluminense, ao contrário, a combinação de estiagens longas, ventos e altas temperaturas cria um ambiente ainda mais hostil.

 

A barreira da Serra do Mar e os “desvios” da chuva

A geografia explica parte dessa desigualdade. A Serra do Mar, que se inicia a partir de São Fidélis, passando pelo Parque do Desengano e se estende até o Estado de São Paulo, funciona como barreira natural que intercepta a umidade vinda do oceano, fazendo chover intensamente na Região Serrana do Rio de Janeiro e em Minas Gerais, mas deixando os 22 municípios do Norte e Noroeste fluminense em sombra pluviométrica.

Essa condição não é recente. Historicamente, a região convive com estiagens longas e severas. Mas nos últimos dez anos, o cenário tem se agravado em função das mudanças climáticas, que ampliam a irregularidade das chuvas e aumentam a evaporação. O resultado é a progressiva perda de capacidade hídrica do solo e a crescente aridez da vegetação.

 

Impactos produtivos e inviabilidade sem irrigação

Sem irrigação, a agricultura de base alimentar torna-se praticamente inviável. Cana-de-açúcar, mais resistente, ainda sobrevive, embora com produtividade inferior à observada em São Paulo. Mas milho, feijão, soja, trigo, hortaliças e frutas não se sustentam sem investimento pesado em sistemas de irrigação.

O problema é que irrigar custa caro — muitas vezes, mais caro do que a rentabilidade que o pequeno produtor consegue obter. Em uma região marcada por propriedades familiares e baixa capacidade de investimento, a irrigação acaba restrita a poucos, inviabilizando a diversificação produtiva e levando ao empobrecimento progressivo da agricultura local.

Esse empobrecimento não afeta apenas o campo. Quando a agricultura perde força, o comércio, a indústria de beneficiamento e até o setor de serviços sofrem. Afinal, é a produção primária que gera excedentes e recursos externos, movimentando a economia regional. O comércio apenas circula renda; é a agropecuária que a cria.

 

A questão dos incentivos fiscais e da competitividade regional

Enquanto isso, estados vizinhos, como Espírito Santo e Minas Gerais, contam com incentivos fiscais e linhas de crédito específicas. Em São Paulo, por exemplo, a aquisição de máquinas e implementos agrícolas é feita com alíquotas de impostos significativamente menores. No Espírito Santo, já se discute a extensão de benefícios adicionais ao Sul do estado, apoiada por uma bancada federal articulada.

No Norte e Noroeste fluminense, ao contrário, o produtor enfrenta alíquotas de até 27% na compra de equipamentos. A diferença não é apenas contábil: ela define competitividade. É impossível competir no mercado nacional quando os custos locais são muito mais altos e os preços de venda seguem a lógica de mercado unificado. O açúcar ou o milho produzido aqui será vendido pelo mesmo preço que em São Paulo, mas com custo de produção significativamente maior.

 

Uma realidade que exige reconhecimento técnico

Diante desse quadro, a inclusão da região no Semiárido não deve ser tratada como concessão política ou privilégio, mas como correção de uma injustiça histórica. Os dados técnicos estão postos:

  • Precipitação anual entre 800 e 900 mm, em padrão equivalente ao semiárido nordestino;

 

  • Longos períodos de estiagem, com até 6 a 7 meses de seca intensa;

 

  • Forte evaporação pela presença de ventos, o que agrava a perda de umidade;

 

  • Aridez crescente, comprovada em estudos recentes;

 

  • Baixa competitividade produtiva em comparação a estados vizinhos.

 

Negar o reconhecimento significa perpetuar o empobrecimento da região e inviabilizar a sucessão familiar na agricultura. Significa condenar jovens agricultores a abandonar suas terras e reforçar o êxodo rural. Significa comprometer, de maneira estrutural, a sustentabilidade econômica e social de todo o Norte e Noroeste fluminense.

O dinheiro que viria através de crédito subsidiado e incentivado não traria aumento de área para uso na agropecuária; pelo contrário. Os recursos seriam liberados para produtores que atendam parâmetros de produtividade e de cuidado com o meio ambiente, obrigatoriamente. Portanto, investir em tecnologia e uso sustentável, e com maior produtividade, permite uso de menores áreas com maior capacidade de produção.

 

A continuidade do fim

O semiárido não é apenas um conceito climático: é uma realidade social, produtiva e econômica. Reconhecê-lo na região é oferecer condições mínimas de igualdade. Não se trata de pedir recursos a fundo perdido, mas de viabilizar crédito, reduzir custos tributários e possibilitar investimentos em irrigação e tecnologia.

Sem isso, a região seguirá um caminho já conhecido: perda de competitividade, êxodo rural, empobrecimento urbano e a transformação de uma das áreas mais férteis em vocação, mas mais áridas em realidade, em um território condenado à estagnação.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Crescimento pós-Trump de Lula desanda com Tarcísio à frente no 2º turno

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Todas as pesquisas brasileiras feitas a partir de 9 de julho, quando Donald Trump divulgou sua carta como presidente dos EUA e ameaçou tarifar o Brasil por conta do julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), revelaram (confira aqui) a recuperação de Lula (PT) em aprovação e intenção de voto. A pergunta que passou a ser feita foi: até onde e quando o petista cresceria? Pesquisa AtlasIntel divulgada hoje (28), e feita entre 20 e 25 de agosto, parece indicar que esse crescimento pode ter começado a desandar.

Queda na aprovação — Feita com 6.238 eleitores, com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, a AtlasIntel revelou que o Lula caiu 2,3 pontos em aprovação, dos 50,2% de julho aos 47,9% de agosto. E que sua desaprovação cresceu 1,3 ponto no mesmo período: de 49,7% aos atuais 51%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Atrás de Bolsonaro no 1º turno — No enfrentamento teórico contra Bolsonaro, inelegível de fato até 2030, Lula teve queda de 3,2 pontos na consulta de 1º turno: dos 47,8% de intenção em julho aos 44,6% de agosto. No mesmo período, o capitão cresceu 1,2 ponto: de 44,2% aos atuais 45,4%. Numericamente atrás de Bolsonaro, Lula está hoje em empate técnico com seu antecessor.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Atrás de Tarcísio no 2º turno — Contra possíveis adversários elegíveis, Lula também não tem o que comemorar. Em um eventual 2º turno presidencial contra o governador paulistano Tarcísio de Freitas (REP), este hoje lideraria numericamente por 48,4% de intenção contra 46,6% do líder petista. Apesar do empate técnico na margem de erro, Tarcísio cresceu 1,8 ponto em relação aos 46,6% que tinha em julho, enquanto Lula perdeu 3,9 pontos dos 50,4% que tinha no mês passado.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No empate técnico com Tarcísio e Michelle — O empate técnico de Lula com Tarcísio seria exato se o primeiro disputasse hoje um 2º turno contra Bolsonaro: 48,3% a 48,3%. Na simulação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o petista liderou numericamente por 48,8% a 47,9%, mas em outro empate técnico.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

À frente dos demais no 2º turno — Para além da margem de erro, Lula venceria o 2º turno contra o governador mineiro Romeu Zema (Novo), por 47,1% a 40,9%. Como bateria também o governador goiano Ronaldo Caiado (União), por 46,7% a 40,3%; o governador paranaense Ratinho Jr. (PSD), por 46,9% a 41,1%; e o governador gaúcho Eduardo Leite (PSD), por 47,2% a 24,9%.

 

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Moraes divide o Brasil: 46% querem seu impeachment, 43% não

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não é novidade que a condução do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ministro Alexandre de Moraes divide o Brasil. Essa divisão foi expressa em números pela pesquisa Quaest de agosto: 46% dos brasileiros são favoráveis ao impeachment de Moraes, o que só pode ser feito no Senado, com 43% contra e 11% que não opinaram. Na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, é um empate técnico.

Com números não tão próximos, a divisão também se dá sobre a aplicação da Lei Magnitsky, criada nos EUA para sancionar financeiramente acusados de crimes contra direitos humanos em outros países, sobre Moraes por sua ação no julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil entre 2022 e 8 de janeiro de 2023. Para 49% dos brasileiros, a Magnitsky sobre o ministro do STF é injusta. Ela é justa a 39%, 10 pontos a menos, enquanto 12% não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Entre os quatro institutos de pesquisa do Brasil que mais acertaram (confira aqui) a votação de Lula (PT) e Bolsonaro no 2º turno presidencial de 2022, a Quaest ouviu 2.004 eleitores, entre 13 e 17 de agosto, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. E divulgou sua consulta em quatro partes: aprovação de governo (confira aqui) no dia 20, eleitoral (confira aqui) no dia 21 e sobre Bolsonaro no STF (confira aqui)  no dia 25 e sobre Moraes no dia 26.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

— A Quaest de agosto apurou que 49% dos brasileiros consideram injusta a aplicação da lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, enquanto 39% consideram a punição como justa. Já no caso do impeachment do ministro do STF, a divisão é maior, registrando empate técnico: 46% dos brasileiros querem a saída do ministro da Corte e 43% são contra. Os brasileiros do Nordeste, com até 5 salários-mínimos de renda familiar e que votaram em Lula no 2º turno presidencial de 2022, são os mais favoráveis a Moraes — detalhou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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