Elis Regina Nuffer — Um reencontro que arrebentou o peito

 

Profissionais que passaram pela redação da Folha da Manhã ao longo dos anos, no Encontro Teclas Antigas, realizado no último sábado, de 21 de junho, que reuniu jornalistas e comunicadores de Campos dos anos 1980 e 1990, na Donatello Pizza (Foto: Roberto Joia)

 

 

Elis Regina Nuffer, jornalista

Crônica de um reencontro que arrebentou o peito

Por Elis Regina Nuffer

 

Não era só mais um evento como tantos que estamos acostumados a cobrir. Era como atravessar um espelho e dar de cara com tudo o que um dia fomos — e com tudo o que ainda pulsa dentro de nós. Um encontro de jornalistas ao ar livre, sim, mas bem longe do óbvio. Árvores altas ao redor de um chão muito nosso e céu aberto como teto. Natureza crua, cenário perfeito para um reencontro que foi tudo, menos suave.

Foi intenso.

Gente que o tempo tinha empurrado para longe, mas nunca apagado da lembrança. Colegas que viraram amigos, amigos que viraram histórias. Jornalistas e comunicadores de todas as vertentes: da notícia quente, das colunas sociais, de assessoria, de comercial. Os que estamos e os que se foram. Sim, estão conosco nas nossas memórias de um tempo que não se apaga e se renova na saudade e no que aprendemos juntos.

O impacto não veio devagar. Veio como avalanche. Cada rosto reencontrado, cada abraço que durava o necessário para a emoção fluir, cada riso entrecortado de lembrança… tudo isso foi tirando o ar e devolvendo pedaços nossos que andavam esquecidos até de nós próprios.

Não era nostalgia. Era celebração bruta de nós que sobrevivemos (e vivemos intensamente) o Jornalismo da virada de século. De quem ainda acredita. De quem escolheu contar histórias — e agora nós somos protagonistas de uma das mais intensas histórias.

Naquele dia, sábado, 21 de junho de 2025, a comunicação teve voz, corpo e alma. Teve lágrima represada, solta no rosto e emoção sem filtro. E todos sentimos isso… estávamos presentes com o coração.

Tudo organizado perfeitamente com toda delicadeza pelas incríveis Jô e Jane (como disse o nosso amigo Roberto Assis, parece nome de dupla sertaneja). Mas quando chegamos à Donatello (oh, que lugar incrível!), trocamos logo a delicadeza pela intensidade. Nada de açúcar, só a força crua do reencontro.

Foi como um soco no peito — desses que não doem, mas abrem a alma. Reencontrar tanta gente que fez parte da caminhada de cada um de nós, naquele cenário descomplicadamente encantador, foi visceral. Árvores altas como testemunhas silenciosas, vento correndo solto entre as conversas, e o céu, cúmplice, estendido sobre nós.

Não era só saudade. Era o impacto de ver rostos que o tempo não conseguiu apagar, vozes que marcaram eras, sorrisos que carregam histórias. Havia ali jornalistas de todos os cantos da Comunicação. Gente que enfrentou pauta dura, deadline cruel, mudança de rota no meio do caminho… e sobreviveu. Gente que enfrenta tudo isso todo dia e estava ali compartilhando a sua emoção.

Cada abraço parecia resgatar pedaços nossos deixados para trás. Foi reencontro com os outros, mas também com quem a gente era — e talvez ainda seja. Foi intenso. Honesto. Inesquecível.

Não dava para sair igual depois daquilo. Foi explosão estar ali. Foi como se o tempo tivesse dado uma trégua só para nós. As árvores ouviram as nossas histórias e viram quantos abraços demorados (muitos repetidos) que contavam tudo o que as palavras não conseguiram dizer.

Ah, Donatello gentil, perfeito para nossos risos soltos, olhos marejados e memórias flutuando no ar. Cada conversa era uma viagem no tempo – muitos de nós não nos víamos há anos. E, mesmo assim, bastou um olhar para que tudo fizesse sentido outra vez. Estávamos em casa falando da nossa casa porque a Redação sempre foi a casa de cada um de nós.

Um caleidoscópio de histórias humanas, todas convergindo naquele instante mágico. Ali, entre o som da natureza, o chão e o céu, lembramos por que escolhemos essa profissão: contar o mundo ao mundo, mas ali também nos contar.

Foi mais que um encontro. Foi um reencontro com nossa essência, com a paixão que nos move, com a coragem que nos une. E, confesso, ficou difícil conter a emoção diante de tanta trajetória entrelaçada ali, sob as copas generosas das árvores que se doaram só para nós naquele sábado do primeiro grande encontro que sempre será ÚNICO!

Saímos mais leves. Mais inteiros. Com o coração pulsando gratidão.

E quem não chorou… bem, talvez, sorriu chorando por dentro.

P.S.: Esta crônica é sem medida.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Copa do Mundo de Clubes no Folha no Ar desta quinta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

As jornalistas Maria Laura Gomes e Silvana Venâncio são as convidadas para o Folha no Ar desta quinta (26), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

As duas analisarão as participações dos brasileiros Flamengo, Botafogo, Fluminense e Palmeiras na fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes, nos EUA.

Silvana e Maria Laura também falarão o que esperam das oitavas de final, que se inicia às 13h deste sábado (28), com Palmeiras x Botafogo. E do resto da fase do mata-mata até à final, em 13 de julho.

Por fim, as duas jornalistas analisarão o confronto América do Sul x Europa no Mundial de Clubes e suas lições ao futebol brasileiro.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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RJ x Campos na Saúde e eleições 2026 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara Municipal de Campos, 1º suplente a vereador do MDB e servidor federal do IFF, Marcão Gomes é o convidado do Folha no Ar desta terça (24), ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele falará sobre a queda de braço entre os governos do Estado do Rio de Janeiro e de Campos, e das suas consequências (confira aqui e aqui) à Saúde Pública do município e de todos os vizinhos do Norte Fluminense que atende diariamente.

Marcão também analisará os primeiros seis meses do governo Wladimir 2, ao qual deve passar a integrar como secretário de Patrimônio Público, e da sua relação com a nova Câmara Municipal.

Por fim, com base nas pesquisas, tentará projetar as eleições de 4 de outubro 2026, a presidente (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui), senador (confira aqui) e deputados, daqui a pouco mais de 1 ano e 3 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Pesquisas de junho: Bolsonaro não 67% x 57% Lula não

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula desaprovado e com dificuldade de reeleição

A confirmar a AtlasIntel e a Quaest (confira aqui, aqui, aqui e aqui) de maio, três novas pesquisas apontam que o governo Lula 3 segue desaprovado pela maioria dos brasileiros em junho. E que, se o pleito de outubro de 2026 fosse hoje, não daqui a 1 ano e 3 meses, Lula teria dificuldades para se reeleger presidente em um eventual 2º turno contra possíveis adversários.

 

Maioria desaprova o governo

Na Ipsos/Ipec de junho, 55% dos brasileiros desaprovam o Lula 3, enquanto 39% aprovam e 6% não opinaram. Na pesquisa CNT/MDA de junho, 53% desaprovam o atual Governo Federal, enquanto 41% aprovam e 6% não opinaram. Com institutos de metodologias diferentes, são quase os mesmos números.

 

Dificuldades no 2º turno (I)

Já na Datafolha de junho, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, embora lidere numericamente, Lula não passaria do empate técnico no 2º turno contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), por 43% a 42% de intenções de voto. Assim como contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), por 50% a 46%.

 

Dificuldades no 2º turno (II)

Na CNT/MDA, com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, Lula também lidera numericamente, mas também não passa do empate técnico contra Tarcísio, por 41,1% a 40,4%. A pesquisa não fez projeção de um eventual 2º turno entre o líder petista e Michelle.

 

Dados das três pesquisas de junho

A Ipsos/Ipec ouviu 2.000 eleitores de 5 a 9 de junho. Com margem de erro de 2 pontos, fez só avaliação de governo, sem levantamento eleitoral. A Datafolha ouviu 2.004 eleitores de 10 a 11 de junho. E fez apenas consulta eleitoral, sem avaliação de governo. Só a CNT/MDA, que ouviu 2.002 eleitores de 11 a 15 de junho, pesquisou ambas: avaliação de governo e eleição.

 

Força eleitoral de Bolsonaro

Embora inelegível no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030, além de réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro também foi pesquisado nas simulações eleitorais para 2026. E, tanto na CNT/MDA quanto na Datafolha, ainda seria o adversário mais duro em uma eleição presidencial contra Lula.

 

Bolsonaro x Lula na CNT/MDA

Na CNT/MDA, Bolsonaro liderou numericamente a consulta estimulada (com apresentação dos nomes ao eleitor) do 1º turno, por 31,7% a 31,1% de Lula, em um empate técnico. Que também se repetiria ao 2º turno, com 43,9% do capitão contra 41,4% do petista.

 

Lula x Bolsonaro na Datafolha

Na Datafolha, quem liderou numericamente a consulta estimulada foi Lula, por 36% a 35% de Bolsonaro, em outro empate técnico. Que se repetiria na projeção do 2º turno, mas com vantagem numérica do ex-presidente, com 45% contra 44% do atual.

 

Lula e Bolsonaro lideram rejeição

Lula e Bolsonaro também lideram a rejeição, índice mais importante em um eventual 2º turno. Na Datafolha, 46% dos brasileiros não votariam de maneira nenhuma no petista e 45%,no capitão.

 

Rejeição dos demais presidenciáveis

A lista negativa seguiu na Datafolha com 32% de rejeição presidencial ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), 31% do senador Flávio Bolsonaro (PL), 30% de Michelle, 19% do governador do Paraná, Ratinho Jr; 18% do governador de Minas, Romeu Zema (Novo); e os mesmos 15% de Tarcísio e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União).

 

Lula não 57% x 67% Bolsonaro não

Na Datafolha, 66% dos brasileiros acham que Lula se candidatará à reeleição. Mas 57% acham que ele não deveria concorrer, contra 41% que acham que deveria. Quanto a Bolsonaro, 67% dos brasileiros acham que ele deveria abrir mão de uma candidatura juridicamente inviável e apoiar outro candidato, contra 29% que acham que deveria manter sua pré-candidatura.

 

Brasil dividido em três terços

A CNT/MDA não mediu rejeição, mas fez consultas reveladoras. São 32,6% os que preferem votar em Bolsonaro ou alguém apoiado por ele, 30,9% os que preferem votar em Lula ou alguém apoiado por ele e 30,6% os que preferem votar em alguém que não seja ligado a Bolsonaro ou Lula. O eleitor do Brasil se divide quase igualmente nestes três terços.

 

Esquerda 21,7% x 38% direita

Outras consultas da CNT/MDA revelam como o cenário hoje traz dificuldades à eleição de um presidente de esquerda em 2026. São 21,7% os brasileiros que se dizem de esquerda (17,4%) ou centro-esquerda (4,3%). Enquanto 38% se dizem de direita (33,8%) e centro-direita (4,2%). Outros 6,4% se dizem de centro, com expressivos 33,9% que não souberam responder.

 

Lula 3 pior que Bolsonaro

Em outra consulta da CNT/MDA desfavorável à reeleição de Lula, 43,1% dos brasileiros acham que o seu governo está pior do que o de Bolsonaro. Do outro lado, 34,4% acham que o atual está melhor que o anterior, com 20,5% que acham que os dois governos são semelhantes.

 

Quem mais acertou em 2022?

Contratada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), o instituto MDA foi o que mais acertou os resultados das eleições presidenciais de 2022. No 1º turno, a CNT/MDA projetou 48% dos votos válidos a Lula, que teve na urna 48,43%; e 40% a Bolsonaro, que teve 43,20%. E, no 2º turno, projetou 51,1% a Lula, que teve 50,9%; e 48,9% a Bolsonaro, que teve 49,1%.

 

Análise do especialista (I)

“Falamos dos institutos de pesquisa de maior credibilidade do país. O Datafolha faz pesquisas a presidente da República desde 1989, primeira eleição após redemocratização do Brasil. E o CNT/MDA, por sua vez, foi o instituto que mais acertou as urnas de 2022”, observou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Análise do especialista (II)

“Como síntese das últimas projeções desses institutos, destaco as dificuldades para a eleição de um presidente de esquerda em 2026, mesmo na condição de incumbente. E a manutenção de Jair Bolsonaro como a principal liderança anti-lulopetista, com potencial influência sobre o resultado das urnas de 2026, ainda que não venha candidato”, concluiu o especialista.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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“Botou os ingleses na roda” — Copa do Mundo de Clubes na mesa do bar

 

Bruno Henrique comemora seu gol de empate contra o Chelsea no Mundial de Clubes, antes de dar o passe de cabeça ao segundo gol do Flamengo, nos 3 a 1 sobre o atual campeão da Conference League (Foto: David Ramos/Getty Images)

 

 

— E aí? O que achou do Mengão? — bateu de primeira Leonardo, já sentado à mesa do boteco, assim que Aníbal chegou, se sentou e pediu um copo ao garçom.

— Achei o que acho desde 2019. O jogo é grande? Gigante? Chama o Bruno Henrique! — respondeu com mesma satisfação com que enchia seu copo de Estrela Galícia.

— É inegável. Bruno Henrique tem muita estrela. Saiu do banco, empatou o jogo e deu a assistência ao segundo, de Danilo.

— E foi eleito com justiça o melhor da partida. Ainda que Gérson, como o equatoriano Plata, também tenham jogado muito bem.

— Esses 3 a 1 de virada, em cima do Chelsea, com direito a grito de “olé” da torcida, numa Filadélfia rubro-negra, talvez tenha sido a melhor atuação do Flamengo desde que Filipe Luís assumiu como técnico do time principal, há um ano.

— Sim, Filipe Luís também tem muita estrela. Teve coragem de tirar seu melhor jogador tecnicamente, Arrascaeta, que não brilhava, para colocar Bruno Henrique, que empatou o jogo. E, como você disse, deu o passe de cabeça ao segundo, de Danilo. E este teve sua escalação na zaga bancada por Filipe Luís, no lugar de Léo Ortiz, desde o início.

— E o terceiro gol do Flamengo também saiu das mãos de Filipe Luís. Tanto quanto dos pés da jovem promessa Wallace Yan, de apenas 20 anos, que o treinador mandou a jogo. E que, até ontem, jogava videogame com os adversários do Chelsea que encarou e venceu no mundo real, para fechar o placar.

— Sim. Mas, na verdade, tudo começou no 0 a 0 do Palmeiras com o Porto, no domingo retrasado.

— Não entendi.

— Embora o Porto e o futebol português não estejam na primeira prateleira do futebol europeu, foi a primeira demonstração na Copa do Mundo de Clubes de que o futebol dos melhores times do Brasil não está abaixo da média que se pratica na Europa.

— Sim. E essa imagem ficou ainda mais nítida em outro 0 a 0, do Fluminense contra o alemão Borussia Dortmund na terça.

— Com certeza. Com 40 anos, Thiago Silva colocou o perigoso Guirassy no bolso. E o centroavante guineano do Borussia tinha sido o artilheiro da última Champions, com 13 gols, ao lado do brasileiro Raphinha, do Barcelona.

— O colombiano Jhon Arias, para variar, também jogou muito.

— Verdade. Assim como o jovem volante piauiense Hércules. Que demorou um pouco para se adaptar da sua vinda do Fortaleza. Mas, diante do Borussia, teve uma atuação diga do seu nome.

—  E o Botafogo derrubando Paris Saint-Germain do pedestal de campeão do mundo na quinta?

— Rapaz, optei por ver o jogo 6 da série final do basquete da NBA, entre o Oklahoma City Thunder e o Indiana Pacers, quase no mesmo horário. Vi o gol de Igor Jesus que definiu a partida, na tela do celular. Mas só pude acompanhar ao vivo os últimos minutos do jogo.

— E como foi o basquete?

— Exibição de autoridade do Indiana de Haliburton. Ganhou a partida de 108 a 91 e empatou a série em 3 jogos a 3. Agora, no primeiro sétimo jogo de uma final de NBA que teremos em 9 anos, desde que o Cleveland Cavaliers de LeBron James ganhou o sétimo jogo e o título em 2016, contra o Golden State Warriors de Stephen Curry. Melhor time da temporada regular deste ano, o OKC do canadense Shai Gilgeous-Alexander terá a chance de fazer o sétimo jogo neste domingo, a partir das 21h, no Paycom Center, dentro da sua casa.

— Do basquete ao futebol, não dá mais para dizer que o Botafogo é só um bairro.

— Desde o Brasileiro e a Libertadores de 2024, o Botafogo alcançou outro patamar, próximo às suas glórias do passado, com Garrincha, Didi e Nilton Santos. Ainda assim, o Botafogo é bairro, o Flamengo é bairro, o Madureira é bairro. E Saint-Germain idem. À margem esquerda do rio Sena, é um bairro de Paris.

— E o que acha dos botafoguenses dizendo que agora são campeões do mundo? Pois, na fórmula em que o Flamengo foi campeão mundial em 1981, num jogo único entre o campeão da Libertadores da América e da Champions da Europa, eles venceram.

— Acho que os botafoguenses têm todos os motivos do mundo para se orgulharem. Mas uma coisa é se preparar para tentar ganhar um título em jogo único, outra disputar um torneio com primeira fase de grupos em pontos corridos e depois mata-mata, em que o campeão terá que jogar sete jogos. São duas perspectivas e preparações bem diferentes.

— O próprio Luis Enrique, treinador espanhol do PSG, admitiu que o Botafogo impôs a melhor marcação que seu time estelar sofreu de um adversário nesta temporada. Em que o PSG se sagrou campeão da Champions após golear a Inter de Milão por 5 a 0 na final. Ou seja, pela menos na quinta, o Botafogo marcou melhor que time grande da terra do “catenaccio”.

— Pois é. E, após a merecida vitória sobre o PSG, a torcida botafoguense saiu do Rose Bowl, na Califórnia, cantando e tirando onda: “Não é mole, não; o Botafogo não é a Inter de Milão”.

— E o que você achou?

— Como disse, não vi o jogo do Botafogo. Mas prestei atenção ao que disse o jornalista inglês Tim Vickery, radicado no Rio, que viu. E comentou para diferenciar as vitórias históricas dos dois clubes cariocas: “Sem tirar nenhum mérito do grande jogo que fez, o Botafogo assumiu uma inferioridade diante do seu adversário. O Flamengo nunca fez isso”.

— Como assim?

— O Fluminense de Renato Gaúcho não fez gol, mas partiu pra cima do Borussia. Pelo que vi, ouvi e li depois do jogo, o Botafogo teve competência para marcar seu gol e se defender, mas foi o polo passivo do jogo com o PSG. Contra o Chelsea, o Flamengo foi o polo ativo, propôs o jogo quase o tempo todo. E seus três gols foram fruto disso. Enquanto o gol inglês, do português Pedro Neto, só nasceu de um erro individual de Wesley.

— Ainda assim, o Botafogo foi o primeiro clube sul-americano, em quase 13 anos, a vencer um europeu em jogo do Mundial de Clubes. A última tinha sido em 2012, quando o Corinthians venceu o Chelsea, em outro 1 a 0, quando o Mundial ainda era disputado no Japão.

— E 44 anos após aqueles 3 a 0 no Mundial de 1981, no baile de Zico e companhia em cima de um time histórico do Liverpool que levantou nada menos que quatro Champions, o mesmo número de Messi no Barcelona, sou grato por ter vivido para testemunhar mais uma vez. Agora, com Zico na arquibancada e nos 3 a 1 contra o Chelsea: “botou os ingleses na roda” — cantarolou Aníbal. Com as catedrais de Augusto dos Anjos no peito, a voz embargada, olhos infiltrados e um nó na garganta. Que desatou lentamente com o gole longo de cerveja.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Pesquisas de junho: Lula desaprovado e dificuldades à reeleição

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula desaprovado e com dificuldade de reeleição

A confirmar a AtlasIntel e a Quaest (confira aqui, aqui, aqui e aqui) de maio, três novas pesquisas apontam que o governo Lula 3 segue desaprovado pela maioria dos brasileiros em junho. E que, se o pleito de outubro de 2026 fosse hoje, não daqui a 1 ano e 3 meses, Lula teria dificuldades para se reeleger presidente em um eventual 2º turno contra possíveis adversários.

 

Maioria desaprova o governo

Na Ipsos/Ipec de junho, 55% dos brasileiros desaprovam o Lula 3, enquanto 39% aprovam e 6% não opinaram. Na pesquisa CNT/MDA de junho, 53% desaprovam o atual Governo Federal, enquanto 41% aprovam e 6% não opinaram. Com institutos e metodologias diferentes, são quase os mesmos números.

 

Dificuldades no 2º turno (I)

Já na Datafolha de junho, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, embora lidere numericamente, Lula não passaria do empate técnico no 2º turno contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), por 43% a 42% de intenções de voto. Assim como contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), por 50% a 46%.

 

Dificuldades no 2º turno (II)

Na CNT/MDA, com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, Lula também lidera numericamente, mas também não passa do empate técnico contra Tarcísio, por 41,1% a 40,4%. A pesquisa não fez projeção de um eventual 2º turno entre o líder petista e Michelle.

 

As três pesquisas de junho

A Ipsos/Ipec ouviu 2.000 eleitores de 5 a 9 de junho. Com margem de erro de 2 pontos, fez só avaliação de governo, sem levantamento eleitoral. A Datafolha ouviu 2.004 eleitores de 10 a 11 de junho. E fez apenas consulta eleitoral, sem avaliação de governo. Só a CNT/MDA, que ouviu 2.002 eleitores de 11 a 15 de junho, pesquisou ambas: avaliação de governo e eleição.

 

Confira todos os detalhes das três pesquisas nacionais neste sábado (21), no blog Opiniões, no Folha1 e na coluna Ponto Final, na Folha da Manhã.

 

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Saúde: após Bacellar ignorar convite, Wladimir fala em “sangue nas mãos”

 

Presidente da Alerj, ora governador em exercício e pré-candidato a governador em 2026, Rodrigo Bacellar e o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, em 3 de agosto de 2023, no tempo da pacificação entre os dois grupos políticos, que não durou até as eleições municipais de 2024 (Foto: Divulgação)

 

 

Wladimir fala em “sangue nas mãos”

“Ainda está em tempo de ele ajudar a Saúde de Campos. Ou vai deixar as pessoas morrerem pela omissão dele em não querer ajudar? O tempo passa e ele pode até tentar fazer pose, mas vai ter sangue nas mãos”, foi o que disse ontem à coluna o prefeito Wladimir Garotinho (PP) sobre o presidente da Alerj e governador em exercício, Rodrigo Bacellar (União).

 

Cobrança no domingo, réplica na segunda

Após cobrar repasses do cofinanciamento estadual à Saúde Pública de Campos, que é polo regional de atendimento hospitalar, em postagem no Instagram (confira aqui) na noite de domingo (15), Wladimir foi respondido (confira aqui) na manhã de segunda (16) por Rodrigo. Que veio como governador em exercício para inaugurar (confira aqui e aqui) o Destacamento do Corpo de Bombeiros em Farol de São Thomé.

 

Rodrigo no Farol: “Não vou ficar de briga”

“Quero dizer para o prefeito, com todo carinho, que não vou ficar de briga. Tenho mais um ano e meio como presidente da Alerj. Provavelmente entre fevereiro e março, o governador vai sair para ser candidato (a senador ou deputado federal). Eu vou assumir o Executivo do Estado do Rio de Janeiro (como o blog Opiniões adiantou aqui desde 9 de maio)”, disse Bacellar.

 

Proposta de reunião (I)

Na noite da mesma segunda, Wladimir postou (confira aqui) um vídeo no Instagram. E convidou Rodrigo para uma reunião na Prefeitura para resolver a questão dos repasses do cofinanciamento estadual à Saúde de Campos.

 

Proposta de reunião (II)

“Queria dizer ao deputado presidente da Alerj, governador em exercício, nosso conterrâneo, que não estou brigando com ele, não. Estou defendendo a nossa cidade. E como já o convidei várias vezes a vir à Prefeitura, para a gente conversar e tentar resolver esse impasse (dos repasses à Saúde), mas você nunca veio, o convite está de pé”, disse no vídeo o prefeito.

 

Proposta sem resposta

Na manhã de terça (17), o blog Opiniões procurou a assessoria do governador em exercício. Que informou (confira aqui) que ele não responderia ao convite. Mas uma fonte do seu grupo, que preferiu o anonimato, fez uma comparação irônica: “Wladimir era o conciliador, agregador. E Rodrigo era o brigão. Agora o prefeito está rancoroso, raivoso. E Rodrigo leve”.

 

Reação à recusa

Ao saber ontem, pelo blog Opiniões, que Rodrigo não responderia seu convite, Wladimir usou a imagem mais forte de “sangue nas mãos”. E também disse: “Eu conhecia um Rodrigo com várias características, mas estou conhecendo uma nova: o fujão. Para quem quer ser candidato a governador, fugir de suas responsabilidades, na sua cidade natal, já começou muito mal”.

 

Reforço ao convite

“Não é novidade que ele não tem compromisso algum com as pessoas ou com a cidade dele, mas o que se espera de um agente público na posição que ele ocupa é outra postura. Mas faço novamente o convite”, reforçou o prefeito.

 

Números de Wladimir

No cofinanciamento estadual à Saúde de Campos, que atende a doentes de vários municípios vizinhos, Wladimir disse ter recebido R$ 200 milhões em 2021, R$ 140 milhões em 2022, R$ 90 milhões em 2023, R$ 20 milhões em 2024. E nada, até aqui, em 2025.

 

Números de Rodrigo

A assessoria de Bacellar apresentou números diferentes: “No detalhamento do custeio em Saúde, foram R$ 256.462.512,54 repassados em 2021, R$ 102.488.290,46 em 2022, R$ 41.529.379,19 em 2023, R$ 38.673.068,62 em 2024 e, até o momento, R$ 13.927.192,41 em 2025”. Os dois lados prometem judicializar a questão.

 

PPI sem cofinanciamento?

Segundo Wladimir, os números da assessoria estadual misturam os repasses obrigatórios da Programação Pactuada e Integrada (PPI), ferramenta do SUS. “O que eles não estão fazendo é o cofinanciamento aos nossos hospitais municipais (Ferreira Machado, Geral de Guarus e São José). Campos teve e, misteriosamente, deixou de ter nos últimos dois anos”, cobrou.

 

Valor por cidadão

“Nos dados oficiais do próprio Fundo Estadual de Saúde, em números per capita (proporcional ao número de habitantes), Campos recebeu R$ 42,98 por cidadão. É o 54º colocado entre os 92 municípios do estado, sendo polo de Saúde de toda a região Norte Fluminense”, comparou o prefeito.

 

Preço do não repasse

“Rodrigo está esgoelando o município. Já suspendeu o repasse à Estrada dos Ceramistas, cancelou os Bairros Legais em Vila Manhães e Vila Menezes, e está zerando repasses à Saúde. Campos já está cerca de R$ 250 milhões abaixo do planejado por conta disso” precificou outra fonte do grupo dos Garotinho. Que, como a dos Bacellar, também preferiu não se identificar.

 

Rodrigo a governador

Após ter conseguido tirar o ex-vice-governador (confira aqui e aqui) Thiago Pampolha do seu caminho na sucessão, para concorrer em 2026 a governador já no cargo, Rodrigo ainda conseguiu (confira aqui) em 23 de maio a promessa de apoio de Jair Bolsonaro (PL) à sua pré-candidatura. E todas as pesquisas e eleições recentes mostram que o ex-presidente é mais popular no RJ do que o atual, Lula (PT).

 

Wladimir como vice de Paes

Se Wladimir já era cogitado como vice de Eduardo Paes (PSD) a governador, corrida em que o prefeito carioca lidera até aqui todas as pesquisas, isso ganhou projeção nacional quando (confira aqui) dito em Campos a Lula, aliado de Paes. Foi na inauguração do novo prédio da UFF, em 14 de abril. O que teria irritado Rodrigo. Que quer também o apoio do prefeito reeleito da sua cidade.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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RJ e Saúde de Campos: Wladimir propõe encontro e Rodrigo não responde

 

Wladimir Garotinho e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Queria dizer a vocês e ao deputado presidente da Alerj, governador em exercício, nosso conterrâneo (Rodrigo Bacellar, União), que não estou brigando com ele, não. Estou lutando e defendendo a nossa cidade. E como já te convidei (a Rodrigo) várias vezes a vir à Prefeitura, para a gente conversar e tentar resolver esse impasse (no cofinanciamento estadual à Saúde Pública de Campos, que é polo regional), mas você nunca veio, o convite está de pé”, foi o que o prefeito Wladimir Garotinho (PP) propôs na noite de ontem (16) a Rodrigo, em vídeo veiculado (confira aqui) no Instagram.

Na manhã do mesmo dia, Bacellar esteve em Campos como governador em exercício, para inaugurar (confira aqui e aqui) o Destacamento do Corpo de Bombeiros no Farol de São Thomé. E respondeu à postagem no domingo (15) de Wladimir (confira aqui) no Instagram. Em que este cobrou do adversário político o repasse estadual do cofinanciamento à Saúde de Campos. Ao que Rodrigo deu ontem sua réplica (confira aqui) ao prefeito, no Farol:

— Quero dizer para o prefeito, com todo carinho, que não vou ficar de briga. Tenho mais um ano e meio como presidente da Alerj. Provavelmente no verão, ali para fevereiro, março, o governador vai sair para a missão de ser candidato (a senador ou deputado federal). Eu vou assumir a chefia do Executivo do Estado do Rio de Janeiro (como antecipado aqui, desde 9 de maio, pela Folha) e serei governador por alguns meses. Assim o destino quis e essa é a missão que eu me comprometi com toda a Assembleia, com todo o nosso grupo, porque, repito, eu sou um cara que representa o grupo, não represento o meu próprio umbigo.

Na noite de segunda, no vídeo, Wladimir fez sua tréplica para reforçar o convite a um encontro entre os dois na Prefeitura. Que complementou:

— Assim que você (Bacellar) tiver espaço na sua agenda, estarei te esperando. Pode deixar que vai ter café quente, vai ter água fresca, desde que você venha com notícia boa para o povo da sua cidade. Afinal, Rodrigo, eu sou campista e amo a minha cidade. Você também é campista e acredito que deve amar a sua cidade. Não deixe o povo sofrer porque você não gosta de mim. Problema, a gente resolve na urna, no voto. A eleição (de 2024, quando se reelegeu a prefeito no 1º turno) já passou, eu já venci. Você tem que se conformar com isso. Então, estou te esperando, o convite está de pé. Vem aqui, vamos ter uma conversa madura, para resolver essa questão. Abraço!

Consultada hoje sobre o convite para uma reunião na nova manifestação de Wladimir, a assessoria de Rodrigo disse que o presidente da Alerj e governador em exercício não vai se pronunciar. Mas uma fonte do seu grupo, que preferiu preservar o anonimato, ironizou:

— Wladimir era o conciliador, agregador. E Rodrigo era o brigão. Agora o prefeito está rancoroso, raivoso. E Rodrigo leve.

 

Confira abaixo a íntegra do vídeo de Wladimir com o convite a Rodrigo:

 

 

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Jornalistas de Campos dos anos 80 e 90 têm pauta neste sábado

 

(Arte: Divulgação)

Iniciativa das jornalistas Jô Siqueira, Jane Nunes e Edma Nogueira, os jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e radialistas de Campos dos anos 80 e 90 do século 20 têm encontro marcado no “Teclas Antigas”. Que será realizado a partir das 14h deste sábado, dia 21, na Pizzaria Donatello, na rua Alvarenga Pinto nº 136, Parque Tamandaré, do repórter fotográfico Ricardo Avelino.

— Acredito que temos que fazer algo enquanto estamos por aqui. E numa tarde tomando café com o amigo André Castheloge, repórter cinematográfico da Record, falamos de reunir os colegas. E também vejo que ao longo dos últimos anos estamos perdendo algumas amigos. A ideia tomou grande proporção. Inicialmente, iríamos chamar a “velha guarda”, que saía para apurar as matérias na rua. Nada contra a nova geração tecnológica. Mas, acho que no fundo foi uma forma de reencontrar os amigos. Hoje, eu, a Jane Nunes e a Edma Nogueira estamos mais envolvidas — disse Jô Siqueira.

Quem ingressou no jornalismo de Campos ainda em máquinas de datilografar, antes do computador e internet tomarem conta das redações, ou das redes sociais sequer existirem, como quem aprendeu a fotografar ou filmar em filme, não em imagens digitais, tem pauta marcada no sábado. Cara a cara, não com ela enfiada em um smartphone.

 

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Repasse do RJ à Saúde de Campos opõe Bacellar e Wladimir

 

Presidente da Alerj, governador ora em exercício e pré-candidato a governador em 2026, Rodrigo Bacellar e o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, em 3 de agosto de 2023, no tempo da pacificação entre os dois grupos políticos, que não durou até as eleições municipais de 2024 (Foto: Divulgação)

“A partir de hoje, passarei a denunciar publicamente a asfixia financeira intencional que vem sendo imposta à Saúde de Campos desde que um campista (Rodrigo Bacellar, União) assumiu a presidência da Assembleia Legislativa, em 2023. O cofinanciamento estadual para o custeio dos nossos hospitais públicos (Hospital Ferreira Machado, Hospital Geral de Guarus e Hospital São José) foi reduzido a zero”. Foi o que postou (confira aqui) na noite de ontem (15), no Instagram, o prefeito Wladimir Garotinho (PP).

E teve resposta na manhã de hoje, ao vivo, na praia campista do Farol de São Thomé, por parte do presidente da Alerj e governador em exercício:

— Eu quero dizer que o prefeito de qualquer cidade que for, que não concordar com o nosso projeto, será atendido também, é claro. Ele é prefeito do estado do Rio de Janeiro, que é composto por 92 cidades. Mas antecipar debate eleitoral, começar de baixaria, começar a induzir as pessoas a erros, isso é muito feio, ninguém aguenta mais isso. Saibam que eu não vou entrar nessa onda, eu agradeço o carinho aqui dos meus pares, os mais nervosos, porque é estilo, e eu entendo isso — replicou hoje Bacellar, na inauguração do Destacamento do Corpo de Bombeiros no Farol.

— Quem manda, de fato, no governo estadual do Rio é meu adversário local. Enquanto outras cidades continuam recebendo, a cidade dele foi excluída e isso não é coincidência; é boicote. Ele quer que tudo vire um caos para que as pessoas culpem apenas o governo municipal, ele não se conforma em sempre ter sido derrotado no voto. Essa atitude maldosa e dolosa revela o caráter de alguém que só faz política com chantagem e ameaça — escreveu ontem Wladimir, em seu perfil no Instagram.

— Quero dizer para o prefeito, com todo carinho, que não vou ficar de briga. Tenho mais um ano e meio como presidente da Alerj. Provavelmente no verão, ali para fevereiro, março, o governador vai sair para a missão de ser candidato (a senador ou deputado federal). Eu vou assumir a chefia do Executivo do Estado do Rio de Janeiro (como antecipado aqui, desde 9 de maio, pela Folha) e serei governador por alguns meses. Assim o destino quis e essa é a missão que eu me comprometi com toda a Assembleia, com todo o nosso grupo, porque, repito, eu sou um cara que representa o grupo, não represento o meu próprio umbigo — afirmou Rodrigo no Farol, na manhã de hoje.

— Tentei de todo jeito resolver de forma pacífica, mas é hora de a população saber a verdade. Fazer o povo e os profissionais da Saúde sofrerem de maneira proposital tem consequência, o castigo virá cedo ou tarde. Deus tudo vê. Nunca tive medo de enfrentar essas pessoas para defender o nosso povo, vou lutar até o fim e tomar todas as medidas possíveis na esfera judicial, mostrando que a política pública virou apenas barganha eleitoral — acusou Wladimir na véspera da visita de Rodrigo.

Por meio de sua assessoria, o governador em exercício e pré-candidato ao cargo em 2026, já tinha respondido hoje às acusações de Wladimir:

— De 2021 a 2025, a secretaria estadual de Saúde (SES-RJ) repassou mais de R$ 453 milhões ao município de Campos dos Goytacazes para custeio em Saúde. Os repasses constitucionais estão em dia. São verbas destinadas ao Incentivo à Assistência Farmacêutica Básica (Iafab), Programa de Apoio aos Hospitais do Interior Municipal (Pahi-M), Programa Estadual de Financiamento da Atenção Primária à Saúde (Prefaps) e Samu. Além disso, cabe ressaltar que foi repassado um apoio financeiro para o Hospital Ferreira Machado, Hospital Geral de Guarus e Hospital São José.

No cofinanciamento estadual à Saúde de Campos, que é polo regional no setor, atendendo doentes de vários municípios vizinhos, Wladimir disse ter recebido R$ 200 milhões em 2021, R$ 140 milhões em 2022, R$ 90 milhões em 2023, R$ 20 milhões em 2024 e nada, até aqui, em 2025. A assessoria de Bacellar apresentou números diferentes:

— De 2021 a 2025, cerca de R$ 40 milhões foram repassados ao município para investimentos em Saúde, incluindo a reforma e modernização do Hospital Geral de Guarus e a implantação do Centro de Hemodiálise, com investimento total de R$ 15 milhões do Governo do Estado. Campos dos Goytacazes recebeu nove ambulâncias do projeto “Samu 100% RJ”. No detalhamento do custeio em Saúde, foram R$ 256.462.512,54 repassados em 2021, R$ 102.488.290,46 em 2022, R$ 41.529.379,19 em 2023, R$ 38.673.068,62 em 2024 e, até o momento, R$ 13.927.192,41 em 2025. Ao final deste ano, os valores repassados pelo estado à Saúde de Campos serão superiores aos de 2024 — garantiu a assessoria do governo estadual.

 

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Saúde, vereança e eleições 2026 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Médico ortopedista, ex-subsecretário de Saúde de Campos e vereador recém-empossado (confira aqui), Dr. Maninho (PP) é o convidado do Folha no Ar desta terça (17), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele falará sobre as críticas recentes à Saúde Pública do município, na relação com os hospitais contratualizados (confira aqui e aqui) e no fechamento (confira aqui) do Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI). E analisará os quase seis primeiros meses do governo Wladimir 2.

Ele também falará da reforma administrativa da gestão municipal, na qual chegou a vereança no lugar de Fábio Ribeiro (PP), que assumiu a secretaria municipal de Obras, e da expectativa do seu papel na Câmara Municipal.

Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, Maninho tentará projetar as eleições a presidente (confira aqui, aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui), senador (confira aqui) e deputados em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 1 ano de 3 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Nova guerra de Israel: petróleo sobe e prefeito de Macaé em bunker

 

Prefeito de Macaé, Welberth Rezende na cidade israelense de Kfar Saba, fora do bunker entre os intervalos dos mísseis lançados pelo Irã, e a capital de Israel, Tel Aviv, bombardeada no contra-ataque iraniano (Fotos: Divulgação/Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Campos e região lucram com guerras de Israel?

Como a escalada do conflito no Oriente Médio, nos bombardeios aéreos na quinta (12) e sexta (13) de Israel ao Irã, que contra-atacou com mísseis e drones, pode influenciar diretamente Campos e outros municípios petrorrentistas da região? Base de cálculo dos royalties, o preço do barril Brent de petróleo chegou a subir 13% na madrugada de sexta, ultrapassando US$ 78.

 

Prefeito de Macaé em bunker israelense

Além do impacto econômico, o Norte Fluminense vive a tensão humana do conflito. Prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania) está em Israel (confira aqui, aqui, aqui e aqui), junto a uma comitiva de prefeitos brasileiros em missão técnica sobre cidades inteligentes, segurança pública e infraestrutura urbana. Todos foram transferidos a um bunker do governo israelense na cidade de Kfar Saba.

 

Welberth: “Sinto-me seguro”

Como o espaço aéreo de Israel está fechado, não há previsão de voos para retorno ao Brasil. Mas a embaixada brasileira em Tel Aviv, capital do país, coordena os esforços para repatriar os brasileiros assim que possível. “Estamos em um bunker projetado para resistir a impactos poderosos. Por mais que estejamos em um clima de guerra, me sinto seguro”, disse Welberth.

Impactos positivos, mas nem tanto

Mas e os impactos econômicos a Campos, Macaé e região, com a maior alta intradiária do preço do barril de petróleo desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em março de 2022? Eles serão positivos? Sim, mas nem tanto, para o economista Alcimar Ribeiro e o especialista em finanças Igor Franco, professores, respectivamente, da Uenf e Uniflu.

 

Economista Alcimar Ribeiro, professor da Uenf, e especialista em finanças Igor Franco, professor do Uniflu (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Preço do petróleo a curto prazo

“O aprofundamento do conflito no Oriente Médio joga uma nuvem de pessimismo na conjuntura econômica mundial. A região do conflito é responsável por 1/3 da produção global de petróleo. Com os preços estabilizados neste ano, em função do esfriamento da economia mundial, a expectativa de curto prazo é de possível escalada do preço”, disse Alcimar.

 

Seis por meia dúzia? (I)

“Para regiões exportadoras de petróleo, como o estado do Rio de Janeiro, não dá para imaginar vantagens dessa situação. A possível escalada do preço do petróleo, caso o conflito escale, tende a ser amortecida pela retração da demanda pela fragilização da economia mundial. Não há beneficiários em um ambiente hostil como este”, ressalvou o economista.

 

Subida do petróleo antes e após ataque

“Antes mesmo das explosões em Teerã, o mercado já antecipava tensões: o barril de petróleo subia com força diante dos rumores sobre o impasse nas negociações nucleares e a disposição crescente de Israel em atacar o Irã. Após os bombardeios, o Brent e o WTI chegaram a subir mais de 10%, em meio à queda das bolsas globais”, lembrou Igor.

 

Seis por meia dúzia? (II)

“Do ponto de vista dos municípios produtores, a perspectiva é de uma recuperação de curto prazo nas verbas do petróleo. Mas pouca coisa muda, pois o preço do barril está no mesmo patamar de março de 2025. Até o momento, o ataque israelense tem o efeito de segurar a queda que era observada na cotação da commodity”, ponderou o especialista em finanças.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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