Após operação no Rio, Lula perde e oposição ganha intenção de voto

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Todas as pesquisas (confira aqui, aqui e aqui) após a megaoperação policial no dia 28, nos complexos cariocas de favelas do Alemão e Penha, com saldo de 121 mortos, indicavam ampla aprovação popular à ação. Que foi chamada (confira aqui) de “desastrosa” pelo presidente Lula (PT) no dia 4.

Megaoperação cobra preço a Lula — O preço da declaração em relação à urna de 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 10 meses, começa a ser cobrado agora. Nas novas pesquisas dos institutos Paraná e Quaest, Lula perdeu não só (confira aqui) aprovação de governo. Entre outubro e novembro, o presidente perdeu também intenção de voto em todos os cenários de 2º turno testados, enquanto todos seus possíveis adversários cresceram.

Na pesquisa Paraná — A Paraná ouviu 2.020 brasileiros de 6 a 10 de novembro, com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos. Nela, nos quatro cenários de 2º turno testados, Lula não foi além do empate técnico em três: contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2060; a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP).

Três empates técnicos no 2º turno — Em um eventual 2º turno, nas simulações da pesquisa Paraná, Lula teria hoje 43,7% de intenção contra 43,1% de Bolsonaro (apenas 0,6 ponto de diferença), 44,1% contra 42,7% de Michelle (1,4 ponto de diferença) e 43,0% contra 41,8% de Tarcísio (1,2 ponto de diferença).

Na pesquisa Quaest — A Quaest ouviu 2.004 brasileiros de 6 a 9 de novembro, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Nela, nos 10 cenários de 2º turno testados, Lula ficou em empate técnico só contra Bolsonaro: 42% a 39%. Mas esta vantagem de 3 pontos do petista não foi muito maior contra o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), Tarcísio e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD).

Ciro, Tarcísio e Ratinho Jr. contra Lula — Em um eventual 2º turno, nas simulações da pesquisa Quaest, Lula teria hoje 38% de intenção contra 33% de Ciro, 41% a 36% contra Tarcísio e 40% a 35% contra Ratinho Jr. Em cada um destes três cenários de turno extra, Lula liderou pelos mesmos 5 pontos de vantagem, apenas 1 ponto acima da margem de erro.

Perdas e ganhos na Paraná — Na Paraná, Lula tinha 44,9% de intenção no 2º turno contra 41,6% de Bolsonaro em outubro (confira aqui). Em novembro, o petista perdeu 1,2 ponto e o capitão ganhou 1,5 ponto. Lula tinha 44,7% no 2º turno contra 41,6% de Michelle em outubro. Em novembro, o presidente perdeu 0,6 ponto e a ex-primeira-dama ganhou 1,1 ponto. Lula tinha 44,9% no 2º turno contra 40,9% de Tarcísio em outubro. Em novembro, o primeiro perdeu 1,9 ponto e o segundo ganhou 0,9 ponto.

Perdas e ganhos na Quaest — Na Quaest, Lula tinha 46% de intenção no 2º turno contra 36% de Bolsonaro em outubro (confira aqui). Em novembro, o petista perdeu 4 pontos e o capitão ganhou 3 pontos. Lula tinha 41% no 2º turno contra 32% de Ciro em outubro. Em novembro, o presidente perdeu 3 pontos e seu ex-ministro ganhou 1 ponto. Lula tinha 45% no 2º turno contra 33% de Tarcísio em outubro. Em novembro, o primeiro perdeu 4 pontos e o segundo ganhou 3 pontos.

Ratinho Jr. x Lula — Ratinho Jr. não foi testado em um eventual 2º turno na pesquisa Paraná, mas na Quaest ele tinha 31% contra 44% de Lula em outubro. Em novembro, o governador paranaense cresceu 4 pontos na simulação até os seus atuais 35% de intenção, enquanto o presidente perdeu os mesmos 4 pontos até os seus atuais 40%.

Michelle x Lula — A Quaest testou também Michelle no 2º turno contra Lula, que a bateria em novembro por 44% a 35%, 9 pontos de diferença. Mas, em outubro, essa vantagem do petista sobre a ex-primeira-dama era de 12 pontos: 46% a 34%. No espaço de um mês, Lula perdeu 2 pontos e Michelle ganhou 1 ponto.

Os demais contra Lula — Em novembro, a Paraná testou ainda o senador Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno contra Lula. Que a Quaest também testou contra os governadores de Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul, respectivamente, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União) e Eduardo Leite (PSD), além do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Todos perderiam para Lula além da margem de erro. Mas todos cresceram em relação a outubro contra o petista, que perdeu pontos em todas as 13 simulações de 2º turno das duas pesquisas.

Operação no meio do caminho — Com metodologias e números diferentes, os movimentos captados pela Paraná e Quaest foram os mesmos: perda de intenção de voto de Lula e ganho de todos os nomes da oposição. O que houve entre as pesquisas de outubro e novembro dos dois institutos? A operação policial do dia 28 no Rio, classificada de “desastrosa” por Lula no dia 4.

Maioria de 57% discorda de Lula — A pesquisa Quaest também perguntou ao eleitor: “Concorda com Lula que, do ponto de vista da ação do Estado, a ação policial foi desastrosa?” A maioria de 57% dos brasileiros discorda. Os que concordam formam a minoria de 38%, com 5% que não souberam responder.

Análise do especialista — “Tanto a Paraná quanto a Quaest apontam perda de terreno de Lula para os adversários, em especial, no 2° turno. A Paraná testou quatro cenários. Contra Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, a diferença cai a 0,6 ponto. Contra Tarcísio de Freitas, a diferença recua a 1,2 ponto. Contra Michelle Bolsonaro, oscila a 1,4 ponto. Já na Quaest, nove cenários foram testados no 2° turno. Neles, Lula empata tecnicamente com Jair Bolsonaro (+3) e vê sua diferença cair para Ciro Gomes (+5), Tarcísio de Freitas (+5), Ratinho Júnior (+5), Romeu Zema (+7), Ronaldo Caiado (+7), Michelle Bolsonaro (+9), Eduardo Bolsonaro (+10) e Eduardo Leite (+13)”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Lula para de crescer aprovação com 67% a favor da operação

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Operação do Rio pode ser à direita o que Trump foi a Lula?” Foi a pergunta feita aqui, em 1º de novembro, com base nas primeiras pesquisas (confira aqui, aqui e aqui) sobre a megaoperação policial nos complexos cariocas de favelas do Alemão e da Penha no dia 28, com saldo de 121 mortos.

Resposta nas pesquisas — A resposta da pergunta na aprovação ao governo de Lula (PT), que chamou a operação de “matança” (confira aqui) no dia 4, começou a ser dada ontem (11) e hoje (12) nas pesquisas Paraná e Quaest. Nas duas, a aprovação ao Lula 3 parou de subir e oscilou negativamente.

Pesquisa Paraná — A pesquisa Paraná sobre a aprovação do Lula 3 ouviu 2.020 brasileiros de 6 a 10 de novembro, com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos. Nela, a aprovação ao atual Governo Federal oscilou 2 pontos para baixo de outubro a novembro: foi de 47,9% aos atuais 45,9%. Por sua vez, a desaprovação oscilou 1,7 ponto para cima no mesmo período: foi de 49,2 aos atuais 50,9%.

Pesquisa Quaest — A pesquisa Quaest sobre a aprovação do Lula 3 ouviu 2.004 brasileiros de 6 a 9 de novembro, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Nela, a aprovação ao atual Governo Federal oscilou 1 ponto para baixo de outubro a novembro: foi de 48% aos atuais 47%. Por sua vez, a desaprovação oscilou 1 ponto para cima no mesmo período: foi de 49% aos atuais 50%.

Por que Lula cresceu de julho a outubro? — Nas linhas do tempo da série das duas pesquisas, foi a primeira vez que o Lula 3 perdeu aprovação e ganhou desaprovação desde 9 de julho. Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou uma carta ameaçando taxar o Brasil por conta do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, Lula passou a recuperar popularidade, gradativamente, pesquisa a pesquisa, até outubro.

Por que Lula entra novembro em queda? — Parece não haver dúvida do motivo pelo qual Lula parece começar a perder parte dessa popularidade, também de maneira gradativa. Na Quaest divulgada hoje, a maioria expressiva de 67% dos brasileiros aprova a operação no Alemão e Penha. Os que desaprovam são uma minoria de 25%, com 4% que nem aprovam, nem desaprovam, e outros 4% que não souberam responder.

Análise do especialista — “Realizadas após a megaoperação do Rio, as pesquisas Quaest e Paraná confirmam piora da aprovação de Lula, com petista oscilando negativamente depois de melhora registrada em levantamentos anteriores. No que diz respeito à megaoperação apurada pela Quaest, 67% da população brasileira aprova a intervenção e não acha que a polícia exagerou na força empregada”, analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Sem esperar Wladimir, Caio e Calil também se mexem a 2026

 

Wladimir Garotinho, Caio Vianna e Bruno Calil (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Caio pode tentar a federal

A espera também não é regra no grupo de Wladimir. Ao qual Caio, suplente de deputado federal, se aliou em 2024. Quando ajudou na reeleição do prefeito ainda no 1º turno. Mas, a ser um dos três candidatos a deputado estadual do grupo, pode preferir tentar se eleger federal em 2026. Sobretudo se for com o apoio de um Eduardo Paes favorito (confira aqui, aqui, aqui e aqui) a governador.

 

Bruno Calil com Vitor Junior

Bruno Calil (sem partido), por sua vez, foi candidato a prefeito de Bacellar em 2020, quando ambos foram fundamentais à existência do 2º turno. Como foi aliado de Wladimir em 2024. Mas também não vai esperar o prefeito, que pode vir a deputado federal em 2026. Disputa em que Bruno apoiará o hoje deputado estadual Vitor Junior (PDT), campista radicado em Niterói.

 

As opções de Wladimir

Wladimir é há algum tempo especulado como candidato a vice tanto numa chapa a governador encabeçada por Paes, quanto pelo ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB). Como pode ficar prefeito e lançar sua esposa, Tassiana Oliveira (PL), a deputada federal; ou se candidatar ele mesmo ao cargo. Que já exerceu, após se eleger em 2018.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Maicon Cruz não espera Bacellar e tenta voo solo em 2026

 

Maicon Cruz com Washington Quaquá e entre Dandinho de Rio Preto, Rogério Matoso e Bruno Vianna (Fotos: Instagram/Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Voo solo de Maicon

Diante da indefinição de Rodrigo Bacellar a 2026 (confira aqui), parte do seu grupo na Câmara de Campos começa a debandar para tentar voo solo. É o caso do vereador Maicon Cruz (PSD), que decidiu a eleição de Marquinho a presidente da Casa no segundo biênio da Legislatura passada. E está de malas prontas ao PV para, em Federação com o PT, tentar uma vaga na Alerj.

 

Construção interna e externa

A pré-candidatura de Maicon a deputado estadual é fruto de uma construção em duas frentes. Internamente, com seus colegas vereadores Dandinho de Rio Preto (União) e Rogério Matoso (SD), como com o ex Bruno Vianna (PSD). E, externamente, com o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT.

 

Quaquá quer base em Campos

Muitas vezes oposto ao idealismo que caracteriza seus companheiros do PT, Quaquá se marca pelo pragmatismo. Que o fez, inclusive, defender publicamente (confira aqui) que a operação policial no Alemão e Penha foi necessária. Ele aposta em Maicon para ter uma base eleitoral em Campos à pré-candidatura a deputado federal do seu filho, Diego Zeidan, presidente estadual do PT.

 

Disputas internas do PT

Sem conseguir eleger um vereador em Campos desde 2012, com Marcão Gomes (hoje, MDB), o PT local não é alinhado com Quaquá. Mas com lideranças fluminenses do partido como o deputado federal Lindbergh Farias e André Ceciliano, secretário especial de Assuntos Parlamentares do governo Lula. Que têm trocado palavras pesadas com o prefeito de Maricá.

 

Objetivos e costuras

Sem espaço no grupo de Bacellar, Maicon, Dandinho, Matoso e Bruno buscam manter a unidade de um grupo testado em embates na Câmara de Campos contra o grupo de Wladimir. A federal, Maicon deve dobrar com Diego, Dandinho e Matoso podem apoiar Vitor Junior (PDT), enquanto Bruno se comprometeu com a tentativa de reeleição de Daniel Soranz (PSD).

 

Silêncio e dilema de Bacellar

Embora ninguém admita publicamente, há queixas sobre a dificuldade das lideranças locais de oposição a Wladimir de conseguir falar com o presidente da Alerj. Enquanto este, entre a pré-candidatura a governador e o TCE, vive um dilema: se der muita atenção ao interior, será acusado de espelhar o ex-governador Anthony Garotinho; se não der, perde a base.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Caminhos de Bacellar a 2026 após megoperação de Castro

 

Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar (Foto: Divulgação)

 

 

À espera de Bacellar e Wladimir para 2026?

De hoje à urna de 4 de outubro, são 10 meses e 18 dias. Até 4 de abril, os ocupantes de cargos executivos têm que sair para concorrer. As convenções partidárias ocorrem de 20 de julho a 5 de agosto. Esse é o calendário oficial das eleições de 2026. Que, em Campos, será muito ditado pelo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e o prefeito Wladimir Garotinho (PP).

 

As variáveis de Bacellar

A definição de Bacellar tem muitas variáveis. Após colocar Thiago Pampolha (MDB) no Tribunal de Contas do Estado (TCE), tirando o vice do caminho (confira aqui e aqui) na sucessão do governador Cláudio Castro (PL), e conseguir (confira aqui e aqui) a promessa de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o político de Campos errou ao exonerar (confira aqui e aqui) Washington Reis (MDB) da secretaria estadual de Transportes.

 

Afastamento de Castro

Bacellar errou porque perdeu a promessa de apoio de Bolsonaro. E porque, desde então, se afastou de Castro. Este, enfraquecido, entrou em outubro falando em desistir (confira aqui) da pré-candidatura a senador. Até que o governador ressuscitou com a megaoperação policial do dia 28 nos complexos do Alemão e Penha, que teve amplo apoio da população (confira aqui, aqui, aqui e aqui) nas pesquisas.

 

Mapa traçado: tiro, porrada e bomba

Com o senador Flávio Bolsonaro (PL) favorito (confira aqui, aqui e aqui) à reeleição, a popularidade de Castro após a operação o cacifa à outra das duas cadeiras que o RJ elegerá ao Senado em 2026. Mas, para se candidatar, o governador terá que sair do cargo até 4 de abril. Que deixaria a Bacellar, junto com o mapa da popularidade traçado: tiro, porrada e bomba contra as facções criminosas.

 

Incerteza entre Bacellar e Castro

Por natureza, Bacellar é muito mais talhado ao papel de linha dura do que Castro. Mas, assumindo como governador após este sair para se candidatar a senador, o campista teria que ter seu nome confirmado depois, em eleição indireta ao cargo na Alerj. E Castro não pôs Bacellar embaixo do braço após a operação, o que sinaliza incerteza interna no grupo.

 

Opção? Conselheiro do TCE

Com Bacellar governador, o endurecimento contra o crime poderia ser a arma para tirar a grande vantagem que o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) tem hoje (confira aqui, aqui, aqui e aqui) nas pesquisas à disputa do Palácio Guanabara em 2026. A outra opção ao político de Campos seria o caminho que destinou a Pampolha: conselheiro do TCE.

 

Só Márcio Bruno certo a estadual

Uma candidatura a deputado federal nunca esteve no radar de Bacellar. A estadual, o único nome certo do seu grupo, hoje, é o campista Márcio Bruno (União), seu chefe de gabinete como presidente da Alerj. Vereador de Campos, Marquinho Bacellar (União) só poderia se candidatar em 2026 se seu irmão optasse pelo TCE.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Mamadeira de Alfafa como prêmio aos “idiotas da aldeia”

 

“As redes sociais deram voz à legião de imbecis. O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”, constatou em 10 de junho de 2015 o filósofo, semiólogo, professor e escritor italiano Umberto Eco.

Em qualquer texto publicado na internet, sobretudo naqueles abertos a comentários em redes sociais, a constatação de Eco se reforça em escala geométrica. A grande maioria dos leitores não ultrapassa a leitura do título. E, mesmo se atendo a ele, se confunde nos comentários. Que evidenciam o dilema dessa gente: não tentou aprender a ler antes de tentar escrever.

Como a maneira mais sábia de reagir a isso talvez seja a ironia, o blog e sua reprodução em redes sociais passarão a eleger, sem periodicidade obrigatória, embora pudesse ser diária, uma reunião dos comentários mais desinteligentes gerados em suas postagens. Para, a partir deles, conferir um prêmio simbólico: o Mamadeira de Alfafa.

Para evitar maior constrangimento, os nomes dos comentaristas serão preservados. Até porque bastam o conteúdo dos comentários e suas contradições óbvias para revelar o “idiota da aldeia” atrás de cada representante da “legião de imbecis” ecoada por Eco.

Durante a semana, para dar multiplicidade de visões sobre megaoperação policial do dia 28 nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, na cidade do Rio e com saldo de 121 mortos, o blog chamado Opiniões publicou textos de opinião de convidados.

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Concorrente nº 1:

Na quarta (5), o blog publicou (confira aqui) o artigo do sociólogo José Luis Vianna da Cruz, professor da UFF. No Instagram, o link “José Luis Vianna da Cruz — Círculo vicioso no Alemão e na Penha” (confira aqui) teve seu autor devidamente identificado tanto no título quanto ao final do resumo do texto. Ainda assim, um comentarista ignorou e escreveu destinado ao jornalista que apenas editou:

— Caro jornalista. É sua opinião, como tb é a opinião da maioria não só do estado como tb das comunidades ao qual (sic) foi atingida (sic) apoiar a operação.

Como o “idiota da aldeia” sempre fala pela “legião de imbecis” que representa, o comentário teve 17 curtidas. Todas, aparentemente, de pessoas com a mesma incapacidade cognitiva para identificar o autor identificado, em língua portuguesa, no título e no texto que se prestam a comentar.

 

Concorrente nº 2:

No sábado (8), o blog finalmente trouxe a opinião do jornalista seu titular sobre o assunto. Com base em testemunho e nas pesquisas de opinião (confira aqui, aqui, aqui e aqui) acerca da ação policial do dia 28 contra a facção criminosa Comando Vermelho, o artigo foi intitulado (confira aqui) “Megaoperação e urna — É o trabalhador pobre da periferia, estúpido!” E, no Instagram (confira aqui), gerou o comentário :

— E esses dados das pesquisas dizem respeito aos entrevistados, não à totalidade de cariocas, fluminenses e brasileiros…

Feito por um comentarista de esquerda, mostrou o quanto essa pode ser tão “idiota da aldeia” quanto a direita bolsonarista, no mesmo negacionismo tosco das pesquisas de opinião. Basta, como criança mimada, que a torcida pessoal seja contraposta pela opinião coletiva. No caso, francamente favorável à operação, seja no país, no estado e no município do Rio de Janeiro.

 

Concorrente nº 3:

No mesmo link do artigo de sábado no Instagram, outro comentarista, notoriamente identificado na cidade como a personificação do tiozão de bolha de WhatsApp, soltou uma da sua coleção de pérolas:

—  O governador Cláudio Castro fez um enorme favor a população daquela região tirando de circulação 121 vagabundos da piores (sic) espécie, essa narrativa esquerdista que tenta fazer a população enxergar esse episódio como um crime contra a humanidade, nada mais é do que uma manipulação ridícula, de uma narrativa ridícula também.

No afã de pedir publicamente o extermínio de criminosos, a desinteligência do comentarista foi tanta que acabou colocando também os quatro policiais mortos na operação, contabilizados entre seus 121 óbitos, entre os “vagabundos da piores (sic) espécie”. Para identificar, de fato, o “idiota da aldeia”. E a espécie da “legião de imbecis” que representa.

 

Megaoperação e urna — É o trabalhador pobre da periferia, estúpido!

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

X. tem 58 anos. Casou-se aos 16, teve dois filhos, um neto e ficou viúva em 2025. Trabalha como empregada doméstica desde os 14 anos, mas com CLT só a partir dos 36. Dois anos depois, fez um curso de cabelereira, economizou, abriu seu salão e passou a ter dupla jornada também como microempreendedora, condição que nunca oficializou.

Nascida e criada em localidade de interior de um pequeno município fluminense, X. se mudou para outra, um pouco maior, aos 35. Onde seu marido também exercia dupla jornada como caseiro e motorista de van. Até que, em 2019, foi alvejado com três tiros por um traficante que passou a ser vizinho, vindo de outro bairro periférico de uma cidade vizinha de porte médio.

Um dos tiros pegou na coluna do marido de X., tornando-o paraplégico. O motivo? Por ser motorista de van, conhecia e falava com muita gente. O traficante que passou a morar ali havia apenas um mês, após ver o novo vizinho conversando aleatoriamente com dois PMs conhecidos na rua, tomou a van como passageiro.

Em um ponto mais ermo do trajeto, quando estavam só os dois no veículo, o traficante puxou a arma e tentou matar seu condutor e vizinho. Para se afirmar como “xerife” do bairro periférico e antes pacato da localidade de um pequeno município fluminense. Foi a última vez que o marido de X. andou.

Esse microcosmo real e quase sempre trágico se repete diariamente nas periferias de todo o Brasil. Nas quais sua imensa maioria de trabalhadores é ostensivamente oprimida, do outro lado do cano de uma arma, pela lei do cão imposta pelo tráfico e as milícias.

Segundo (confira aqui e aqui) o estudo “Governança Criminal na América Latina: Prevalência e Correlatos”, elaborado por pesquisadores de universidades dos EUA e publicado em agosto pela britânica Universidade de Cambridge, cerca de 26% dos brasileiros, entre 50,6 e 61,6 milhões deles, vive hoje submetida à chamada “governança criminal”. O que faz do Brasil, com folga, o país da América Latina com maior percentual da população sob as regras de facções criminosas.

Se fossem um país separado, como de fato são no direito de viver em um Estado Democrático de Direito, esses 50 a 60 milhões de brasileiros submetidos ao crime ficariam entre a 3º e 4º população da América Latina. Só atrás do próprio Brasil, do México e, talvez, da Colômbia. Os mesmos México e Colômbia famosos por seus carteis de drogas. Mas que hoje têm 9% das suas populações, quase três vezes menos que o Brasil, vivendo sob a “lei” do crime.

Só quem ignora ou finge poder ignorar esses números é capaz de não entender outros. Como os de todas as pesquisas que comprovam o apoio da maioria da população à megaoperação policial nos complexos de favelas cariocas do Alemão e Penha, no último dia 28. Que foi a mais letal da história do estado do Rio, com 121 mortos, entre eles quatro policiais.

Na pesquisa AtlasIntel, a ação policial teve aprovação (confira aqui) de 51,8% dos brasileiros e 55% dos cariocas. Na Quaest, a aprovação foi (confira aqui) de 64% dos fluminenses. Na do instituto Paraná, foram 69,6% dos cariocas a favor. As minorias no Brasil, no estado ou cidade do Rio que desaprovam dizem falar em nome dos moradores das favelas. Mas estes, falando por si próprios, foram também pesquisados em cortes específicos pela AtlasIntel: entre as favelas do Brasil, 80,9% aprovam a operação, apoio que chega a 87,6% nas favelas da cidade do Rio.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-vereador carioca, Cláudio Castro só chegou ao poder como vice do também desconhecido Wilson Witzel, eleito governador na onda bolsonarista de 2018. Com o impeachment de Witzel pela Alerj, Castro só se reelegeu em 2022, ainda no 1º turno, graças à arrogância da esquerda fluminense. Que descolada da realidade, deu de cara com ela em turno único, após apostar todas suas fichas na rejeição do eleitor ao ex-deputado federal Marcelo Freixo.

Castro vinha enfraquecido em 2025, desde que se afastou, no início de julho, do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar. Após este, como governador interino, exonerar (confira aqui e aqui) o ex-prefeito bolsonarista de Duque de Caxias Washington Reis da secretaria estadual de Transporte. Se pleiteava concorrer a uma das duas cadeiras que o RJ elegerá ao Senado em 2026, o governador entrou em outubro de 2025 falando (confira aqui) em desistir do projeto.

Em movimento coordenado de Bacellar e do senador Carlos Portinho, que disputa vaga à tentativa de reeleição pelo PL com Castro, este era atacado por ambos (confira aqui) na Segurança Pública. Após o maciço apoio popular à ação policial do dia 28, o governador cresceu tanto em aprovação que Portinho já fala em deixar o PL para tentar se reeleger ao Senado. Cuja primeira cadeira pelo RJ, todas pesquisas indicam ser (confira aqui, aqui e aqui) do senador Flávio Bolsonaro, também do PL.

Castro não só ressuscitou com a operação policial que matou 121 em outubro de 2025. Tirou a direita do Brasil das cordas, onde estava agarrada sob a onda Trump que Lula surfava bem desde julho. E jogou o petista (confira aqui e aqui) num dilema. Onde, segundo as AtlasIntel, Quaest e Paraná, a sobrevida eleitoral tende a ser difícil a quem chama de “matança” uma ação policial que 55,9% dos brasileiros, 73% dos fluminenses e 67,9% dos cariocas querem (confira aqui) reeditada.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na dúvida, um dado sem critério estatístico, mas real: X. é eleitora de Lula. Como era seu marido, morto este ano após uma queda da paralisia em vida à qual foi condenado por cinco anos pela arma de um traficante. Indagada sobre os 57 corpos encontrados, alguns com suspeita de execução, no pedaço de mata atlântica entre os complexos do Alemão e a Penha, a mulher pobre, trabalhadora, periférica e quase sempre afável, sentenciou:

— Não era isso que eles faziam com os outros? Mesmo se fosse gente da própria comunidade? Mesmo se fosse com trabalhador que não tinha feito nada? Não levavam para a mata e executavam? Chega! Agora não vão fazer isso com mais ninguém!

O Estado não pode regredir ao “olho por olho, dente por dente” da Lei do Talião. Mas chamar essa mulher proletária ou seu pensamento de “fascista”, sobretudo por uma esquerda que pensa poder transformar o mundo em sua sala de estar burguesa, que só contrata “secretária do lar” como diarista e nunca coçou o bolso para pagar uma CLT em toda sua vida, diz muito mais sobre quem classifica. E pode custar caro em 2026. A ver.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Jornalismo de Campos em livro de Guilherme Belido

 

Guilherme Belido, jornalista

O jornalista Guilherme Belido está nos retoques finais do livro que pretende lançar sobre aspectos gerais de um período da imprensa de Campos, englobando as últimas décadas do século 20 até tempos mais recentes. De forma acessória, pinceladas sobre os jornais cariocas também entram.

Com o título ‘Tinturas da imprensa de Campos’, Guilherme brinca dizendo que está cometendo um “atentado à literatura”, com esforço para fazer o que outros, incomparavelmente tão melhores, poderiam ter feito.

— Com quem mais insisti para escrever foi com o jornalista Aluysio Barbosa. Falei com ele umas três ou quatro vezes, mas sorria e tangenciava. Da última vez, com o refinamento que lhe era próprio, disse preferir não escrever, alertando que ou teria que cometer certas omissões, ou ferir suscetibilidades. E concluiu enfatizando que ambas as opções não o agradavam. Também apelei para o jornalista Vivaldo Belido de Almeida, que enrolo, enrolou e acabou lançando livro sobre política – disse Belido.

 

O livro

Com orelha do desembargador Paulo Assed Estefan e ‘Sobre o Autor’ assinado pelo empresário e colunista da Folha, Murillo Dieguez, Belido ressalva que o livro está atrasado, de tantas vezes que ele altera um determinado trecho, e acaba refletindo em outro.

Explica que busca retratar os principais órgãos da imprensa de Campos, trata de generalidades, bem como bastidores dos dois únicos que atuou ativamente: os extintos A Cidade, onde ingressou ainda muito jovem, e O Diário

— Nasci na década de 60. Logo, não presenciei nada daquela época. Por outro lado, como frequento o ‘ambiente’ desde criança… já fui absorvendo. De mais a mais, sempre curioso, ‘perseguia’ uns e outros com intermináveis perguntas sobre essa espinhosa, difícil, fascinante e nada convencional atividade. Em meados de 70, já estava lá. Sem qualquer pretensão, se você não tiver isso de berço ou profunda vocação, não funciona. Não dá para cair de paraquedas ou ficar de olho no relógio torcendo para não ter notícia e poder voltar para casa. Daí a vocação — concluiu.

 

SJB com quase R$ 1 bi e eleições no Folha no Ar desta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Administrador público, ex-candidato a prefeito de oposição em São João da Barra e pré-candidato a deputado federal, Danilo Barreto (Novo) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã desta sexta (7), na Folha FM 98,3.

Ele falará da previsão de quase R$ 1 bilhão de orçamento (confira aqui) para SJB em 2026, assim como do projeto do novo hospital (confira aqui) e da privatização do serviço de água no município.

Danilo também analisará (confira aqui) o tabuleiro de SJB, Campos e região para deputado federal e estadual. E, com base nas pesquisas, tentará projetar as eleições a senador (confira aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui, aqui, aqui e aqui) e presidente (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 10 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

Morto ontem, William Knifis tem vida saudada pela JCI Campos

 

William Knifis, advogado, comerciante e ex-presidente da antiga Câmara Júnior de Campos, atual JCI

 

Ontem (5), morreu aos 81 anos e foi sepultado (confira aqui) o advogado e comerciante William Knifis, campista de nascimento e atafonense por adoção. Hoje, a JCI Campos, antiga Câmara Júnior de Campos, se manifestou (confira aqui) sobre a história de vida de William no comando da entidade:

 

 

 

A JCI Campos dos Goytacazes lamenta profundamente o falecimento, ocorrido ontem, do advogado e comerciante William Knifis, aos 81 anos, vítima de um câncer.

Ex-presidente da então Câmara Júnior de Campos (hoje JCI), William Knifis liderou a organização em 1982, deixando uma marca indelével de comprometimento, ética e espírito de serviço. Seu exemplo inspirou gerações de jovens cidadãos a acreditarem no poder da ação individual em prol da comunidade.

Anos mais tarde, teve seu legado reconhecido e foi homenageado pela JCI Campos pelos relevantes serviços prestados à instituição e à sociedade campista. Sua trajetória, pautada pela discrição, sabedoria e dedicação, é lembrada com imenso respeito e gratidão.

Hoje nos despedimos deste grande líder, mas nossos corações se enchem de gratidão, pois ele acendeu a tocha do propósito que seguimos carregando. Que os mais jovens mantenham viva essa chama de liderança e altruísmo que ele tão bem representou.

À família, amigos e admiradores, nossos mais sinceros sentimentos.

A JCI Campos se despede de um grande líder, cujo legado permanecerá sempre vivo.

“Servir à Humanidade é a melhor obra de uma vida.”

 

José Luis Vianna da Cruz — Círculo vicioso no Alemão e Penha

 

No dia 29, na praça de São Lucas, na Penha, familiares choram sobre corpos dos mortos na operação policial do dia 28 nos complexos da Penha e Alemão contra a facção criminosa Comando Vermelho (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

 

 

José Luis Vianna da Cruz, sociólogo e professor da UFF-Campos

Um círculo vicioso — O caso do Alemão e da Penha

José Luis Vianna da Cruz

 

De início, já me posiciono afirmando que considero o que houve nos complexos do Alemão e da Penha um massacre, ou chacina. E, como foi em favela, sabemos que foi um massacre de jovens pobres negros, em sua maioria.

Por que um massacre, ou chacina?

Pelo número de pessoas mortas, alguma com tiros na nuca, outras desarmadas, outras à queima-roupa, outras em situação nada identificadas com qualquer suspeição, como um morador de rua e uma mulher numa academia.

Porque tanto o número de pessoas mortas quanto suas identidades não correspondem ao número de mandatos nem aos nomes procurados. Mais mortos do que o número de procurados, numerosas identidades diferentes das que constam nos mandatos.

Porque mandatos de detenção e apreensão não são salvo-condutos para matar; pelo contrário, o protocolo é de detenção sem letalidade, a não ser sob ataque. O que não foi o caso de grande parte dos corpos encontrados, claramente em situação de fuga sem armamento ou resistência.

Também não há norma, protocolo ou legislação que autorize a destruição dos bens existentes nas residências invadidas. Como todos sabemos a polícia quebra tudo do pouco que a gente pobre possui em casa. E usa de violência contra todos que encontra pela frente.

Não bastasse isso, precisamos recordar e reforçar certos princípios éticos, legais e de legitimidade. A velha prática da polícia do Rio de matar suspeitos não encontra respaldo legal, nem ético, nem legítimo. Suspeito não é condenado; nem um condenado pode ser fuzilado, porque a lei prevê penas. Portanto, em princípio e por todas essas razões, matar é imoral, ilegal e antiético.

Mas, dizem: houve reação bélica intensa por parte dos criminosos! Pois bem, a uma ação corresponde uma reação. A ação foi realizada por 2.500 homens armados até os dentes, invadindo as favelas com armamento pesado e com histórico de matar quem encontra pela frente, esteja armado ou não. Portanto, a dos criminosos foi uma reação a uma ação de prática típica e sistemática de assassinato indiscriminado por parte da polícia. Entregar-se nunca foi garantia de vida para suspeitos ou culpados. Os familiares dos mortos foram humilhados, tratados com agressividade, sem nenhuma compaixão, empatia ou solidariedade das autoridades, que só se pronunciaram dessa forma com relação aos policiais mortos, ignorando a dor dos familiares dos demais 120 assassinados.

Tem algo muito grave nesses fatos, que deveria ser constituir os principais temas de discussão sobre essa chacina. Para além do fato de que a maioria das pessoas entrevistadas por mais de um instituto de pesquisa terem aprovado o ocorrido.

Ações contra criminosos em localidades onde a maioria é de trabalhadores, famílias e pessoas honestas, não pode ser de varejo, impedindo a livre circulação, o acesso ao trabalho, à educação ou a qualquer atividade do cotidiano dos moradores e das atividades econômicas locais e ameaçando suas vidas. A prática de ações armadas, belicosas e letais nas condições praticadas pela polícia do Rio é incompatível com o direito à vida, com os direitos humanos, com a democracia, com o direito à sociabilidade em clima de paz, harmonia, convivência, solidariedade, alegria, usufruto, lazer.

As forças e autoridades de Segurança Pública são as principais responsáveis pelo clima de terror e medo que impera nessas áreas. Os criminosos mantem controle e um clima de medo e terror nessas comunidades? Até certo ponto, sim. Mas, o que fazer, então? Isto basta para justificar essa forma de enfrentamento do problema do tráfico de drogas?

Aí é que fica escancarada a hipocrisia, o cinismo, a má fé, a crueldade e a desumanização que permeiam as posições a favor da ação policial de boa parte das autoridades do Executivo, do Legislativo e, até mesmo, do Judiciário. Há quase um século que já se sabe, no mundo inteiro, que só se acaba com o crime organizado, com milícias, máfias, facções e afins quando se adota o “follow the money” (“siga o dinheiro”). Ou seja, quando se asfixia financeiramente as organizações e grupos criminosos.

Lembremo-nos de Al Capone, que só foi barrado quando investigaram seu imposto de renda. As ações da Polícia Federal estão revelando que empresas das finanças, do comércio, dos serviços e da indústria estão imiscuídas na circulação e lavagem do dinheiro que sustenta as máquinas do crime organizado.

Em suma, não há um só caso registrado no mundo em que a ação exclusiva e principal na ponta do varejo, contra os peixes pequenos, tenha acabado com as atividades desses grupos. Podem matar 100 ou mil ou 10 mil. O dinheiro dos milionários donos dessas organizações, que vivem em condomínios de luxo, contratará novos exércitos, fabricará mais drogas, comercializará o suficiente para manter suas máquinas e o dinheiro lavado aplicado renderá muito além das perdas. E, sabe-se, também, que há autoridades e políticos envolvidos.

Dito tudo isso, como é possível apoiar essa “solução macabra e criminosa” das autoridades da Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro?

Digo mais: se isso fosse apresentado à população, tenho absoluta certeza de que se inverteriam as respostas (confira aqui, aqui e aqui) às pesquisas. Por quê? Porque por trás da maioria dessas aprovações está uma crença, alimentada pelas autoridades e instituições, em geral, de que a postura da segurança do Rio é a única maneira de resolver o problema.  E, mais ainda, porque, como grande parte sabe que os grandes não serão pegos, só resta mesmo eliminar o varejo, para, pelo menos, mitigar a ação desses criminosos.

E, para terminar, vem a questão eleitoral: além desses agentes oficiais dessa postura criminosa existem os omissos, pragmáticos, resignados e aproveitadores que não tratam a questão da maneira que aqui abordei, embora saibam que eu tenho razão, para não arriscar o desempenho eleitoral de si e dos seus candidatos. Ao invés de esclarecer, aproveitam-se da obscuridade.

Esse é o círculo vicioso que alimenta essa prática equivocada e sabidamente ineficiente. Mas, como do outro lado, estão pobres, pretos, favelados, é só manter a postura de indiferença e opressão com que esses sempre foram tratados, não só na questão da violência, uma vez que é só mais um ângulo da desigualdade e da violência social, étnico-racial, de gênero que os trabalhadores pobres, principalmente, sofrem desde sempre.

 

FDP!, Ceperj, operação, eleições e futebol no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A abertura do 6º Festival Doces Palavras (FDP!) e a reinauguração do Palácio da Cultura de Campos (confira aqui), após 11 anos fechado à população.

O julgamento (confira aqui) do governador Cláudio Castro (PL) e do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), pelo escândalo Ceperj; a operação policial do dia 28 (confira aqui, aqui, aqui e aqui) contra a facção criminosa Comando Vermelho no Rio, com 121 mortos; e as consequências dos dois casos às eleições de 4 de outubro de 2026.

Flamengo, que joga hoje, e Palmeiras, que joga amanhã, cabeça a cabeça na reta final da disputa pelo Brasileiro e a Libertadores da América.

Estes serão os temas abordados, no Folha no Ar desta quinta (6), ao vivo, a partir das 7h da manhã, pelo radialista Cláudio Nogueira e o jornalista Aluysio Abreu Barbosa, na Folha FM 98,3.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.