Operação no Rio pode ser à direita o que Trump foi a Lula?

 

No último domingo (26), Trump e Lula na Malásia (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

 

 

Apoio à operação ou voto em Lula?

Ainda não há pesquisas para avaliar o reflexo eleitoral a 2026 do maciço apoio popular (confira aqui) à operação policial no Rio. Sobretudo entre quem tem lugar de fala da vida das favelas. Que são, tradicionalmente, grandes eleitores do presidente Lula (PT). Mas não de uma esquerda identitária que pesquisas e urnas, no Brasil e no mundo, revelam cada vez mais elitizada.

 

A partir de julho, efeito Trump

Desde dezembro de 2024, Lula vinha em queda de aprovação de governo e de intenção de votos em todas as pesquisas. Reagiu a partir da carta de 9 de julho do presidente dos EUA, Donald Trump. Que ameaçou taxar o Brasil por conta do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Setembro desastroso à direita

Lula seguiu sua recuperação no setembro desastroso (confira aqui) ao bolsonarismo. Com a condenação de Jair (confira aqui) no STF, a atuação contra o Brasil do seu filho Eduardo nos EUA, a adoção da bandeira deste país por uma anistia natimorta, os tropeços de Tarcísio de Freitas (REP), governador de SP e presidenciável mais competitivo da direita, e o afago (confira aqui) de Trump a Lula na ONU.

 

Pesquisas antes da operação

Em outubro, na virada do calendário eleitoral de ano para meses, as pesquisas Quaest (confira aqui) e AtlasIntel (confira aqui) revelaram um quadro muito promissor à reeleição Lula. Até que a pesquisa do instituto Paraná, feita até o último dia 24, passou a apontar (confira aqui) cenários mais apertados, com três empates técnicos na margem de erro, em um eventual 2º turno.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Usuários e traficantes

Como a coluna registrou na quarta, a pesquisa Paraná pode ter pegado os reflexos da declaração desastrada de Lula, em Jacarta, na Indonésia, no mesmo dia 24: “Toda vez que a gente fala de combater drogas, possivelmente, fosse mais fácil combater os nossos viciados. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”.

 

O mesmo peso de Trump?

Sobre o mesmo tema, o dito de Lula na Ásia foi só quatro dias antes da ação policial no Rio contra o Comando Vermelho. Cujo poder de fogo e ousadia contra o Estado mostram que a operação era necessária, a despeito dos questionamentos legítimos à sua condução. Se terá o mesmo peso favorável à direita que Trump teve a Lula, só as próximas pesquisas dirão.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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