Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, no dia de sua abertura, em 30 de março (Foto: Divulgação)
Além das duas novas suspeitas do novo coronavírus em Campos (confira aqui), uma delas em estado grave, o Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) registrou hoje um novo óbito. Foi de um jovem de 28 anos, que teve a suspeita de Covid-19 descartada pela clínica, epidemiologia, laboratório e exame de imagem. Seu diagnóstico, no entanto, não pôde ser divulgado por sigilo médico.
Por questão de procedimento, o material do jovem morto hoje no CCC foi coletado e enviado ao Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), credenciado pela secretaria estadual de Saúde para confirmação oficial dos casos de Covid-19. O mesmo que até o presente momento ainda não confirmou a morte (confira aqui) do caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos, no último sábado e no mesmo CCC, por Covid-19.
Tudo leva a crer nas informações sobre rapaz morto hoje no CCC, passadas pela Vigilância em Saúde do município. Em cujo comando a médica infectologista Andreya Moreira tem se desdobrado nestes tempos de pandemia, fake news e medo. Mas até em defesa da seriedade desse trabalho, cabem perguntas lógicas, sem as quais não se pratica ciência, incluída a medicina:
1 – Se não tinha diagnóstico de coronavírus, por que o jovem foi internado no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus?
2 – Se um doente que não tem suspeita de Covid-19 é internado em um local montado para atender pacientes de Covid-19, ele não correrá o sério risco de se curar da doença original e ganhar de presente uma infecção de Covid-19?
Óbvia como as respostas é a ética pela qual o nome e o local de residência do jovem campista morto hoje no CCC serão resguardados.
Além dos 15 casos confirmados anteriormente, com um óbito (confira aqui), Campos tem mais dois novos suspeitos de Covid-19. São duas mulheres, uma de 44, outra de 69 anos, internadas no Centro de Controle e Combate ao Coronavíus (CCC) do município. A segunda, além de idosa, tem quadro de obesidade, hipertensão e se encontra em estado grave na UTI. Ela deu entrada ontem à noite na UPH São José, sendo transferida ao CCC. A segunda deu entrada lá hoje, apresenta quadro moderado e está internada em leito clínico. Com um caso descartado hoje, Campos contabiliza até agora 24 suspeitos do novo coronavírus, com 32 descartados.
A Prefeitura de São Fidélis confirmou nesta tarde mais um caso de Covid-19 no município, totalizando cinco. Confirmado por teste rápido, o novo caso é uma técnica de enfermagem que trabalha em Macaé e está em isolamento residencial.
Os quatro casos confirmados anteriores (confira aqui) são de um idoso de 71 anos, que está internado desde o dia 7 no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, e três infectados da sua família. Eles também estão sendo acompanhados em isolamento residencial, como a técnica em enfermagem confirmada hoje.
Independente do péssimo uso que façam dele os falsos profetas, sobre os quais a própria Bíblia adverte, o cristianismo tem sua grande virtude na compaixão pelo semelhante em dificuldade. Em Campos, um dos exemplos mais admiráveis dessa empatia é dado há mais de 40 anos pelas freiras do Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria, mais conhecido como Casa das Irmãs do Jardim São Benedito.
Diariamente as freiras distribuem no Mosteiro três refeições à população carente, demanda que aumentou durante a pandemia da Covid-19. E, desde março, elas tiveram que contar com o auxílio do poder público municipal na organização das filas formadas na rua Marechal Floriano, para manter o afastamento mínimo necessário entre as pessoas.
Contra a contaminação do novo coronavírus, a maior arma é a contaminação pela solidariedade humana. Em nome dela o blog publica abaixo o pedido de auxílio das freiras, que pedem doações da comunidade para continuar dando de comer a quem tem fome de pão:
Distribuição diária de comida pela freiras do Mosteiro do Jardim São Benedito, com filas organizadas pelo poder público municipal (Foto: Supcom)
“O generoso prosperará;
quem dá alívio aos outros,
alívio receberá.”
Provérbios 11:25
💒Campanha para arrecadação de mantimentos e materiais de higiene para ajudar o Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria (Casa das Irmãs do Jardim São Benedito), situado na Rua Marechal Floriano, n° 275 – Centro, Campos dos Goytacazes – RJ, 28010-161.
Horário: 8:00 às 18:00h.
🕯️Praticamente é o único lugar que está distribuindo comida a população carente e moradores de rua.
Estão precisando muito de:
– Feijão;
– Café;
– Carne moída ( qualquer tipo);
– Frango;
– Biscoitos (qualquer tipo);
– Suco concentrado;
– Garrafinhas de água mineral;
– Pães (o consumo mínimo é de 120 pães no café da manhã);
– Sabonete;
– Escova de dente;
– Pasta de dente;
– E, o que mais você puder ajudar.🍲
Além da ajuda com mantimentos e materiais de higiene as irmãs estão precisando muito de gás de cozinha, como é mais difícil a doação segue as contas bancárias:
*Bradesco:
Agência: 0065-5
Conta: 103297-6
Dalva Costa Ferraz – Madre Superiora
CPF: 524.896.127-00
*Banco Itaú:
Agência:0463
Conta: 15281-9
Dalva Costa Ferraz – Madre Superiora
CPF: 524.896.127-00
Caso você não possa fazer sua doação diretamente no Mosteiro, nos disponibilizamos buscar sua doação de mantimentos, segue os contatos:
(22)99863-4532 – Marcelle
(22)99955-7739 – Dowglas
(22)99901-6003 – Dani
(22)99915-1617 – Álvaro
🙏🏽Contamos sempre com as orações e sua generosidade! ❤
Por abrir aos domingos, após ser advertido anteriormente pela Postura, Hortifruti da Formosa foi fechado na tarde de hoje (Foto: Divulgação)
Advertido duas vezes pela superintendência municipal de Postura para não funcionar aos domingos, visando manter o isolamento social no combate à expansão do novo coronavírus, o Hortifruti da Formosa foi fechado no início da tarde deste domingo (12). E depois autuado na 134ª DP. A decisão da interdição do estabelecimento foi do grupo de Segurança do gabinete municipal de crise criado para combater a pandemia da Covid 19. É integrado pela Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público na esfera estadual. E, na municipal, pela secretaria de Segurança, Guarda Civil e Postura.
Titular da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva, Marcelo Lessa foi até o local para dar voz de prisão ao gerente do estabelecimento, por crime contra a Saúde Pública. Segundo o promotor de Justiça, por também funcionar como supermercado, o Hortifruti não poderia abrir aos domingos. Isso estaria previsto nos artigos 3º e 4º do decreto municipal que estipulou regras para a abertura do comércio em áreas consideradas essenciais.
Pra fugir do flagrante, o gerente do Hortifruti teria se evadido do local pela saída dos fundos. Ainda assim, um boletim de ocorrência foi lavrado na 134ª DP, por infração de medida sanitária preventiva e crime de desobediência — respectivamente estabelecidos nos artigos 268 e 330 do Código Penal. Novo superintendente municipal de Postura, Márcio Aquino foi contactado por WhatsApp para esclarecer até quando o Hortifruti permanecerá fechado. Mas disse que ainda não tinha essa informação, se comprometendo a passá-la depois.
No final da manhã de sábado (11), por gerar aglomeração de pessoas, o supermercado Makro, às margens da BR 101, na saída da cidade, foi alvo (confira aqui) do mesmo tipo de ação. Poucas horas depois, na UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC), o caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos, foi (confira aqui) o primeiro morto de Campos pela Covid-19. Hoje, a PM e o Ministério Público também tiveram que agir para interromper e dispersar um jogo de futebol no campo do Eldorado.
No início da tarde de segunda (13), o Hortifruti gerou nota alegando que seu alvará permite o funcionamento aos domingos. E que, neste último, dia de sua interção e autuação, adotou medidas de segurança por conta da pandemia da Covid-19. Confira abaixo:
— O Hortifruti esclarece que a atividade base indicada no alvará de localização e funcionamento de sua unidade em Campo dos Goytacazes, expedido pela Prefeitura, é de hortifrutigranjeiro, realizando a comercialização de FLV (frutas, legumes e verduras) e, de forma complementar, de produtos de açougue, peixaria e padaria, todos setores que encontram-se autorizados a funcionar aos domingos pelo decreto municipal. No dia 12 de abril de 2020, domingo, a loja adotou a prática de fechar com tapumes algumas gôndolas onde acomoda itens de mercearia de conveniência, outra categoria comercializada pelo Hortifruti. Diante do cenário de disseminação da Covid-19 no Brasil, a empresa adotou medidas de segurança para clientes e colaboradores em todas as suas 60 unidades nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, como intensificação das medidas de higienização dos espaços, placas de acrílico em frente aos caixas, marcas de distância para eventuais filas, além de disponibilizar álcool gel e recomendar o uso do serviço de delivery. A rede aproveita para citar, também, que as atividades de suas lanchonetes em todas as suas lojas estão suspensas neste período.
Viaturas da PM e da Guarda Civil hoje em frente ao Hortifruti (Foto: Divulgação)
Atualizado às 13h37 de 13/04, com a apuração do jornalista Ícaro Barbosa, para colocar a nota do Hortifruti.
Ontem, este Opiniões noticiou aqui a vistoria do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) na Saúde Pública de Campos, feita a partir de denúncias dos seus profissionais sobre falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) para enfrentar a pandemia da Covid-19. Ato contínuo, foi gerada demanda ao Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) sobre a questão. Foi antes do blog divulgar aqui a primeira morte do novo coronovarírus em Campos: o caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos. E de também noticiar aqui que, dos 15 casos confirmados da doença no município, seis são profissionais de saúde.
Ontem à noite, o Cremerj terminou sua vistoria nas seis principais unidades da Saúde Pública do município. E constatou, antes de enviar seu relatório ao Ministério Público de Campos, à secretaria municipal de Saúde e à sede do Cremerj no Rio:
1 – Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos: avental com gramatura (espessura de proteção) incorreta e máscara cirúrgica incorreta;
3 – Hospital Geral de Guarus: máscara cirúrgica incorreta;
4 – UPH São José: máscara cirúrgica incorreta, ausência de avental para triagem e de respirador disponível para atender paciente grave de Covid-19;
5 – UPH Guarus: máscara cirúrgica incorreta, ausência de máscara nº 95, de treinamento, fluxograma e preparo da unidade;
6 – UPH Travessão: máscara cirúrgica incorreta, ausência de médicos, de treinamento, fluxograma e preparo da unidade.
Hoje à tarde, o Simec enviou ao blog sua posição sobre a questão, falando não só da questão dos EPIs e do fluxograma, como também da morte de Hudisson dos Santos, ontem, na UTI do CCC. E concluiu: “A circulação sistêmica do vírus, com contaminação comunitária, nos municípios da região Norte Fluminense, é evidente”.
Confira abaixo:
O Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) vem recebendo desde a última quinta-feira (09/04), queixas por falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para uso por profissionais da saúde.
Entendemos a atual dificuldade do município para adquirir os insumos, principalmente os EPIs, em razão da pandemia. Entretanto, considerando a importância dos materiais necessários à prestação de assistência à saúde, acreditamos ser necessário que a gestão pública municipal desenvolva alternativas, envolvendo os outros dois níveis de governo (estadual e federal), que visem suprir as deficiências encontradas nas unidades de saúde comprometidas com o atendimento aos casos confirmados e suspeitos de infecção por coronavírus (Covid-19).
Faz-se necessário ainda, a intensificação de treinamentos, bem como a gestão de um fluxograma analisador para a organização da assistência à saúde, para fins de ampliar a segurança de todos os envolvidos, profissionais e pacientes.
Reiteramos o nosso compromisso de continuar monitorando a estrutura necessária para a total proteção dos profissionais em ação na linha de frente contra a pandemia.
O Simec também presta solidariedade aos familiares e amigos da primeira vítima da pandemia do coronavírus (Covid-19), em Campos. O homem de 39 anos, internado no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus, veio a óbito na tarde deste sábado (11).
A circulação sistêmica do vírus, com contaminação comunitária, nos municípios da região Norte Fluminense, é evidente. O momento é de conscientização coletiva e união de todos no combate à pandemia.
Hudisson e o caminhão que dirigia para sustentar sua família (Foto: Arquivo Pessoal)
Hudisson Pinto dos Santos, morto pela Covid-19 aos 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos
“Gutengerb há muito tempo/ Usou a inteligência/ E aí neste momento/ Ele inventou a imprensa/ Extra, extra, extra, guarde essa para você/ A comunidade confia no jornal que lê”. Esta era a letra de um jingle de sucesso da Folha da Manhã no início dos anos 1980. Um pouco antes, em 1978, o jornal seria o primeiro do interior do Estado do Rio em impressão offset, com parque gráfico próprio. Nestes últimos 44 anos, muita coisa mudou, sobretudo na tecnologia da informação. Mas não o fato de que o jornalismo só tem a confiança da comunidade quando atento à imprevisibilidade da vida humana. Como a do caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, morador da Penha, casado e pai de dois filhos pequenos. Que ontem, no Sábado de Aleluia, se tornou (confira aqui) a primeira vítima fatal da Covid-19 em Campos.
Na quinta-feira (09), o blog Opiniões, hospedado no Folha1, foi o primeiro a noticiar (confira aqui) a gravidade do quadro de caminhoneiro de Campos. Assim como sua internação na UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC). Mas o drama de Hudisson começou antes. Da sua lida pelas estradas, ele chegou a Campos, vindo de São Paulo, na quarta-feira (1º) da semana anterior. No sábado (04) buscou a UPH São José, na Baixada Campista. No mesmo dia, fez uma tomografia no Hospital Geral de Guarus (HGG), de onde foi transferido à UTI do CCC. Na segunda (06) fez o teste rápido, que deu positivo para Covid-19, e foi entubado. Mas não resistiu e acabou falecendo na tarde de ontem.
A única “comorbidade” de Hudisson é que ele era obeso. Embora suas fotos evidenciem que não passava de um simples excesso de peso, bem abaixo de muitos outros. À exceção desses poucos quilos a mais, não era idoso, não era diabético, não tinha doença cardiorrespiratória ou renal, não era hipertenso, não fumava e não bebia. O que evidencia a roleta russa que vai definir quem viverá ou morrerá até acabar essa pandemia do novo coronavírus.
Robert DeNiro em cena icõnica de roleta russa no filme “O Franco-Atirador” (1978), clássico do cinema de Michael Cimino
Outro dado reforça a incerteza. E se baseia na certeza das subnotificações da doença em Campos e no Brasil. Hudisson, talvez não por acaso, morreu de Covid-19 antes mesmo de ter seu diagnóstico de Covid-19 confirmado oficialmente. Até seu último suspiro através de um respirador mecânico, não havia chegado a sua contraprova pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), credenciado pela secretaria estadual de Saúde.
Ontem, no dia em que Hudisson morreu, Campos confirmou outro caso de Covid-19. Até a noite do sábado, era o 15º do município: uma enfermeira de 38 anos, que atua profissionalmente em Rio das Ostras. Com ela, outro dado preocupante: seis dois 15 casos confirmados na planície goitacá são (confira aqui) de profissionais da saúde, três enfermeiros e três médicas.
Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde de Campos
Chefe da Vigilância em Saúde de Campos, a médica infectologista Andreya Moreira argumentou que cinco desses profissionais trabalhavam fora do município. Enquanto uma delas foi contactante do marido que voltou de viagem infectado de Nova York. Ao que poderia ser lembrado que duas outras profissionais de saúde também confirmadas para Covid-19, uma residente em São João da Barra, outra em Itaperuna, foram contabilizadas nas estatísticas daqueles municípios, embora trabalhassem em Campos.
Ontem, no dia em que Hudisson morreu, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) fez uma fiscalização (confira aqui) na rede pública de Campos. O motivo foram denúncias de profissionais da saúde sobre a distribuição de máscaras de proteção em cujas embalagens se lia claramente: “Não uso médico”. Secretária municipal de Saúde, Cíntia Ferrini admitiu que as máscaras denunciadas são inadequadas. Mas alegou que não faltam no estoque as máscaras nº 95, mais caras que as máscaras cirúrgicas necessárias e em falta.
Distribuição de máscaras inapropriadas para uso médico foi denunciada por profissionais da Saúde Pública de Campos e pelo vereador Álvaro Oliveira
No início da noite de ontem, dia em que Hudisson morreu, o Cremerj constatou em sua fiscalização que há problemas com os equipamentos de proteção individual (EPIs) no CCC, no Hospital Ferreira Machado (HFM) e no HGG, bem como nas UPHs de Guarus, Travessão e São José. No primeiro deles, Hudisson morreu no sábado, após ter buscado o último no sábado anterior. E, mesmo com os EPIs completos, os profissionais de saúde da China e da Itália, primeiros epicentros da Covid-19 no mundo, tiveram taxa de infecção de até 40%.
Cintia Ferrini, secretária de Saúde de Campos
A secretária de Saúde de Campos admitiu que a o problema dos EPIs existe e é mundial. Sobretudo depois que os EUA se tornaram o maior epicentro global da Covid-19. E passaram a usar seu poder econômico hegemônico para comprar todos os EPIs disponíveis no mercado internacional. Além dos respiradores mecânicos, fundamentais à sobrevivência dos casos mais graves da doença. Mesmo que não tenham bastado para salvar a vida de Hudisson.
Ontem, no dia em que Hudisson morreu, a secretária Cintia Ferrini lembrou que a falta de EPIs tende a se agravar quando a doença atingir seu pico no Brasil. O que é esperado para o final deste mês, com projeção de queda, na melhor das hipóteses, apenas para junho. E que, quanto mais a população insistir em sair para as ruas, mais essa queda demorará a acontecer.
E o campista dá provas de querer dançar à beira do abismo. Talvez a exemplo do presidente da República que, no dia anterior (10), saiu às ruas de Brasília (confira aqui) e gerou aglomerações para dizer: “Ninguém vai mandar no meu direito de ir e vir”. Do Planalto Central à planície goitacá, que deu a Jair Bolsonaro 64,87% dos seus votos válidos no 2º turno presidencial de 2018, a unidade da rede atacadista Makro foi fechada e autuada (confira aqui) por volta das 11h da manhã de ontem, dia em que Hudisson morreu. A causa foi a aglomeração de gente no supermercado, desde às 9h.
Aglomeração de campistas fez o supermercado Makho ser fechado e autuado na manhã de ontem (Foto: Maria Laura Gomes – Folha da Manhã)
A despeito do preço das mercadorias da Makro, o campista parece se inspirar mais em Bolsonaro, do que no seu ministro da Saúde, que quis, mas não pode demitir. Na sexta (10), enquanto Hudisson agonizava em um leito de UTI do CCC de Campos, para morrer no dia seguinte, Luiz Henrique Mandetta advertiu: “Vamos pagar esse preço ali na frente. Esse vírus adora aglomeração, adora contato, adora que as pessoas achem que ele é inofensivo. E, aí, as cidades podem pegar a transmissão sustentada”.
Trabalhadores carregam corpos de vítimas da Covid-19 na cidade de Bérgamo, na região italiana da Lombardia, que ignorou a necessidade de isolamento social (Foto: Fotogramma / EFE-EPA)
Ontem, no dia em que Hudisson morreu, seus amigos relataram que ele era uma pessoa quieta e reservada, cuja vida era dedicada à família e ao trabalho. Ele atuou cerca de 4 anos como taxista em Campos, até conseguir o emprego como caminhoneiro em uma transportadora de Vitória (ES). Fez a opção para ter carteira de trabalho assinada e benefícios, buscando dar mais segurança à sua família.
Ontem, no dia em que Hudisson morreu, Ivaneide, sua viúva, disse à Folha da Manhã que eles eram evangélicos e frequentavam a Igreja Batista do Parque Bela Vista. Em isolamento obrigatório, não soube passar informações do velório e do enterro do marido, que estavam sendo organizados pela família. Muito abalada, ela só conseguiu afirmar com a voz embargada, em meio ao choro: “Ele era um homem muito bom!”.
“Ressurreição de Cristo” (1617/1619), óleo sobre tela do mestre barroco Peter Paul Rubens, Museu de Belas Artes de Marselha, França
Quantos mais homens e mulheres boas de Campos perderão a vida, agonizando em asfixia lenta pela Covid-19, sem sequer poder se despedir de parentes e amigos, é coisa do amanhã. Mas resultado das suas ações hoje, Domingo da Ressurreição. O dia seguinte ao que Hudisson morreu.
A partir das 7h da manhã desta segunda-feira (13), o convidado do Folha no Ar é o médico psiquiatra Flávio Mussa Tavares. Ele falará ao vivo na Folha FM 98,3 da pademia da Covid-19 em Campos, no Brasil e no mundo, do estresse do isolamento social e dos riscos e receios entre os profissionais de saúde, na linha de frente do combate ao novo coronavírus.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
No tempo da blogosfera goitacá, o blog “Campos em Debate”, do advogado Cleber Tinoco, era um dos destaques. Sobretudo pela capacidade de levar substância a um debate virtual que muitos de seus pares locais alimentavam com fofoca e maledicência — características tipicamente campistas que anteciparam em alguns anos o fenômeno mundial das fake news nas redes sociais. Destaque também nestas, pela mesma união responsável entre crítica e proposição, Cleber volta à blogosfera nesta segunda (13). Agora no outdoor mais amplo do Folha1. Quem quiser conferir o resultado, pode fazê-lo aqui. E ler abaixo sua carta de intenções nessa nova jornada:
— Sou advogado da Uenf, tenho 42 anos, casado e pai de uma menina e de um menino. Aceitei o convite do Aluysio Abreu Barbosa para escrever em um blog hospedado na Folha da Manhã. O meu assunto predileto, claro, é o Direito, mas tenho interesse por outros temas, que estudo superficialmente, como filosofia, política, economia, sociologia, neurociência e os relacionados à saúde. Procuro acompanhar as notícias e gosto de compartilhar as mais relevantes. Pretendo levar ao leitor reflexão e informação. Por fim, lembro que as sugestões de pauta também são bem vindas — disse Cleber.
Campos fecha o sábado com 15 casos confirmados de Covid-19, entre eles o primeiro morto da doença, e outro dado preocupante: entre os 14 restantes, seis deles são profissionais de saúde. Nenhum não apresentam quadro grave e todos estão em isolamento residencial. Além do caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos, que faleceu (confira aqui) na tarde de hoje na UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC), o outro caso confirmado da doença neste sábado é o de uma enfermeira de 38 anos, que atua em Rio das Ostras.
Entre os seis profissionais de saúde de Campos infectados pelo novo coronavírus, há três enfermeiros: a do caso confirmada hoje se soma a um colega de 48 anos e uma colega de 28. As outras três são três médicas, com 26, 29 e 33 anos. Há ainda mais 21 casos suspeitos de Covid-19 no município. Dois deles são graves, de crianças internadas na UTI Pediátrica (Utip) do Hospital Ferreira Machado (HFM): uma menina de 6 anos e um menino de 3. Todos aguardam o resultado dos testes do Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), credenciado pela secretaria estadual de Saúde e que até hoje não confirmou oficialmente a causa da morte de Hudisson.
Hudisson e o caminhão que dirigia para dar estabilidade à sua família (Foto: Arquivo Pessoal)
Hudisson Pinto dos Santos, morto pela Covid-19 aos 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos
Acabou de falecer o caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, morador da Penha de 39 anos, na UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) em Campos. Da sua lida nas estradas, ele chegou de São Paulo na quarta (1º) da semana passada. Começou a apresentar sintomas e buscou a UPH do São José no sábado (04). No mesmo dia, fez uma tomografia do Hospital Geral de Guarus (HGG), de onde foi transferido ao CCC, instalado no prédio novo da Beneficência Portuguesa, indo direto à UTI. Na segunda-feira (06) fez o teste rápido, que deu positivo para Covid-19, mas até hoje sem confirmação oficial pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen). Na mesma segunda foi entubado, mas não resistiu e faleceu na tarde de hoje. Era casado e pai de dois filhos pequenos. A única comorbidade informada é a de que era obeso.
Segundo relatos de amigos, Hudisson era uma pessoa quieta e reservada, que vivia para a família e o trabalho. Era muito querido no bairro da Penha, onde residia, não fumava, não bebia e sua obesidade não passava de um excesso de peso, como se pode constatar por suas fotos. Ele trabalhou por cerca de 4 anos como taxista em Campos, até conseguir o emprego como caminhoneiro em uma transportadora de Vitória (ES). Fez a opção para ter carteira de trabalho assinada e benefícios, buscando dar mais segurança à sua família. Na última quinta, ainda sem divulgar seu nome, este Opiniões foi o primeiro a noticiar (confira aqui) a gravidade do seu caso e sua internação na UTI do CCC.
O blog falou no início da noite com Ivaneide, viúva de Hudisson. Ela informou que os dois eram evangélicos e frequentavam a Igreja Batista do Parque Bela Vista. Em isolamento obrigatório, não soube passar informações do velório e do enterro do marido, que estão sendo organizados pela família. Muito abalada, Ivaneide só conseguiu afirmar com a voz embargada, em meio ao choro: “Ele era um homem muito bom!”
Atualizado às 19h22 para atualizar com as fotos de Hudisson e o depoimento da sua viúva.
Os equipamentos de proteção individual (EPIs) para Covid-19, disponíveis aos profissionais da rede de Saúde Pública de Campos, está sendo alvo hoje (11) de fiscalização pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj). Um membro do Cremerj adiantou que os principais problemas constatados são a falta de máscaras cirúrgicas, com tripla camada, e os aventais de proteção. A fiscalização se dará no Centro de Controle de Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, nos hospitais Ferreira Machado (HFM) e Geral de Guarus, além das UPHs São José, de Guarus e de Travessão. Um relatório será produzido até o final do dia e enviado à sede do Cremerj no Rio, à promotora Maristela Naurath, da 3ª Promotoria de Tutela Coletiva de Campos, e à secretaria municipal de Saúde.
Secretária de Saúde de Campos, Cíntia Ferrini admite que a falta de EPIs é um problema não só local, mas do mundo. É agravado pelo retorno dos brasileiros às ruas (confira aqui o novo caso de hoje em Campos), incentivados pelo mau exemplo (confira aqui) do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e pelo fato dos EUA, novo epicentro mundial do novo coronavírus, estarem usando seu poder econômico para comprar todo o material de proteção disponível no mercado internacional. Em relação aos aventais de proteção, a secretária municipal argumentou que as mudanças nos critérios pelo ministério da Saúde têm sido constantes, por isso difíceis de acompanhar e suprir de maneira adequada.
Distribuição de máscaras inapropriadas para uso médico foi denunciada nas redes sociais por profissionais da Saúde Pública de Campos (Foto: Facebook do vereador Álvaro Oliveira)
Sobre a falta de máscaras cirúrgicas, principal queixa, Cíntia garantiu que elas estão em processo de compra. E admitiu que as máscaras de dupla face, cuja distribuição foi denunciada nas redes sociais por profissionais da Saúde Pública, não são para uso médico. Ela alegou que a demanda vem sendo atendida pelas máscaras nº 95, mais caras, mas ainda em estoque. A secretária admitiu, entretanto, que o problema das EPIs tende a se agravar com o aumento da doença. Até ontem, Campos registrava 14 casos confirmados de Covid-19. O pico da doença no Brasil é esperado para o final deste mês. E, segundo todas as projeções, deve se manter pelo menos até junho.
Com assento no gabinete de crise criado pelo governo de Campos por conta da pandemia do novo coronavírus, o Cremerj tem orientado os profissionais de Saúde a não atenderem casos suspeitos sem EPIs. Mesmo contando com todos eles, no começo da pandemia pelo mundo, o percentual de contaminação dos profissionais de saúde que trataram dos doentes de Covid-19, na China e na Itália, chegou a até 40%.
Nos dias 19 e 30 de março, esta última em parceria com o Ministério Público, o Cremerj já havia realizado fiscalizações na rede de Saúde Pública de Campos. No último dia 5, em atendimento à demanda gerada pelo blog, o delegado local do Cremerj, Dr. Rogério Bicalho, fez elogios aos profissionais da Saúde Pública que estão à frente do combate à Covid-19 no município. Mas fez a ressalva clara (relembre aqui) em relação aos EPIs:
— O Cremerj já informou que “os profissionais de saúde, na rede pública e privada, só devem atender à população de risco com os EPIs, composto, minimamente de máscaras de proteção, luvas descartáveis e, quando for o caso, avental de proteção”. Portanto na ausência de EPIs, os médicos não irão atender. Diante dos dados que 20% a 40% dos contaminados na Europa são profissionais de saúde, sendo sua maioria médicos, não restou ao Cremerj outra opção. As resoluções foram apresentadas ao gabinete de crise de Campos e foram entendidas por todos, inclusive pelo MP e Defensoria Pública. Posso afirmar que hoje em Campos e região não faltam EPIs. Amanhã a realidade pode ser outra, por isso as fiscalizações são diárias.