Pedras diferentes no caminho ao centro para Haddad e Bolsonaro

 

De terno, Humberto Castelo Branco, primeiro general presidente da ditadura militar no Brasil

 

 

Elio Gaspari, jornalista e escritor

O centro, como se chega ao centro?

Por Elio Gaspari

 

Tudo indica que Jair Bolsonaro e Fernando Haddad disputarão o segundo turno. Na última pesquisa do Ibope, um tem 28% das preferências e o outro ficou com 22%. Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Alvaro Dias, Henrique Meirelles e João Amoêdo têm juntos 31%. Esse percentual, somado ao total dos que não responderam e aos que preferem o voto nulo ou em branco, vai a 49%. Portanto, perto da metade do eleitorado ainda estaria potencialmente disponível num segundo turno.

Os candidatos dos partidos de Lula e de Levy Fidelix (o do Aerotrem) deverão buscar a diferença no mar dos disponíveis, ambos procurando afastar a imagem de radicais. O centro não foi à campanha, mas Bolsonaro, com 46% de rejeição e Haddad, com 30%, tentarão buscá-lo. Será um exercício de acrobacia política, e a responsabilidade final ficará para os eleitores que vierem a acreditar na versão light do PT ou na de Bolsonaro.

O capitão reformado dizendo que nada tem contra as mulheres poderá até ser verdade, mas nesse caso, não se deve acreditar nele, pelo que disse através dos tempos. O mesmo pode ser dito de Haddad quando ele repete que acredita nos mecanismos de combate contra a corrupção, apesar de nunca ter concordado com a prisão de um só petista condenado por corrupção.

Uma coisa é certa: por mais que se deteste o PT, ele tem um comprovante factual de respeito à democracia: governou o país durante 14 anos respeitando a Constituição. Ocorreram alguns incidentes de violência, mas eles não afetam essa constatação. Petistas quebraram o nariz de um manifestante nos primeiros meses do mandato de Lula e em abril passado um cidadão que protestava em frente ao Instituto Lula foi espancado por companheiros do ex-presidente.

Bem outra é a trajetória de Bolsonaro e de seu candidato a vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Um negou que o Brasil tenha vivido uma ditadura entre 1964 e 1985. O outro expôs críptica e didaticamente uma hipotética situação de desordem, usando a palavra “autogolpe”, coisa que “já houve em outros países”, mas “aqui nunca houve”. Engano, na ditadura que ditadura não teria sido, deram-se três autogolpes. O primeiro, em 1965, com o AI-2, que extinguiu as eleições diretas. O segundo, em 1968, com o AI-5, que fechou o Congresso e suspendeu o habeas-corpus. O terceiro, em 1969, quando foi deposto o vice-presidente Pedro Aleixo, empossando-se a “Junta dos Três Patetas”, nas palavras de Ernesto Geisel (em privado) e de Ulysses Guimarães (em público).

Bolsonaro tem um longo caminho a percorrer para chegar a um centro no qual se coloque como defensor das instituições democráticas. Seus eventuais eleitores terão a tarefa de acreditar nele. Nesse aspecto, vale uma ressalva: é considerável o número de defensores da sua candidatura com bom nível de escolaridade e sobretudo de renda que flertam com o colapso das instituições democráticas. Essa camada de viúvas da ditadura foi magistralmente tipificada pelo marechal Castello Branco quando se referiu às “vivandeiras alvoroçadas, (que) vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar.” Ele as sentiu na pele em 1965 e morreu dois anos depois, supondo que poderia impedir o encantamento dos granadeiros em 1968.

As vivandeiras de hoje sonham com um governo de Bolsonaro com o economista Paulo Guedes no Ministério da Fazenda. Quando podem, escondem-se atrás do que se chama de “mercado”. Se pusessem a cara na vitrine, estariam batalhando pelo tão apreciado Henrique Meirelles (2%) ou por João Amoêdo (3%). Preferiram o atalho Bolsonaro.

 

Publicado aqui na Folha da São Paulo

 

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Mérida: atores de outubro e gestão Rafael pela ótica do setor produtivo

 

Desde que anunciou ser pré-candidato a deputado federal em entrevista à Folha, o empresário Marcelo Mérida (PSD) se colocou como representante do setor produtivo de Campos e região em busca de representação em Brasília. Com sua candidatura confirmada em convenção, ele aceitou a proposta do jornal de se posicionar mais como analista político. E falou sobre alguns dos protagonistas das eleições que daqui a 11 dias definirão o segundo turno quase certo a presidente e governador. Mantida a coerência, analisou cada um sob o ponto de vista do seu setor, gerador das divisas e empregos que sustentam a economia do Brasil e do Estado do Rio. De quebra, analisou também a gestão municipal Rafael Diniz (PPS).

 

 

Jair Bolsonaro – A sua candidatura é fruto da sequência de equívocos de governos anteriores, e cresce à mesma medida em que fracassaram gestões de esquerda, como a de Dilma, ou de centro, como a de Temer. Há pontos positivos de sua postura, como a defesa das instituições, como a família, e há exageros como a manifestação de seu economista pelo retorno da CPMF.

Fernando Haddad – Ele foi prefeito da maior cidade do Brasil e não se reelegeu. Ele é reconhecidamente um intelectual capaz, mas depõe contra ele a carga, a pressão e o peso de seu partido. O Brasil precisa amadurecer e encontrar caminhos para trazer avanços com gestões transparentes, com correta aplicação dos recursos, sem que o povo pague a conta de erros.

Ciro Gomes – Tenta se reinventar buscando aproximar seu discurso de viés nacionalista para um posicionamento mais ponderado e liberal, sem muita clareza. Vejo dificuldades que nascem de uma tendência pessoal ao isolamento, e isso se viu em suas alianças.

Geraldo Alckmin – Com fortes alianças e muito tempo de propaganda eleitoral, ele não decolou e hoje sua candidatura se dedica mais a polarizar com os que lideram do que a propor caminhos para o Brasil. Ele carrega também o desgaste dos principais quadros de seu partido com denúncias.

Marina Silva – Ela vive ainda a espera de um resultado que nunca veio: a eleição de 2014, quando substituiu Eduardo Campos à presidência e quase tirou do segundo turno a Dilma. Ela tenta reproduzir essa disputa, mas suas ideias, seu partido que não cresceu, já não encontram mais o mesmo ambiente.

Luiz Inácio Lula da Silva – É um político carismático, sem dúvidas, mas em sua biografia vão estar anotados os erros graves cometidos por seu partido e por seu governo. O comprometimento da máquina pública federal gerou uma grave crise institucional, moral, política e econômica, cujo preço é pago por toda a sociedade brasileira, sem distinção.

Eduardo Paes – A sua história se confunde com a da cidade do Rio de Janeiro, onde foi gestor em diferentes cargos. Ele também viu nascer os graves problemas de denúncias que enfrenta, teve o seu nome envolvido e atrelado a grupos políticos que lançaram o Estado do Rio na maior crise política e financeira já vivida em sua história.

Romário Faria – O senador é uma pessoa conhecida por todos nós por sua passagem na história dos esportes do Brasil, por seu jeito criativo nos campos, suas posições abertas e transparentes como jogador de futebol. Nessa campanha ele pode estar tendo dificuldades de adequar esse seu perfil às demandas que são muito delicadas e graves vividas hoje pelo Estado do Rio.

Anthony Garotinho – Não pertenço ao grupo dele, não sou seu aliado e vejo que Garotinho é um dos principais nomes que Campos projetou, seja para o bem por seus acertos, ou para o mal, por seus erros. A sua forma de de fazer política o leva ao isolamento.

Tarcísio Motta – Ele vai se consolidando no vácuo aberto pela pouca renovação dos grupos e partidos de esquerda no cenário complexo da fragilidade política do Estado do Rio.

Indio da Costa – Respeito muito as posições de meu colega de partido, suas visões administrativas e programáticas para o Estado do Rio e sua história, por ter sido o relator da Lei da Ficha Limpa, um divisor de águas na democracia brasileira. Eu me identifico com a sua posição em uma das questões mais difíceis que o Estado vive, a segurança pública, um debate que deve vir ao lado da geração de empregos com inclusão social e produtiva.

Voto útil – O voto útil para a transformação da sociedade é aquele exercido de forma consciente por parte do cidadão, na definição por nomes que representem um compromisso claro de propor avanços ao País e ao Estado do Rio.

Segundo turno – É preciso avaliar como irão sinalizar os candidatos no segundo turno sobre o diálogo com a sociedade. Se vão ouvir a todos e incorporar novos temas e demandas às suas proposições iniciais. .

Novo Congresso – A reforma do pacto federativo, que priorize as cidades onde vivem as pessoas, a redução e simplificação de tributos para apoiar quem produz e ao cidadão. O Congresso terá a responsabilidade de refundar as bases da República, dando maior espaço para a sociedade opinar, ser representada e respeitada de fato.

Governo Rafael Diniz – Pesa no ombro dele a responsabilidade de ter sido eleito com toda uma expectativa da população que ainda precisa ser confirmada. Para isso acontecer, é preciso dialogar com toda a sociedade, e os segmentos produtivos sempre alertaram para isso. A população quer resultados na saúde, na educação, na geração de empregos e só com interação é que esse caminho pode ser construído.

 

Página 2 da edição de hoje (26) da Folha

 

 

Publicado hoje (26) na Folha da Manhã

 

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Ibope: Paes continua líder isolado e torce para Garotinho passar Romário

 

Paes bate teto e lidera

Na pesquisa Ibope divulgada ontem, Eduardo Paes (DEM) continua na liderança isolada da corrida ao Palácio Guanabara. Mas, na série do instituto, o ex-prefeito do Rio parece ter batido teto. Ele manteve os 24% que já tinha registrado na consulta anterior. A segurança de Paes é que o segundo colocado não apresentou crescimento, mas queda: dentro da margem de erro de três pontos para mais ou menos, Romário Faria (Pode) oscilou negativamente de 18% a 16%. Ele ficou em empate numérico com Anthony Garotinho (PRP), que teve crescimento real de quatro pontos, passando de 12% a 16%.

 

Romário cai, Garotinho cresce

Se as tendências de queda de Romário e de crescimento de Garotinho forem confirmadas na próxima pesquisa Datafolha, com divulgação prevista para a próxima sexta (28), a turma da Lapa campista só não gostará mais do que Paes. Primeiro porque, considerado inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e concorrendo pendurado numa liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Garotinho pode ter seus votos “jogados fora” ao final. Foi o que ressaltou na noite de ontem a jornalista Eliane Catanhêde, ao analisar na GloboNews as tendências reveladas pela nova Ibope a governador.

 

Teto da rejeição

O outro motivo para Paes estar torcendo para Garotinho ultrapassar Romário na briga pela vaga restante ao segundo turno, é a imensa rejeição do político de Campos: 50% dos eleitores fluminenses não votariam nele de jeito nenhum. Com cerca de metade no índice negativo, o ex-prefeito do Rio tem 27% de rejeição, com 25% para o senador. Não por outro motivo, Garotinho perdeu feio a simulação de segundo turno feita pelo Ibope contra Romário: 25% a 38%. Mas a goleada seria ainda maior se enfrentasse Paes no turno final: 24% a 41%. O candidato do DEM também bateria Romário, mas no limite da margem de erro: 37% a 31%.

 

Índio, Tarcísio e Witzel

A Ibope a governador revelou dados interessantes sobre o bloco intermediário. Após abrir a série do instituto atrás de Tarcísio Motta (Psol), Indio da Costa (PSD) o ultrapassou. Ele teve ontem 6% das intenções de voto, contra 4% do vereador carioca. Este ficou junto do ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC), também com 4%. Todos estão no empate técnico da margem de erro, mas é relevante constatar que, nas duas últimas Ibope, Tarcísio empacou, enquanto Indio e Witzel cresceram dois pontos cada. Coincidência ou não, ambos aproximaram seus discursos ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no endurecimento contra o crime.

 

Líderes

Em relação à corrida ao Palácio do Planalto, alguns outros paralelos são possíveis na disputa ao Palácio Guanabara. Nas duas últimas pesquisas Ibope sobre cada pleito, os líderes repetiram o que parece ser o teto das suas intenções de voto: Paes nos 24%, Bolsonaro nos 28%. A vantagem de Paes é que ele não tem um segundo colocado também isolado e em franca ascensão, como é Fernando Haddad (PT), que já chegou aos 22%. Empatados e oito pontos atrás do líder na corrida a governador, Romário e Garotinho têm agora que se preocupar um com o outro, antes de fazê-lo com Paes. Este, ao que tudo indica, já está no segundo turno.

 

Charge do José Renato publicada hoje (26) na Folha

 

Ponte

Ontem, ocorreu mais uma visita do governador Luiz Fernando Pezão (MDB) à ponte da Integração, entre São João da Barra a São Francisco de Itabapoana, e a nova promessa de conclusão da obra: agora em novembro. Nas imagens do encontro, com políticos das duas cidades, mais confuso do que imaginar como a construção que se arrasta desde 2014 vai terminar em tão pouco tempo, é saber como pensamentos políticos ideologicamente tão distintos no cenário nacional não se furtam de caminhar juntos em assuntos paroquiais.

 

Distâncias

Pezão já contou com apoio dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, do mesmo PT que a prefeita Carla Machado (hoje PP) foi filiada. Ela declara abertamente o voto em Fernando Haddad (PT). Entre os que os cercam nas fotos, existem auxiliares militantes, nas redes sociais, de Jair Bolsonaro. Se a ponte sobre o Paraíba será concluída no prazo prometido, só o tempo dirá. Das imagens da visita a percepção é: a distância entre as cabeceiras da Integração não é nada, comparada ao oceano que separa as correntes ideológicas seguidas pelos que estão no mesmo barco nas questões locais.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Após dar R$ 700 mil a Clarissa, PT quer Garotinho apoiando Haddad

 

 

Presidente estadual do PT, Washington Quaquá confirmou ontem que o partido negocia com Anthony Garotinho (PRP) para seu apoio ao presidenciável Fernando Haddad. As conversas ocorriam desde a pré-campanha, mas cada um foi para o seu lado depois que o PT lançou Márcia Tiburi ao Palácio Guanabara. Como na pesquisa Ibope divulgada ontem, Tiburi não foi além dos 3%, enquanto Garotinho cresceu de 12% a 16%, empatando na segunda colocação na disputa a governador com Romário Faria (Pode), o namoro foi retomado:

— Eu liguei ontem (segunda) para o Garotinho. Ele me disse que vai votar no Haddad, mas que não declararia apoio agora, porque precisaria discutir melhor. Temos dialogado, mas quem fecha as alianças nacionais é a coordenação nacional. Agora é hora de unir o Brasil numa frente democrática. É um nível de apoio que a coordenação nacional teria de vir ao Rio — disse Quaquá.

Para garantir o interesse “republicano” das negociações, a aliança nacional entre PT e Pros, partido da deputada federal Clarissa Garotinho, rendeu a ela uma transferência de R$ 700 mil para a campanha de reeleição, feita pela direção nacional petista. Não por outro motivo, assessores de Garotinho confirmam que ele continua com bom trânsito com o partido de Haddad e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Quaquá, que recebeu do apenas R$ 431 mil do próprio partido para sua campanha de deputado federal, já havia tentado o apoio de Eduardo Paes (DEM), líder isolado em todas as pesquisas a governador. Mas o ex-prefeito do Rio negou qualquer interesse:

— Não há nenhuma tratativa nem conversa nesse sentido. Até porque o Hadad não faz parte da minha aliança e não tenho tido qualquer conversa com o PT. Manterei minha neutralidade.

A relação entre Garotinho e o PT é tão antiga quanto conflituosa. Ele foi eleito governador em 1998, com a petista Benedita da Silva como vice. Mas os dois não demoraram muito a romper. Em 1999, Garotinho classificou o PT, que ainda estava na sua base, como “partido da boquinha”, em referência à fome da legenda por cargos no governo estadual.

Benedita assumiu como governadora após Garotinho sair para concorrer à presidência em 2002. Mesmo no cargo, a petista seria derrotada no primeiro turno por Rosinha, mulher de Garotinho. Naquela época, o casal da Lapa era filiado ao PMDB e aliado próximo dos hoje adversários Sérgio Cabral e Eduardo Cunha.

 

Com informações de matéria publicada aqui em O Globo

 

Atualização às 10h41: Aqui, o jornalista Saulo Pessanha já havia noticiado o caso

 

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José Maria prega voto útil no 1º turno e aposta em Ciro com o PT no 2º

 

Na entrevista exclusiva que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu à Folha da Manhã em 6 de dezembro, o repórter do jornal se sentou à mesa com o ex-presidente, o senador Lindbergh Faria (PT) e o então pré-candidato a deputado federal José Maria Rangel (PT). O que bastaria para endossar o último como petista “de raiz”, condição reforçada por sua militância de anos no Sindipetro do Norte Fluminense, tradicional reduto do partido na região. Com sua postulação à Câmara Federal confirmada em convenção, José Maria falou à Folha mais como analista político do que como candidato. Entre os principais nomes na disputa presidencial e a governador do Estado, ele claramente tomou partido.

 

 

Jair Bolsonaro – Um fascista enrustido, que traz sérios riscos à sociedade e à democracia. Ele está no Congresso há quase 30 anos e sempre manteve sua apologia à ditadura no discurso. Sua agenda econômica põe em risco nossas empresas públicas, em especial a Petrobras.

Fernando Haddad – A pedido do Lula, recebeu a grandiosa missão de enfrentar esse pleito eleitoral. Foi ministro da Educação e é um dos responsáveis por uma das mais importantes transformações em nosso país, ao ampliar as oportunidades de ensino. É o candidato do povo, das bases sociais e dos trabalhadores. Representa a continuidade do governo Lula.

Ciro Gomes – É um quadro da esquerda brasileira, mas muitas vezes se perde. Erra ao defender uma política econômica que possa prejudicar os trabalhadores. Apesar disso, acredito que estará junto com o PT no segundo turno.

Geraldo Alckmin – É o candidato do mercado e dos empresários, dos poderosos. Tem uma agenda contra o povo, contra os trabalhadores e contra as empresas públicas. Ajudou a aprovar medidas como o teto de gastos públicos e a reforma trabalhista, além de defender a reforma da previdência.

Marina Silva – É uma candidata que sujou a sua história ao se submeter aos interesses da direita. Vive em cima do muro. Está disputando a presidência pelo terceiro partido diferente e com alianças de ocasião. Possui uma agenda econômica conservadora.

Luiz Inácio Lula da Silva – Melhor presidente do país e uma das maiores lideranças da esquerda mundial. É um exemplo que nos guia em busca da melhor qualidade de vida para o povo e para os trabalhadores. Foi o presidente que levou a Petrobras a um grau nunca visto antes na história da empresa, descobrindo o pré-sal, reativando a indústria naval, gerando empregos, renda e tecnologia. Sua prisão injusta e ilegal representa a perda de 13 anos de conquistas.

Eduardo Paes – O Eduardo Paes, como prefeito, fez trabalhos importantes em parceria com os presidentes Lula e Dilma, preparando a cidade do Rio de Janeiro para ser a vitrine do Brasil nos últimos anos. Mas tenho severas críticas perante os descuidos com alguns legados não concluídos na sua gestão e o descaso com os servidores municipais.

Romário Faria – Apesar de ter feito um trabalho importante em defesa das pessoas com deficiência, nos momentos cruciais sucumbiu aos interesses que culminaram com a crise institucional, política e econômica que atravessamos nesse desgoverno Temer.

Anthony Garotinho – O Garotinho representa a velha classe política e o início do cenário falimentar que vivemos tanto no Estado do Rio de Janeiro, quanto em Campos. Teve todas as oportunidades possíveis para preparar a nossa cidade para um cenário econômico independente das receitas provenientes da indústria de petróleo e simplesmente jogou fora.

Tarcísio Motta – Assim como a Márcia Tiburi, candidata do PT, o Tarcísio também é professor e conhecedor dos problemas da educação pública. Realizou um bom trabalho como vereador do Rio de Janeiro. Defende a democracia e vê o presidente Lula como preso político.

Voto útil – Para a defesa da democracia é algo a ser pensado por todos e todas já no dia 07 de outubro. O voto em um candidato com chances reais de combater o fascismo, com compromissos firmes com a classe trabalhadora e o desenvolvimento do país, é fundamental para recolocarmos o Brasil no caminho do desenvolvimento com justiça social.

Segundo turno – As pesquisas apontam que, no segundo turno, teremos uma disputa não só de projeto político. Mas, sim, se queremos um país que defende a tortura, a ditadura militar e a disparidade salarial entre homens e mulheres, ou um Brasil com igualdade de oportunidades e no combate contra o racismo, misoginia e todas as formas de preconceito.

Novo Congresso – Uma análise feita pelo Diap aponta que os brasileiros estarão renovando o congresso nacional em quase 50%. Só que para pior: mais elitista, preconceituoso e contra os trabalhadores. Contra isso, temos a necessidade de eleger novas candidaturas com compromisso com a classe trabalhadora e dos movimentos sociais. Precisaremos ter uma grande base de apoio para fazer o embate contra a reforma da Previdência, por exemplo.

Governo Rafael Diniz – A atual gestão municipal perdeu uma grande oportunidade de promover o desenvolvimento da nossa cidade. Ao invés de cortar privilégios e priorizar os mais vulneráveis, acabou com diversos programas sociais que impactam diretamente na vida do trabalhador, como o Restaurante Popular e o fim do subsídio na passagem urbana.

 

Página 2 da edição de hoje (25) da Folha

 

Pubicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Haddad a 6 pontos de Bolsonaro, que cresce rejeição e perde no 2º turno

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (25) na Folha

 

Haddad a 6 pontos de Bolsonaro

Desde o dia 18, o Ibope havia apontado o descolamento de Fernando Haddad (PT) de Ciro Gomes (PDT), na disputa pelo segundo lugar da corrida presidencial liderada por Jair Bolsonaro (PSL). O que não se conhecia ainda eram os tetos de crescimento do ex-prefeito de São Paulo e do ex-capitão do Exército, ambos em curva ascendente em todas as consultas. Pois na nova Ibope, divulgada ontem, o petista passou de 19% a 22% e ficou a apenas seis do líder. Ao repetir os 28% anteriores, Bolsonaro parece finalmente ter batido teto. Já o de Haddad, a 12 dias da urna, ainda segue desconhecido. A campanha do PT tem como objetivo chegar a 25%.

 

Segundo turno

Além de Bolsonaro, quem também estagnou nas intenções de voto foi Ciro, que manteve seus 11% anteriores. São tendências positivas ao petista, que teve novo crescimento real de três pontos, fora da margem de erro de dois pontos para mais ou menos. Mas ele teve outro dado favorável revelado no enfrentamento direto com seu principal adversário. Na simulação de segundo turno contra Bolsonaro, Haddad saiu de um 40% a 40%, na Ibope anterior, para um 43% a 37%. É uma vitória fora da margem de erro, que se explica pela rejeição ao capitão. Se ela já estava muito alta em 42%, teve crescimento real de quatro pontos e chegou a 46%.

 

Peso das mulheres

O aumento da rejeição do candidato do PSL se dá sobretudo por conta do voto feminino, que é maioria no Brasil. Para se ter uma ideia, enquanto 35% dos eleitores homens dizem que não votariam nele de jeito nenhum, sua rejeição chega a 54% entre as mulheres. Mobilizado nas redes sociais, o “Mulheres contra Bolsonaro” alcançou ontem a expressiva marca de 3 milhões de seguidores, adesão que aumentou após o grupo ter sido hackeado por supostos simpatizantes do capitão. No próximo sábado, dia 29, as mulheres pretendem sair às ruas de todo o Brasil, inclusive em Campos, contra o líder nas pesquisas presidenciais.

 

Dificuldades do capitão

Por conta da rejeição, Bolsonaro apareceu ontem no Ibope perdendo quase todas as simulações de segundo turno. Além de Haddad, seria derrotado também por Ciro (35% a 46%) e pelo tucano Geraldo Alckmin (36% a 41%). Curiosamente, o capitão empataria apenas com Marina Silva (Rede), única mulher candidata: 39% a 39%. Nas intenções de voto no primeiro turno, Alckmin teve uma oscilação positiva, passando de 7% a 8%. Marina, por sua vez, oscilou negativamente, caindo de 6% para 5%. João Amoêdo (Novo) registrou 3%, com 2% para Álvaro Dias (Pode) e Henrique Meirelles (MDB). Guilherme Boulos (Psol) não foi além do 1%.

 

Delírios à parte

Muitos eleitores de Bolsonaro certamente questionarão as pesquisas, que se mostram dignas de confiança apenas quando positivas ao seu candidato. Mas para quem na semana passada pretendeu reescrever a história ao afirmar em massa nas redes sociais que o nazismo foi um movimento de “esquerda”, além de classificar a revista britânica “The Economist”, bastião do liberalismo econômico, como “esquerdista”, pouca coisa pode ainda surpreender. Delírios à parte, o que o “susto” com o crescimento de Haddad pode causar é o voto útil dos eleitores de Alckmin, Amoêdo, Dias e Meirelles, candidatos do centro à direita, para Bolsonaro.

 

Mesmas tendências

Em pesquisas, até pelas diferenças de metodologia, o que há de concreto são as tendências. Ontem foi também divulgada a nova consulta FSB/BTG. E ela também constatou a estagnação de Bolsonaro, com os mesmos 33% da semana passada. Assim como o crescimento de Haddad, que foi de 16% a 23%. Com números diferentes, foram as mesmas tendências registradas pelo Ibope. Salvo o imponderável, como a facada em Juiz de Fora, é pouco provável que algo mude. No segundo turno desenhado entre Bolsonaro e Haddad, há uma tendência que nunca mudou no Brasil: o candidato mais votado no primeiro turno vence no final.

 

Vacina

A Campanha Nacional de Vacinação contra a poliomielite e o sarampo terminou na última sexta-feira (21), mas as vacinas continuam sendo disponibilizadas em salas de vacinação de Campos, para a faixa etária preconizada pelo Ministério da Saúde — de um ano até quatro anos, 11 meses e 29 dias. A população adulta também pode ser vacinada contra o sarampo, através da tríplice viral que faz parte do calendário básico de vacinação da faixa etária. As vacinas podem ser encontradas nas UBS, Centro de Referência da Criança e do Adolescente (CRTCA) I e II, além da sede da secretaria de Saúde.

 

Com a jornalista Suzy Monteiro

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Igor Franco — As eleições e o ocaso da moderação política

 

(Foto: Uriel Punk)

 

Conforme as últimas pesquisas eleitorais mostram, um cenário de segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad parece cada vez mais provável. A ascensão do petista sobre a montanha de votos do presidiário Lula foi fulminante, lançando o então segundo colocado e pretenso herdeiro dos eleitores órfãos, Ciro Gomes, para próximo da faixa de um dígito de intenções. Por outro lado, Bolsonaro mantém sua resiliência aos múltiplos ataques desferidos com mais força por Alckmin, mas também à antipatia severa da esmagadora maioria da imprensa e classe artística. O candidato pelo PSL chegou a subir acima da margem de erro segundo alguns levantamentos divulgados na semana passada, desidratando ainda mais o tucano. Num cenário dos sonhos para os dois líderes, mas de pesadelo para o grosso da classe política, diversas reações brotaram no debate público.

Numa tentativa de produzir consenso nas candidaturas verdadeiramente centristas (Alckmin, Marina, Dias e Meirelles), o ex-presidente FHC escreveu uma carta clamando por algum tipo de entendimento que resultasse numa união ao redor de um nome. Por óbvio, todos toparam, mas, claro, desde que o nome escolhido fosse o seu.

A iniciativa de FHC é apenas mais uma releitura errada do processo que está em curso na política brasileira há alguns anos: os eleitores não estão divididos entre duas visões antagônicas de mundo por falta de alternativa, mas, justamente, porque as alternativas apresentadas falharam miseravelmente em tomar posição enquanto a divisão era promovida a cada tema sensível para a política brasileira nos últimos 15 anos.

O PSDB do ex-presidente, por exemplo, passado cada processo eleitoral a partir de 2002, foi incapaz de estabelecer-se como uma oposição combativa no Congresso e muito menos programática quanto a uma alternativa ao projeto petista de poder e gestão do Estado. A patética cena de 2006 do próprio Geraldo Alckmin (ou “Alkmin”, como escreveria FHC) vestindo uma jaqueta estampada de logomarcas de estatais, a alcunha de “Zé Serra” para um candidato que tentava se passar por popular em 2010 e mesmo os votos tucanos a favor do caos nas contas públicas já na fase terminal da gestão Dilma conseguiram a proeza de desagradar sua base eleitoral e, claro, seus opositores. Não menos importante, a completa ausência do partido no debate sobre costumes que de quando em vez surge no noticiário explica em grande parte a ascensão de um Bolsonaro. Nesse aspecto, talvez os tucanos voem para refugiar-se no mesmo esconderijo onde Marina Silva se abriga a cada intervalo entre as eleições presidenciais.

Dada a total falta de perspectiva, Ciro Gomes chegou a ganhar uma capa na revista Época como uma possível terceira via. Às favas com o fato de o pedetista ter pedido a prisão de um jornalista que acabara de entrevista-lo no último fim de semana – não sem antes chama-lo de “filho da p…”. O xingamento preferido de Ciro ainda foi direcionado a Bolsonaro, que ainda mereceu a alcunha de “nazista”. O pedetista ainda teve tempo de se comparar a Churchill antes de disparar que os sulistas também seriam simpáticos às ideias de Hitler e que o uso de fuzis por jovens traficantes estaria relacionado a algum complexo quanto ao tamanho de seus órgãos sexuais.

Se a alternativa moderada a Bolsonaro e Haddad é Ciro, definitivamente, cada país tem o Churchill que merece.

 

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Artigo do domingo — A explosão triunfal dos idiotas

 

“Até o século XIX o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar uma cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os ‘melhores’ pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.”

Como a mordacidade, o antimarxismo era característica marcante de Nelson Rodrigues (1912/80). Que fica bem evidenciado no trecho acima, extraído da sua crônica “A revolução dos idiotas”. Mas por mais conservador que fosse o grande dramaturgo brasileiro do séc. XX, se ele estivesse vivo neste séc. XXI, quanto tempo levaria para constatar que seu vaticínio não é exclusividade de um espectro político?

Como jornalista, Nelson se tornou conhecedor íntimo do cotidiano carioca, sobretudo o suburbano. E, como dramaturgo, talvez sua grande virtude tenha sido identificar nessa realidade o mesmo elemento trágico com que os gregos antigos criaram o teatro. Ao levar essa realidade particular e universal aos palcos, chocou a hipocrisia do seu tempo em peças como “Vestido de noiva”, “O beijo no asfalto”, “Bonitinha, mas ordinária”, ou “Toda nudez será castigada”.

Apelidado de “anjo pornográfico”, como Nelson veria, por exemplo, a cruzada contra a arte e os artistas brasileiros, liderada pela neodireita histérica do MBL, a partir da exposição “Queermuseu” no Santander de Porto Alegre, entre agosto e setembro no ano passado? Ou ao recrudescimento do movimento, com a performance “La bête” no MAM de São Paulo, em novembro? Ou aos protestos diante do Sesc Pompéia, em dezembro, em que bonecas vestidas de bruxas e com a foto da filósofa estadunidense Judith Butler, militante das questões de gênero, foram queimadas numa simulação da Inquisição? A mesma que, na Idade Média, queimou milhares de mulheres de verdade e obrigou o astrônomo italiano Galileu Galilei (1564/1642) a negar que o Sol, não a Terra, era o centro do nosso sistema estelar.

Outro italiano, o filósofo e semiólogo Umberto Eco (1932/2016) escreveu um grande livro sobre a herança grega no Ocidente, a Idade Média e a Inquisição: “O nome da rosa”. Foi contemporâneo de Nelson Rodrigues, mas viveu mais e teve tempo para pegar as novidades recentes da tecnologia na disseminação da informação. Em junho de 2015, ao receber o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura da Universidade de Turim, Eco foi contundente: “As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”.

Na última semana, foi através das mídias sociais que legiões de imbecis brasileiros fizeram o país passar vergonha aos olhos do mundo. Primeiro, após a embaixada da Alemanha publicar um vídeo contra o extremismo de direita e lembrar a experiência daquele país com o nazismo (1933/45), a direita tupiniquim usou as redes sociais para tentar reescrever a história. Não só afirmando que o regime de Adolf Hitler (1889/1945) seria de “esquerda”, como tentando negar até o Holocausto, no qual 6 milhões de judeus foram assassinados em campos de extermínio. Depois, a revista britânica The Economist, bastião do liberalismo econômico, foi chamada de “esquerdista” por essa mesma direita ruminante, após a publicação de uma matéria de capa alertando ao perigo da eleição de Jair Bolsonaro (PSL).

Tentar ensinar história da Alemanha aos alemães, ou lecionar liberalismo econômico à Economist, são feitos talvez sem precedentes. Ridículo à parte, têm o valor prático do obeso que diz à balança ter uma opinião diferente sobre o seu peso.

Embora genial, Nelson estava errado. Não há monopólio ideológico na imbecilidade que Eco viu ecoada nas redes sociais. Ela está, por exemplo, na direita que não quer o lulopetismo de volta ao poder, mas vota em Bolsonaro, melhor adversário para Fernando Haddad (PT) no segundo turno. Como está na esquerda que prega #EleNão, mas vota em Haddad, melhor adversário para Bolsonaro no segundo turno.

De um jeito e do outro também, exala o cheiro da gasolina ateada à “explosão triunfal dos idiotas”.

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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Hamilton Garcia — Os candidatos e suas estratégias para superação da crise política

 

 

A 15 dias do primeiro turno, faço uma pequena pausa nas reflexões acerca dos desvãos da esquerda (“A evolução da esquerda” e seguintes), para discutir os projetos que se descortinam nas eleições presidenciais-congressuais que se aproximam visando superar o impasse aberto por um Congresso Nacional dominado por interesses corporativos que ameaçam a própria governabilidade do país.

A crise política que estamos vivenciando tem múltiplos aspectos e determinantes, mas nenhum deles associado ao protagonismo da extrema-direita ou dos militares — pelo menos até aqui. Na verdade, o fenômeno político do bolsonarismo-olavismo e a reemergência do militarismo, fazem parte dos corolários da crise, embora prometam, a partir de agora, ter um papel ativo no jogo armado pelo eleitor em 2019.

Tampouco a crise por vir deriva exclusivamente das características do presidenciável a ser ungido pelas urnas, como alguns analistas insistem em afirmar — geralmente por falta de empatia com algum candidato. Ela afetará a todos — não obstante assuma diferentes contornos e desdobramentos a depender do eleito — e isto por um motivo conhecido. O parlamento a ser eleito, de acordo com as normas conhecidas, num cenário político anômico (gestado nos 13 anos de desmandos do lulopetismo no poder), em presença de uma cultura política não reformada — pautada no favor —, tende a produzir o mesmo efeito político observado desde 2003: uma crescente autonomização do parlamento com base no protagonismo dos “300 picaretas”, no qual Lula se apoiou para surfar a onda chinesa das commodities e ressuscitar o mito do “pai dos pobres” — que o PT tanto penou, nos anos 1980-90, para sepultar.

A crise, da qual falo, não tem nada a ver com a refração natural de uma assembleia democrático-pluralista tendente a moderar as exacerbações plebiscitárias da eleição presidencial — como a literatura internacional prescreve nas democracias-liberais avançadas —, mas com um corpo de representantes desnaturados, baseados em partidos majoritariamente esvaziados de significado próprio, que substituem os laços orgânicos com a sociedade por laços mecânicos, por meio da corrupção ativa/passiva e do aparelhamento (debilitante) da máquina pública, tornando-se, assim, incapazes de representar e processar adequadamente as demandas eleitorais.

É sob tal superestrutura que a super-coligação de Alckmin não serve como antídoto para a crise de governança que vivemos, que tende a se desdobrar em ingovernabilidade em face do esgotamento do modelo parasitário (neopatrimonial) de governo. Ao contrário, a solução tucana — na difícil hipótese de chegar ao segundo turno — pode ser vista como mais propensa a agravar a crise dada, justamente, as características de sua coalizão eleitoral, cujos partidos, em sua grande maioria, se nutrem da manipulação irracional do gasto público.

Seu antípoda natural, Haddad — este com chances de chegar à próxima etapa —, atado à “Ideia”, se eleito, será prisioneiro dela sem a margem (desperdiçada) por Dilma, o que tende a colocá-lo no mesmo pântano de Alckmin, embora em termos bem menos orgânicos, dado que seu partido (PT) é de inserção ainda mais recente no sistema neopatrimonial de poder que o PSDB — o que eleva seu pedágio de aceitação, como se viu no Mensalão-Petrolão. Claro, ele poderá enfrentar o “golpismo” da sua “base aliada” com os poderes hipnóticos do Osho[i] petista, no ministério e na mobilização popular, mas, para tal, precisará da ajuda do STJ e do STF — o que pode não ser suficiente para evitar uma crise ainda mais grave.

A novidade em termos do enfrentamento do impasse anunciado está, na verdade, nos outros três candidatos competitivos, Bolsonaro, Ciro e Marina, que apresentam alternativas ainda não testadas para superar o escolho parlamentar do neopatrimonialismo.

Marina, em trajetória cadente mais uma vez, postula a construção de uma frente ampla de forças republicanas vocacionada para enfraquecer o poder do centrão, diminuindo os custos do governo e abrindo brechas para a autorreforma do Estado. Mas, seu ponto fraco foi a falta de protagonismo pré-eleitoral, desperdiçando as oportunidades abertas pelo cismo popular de 2013 para fincar os fundamentos de seu projeto frentista, deixando-se consumir na tarefa endógena de construção da Rede — aparentemente entendida por seu grupo como uma operação não-integrada à luta política geral.

Já Ciro, cerceado pelo mito que ajudou a cultivar, flerta com a ideia do novo bloco histórico dispondo-se a formar coalizões de classe (de caráter desenvolvimentista) articuladas a projetos políticos nacionais, mas, assim como Marina, não soube traduzir este propósito em ação efetiva pré-eleitoral no contexto acima apontado — o que também pode lhe custar caro na disputa pelo segundo turno.

Por fim, Bolsonaro, consolidado em primeiro lugar, exatamente por ter feito seu dever de casa pré-eleitoral, denunciando, desde 2003, a esquerda golpista (bolivariana), os devaneios identitários e a cumplicidade tucana, pretende enfrentar o centrão empunhando a espada de Dâmocles do intervencionismo militar. Ocorre, porém, que esta espada, pode ter dois gumes, como nos mostram os desencontros observados na própria campanha do capitão depois do atentado por ele sofrido: pode tanto servir para domesticar a bancada fisiológica do congresso, como para podar seu próprio poder em proveito dos generais do Alto Comando Militar. Das candidaturas competitivas, é a dele que apresenta o maior grau de imprevisibilidade — vide o efeito ilusivo de Paulo Guedes sobre o “mercado” —, não obstante ser também aquela que melhor proveito pode tirar do poder dissuasório dos militares, se conseguir apaziguar sua própria retaguarda.

Até que ponto e em qual momento a ingovernabilidade sistêmica, contratada pela ausência de reforma político-eleitoral, vai se apresentar ao candidato vitorioso, não é possível determinar, mas é certo que o fará em algum momento — Ciro fala numa janela de seis meses de sincronismo parlamentar com o presidente eleito —; naturalmente, a depender do grau de resistência que seu programa encontre na sociedade e no Estado.

O fato, contudo, é que o tempo político foi encurtado pela crise econômica e não há pela frente nada que se assemelhe à bolha econômica providencial do período Lula (2003-2008), muito pelo contrário, como nos mostra a disputa comercial entre EUA e China. Isto faz com que o próximo presidente tenha que jogar suas fichas no curto-prazo, como Ciro tem defendido, torcendo para que elas sejam capazes de neutralizar o poder de veto do parlamento para uma virada em direção a um novo patamar de desenvolvimento que sustente os gastos públicos racionais e os anseios de prosperidade da maioria da população pelo trabalho.

 

[i] Mestre indiano que, nos anos 1960, desenvolveu, nos EUA, uma técnica de relacionamento com a espiritualidade sem que fosse necessário negar os hábitos e vícios do mundo material, como o sexo livre e o dinheiro; vide <www.nexojornal.com.br/expresso/2018/03/30/Quem-foi-Osho.-E-por-que-est%C3%A3o-fazendo-uma-s%C3%A9rie-sobre-sua-vida> em16/09/18.

 

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Após Ibope e Datafolha, Ciro Gomes e Anthony Garotinho têm chance?

 

 

 

Ciro e Garotinho têm chance?

O segundo turno da eleição presidencial está definido entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Ou Ciro Gomes (PDT) ainda tem chance? O segundo turno da eleição a governador do Estado do Rio está definido entre Eduardo Paes (DEM) e Romário Faria (Podemos). Ou Anthony Garotinho (PRP) ainda tem chance? Se há certeza dos primeiros colocados nas duas corridas eleitorais, respectivamente Bolsonaro e Paes, o contraste entre as últimas pesquisas Ibope e Datafolha deixou dúvidas sobre a disputa do segundo lugar. Elas se deram menos nas diferenças dos números, do que das tendências.

 

Números a presidente

Comparadas as duas últimas Ibope a presidente, divulgadas nos dias 11 e 18, Bolsonaro e Haddad cresceram. O primeiro foi de 26% a 28%, enquanto o petista teve crescimento real de 8% a 19%, mais que dobrando as intenções de voto. Já Ciro tinha 11% e com 11% ficou. Comparadas as duas últimas Datafolha presidenciais, divulgadas nos dias 14 e 19, Bolsonaro e Haddad também cresceram. O primeiro igualmente foi de 26% a 28%, enquanto o petista teve crescimento real de 13% a 16%. Já Ciro tinha 13% e com 13% ficou.

 

Mesmas tendências

As tendências são as mesmas nos dois institutos: Bolsonaro cresceu dentro da margem de erro, e Haddad, além dela. Ciro, por sua vez, permaneceu estagnado. Como, então, o candidato do PDT pode ter saído do jogo na quarta e ter voltado a ele, na quinta? Simples: Haddad cresceu 11 pontos no Ibope, mas só três, no Datafolha. Outra diferença relevante está no recorte de tempo em que as pesquisas foram feitas. A última Ibope, entre os dias 16 e 18. A última Datafolha, de 18 a 19. É, portanto, a mais atual. Em outras palavras, Ciro ainda está no jogo, mas sai dele caso continue empacado, ou caia, e Haddad continue a crescer.

 

Números a governador

Da disputa pelo Palácio do Planalto ao Guanabara, a lógica é a mesma. Mas aponta incertezas maiores. Entre as duas últimas Ibope, divulgadas nos dias 10 e 19, Paes cresceu e Romário diminuiu. O primeiro foi de 23% a 24%, enquanto o segundo, de 20% a 18%. Terceiro, Garotinho manteve os mesmos 12%. Nas Datafolha divulgadas nos dias 6 e 20, a estagnação coube a Romário, que manteve os 14% e a segunda colocação. Apesar de líder, Paes caiu de 24% a 22%, enquanto Garotinho, ainda terceiro, foi o único a crescer: de 10% a 12%.

 

Tendências diferentes

As tendências foram diferentes entre os candidatos a governador. No Ibope, Paes oscilou para cima, Romário para baixo e Garotinho estagnou. No Datafolha, Paes oscilou para baixo, Garotinho para cima e Romário empacou. Tudo ficou dentro da margem de erro, que nas pesquisas a governador é de 3%, acima dos 2% nas consultas presidenciais. Líder nos dois institutos, Paes está em empate técnico com Romário no Ibope, mas isolado no Datafolha. Nas duas consultas, Romário está em empate técnico com Garotinho. Por mais contratempos que colecione a cada dia com a Justiça, o político de Campos ainda está no jogo.

 

Primeiro turno

A liderança de Bolsonaro na corrida presidencial é mais destacada que a de Paes, na disputa a governador. Entretanto, o ex-capitão do Exército tem em Haddad um segundo colocado em franca ascensão. Bem diferente do que o ex-prefeito do Rio enfrenta num Romário estagnado, ou em queda. Mas é nos terceiros que estão as maiores diferenças. Correndo por fora em suas respectivas provas, Ciro tem uma substancial vantagem sobre Garotinho. E não é nem nas intenções de voto.

 

Segundo turno

No Datafolha, Ciro teve apenas 22% de rejeição, contra 43% de Bolsonaro e 29% de Haddad. Por isso, o cearense venceu as simulações de segundo turno contra o capitão (45% a 39%) e o petista (42% a 31%). Já para governador, o Datafolha deu 41% de rejeição a Garotinho, bem mais do que os 34% de Paes, ou os 29% de Romário. Por isso, o campista seria massacrado num eventual segundo turno, independente do adversário: 25% a 43% contra Paes, e 26% a 39%, contra Romário. Lutando para ficar vivo no primeiro turno presidencial, Ciro é o mais forte no segundo. Nos dois turnos ao Palácio Guanabara, Garotinho tem o fogo e a frigideira.

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

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Paula Vigneron — Pelos cantos

 

Atafona, fim de tarde de 16/01/18 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

A fotografia era o único registro que havia sobrado. Antônia aparecia sorrindo. Um bom observador notaria diferenças entre aquele sorriso e o que estava em destaque na foto ao lado, que tinha mais de cinco anos. Vivacidade. Leveza. Tudo o que, nos tempos finais, havia deixado para trás. Cícero apegara-se à imagem como se fosse uma extensão de seu corpo. A ideia da última memória o perseguia desde que Antônia o deixara, sem aviso prévio e palavras sobre o futuro caminho. Apenas saíra, levando as malas e um retrato do marido e filhos. Ele acordou e, ao procurá-la pela casa, encontrou um bilhete próximo à cafeteira:

“Não sairia sem preparar o seu desjejum, arrumando a mesa de acordo com suas ininteligíveis vontades. Afinal, foi para isso que servi durante os vinte anos em que ficamos juntos. Pedidos e mais pedidos desmedidos. Mas você se esqueceu de olhar para o lado. E eu, Cícero?”

O recado o deixou confuso. Como ela é capaz de enxergá-lo de maneira tão insensível? Vivera intensamente o casamento, dando a ela mais do que podia.

“Coisas materiais, amigo, eu também posso dar à sua mulher. E a atenção que ela sempre busca? Alguém, um dia, pode oferecer a ela. E aí, meu irmão, você vai perder”, alertou-o Milton, companheiro de trabalho desde a juventude.

“Não. Eu dei tudo. Dei atenção, carinho e ouvidos quando ela precisava. Onde errei?”, questionou. O silêncio da manhã o incomodou. A esta hora, a casa começava a borbulhar com os passos de Antônia misturados ao som de sua voz vazia de frases interessantes.

“Mas essa era a minha rotina. A vida a que eu estava acostumado. E agora?”

Andou pela cozinha. Continuava a pensar na possibilidade de ela ter lhe pregado uma peça. Desde o começo do relacionamento, brincava de assustá-lo. Ele sabia que Antônia gostava, mas não conseguia se lembrar de um momento específico. Brincadeiras existiam, principalmente nos primeiros meses.

“Você se recorda da viagem à cachoeira? Eu escorreguei, e você quase morreu de rir. Quando viu que me machuquei, foi me socorrer, com remorso.”

“Não. Não consigo encontrar essas histórias na minha memória.”

Desde a partida de Antônia, cada dia deixado para trás levava mais um trejeito dela de sua mente. Cícero sabia que ela adorava cozinhar e escutar música, mas não ouvia mais os sons que ecoaram pela casa durante dias e noites; semanas, meses e anos. Apenas o movimento da boca estava registrado em sua retina. E uma boca que não tinha voz.

Ele correu ao quarto e tocou na foto. Precisava se certificar da existência de uma realidade em que a mulher ainda transitava. Confirmou sua suspeita e voltou à cozinha. Tomava apenas um café com leite e seguia para trabalhar. Mas, por ser sábado, não sabia bem o que fazer depois de acordar. A esta hora, ela estaria cozinhando com o pequeno aparelho de som sintonizado em uma estação de rádio qualquer, enquanto interpretava a composição da vez. Embora soubesse que o estilo musical favorito de sua esposa era MPB, não havia memorizado, em vinte anos, as canções de que ela mais gostava.

As mãos ágeis seguiam o ritmo dos instrumentos. Como eram seus dedos? Cícero correu, novamente, para olhar o retrato. O que desejava não havia sido registrado pela máquina. Acabara de perder, definitivamente, mais uma parte de Antônia. Buscava, em todos os recônditos da memória, os traços dela, mas eles desapareciam pouco a pouco. Desta vez, carregou a foto em seu bolso.

Seguiu em direção à sala. Ligou a televisão e parou em um canal desconhecido. Um casal vendia joias, contando os benefícios do uso de um produto de primeira linha.

“Quando puder, você me dá um assim?”, perguntou Antônia, em uma tarde de descanso.

Os dois estavam acompanhando a programação da emissora. Ele não respondeu. Ficou em silêncio, seguindo o rito de convívio em sua casa. Os filhos, adultos, viviam em outros bairros. Haviam dito à mãe que não suportavam o descaso.

“Descaso é a mente torta de vocês”, respondeu, tarde demais, Cícero. Assim como Antônia, eles não estavam ali para ouvi-lo. Teria sido mesmo um marido catastrófico como queriam fazê-lo acreditar? Não, não. Cultivava detalhes da história dos dois.

Por minutos, pegou-se tentando reviver o primeiro beijo. O pedido de namoro. A viagem ao Rio de Janeiro. O passeio pelas praias. O casamento. O nascimento do primeiro filho. Todas as imagens haviam se transformado em frases que construíam precariamente sua trajetória. Não conseguia ver o filme da vida sobre o qual todos falavam. Sua memória era um amontoado de palavras perdidas.

“Bobagem!”, e retornou à cozinha. Três meses se passaram desde que Antônia se despedira definitivamente dele. Cícero, no entanto, sabia que ela voltaria. “É só uma ridícula maneira de tentar chamar a minha atenção. Ela fazia isso sempre. Costumava ir ao salão para ficar bonita e atrair meu desejo”, comentou, sozinho, enquanto planejava o almoço do dia. Apertou o cabo de uma panela. A força equivalia à necessidade de se lembrar dela nos dias em que se arrumava. Como era? Como ficava? Qual era o cheiro, o gosto, o tato?

Fechou a geladeira, desistindo de comer àquela hora. Seu estômago estava embrulhado com as lembranças espaçadas. Nem as cenas de sexo passavam diante de seus olhos. Só os fatos eram narrados em sua cabeça por uma voz desconhecida. Seria a de Antônia? Sentou-se à mesa. Estiveram ali, quinze anos antes, para comprar a casa. O corretor de imóveis, um homem de cabelos brancos, ainda dividia o espaço com um Cícero agora envelhecido. Mas, ao lado dele, Antônia deixara de existir. Recorreu à fotografia. Não reconhecia mais o rosto da esposa; da mulher com quem dividira bons dias e noites; daquela que escolheu para construir uma vida.

Ainda com os dedos fechados sobre a foto, refez o percurso para o quarto. Ele estava impregnado dela. Em todos os cantos, havia um pertence esquecido. Brincos, anéis, papéis de cartas, que estiveram em orelhas, mãos e entre dedos hoje desfeitos. A quem pertenciam? Deitou-se. O coração apertado reforçava a ideia do retorno de Antônia. Mas quem era Antônia? Fechou os olhos, invocando pernas, peitos, quadris, rosto. Falas, frases. Tons. Cabelos. Pretos, brancos? Olhares, escolhas. Falhas, acertos. Pés, unhas, sorriso. Os dentes. Eram tortos? Alinhados? Eram?

Puxou o cobertor, ajeitou os travesseiros. Trechos de cenas desconexas passavam por sua cabeça. Posicionou-se. Respirou fundo para aquietar pensamentos e coração. Inspirava, expirava. Expirava, inspirava. Aprendera com alguma colega de trabalho que a técnica poderia ser essencial em momentos de tensão. O rosto dela, agora, dominava a sua mente. Seria dela ou de sua mulher? Virou de lado na cama. À sua frente, o espectro de Antônia o observava adormecer.

 

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Paes e Romário à frente no Ibope confirmam decadência de Garotinho

 

 

Novo Ibope a governador

A nova consulta Ibope de ontem, para governador do Estado do Rio, não trouxe muita variação para a anterior, divulgada nove dias antes. Líder em todas as pesquisas, Eduardo Paes (DEM) oscilou um ponto para cima e agora tem 24% das intenções de voto. No limite máximo da margem de erro, de três pontos para mais ou menos, ele está no empate técnico com Romário Faria (Podemos), que perdeu dois pontos e agora tem 18%. Novamente esticada a margem de erro, o ex-gênio do futebol também está no empate técnico com Anthony Garotinho (PRP), que manteve seus 12%.

 

Evolução das pesquisas

Na série de três pesquisas Ibope, divulgadas em 20 de agosto, 10 e 19 de setembro, Garotinho está empacado: não sai dos 12% de intenções de voto há quase um mês. É uma evolução bem diferente de Paes e Romário. O ex-prefeito do Rio saiu de 12%, foi para 23% e agora tem 24%. Por sua vez, o senador pulou de 14% a 20%, antes de registrar os 18% de ontem. O político de Campos só não está pior nas pesquisas porque nenhum dos candidatos abaixo teve crescimento real. Após repetir 5% nas duas primeiras Ibope, Tarcísio Motta (Psol) ontem registrou 4%. Já Indio da Costa saiu de 3%, antes de repetir 4% nas duas últimas.

 

Poucas mudanças

Atrás de Tarcísio e Indio, mas em empate técnico com ambos, estão Pedro Fernandes (PDT), Márcia Tiburi (PT) e Wilson Witzel (PSC), os três com 2%. Na margem de erro, estão todos embolados com os demais quatro candidatos: Marcelo Trindade (Novo), André Monteiro (PRTB), Dayse Oliveira (PSTU) e Luiz Eugenio (PCO) têm todos 1%. O que explica a pouca mudança nos números e posições, sobretudo nas duas últimas pesquisas Ibope, é foram os números de indecisos: em 10 de novembro, eram 20% os brancos e nulos, com 9% de não sabe ou não respondeu. Ontem, respectivamente, eles eram 20% e 8%.

 

Segundo turno

Pesquisa a pesquisa, Garotinho parece ainda mais longe do Palácio Guanabara do que ficou em 2014, quando assistiu ao segundo turno ser disputado por Luiz Fernando Pezão (MDB) e Marcelo Crivella (PRB). Mas, mesmo que tivesse alguma chance de avançar na disputa após as urnas de 7 de outubro, o campista não teria motivos para ficar animado. Nas simulações feitas ontem pelo Ibope, ele perderia de lavada o turno final tanto para Paes (24% a 41%), quanto Romário (25% a 38%). No provável confronto final entre os dois líderes das pesquisas, o ex-prefeito do Rio venceria o senador, mas no limite máximo da margem de erro: 37% a 31%.

 

O rejeitado

O motivo de Garotinho ter estagnado nas intenções de voto, mesmo distante da possibilidade de segundo turno, se deve ao que nele decreta sua derrota em todas as simulações: sua rejeição é de 48%. Em palavras, praticamente metade dos eleitores fluminenses não votaria nele de jeito nenhum. A rejeição de Paes é 31%, enquanto Romário tem apenas 22%. Não bastasse, ontem a vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reverter a liminar que suspendeu a inelegibilidade do político de Campos.

 

Condenações

Os motivos alegados pelo segundo homem da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) são três. Garotinho foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) pelo desvio de R$ 234 milhões da Saúde, durante o governo estadual de Rosinha. Ele também foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), como chefe de quadrilha armada em associação com a máfia dos caça-níqueis, também quando sua esposa era governadora. Por fim, o político da Lapa teve uma condenação transitada em julgado, por calúnia contra o juiz federal Marcelo Leonardo Tavares, a quem acusou publicamente de corrupção e prevaricação.

 

Decadência

Político marcado pela agudez do pensamento, desde que foi eleito prefeito de Campos a primeira vez, em 1988, Garotinho tem impressionado nos últimos anos pela desinteligência. Em 2014, chegou a liderar as pesquisas a governador, mas não foi nem ao segundo turno. Coincidência ou não, a partir desta derrota, o governo de Rosinha em Campos se converteu no desastre que possibilitou a vitória da oposição no primeiro turno da eleição municipal de 2016. Sem os cofres do município e após ser preso três vezes, forçou em 2018 uma nova candidatura ao Palácio Guanabara. E, aparentemente sem chances, pode acabar preso mais uma vez.

 

Publicado hoje (20) na Folha da Manhã

 

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