Cientista social, sociólogo, professor e vice-diretor da UFF-Campos, Rodrigo Monteiro é o convidado do Folha no Ar nesta quarta (28), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele falará sobre a inauguração do novo prédio da UFF-Campos com a presença (confira aqui) do presidente Lula (PT) em 14 de abril e das eleições internas da universidade, nos dias 16 e 17 de junho.
Como atual vice-diretor, Rodrigo também falará do recente episódio de pichação (confira aqui) do novo prédio público federal, com apologia (confira aqui e aqui) a homicídio e sexo não consentido, que geraram indignação dentro e fora da universidade, bem como das suas consequências práticas.
Por fim, com base nas pesquisas nacionais (confira aqui, aqui, aqui e aqui) e estaduais (confira aqui e aqui), o professor da UFF-Campos tentará projetar as eleições a presidente, governador, senador e deputados em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 1 ano e 4 meses.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Deputado estadual, Thiago Rangel (PMB) é o convidado do Folha no Ar desta terça (27), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará o o 1º mandato da filha Thamires Rangel (PMB) como vereadora (confira aqui) da Câmara de Campos, assim como o 2º governo Wladimir Garotinho (PP).
Thiago também analisará o protagonismo de Campos na política do RJ, com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), como pré-candidato (confira aqui e aqui) a governador, e Wladimir como possível candidato a vice-governador (confira aqui) em chapa encabeçada pelo prefeito carioca Eduardo Paes (PSD).
Por fim, com base nas pesquisas nacionais (confira aqui, aqui, aqui e aqui) e estaduais (confira aqui e aqui), o parlamentar tentará projetar as eleições a presidente, governador, senador e deputados em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 1 ano e 4 meses.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Janja visita a Cidade Proibida, complexo arquitetônico preservado da China Império, em Pequim (Foto: Divulgação)
Popularizada no início dos anos 2000, na telenovela global “O Clone”, talvez não haja melhor resumo da análise política do Brasil do que o bordão: “Cada mergulho é um flash”. Que foi imortalizada pela personagem Odete, interpretada pela saudosa atriz Mara Manzan.
Não há pesquisas novas para aferir, com critério estatístico, como os fatos desta semana influenciaram as eleições presidenciais de 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 1 ano e 4 meses. Mas dá para arriscar que ela não foi boa à pretensão de reeleição de Lula (PT).
Ontem (23), o Ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) recuou no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado no dia anterior (22). Mas o anúncio seguido de recuo, errático como as tarifas de Donald Trump dos EUA ao mundo, foi só a cereja do bolo.
A semana começou com a primeira-dama ignorando a sábia advertência: “quanto mais mexer, mais fede”. Quando, na segunda (19), Janja da Silva aproveitou evento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para promover um narcisista desagravo de si mesma.
— Não há protocolo que me faça calar se eu tiver uma oportunidade de falar (…) com qualquer pessoa que seja. Do maior grau ao menor grau. Do mais alto nível a qualquer cidadão comum — disse Janja, diante de um público tão cuidadosamente selecionado como claque quanto o que recebeu Lula na inauguração dos novos prédios da UFF em Campos, em 14 de abril.
— E foi para isso que ela (sua voz) foi usada na semana passada, quando eu me dirigi ao presidente (da China) Xi Jinping após a fala do meu marido sobre uma rede social (…) como mulher, não admito que alguém me dirija (a palavra) dizendo que eu tenho que ficar calada — arrematou a primeira-dama brasileira.
Mas o que Janja falou? Em que contexto? Quem revelou foi outra mulher, a jornalista Andréia Sadi. Que, com “lugar de fala” de mulher, noticiou no dia 13, em postagem intitulada “Janja cria constrangimento em encontro de Lula com Xi Jinping ao falar de TikTok”:
— A primeira-dama brasileira Janja protagonizou um climão no encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e a delegação brasileira ao pedir a palavra para falar dos efeitos nocivos da rede social chinesa TikTok — informou a jornalista. Que deu mais detalhes:
— Segundo relatos de integrantes da comitiva brasileira, Janja pediu a palavra para falar sobre como a plataforma representava um desafio em meio ao avanço da extrema direita no Brasil. Para ela, o algoritmo favorece a direita — divulgou Sadi.
O motivo, revelado antes pela jornalista, desmente a versão de Janja. Que, seis dias depois da reportagem, tentou justificar sua fala inapropriada na China para “defender a necessidade de responsabilizar plataformas digitais pela circulação de conteúdos nocivos a crianças e adolescentes”. Não para, de fato, tentar conter o algoritmo e a direita no Brasil.
Na verdade, revelou Sadi, ao ignorar o protocolo diplomático para dizer o que quis, Janja foi obrigada a ouvir o que não quis de Xi Jinping:
— Segundo relatos, ela ouviu do próprio presidente chinês que o Brasil tem legitimidade para regular e até banir, se quiser, a plataforma. Nas palavras de um ministro, ninguém entendeu “nem o tema nem o pedido” para falar em um encontro em que não havia falas previstas.
— Na avaliação de um integrante da comitiva, a situação foi constrangedora e se tornou ponto negativo de uma viagem com resultados positivos para o Brasil — seguiu em seu relato Andréia Sadi. Que arrematou com o incômodo no “lugar de fala” da primeira-dama chinesa:
— Além de Xi Jinping, a primeira-dama da China, Peng Liyuan, teria ficado irritada com o comportamento de Janja durante o encontro — completou a jornalista, seis dias antes do desagravo a si mesma da primeira-dama brasileira.
Embora polêmica, a regulação das redes sociais é, sim, uma necessidade civilizacional. Como acertar na forma. Que sempre estará equivocada quando em desrespeito ao protocolo das relações diplomáticas. Sobretudo com o nosso maior parceiro comercial, a China.
Espécie de Carluxo de Lula, Janja não teria que ficar calada em um evento diplomático porque é mulher. Mas porque, diferente do marido presidente da República, ela não foi eleita a nada. Tampouco para falar pelo Brasil. Quando o faz, torna ainda mais difícil a vida do governo. E insistir no erro, mentindo publicamente sobre o real motivo da fala, só ajuda a oposição.
Janja teve uma inegável virtude. Na tentativa de golpe de Estado no Brasil em 8 de janeiro de 2023, foi ela quem alertou a Lula que, se decretasse a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e passasse o poder às Forças Armadas, não o receberia de volta.
Mas, mesmo se reconhecendo isso, ela tem tanto direito (e lugar) de fala pelo Brasil quanto o médico Thalis Bolzan, marido do governador gaúcho Eduardo Leite (PSD), pelo Rio Grande do Sul. Ou o empresário Denis Thatcher pelo Reino Unido, nos 11 anos em que sua esposa, Margareth Thatcher, foi primeira-ministra da potência europeia.
A questão não é de gênero, na qual a atual primeira-dama do Brasil tentou se escudar em vitimização alheia à verdade, mas de noção do papel institucional. Não é nem que Janja não possa falar. É que, fora da sua diminuta bolha, talvez ninguém tenha interesse no que ela tem a dizer. Muito menos um líder do peso, não do gênero, de Xi Jinping.
Com 5.800 anos de civilização, 3.300 deles com História escrita, a China tem muitas coisas a ensinar ao Brasil. Inclusive, respeito ao protocolo entre nações. Mas não no controle das redes sociais. A não ser a quem pretenda tirar as aspas da “ditadura” pregada pela extrema direita.
Qualifica Impacto Comunidades tem previsão de inauguração em Campos, na avenida 7 de Setembro, no início de agosto (Imagem: Divulgação)
PT traz empreendedorismo a Campos
Como todas as pesquisas apontam, o empreendedorismo entrou de vez na cultura do brasileiro. Ciente disso e em busca de reeleição em 2026, o governo Lula 3 lançará em Campos o Qualifica Impacto Comunidades. Com inauguração prevista para agosto, levará capacitação, consultoria e apoio a empreendedores da cidade, sobretudo aos jovens e de baixa renda.
Com emenda de Lindbergh
Com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a partir de emenda do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) à Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Softex e execução da ONG Instituto Escola Criativa, terá sede no antigo imóvel da Criar Imóveis, na avenida 7 de setembro. O que visa também reocupar o Centro de Campos.
No Centro para comunidades
“Escolhemos estrategicamente o Centro para esse projeto de capacitação de jovens empreendedores, pela proximidade com comunidades como Tira Gosto, Lapa e Portelinha. E vai ajudar a dar vida àquela área, perto da CDL e outros empreendimentos”, explicou Gilberto Gomes, assessor parlamentar de Lindbergh e secretário de Comunicação do PT de Campos.
Como se inscrever?
“Se você tem um pequeno negócio em Campos e precisa aumentar suas vendas, melhorar sua presença digital e se capacitar para crescer, ou mesmo se ainda não empreende mas deseja empreender, o Qualifica Impacto Comunidades está com pré-inscrições abertas no link a seguir: https://forms.gle/Whe6x7KCqEAT9MHc9”. É o que convoca o projeto do PT na cidade.
Rodrigo Bacellar, Flávio Bolsonaro e Silas Malafaia (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Variáveis de Bacellar a governador
Desde 12 de março, na coluna (confira aqui) intitulada “As variáveis da equação de Rodrigo Bacellar a governador”, foram adiantadas as duas principais. A primeira era tirar Thiago Pampolha (PL) do cargo de vice-governador, para que o presidente da Alerj pudesse concorrer a governador em 2026 já sentado na cadeira. A segunda seria ele conseguir apoio do bolsonarismo.
Uma variável preenchida, falta outra
Como a Folha adiantou (confira aqui) em 9 de maio, para ser confirmada (confira aqui) 10 dias depois pela nomeação do vice-governador Thiago Pampolha (MDB) ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), é certo que Cláudio Castro (PL) renunciará para Rodrigo chegar a 2026 governador. Até 4 de abril, só falta definir quando. Com o bolsonarismo, porém, o caminho tem obstáculos.
Bolsonarismo do RJ não quer Bacellar? (I)
“O PL fluminense vive um novo racha. A decisão de lideranças como o senador Flávio Bolsonaro, o deputado federal Altineu Côrtes e Castro de apoiarem um nome que desagrada boa parte da bancada. Cacifado para suceder Castro, Bacellar enfrenta resistência de parlamentares do PL”. Foi o que revelou ontem (confira aqui), em O Globo, a jornalista Bela Megale.
Bolsonarismo do RJ não quer Bacellar? (II)
A jornalista de O Globo preservou o sigilo das suas fontes. Mas foi enfática: “Deputados federais alinhados a Jair Bolsonaro no Rio relataram à coluna que não farão campanha para que Bacellar seja eleito em 2026, caso ele se consolide como o nome da direita para disputar a eleição do governo contra Eduardo Paes (PSD)”. Este, líder em todas as pesquisas até aqui.
Malafaia não quer Bacellar (I)
Ainda na tarde de ontem, Megale deu (confira aqui) nome aos bois — do bolsonarismo que não querem Bacellar: “Um dos principais cabos eleitorais da direita, o pastor Silas Malafaia, disse que não assumirá compromisso junto a Bacellar se ele for o escolhido para concorrer contra Paes em 2026”.
Malafaia não quer Bacellar (II)
“Eu apoio o (ex-prefeito de Duque de Caxias e atual secretário estadual de Transportes) Washington Reis (MDB, hoje, inelegível no STF). Não tenho compromisso com outro. Apoio para Senado o Flávio e o governador Cláudio Castro, mas não vou entrar em outra canoa. Se não for o Washington Reis, não contem comigo”, pregou Malafaia no púlpito de O Globo.
A obstinação do político de Campos
As pesquisas relevam que o bolsonarismo, entre os fluminenses, é ainda mais popular que o lulopetismo do que já foi nas urnas do 2º turno presidencial de 2022. Com Pampolha, Bacellar gabaritou o dever de casa na articulação política. Mas, na parte eleitoral, precisará do bolsonarismo. Pelo que já fez até aqui, não é sábio apostar que não possa conseguir. A ver.
Thiago Pampolha, Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro (Foto: Facebook de Rodrigo Bacellar)
Como a Folha antecipou, Pampolha sai para Bacellar
“Pampolha mais perto da renúncia e Bacellar de vir a governador no cargo”. Foi o título da matéria (confira aqui) do blog Opiniões, no dia 9. Que explicou: “Thiago Pampolha (MDB) deve renunciar ao cargo de vice-governador. Para o governador Cláudio Castro (PL) renunciar e concorrer a senador em 2026. Quando Rodrigo Bacellar (União) deve vir a governador já no cargo”.
Acordo detalhado 10 dias antes
“Além da nomeação a conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), em 19 de maio, Pampolha receberia também a Cedae”. Foram os termos do acordo revelados pela Folha no dia 9. Que, no dia indicado da segunda-feira de 19 de maio, foi confirmada (confira aqui) 10 dias depois de ser aqui antecipada, com a nomeação de Pampolha ao TCE.
Wladimir: “Rodrigo, eu não vou te apoiar”
Além da confirmação de Pampolha no TCE, a segunda também foi marcada por uma declaração do prefeito Wladimir Garotinho (PP). Que disse sobre a possibilidade de apoiar o presidente da Alerj a governador: “Rodrigo, eu não vou te apoiar. Não adianta você me pedir, pressionar, porque não vou te apoiar. Pronto, se alguém tinha dúvida, já está dito”.
Provocação e recibo pago
Feita na inauguração das obras do Bairro Legal no Jardim das Acácias, no Parque Guarus, a declaração de Wladimir teve contexto. Misturados a populares, três cabos eleitorais do vereador Marquinho Bacellar (União), irmão de Rodrigo, teriam provocado o prefeito. Que teria identificado a origem das provocações. E pagou recibo.
Bruno Dauaire tenta apaziguar
Secretário de Habitação de Castro e deputado estadual licenciado, Bruno Dauaire (União), dedicou o dia de ontem a tentar botar panos quentes na situação. Aliado de Wladimir, mas também de Rodrigo, ele foi se encontrar com este na Alerj. Para passar o contexto da isca que teria sido jogada e mordida no Jardim das Acácias.
Cupido com taxa de insalubridade
Em entrevista ao Folha no Ar de 28 de março, Bruno se assumiu como casamenteiro político (confira aqui) entre Wladimir e Rodrigo para 2026. Mas admitiu, aos ouvintes da Folha FM, a dificuldade na tarefa: “Meu papel de cupido, que foi sempre equilibrar essas duas pessoas (Wladimir e Rodrigo), cada qual com as suas características peculiares”.
RJ represa Saúde de Campos?
Já na última sexta (16), foi a vez de Wladimir dizer (confira aqui) em entrevista ao Folha no Ar: “Ano passado, a expectativa de receita do Fundo de saúde do Estado a Campos era R$ 150 milhões. Sabe quanto foi pago? 27 milhões. E só foi pago porque eu tive que ir à Justiça. Este ano, até agora, não veio um centavo do Fundo Estadual de Saúde para Campos”.
Mídia carioca três dias depois da Folha
Três dias depois, ao noticiar a declaração de Wladimir na segunda, a jornalista carioca Berenice Seara (confira aqui) reproduziu: “O prefeito reclama da falta de repasses do estado ao município. Diz que a média era de R$ 150 milhões por ano à Saúde de Campos. Mas que no ano passado recebeu só R$ 27 milhões, e porque judicializou. Este ano, até agora, nada”.
“Especialista em derrotar Bacellar”
Antes do Jardim das Acácias na segunda, Wladimir também aproveitou o Folha no Ar da sexta anterior para alfinetar Rodrigo. Quando disse, falando de si como possível candidato a governador, ou a vice-governador numa chapa encabeçada pelo prefeito carioca Eduardo Paes (PSD): “Rapaz, você é especialista em derrotar Bacellar, você tem que ser candidato”.
Em 2020, 2022 e 2024
“Eu venci dele (Bacellar) em 2020, quando ele lançou Bruno Calil (a prefeito). Eu venci em 2022, ele candidato (a deputado estadual) contra Bruno Dauaire (União), que ganhou dele (em Campos). E ele, agora (em 2024), lançou (a prefeita) a Madeleine (União) e eu também ganhei”, disse Wladimir na sexta, no microfone da Folha FM 98,3.
Garotinho indica Bacellar com Bolsonaro
Já na segunda, após ser confirmada a indicação de Pampolha ao TCE que a Folha antecipou, quem acionou sua metralhadora giratória foi (confira aqui) o ex-governador Anthony Garotinho, pai de Wladimir. Ele criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL). E indicou que, além de concorrer a governador no cargo, Rodrigo pode ter, como busca, o apoio do clã do ex-presidente em 2026.
Coerência política?
“Sinceramente não sei onde Flávio Bolsonaro quer levar seu pai. O grupo político se formando no Rio é o que há de pior na política do estado. Quem vai acreditar em honestidade, amor pátria, em família, com Bacellar candidato a governador e Castro a senador?”, questionou Garotinho. Que começou na política no antigo Partido Comunista do Brasil (PCB), no PT e PDT.
Castro sai em outubro, abril ou janeiro?
Enquanto Garotinho atira, o jornalista Lauro Jardim, ontem (20), em O Globo, tratava (confira aqui) de quando Bacellar assumirá como governador: já em outubro deste ano, como ele quer; no prazo legal de abril de 2026, como quer Castro; ou o meio-termo de janeiro do próximo ano? Não é sábio duvidar que o obstinado político de Campos conseguirá mais uma vez o que quer.
Pezão 2014, Castro 2022 e Bacellar 2026?
Wladimir está certo. As três últimas eleições mostraram que ele é mais popular em Campos do que Rodrigo. Como Eduardo Paes é na cidade do Rio de Janeiro. Mas, lembrado o caso de Luiz Fernando Pezão (MDB) em 2014 ou o do próprio Castro em 2022, eleitos governadores por concorrerem já sentados na cadeira, Bacellar entra com força no jogo para 2026.
Este blog tem um grupo de WhatsApp, que divide com o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3. Que, embora dê algum trabalho, é considerado entre os mais conceituados de Campos.
Hoje, nele, me pediram opinião sobre os playoffs da NBA, Sinai sincretista do basquete. Que, sem obrigação com confirmação, republico aqui:
Na noite de ontem, assisti ao Knicks e Celtics até quase o fim do último quarto, mas sucumbi minutos antes ao sono de uma sexta sempre longa de trabalho. Campeão de 2024 com integral merecimento, o Boston perdeu suas duas melhores armas na série com o New York: a bola de 3 pontos, que pouco caiu, e Jayson Tatum, em infeliz e grave contusão.
Por outro lado, os Knicks tem um big three que vem atuando bem no pega-pra-capar dos playoffs. Mas, pessoalmente, como disse há poucos dias ao meu irmão, torcedor do New York desde os tempos do jamaicano/estadunidense Patrick Ewing, considero Jalen Brunson um jogador técnico, mas vagalume, que acende e apaga. Como o alemão Mesut Özil ou os brasileiros Djair e Paulo Henrique Ganso no futebol.
Lógico que Brunson pode continuar sendo decisivo e calar a minha boca. E, se for o caso, abaixarei a cabeça e aplaudirei. Ademais, seja por meu irmão e a torcida fanática do New York, que farão a primeira final da Conferência Leste em um quarto de século, a festa é linda de se ver. Mas não creio que terão vida fácil contra o Indiana Pacers de Tyrese Haliburton. Que, pela juventude e fisicalidade, me parece um Oklahoma City Thunder do Leste.
Quem quer que passe do Leste, creio, terá como favorito na finalíssima o campeão da Conferência mais forte do Oeste. Quem vencer o sétimo e último jogo da única semifinal ainda em aberto, entre o OKC e o Denver Nuggets, será, na minha irrelevante opinião, o favorito a campeão da NBA. Ainda que, quem quer que seja, também não terá vida fácil na final do Oeste, diante do Minnesota Timberwolves do jovem craque Anthony Edwards.
Isso posto, creio que o Denver tem um quinteto já campeão em 2023 e mais experiente, enquanto o OKC tem melhor rotação de banco. Postas as questões da coletividade, que sempre pesarão mais no basquete, há ainda o detalhe individual: o sérvio Nikola Jokić, do Denver; o canadense Shai Gilgeous-Alexander, do OKC; e Edwards são, a meu ver, jogadores superiores aos excelentes Brunson e Haliburton.
Shai e Edwards ao estilo, nunca no nível, de Michael Jordan. Enquanto Jokić me lembra muito o lituano Arvydas Sabonis e a “great white hope” estadunidense da NBA dos anos 1980, Larry Bird. A ver.
Alunos apagam hoje as pichações, inclusive com apologia ao assassinato, feitas na quinta no novo prédio da UFF-Campos (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)
Com Gabriel Torres
As paredes do novo prédio da Universidade Federal Fluminense (UFF) começaram a ser limpas por alunos na manhã deste sábado (17). O campus recebeu várias pichações na noite de quinta (15), inclusive com apologia ao assassinato, como “Morte aos transfóbicos” e “Fogo nos racistas”, que geraram indignação dentro e fora da universidade.
Segundo os alunos, eles estariam limpando as pichações voluntariamente. Mas, como a coluna Ponto Final e o blog Opiniões anteciparam (confira aqui) a ação teria sido definida em uma reunião ontem (16), entre os estudantes do Movimento para uma Universidade Popular (MUP), que assumiram (confira aqui) a pichação nas redes sociais, e a direção da UFF-Campos, pressionada pela péssima repercussão do caso.
— Uma reunião entre os pichadores e a diretoria da UFF-Campos teria ocorrido ontem. Quando os primeiros teriam admitido o erro e se comprometido a apagar a pichação que promoveram no novo prédio público. É até louvável. Mas não basta. Como não poderia bastar aos bolsonaristas que vandalizaram prédios públicos em Brasília no 8 de janeiro de 2023 — revelou a coluna de opinião da Folha da Manhã.
Versão dos alunos apagando pichações
Hoje, a aluna Nicky Nara contou que estava presente na oficina de picho realizada na noite de quinta (15). Segundo ela, alguns alunos escreveram frases que não condizem com o objetivo da atividade:
— Quando a oficina acabou, a gente perdeu esse controle de recolher os canetões. E aí teve pessoas que não participaram da oficina em si e foram para o outro lado. Estavam já brincando, tinham ido para o lado de fora, e escreveram algumas coisas que não condizem com a oficina.
Jessyka Portella, graduanda em serviço social, defendeu o picho como forma de expressão dos alunos. Mas reconheceu que algumas pessoas extrapolaram o objetivo da atividade:
— Essa intervenção que a gente fez foi pensando no melhor, mas teve pessoas que saíram um pouco do tom. Acho que é por isso que a gente está fazendo essa limpa hoje, pensando no bem da comunidade também. E que a gente continue fazendo outras intervenções e que tenham outros olhares pela visão da sociedade.
Ego, também aluno do curso de serviço social, destacou que o espaço da universidade é democrático e por isso tomaram a iniciativa de limpar as paredes:
— Eu acho que teve, sim, gente que acabou extrapolando. Mas, infelizmente ou felizmente, o espaço é totalmente democrático. E hoje, exatamente pelo espaço ser democrático, as pessoas também se uniram para estar limpando aqui, para poder fazer valer isso.
Versões da direção, de ex-diretor e de professor da UFF-Campos
Em nota divulgada ontem, a direção da UFF Campos afirmou (confira aqui) que não compactua com as pichações realizadas e que está tomando “as medidas administrativas cabíveis diante do ocorrido”.
Ex-diretor da UFF-Campos, o professor Roberto Rosendo também havia se posicionado ontem à reportagem da Folha da Manhã, horas antes da publicação da nota da atual diretoria da universidade em Campos:
— Certamente, não foi com a permissão da UFF. Esperamos que a direção apure os fatos e, dentro das regras instituídas, responsabilize os que cometeram estes atos deploráveis.
Também ontem, em comentário à publicação da nota da UFF-Campos, um de seus professores, George Gomes Coutinho se manifestou. E revelou dificuldades para ministrar aulas no novo prédio da universidade:
— É dever de nossa comunidade, de todos os segmentos, cuidar do patrimônio público construído com recursos derivados do trabalho de nossa população tão sofrida. Devemos cuidar da UFF em nosso nome e em nome das futuras gerações. Eu mesmo precisei ontem, exercendo meu ofício, pedir para que o volume de caixas de som na tenda fosse regulado para que eu pudesse exercer meu trabalho pelo qual sou pago: dar aulas. Enfim, que se abra, a partir desse lamentável episódio, um caminho de aprendizado institucional…
Análise do Centro Acadêmico de Economia da UFF-Campos
Também ontem, o Centro Acadêmico de Economia e da Atlética de Economia da UFF-Campos se posicionou nas redes sociais (confira aqui) sobre a forma como foi conduzida a oficina de pixo. Confira abaixo o vídeo e sua transcrição:
“Reconhecemos a pichação como uma forma legítima de manifestação política e artística, historicamente ligada à resistência. No entanto, entendemos que, para que essa forma de expressão contribua com o fortalecimento das lutas sociais, ela precisa ser realizada de maneira responsável, coletiva e respeitosa com o espaço e a comunidade universitária.
Nível explicitado nas pichações do novo prédio da UFF-Campos fala por si (Foto: Divulgação)
A oficina em questão foi conduzida de maneira antidemocrática, sem a devida consulta ou aprovação em assembleia estudantil, o que contraria os princípios de representatividade e diálogo que devem nortear o movimento estudantil. Além disso, conteúdos de cunho obsceno foram confundidos com manifestações políticas, o que, na prática, descredibiliza o movimento estudantil da UFF-Campos e reforça estereótipos negativos que a comunidade externa já possui em relação à nossa universidade.
A oficina foi realizada sem a devida comunicação à direção do polo, evidenciando ainda mais sua desorganização e falta de responsabilidade com o patrimônio da Universidade Federal Fluminense.
A parede da universidade não é lugar para comparações de partes íntimas, nem para ‘votações’ sobre preferências sexuais ou mensagens que incitem o ódio. Isso desvia o foco das pautas reais e urgentes que afetam o dia a dia dos estudantes.
Precisamos, para além de defender as cotas, lutar ativamente pela permanência estudantil: por moradia digna, alimentação adequada e o aumento da frota do BusUFF, que, pela manhã, frequentemente chega atrasado, prejudicando estudantes e professores.
Reforçamos a importância de atos organizados, e com o apoio da direção, com participação efetiva dos estudantes, que fortaleçam, e não fragilizam, o movimento estudantil”.
“Morte aos transfóbicos” e “Fogo nos racistas”, entre outras pichações promovidas na UFF-Campos, causaram indignação na sociedade que lutou pelo novo prédio público federal e exige responsabilização (Fotos: Rodrigo Silveira/montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Morte pichada na UFF-Campos
“Morte aos transfóbicos” e “Fogo nos racistas” foram algumas das frases pichadas (confira aqui) no novo prédio da UFF em Campos, na quinta (15), em meio a várias outras pichações. A não ser a quem prega pena de morte a acusados de preconceito, com o requinte da crueldade da fogueira da Inquisição, o dano ao patrimônio público causou indignação.
Autoria assumida
Nas redes sociais, o Movimento para uma Universidade Popular (MUP) em Campos creditou (confira aqui) o resultado a uma “Oficina de Pixo” na quinta (15): “A atividade teve como intuito apresentar o pixo enquanto fenômeno estético/artístico (…) uma manifestação artística de origem popular e periférica que ao mesmo tempo é demonizada”.
Tipificado no Código Penal
Ou seja, em nome de uma manifestação “demonizada”, não só se demonizou, mas se pregou a morte de qualquer um que seja considerado transfóbico ou racista. Preconceitos que, de fato, existem e devem ser combatidos. Como a depredação de patrimônio público e a apologia ao assassinato, tipificadas, respectivamente, nos Arts. 163 e 287 do Código Penal Brasileiro.
Ex-diretor cobra responsabilização
Ex-diretor da UFF-Campos, o professor Roberto Rosendo foi o primeiro a se posicionar pela universidade. Ele disse à reportagem da Folha: “Certamente não foi com a permissão da UFF. Esperamos que a direção apure os fatos e, dentro das regras instituídas, responsabilize os que cometeram estes atos deploráveis”.
Após Rosendo, nota da UFF-Campos
Após Rosendo, a direção da UFF-Campos também se manifestou (confira aqui) em nota: “Na noite do dia 15, foi realizado, nas dependências do novo campus da UFF Campos, um evento intitulado ‘Oficina de Pixo’, promovido por um grupo de estudantes sem o conhecimento ou a autorização da direção”.
“Perplexidade e indignação”
“Parte dos participantes realizou pichações em diversas áreas do campus, causando perplexidade e indignação em nossa comunidade. A direção não compactua com tais práticas e reforça que o espaço público universitário é fruto de intensas lutas coletivas e do investimento da sociedade, devendo ser preservado por todos”, seguiu a nota da UFF-Campos.
“Medidas administrativas cabíveis”
Por fim, a nota da direção da UFF-Campos garantiu que tomará “as medidas administrativas cabíveis diante do ocorrido e reiteramos nosso compromisso com o diálogo, a liberdade de expressão e a convivência democrática. Contudo, tais princípios não podem ser confundidos com ações que atentem contra o patrimônio público e o bem comum”.
Constatações óbvias
À nota da UFF-Campos, algumas constatações óbvias. Como um ato de pichação pode ocorrer na universidade “sem conhecimento ou autorização da direção”? E, sim, “o espaço público universitário é fruto de intensas lutas coletivas e do investimento da sociedade”. Não é o quintal da casa de Torquemadas identitários e apologistas de homicídio.
Sindicância e encaminhamento à PF
Por fim, até para que não ocorra de novo, urge que sejam realmente tomadas “as medidas administrativas cabíveis”. Com sindicância interna, apuração de responsabilidades e encaminhamento para abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e eventual oferta de denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF), já que o bem público depredado é federal.
Para “mulher negra da periferia” limpar
Há ainda o fato de que a indignação não se restringiu à comunidade acadêmica da UFF-Campos. Sociólogo e professor da Uenf, Roberto Dutra observou sobre o caso: “Os ‘revolucionários’ fazem o vandalismo e depois a ‘mulher negra da periferia’, com quem dizem se importar, é quem vai limpar a sujeira”.
Cumplicidade ou providências?
Dutra foi além na cobrança de responsabilidades: “A Uenf é considerada ‘conservadora’ por muitos destes vândalos. O pior é que os gestores, cedendo a pressões desses ‘artistas’, costumam ser cúmplices. Eu tinha esperança que o novo prédio pudesse civilizar esse pessoal. Duvido muito que a atual direção tome providências. Quero estar errado”.
De oprimidos a opressores
“Os extremos nunca são lugares para se exercer a cidadania. Roberto Dutra está correto: a consequência é alguém limpando isso. Não educou ninguém, só deu mais trabalho e atendeu ao anseio de quem fez. Recordando Paulo Freire: ‘Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor’”, lembrou Henrique da Hora, professor do IFF.
“Omissão inadmissível”
“A responsabilidade maior é da instituição, que deve explicações sobre a preservação do próprio patrimônio. Jovens são jovens. Esperar autocontenção de pessoas nessa idade não é prudente. A instituição não ter mecanismos para monitorar ou coibir esse tipo de prática é uma omissão inadmissível”, cobrou Igor Franco, professor do Uniflu.
Política interna
Bastidores da UFF-Campos dão conta de que a depredação do prédio foi também motivada por política interna. A atual diretora, professora Ana Costa, não se candidatará este ano à reeleição ao cargo. Que tem como único candidato o professor Cláudio Reis. Ele seria considerado “conservador” pela extrema esquerda, que teria feito a pichação em protesto.
Por que não basta apagar?
Uma reunião entre os pichadores e a diretoria da UFF-Campos teria ocorrido ontem. Quando os primeiros teriam admitido o erro e se comprometido a apagar a pichação que promoveram no novo prédio público. É até louvável. Mas não basta. Como não poderia bastar aos bolsonaristas que vandalizaram prédios públicos em Brasília no 8 de janeiro de 2023.
Quando a estupidez bate recorde
Na bipolaridade política que idiotiza o país, os pichadores bateram um recorde. Conseguiram ser ainda mais estúpidos que os manifestantes de extrema direita que protestaram contra Lula, quando este veio a Campos em 14 de abril (confira aqui) para inaugurar o prédio da UFF. Que foi fruto de uma luta de 18 anos do conjunto da sociedade goitacá, não de meia dúzia de aloprados.
Prefeito reeleito de Campos, Wladimir Garotinho (PP) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (16), ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele fará um balanço do que considera os principais acertos e erros dos 4 anos e 4 meses da sua administração em Campos. Como falará mais especificamente das questões da Saúde (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), Transporte (confira aqui, aqui, aqui e aqui) e da queda de arrecadação dos royalties do petróleo (confira aqui) por problemas com plataformas e no mercado internacional.
Por fim, Wladimir analisará o cenário das eleição de 4 de outubro de 2026, a presidente (confira aqui, aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui e aqui), senador e deputados. E do seu caminho nela, na qual deve entregar a Prefeitura até 4 de abril ao seu vice, Frederico Paes (MDB), para ser (confira aqui, aqui, aqui e aqui) candidato a vice-governador ou deputado federal, em apoio a Eduardo Paes (PSD) ou Rodrigo Bacellar (União).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Delegado de Polícia Civil titular da 123ª DP de Macaé e natural de Campos, Pedro Emílio Braga é o convidado do Folha no Ar desta quinta (15), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele falará da redução da criminalidade e do aumento da produtividade investigativa da 123ª DP (confira aqui) sob sua gestão. E também analisará as características do crime e da própria perspectiva de cidade entre Campos e Macaé.
Por fim, o delegado também comentará o fato da Segurança Pública ser apontada como o principal problema do brasileiro em quase todas as pesquisas presidenciais às eleições de 2026.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
José Alberto “Pepe” Mujica (Foto: Pablo Porciuncula/AFP)
Mujica: “Maduro é ditador”
“Na Venezuela existe um governo autoritário e você pode chamá-lo (Nicolás Maduro) de ditador, chame-o do que quiser”. A frase não é de ninguém da direita. Mas de José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai e, talvez, a liderança de esquerda mais admirada entre as que chegaram ao poder na América do Sul dos anos 2000. Que morreu ontem (13) de câncer, aos 89 anos.
Pós-Muro de Berlim
Pela idade, como pelo passado de ex-guerrilheiro do grupo marxista-leninista Tupamaros, antes e durante a ditadura civil-militar no Uruguai (1973/1985), quando chegou a levar seis tiros e ser preso por 14 anos, Mujica poderia ser considerado um velho radical de esquerda. Mas, no lugar de enviuvar com a queda do Muro de Berlim em 1989, se reciclou a partir dela.
Primeiras eleições
Liberto em 1985, Mujica se elegeu deputado em 1994, senador em 1999 e, pela formação campesina da sua família, foi ministro da Agricultura do governo Tabaré Vásquez. Que foi o primeiro presidente de esquerda do Uruguai. Como o primeiro a romper com o rodízio entre os partidos Colorado e Nacional (ou Blanco), que se revezavam no poder desde o séc. 19.
Esquerda sem tabus no poder
Mujica se candidatou a presidente do Uruguai em 2009, elegendo-se no 2º turno pela Frente Ampla, coalizão entre a centro-esquerda e esquerda. Seu governo priorizou os temas educação, energia, meio ambiente e segurança. Este, tabu para a esquerda pré-Muro de Berlim de boa parte da América do Sul, inclusive no Brasil.
Maconha, aborto e matrimônio homoafetivo
Na pauta de costumes, Mujica legalizou a maconha, o aborto, o matrimônio igualitário a casais homoafetivos e a adoção de crianças por eles. E teve importantes conquistas na economia, que reforçaram as de seu antecessor de esquerda: o desemprego caiu de 13% para 7% e a taxa de pobreza nacional, de 40% para 11%; enquanto o salário-mínimo do país cresceu 250%.
Cabo eleitoral de presidentes
Mujica deixou o poder em 2015, ajudou Tabaré a se eleger outra vez presidente e se elegeu mais duas vezes senador. Em 2024, descobriu o câncer no esôfago. O que não o impediu de ser naquele ano o grande cabo eleitoral de Yamandú Orsi, atual presidente do Uruguai. Que, após o governo Luis Alberto Lacalle Pou, de direita, levou a esquerda novamente ao poder no país.
Exemplo de vida
Famoso por guiar um Fusca azul mesmo quando era presidente, Mujica recebia pelo cargo 230 mil pesos mensais. Dos quais doava 70% à Frente Ampla e à construção de moradias. Ele mesmo morava numa chácara em Rincón del Cerro, zona rural de Montevidéu, onde cultivava flores e hortaliças. E se mantinha com o restante do seu salário.
Mais Boric que Lula
Comparado a Lula, Mujica mostrou menos personalismo e ambição por poder. Contentou-se em se eleger presidente uma única vez. E em ajudar a eleger ao cargo dois sucessores de esquerda. Contemporâneo do petista 10 anos mais novo, a intransigência democrática de Mujica o aproxima mais do presidente do Chile, Gabriel Boric, 50 anos mais jovem.
Irmão mais novo do Brasil
Por ter feito sido província do Reino de Portugal e depois do Brasil Império, entre 1817 e 1828, o Uruguai não deixa de ser um pequeno enclave brasileiro, que fala castelhano, na Bacia do rio da Prata. “O Brasil é nosso irmão mais velho”, dizia Mujica. De um irmão mais novo que deu certo, com um dos maiores PIBs per capita e índices de qualidade de vida da América do Sul.
Pequeno país, grande homem
“Quando você compra algo, não compra com dinheiro. Compra com o tempo de vida que teve que gastar para ter esse dinheiro. Mas com uma diferença: a única coisa que não se pode comprar é a vida. A vida se gasta”, vaticinou Mujica. Ainda que muita gente de esquerda, direita ou centro possa achar um sonho, o Uruguai produziu um grande homem que o viveu.