Felipe Fernandes — “Pânico 7” entre a metalinguagem e a paródia

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

“Pânico 7” entre a metalinguagem e a paródia

Por Felipe Fernandes

 

Lançado em 1996, “Pânico” foi um filme responsável por revitalizar o gênero slasher, apresentando um longa violento, repleto de metalinguagem e com um certo humor sombrio, que brinca com as convenções do gênero, estabelecendo o Ghostface como uma das figuras mais conhecidas do cinema de terror do final do século XX. O filme gerou uma trilogia e, posteriormente, ganhou outras continuações, buscando renovação por meio da construção de uma nova geração de personagens e fãs.

A produção do novo longa passou por polêmicas após a demissão da nova protagonista Melissa Barrera, devido ao seu posicionamento em defesa da Palestina. Essa demissão foi seguida pela saída de outra estrela, Jenna Ortega, em apoio à amiga. Toda essa confusão mudou o planejamento, e o criador da franquia, Kevin Williamson (que aqui assume a direção pela primeira vez) decidiu retornar ao núcleo antigo para tentar dar prosseguimento à franquia. Eis que chega aos cinemas o sétimo filme, que traz o retorno da final girl principal, Sidney Prescott, como protagonista, precisando proteger sua família e, principalmente, sua filha adolescente.

A franquia Pânico sempre trouxe a metalinguagem como um de seus elementos mais interessantes. Além das menções aos clássicos e às convenções do gênero, desde o segundo filme a história do assassino mascarado passou a ser reverenciada dentro do próprio universo ficcional, tornando-se uma franquia de sucesso. A cena de abertura do novo filme mostra um casal visitando a casa onde ocorre o clímax do filme de 1996 (ou uma reprodução dela), que se tornou um “templo” para os fãs, permitindo que eles revisitem o local do crime e sintam um pouco dos acontecimentos.

Como era de se esperar, tudo desanda, o casal é assassinado, a casa pega fogo e o novo assassino demonstra não ter apreço pelo legado dos anteriores. As regras antigas não valem mais. Uma promessa que nunca é realizada de fato.

O filme foca bastante na nostalgia, resgatando assassinos dos longas anteriores e trazendo novas tecnologias para a trama, mas nada disso causa impacto relevante na narrativa. O peso dramático recai sobre Sidney, que precisa proteger sua família, especialmente a filha adolescente, com quem não consegue se comunicar, na tentativa de mantê-la à margem de toda dor e perda que ela vivenciou ao longo dos anos.

Sidney é uma subcelebridade, reverenciada por sua força e coragem, constantemente lembrada dos assassinatos. Sua filha, Tatum, não sabe como conviver com essa sombra materna, enfrentando expectativas que não correspondem ao que ela é. O núcleo adolescente, formado por personagens estereotipados, como o namorado, a melhor amiga e o nerd cinéfilo fã de filmes de terror, existe praticamente para serem mortos pelo novo assassino, enquanto tentam descobrir sua identidade.

Este é o segundo filme do criador Kevin Williamson como diretor, e a falta de experiência é perceptível. Algumas cenas são confusas em termos de mise-en-scène, algo crucial nesse tipo de filme, já que a compreensão do espaço é essencial para a construção da tensão. As mortes são pouco criativas, o ritmo é irregular e o desfecho é constrangedor, um problema agravado pelo roteiro, que também leva sua assinatura.

A ideia de que a violência dos primeiros filmes continua afetando novas gerações é um dos pilares recentes da saga. A franquia sempre comentou sobre a cultura do espetáculo em crimes violentos, seja pelo sensacionalismo da imprensa, pelos fãs que buscam replicar os crimes ou pela busca de fama através deles. No entanto, Pânico 7 não inova em nenhum desses aspectos. A motivação dos crimes é rasa e não agrega nada relevante à história ou à franquia. A metalinguagem aqui, fica no limite da paródia.

Se no passado, a franquia se destacou por questionar a violência como espetáculo e como o consumo de histórias violentas alimenta um ciclo de medo e ódio, o novo filme falha em aprofundar o comentário sobre violência e legado, tornando-se uma passagem de bastão preguiçosa em vez de uma evolução significativa da franquia. Sem a condução de Wes Craven e com Kevin Williamson claramente perdido, talvez seja hora de aposentar o Ghostface e dar um descanso para Sidney.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

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Welberth declara apoio a Castro a senador, mas vai de Paes a governador

 

Em Macaé, no mesmo palanque, Douglas Ruas, Welberth Rezende e Cláudio Castro (Foto: Reprodução)

 

Enquanto o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (hoje, PP) está em dúvida (confira aqui) entre apoiar a governador do RJ o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) ou o deputado estadual Douglas Ruas (PL), o prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania) anunciou hoje (4) seu apoio a senador: o atual governador Cláudio Castro (PL).

Confira no vídeo abaixo:

 

 

Ao lado de Ruas no mesmo palanque do seu correligionário Castro na visita deste hoje em Macaé, Welberth foi educado e preferiu não declarar. Mas, a governador, quem terá seu apoio é Eduardo Paes.

 

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Demissão de Filipe Luís foi uma vergonha aos 131 anos de história do Flamengo

 

Há pouco mais de três meses, Filipe Luís erguia em 29 de novembro de 2025 a taça de Tetracampeão Libertadores da América pelo Flamengo, em Lima, no Peru, após derrotar o Palmeiras (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

 

Demissão indigna e covarde de Filipe Luís

A demissão de Filipe Luís do cargo de treinador do Flamengo, na madrugada de terça (3), após golear o Madureira por 8 a 0 para fazer a final do Carioca contra o Fluminense neste domingo (8), foi um capítulo vergonhoso dos 131 anos de história do clube. Não pela demissão em si, mas pela maneira indigna, institucionalmente covarde, com que ela se deu.

 

Conversa com Boto durou 30 segundos

Após a coletiva, onde falou da goleada, da final contra o Fluminense, da má fase do Flamengo no início de temporada, em que perdeu o título da Supercopa Rei do Brasil para o Corinthians e da Recopa Sul-Americana para o argentino Lanús, Filipe Luís foi chamado para uma conversa com o diretor de futebol rubro-negro, o português José Boto. Que durou 30 segundos.

 

“Trem errado”?

Boto teria dito a Filipe Luís que foi voto vencido na decisão, mas comunicou a demissão a mando do presidente do Flamengo, o controverso Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Que depois se referiu à demissão em um áudio vazado: “Quando você pega um trem errado na vida, o que você precisa fazer é descer na primeira estação que seja possível e retornar”.

 

O moleque, o Ferrorama e as conquistas de homens

Na analogia do moleque que pensa brincar de Ferrorama, o “trem errado” foi o treinador que, em 2025, poucos meses atrás, comandou o Flamengo na conquista do seu 9º Brasileirão com o time de melhor ataque e melhor defesa do campeonato, e na conquista do Tetracampeonato da Libertadores da América, sobrando na final com o Palmeiras.

 

De igual para igual com o campeão da Champios

Filipe Luís foi o “trem errado” que, sem acovardar seu time na defesa, jogou de igual para igual a final do Intercontinental contra o campeão da Champions Paris Saint-Germain, após empatar em 1 a 1 no tempo normal e prorrogação, para só perder nos pênaltis. E Bap? É o “maquinista” que se elegeu presidente do Flamengo prometendo a gestão profissional do seu futebol.

 

Filipe Luís e o avô, que o fez virar Flamengo desde criança em Santa Catarina, são homenageados pela torcida do Flamengo no Maracanã

 

Desrespeito ao ídolo como jogador e treinador

Rubro-negro desde criança, que voltou da Europa para encerrar sua carreira no clube carioca, o catarinense Filipe Luís foi, como jogador do Flamengo, bicampeão da Libertadores, em 2019 e 2020. E bicampeão do Brasileirão, em 2019 e 2022, só para ficar nos títulos mais importantes. Foi multicampeão, é e será ídolo como jogador e treinador. Merecia, no mínimo, respeito.

 

Em 2022, ainda como dono da lateral-esquerda, Filipe Luís ergue sua segunda Libertadores da América pelo Flamengo, que bateu o Atlético Paranaense no Estádio Monumental de Guayaquil, no Equador

 

Clube rico e atrasado

Foi o mesmo grupo que se subdividiu e, em sequência, elegeu presidentes do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello, Rodolfo Landim e Bap. Suas gestões profissionalizaram as finanças do clube. E transformaram a maior torcida do Brasil no clube mais rico da América do Sul. Mas a arrogância e o mandonismo de Bap são o ranço do que há de mais atrasado no futebol brasileiro.

 

Em postagem ontem nas redes sociais, Filipe Luís se despediu ao lado do monumento dos Meninos do Ninho, 10 atletas adolescentes de futebol do Flamengo que morreram em 8 de fevereiro de 2019, num incêndio no alojamento do Ninho do Urubu (Foto: Instagram)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula lidera ao 2º turno em empate técnico com Flávio e Ratinho

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Após ficar numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas presidenciais AtlasIntel (confira aqui) e Paraná (confira aqui) do final de fevereiro, Lula recuperou liderança numérica na pesquisa Real Time Big Data divulgada hoje (3). Mas em dois empates técnicos no 2º turno: 42% x 41% de Flávio e 43% x 39% do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD).

Dados da nova pesquisa — Feita de 28 de fevereiro a 2 de março com 2.000 eleitores de todo o país, a Big Data foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09353/2026, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Onde ficam o 1 ponto que Lula teve sobre Flávio e, no limite da margem, os 4 pontos que teve sobre Ratinho ao 2º turno.

Lula lidera fora da margem de erro ao 1º turno — Ao 1º turno, Lula liderou fora da margem de erro os três cenários da Big Data, variando entre 6 a 7 pontos de vantagem sobre Flávio. No cenário 1, por 39% a 32% (7 à frente) e Ratinho com 9%, melhor desempenho entre os demais. No cenário 2, o petista teve 40% a 34% do senador (6 pontos). No cenário 3, Lula teve 40% a 33% (7 pontos).

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula 3 é desaprovado por 51% — Lula continua tendo como obstáculo a maioria dos brasileiros que, em todas as pesquisas, hoje desaprovam o seu governo. Na Big Data, o Lula 3 foi desaprovado por 51% dos eleitores e aprovado por 44%, com 5% que não souberam responder.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula e Flávio lideram rejeição — Como em 2022, se a eleições de 2026 forem em dois turnos, tudo até aqui indica que será outra batalha entre enormes rejeições. Se a rejeição determina o vencedor do 2º turno, Lula e Flávio hoje lideram o índice negativo: 47% dos brasileiros que dizem conhecer cada um, não votariam em nenhum dos dois.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio tem mais espaço para crescer — Na mesma medição, 9% dos eleitores dizem não conhecer Flávio, número que cai a apenas 2% com Lula. O que é uma vantagem do senador numa campanha presidencial: um pouco mais de espaço para tentar crescer.

Lula pode depender da abstenção — No entanto, os 22% que dizem conhecer e votarão em Flávio, mais os iguais 22% que dizem que podem votar, formam 44%. Os que dizem conhecer e votarão em Lula são 35%. Somados aos 16% que dizem que podem votar, são 51%. O que bastaria para garantir a vitória no 2º turno. Mas, como depende da abstenção, nunca é conta exata.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A Real Time Big Data estimulou três cenários de 1º turno e sete cenários de 2º turno. Lula lidera nos três cenários de 1º turno, mas empata tecnicamente no 2º turno com Ratinho, por 43% a 39%; e, principalmente, com Flávio, por 42% a 41%”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

Flávio e Ratinho têm mais espaço que Lula — “Cabe destacar os 51% de desaprovação ao governo de Lula e sua menor taxa de desconhecimento do eleitorado, apenas 2%, na comparação com Flávio, desconhecido por 9%, e, principalmente, Ratinho, desconhecido por 21%. O que dá aos dois maior potencial de expansão da intenção de voto no futuro”, completou William.

 

 

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Há 2 meses sem luz, Museu de Campos mais perto da solução

 

Museu Histórico de Campos sem luz, por furto de cabos elétricos, há 2 meses e 5 dias (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

“A situação do Museu vai ser resolvida. Até quarta (4) começa a instalação dos cabos de energia furtados. Se o tempo ajudar, sem chuva, acredito que até domingo (8) deve ficar tudo pronto”. Foi o que disse ao blog o prefeito Wladimir Garotinho (PP) sobre a situação do Museu Histórico de Campos. Que está sem energia elétrica há dois meses (confira aqui) e cinco dias, desde o roubo dos cabos, problema que assola o Centro de Campos, no dia de Natal.

Uma equipe da secretaria municipal de Iluminação Pública visitou, no início da manhã de hoje, o prédio do Solar do Visconde de Araruama, construído no século 18, no quadrilátero da Praça do Santíssimo Salvador e onde funcionou a Câmara Municipal de Campos até 1968. No séc. 21, a vistoria constatou na manhã de hoje que o roubo dos cabos pode ter causado mais danos do que o calculado inicialmente e o prazo projetado pelo prefeito pode ser alongado.

— Como gestora, sinto tristeza, mas não resignação, sinto indignação, mas não desânimo. O que construímos ao longo desses anos não se apaga com a falta de energia, porque o acervo permanece, a equipe permanece e o compromisso permanece. Seguimos trabalhando, mesmo em condições adversas, seguimos defendendo o Museu — disse a historiadora Graziela Escocard, diretora do Museu.

 

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A governador: Douglas pede apoio de Wladimir no domingo e Paes na 2ª

 

Altineu Côrtes, Douglas Ruas, Tassiana Oliveira, Wladimir Garotinho, Gilberto Kassab e Eduardo Paes (Montagem: Joseli Matias)

 

Se foi cotado e acabou preterido para compor como vice as chapas a governador do RJ do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) e do deputado estadual Douglas Ruas (PL), o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (hoje, PP), continua cobiçado pelos dois polos que devem disputar o Palácio Guanabara nas urnas de outubro, daqui a pouco mais de 7 meses.

Essa disputa pelo apoio de Wladmir teve dois novos capítulos ontem (1º) e hoje (2). No domingo, ele e a esposa, Tassiana (PL), foram convidados pelo presidente estadual do PL, deputado federal Altineu Côrtes, para um almoço dna casa este, na cidade do Rio. Do qual também participou Douglas Ruas.

Altineu e Douglas querem que Wladimir se filie ao PL, não só para concorrer a deputado federal, após deixar o cargo de prefeito em 31 de março, como para coordenar no Norte Fluminense a candidatura a governador do deputado licenciado para ocupar a secretaria das Cidades do governo Cláudio Castro (PL).

Ainda no Rio, Wladimir recebeu a ligação de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais do governo Tarcísio de Freitas (REP) em São Paulo. Kassab fez a ponte área SP/RJ e, junto de Eduardo Paes, tomaram hoje o café da manhã com o político de Campos, também na cidade do Rio.

Kassab e Paes fizeram a Wladimir, nesta segunda, um convite muito semelhante ao de Altineu e Douglas no domingo. Os dois primeiros querem que o ainda prefeito de Campos, após deixar o cargo, se filie ao PSD para concorrer a deputado federal. E também coordenar a campanha de Paes no Norte Fluminense a governador.

Conservador, que apoiou e fez carreata para a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) no 2º turno presidencial de 2022, Wladimir tem uma certeza sobre quem vai apoiar ao Executivo nas urnas de outubro (confira aqui): o senador Flávio Bolsonaro (PL) a presidente. Isso, em tese, o aproximaria mais do PL de Douglas e Altineu. Mas pesam também, a favor do PSD como futura legenda do atual prefeito de Campos, o poder de sedução política de Kassab e o favoritismo de Paes em todas pesquisas, até aqui, a governador.

 

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Ressaca do carnaval: Flávio passa Lula nas pesquisas ao 2º turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Uma tremenda ressaca de carnaval! É o que tem sido a performance de Lula (PT) nas pesquisas a presidente do Brasil após o Carnaval no Rio aberto pela escola Acadêmicos de Niterói, no dia 15, com desfile em homenagem ao petista e ala com críticas abertas à família e aos cristãos. O resultado? Pela primeira vez, desde a campanha de 2022, Lula está numericamente atrás nas pesquisas sérias ao 2º turno presidencial de outubro de 2026, que o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a liderar neste final de fevereiro.

 

Na ala “neoconservadores em conserva”, do desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula que abriu o Carnaval do Rio, a crítica aberta à família, instituição mais respeitada no Brasil em todas as pesquisas (Foto: Reprodução)

 

Flávio passa Lula no 2º turno da AtlasIntel e Paraná — Na quarta (25), a AtlasIntel foi a primeira pesquisa pós-carnaval a revelar (confira aqui) Lula numericamente atrás de Flávio na projeção de 2º turno: 46,3% do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra 46,2% do petista. Na sexta (27), isso foi confirmado também (confira aqui) pela pesquisa do instituto Paraná. Que trouxe na projeção entre os dois num eventual 2º turno: Flávio 44,4% x 43,8% de Lula.

Empates técnicos e quase numéricos — A AtlasIntel consultou digitalmente 4.986 brasileiros entre os dias 19 e 24, sob o registro BR-07600/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos. A Paraná ouviu presencialmente 2.080 eleitores entre os dias 22 e 25, sob o registro BR-07974/2026 no TSE e margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos. A vantagem no de 0,1 ponto de Flávio sobre Lula no 2º turno da AtlasIntel, e de 0,6 ponto na Paraná, são dois empates técnicos e quase numéricos.

Tendências de queda de Lula e crescimento de Flávio — Foi a tendência da evolução das simulações de 2º turno entre janeiro e fevereiro, com o carnaval da Marquês de Sapucaí no meio, que acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto. Na AtlasIntel, Lula bateria Flávio no 2º turno de outubro por 49,2% a 44,9% em janeiro. Esta vantagem de 4,3 pontos evaporou em fevereiro: Lula perdeu 3 pontos, enquanto Flávio ganhou 1,4 ponto nos últimos 30 dias.

Já na série de pesquisas do instituto Paraná, Lula liderava a simulação de 2º turno contra Flávio por 44,8% a 42,2% em janeiro. Esta vantagem de 2,6 pontos do petista, que já configurava um empate técnico há um mês, também evaporou em fevereiro: o atual presidente perdeu 1 ponto, enquanto o senador ganhou 2,2 pontos no último mês.

Ratinho também em empate técnico com Lula no 2º turno — Se, na AtlasIntel, o único empate técnico de Lula no 2º turno foi com Flávio, a pesquisa do instituto Paraná trouxe outro com o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD): 43,6% do petista a 39,7%, diferença de 3,9 pontos. Na AtlasIntel, com margem de erro menor, a vantagem de Lula sobre Ratinho em um eventual 2º turno foi maior: 45,5% a 39%, diferença de 6,5 pontos.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula3 cresce reprovação para 51,5% — Diferente da Paraná, a AtlasIntel pesquisou a aprovação de governo. Na qual a crítica carnavalesca aberta à família e aos cristãos em homenagem a Lula pareceu também se refletir. Entre janeiro e fevereiro, os que desaprovam o Lula 3 oscilaram 0,8 ponto para cima: de 50,7% à maioria dos atuais 51,5% dos brasileiros. Enquanto os que aprovam o atual Governo Federal caíram 2,1 pontos: dos 48,7% de janeiro aos 46,6% de fevereiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula e Flávio lideram também na rejeição — Se foi numericamente ultrapassado por Flávio na simulação do 2º turno da AtlasIntel e da Paraná, Lula teve situação parecida na rejeição. Que só foi medida pela primeira pesquisa, é considerada fundamental à definição do 2º turno e o petista lidera com 48,2% dos brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum. É outro empate técnico com os 46,4% de rejeição de Flávio, 2º colocado no índice negativo da AtlasIntel.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula não merece ser reeleito para 52,2% — Embora não tenha medido rejeição, a pesquisa Paraná fez uma pergunta que revela o quanto hoje ela é alta à reeleição de Lula. Em fevereiro, ele não merece para 52,2% dos brasileiros, 1,2 ponto a mais que os 51,0% de janeiro. E merece ser reeleito para 43,9% dos eleitores em fevereiro, queda de 1,4 ponto em relação aos 45,3% que achavam o mesmo em janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Mais medo de Lula ou Flávio? — Além de medir a rejeição liderada por Lula e Flávio, a AtlasIntel fez uma pergunta afim sobre ambos: “Qual dos resultados possíveis te causa mais medo e preocupação?”. Foram 47,5% os brasileiros que responderam: “A reeleição do presidente Lula”. Mesmo fora da margem de erro da pesquisa, ficou numericamente próximo aos 44,9% (2,6 pontos abaixo) dos eleitores que responderam: “A eleição de Flávio Bolsonaro”.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera ao 1º turno fora da margem de erro na AtlasIntel — Quanto ao 1º turno, mesmo perdendo intenção de voto entre janeiro e fevereiro, Lula ainda liderou fora da margem de erro todos os cinco cenários da AtlasIntel, entre 5,6 a 14 pontos de vantagem. Mas, na pesquisa Paraná, ele registrou empate técnico com Flávio desde a largada, nos dois cenários de 1º turno testados pela pesquisa.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Na Paraná, Lula e Flávio em empate técnico já no 1º turno — O cenário 1 da pesquisa Paraná ao 1º turno deu Lula na frente com 39,6% de intenção, seguido do senador com 35,3%, 4,3 pontos de diferença quase no limite da margem de erro. E o cenário 2 deu Lula com 40,5%, seguido de Flávio com 36,6%, 3,9 pontos de diferença. Foram dois empates técnicos do presidente com o senador já no 1º turno, que a AtlasIntel só registrou no 2º turno.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Igor Franco — Alexandre de Tróia, presente de grego à democracia do Brasil

 

(Gerado por IA)

 

Igor Franco, especialista em finanças, professor de Economia Política e Análise Ecônomica do Direito no Uniflu e radialista

Alexandre de Tróia

Por Igor Franco

 

Durante o governo Jair Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal vestiu a toga como quem veste uma armadura. Apresentou-se ao país como fiador da democracia, guardião último da Constituição, barreira moral contra a marcha dos bárbaros.

A narrativa, repetida à exaustão por parte da imprensa e da elite política, tinha utilidade: quando um desastre democrático parecia se avizinhar, foi conveniente e oportuno recorrer a um pelotão sem armas, mas com força para barrar aspirações abertamente golpistas. O ímpeto que parecia faltar a Bolsonaro para agir conforme as insinuações de seus discursos sobrava a Alexandre de Moraes, um improvável antagonista, impávido frente às ameaças do ex-presidente e de seus apoiadores.

Durante o confronto com Bolsonaro, ele foi o rosto mais visível de um Supremo que se apresentava como trincheira. O ministro que não tremia, o relator que avançava, o magistrado que respondia com caneta e polícia ao que entendia como ameaça. Para seus admiradores, era Alexandre, o Grande: o conquistador institucional, o desbravador de um território pantanoso onde a democracia brasileira, sempre frágil, via-se cercada de aventureiros e incendiários.

Parte relevante do país, de novo, gostou do personagem. Alexandre personificou o Supremo e, na ausência de contrapontos, o próprio Supremo viu-se em Alexandre. Os diferentes ministros, outrora diversos e discordantes, passaram a agir em bloco por ação ou omissão, respaldando e referendando o líder da resistência.

A partir de então, Alexandre, consagrado como o Grande, apresentou-se como o algoz da tentativa de rebelião republicana, sendo responsável por processar e condenar os envolvidos na trama golpista. Mas, ao longo do tempo e, também a partir dali se habituou a operar politicamente, a se enxergar como poder tutelar, e a tratar seus poderes de exceção como medalhas conquistadas em guerra, semeando a normalização do excepcional. O que era remédio vira dieta. O que era intervenção cirúrgica torna-se estilo de vida.

E, nesse cenário, o perigo supera o de Bolsonaro por um motivo simples: Bolsonaro podia ser contido por instituições que ainda se acreditavam instituições. Bolsonaro, com todos os seus arroubos, tinha algo que o tornava controlável: ele era um político. Dependia de votos, de Congresso, de coalizão, de opinião pública, de calendário eleitoral. Podia ser isolado, derrotado, ridicularizado, investigado, punido.

Mas quem contém a instituição quando ela decide agir como partido, como polícia, como governo e como tribunal, tudo ao mesmo tempo? Porque a democracia não morre apenas quando um homem forte tenta dobrar as instituições. Ela também morre quando as instituições, em nome de protegê-la, passam a operar sem constrangimento, sem freios e, sobretudo, sem a humildade básica de quem sabe que poder sem limite é o nome técnico do autoritarismo.

A figura do paladino exige pureza. E pureza é algo que o poder raramente preserva quando não é obrigado a prestar contas. Aos poucos, a imagem do Alexandre que guardava as muralhas começou a sofrer rachaduras: questionamentos sobre procedimentos heterodoxos, críticas ao acúmulo de funções e papéis em certos casos, a permanência de instrumentos excepcionais como se fossem parte do mobiliário permanente da República.

A energia do embate produziu a estética do heroísmo. E o heroísmo, como se sabe, é um vício tentador: dá a sensação de que fins elevados justificam meios extraordinários e de que o “extraordinário”, quando funciona, passa a ser rotina. Se um ministro se acostuma a concentrar o poder de investigar, acusar, interpretar e julgar sob a mesma luz — e, mais importante, passa a tratar qualquer crítica como afronta moral —, o que se perde não é apenas “o devido processo” em abstrato.

Perde-se o senso de limite, pois o autoritarismo mais eficiente é aquele que se disfarça de procedimento.

Some-se a isso o efeito corrosivo das suspeitas e dos escândalos que rondam diversos membros de toda corte: resorts, caronas em jatinhos, seminários empresariais no estrangeiro, contratos multimilionários com esposas, filhos e filhas. Democracias não se sustentam apenas em códigos; sustentam-se em credibilidade. E credibilidade não combina com a impressão de que ministros transitam com desenvoltura excessiva entre interesses privados, grupos poderosos e zonas de sombra que não deveriam existir para quem julga a nação.

Quando o noticiário passa a sugerir proximidades incômodas, quando se ventilam relações que pediriam explicações cabais e transparência imediata, e quando a reação não é o constrangimento institucional, mas a altivez de quem não deve satisfação, o recado ao público é devastador: “Nós somos a instância final, portanto não precisamos nos explicar”. O cidadão, que já desconfia de quase tudo, aprende a desconfiar do que, aparentemente, restava como último refúgio.

O “Alexandre” que o Brasil celebrou nos anos do bolsonarismo foi essa fantasia: a do guerreiro. Ou dos guerreiros necessários para um tempo de ameaça. Mas supostas virtudes têm-se revelado vícios; a coragem, arrogância; a exceção, o método. E é aí que o herói muda de natureza e a redenção revela-se maldição.

Alexandre, o Grande torna-se o Alexandre de Tróia: a dádiva que entra como presente, em nome da salvação, mas carrega dentro de si o motivo da derrocada. O desmanche institucional não ocorre de forma aberta, mas por malícia; não por conquista, mas por infiltração.

Enquanto o Brasil aplaudia o suposto presente, sem maior crítica, acabou por descobrir que o perigo não estava do lado de fora. Que não seja tarde demais.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Arthur Soffiati — Feuillade, um mestre dos primórdios do cinema

 

 

Arthur Soffiati, crítico de cinema, historiador, professor, ambientalista e escritor

Um mestre dos primórdios do cinema

Por Arthur Soffiati

 

Passado o experimentalismo curioso que a técnica da fotografia em movimento despertou, entre 1895 e 1905, o cinema começou a ser usado para narrar histórias. Sem abandonar os truques, os diretores começam a reunir roteiros, artistas, trilha sonora e fotografia narrativa. Utilizado até então para fins documentais, o cinema começa a ganhar sentido narrativo. Uma espécie de teatro filmado. Despontam os nomes de Alice Guy-Blaché, Georges Méliès e Ferdinand Zecca. Este, com Lucien Nonguet, filma, em 1903, “A vida e a paixão de Jesus Cristo”, já com praticamente todos os recursos do cinema atual menos o som.

Dentre esses pioneiros, destaca-se a figura refinada de Louis Feuillade, autor de cerca de 800 filmes. Além da narrativa, Feiullade deu um toque de arte a alguns de seus filmes. Dele, assisti apenas quatro filmes para concluir que estava diante de um mestre. Nos filmes curtos, ele privilegia questões morais sem baixar a guarda quanto à arte. Em “Custódia” (1909), focaliza a separação de um casal e a guarda do filho. O final é feliz, com a reconciliação de marido e mulher. Em “Defeito” (1911), o filme se estende por 40 minutos narrando a trajetória de uma garçonete em Paris, ao lado de muitas, que atendiam a homens. Existe a conotação de prostituição. Um médico frequentador do restaurante convida uma das garçonetes a trabalhar com ele numa clínica do interior.

Os dois filmes são marcados pelo posicionamento da câmara. Colocada no centro, ela aumenta a tridimensionalidade do espaço. O ambiente externo aparece de forma magnifica. A garçonete se transforma na alma da clínica depois da morte de seu tutor, até ser denunciada por um dos frequentadores do restaurante. Inveja e intriga entram em cena. O autor usa uma parede como divisória para a própria câmara a fim de mostrar dois ambientes. Expulsa da clínica, a mulher tenta o suicídio, mas se controla e pensa em trabalhar no Oriente como enfermeira.

O terceiro é a grande obra de arte de Feiullade. Trata-se de “Coração e dinheiro” (1912) codirigido com Léonce Perret. Mais uma vez, uma narrativa moral. Uma moça ama um rapaz pobre. A mãe quer que ela se case com um homem rico que frequenta o hotel dela. Em rápidos cortes, a moça se casa com o milionário, fica viúva e volta a procurar o antigo amor. Este a repudia e ela se mata. Era um desfecho forte para a época. A fotografia é de um esverdeado quase sépia que mostra as paisagens naturais da França.

Lembro-me de ter visto essa beleza de fotografia em “Um dia no campo” (1936), de Jean Renoir. Mas não apenas nas tomadas externas o filme se mostra um dos mais belos do cinema mudo. O mérito é, em grande parte, do coautor Perret. O melodrama tem muitas locações externas. A luz fala muito. A moça com o namorado é mostrada em ambiente externo luminoso. A luz fala da alegria de ambos. Com o homem mais velho e rico, logo seu marido, as cenas são em grande parte internas. A redução da luz fala da tristeza. A pobreza se associa à claridade e a riqueza à escuridão.

E o filme utiliza o recurso da tela dividida. Um lado mostra o presente e outro o passado ou as recordações. A moça pensa no namorado. Ela está na tela à esquerda e ele na tela à direita de quem vê o filme. Em outra cena de tela dividida, as posições se invertem. Raramente se usou a técnica da tela dividida nos primórdios do cinema.

Mas a contribuição de Feuillade não cessa aí. Ele escreveu e dirigiu seriados, como “A vida como ela é” (1911-1912), o famoso “Os vampiros” (1915) e “Judex” (1916), entre outros. “Os vampiros”, é o mais conhecido. Foram 10 capítulos com duração de 417 minutos.

Quando você assiste a uma série na TV atualmente, deve se lembrar que tudo começou em 1915 com esse seriado policial que influenciará os filmes policiais da atualidade. Creio que, pela primeira vez no cinema, mostra-se um investigador saltando de um viaduto sobre um trem em movimento.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

Confira abaixo o trailer:

 

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Pós-Carnaval: outra pesquisa dá Flávio à frente de Lula no 2º turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Após o Carnaval no Rio aberto pela escola Acadêmicos de Niterói, com desfile em homenagem a Lula e uma ala com críticas abertas à família e aos cristãos, a AtlasIntel foi a primeira pesquisa de instituto sério, desde 2022, que (confira aqui) trouxe uma projeção de 2º turno com Lula (PT) numericamente atrás. Hoje, isso foi confirmado também pela pesquisa do instituto Paraná. Que fez a projeção de 2º turno: Flávio Bolsonaro (PL) 44,4% x 43,8% de Lula.

 

Na ala “neoconservadores em conserva” do desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio, a  homenagem a Lula com crítica à família (Foto: Reprodução)

 

Em duas pesquisas, vantagem de Flávio sobre Lula no 2º turno — Na AtlasIntel divulgada na quarta (25), a vantagem de Flávio sobre Lula no 2º turno foi de apenas 0,1 ponto: 46,3% do senador x 46,2 do atual presidente. Na Paraná, a vantagem de Flávio sobre Lula foi maior, mas ainda na casa decimal do 0,6 ponto. Ambas configuram empate técnico na margem de erro das duas pesquisas: 1 ponto para mais ou menos na AtlasIntel e 2,2 pontos para mais ou menos na Paraná.

Empate técnico de Lula no 2º turno também com Ratinho Jr. — Se na AtlasIntel, o único empate técnico de Lula no 2º turno foi com Flávio, a Paraná trouxe outro com o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD): 43,6% do petista a 39,7%, diferença de 3,9 pontos. Na AtlasIntel, com margem de erro menor, a vantagem de Lula sobre Ratinho em um eventual 2º turno foi maior: 45,5% a 39%, diferença de 6,5 pontos.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Empate técnico de Lula com Flávio já no 1º turno — Quanto ao 1º turno, se Lula venceu fora da margem de erro todos os cinco cenários da AtlasIntel, na Paraná ele registrou empate técnico com Flávio já na largada, nas duas simulações testadas de 1º turno. Cujo cenário 1 deu o Lula com 39,6%, seguido do senador com 35,3%, 4,3 pontos de diferença quase no imite da margem de erro. E o cenário 2 deu Lula com 40,5%, seguido de Flávio com 36,6%, 3,9 pontos de diferença.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A pesquisa Paraná de fevereiro trouxe dois cenários de 1º turno e três cenários de 2º turno. Nos dois cenários de 1º turno, Lula aparece numericamente à frente, mas empata tecnicamente com Flávio em ambos. Já nos cenários de 2º turno, Flávio aparece numericamente à frente de Lula, enquanto Lula aparece numericamente a frente de Ratinho Jr., mas em dois empates técnicos”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

 

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Na 1ª pesquisa após Carnaval, Flávio passa Lula ao 2º turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Pela primeira vez, desde a campanha eleitoral de 2022, uma pesquisa presidencial de instituto idôneo apontou um cenário de 2º turno com Lula (PT) numericamente atrás. Ainda que por apenas 0,1 ponto, em empate técnico e quase numérico, a AtlasIntel divulgada hoje (25) projetou o 2º turno de 2026 com 46,3% ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e 46,2% ao atual presidente.

Pesquisa após crítica à família e aos cristãos no Carnaval — Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07600/2026, com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, a AtlasIntel ouviu 4.986 brasileiros entre os dias 19 e 24. É a 1ª pesquisa a presidente depois do desfile da Acadêmicos de Niterói, que abriu o Carnaval do Rio no último dia 15, com a homenagem a Lula e sua ala “neoconservadores em conserva” em crítica aberta à família e aos cristãos.

 

Na ala “neoconservadores em conserva” do desfle da Acadêmicos de Niterói na em homenagem a Lula, a crítica aberta à família (Foto: Reprodução)

 

Vantagem de Lula a Flávio no 2º turno evapora após Carnaval — Ainda que a pesquisa não tenha feito nenhuma pergunta específica sobre o desfile polêmico da escola que acabou rebaixada, seus efeitos parecem claros nos números. Na série AtlasIntel, Lula bateria Flávio no 2º turno de outubro por 49,2% a 44,9% em janeiro. Estes 4,3 pontos de vantagem se evaporaram em fevereiro, após o Carnaval do Rio: Lula perdeu 3 pontos no último mês, enquanto Flávio ganhou 1,4 ponto.

Maioria desprova o Lula 3, que cai em aprovação — A crítica carnavalesca aberta à família e aos cristãos em homenagem a Lula pareceu também se refletir na sua aprovação de governo. Entre as pesquisas AtlasIntel de janeiro e fevereiro, os que desaprovam o Lula 3 oscilaram 0,8 ponto para cima: de 50,7% à maioria dos atuais 51,5% dos brasileiros. Enquanto os que aprovam o atual Governo Federal caíram 2,1 pontos: dos 48,7% de janeiro aos 46,6% de fevereiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera no 1º turno, mas cai e Flávio cresce — Embora Lula ainda lidere fora da margem de erro, entre 5,6 a 14 pontos, todos os cinco cenários de 1º turno com seu nome, um deles sem Flávio, a diferença para este também caiu na série AtlasIntel. No cenário 1, entre janeiro e fevereiro, Lula passou de 48,8% das intenções de voto no 1º turno aos atuais 45%, queda de 3,8 pontos. Enquanto Flávio cresceu 2,9 pontos: dos 35% de janeiro aos 37,9% de fevereiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

No cenário 2 de 1º turno, entre janeiro e fevereiro, Lula caiu 3,7 pontos: de 48,8% de intenção aos atuais 45,1%. Enquanto Flávio cresceu 4,5 pontos: dos 35% de janeiro aos 39,5% de fevereiro. Os cenários 3, 4 e 5 de 1º turno da AtlasIntel de fevereiro não foram testados em janeiro, sendo impossível saber a evolução dos seus números.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera rejeição, em empate técnico com Flávio — Se foi numericamente ultrapassado por Flávio na simulação do 2º turno, em empate técnico por margem decimal, Lula teve situação parecida na rejeição. Que é fundamental ao 2º turno e na qual o petista lidera com 48,2% dos brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum. É outro empate técnico, na margem de erro, com os 46,4% de rejeição de Flávio, 2º colocado no índice negativo.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

O que preocupa e amedronta mais: Lula ou Flávio? — À pergunta específica da AtlasIntel, “Qual dos resultados possíveis te causa mais medo e preocupação?”, 47,5% dos brasileiros responderam: “A reeleição do presidente Lula”. Fora da margem de erro da pesquisa, ficou numericamente próximo dos 44,9% (2,6 pontos abaixo) que responderam: “A eleição de Flávio Bolsonaro”.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A AtlasIntel testou quatro cenários de 1º turno com Lula e Flávio e um de 1º turno com Lula e Tarcísio. Em todos os cenários testados, Lula lidera as intenções de voto. Por outro lado, nos cenários de 2º turno, na comparação com a AtlasIntel de janeiro, a intenção de voto de Lula recuou a ponto de ser ultrapassado numericamente por Flávio. Os dois, neste momento, apresentam cenário de empate técnico”, resumiu William Passos, geógrafo em especialização doutoral em estatística no IBGE.

“Acrescenta-se que a desaprovação a Lula supera os 50% e que Lula também lidera a rejeição sobre Flávio, por 2 pontos de diferença: 48% a 46% em números redondos. Por sua vez, a reeleição de Lula causa mais medo ou preocupação na população do que a eleição de Flávio por 3 pontos percentuais de diferença: 48% a 45% em números redondos”, completou William.

 

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