
Demissão indigna e covarde de Filipe Luís
A demissão de Filipe Luís do cargo de treinador do Flamengo, na madrugada de terça (3), após golear o Madureira por 8 a 0 para fazer a final do Carioca contra o Fluminense neste domingo (8), foi um capítulo vergonhoso dos 131 anos de história do clube. Não pela demissão em si, mas pela maneira indigna, institucionalmente covarde, com que ela se deu.
Conversa com Boto durou 30 segundos
Após a coletiva, onde falou da goleada, da final contra o Fluminense, da má fase do Flamengo no início de temporada, em que perdeu o título da Supercopa Rei do Brasil para o Corinthians e da Recopa Sul-Americana para o argentino Lanús, Filipe Luís foi chamado para uma conversa com o diretor de futebol rubro-negro, o português José Boto. Que durou 30 segundos.
“Trem errado”?
Boto teria dito a Filipe Luís que foi voto vencido na decisão, mas comunicou a demissão a mando do presidente do Flamengo, o controverso Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Que depois se referiu à demissão em um áudio vazado: “Quando você pega um trem errado na vida, o que você precisa fazer é descer na primeira estação que seja possível e retornar”.
O moleque, o Ferrorama e as conquistas de homens
Na analogia do moleque que pensa brincar de Ferrorama, o “trem errado” foi o treinador que, em 2025, poucos meses atrás, comandou o Flamengo na conquista do seu 9º Brasileirão com o time de melhor ataque e melhor defesa do campeonato, e na conquista do Tetracampeonato da Libertadores da América, sobrando na final com o Palmeiras.
De igual para igual com o campeão da Champios
Filipe Luís foi o “trem errado” que, sem acovardar seu time na defesa, jogou de igual para igual a final do Intercontinental contra o campeão da Champions Paris Saint-Germain, após empatar em 1 a 1 no tempo normal e prorrogação, para só perder nos pênaltis. E Bap? É o “maquinista” que se elegeu presidente do Flamengo prometendo a gestão profissional do seu futebol.

Desrespeito ao ídolo como jogador e treinador
Rubro-negro desde criança, que voltou da Europa para encerrar sua carreira no clube carioca, o catarinense Filipe Luís foi, como jogador do Flamengo, bicampeão da Libertadores, em 2019 e 2020. E bicampeão do Brasileirão, em 2019 e 2022, só para ficar nos títulos mais importantes. Foi multicampeão, é e será ídolo como jogador e treinador. Merecia, no mínimo, respeito.

Clube rico e atrasado
Foi o mesmo grupo que se subdividiu e, em sequência, elegeu presidentes do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello, Rodolfo Landim e Bap. Suas gestões profissionalizaram as finanças do clube. E transformaram a maior torcida do Brasil no clube mais rico da América do Sul. Mas a arrogância e o mandonismo de Bap são o ranço do que há de mais atrasado no futebol brasileiro.

Publicado hoje na Folha da Manhã.
