Aqui, em seu blog, o deputado federal e pré-candidato a governador Anthony Matheus, o Garotinho (PR), anunciou ontem a ausência hoje da presidente Dilma Rousseff (PT), que ele apoia na Câmara Federal, e do governador Sérgio Cabral (PMDB), na final da Copa das Confederações, no Maracanã. Diante do indisfarçável prazer do deputado-blogueiro com as duas ausências, por receio do clima de protesto que tomou conta do Rio de Janeiro e do país, talvez coubesse uma pergunta: conhecido e reconhecido por sua coragem pessoal, será que Anthony Matheus, o Garotinho, finalmente dará as caras na manifestação dos “Cabruncos Livres”, fruto da mesma insatisfação popular e marcada para a próxima quarta-feira, dia 3, com concentração a partir das 16h, na praça São Salvador, ou insistirá na tática um tanto covarde de enviar apenas “bois de piranha”?
“Narciso”, óleo sobre tela de Caravaggio (1571/1610), está na Galleria Nazionale d’Arte, em Roma
Em 1988, mesmo um jovem de 16 anos, como este articulista hoje quarentão, naquele mundo sem computadores pessoais, internet ou celulares, num país saído de 21 anos de ditadura militar (1964/85), não pôde deixar de acompanhar e se empolgar com as possibilidades abertas na campanha de prefeito pelo movimento “Muda Campos”, encabeçado pelo então jovem Anthony Matheus, o Garotinho, numa cidade cansada da polarização entre os ex-prefeitos Zezé Barbosa (cuja sucessão era disputada) e Rockfeller de Lima.
Na disputa em turno único, posto que as regras da Constituição aprovada no mesmo ano não valeriam naquela eleição, a certeza da vitória nasceu da manifestação das ruas, com a adesão popular à “Passeata das Rosas”, que seguiu do Mercado Municipal à praça São Salvador, na última semana antes do pleito, então realizado em 15 novembro.
Um quarto de século depois, ontem a edição da Folha abriu em sua manchete de capa: “Em Macaé, prefeito ouve a voz das ruas e se abre ao debate”. A referência (aqui) foi à atitude do chefe do executivo macaense, Dr. Aluizio (PV), ao sair do seu gabinete para dialogar democraticamente com os manifestantes que, como em todo o país, resolveram sair às ruas para cobrar a plenitude dos direitos que entendem sonegados por seus representantes políticos. Ao admitir que sua trajetória política foi construída em cima da mesma insatisfação que levou o povo macaense às ruas, Aluizio disse aos manifestantes:
— Nós somos fruto dessa voz da população e queremos construir um caminho novo, através do diálogo com a sociedade. Por isso, estou ao lado do movimento e o governo vai cumprir seu papel.
Apontado (aqui) em entrevista exclusiva concedida à Folha pelo senador e pré-candidato a governador Lindbergh Farias (PT), publicada no último dia 2, como uma liderança na qual aposta pessoalmente, não só em Macaé e na região, mas em âmbito estadual, Aluizio, no entanto, não foi exceção.
Na reação à voz das ruas expressa nas manifestações também dos municípios vizinhos, em São João da Barra, a empresa de ônibus Campostur, reduziu o valor da tarifa; em Cabo Frio, o prefeito Alair Corrêa (PP) anunciou que vai convocar um plebiscito para que os munícipes participem das decisões de governo; em São Francisco de Itabapoana, a Câmara prometeu colocar na pauta as questões levantadas nas ruas; enquanto em Itaocara, o prefeito Gelsimar Gonzaga (Psol), que já tinha submetido seu próprio secretariado à escolha direta da população, comemorou os protestos em todo o país, adotando uma das suas principais reivindicações, a redução dos gastos públicos, para cancelar a Exposição Agropecuária neste ano, naquele município.
E em Campos? Bem, em relação aos “Cabruncos Livres”, nome dolosamente sonegado por Anthony Matheus, o Garotinho, e por todo o seu grupo político e seus braços midiáticos, após quatro estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) de Campos terem criado, no dia 14, um mural do movimento no facebook (https://www.facebook.com/MovimentoCabruncosLivres), seguido a uma reunião pública no dia 16, a primeira passeata, no dia 17, levou cerca de três mil pessoas às ruas de Campos, número que dobrou na segunda, realizada no dia 20.
Após Anthony Matheus, o Garotinho, ter tentado se infiltrar no movimento, ao mesmo tempo em que, como de hábito, denunciava seus opositores políticos pelo pecado por ele cometido, seu grupo estimulou a replicação dos “Cabruncos”, com o grupo “Anonymous Campos”, que mesmo sob proteção da Guarda Municipal, sonegada nas duas primeiras manifestações, só conseguiu reunir cerca de 30 pessoas na última sexta-feira, dia 28, na praça São Salvador.
Bem verdade que, um dia antes, a manifestação convocada pelos sindicatos, contando com apoio físico dos partidos de esquerda e aparentemente apenas virtual dos “Cabruncos Livres”, também só conseguiu levar apenas 200 pessoas à praça central da cidade. Todavia, na tarde de ontem, outra reunião pública foi realizada pelos “Cabruncos”, sempre no Jardim São Benedito, na qual ficou definida uma outra manifestação do movimento, a ser realizada na próxima quarta-feira, dia 3, com concentração a partir das 16h, na praça São Salvador, da qual segue em passeata às 18h, com roteiro mantido em segredo, até para evitar novas tentativas de sabotagem.
Até que o novo ato se realize, não há como saber se manterá seu nível de apoio popular, se continuará a crescer ou, como parece ocorrer em todo país, começará a sofrer efeitos de desmobilização. Uma coisa, no entanto, é certa: com sua pauta de orçamento participativo, ficha limpa para todos os cargos comissionados, eleição direta parta diretores das escolas municipais, fim do voto secreto na Câmara de Vereadores, paridade do aumento dos edis ao dos demais servidores do município e isenção da taxa de iluminação pública, a não ser que se banque a brincadeira com dinheiro público, como foi o caso da pintura dos postes na campanha da última eleição de prefeito, condenada pela Justiça Eleitoral, não se verá nenhum(a) rosa nas manifestações populares das ruas de Campos.
Ao contrário de Alozio, Gelsimar Gonzaga, Alair Corrêa e outros prefeitos da região, numa inversão melancólica da realidade de 1988, quando conquistaram pela primeira vez as rédeas do poder na cidade, Anthony Matheus, o Garotinho, e Rosinha não dialogam mais com as vozes das ruas por um motivo muito simples: eles não se veem mais refletidos nelas!
E, como bem lembrou (aqui) o jornalista Ricardo André Vasconcelos, um dos tantos que participaram e acreditaram naquele “Muda Campos” de 25 anos atrás, mas tiveram a fé corroída pelas práticas no poder de lá para cá, sempre vale a paráfrase a Caetano: “É que Narciso acha feio o que não é espelho”.
Ademir Menezes, o “Queixada”, artilheiro da Copa de 50, num dos dois que marcou contra a Espanha, no Maracanã recém inaugurado
Na última vez em que Brasil e Espanha se enfrentaram no Maracanã num jogo oficial foi na Copa de 1950, para a qual o estádio, então o maior do mundo, foi construído. Enquanto as 150 mil pessoas presentes cantavam “Touradas em Madri” das arquibancadas, cadeiras e falecidas gerais, o time de Zizinho, Ademir Menezes, Jair da Rosa Pinto, Bauer e Danilo aplicava uma histórica goleada de 6 a 1, amansando ao nível da coleira a seleção então conhecida como “Fúria”. Independente de quem vença hoje, ninguém em sã consciência espera que o placar elástico se repita a partir das 19h, depois que a bola começar a rolar no (não exatamente) mesmo Maracanã, na disputa da final da Copa das Confederações, entre o Brasil de Neymar e Fred, que pavimenta seu retorno à elite do futebol mundial, contra a Espanha de Xavi e Iniesta, que ganhou tudo que disputou na última década, sendo o único time da história bi-campeão mundial da Eurocopa (2008 e 2012), conquistando também a Copa do Mundo, em 2010, no meio do caminho.
De qualquer maneira, como o Brasil provou a si mesmo e ao mundo que seus maiores problemas não estão em campo, mas nas ruas em que todos nós nos igualamos (ou deveríamos) como cidadãos, independente de quem levantar a taça na noite de hoje, pertinente não perder de vista quem continuará perdendo no país governado há 10 anos pelo PT. Abaixo, o contraste entre marchinha que fez a alegria brasileira em 1950, e a triste imagem do mesma nação de 63 anos depois, publicada aqui, na blogosfera goitacá, no “Florence, apaga a luz”, que indica ainda serem muitas as ruas a caminhar em protesto, como o ex-presidente Lula tanto gostava de dizer, na história deste país…
O Brasil da Copa e o que ainda busca no lixo (foto de Edimar Soares)
Com sua estreia já anunciada aqui, pelo “Ponto de Vista” do Cristiano Abreu Barbosa, outro jornalista da Folha, além da Lívia Nunes reproduzida abaixo, também estreou recentemente seu blog na versão virtual do jornal: o Fernandinho Gomes. Titular há 35 anos da coluna “Mistura Fina”, Fernandinho é, junto com o professor Aristides Soffiati, a pessoa a escrever há mais tempo no jornal, o que atesta sua pluralidade desde sua fundação, em janeiro 1978. E o mais legal de ver o primeiro fazendo sua passagem do impresso ao virtual, é ler seu blog bem transado para constatar que ele mergulhou mesmo de cabeça na pós-modernidade das mídias.
Abaixo, no vácuo da vitória de Léo “Lamparão” Santos nos octógonos do TUF-Brasil 2 (relembre aqui) e do bom combate dos “Cabruncos Livres” pelas ruas de Campos, Fernandinho promove uma eleição para conhecer quem mais tem feito jus, de maneira positiva, aos neologismos da Baixada da Égua, imortalizados na obra imortal do escritor José Cândido de Carvalho (1914/89). Vale a conferida…
Bom dia! Continuamos a comentar alguns assuntos que foram destaque este mês.
“Cabrunco lamparão!” Vindo à tona pelo lutador campista, campeão Léo Santos de MMA. Pois é, Cabrunco vem de carbúnculo, que mudou o seu sentido e forma original com o tempo. É uma doença dada em boi, uma ferida preta. Mas não é exclusividade nossa. No norte também é usada ou melhor, em região de cana de açúcar. A coisa não parou só por ai. Centenas de jovens foram às ruas sob o título de “Cabruncos Livres” fazendo suas reivindicações. Palavras exclusivas de nosso uso são: lambreta que significa sandálias, pocar, enxugador e a exclamação no ponto de ônibus. “e vem” e também “e veio”, que é quando o ônibus chegou e já foi… Fernandinho Gomes também é cultura! Eta lamparão! Não é só o aumentativo para a palavra lamparina é também doença dada em boi. Nossa língua é a “Cara da Riqueza”. Tem um “tisgo” (que vem ser primo do cabrunco e do lamparão) estão me chamando de miquira. Eu sei que emagreci e que ando com as “calças na mão”. Acho melhor para por aí e recomendar a leitura do nosso blog para os ingiados (gente de temperamento difícil), para começar o dia com humor!
Eu ia terminar por aqui, mas pintou uma ideia. Vamos criar um concurso para eleger quem são “Os cabruncos lamparão da cidade”. Envie o seu e-mail para o portalmisturafina@fmanha.com.br. A sua identidade não será revelada, apenas a sua sugestão. Fui!
O pastor e deputado federal Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, desfilou em trio elétrico e caminhou entre fiéis na Marcha para Jesus, neste sábado (29/06) na Zona Norte de São Paulo. Ele publicou sua foto em seu perfil no Twitter. Na imagem, o deputado participa do evento cristão com um modelito estilizado, onde está escrito em letras coloridas em azul e verde: “Eu represento vocês!” − resposta a manifestantes que afirmam não serem representados pelo deputado.
Curiosa fico eu. Evangélicos, com tanta causa para militar, vocês vão se esforçar para apoiar Marco Feliciano e uma luta contra homoafetividade? Por que não se esforçam para combater a miséria, a pedofilia, a luxúria? Tem muita criança abandonada em abrigo esperando pela ajuda de vocês. O mandamento maior de Jesus Cristo, se não me engano, não falava de homossexualidade e sim de “amar ao próximo como a si mesmo”. Que tal se preocupar em ajudar quem, realmente, precisa de ajuda?!
Como o Gustavo Matheus antecipou aqui, o movimento “Cabruncos Livres” realizou no Jardim São Benedito, na tarde de hoje, outra reunião aberta ao público para definir as próximas ações. Ficou decidido que eles farão uma nova manifestação, na próxima quarta-feira, dia 3, com concentração a partir das 16h, para confecção de cartazes, saindo em passeata pelas ruas da cidade, por volta das 18h, em roteiro mantido em sigilo, para se evitar novas tentativas de infiltração e sabotagem por parte do poder público municipal. Nascida do movimento nacional de protesto populares pela exigência da plenitude dos direitos do cidadãos, em todas as suas esferas, o movimento em Campos municipalizou sua pauta, que quer agora levar à discussão da Lei Orgânica do município. As principais reivindicações são:
1 – Orçamento participativo
2 – Ficha Limpa para todos os cargos de assessoramento e direção (secretários e DAS)
3 – Eleição direta para diretores das escolas municipais
4 – Fim do voto secreto na Câmara Municipal
5 – Paridade do aumento dos subsídios dos vereadores com o aumento salarial do funcionalismo público
6 – Isenção da taxa de iluminação
Atualização às 13h03 de 01/07/13: A partir do toque do leitor Dérik Pereira, em comentário a esta postagem, para se conhecer outras reivindicações dos “Cabruncos Livres”, clique aqui.
Infográfico da Folha de São Paulo da pesquisa Datafolha (clique na imagem para ampliá-la)
Pesquisa Datafolha finalizada ontem mostra que a popularidade da presidente Dilma Rousseff desmoronou.
A avaliação positiva do governo da petista caiu 27 pontos em três semanas.
Hoje, 30% dos brasileiros consideram a gestão Dilma boa ou ótima. Na primeira semana de junho, antes da onda de protestos que irradiou pelo país, a aprovação era de 57%. Em março, seu melhor momento, o índice era mais que o dobro do atual, 65%.
A queda de Dilma é a maior redução de aprovação de um presidente entre uma pesquisa e outra desde o plano econômico do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1990, quando a poupança dos brasileiros foi confiscada.
Naquela ocasião, entre março, imediatamente antes da posse, e junho, a queda foi de 35 pontos (71% para 36%).
Em relação a pesquisa anterior, o total de brasileiros que julga a gestão Dilma como ruim ou péssima foi de 9% para 25%. Numa escala de 0 a 10, a nota média da presidente caiu de 7,1 para 5,8.
Neste mês, Dilma perdeu sempre mais de 20 pontos em todas regiões do país e em todos os recortes de idade, renda e escolaridade.
O Datafolha perguntou sobre o desempenho de Dilma frente aos protestos. Para 32%, sua postura foi ótima ou boa; 38% julgaram como regular; outros 26% avaliaram como ruim ou péssima.
Após o início das manifestações, Dilma fez um pronunciamento em cadeia de TV e propôs um pacto aos governantes, que inclui um plebiscito para a reforma política. A pesquisa mostra apoio à ideia.
A deterioração das expectativas em relação a economia também ajuda a explicar a queda da aprovação da presidente. A avaliação positiva da gestão econômica caiu de 49% para 27%.
A expectativa de que a inflação vai aumentar continua em alta. Foi de 51% para 54%. Para 44% o desemprego vai crescer, ante 36% na pesquisa anterior. E para 38%, o poder de compra do salário vai cair — antes eram 27%.
Os atuais 30% de aprovação de Dilma coincidem, dentro da margem de erro, com o pior índice do ex-presidente Lula. Em dezembro de 2005, ano do escândalo do mensalão, ele tinha 28%.
Com Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a pior fase foi em setembro de 1999, com 13%.
Em dois dias, o Datafolha ouviu 4.717 pessoas em 196 municípios. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos. (Ricardo Mendonça)
Na blogosfera local, o primeiro a reproduzir a nova pesquisa DataFolha (aqui) foi o jornalista Saulo Pessanha, aqui, na Folha Online.
Os parasitas da nação estão em festa. Os efeitos dos protestos de rua estão tomando o melhor caminho possível (para eles): constituinte, plebiscito, pré-sal… Os parasitas estão gargalhando em seus gabinetes. Sempre souberam que embromariam a multidão, mas não esperavam que fosse assim tão fácil. Ao fim da primeira semana de manifestações, Dilma foi à TV. Nas ruas, os protestos contra o aumento das passagens de ônibus mostravam o óbvio: a volta da inflação enfim tirara os brasileiros de casa. O transporte era só o item mais visível da escalada de preços em todos os setores. A vida ficou mais apertada — e a paciência acabou. Como todos sabem (ou deveriam saber), o governo popular abandonou a meta de inflação para irrigar sua formidável máquina de duas dezenas de ministérios. Mas na TV, Dilma parecia uma porta-voz dos revoltosos.
A presidente disse que os anseios das ruas eram os mesmos do seu governo. É preciso coragem para soltar um disparate desses sem gaguejar. O tal governo que anseia por mudanças governa o país há dez anos. E Dilma não deu uma palavra sobre gastos públicos — ou, em português, sobre a orgia orçamentária que seu partido preside no Estado brasileiro. Pregou a melhoria dos serviços públicos (supostamente os do Brasil), no momento em que seu governo bate mais um recorde de despesas — como sempre reduzindo os investimentos e aumentando o custeio (a verba dos companheiros). É preciso muita desinibição.
O projeto parasitário é desinibido porque a opinião pública é trouxa. E o pronunciamento da presidente foi engolido pelos brasileiros, incapazes de relacionar a inflação e a queda dos serviços com a administração perdulária e inepta da grande gestora.
Se o movimento que encanta o país fosse minimamente lúcido, cercaria o Palácio do Planalto depois desse pronunciamento. Poderia anunciar, pacificamente, que só sairia de lá com a extinção de pelo menos cinco ministérios inúteis, mantidos para alimentar correligionários. Ou com o compromisso da presidente de voltar a respeitar a meta de inflação. Ou denunciando o escândalo da “contabilidade criativa”, pelo qual o governo do PT passou a fraudar seu próprio balanço — seguindo a escola Kirchner-Chávez —, escondendo dívidas para poder gastar mais com cargos e propaganda.
Será que os heróis das ruas não percebem que é isso o que mais infla o custo de vida (e as passagens de ônibus)?
Não, não percebem. Uma líder do movimento declarou ao “Jornal Nacional” que a próxima prioridade era a reforma agrária… Aí os parasitas estouraram o champanhe. Era a senha para mandarem Dilma tirar da cartola uma constituinte: reforma política! (mesmo balão de ensaio usado por Lula quando estourou o mensalão). E o truque colou. Tiraram a constituinte de cena, mas deixaram o Brasil entretido no debate lunático sobre um plebiscito do crioulo doido. De brinde, Dilma prometeu transformar a “corrupção dolosa” em crime hediondo. Eles venceram de novo.
Enquanto gritam por cidadania, educação, dinheiro do pré-sal e felicidade geral, os revoltosos urbanos estão absolvendo Rosemary Noronha — a protegida de Lula e Dilma na invasão fisiológica das agências reguladoras (responsáveis pelos serviços que a presidente promete melhorar…). Estão absolvendo as quadrilhas que dominaram o PAC — reveladas pela CPI do Cachoeira, que Dilma abafou e nenhum manifestante reclamou. Estão chancelando todos os denunciados na época da faxina imaginária que continuam dando as cartas no governo, como o ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel. Os revoltosos estão sancionando a sucção e cantando o Hino Nacional.
Fica então uma sugestão de pergunta para o plebiscito: o Brasil prefere ser roubado por corrupção dolosa ou indolor?
O presidente do STF, Joaquim Barbosa, prepara-se para convocar por volta de 15 de agosto a continuação do julgamento do mensalão em clima totalmente diferente daquele do fim de 2012, quando 25 dos 38 réus foram condenados.
A tentativa dos advogados de defesa de reabrir o julgamento através dos embargos infringentes parece fadada ao insucesso neste momento em que as ruas se manifestam contra a corrupção e exigem, tanto do Congresso quanto do Judiciário, um tratamento duro no seu combate.
Transformar a corrupção em crime hediondo, como o Congresso está em vias de fazer, dá uma dimensão política nova ao seu combate que, embora seja populista, ajuda a barrar tentativas de postergação das penas a que os réus de colarinho branco foram condenados.
A prisão do deputado Natan Donadon, decretada pelo STF após dois anos de embargos em cima de embargos, é demonstração de que o tempo de conseguir evitar a cadeia com chicanas jurídicas está com os dias contados.
Num sistema de Justiça equilibrado, não haveria qualquer problema em que a pena do ex-ministro José Dirceu fosse reduzida em eventual revisão de julgamento sobre o crime de formação de quadrilha, por exemplo.
De qualquer maneira, a condenação dele e dos demais réus do mensalão já está dada. Só aceitar uma pena que o coloque em regime fechado, como é a dele, seria apenas vingança política.
Mas a triste realidade brasileira é que a transformação da condenação em regime semiaberto significa na prática manobra para que o réu de colarinho branco acabe escapando da cadeia, pois não há no país prisões-albergues suficientes. Os condenados a regime semiaberto acabam mesmo em prisão domiciliar, com todas as regalias inerentes.
Ainda mais se essa eventual revisão de pena vier a ser alcançada através dos embargos infringentes, figura que só é cabível num julgamento do Supremo fazendo-se um malabarismo jurídico. Essa condescendência do tribunal na verdade significaria novo julgamento e seria percebida pela população como manobra para livrar os principais réus políticos da cadeia.
Ainda mais depois que dois novos ministros participarão do julgamento, Teori Zavascki, nomeado na vaga de Cezar Peluso, e Luís Roberto Barroso, que tomou posse ontem na vaga de Ayres Britto.
No momento, o STF é percebido pela população como uma barreira contra a corrupção, assim como o Ministério Público. Não foi por acaso que o fim da PEC 37 foi uma das reivindicações que ganharam as ruas.
O comentário de Barroso de que aquele julgamento foi “um ponto fora da curva”, antes de ser uma crítica, pode ser uma constatação de que o Supremo atuou dentro do espírito dos novos tempos que o país vive, conectando-se às necessidades da sociedade, e até mesmo antecipando-se a elas.
É essa percepção que faz de Barbosa um possível candidato à Presidência da República e, mais realisticamente, o vice ideal tanto para a chapa do PSDB, com Aécio Neves, quanto para a do PSB, com Eduardo Campos.
Mesmo, porém, a possibilidade de vir a ser vice de alguém é considerada remota, pois Barbosa não demonstra estar seduzido pelo apelo popular que o coloca como um candidato dos sonhos de uma parcela ponderável da população.
Apesar de dizer-se lisonjeado pelo resultado do Datafolha que o apontou como o preferido de 30% dos entrevistados em uma das manifestações de São Paulo, Barbosa tem confidenciado a amigos que considera mais importante seu papel de ministro do Supremo, e presidi-lo no momento de “grave crise” por que o país passa, do que participar de uma aventura política a esta altura de sua vida pública.
Mesmo com essa predisposição, Barbosa não nega munição para aqueles que não se sentem representados e saiu defendendo menos poder para os partidos políticos e a “necessidade no Brasil de se incluir o povo nas discussões sobre reforma. O Brasil está cansado de conchavos de cúpula”.
Ao defender as candidaturas avulsas, independentes dos partidos políticos, Barbosa acendeu a imaginação dos que querem vê-lo na disputa presidencial.
Antes, os políticos justificavam o baixo nível do Congresso dizendo que, para o bem e para o mal, ele era um reflexo do Brasil, representava o que os brasileiros tinham de melhor e de pior. Ou seja, não se podia almejar um Congresso de primeira com um povinho de quinta. E durante muito tempo nos fizeram acreditar que os representantes não eram piores do que os representados. Na semana passada, o povo nas ruas provou o contrário.
As palavras de (des)ordem atingiram frontalmente os partidos, com sua cultura patrimonialista, seus privilégios afrontosos e seu distanciamento da indignação popular, como uma corporação que se apossou do Estado e se une quando seus interesses são ameaçados — como agora. Mas eles querem mais dinheiro (nosso) para os seus partidos.
Contra a corrupção eleitoral, eles propõem o financiamento público das campanhas, com a bolada sendo distribuída proporcionalmente às bancadas dos partidos no Congresso. Ou seja, PT e PMDB, enquanto para a oposição sobraria uma verba do tamanho da sua pequenez. É a forma mais fácil, e cínica, de um partido se eternizar no poder às custas do dinheiro publico. Por que o Zé Dirceu e o Rui Falcão não mandam a militância para a rua defender esta proposta?
O horário eleitoral e os fundos partidários — que já nos custam muito caro — bastam para equalizar as oportunidades e garantir eleições democráticas. Empresas não votam, só têm interesses, investem e depois cobram a conta. São os eleitores que devem ajudar as campanhas de seus candidatos com doações individuais limitadas. Na Itália, o Movimento Cinco Estrelas fez 25% dos votos sem verbas públicas, só com pequenas doações individuais. E ideias.
Se a histórica semana passada tivesse acontecido antes, Renan não teria sido eleito presidente do Senado, os juizes não ousariam se dar dez anos retroativos de vale-refeição, os partidos não apresentariam projetos para afrouxar o Ficha Limpa e a Lei de Responsabilidade Fiscal, não dariam a Comissão de Direitos Humanos a Marco Feliciano, e os condenados do mensalão já estariam na cadeia. Foi por essas e outras que ela aconteceu.
Na segunda-feira (dia 01/07) haverá uma concentração a partir das 14h na Praça São Salvador, para uma caminhada até a Câmara de Vereadores de Campos. Estaremos reivindicando os direitos e a valorização da classe. Essa luta é de todos!
Compareçam!!!
Atualização às 19h45:Aqui e aqui, respectivamente, os blogueiros e jornalistas Sérgio Mendes e Joca Muylaert já haviam antes reproduzido a postagem da Branca.