Porque a cachorrinha Fafau faria corar até as mais ordinárias de Nelson Rodrigues

Cena de uma das versões cinematográficas de “Bonitinha, mas Ordinária”, de 1981, estrelada por Lucélia Santos
Cena de uma das versões cinematográficas de “Bonitinha, mas Ordinária”, de 1981, estrelada por Lucélia Santos

Antes que se iniciasse toda essa polêmica sobre a suposta censura do Trianon à peça “Bonitinha, mas Ordinária” (conheça-a aqui e aqui, e sua repercussão na mídia nacional aqui e aqui),  por alegados motivos de ordem pessoal e religiosa da prefeita Rosinha (PR), o leitor do Branco Mello contou em comentário ao blog uma fábula, na qual os animais ganham característica de gente para satirizar e desvelar a hipocrisia de gente, na melhor tradição do grepo Esopo (séc. VII ou VIII a.C.) e do francês Jean de La Fontaine (1621/95). Para conferir a picante fábula goitacá entre a cachorrinha Fafau e João Leão, é só conferir aqui.

Também recentemente, numa outra polêmica que ganhou a mídia nacional, sobre o projeto denominado “cura gay”, o não menos polêmico ator Alexandre Frota fez uma declaração, no programa “Morning Show”, da RedeTV, no qual disse ter namorado por dois anos o dublê de pastor pentecostal e deputado federal Marco Feliciano (PSC). Na quase certeza de que se tratou de uma brincadeira de Frota, mas que traz em comum com a fábula o sentido de sátira, antes de reproduzir seu vídeo abaixo, fica uma certeza integral: se João Leão falasse tudo que sabe da vida real da cachorrinha Fafau, faria corar a mais ordinária personagem da ficção de Nelson Rodrigues…

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Passeata fecha BR 101 e vai à Prefeitura. Artistas leem Nelson Rodrigues na praça

Artistas abraçam causa contra censura a Nelson Rodrigues na praça São Salvador (foto de Valmir Oliveira)
Artistas abraçam causa contra censura a Nelson Rodrigues na praça São Salvador (foto de Valmir Oliveira)
Contra a denúncia de censura no Trianon, por alegado motivo religiosa da prefeita, artistas leem Nelson no palco da praça (foto de Valmir Oliveira)
Contra a denúncia de censura no Trianon, por alegado motivo religiosa da prefeita, artistas leem Nelson no palco da praça (foto de Valmir Oliveira)
Da praça São Salvador, artistas de Campos saíram em passeata até o Trianon, onde a peça de Nelson teria sido censurada (foto de Valmir Oliveira)
Da praça São Salvador, artistas de Campos saíram em passeata até o Trianon, onde a peça de Nelson teria sido censurada (foto de Valmir Oliveira)

Na condição de poeta, vencedor duas vezes do FestCampos de Poesia Falada, mais que de jornalista ou blogueiro, acabei de voltar da praça São Salvador, por onde vi passar a passeata dos sindicalistas, “Cabruncos Livres”, ex-catadores de lixo da Codin e integrantes do MST, mas ficaram os artistas reunidos em protesto contra a denúncia de censura no Trianon à peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, por supostos motivos de ordem pessoal e religiosa da prefeita Rosinha (conheça o caso aqui e aqui, que ganhou a mídia nacional aqui e aqui). Enquanto a passeata, com cerca de 600 pessoas, seguiu pela avenida Alberto Torres, rumo a BR 101, com o intuito de interditá-la na altura do Shopping Boulevard, por cerca de 15 minutos, os cerca de 30 artistas preferiram ficar na praça símbolo da cidade, onde farão daqui a pouco a leitura de alguns trechos da obra de Nelson Rodrigues. Talvez poucos, fez bem à alma, no entanto, testemunhar velhos camaradas em armas, como Antonio Roberto Kapi, Fernando Rossi, Pedro Fagundes e Alexandre Ferram, entre outros, se fazendo acompanhar de uma rapaziada nova, como as irmãs Lívia e Júlia Bravo, o Victor Uno e a Juliana Souza, aos quais só fui conhecer através do grupo de discussão “Nelson Censurado”, na democracia irrefreável das redes sociais, e hoje pessoalmente, na democracia ancestral das praças.

Com informações também dos jornalistas da Folha Mário Sérgio Junior e Talita Barros.

Atualização às 18h24: Os manifestantes reunidos na passeata mudaram de ideia e, no lugar de se dispersarem, após fecharem a BR 101 na altura do Shopping Boulevard, estão seguindo neste momento a rodovia federal até a entrada da cidade.

Atualização às 18h48: Da entrada da cidade, na BR 101, os manifestantes da passeata decidiram neste momento caminhar pela avenida Nilo Peçanha para levar o protesto até as portas da Prefeitura.

Atualização às 19h23: Depois do protesto chegar à Prefeitura de Campos, diante da qual alguns manifestantes discursaram, a passeata acabou de se dispersar.

Atualização às 16h15 de 12/07 para ilustração do post com as fotos dos dois eventos nele narrados.

Sindicalistas, “Cabruncos”, ex-catadores de lixo da Codin e integrantes do MST fecharam a BR 101 (foto de Rodrigo Silveira)
Sindicalistas, “Cabruncos”, ex-catadores de lixo da Codin e integrantes do MST fecharam a BR 101 (foto de Rodrigo Silveira)
Após sairem da praça São Salvador e fecharem a BR 101, manifestantes encerraram o protesto na Prefeitura (foto de Rodrigo Silveira)
Após sairem da praça São Salvador e fecharem a BR 101, manifestantes encerraram o protesto na Prefeitura (foto de Rodrigo Silveira)
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O que os “Cabruncos” querem colocar das ruas na pauta da Câmara

Quer saber o que os “Cabruncos Livres” querem impor das ruas como pauta à Câmara Municipal de Campos, da discussão da Lei Orgânica do Município, após o fim do recesso dos vereadores, pois leia abaixo o documento divulgado pelo movimento aqui, na democracia irrefreável das redes sociais…

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Após reação à denúncia de censura a Nelson, Conselho de Cultura convoca reunião

Há alguns minutos da manifestação dos artistas de Campos na praça São Salvador, marcada para se iniciar às 17h, em protesto contra a denúncia de censura à apresentação da peça “Bonitinha, mas Ordinária” no Trianon, por suposto motivo pessoal e religioso da prefeita Rosinha (conheça o caso aqui e aqui, repercutido em mídia nacional aqui e aqui), parece que, finalmente, a primeira reação aconteceu por parte do poder público municipal. Segundo Kátia Macabu, professora e diretora de teatro do Instituto Federal Fluminense (IFF), informou aqui no grupo de discussão “Nelson Censurado”, criado no Facebook a partir da polêmica, o Conselho Municipal de Cultura a convocou para uma reunião no próximo sábado, dia 13, às 9h da manhã, na sede da Campos Luz, antiga sede da extinta secretaria municipal de Cultura.

Na democracia irrefreável das redes sociais, a notícia da convocação foi confirmada por outros artistas e integrantes do “Nelson Censurado”, como o ator e animador cultural Pedro Fagundes, que considerou a iniciativa como “manobra politiqueira”, sendo apoiado por outros colegas e integrantes do grupo de discussão. Controlado pela Prefeitura, o Conselho de Cultura não se reunia há mais de um mês, período no qual a reforma administrativa de Rosinha extinguiu a secretaria de Cultura, agregando-a como apêndice da secretaria de Educação, e reduziu a Fundação Trianon para uma superintendência, controlada pela presidente da agora toda poderosa Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, que é presidida por Patricia Cordeiro, esposa do cantor baiano Lucas “Cebola” e considerada entre as mais íntimas do círculo de confiança pessoal da prefeita.

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“Cabruncos” convocam à Câmara na próxima terça e dão seu testemunho da última

Além dos testemunhos dados aqui e aqui, respectivamente, pelos jornalistas da Folha Mário Sérgio Junior e Edu Prudêncio, acerca da reunião da última terça que reuniu representantes dos “Cabruncos Livres” e dos médicos de Campos, na Câmara Municipal, com os vereadores governistas Edson Batista (PTB) e Paulo Hirano (PR), os próprios jovens do movimento que já marchou três vezes pelas ruas da cidade deram também aqui sua versão própria da reunião, na democracia irrefreável das redes sociais. Antes de voltarem às ruas hoje, nas manifestações convocadas nacionalmente pela “velha guarda” das lideranças sindicais, e de levarem sua pauta dos problemas de Campos para onde ela de fato interessa, na discussão da Lei Orgânica do Município (LOM), que tem reunião marcada na Câmara para a próxima terça, dia 16, a partir das 9h da manhã, vejamos o que acharam os jovens “Cabruncos” da última visita à Casa do Povo goitacá…

Representantes dos “Cabruncos” na Câmara, na última terça
Luis Felipe Romano, Carolina Cidade, Thays Feydit e Juliana Sandamil, representantes dos “Cabruncos” na Câmara, na última terça

Iremos mostrar a Densidade Política nas Ruas. Essa é a nossa única resposta ao presidente da Câmara Municipal de Campos, o Sr. Edson Barista. Ele não se atentou disto ainda. Com seus comparsas acéfalos usaram do sarcasmo e ironia na maior parte do tempo, enquanto não falavam nada de concreto e ainda pediam “paciência meu jovens”. Mais?!?!?! Hirano só falava de números irreais e suas “Escolas Modelos”, enquanto Avelino, somente abobrinhas fascistas de dar pena… Uma chacota com a sociedade. Contudo, temos o fato concreto da reunião de construção da nossa LOM, que será na próxima Terça, dia 16/07/13 às 9h! Estaremos na Câmara! ;D vamos??

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É hoje: Brasil, mostra a tua cara!

Brasil

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer…

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha…

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer…

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer “sim, sim”

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair…

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…
Confia em mim…

Confia em mim
Brasil!

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Edu Prudêncio — Outro testemunho dos “Cabruncos” na Casa do Povo de Campos

Hoje, dia programado para o Brasil mostra sua cara, os “Cabruncos Livres” também prometem voltar às ruas de Campos. Em relação à maioria desses jovens, talvez até ingênuos em muitos aspectos, até por não terem ainda podido cumprir o conselho de Nelson Rodrigues — “Envelheçam!” —, no contraste com a experiência dos vereadores Edson Batista (PTB) e Paulo Hirano (PR), com os quais os “Cabruncos” e os médicos de Campos se reuniram na última terça, na Câmara Municipal, o jornalista da Folha Mário Sérgio Junior deu aqui seu importante testemunho. Como além dos dois vereadores, fiéis representantes do grupo político que domina o município há um quarto de século, lá também estavam alguns dos seus auxiliares diretos nessa pretensão até natural a quem está no poder, de nele permanecer, pertinente também ler o testemunho dado pelo outro jornalista da Folha presente ao encontro, o repórter-fotográfico Edu Prudêncio, que comentou o texto de Mário aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, e a quem este “Opiniões” pede licença para republicar abaixo, até para que a grande maioria ausente daquela reunião possa saber bem quem é quem entre as ruas e o poder que pela vontade delas deveria ser exercido…

“Cabruncos” e médicos de Campos na reunião de terça, com os vereadores Edson e Hirano, além do diretor e o procurador da “Casa do Povo” de Campos (foto de Edu Prudêncio)
“Cabruncos” e médicos de Campos na reunião de terça, com os vereadores Edson e Hirano, além do diretor e o procurador da Casa do Povo de Campos (foto de Edu Prudêncio)

Edu Prudêncio
Edu Prudêncio

Acho que o despreparo ali era geral. A reunião era com vereadores, o que o diretor da casa estava fazendo lá? Falando asneiras, como é do costume dele? O que é aquele procurador chamando o pessoal dos “Cabruncos” para conversar numa mesa de bar tomando um chope? Por diversas vezes senti vontade de falar, mas infelizmente não pude interromper, mas como falei no final da reunião para um dos membros do movimento, numa reunião deste porte, a turma tem que ir preparada, pois senão são engolidos por uma massa acéfala ou bitolada, mas que fala de maneira mais rebuscada um texto decorado outrora. Foi o que ocorreu com os vereadores presentes… E a comissão de manifestantes teve que aceitar vários posicionamentos destes bitolados democráticos da nossa Câmara… Mas vamos adiante!

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Artistas contra censura a Nelson levam às ruas sua pauta de reivindicações

Aqui, no grupo de discussão “Nelson Censurado”, criado na democracia irrefreável das redes sociais, logo após a denúncia de que a peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, maior nome da dramaturgia brasileira, teria sido cancelada no Trianon (conheça o caso aqui e aqui, que ganhou a mídia nacional aqui e aqui), por alegados motivos pessoais e religiosos da prefeita Rosinha (PR), o ator e produtor cultural Alexandre Ferran divulgou agora há pouco a pauta de reivindicação dos artistas de Campos, que prometem reagir ao suposto ato de censura, amanhã (11/07), a partir das 17h, na praça São Salvador. Resumidos na “Comida” do canto dos Titãs, querem os artistas deste palco plano cortado pelo Paraíba do Sul:

1 –  Plena liberdade de expressão artística;
2 –  Espaços para as práticas teatrais para grupos locais;
3 – Incentivos para montagens e criação de grupos de Teatro;
4 –  Formação qualificada de técnicos teatrais;
5 – Manutenção de material técnico e estrutural dos teatros;
6 – Preço acessível de ingressos dos espetáculos para a população.
7 – Fomentação de Fóruns, seminários, festivais, congressos de âmbitos municipal, estadual e nacional;
8 – Ações concretas e representativas do Conselho Municipal de Cultura;
9 – Criação da escola Técnica de Teatro;
10 – Devolução do Teatro de Bolso para a classe artística (que era uma proposta de campanha do atual governo);
11 – Incentivo ao mercado de trabalho.

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Leitora denuncia proibição de Patricia Cordeiro aos artistas de Campos

Além do desastre, com cheiro de ditadura teocrática e intelectualmente medíocre, no cancelamento no Trianon da peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, que seria apresentada pelo grupo de teatro carioca “Oito de Paus”, mas teria sido barrada por motivo de ordem pessoal e religiosa da prefeita Rosinha (PR), numa polêmica que ganhou a mídia nacional aqui e aqui, consegue ser ainda mais grave a denúncia feita aqui pela leitora Suzane Azevedo. Reproduzida abaixo, dá conta de uma suposta chantagem dos cofres públicos do município, via Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, contra os artistas de Campos. Com a palavra, à qual o blog garante o mesmo espaço,  a presidente da Fundação e esposa do cantor baiano Lucas “Cebola”, além de pessoa do círculo de confiança de Rosinha, Patricia Cordeiro…

  • Suzane Azevedo

    Os artistas foram convocados e proibidos por Patricia Cordeiro de participar de qualquer manifestação.
    Quem participar não entra mais na FCJOL e se tiver que ser contratado, ela não contrata mais.
    Essa Senhora vai acabar com a Administração da prefeita Rosinha Garotinho.
    Será que ela pensa que estamos vivendo na ditadura?
    Isso tem que acabar. Ela não pode ameaçar ninguém, mesmo pq o dinheiro é do povo e não dela.

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Artistas prometem sair às ruas contra censura a Nelson Rodrigues

Não bastassem todos os motivos para que os “Cabruncos Livres”, os médicos de Campos e os ex-catadores de lixo da Codin julgam ter para ir às ruas cobrar a administração municipal de Rosinha (PR), depois da polêmica aberta  pela denúncia de censura no Trianon à peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, por conta de supostos motivos pessoais e religiosas da prefeita (conheça o caso aqui e aqui), os artistas de Campos prometem também protestar publicamente amanhã, pelas ruas do município controlado há 25 anos por um grupo político que — entre a tragédia e a comédia da vida real, fundamentadas nas artes desde a Grécia Antiga — foi formado justamente no teatro. Para quem nele ainda está, ou pelo menos não esqueceu das suas origens, seja na arte ou na vida que a imita, segue abaixo a convocação dos artistas de Campos, para o protesto contra a censura e a favor do maior dramaturgo brasileiro, amanhã, às 17h, na praça São Salvador, que está rolando desde cedo na democracia irrefreável das redes sociais…

Atualização às 19h46: A sempre atenta jornalista e blogueira Susy Monteiro já havia anunciado aqui, desde às 11h20 da manhã, a convocação virtual à reação real dos artistas de Campos, contra a denúncia de censura de Nelson Rodrigues no Trianon.

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Mário Sérgio — Testemunho dos “Cabruncos” e médicos com Edson e Hirano

Mário Sérgio Junior, jornalista da Folha (foto de Silésio Corrêa)
Mário Sérgio Junior, jornalista da Folha (foto de Silésio Corrêa)

Ressalvadas as exceções e sem desmerecer as atitudes de ninguém, a reunião ocorrida na terça-feira (09) entre representantes do movimento “Cabruncos Livres”, médicos e o presidente da Câmara de Campos, Edson Batista, a meu ver apresentou uma série de bases aparentemente despreparadas, principalmente por parte dos “Cabruncos”, que em algumas reivindicações demonstraram não possuir total conhecimento das coisas que acontecem no município.

Vale ressaltar, com louvor, a iniciativa do grupo de ter saído do comodismo e reacender na planície o espírito de protesto, fazendo levar às ruas centenas de pessoas, cada qual com sua “revolta”, que marcharam em paz por questões que realmente merecem atenção, mas que durante a reunião pareceu que se tornou um pouco perdida. No entanto, antes de qualquer coisa cabe uma pergunta: Será que se na última manifestação, no dia 03 de julho de 2013, os médicos e outras classes não estivessem presentes, os “Cabruncos” sozinhos teriam conseguido o avanço de conseguir a reunião na Câmara? Uma vez que o anúncio desta partiu desses profissionais da saúde?

Ir a uma reunião na Câmara sem ao menos saber quais os dias e horários de sessões com ou sem tribuna livre, é no mínimo “baixar a guarda” diante de parlamentares que, embora vejam os manifestos como algo democrático, querem desviar o foco das manifestações.

Quero deixar bem claro que em nenhum momento disse que o movimento é fraco ou que não estão pleiteando assuntos relevantes para a sociedade em geral. Não é de hoje que todos estão percebendo a realidade precária dos transportes públicos, as reclamações de usuários da saúde pública, a falta de valorização dos profissionais da educação (que muitas vezes precisam trabalhar em vários locais para conseguir se sustentar), enfim uma série de queixas que os “Cabruncos” estão em alerta para ver um resultado efetivo.

Por parte dos parlamentares presentes e suas equipes, cabe as seguintes questões: Por que não ter aberto a reunião com todos os vereadores para que pudesse ao menos apresentar uma posição mais concreta e não apenas prometer análises? Quando será divulgado o resultado dessas análises? Será que elas serão “passadas para trás” por coisas mais “importantes”?

Enfim, no que diz respeito a soluções imediatas, nada foi apresentado. Acredito que se a reunião tivesse sido feita em outros moldes, com a presença de todos os vereadores, uma resposta mais direta poderia ter sido dada. Diante disso, independente de alguns despreparos, espero que tudo o que foi abordado não seja jogado para debaixo do tapete e uma forma disso não cair no esquecimento é o protesto nas ruas, que provavelmente não terá fim, pelo menos nas próximas semanas ou meses.

Das ruas à Câmara Municipal, na reunião de ontem, sem todos os vereadores (foto de Edu Prudêncio)
Das ruas à Câmara Municipal, na reunião de ontem, sem todos os vereadores (foto de Edu Prudêncio)
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