TRE define o destino de Campos em 6, 13, 20 ou 27 de outubro

O prazo de 30 dias para Rosinha na Prefeitura começou mesmo a contar no dia da decisão monocrática liminar do desembargador federal Cláudio Schwaitzer, na última sexta-feira, não a partir da nova posse, hoje, da prefeita.

De qualquer maneira, não faz diferença, pois como as votações em plenário do TRE ocorrem sempre às quintas-feiras, a conclusão do relatório do desembargador (que não pode ou deve ser confundida com sua liminar) e sua votação pelo colegiado do Tribunal tem apenas quatro datas possíveis no calendário: 6, 13, 20 ou 27 de outubro.

Versos do domingo — Gregório de Matos (II)

Reconhecidamente nosso maior poeta barroco e, na irrelevante opinião deste blogueiro, o maior talento já produzido pela poesia brasileira, Gregório de Matos Guerra (1636/95) mais uma vez aparece (aqui) para cadenciar o ritmo neste espaço em que a prosa, em respeito ao dia mais nobre de domingo, cede vez aos versos.

Para endossar a importância, a incrível atualidade e a surpreendente ousadia verbal do autor também conhecido em vida como “Boca do Inferno”, após ler abaixo um dos seus poemas mais conhecidos, tente você, leitor, sobretudo se campista, acatar a sugestão do título para definir também esta nossa cidade, assim como o poeta fez com a sua há 400 anos. E, neste raciocínio, aproveite e me responda: de quantos “ff” se compõe mesmo C-A-M-P-O-S-D-O-S-G-O-I-T-A-C-A-Z-E-S???… 

 

 

 

 

 Define sua cidade

 

De dois ff se compõe

esta cidade a meu ver:

um furtar, outro foder. 

 

Recopilou-se o direito,

e quem o recopilou

com dous ff o explicou

por estar feito, e bem feito:

por bem digesto, e colheito

só com dous ff o expõe,

e assim quem os olhos põe

no trato, que aqui se encerra,

há de dizer que esta terra

de dous ff se compõe.

 

Se de dous ff composta

está a nossa Bahia,

errada a ortografia,

a grande dano está posta:

eu quero fazer aposta

e quero um tostão perder,

que isso a há de perverter,

se o furtar e o foder bem

não são os ff que tem

esta cidade ao meu ver. 

 

Provo a conjetura já,

prontamente como um brinco:

Bahia tem letras cinco

que são B-A-H-I-A:

logo ninguém me dirá

que dous ff chega a ter,

pois nenhum contém sequer,

salvo se em boa verdade

são os ff da cidade

um furtar, outro foder.  

 

 

Quem (por ora) bate o martelo!

Quer saber quem é o desembargador federal Sérgio Schwaitzer, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que ontem permitu a Rosinha reassumir a Prefeitura pelos próximos 29 dias? Basta ler aqui o jornalista Ricardo André Vasconcelos…

Nahim diz que perdoa Garotinho, mas confirma ruptura

“Não foi a primeira vez que ele fez isso comigo, mas com certeza foi a última”. Falando sobre seu irmão, deputado Anthony Garotinho (PR), foi isso que garantiu ao blogueiro, agora há pouco, por telefone, o presidente da Câmara Nelson Nahim, também do PR, mas só por enquanto. Sem ainda ter definido qual será seu destino partidário, ele só garantiu que será um partido de oposição ao atual governo municipal. Nahim voltou a falar no desequilíbrio do irmão, que estaria por trás das versões de que tem sido alvo, como a de que saberia previamente da cassação de Rosinha, ou que teria passado a Prefeitura a Rogério Matoso, após tomar posse, na confusão generalizada na Câmara, fotografada, filmada e agora contada por ele em detalhes.   

Ainda fruto do tumulto de ontem, Nahim também falou sobre boatos de que os vereadores de Rosinha tentariam, no correr da próxima semana, entrar com requerimentos para afastar ele da presidência e Matoso da vice. Para ele, quem deveria perder o cargo por falta de decoro deveria ser o líder governista Jorge Magal (PMDB), que arrancou e quebrou o microfone de Rogério. De qualquer maneira, garantiu que os aliados de Garotinho na Câmara não têm base legal, nem moral para lograrem êxito, caso realmente tentem destituí-lo.

Ainda prefeito de Campos, Nahim informou já que pediu ao procurador do Legislativo, Helson Oliveira, para entrar em contato com seu par no Executivo, Francisco de Assis Pessanha Filho, para que Rosinha seja formalmente reempossada dos 30 dias no cargo concedidos por decisão monocrática do desembargador federal Sérgio Schwaitzer, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). E, bem diferente do clima de guerra que foi obrigado a enfrentar para cumprir a decisão judicial da 100ª ZE de Campos, que cassou Rosinha, Nahim fez questão de assegurar as condições para que a nova posse da cunhada se dê no clima mais tranquilo possível, até de maneira reservada, se ela assim preferir. Quanto a Garotinho, disse perdoar o irmão pelo que considera traições passadas e presentes, mas desabafou: “Não dá para aguentar mais!”

Abaixo, em detalhes, o que Nahim revelou ao blog:

 

Nahim reafirmou e deu mais detalhes do que já havia dito na coletiva de ontem, ao lado de Matoso (foto de Mariana Ricci)
Nahim reafirmou e deu mais detalhes do que já havia dito na coletiva de ontem, ao lado de Matoso (foto de Mariana Ricci)

 

Necessidade da posse de Rosinha —  Ela precisa ser empossada novamente, até para que seus atos administrativos tenham efeito. É o que a Lei Orgânica do município determina. E dei todas as instruções à procuradoria da Câmara para que tudo seja feito da maneira mais serena possível, da maneira que Rosinha desejar.

Passagem da Prefeitura a Matoso — Essa estória é de uma infantilidade a toda prova, é até risível. Isso foi claramente criado por Garotinho para tentar se colocar no papel de vítima. Conheço o Luis Filipe Melo, moderador do blog dele. É uma pessoa e um profissional sério. Ele não seria capaz de uma leviandade, de uma maldade dessas. Isso foi obra do próprio Garotinho, ou a mando dele. Por que eu passaria a Prefeitura a Matoso, se foi justamente para não deixá-la com ele e, por conseguinte, com a oposição, que eu assumi, cumprindo uma decisão judicial, e assim mesmo só depois de oficiar formalmente a 100ª ZE para sanar qualquer dúvida? É uma grosseira e deslavada mentira!

Confusão na Câmara — Depois que Rogério já havia assumido como presidente da Câmara, antes que eu prestasse juramento como prefeito, o vereador Vieira Reis (PRB) pediu a palavra e a ele foi explicado que não poderia ser, pois não se tratava de uma sessão legislativa, mas de um ato de posse para cumprir uma determinação judicial. Magal (PMDB) então avançou sobre a bancada, tentando gerar um bate-boca, sendo ecoado da galeria pela claque comandada por Thiago Ferrugem. Não satisfeito, Magal ainda arrancou e quebrou o microfone de Matoso, iniciando um empurra-empurra. Ciente de que o circo tinha sido armado para me envolver, como não sou palhaço, nem animal amestrado, sai da confusão e só voltei quando ela tinha acabado, sendo necessária inclusive a intervençao da PM, para finalmente poder cumprir o que determinou a juíza e tomar posse.

Destituição da presidência por quebra de decoro — Soube que esses boatos andam circulando, que teriam como alvo não só a mim, mas também a Rogério Matoso. E, como a versão de que eu teria passado a Prefeitura para Matoso, só posso classificar como risível. Se alguém tem que perder o mandato por falta de decoro é Magal, que arrancou e quebrou o microfone de Rogério, já efetivado como presidente da Casa, se prestando ao lamentável papel de iniciar toda aquela confusão encomendada. Eles não tem nenhuma base legal e, depois de ontem, muito menos moral, para propor um requerimento para afastar a mim e a Rogério. Mas se quiserem, que tentem. Terão que encaminhar isso à Comissão de Justiça, que é presidida por Kelinho (PR). E que condição moral terá Kellinho para apreciar um pedido desses, depois de ter registrado em cartório uma mentira, uma fofoca, de que eu saberia da cassação de Rosinha antes da decisão da juíza (aqui e aqui)? 

Saída do PR — Independente do que a Justiça decidir sobre quem ocupará a Prefeitura, após os 30 dias concedidos a Rosinha pelo TRE, disse ontem em coletiva, após toda aquela lamentável confusão, e repito agora, já com a cabeça mais fria: não há a menor condição para que eu permaneça no PR; não há mais clima. Não posso ainda adiantar qual será meu destino, que tem até 7 de outubro para ser definido, mas uma coisa é certa: qualquer que seja minha nova legenda, não será da base aliada do governo municipal. Depois de ontem, não posso compactuar com o que vem fazendo Garotinho. Eu agi em respeito à lei, enquanto ele excedeu o respeito a qualquer limite.

Traição — Soube que Garotinho falou em seu programa de rádio, que hoje execedeu em mais de uma hora, como sempre faz o que quer na rádio O Diário, gerando inclusive as duas cassações de Rosinha, que ele me perdoaria. Essa total inversão da realidade só comprova seu atual estado de desequilíbrio, ao qual me referi ontem na coletiva (aqui). E falo isso com muito pesar, pois sou seu irmão e, apesar de tudo, tenho amor por ele. Agora, não é por ser seu irmão, que serei seu capacho, seu pau-mandado, triste papel relegado a todos os aliados que lhe restaram. Nunca abaixei minha cabeça, sempre disse a ele o que pensava ser verdade e isso muitas vezes não era aquilo que ele queria ouvir. Ele disse que eu falei contra ele quando primeiro eles tentaram fazer Paulo Hirano e depois Chicão como vice de Rosinha. Se eu achava, como me acho, capacitado, digno de confiança e com serviços prestados a um grupo político para galgar determinada posição, tenho que ficar calado depois de ser preterido não uma, mas duas vezes? Aliás, nesta estória, quem traiu quem? A diferença talvez esteja no nível das discordâncias. Alguns, como eu penso sempre ter feito em minha vida pública, são capazes de divergir apenas no campo das idéias, sem ódio, sem gosto de sangue na boca. Outros têm a necessidade, algumas vezes até patológica, de fazer de seus opositores inimigos pessoais. Garotinho não é meu inimigo, é meu irmão em sangue e em Deus, e eu o perdôo. Só que depois de ontem, não dá para aguentar mais. Não posso estar ao lado de quem pratica o mal. Não foi a primeira vez que ele me traiu, mas com certeza foi a última.

Advogados de Arnaldo vão recorrer no TRE contra liminar de Rosinha

O blogueiro acabou de falar por telefone com o advogado João Batista de Oliveira, que representa o ex-deputado e ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) na ação que gerou por duas vezes a cassação da prefeita Rosinha (PR). Ele informou que já na próxima segunda-feira, pretende ingressar no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com um agravo regimental contra a decisão liminar monocrática do desembargador federal Sergio Schwaitzer, responsável pela manutenção de Rosinha na Prefeitura por 30 dias, após dois de afastamento.

Caso o relator não mude sua decisão, o que parece pouco provável, o agravo será apreciado no plenário do TRE tão atacado pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR) nos últimos dias, onde as probabilidades contrárias aos desejos do ex-governador podem aumentar.

Sangue e porrada na política de Campos

Na lente da talentosa (e corajosa) repórter-fotográfica da Folha Mariana Ricci, as cenas do ringue de vale-tudo que se tornou não só a Câmara de Vereadores, na tarde de hoje, como toda a prática política de Campos. 

Salvo os feridos, morta foi a democracia…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rosinha consegue liminar no TRE para se manter prefeita

Comemoração de militantes na Prefeitura e de vereadores governistas na Câmara, onde uma confusão generalizada se deu após Nelson Nahim ter sido empossado como chefe do Executivo. O motivo: Rosinha voltou ao cargo por um período de 30 dias, através de decisão liminar monocrática concedida pelo desembargador federal Sergio Schwaitzer, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Daqui a pouco, mais informações…

 

Atualização às 16h25: Apenas um minuto antes deste blogueiro, o procurador do município Francisco de Assis Pessanha Filho, já havia anunciado aqui, em seu próprio blog, a vitória de Rosinha no TRE.

 

Atualização às 16h28: O blogueiro acabou de falar com a jornalista Luciana Souza Batista, da assessoria do TRE. Ela não confirmou a liminar favorável a Rosinha, que teria sido dada pelo desembargador federal Sergio Schwaitzer, mas informou que este se encontra reunido com sua assessora, a portas fechadas em seu gabinete, para liberar daqui a pouco sua decisão.

 

Atualização às 16h53: Editor-geral da Folha, o jornalista e blogueiro Luiz Costa revelou aqui a reação de Nahim em entrevista coletiva agora há pouco, na Câmara, onde em poucas horas tomou posse como prefeito, se viu envolvido num confusão generalizada e recebeu a notícia da manutenção de Rosinha na Prefeitura, por decisão liminar monocrática do TRE. Depois de tudo, ele questionou publicamente o desequilíbrio emocional do irmão, Anthony Garotinho, que disse precisar de tratamento psiquiátrico. Ele também deixou claro não ter mais clima para continuar no PR. Segundo o jornalista Roberto Barbosa já havia adiantado aqui, o rumo do irmão de Garotinho seria o PMDB, pelo qual concorreria à Prefeitura em 2012, contra sua cunhada Rosinha.

 

Atualização às 19h05: Para conhcer a decisão liminar favorável a Rosinha, clique aqui, no blog do procurador municipal Francisco de Assis Pessanha Filho. Para ler a comunicação oficial do TRE, clique aqui.

Procurador dá exemplo a ser seguido como blogueiro

Ao noticiar aqui, em primeira mão, o revés do indeferimento no TSE da reclamação contra a cassação de Rosinha pela 100ª ZE de Campos, o procurador do município Francisco de Assis Pessanha Filho agiu com um ética que está longe de ser a tônica da blogosfera local.

Em meio às paixões desde ontem tão acirradas, poderia (e deveria) servir de exemplo a generoso número de blogueiros locais, contrários e favoráveis ao grupo político de Garotinho — incluindo o próprio. Aparentemente opostos no campo das idéias, são quase sempre homogêneos na pequenez da prática.