Sesi divulga programação cultural de agosto

O Sesi divulgou agora há pouco, via e-mail, sua programação cultural para o mês de agosto. Na visão do blogueiro, o destaque fica por conta da apresentação do dia 12, uma sexta-feira, de Paulinho Moska, ex-integrante da “Inimigos do Rei”, banda que fez sucesso a reboque da explosão do BRock, nos anos 80. 

Para quem quiser dar ares mais leves ao mês tido no Brasil como maldito, vale a pena conferir abaixo e se programar…

 

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Situação e oposição — Do blog, à Folha, ao blog

Repercussão da entrevista que Geraldo Pudim concedeu ao blog (aqui) e a Folha republicou em sua edição impressa de ontem, hoje o jornal trouxe as respostas de vários líderes oposicionistas atacados pelo secretário de governo de Rosinha, em matéria bem apurada pelo Alexandre Bastos. Como o jornalista optou por não reproduzir as réplicas da oposição em seu blog pessoal, nem a a matéria da Folha Online trouxe a íntegra das declarações de Arnaldo Vianna (PDT), Odete Rocha (PCdoB), Roberto Henriques (PR), Rogério Matoso (PPS), Odisséia Carvalho (PT), Sérgio Mendes (PPS) e Carla Machado (PMDB), este blogueiro achou por bem reproduzi-las abaixo, visando dar-lhes o mesmo espaço anteriormente já concedido aqui ao presidente local do PV Andral Tavares Filho…

 
(Foto de Silésio Corrêa)
(Foto de Silésio Corrêa)

 

Arnaldo Vianna — Pudim é um garotinho de recados. Enquanto a prefeita canta e fica passeando por aí, ele tenta desviar a atenção repetindo coisas que o seu patrão diz no rádio. Fala do passado e vive correndo atrás de pessoas que participaram dos outros governos. É uma figura incoerente e que sabe exatamente qual é o seu papel no grupo: não ter opinião e acatar as ordens do chefe. Seria bom ele explicar porque um governo que tem R$ 2 bilhões de Orçamento deixa de repassar verbas para entidades como Apae, Apoe, São José Operário e vários asilos.

 

(Foto de Silésio Corrêa)
(Foto de Silésio Corrêa)

 

Odete Rocha — As pessoas precisam entender que a Frente Democrática é formada com base numa oposição. Não deixamos de pensar o que pensávamos e nem de debater o que sempre debatemos. Estamos desde o início nesse movimento, mas não somos donos da Frente. Dela fazem parte as pessoas quiseram ingressar nessa luta. No nosso caso, não é fazer oposição por oposição. Nós, do PCdoB, continuamos com o compromisso por uma gestão transparente. A Frente não é de Odete, não é de Odisséia, não é de Arnaldo. O movimento agrega quem optou em fazer oposição ao modelo que aí está.

 

(Foto de Diomarcelo Pessanha)
(Foto de Diomarcelo Pessanha)

 

Roberto Henriques — Em primeiro lugar a prefeita Rosinha não é do PR. Quem atacava uma pessoa do próprio partido era o ex-deputado Geraldo Pudim. Quando estava no PMDB, ele vivia criticando o governador Sérgio Cabral, que é do partido. Sobre a minha postura, faço a mesma coisa que fiz na época de Mocaiber. Assim como Mocaiber, a prefeita Rosinha deixou que uma outra pessoa tomasse conta da Prefeitura. Isso não pode ser tolerado por ninguém. 

 

 

(Foto de Silésio Corrêa)
(Foto de Silésio Corrêa)

 

Rogério Matoso — Ele falou sobre a minha mãe, que foi secretária e não teve uma única irregularidade apontada pela Justiça. Inclusive, após uma ampla investigação, sua postura foi elogiada pelo juiz e o caso foi encerrado. Mas ele se esquece que o ex-prefeito Mocaiber hoje está no grupo dele. Hoje o governo Rosinha tem mais nomes do governo passado do que do próprio grupo. Estão todos juntos e misturados. Ao invés de ficar com essa picuinha, Pudim deveria se preocupar com o desenvolvimento do município. 

 

(Foto: Folha da Manhã)
(Foto: Folha da Manhã)

 

Odisséia Carvalho — Considero que o grupo está começando a entrar no desespero na medida em que a Frente Democrática se fortalece não só em nível regional, mas também no estadual. Por isso deve estar batendo desespero da parte deles. Outra coisa que me estranha é o fato dele (Pudim) fazer esse tipo de ataque. Numa eleição, é vencer ou não vencer. E isso não desqualifica ninguém. Até porque ele mesmo só conseguiu se eleger uma vez e agora também é suplente de deputado. É preciso deixar claro que no governo anterior, o PT tinha uma aliança com o PSB, que foi desfeita depois da operação Telhado de Vidro.

 

(Foto de Alessa Oliveira)
(Foto de Alessa Oliveira)

 

Sérgio Mendes — Ele fala de algo que aconteceu há 15 anos. Pudim se esquece que o meu governo foi investigado e não encontraram irregularidades. Vale lembrar que o Orçamento na época foi de R$ 350 milhões em quatro anos. Hoje, esse atual governo vai ter cerca de R$ 7 bilhões em quatro anos. E o que estamos vendo em nossa cidade? Obras paradas, promessas no papel, dívidas com entidades importantes, Saúde com problemas, professores indignados. Este é o governo da mudança? E olha que não precisa ser oposição para constatar isso.  

 

 

(Foto: Folha da Manhã)
(Foto: Folha da Manhã)

 

Carla Machado — Que dívida política é essa? Não sou traidora. O que não sou é fantoche, mudando de partido de acordo com a conveniência de alguém que tenha um projeto político personalista com uma condução equivocada e marcada por rachas e perseguições. Acho que a política tem que ser discutida no campo das idéias, até porque a nossa região merece isso. A posição de Pudim espelha o desespero e o destempero de um grupo político que está a serviço do mal, de uma política desagregadora.

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Opiniões de poesia — Robert Burns

Após o dia de ontem no estaleiro, para cuidar de uma forte gripe, o blogueiro opta por retomar hoje suas atividades virtuais, dando sequência ao resgate, neste “Opiniões”, de textos sobre poesia escritos originalmente para o blog “Cantos” (aqui), inativo há algum tempo. Segue abaixo uma crônica com pretensão de ensaio, sobre Robert Burns (1759/1796), poeta nacional da Escócia, assim como o comentário feito à época pelo professor, historiador, crítico de cinema, ambientalista, imortal da Academia Campista de Letras e também poeta, Arthur Soffiati…

 

Robert Burns — Olhos e ouvidos à

língua da Escócia

Por aluysio, em 27-11-2009 – 5h01

“Adeus, amor, eu vou partir, pra bem longe daqui…”. Cantada em todo mundo, é nesta tradução adaptada que a maior parte dos brasileiros conhece “Auld lang shyne” (“Aos velhos tempos passados”), canção de Robert Burns (1759/1796), poeta nacional da Escócia. Tomei conhecimento da sua existência em meados dos anos 90, quando o amigo e também jornalista Celso Cordeiro Filho, pai da Manuela Cordeiro — promissora poeta de Campos —, me presenteou com o livro. Edição comemorativa do whisky Teacher’s, a publicação trazia 50 poemas na versão original, acompanhados não só da tradução em português da Luiza Lobo, como por uma sua introdução, que li à época à guisa de informação, mas que na releitura recente, para confecção deste post, me impressionou pela profundidade da pesquisa e a descoberta na palavra escrita de algo que já havia notado na fala escocesa, quando percorri como mochileiro boa parte daquele belo país, no inverno (deles) de 2007.

Fui acompanhado da também poeta Silvana Siqueira, com quem namorava à época. Por ter morado nos EUA, ela falava (como fala) inglês bem melhor que eu, muito embora condicionada à corrida pronúncia yankee. Na Inglaterra, deu para se virar perfeitamente bem, mas assim que desembarcamos do trem em Edimburgo, capital da Escócia, e pedimos uma informação ao primeiro passante, ela confessou espantada, ao notar que eu havia compreendido o sujeito: “Aluysio, eu não entendi uma palavra do que ele disse”.

Ocorre que aprendi inglês de ouvido, não em sala de aula, mas a partir da música e, principalmente, do cinema. Mais recentemente, por paixão à dramaturgia de William Shakespeare (1564/1616), estudei por conta própria, para tentar ler a obra no original. Na fala, nunca excedi o nível tarzânico — Me, Tarzan! You, Jane! —, mas leio razoavelmente e, ouvindo, entendo bem. Sobretudo, por gostar muito do cinema britânico, adestrei o ouvido também aos sotaques irlandês e escocês, que considero, inclusive, os de sonoridade mais atraente. Não tão impostados quanto os ingleses, ou desleixados como os estadunidenses, possuem uma fala viril, de dicção nasalada, fundamentados numa ancestralidade gaélica — língua dos antigos celtas, os gálatas destinatários da epístola de Paulo — que não soa tosca, “caipira” como, por exemplo, os sul-africanos e australianos.

Em relação à língua que bate ao palato escocês, é mais ou menos como se o inglês fosse sempre pronunciado com o acento circunflexo (que inexiste naquela língua) sobre a vogal tônica de cada palavra. Para resumir, como passei a brincar após minhas andanças na Escócia, o “no” (“não”), lá, se diz “na”.

Pois ao reler a introdução da Luisa Lobo, atentei a um fato que tinha passado despercebido em minha primeira leitura, mais de 10 anos atrás: discussão antiga, seja como língua distinta ou derivação em dialeto, o escocês não é, literalmente, o inglês. Como explica David Murison, em seu livro “The language of Burns”: “tanto o escocês quanto o inglês são dialetos da mesma língua original, o anglo-saxão, e as diferenças são muito menores que as semelhanças”.

Ao transcrever o original do poema de Robert Burns que escolhi para postar, “To a mouse” (“Para um camundongo”), que os alunos dos países de língua inglesa costumam saber de cor, grande foi minha surpresa ao constatar que uma dessas diferenças assinaladas por Murison se dava num dos vocábulos mais elementares. Não é que os escoceses pronunciem o inglês “no” como “na”. O fato é que eles realmente escrevem assim o seu “não”.

Pode parecer um detalhe menor, mas impressiona quem descobre, sem querer, o fundamento escrito há mais de dois séculos de algo ecoado no ouvido por dois anos. Assim, à velocidade da luz no pensamento, uma madrugada de leitura solitária é preenchida pela companhia das gentes de tempos e terras distantes. E, de súbito, o “não” passa a significar: “sim, meus irmãos, podem chegar”.

Utópico na real, esse mesmo socialismo humanista é traço marcante em Burns, que o caracteriza como pré-romântico, assim como a religiosidade mística e o tratamento nacionalista do folclore, das lendas e dos temas políticos. Ainda que também ligado à Ilustração — conjunto das tendências ideológicas de origem inglesa e francesa, que teve no Arcadismo sua expressão literária —, ele foi precursor não só do Romantismo, como inovador nesse mesmo humanismo que o ligava ao movimento, posto ter alcançado fama mundial com o poema “The rights of woman” (“Os direitos da mulher”).

“Enquanto a Europa se volta para coisas mais fundamentais,/ O destino dos impérios e as quedas reais;/ Enquanto os doutores fazem planos estatais,/ E até crianças balbuciam os Direitos do Homem,/ Deixai-me dizer, em meio a tal confusão que/ Os Direitos da Mulher merecem especial atenção” já seriam versos por demais ousados, levado em conta que a simples posse de uma cópia do citado “Os direitos do homem”, do inglês Thomas Paine (1737/1809), representava pena de prisão na Grã-Bretanha daquele revolucionário fim de séc. 18. Mas variado o gênero, o que dizer, então, sobre cantar os direitos da mulher século e meio antes dos primórdios do feminismo?

E, distinto do esteriótipo brasileiro do poeta romântico, mais afeito à idealização das musas, Burns conhecia a mulher de carne e osso suficientemente bem para ter feito 16 filhos em quatro delas — excetuada uma galeria numerosa de amantes com as quais não procriou, mas dedicou versos.

Não por motivo diverso, o bardo escocês é também conhecido pela produção de poesia fescenina (pornográfica), característica que o aproxima não de um romântico brasileiro, mas do nosso maior barroco e primeiro grande poeta, Gregório de Matos (1633/1695), o “Boca do Inferno”. O mesmo se dá a partir da sátira social e política e da anti-religiosidade (mas associada à fé inabalável num Deus libertário e piedoso) que permeiam a obra de ambos.

Em contraponto a esse humanismo romântico, a referência aos pequenos animais é caracterítica da Ilustração, em sua exaltação da natureza. Dela são frutos não só o poema lírico “To a mouse” (“Para um camundongo”), mas também outra de suas obras-primas, o cômico “To a louse” (“Para um piolho”). Essa acentuada veia cômica em muitos dos seus versos, aliás, se constitui em outro traço anti-romântico do pré-romântico Burns.

Se empregar o animal como metáfora à conversa com homens é prática desde o grego Esopo (séc. 6 a.C.) e do francês La Fontaine (1621/1695), talvez nenhum outro autor o tenha feito antes com a intimidade verdadeira de Burns, que à parte a atividade de poeta, sempre exerceu, desde a infância, a lida de fazendeiro, salvo em seus último anos, quando conseguiu o ofício de coletor de impostos. Já na primeira edição de sua obra, em 31 de julho de 1786, intitulada “Poemas, principalmente no dialeto escocês”, ele se apresentava como “um gênio rústico”.

Muito embora essa auto-definição “ingênua” pouca coisa tenha de  ingenuidade, mas do caso pensado de se promover em cima do modismo desse “espírito puro” na Edimburgo e na Londres da sua época, Burns não mentiu quando depois se classificou como um poeta despojado das “elegâncias e vagares da vida elevada, que baixa os olhos para o tema rural”. De fato, ninguém que lê “To a mouse”, no original ou em qualquer tradução razoável, é incapaz de perceber o homem real, solidarizado em sua vida do campo com aquele simples camundongo, cujo habitação e provisões para o inverno acabara de destruir com o arado, tentando se valer das mesmas precauções que demonstrou inúteis ao seu “companheiro/ Terreno e mortal”.

Como em relação ao socialismo e ao feminismo, estandartes que marcaram o séc. 20, Burns se mostra precursor de outra bandeira, hasteada com vigor no panteão universal deste início de séc. 21: a ecologia. Um hemisfério, um oceano e mais de dois séculos separado, por exemplo, do nosso ambientalista mais proeminente, o professor, crítico de cinema e também poeta Arthur Soffiati, na boca deste e de todos os seus pares, o lamento do escocês se torna quase bordão: “Sincero lastimo a humana dominação/ A quebrar da Natureza a social união”.

Mesmo hoje, difícil pensar num fazendeiro que encare um rato como igual, não como praga, chegando a perdoá-lo pelo furto da lavoura: “Um grãozinho de milho num monte de grãos/ É pequena requisição;/ Será uma dádiva o que me deixares/ Nunca sentirei o que me roubares!”.

De fato, muito além de “baixar os olhos ao tema rural”, Burns segue dizendo a verdade quando se define poeta voltado aos “rústicos companheiros a seu redor, na sua língua nativa”. Não precisava olhar para baixo. Bastava olhar aos lados.

Não foi por outro ângulo que esse fazendeiro-poeta dedicou sua vida a roçar um dialeto já reduzido à oralidade da sua gente mais simples, para semeá-lo com seus versos no plantio e colheita de uma língua literária. Burns não precisou mais do que uma educação formal restrita ao ensinamento pago pelo pai (um jardineiro) numa escola paroquial, para beber da fonte de Shakespeare, John Milton (1608/1674), John Dryden (1631/1700), Alexander Pope (1688/1744) e Thomas Gray (1716/1771), entre outros autores ingleses, mas canalizando esse fluxo irresistível à fertilização da sua própria língua, gradativamente deixada à míngua pelos próprios prosistas escoceses, após a fusão dos Parlamentos da Escócia e Inglaterra na cidade de Londres, em 1707.

Se toda língua, sem exceção, nasce da poesia, foi com a poesia que Burns fez renascer a escocesa. Para tanto, dedicou anos da sua vida ao trabalho arqueológico de compilação, complementação e recriação de antigas canções populares, não só das letras, como das próprias melodias. Trabalhando junto aos editores James Johnson e George  Thomson, nunca aceitou receber por isso, mesmo com tantos filhos e uma vida financeiramente sempre difícil, pois considerava uma desonra auferir lucro num serviço tão importante à cultura do seu país.

Robert Burns nunca saiu da Escócia. À exceção de viagens às Highlands (as Terras Altas, encravadas nas belas montanhas ao norte do país) e à capital Edimburgo, nunca deixou a Caledônia, região do sudoeste escocês, onde nasceu, viveu e morreu, aos 37 anos. Sucumbiu à febre reumática, consequência dos anos de trabalho duro na terra.

À parte tudo que havia visto em fotos e vídeos, foram as imagens transpostas por Burns, das suas retinas aos seus versos, que fui buscar com meus próprios olhos na Escócia, lugar mais belo em que já estive, ao lado da Grécia. Assim que desci em Edimburgo, antes de seguir a Glasgow e depois às Highlands, fui experimentar o haggis — pudim de míudos de carneiro, que está para os escoceses como a feijoada aos brasileiros — cantado em seu “Adress to a haggis” (“Saudação a um haggis”), numa reafirmação da nacionalidade em todos os sentidos, do palato ao paladar. E nunca deixei de ouvir a musicalidade viril da fala da sua gente, ecoada para sempre em suas canções. 

É fato: “Os melhores planos de ratos e homens/ Por vezes se arruínam”. Mas, por vezes, não…

Renascida na umidade quente da saliva de um poeta, a língua do “não” também pode ser aquela que confirma.

 

A UM CAMUNDONGO

AO REVIRÁ-LO NO SEU NINHO COM O ARADO,

 

NOVEMBRO 1785

 

I

Suave, encolhido, tímido animalzinho,

Oh, que terror se aperta em teu peitinho!

Não precisas te precipitar

     Em temerosa corrida!

Eu não desejava te arreliar e perseguir

     Com enxadão assassino!

 

II

Sincero lastimo a humana dominação

A quebrar da Natureza a social união,

E a justificar tão má opinião

     Que o faz saltar

Longe de mim, teu pobre companheiro

     Terreno e mortal!

 

III

Não duvido, tu és o meu ladrão;

E então? animalzinho, precisas sobreviver!

Um grãozinho de milho num monte de grãos

     É pequena requisição;

Será uma dádiva o que me deixares

     Nunca sentirei o que me roubares!

 

IV

E tua casinhola, também em ruínas!

Seus tolos muros pelos ventos carregados!

E nada já para construir-te uma casa nova,

     Mesmo de áspero capim!

E em dezembro, as invernais ventanias

     Aparecem, cortantes e severas!

 

V

Tu viste os campos desertos, devastados,

E o árido inverno rápido chegado,

E, comodamente, sob os vendavais,

     Aqui pensaste em habitar!

Até que um som cruel cortou numa fatia

     Crash! A tua morada.

 

VI

Este feixe de folhas e restolhos,

Como te custou exaustivos bocados,

Agora foste expulso, apesar dos cuidados,

     Sem abrigo nem casa ter,

A suportar chuvosa a fria geada,

     E a terra sentir congelada!

 

VII

Mas camundonguinho, tu não estás sozinho

Ter precaução pode ser algo bem vão:

Os melhores planos de ratos e homens

     Por vezes se arruínam

Deixando-nos imersos em tristeza e dor

     Em lugar da prometida alegria!

 

VIII

És contudo feliz se comigo comparado!

Pois tão-somente o presente observas:

Enquanto eu, oh! quando para trás olho

     Só planos frustrados enxergo!

E quando olho para frente nada vejo,

     Senão maus augúrios, e estremeço!

 

 

TO A MOUSE

ON TURNING HER UP NEST WITH THE PLOUGH,

 

NOVEMBER 1785

 

I

Wee, sleekit, cowrin, tim’ beastie,

O, what a panic’s thy breastie!

Thou need na start awa sae hasty

     Wi’ bickering brattle!

I wad be laith to rin an’ chase thee,

     Wi’ mudering pattle!

 

II

I’m truly sorry man’s dominion

Has broken Nature’s social union,

An’ justifies that ill opinion

     Wich makes thee startle

At me, thy poor, earth-born companion

     An’ fellow mortal!

 

III

I doubt na, whyles, but thou may thieve;

What then? poor beastie, thou maun live!

A daimen icker in a thrave

     ’S a sma’ request;

I’ll get a blessin wi’ the lave,

     An’ never miss’t!

 

IV

Thy wee-bit housie, too, in ruin!

Its silly wa’s the win’s are strewin!

An’ naething, now, to big a new ane,

     O’ foggage green!

An’ bleak December’s win’s ensuing,

     Baith snell an’ keen!

 

V

Thou saw fields laid bare an’ waste,

An’ weary winter comin fast,

An’ cozie here, beneath the blast,

     Thou thought to dwell,

Till crash! the cruel coulter past

     Out thro’ thy cell.

 

VI

That wee bit heap o’ leaves an’ stibble,

Has cost thee monie a weary nibble!

Now thou’s turned out, for a’ thy trouble,

     But house or hald,

To thole the winter’s sleety dribble,

     An’ cranreuch cauld!

 

VII

But Mousie, thou art no thy lane,

In proving foresight may be vain:

The beast-laid schemes o’ mice an’ men

     Gang aft agley,

An’ lea’e us nought but grief an’ pain,

     For promis’d joy!

 

 VIII

Still thou art blest, compared wi’ me!

The present only touched thee:

But och! I backward cast me e’e,

     On prospects drear!

An’ forward, tho’ I canna see,

     I guess an’ fear!

 

Burns, Robert. Em Robert Burns, 50 Poemas, tradução e prefácio de Luiza Lobo, editora Relume Dumará (1994), págs. 74 a 79.

 

Arthur Soffiati

Prezado Aluysio
Parabens não só por nos lembrar do grande poeta escocês do século 18 Robert Burns, mas também – e principalmente – pelo primoroso artigo. Você soube salientar apropriadamente o acento escocês e o pioneirismo de Burns quanto aos direitos da mulher e à preocupação com o ambiente, sobretudo com os pequenos animais. Enquanto Esopo e La Fontaine falavam de animais para se dirigirem aos humanos, Burns fala diretamente dos e aos animais. Enquanto a mulher ainda era considerada inferior ao homem, como defende Antoine Léonard Thomas no Ensaio sobre o caráter, os costumes e o espírito das mulheres em diferentes séculos, Burns gosta não de mulher, mas das mulheres. Ele sai do genérico para falar de e a um camundongo, de e a um piolho, das e para as mulheres, que não deixou de amar fisicamente sem se sentir superior a elas.
Burns tem a sensibilidade (e talvez a dúvida sistemática) de um Montaigne, que dedicou seu maior ensaio ao comportamento dos animais, tencionando mostrar aos humanos que deveriam reduzir sua arrogância em relação ao mundo, atenuar sua infantil pretensão de escolhido de Deus para dominar a natureza em nome do espírito imortal e da cultura. Como ninguém, Montaigne questionou todos os apanágios humanos, vislumbrando-os também nos animais, e isto sem ferir os princípios cristãos, ele, que deveria ser um marrano ou pós-marrano.
No ocidente, desde a Idade Média, podemos distinguir duas visões de natureza. A primeira, hegemônica, afirma a superioridade humana. A segunda, subterrânea, inserindo o ser humano na criação. São Bento exaltava o trabalho como forma de dominar a natureza. São Bernardo de Claraval dizia que a natureza inculta se encontra em estado de pecado. Os humanistas dos séculos 15 e 16 consideravam a natureza um terreno baldio a ser dominado e cultivado. Picco Della Mirandola, por exemplo, tratava os pés humanos como a parte mais vil do corpo por estar em contato com a terra. Petrarca não via nada de importante fora do homem.
Já no século 17, o humanismo se transforma em antropocentrismo, notadamente com a figura de Descartes e de La Méttrie. O próprio iluminismo, que tanto se maravilhava com a natureza, não hesita tambem em defender o seu conhecimento para melhor explorá-la em favor do homem. E assim esta concepção se consolida nos séculos 19 e 20, com liberais e socialistas de todos os matizes, para só mostrar os primeiros sinais de exaustão na segunda metade do século 20 e no início do século 21, que assistem ao desabrochar de uma nova razão, esta complexa.
A outra vertente é representada por São Francisco de Assis, Mestre Eckhart, o já mencionado Montaigne, Espinosa, Pascal, o nosso apreciado Burns, Henry David Thoreau (nos EUA), Tolstoi, Alberto Torres, Claude Lévi-Strauss e alguns outros que são valorizados agora pela defesa veemente que fizeram em respeito à natureza não-humana.
Voltemos à Escócia de Burns. Esta parte do Reino Unido, que zela com denodo e altivez por sua diferença cultural em relação à Inglaterra e ao País de Gales, viu nascer Adam Smith, considerado o fundador da teoria econômica do capitalismo, e James Watt, aperfeiçador da máquina a vapor que iria deflagrar a Revolução Industrial no último quartel do século 18, origem material da crise ambiental da atualidade. Também na Escócia as duas vertentes ocidentais relativas à natureza se manifestaram. E Burns parece ser uma figura isolada neste contexto. Obrigado por evocar meu nome em seu artigo, eu, um ínfimo pensador, prosador e poeta perdido num recanto esquecido do mundo.
Um abraço do
Soffiati

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Andral desmente Pudim: Não há diálogo com o PR; PV é oposição!

(Foto de Antonio Cruz)
(Foto de Antonio Cruz)

Pelo menos um dos pontos abordados na entrevista abaixo, com o secretário de Governo Geraldo Pudim (PR), já teve desmentido rápido e pronto: qualquer conversa entre PR e PV. Presidente municipal do último partido, o advogado Andral Tavares Filho negou ao blogueiro qualquer possibilidade neste sentido:

— Desconheço completamente qualquer contato, seja à nível local ou estadual. Comigo, certamente não houve e com a regional, se houvesse qualquer indício, acho impossível que eu não ficasse sabendo, até porque falamos com o Rio constantemente. Na semana passada, por exemplo, estiveram em Campos dois integrantes do diretório regional, o Roberto Rocco e o José Augusto Venda, e absolutamente nada foi dito nesse sentido, sequer em forma de boato. O compromisso do PV, em Campos e no Rio, é de oposição política ao grupo de Garotinho. Isto é o fato!

Sobre as observações de Pudim, de que Andral não tem sido mais visto nas reuniões da Frente Democrática de Oposição, inclusive no encontro no Rio com Picciani, o presidente verde e possível pré-candidato à Prefeitura em 2012 reafirmou a presença do seu partido na Frente, “mas essa nossa participação é discutida e definida em diálogo com nosso diretório regional.  O PV está na Frente, mas como PV, sob os critérios do PV”, frisou.

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Pudim fala de política, políticos e denúncias

Coordenador político da administração Rosinha, seu secretário de governo, Geraldo Pudim, conversou no início da tarde com o blogueiro, para analisar os recentes movimentos da Frente Democrática de Oposição em busca de apoio de lideranças estaduais como o vice-governador Luiz Fernando Pezão (aqui), o  presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (aqui e aqui), e, ontem, com o presidente regional do PMDB, Jorge Picciani (aqui e aqui).

Além do contexto político, no qual analisou partidos, lideranças e discursos entre oposição e situação, Pudim respondeu também três denúncias recentes contra a administração Rosinha: 1) atraso nas obras públicas do município por falta de repasse; 2) mandado de busca e apreensão cumprido ontem, no setor de transportes, para averiguar utilização indevida de combustível pela empresa que terceirizou o serviço de ambulâncias; e 3) as investigações da revista Época sobre o carro de uma prestadora de serviços municipais, guiado por Wladimir num acidente, além da participação de artistas contratados sem licitação pela Prefeitura, que fizeram participações no CD gravado pela prefeita Rosinha.

 

 

 

Frente de Oposição de Campos no Rio — Até aí, nenhuma novidade. Eles buscam abrir espaços de apoio externo, no que demonstram até um certo desespero da oposição. Isso se dá pela falta de capacidade para aglutinar membros da sociedade civil em torno dos chamados partidos de oposição, ou mesmo de ampliar o leque destes próprios partidos. Muito pelo contrário, a Frente está perdendo partidos.

Situação tira o DEM da oposição — Perderam o DEM e vão continuar perdendo partidos que eles dizem estarem na oposição. Estamos tentando tratar essa questão de forma programática, reunindo para discutir um grupo de partidos que, hoje, já tem DEM, PR, PSB, PP, PTB, PTdoB, PHS, PRB, PRTB e PTC. E há ainda a possibilidade do PSC e do PSDC também caminharem conosco.

Definição do PSC — Na última quinta-feira, eu e Wladimir (Garotinho, presidente do PR) tivemos um encontro com o deputado federal Hugo Leal, que recebeu a incumbência do PSC de coordenar seu partido nas campanhas municipais de 2012 dos municípios das regiões Serrana, Norte e Noroeste Fluminense. Nessa reunião, quem o acompanhou o deputado foi o presidente municipal do PSC, Gilson de Souza Gomes, responsável pelo processo de conversação à nível local. Hugo Leal vai apresentar, ao diretório estadual do PSC, seu relatório da situação nos municípios das três regiões, para que a decisão seja tomada em cada um deles. Em resumo, o PSC não está no governo, nem na oposição. Enquanto a situação do partido não se define, as conversas de um lado e do outro fazem parte.

Presidente estadual do PSC, Ronald Ázaro, é secretário do Trabalho de Cabral —   Há deliberação dos diretórios regionais de se respeitar as tendências municipais. Além do mais, como você mesmo colocou em seu blog (aqui), o PSB também é presidido por um secretário de Cabral (deputado federal Alexandre Cardoso, secretário de Ciência e Tecnologia), o que não impede o partido de compor a base do governo Rosinha na Câmara Municipal.

Limite de Picciani em três candidaturas da Frente — Esse é o grande problema deles, quem seria, ou seriam os cabeças-de-chapas deles? O PT já manifestou seu interesse em lançar candidato próprio. O PCdoB, idem. O PDT tem Arnaldo. O PMDB não tem ninguém, mas é o partido majoritário. Essa aliança é eleitoral e natimorta. No final, vai prevalecer o interesse individual. Até porque, não há projeto que possa uní-los.

Odisséia pelo PT e Odete pelo PCdoB? — Sim, parecem ser os nomes, mas a professora Odete, por exemplo, quando foi candidata à Prefeitura, em 2008, foi uma das maiores críticas da gestões municipais de Arnaldo Vianna. Como será que a população a vê agora, ao lado de Arnaldo, em busca de apoios no Rio de Janeiro? O que, aos olhos do eleitor, pode unir esses dois candidatos?

E Odisséia? — A mesma coisa, ou será que o eleitor já se esqueceu que o PT deu o vice na chapa de Arnaldo (Hélio Anonal), que só não foi a própria Odisséia, porque ela perdeu a indicação na convenção? Além do mais, bom lembrar que Odisséia só tem um mandato na Câmara Municipal pela falalidade da morte do vereador Renato Barbosa, eleito com votos pessoais dele, não do PT. 

PV de Andral — Na minha opinião, ele e seu partido não se definiram ainda. Pelo que tenho visto, Andral não tem frequentado as últimas reuniões da Frente. Ele não foi, por exemplo, a esse último encontro no Rio, com Picciani. Já há contatos inciais para abrir conversações entre PV e PR.

Roberto Henriques — A primeira coisa que ele precisa fazer, é se definir. Quando não concordei mais com os destinos do PMDB, eu entrei na Justiça e saí. Acho que tem que ser assim. Ele não pode ficar no PR e criticar as políticas administrativas do governo Rosinha, que tem sua base de sustentação no PR, mesmo que a prefeita ainda esteja momentâneamente sem partido. 

Carla Machado — Ela está querendo desviar a atenção aos problemas que tem enfrentado em São João da Barra, para entrar na discussão de Campos, seguindo uma orientação do Palácio Guanabara. Mas, se a situação dela hoje é complicada lá, imagine aqui. Na verdade, o que se pode reputar a ela é uma grande ingratidão com Garotinho. Foi Garotinho que, na primeira eleição dela (em 2004), peitou e convenceu Moreira (Franco) e Picciani a tirarem o PMDB de Betinho, que tinha seu pai (Alberto Dauaire) como quadro histórico do partido, para entregarem o partido a ela. Garotinho a apoiou incondicionalmente, assim como em sua reeleição.

Ex-aliado de Garotinho, assusta Eduardo Cunha na reunião de Picciani com a Frente? — Tanto o (deputado estadual Edson) Albertassi, quanto o (deputado federal) Eduardo Cunha, quanto o (também deputado federal) Adrian (Mussi) foram eleitos com votos em Campos. Na medida que eles não têm espaço para trabalhar por suas reeleições, junto ao grupo de Garotinho, natural que eles busquem espaços na oposição. 

PPS de Sérgio Mendes e Rogério Matoso — O que Sérgio Mendes pode acrescentar a essa Frente, um ex-prefeito que saiu da sua administração devendo ao funcionalismo? Já Rogério Matoso, como todo o respeito que se deve dar às questões pessoais de família, teve sua mãe (Ana Regina Fernandes) citada na Operação Telhado de Vidro, por sua atuação como secretária de Assistência Social. Esse é o problema geral dessa Frente, que à exceção de um ou dois, participaram das famigeradas administrações de Arnaldo e Alexandre Mocaiber, que culminaram na Operação Telhado de Vidro. Qual seria a moral, não digo pessoal, mas política dos integrantes da Frente, para criticar uma adminitração como a de Rosinha, que colocou Campos em 7º lugar nacional na geração de empregos formais?

“Telhadeiros” aliados de Rosinha — Existem, e são a melhor prova das diferenças da atual administração para as anteriores. Pergunte a eles, se quando saem às ruas, no contato direto com a população, qual governo eles têm mais facilidade e elementos concretos para defender seu apoio: o de Rosinha, ou os que vieram antes? Hoje, qual governo do Brasil, seja municipal, estadual ou federal, que investe 34% do seu orçamento em obras?

Obras paradas por falta de pagamento geram duas mil demissões — Queria saber quais dados concretos o (José Carlos) Eulálio (presidente do sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil) tem para atribuir essas demissões à falta de pagamento da Prefeitura (denúncia feita na edição impressa da Folha do último sábado, dia 23). As obras têm um ciclo. Quando acabam, é normal que haja demissões, assim como ocorre, por exemplo, na entressafra da cana de açúcar. E concluímos e estamos chegando à fase final de muitas obras. O Cepop (Sambódromo) já está em fase final. As primeiras etapas do Bairro Legal em Donana, em Ururaí e no Eldorado já foram entregues. Mais de mil casas do Morar Feliz já foram concluídas e entregues. O que a Prefeitura vem fazendo, ao término de todas essas obras, é investir na requalificação desses trabalhadores, para que possam ser reabsorvidos em outras funções. Se existem obras públicas paradas, isso é de única responsabilidade da construtora. E medidas estão sendo tomadas para coibir isso, que vão desde a notificação da empresa, até torná-la não idônea para voltar a participar de obras públicas.

Rosinha diz não querer antecipar 2012 e PR divulga pesquisa — Nosso grupo político tem como praxe acompanhar o desempenho de nossas administrações mediante pesquisa permanente. Diante da indústria de boatos que se criou, dando conta de que o governo Rosinha ia mal, resolvemos divulgar essa pesquisa (aqui) de orientação interna, para se contrapor tecnicamente à essa indústria de boatos. Mas a nós, realmente não interessa antecipar esse debate, que terá seu tempo certo.

Garotinho antecipa no dia 16, pela rádio, pesquisa divulgada no dia 21 — Ele não antecipou. Como eu já disse, nós temos um acompanhamento permanente de governo a partir de pesquisas. Como não houve nenhum fato relevante que pudesse modificar a tendência registrada pelas pesquisa anteriores, ele relevou essa tendência; e acertou! Isso é um dom que ele tem.

Mandado de busca e apreensão no setor de Transporte da Prefeitura —  O juiz (Wladimir Hungria, da 4ª Vara Cível) foi induzido a erro pelo promotor (estadual Êvanes Amaro Soares) ao deferir essa liminar de busca e apreensão de documentos, para apurar o fornecimento de combustível às ambulâncias, conforme prevê o objeto do contrato estabelecido. O contrato entre a prefeitura e a empresa especializada na locação de ambulâncias está perfeitamente legal e prevê a obrigação da Prefeitura de fornecer o combustível. Cabe à empresa a cessão e manutenção dos veículos, e a contratação de motoristas. A Procuradoria Geral do Município está tomando todas as providências para reverter os efeitos da liminar. Na verdade, a Prefeitura economizou combustível com as medidas saneadoras adotadas no início deste mandato, em 2009. O governo da prefeita Rosinha desmontou a máfia dos combustíveis, uma máfia que hoje se revolta contra o fim dos desmandos. Quando assumimos não havia controle de combustível, eles gastavam no governo anterior um absurdo diário de 8 mil litros de gasolina e 6 mil litros de diesel. Hoje economizamos por ano mais de R$ 4 milhões, gastando apenas 3 mil litros de gasolina e 2 mil litros de diesel por dia e, o que é mais importante, com um maior número de veículos atendendo à prefeitura e à população.

Revista Época investiga carro de empresa com Wladimir e artistas contratados sem licitação em CD de Rosinha — Com relação a Wladimir, acho que é ele quem deveria falar (versão aqui, junto com a de Rosinha). Quanto à gravação do CD, isso é um projeto pessoal de Rosinha, que não tem nada a ver com a Prefeitura. Ela foi governadora do Estado do Rio, se relacionou e fez amizade com vários artistas de renome nacional. Não há nada de anormal que alguns deles agora participem de um projeto pessoal dela, que terá, inclusive, a venda dos CDs revertida para obras sociais. Se alguns desses artistas foram contratados pela Prefeitura de Campos sem licitação, não pode haver nada de ilícito, na medida que não há licitação para contratação de artistas. Licitação, de acordo com a lei 8.666, você abre para a infra-estrutura do show, para contratar som, luz, palco, mas não o artista. O princípio da lei é até lógico, pois se eu quiser contratar, por exemplo, um show do Cauby Peixoto, como fazer concorrência de preço, se só há um Cauby Peixoto no mundo?

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Odisséia: “O Precisão, a gente já sabe a quem pertence”

 

Logomarca do Instituto Precisão com arte do Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Logomarca do Instituto Precisão com arte do Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

 

“O Precisão, a gente já sabe a quem pertence. Ele tem lado. De qualquer maneira, a pesquisa foi positiva ao registrar os nomes de Arnaldo Vianna, do deputado Roberto Henriques e da professora Odete Rocha na espontânea. Ou seja, mesmo que a seja tendenciosa, a amostragem serve para provar os nomes da oposição já estão na cabeça do campista. Imagine, então, quando as campanhas das candidaturas da Frente sairem à rua, para trabalhar sobre outro dado inequívoco: 53% do eleitorado ainda não tem candidato”.

Passada por telefone ao blogueiro, enquanto voltava do encontro com Picciani, no Rio, esta foi a impressão de Odisséia Carvalho, vereadora e pré-candidata à Prefeitura pelo PT, sobre a pesquisa encomendada pelo PR ao Insitituto Precisão, divulgada aqui neste “Opiniões”, na útima quinta. Cabe ressaltar que a opinião da petista (com 1% de intenções de voto na pesquisa estimulada) não foi colhida no excelente trabalho de repercussão política da pesquisa, feito aqui, na sexta, pelo jornalista Alexandre Bastos, porque a vereadora estava viajando.

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Como Pudim disse ao blog, Frente perdeu o DEM. Odisséia diz que o PSC fica!

Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

Apesar de adiantada aqui, neste blog, desde a última sexta, pelo secretário municipal de Governo Geraldo Pudim (PR), e confimada aqui, no Blog do Bastos, desde a noite de domingo, a aliança entre o PR e o DEM só chegou ao conhecimento da Frente Democrática de Oposição, hoje, pela boca do próprio Picciani. Neste caso, Pudim estava certo e a vereadora petista Odisséia Carvalho, errada, na discussão a que o blog deu eco aqui e aqui, sobre os destinos da legenda do ex-prefeito carioca César Maia nas disputas de Campos, em sua migração da Frente ao grupo de Garotinho.

Apesar de admitir ao blogueiro a razão de Pudim na discussão quanto ao DEM, Odisséia insiste que a presença do PSC na Frente de Oposição não sofrerá alteração a partir das conversas mantidas pelo secretário de Rosinha com o deputado Hugo Leal, líder da bancada do PSC na Câmara Federal. Além de ressaltar que o presidente da comissão provisória do partido em Campos, Felipe Pereira, participou da reunião de hoje com Picciani, a vereadora lembrou que o presidente estadual do PSC, Ronald Ázaro, é secretário de Trabalho do governo Sérgio Cabral.

Odisséia não deixa de ter razão nas lembranças aos presidentes do PSC em Campos e no Estado, muito embora seja igualmente pertinente destacar que o presidente regional do PSB, deputado federal Alexandre Cardoso, é secretário de Ciência e Tecnologia do mesmo governo Sérgio Cabral, enquanto a bancada do seu partido na Câmara Municipal de Campos, tem como aliados da prefeita Rosinha os vereadores Abdu Neme, Altamir Bárbara e Jorge Rangel — este último, presidente municipal do PSB.

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Mais detalhes da reunião com Picciani — Nominatas, mídia e chapas majoritárias

Abaixo, em pormenores, com informações resumidas no post anterior e algumas outras, as versões de Odisséia, Odete e Zé Armando do encontro de hoje, no Rio, com Picciani…

 

Odisséia Carvalho — Apresentamos os nossos projetos, não só de lançar de duas a três candidaturas entre os 11 partidos que integram a Frente, como de fortalecer nossas nominatas, já que nosso objetivo, além de vencer a disputa pela Prefeitura, é também conquistar a maioria na Câmara. Em relação às candidaturas majoritárias, o próprio Picciani deixou bem claro que qualquer coisa além de três candidaturas, pulverizaria as ações da oposição. Dentro deste limite, ele garantiu o apoio integral do PMDB e do governo do Estado, já que a chapa da Frente com ingresso ao segundo turno ganha automaticamente o apoio das demais. Também falamos da necessidade de atuar mais na mídia, em um programa de rádio e na confecção de um jornal próprio, no formato tablóide, de edição quinzenal, que poderia ser feito por jornalistas que já temos em nosso grupo, como Fernando Leite (PMDB) e Sérgio Mendes (PPS). Sobre a reunião da Frente com Sérgio Cabral, Picciani chegou a ligar para o governador, mas não conseguiu falar. Nos próximos dias deve acontecer esse agendamento, quando convocaremos os parlamentares dos nossos partidos em todo o Estado, muito embora, nessa reunião de hoje, já tenham participado, a convite do próprio Picciani, os deputados federais Eduardo Cunha e Adrian Mussi, e o estadual Edson Albertassi.

 

Odete Rocha — Recebemos total apoio de Picciani, seja enquanto presidente do PMDB, seja como coordenador político do governo Sérgio Cabral. A Frente vai apresentar de duas a três candidaturas no primeiro turno, com a união de todas em torno daquela que passar ao segundo turno. O PCdoB, como os demais partigos que integram a Frente, já têm conversado nesse sentido. Na nova eleição que chegou a ser marcada no ano passado, entre a cassação e o retorno de Rosinha, conversamos muito com o PV. De qualquer maneira, acho que isso vai se dar naturalmente, entre os partidos que encontrem mais afinidades ideológicas e de estrutura. O que importa, é que nenhuma conversa se dará à parte a ação conjunta da Frente, contraponto coletivo a essa gestão dos Garotinho.

 

José Armando — Além da assessoria jurídica, pedimos ajuda também para fazer pesquisas qualitativas e quantitativas, para definir as propostas de governo comuns a todas as candidaturas da Frente e as próprias chapas que as representarão. Em relação a todas essas nossas ações recentes, o mais importante é que antes era a Frente que queria ser ouvida pelas lideranças estaduais, e hoje elas estão tão interessadas quanto nós em manter esse canal de diálogo aberto e assíduo. Fui ao encontro como representante do prefeito Beto Azevedo (de São Francisco), que é aliado do governador Sérgio Cabral, no entendimento de que o enfrentamento a esse grupo tem que ser feito de forma unida e regional.

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Frente pede apoio jurídico e em pesquisas a Picciani, que limita candidaturas em três

Picciani e parlamentares do PMDB-RJ receberam, no Rio, integrantes da Frente de Oposição de Campos (foto de Felipe Barros)
Contra os Garotinho, da esquerda à direita: Edson Albertassi (PMDB), Eduardo Cunha (PMDB), Rogério Matoso (PPS), Sérgio Mendes (PPS), Toninho Vianna (sem partido), Ivanildo Cordeiro (PMDB), Arnaldo Vianna (PDT), Odisséia Carvalho (PT), Eduardo Peixoto (PT), Jorge Picciani (PMDB), Odete Rocha (PCdoB), Felipe Pereira (PSC), Almir Porto (PSPC), José Armando (PPS) e Adrian Mussi (PMDB) (foto de Felipe Barros)

 

Limite máximo três candidaturas da Frente Democrática à Prefeitura de Campos em 2012, assessoria jurídica do grupo político de Sérgio Cabral (PMDB) à oposição campista aos Garotinho, encontro com o governador ainda a ser marcado, além do auxílio para realização de pesquisas qualitativas e quantitativas que definirão a composição das chapas oposicionistas, assim como as propostas comuns a todas.

Os quatro pontos acima foram as principais definições da reunião, entre o final da manhã e início de tarde de hoje, na sede estadual do PMDB, do presidente regional do partido, Jorge Picciani, com vários integrantes da Frente, entre eles a vereadora petista Odisséia Carvalho, a comunista Odete Rocha e o secretário de Meio Ambiente de São Francisco de Itabapoana, José Armando (PPS), que representou o prefeito Beto Azevedo (PMDB). A convite de Picciani, também participaram os deputados federais pemedebistas Eduardo Cunha (antigo aliado e hoje desafeto figadal de Garotinho) e Adrian Mussi (irmão de Riverton, prefeito de Macaé), além do estadual Edson Albertassi.

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