Noticiado aqui no Blog do Bastos, o que pode estar por trás da declaração do ex-governador Anthony Garotinho (PR), hoje, em rádio, pregando voto nulo na eleição suplementar à Prefeitura de Campos em 6 de fevereiro? Múltiplas são as fontes que indicam a tentativa de Garotinho de impor o nome do seu filho, Waldimir, na chapa do PR. Na verdade, ao usar o blog do sempre fiel Avelino Ferreira (aqui), para lançar veladamente Wladimir/Edson Batista (PTB), Garotinho teria tentado assustar o prefeito interino Nelson Nahim, no sentido de evitar que a vice na chapa encabeçada naturalmente pelo irmão fosse entregue ao vereador Abdu Neme (PSB), ex-aliado e um dos principais críticos do governo Rosinha.
Por apostar no caminho da composição com a Câmara, que tem funcionado até agora, inclusive como uma das suas distinções positivas em relação a Rosinha, Nahim não só se recursou a ceder às pressões do irmão, mantendo o acordo com o líder da maior bancada do Legislativo (do PSB, composta, além de Abdu, por Altamir Bárbara e Jorge Rangel), como ainda teria ameaçado lançar e apoiar Rogério Matoso (PPS) a prefeito, como o poeta e jornalista Fernando Leite (PMDB) revelou aqui.
No impasse, Garotinho partiu hoje para a pregação aberta pelo voto nulo, não só na rádio, como em seu blog (aqui), onde divulgou uma pesquisa apócrifa para tentar dizer que a população de Campos é contra a nova eleição. Sem a máquina nas mãos, enfrentado pelo irmão que hoje a controla (e controlará até 6 de fevereiro), e com o próprio mandato de deputado federal em risco, já que foi condenado pelo mesmo crime que cassou Rosinha e só pôde concorrer com base em liminar, Garotinho aposta todas suas fichas na ação cautelar com pedido de outra liminar, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para suspender o pleito marcado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para Campos.
Nas mãos do advogado Fernando Neves, ex-ministro do TSE e também responsável pelos recursos de Garotinho e Rosinha contra suas condenações por crime eleitoral, a ação não tinha entrado até o dia de hoje. Para conseguir suspender a eleição, terá que dar entrada no TSE até o recesso de 15 de dezembro: depois de amanhã. Como o pedido liminar deve ser apreciado em um ou dois dias, ainda esta semana, ou no máximo no início da próxima, deveremos saber se Garotinho apostou certo ou errado as suas fichas.
Se não conseguir a liminar, que ninguém tenha dúvidas: a aposta de hoje, pelo voto nulo, pode mudar, embora com cacife cada vez menor à disposição…