Capa da Folha entre as melhores do jornalismo brasileiro

Capa do livro da ANJ com as melhores capas dos jornais brasileiros
Capa do livro da ANJ com as melhores capas dos jornais brasileiros

 

Após mais de duas semanas de recesso, inclusive na net, retornei ontem à lida na Folha, com um sedex bem pesado me esperando na portaria do jornal. Ao chegar à minha sala e abrir o pacote, pude constatar que se tratavam de cinco exemplares do bem acabado livro “As Melhores Primeiras Páginas dos Jornais Brasileiros”, editado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e organizado por sua presidente, Judith Brito, e seu diretor executivo, Ricardo Pedreira. 

Lembrei-me, então, da inscrição que a nossa editora executiva e também blogueira, Suzy Monteiro, havia feito há alguns meses, no concurso da ANJ para eleger as melhores capas dos jornais brasileiros, entre seus 146 associados, responsáveis por mais de 90% da circulação de diários impressos no país. E entre as escolhidas, ao ler o sumário, pude perceber que, entre as capas de O Globo, Folha de São Paulo, Correio Braziliense, O Estado de São Paulo, Extra, O Dia, Lance!, Estado de Minas e Zero Hora (RS), entre outros, lá também estava, na página 100, aquela que havíamos optado por inscrever, concebida por mim e pelo editor de Arte da Folha, Eliabe de Souza, o Cássio Júnior.

Tratava-se da capa da Folha de 1º de julho de 2006, dia do jogo Brasil x França, pelas quartas-de-final da Copa da Alemanha. Recordo-me que, por parte de nós, brasileiros, o clima antes da partida era de desforra, de confirmar o ditado popular “ri melhor, quem ri por último”, na expecativa de uma resposta pela acachapante derrota por 3 a 0 na final da Copa da França, em 1998, imposta por Zidane e cia. Não por outro motivo, a capa gráfica trazia as fotos dos perfis opostos e sorridentes de Ronaldo e Zizou, astros em 2006 como eram oito anos antes, com a indagação entre ambos, em forma de manchete: “Quem vai rir hoje?”

Pois no hoje de quatro anos depois, sabemos muito bem quem riu ao fim daquele jogo, na mais humilhante derrota já sofrida pela Seleção Brasileira na história das Copas. Não por ter perdido pelo placar mínimo e ter sido eliminada, mas por ter encontrado alguém inapelavelmente superior naquilo em que sempre nos julgamos melhores do que todos: o domínio da arte no futebol. Diante do espetáculo de Zidane naqueles 90 minutos, com direito a lençóis em Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, bola em baixo das pernas de Juan, giro de balé com o corpo e a bola nos pés sobre o corpo impotente de Gilberto Silva, fieiras de jogadores brasileiros driblados em arrancadas verticias, sem contar o passe na medida para o gol de Henry, o gênio francês calou definitivamente a boca de quem ainda insistia em buscar motivos nebulosos para o resultado da final de 98. 

Mais que uma derrota brasileira, o êxito francês de 2006 foi uma vitória da arte, de um artista superior. Muito embora, como todos hoje também sabem, ao aceitar a provocação e trocar a arte pela violência, naquela cabeçada no peito do zagueiro italiano Materazzi, Zidane acabaria também não rindo no fim, com o título da Azurra sendo providencialmente selado pelo gol do… Grosso.

Menos mal que com a conquista da Espanha e seu jogo lúdico, os deuses do futebol tenham determinado rumo diverso à Copa de 2010.

Como viajei às vésperas do prazo final do concurso da ANJ, e havia esquecido esquecido da inscrição, pedi a Suzy que a fizesse. É dela, pois, o texto que consta no livro como apresentação da Folha e sua primeira página. Nele, porém, só consta um erro, pois o então editor-geral do jornal, Sebastião Carlos Freitas, não participou especificamente da feitura daquela capa. De qualquer maneira, não está errada na medida em que Tião, assim como também o ex-jornalista e hoje blogueiro da Folha Antunis Clayton, foram parceiros naquele que ainda considero, sobre todos, o melhor trabalho de que participei nestes mais de 20 anos de redação: a cobertura daquela Copa de 2006.

A seleção da capa da Folha entre “As Melhores Primeiras Páginas dos Jornais Brasileiros”, mais que ao mérito individual do Cássio Júnior, do Tião, do Tuneco, da Suzy, ou meu,  é um reconhecimento nacional ao trabalho coletivo desenvolvido por todos os profissionais que atuaram e atuam nos mais de 32 anos de história deste jornal. Sobretudo, é um endosso ao mesmo crédito que você, antes leitor só do impresso e hoje multiplicado virtualmente, em escala geométrica, nos confere diariamente. E por todos nós fica aqui externado o orgulho diante à demonstração, neste nosso dia-a-dia de dar e receber informação, de toda a arte e obstinação que podem ser reunidas em um drible de Zidane.

Até onde se possa estender a parte que me cabe neste latifúndio, confesso, não sem emoção, ter sido uma alvissareira surpresa para quem retoma suas atividades, neste blog e na Folha…

Abaixo, o (belo) texto da Suzy:

          

Em 32 anos de existência foram mais de 10 mil capas. Então, como selecionar uma entre milhares, repletas de tantas histórias que retrataram esperança, amor, sofrimento, alegrias e decepções de um povo durante as últimas três décadas? É como pedir a uma mãe que escolhesse um entre seus filhos.

Nesse mundo de opções, por que escolher a capa — criada pelo diretor de redação Aluysio Abreu Barbosa, pelo então editor-geral Sebastião Carlos Freitas e pelo editor de arte Eliabe Souza — que estampa o fenômeno brasileiro Ronaldo e o fenomenal francês de origem argelina Zidane, astros da Copa da Alemanha, em 2006? Porque essa capa consegue reunir todas as expectativas e sentimentos não só dos campistas ou dos fluminenses, mas de todos os brasileiros, irmãos no amor pelo futebol. A Seleção Brasileira, mais uma vez, conseguia unir etnias, religiões, homens, mulheres e crianças na perspectiva de ser, de novo, o melhor futebol do mundo.

Tínhamos Ronaldo. A França tinha Zidane. Mas era só mais uma etapa rumo ao título. “Quem vai rir hoje?” dizia a manchete sobre o duelo contra os algozes de 1998, colocando uma dúvida na esperada vitória do Brasil.  O jogo trouxe resposta que todos nós gostaríamos que fosse diferente. A capa do dia seguinte trazia o “lençol” de Zidane em Ronaldo retratando toda decepção, sofrimento e vexame da derrota brasileira. Essas capas resumem os sentimentos desse povo, que tem no futebol uma de suas maiores (senão a maior) paixão e que nele extravasa todos os sentimentos.

 

 

Capa da Folha de 1º de julho de 2006
Capa da Folha de 1º de julho de 2006

Após hiato, satisfação

Peço desculpas aos leitores por esta uma semana de hiato, sem aviso prévio, por parte deste blogueiro. De volta à ativa, os comentários atrasados estarão sendo moderados na sequência.

Outra do Dio…

Costumo sempre dizer que, em jornal, a melhor foto é aquela que dispensa palavras. Todavia, em consonância com o título dado, a foto feita e postada hoje, aqui, pelo repórter-fotográfico e blogueiro Diomarcelo Pessanha, tem força para calar qualquer outra palavra na boca dos eleitores de Dilma, de Serra, dos indecisos ou daqueles que pretendem anular seus votos.

Confira abaixo…

 

Esperando o Segundo Turno

Por diomarcelo, em 12-10-2010 – 10h19

Mea culpa — Interatividade Folha/blogs

Até que os 18 novos blogs da Folha Online entrassem no ar, a interatividade desses espaços virtuais com a editoria de Política do impresso, ficava mais por conta do Blog do Bastos, do Painel, do Na Curva do Rio, do Na Geral e deste Opiniões, respectivamente de autoria do Alexandre Bastos, Saulo Pessanha, Suzy Monteiro, Luiz Costa e Aluysio Abreu Barbosa e José Renato, todos profissionais da redação do jornal. Já com sua editoria de Economia, as contribuições virtuais, embora muitas vezes desperdiçadas, ocorriam basicamente por parte do Ponto de Vista, do Christiano Abreu Barbosa, que embora seja diretor da Folha, nunca foi ligado à redação. Com seu Entrelinhas, a Júlia Maria (também jornalista, mas fora da nossa redação há alguns anos) também tem gerado pautas muito interessantes para ambas as editorias, pelo menos quando seus integrantes demonstram sensibilidade para saber aproveitá-las.

Pois entre os novos blogueiros da Folha, dois outros se destacam na geração de pautas afins às duas editorias citadas: Roberto Barbosa,  em Política; Esdras, também em Economia. Ontem, ambos fizeram isso, Esdras anunciando (aqui) os novos investimentos da gigante Hiunday no Porto do Açu, Roberto divulgando (aqui e aqui) a ruptura, em São Fidélis, entre o prefeito Luiz Fenemê (PMDB), com seu antecessor no cargo e agora ex-padrinho, o polêmico David Loureiro. Enquanto a primeira pauta foi parcialmente aproveitada pela Folha, mas só a partir do aviso aos seus profissionais pelo blogueiro, a segunda não veio com sino grudado ao pescoço e foi desperdiçada até ser aproveitada apenas hoje, numa velocidade lenta demais à era do tempo real.

Embora ambos jornalistas e com passagens na Folha, principalmente o primeiro, que possui extensa folha de serviços prestados, Esdras e Roberto não são mais profissionais do jornal, apenas seus colaboradores. Eles e outros novos blogueiros que já vem se destacando na geração de boas pautas, como o André Lacerda (aqui), a Neusinha Siqueira (aqui) e a Luciana Portinho (aqui), precisam ser melhor aproveitados pela redação da Folha. Caso contrário, o leitor que se mostrar atento ao desperdício, pode chegar à conclusão simples e lógica de que, mesmo na condição de “leigo”, ele possui mais interesse em buscar informações do que profissionais que são pagos para fazê-lo.

Como entre eles está este jornalista e blogueiro, assumo o compromisso com você, leitor, de fazer tudo que estiver ao meu alcance para que esta interatividade entre a Folha e os 41 blogs que ela orgulhosamente hospeda, passe a se dar da maneira mais dinâmica possível.

Albertinho ecoa arcebispo contra Dilma

Parece que o “homem-bomba” de Garotinho na Câmara entrou na jihad pela presidência da República. Em seu blog, o vereador Albertinho (PP) anuncia: “Arcebispo da Paraíba acusa Dilma e PT de mentirem para os eleitores”. Confira aqui

Refletir para ampliar — Um conceito

Seja em espaços reais ou virtuais, refletir é ampliá-los. Quem, mesmo sem dar a mínima para decoração, já não percebeu que a instalação de um espelho num aposento contribui para aumentá-lo, literalmente, a olhos vistos? Como o conhecemos hoje, o espelho foi uma invenção veneziana do séc. 13, mas até o séc. 16, dado seu elaborado trabalho artesanal, o instrumento ótico ainda chegava a custar mais que uma pintura do mestre italiano Rafael (1483/1520).

O Alhambra
O Alhambra

Até que os portugueses abrissem os caminhos do Atlântico, os árabes, que tanto influenciaram o Renascimento na Itália a partir do comércio no Mediterrâneo, desenvolveram ao máximo de refinamento uma solução engenhosa, mas relativamente mais fácil, para usar o reflexo na ampliação dos seus espaços arquitetônicos: o espelho d’água. Quem já teve oportunidade de visitar o Alhambra, complexo de palácios em Granada, no sul da Espanha, último reduto mouro na Península Ibérica, sabe bem do que estou falando.

Quem não teve e quiser conferir o que digo em Campos, basta se entregar ao mesmo deslumbramento proporcionado pelas imagens publicadas aqui, pelo Antonio Cruz, e aqui, pelo Leonardo Berenger, ambos repórteres-fotográficos e blogueiros da Folha. Ciente da valiosa lição de que refletir é ampliar, o blog se cura da “cegueira” de Narciso ao tomar as duas fotos de empréstimo, abaixo…

 

 

Duas faces da cópia do Parthenon de Atenas, antes Fórum, hoje Câmara de Campos (foto de Antonio Cruz)
Duas faces da cópia do Parthenon de Atenas, antes Fórum, hoje Câmara de Campos (foto de Antonio Cruz)

 

  

Academia Campista de Letras reescrita no leito do lago do Jardim São Benedito (foto de Leonardo Berenger)
Academia Campista de Letras reescrita no leito do lago do Jardim São Benedito (foto de Leonardo Berenger)

 

 

Atualizado às 2h15 de 29/10/10, antes tarde do que nunca, para corrigir a incorreção na grafia do prédio público mais importante de Atenas, cujo erro ortográfico foi alertado, desde o dia 14, pelo leitor Antonio Carlos Ornellas Berriel   

Garotinho com Dilma a que custo para Campos?

Em seu artigo dominical, publicado na edição de ontem da Folha, o jornalista Aluysio Barbosa teceu algumas observações interessantes. Entre elas, talvez a principal esteja no estranhamento lógico ao fato de Marina Silva, candidata forte nas classes A, B e C+, ter sido a mais votada no primeiro turno em Guarus, área cuja dominância sempre foi de baixa renda. O velho repórter enxerga aí a digital de uma “liderança forte, muito forte, naquele bairro de classes mais fortes e iletradas”, num trabalho pelo segundo turno, onde, por exemplo, o apoio do PR seria fundamental a Dilma, ao custo de acordos em Brasília com força talvez até para influenciar as decisões judiciais de Campos ainda pendentes, sobre a cassação de Rosinha.

Três dias antes de 3 de outubro, este Opiniões já havia alertado (aqui) sobre essa possibilidade, de um segundo turno servir em benefício do grupo de Garotinho, inclusive no que se refere à eleição suplementar a prefeito de Campos. Como indícios dessa tese, no sábado, em seu Juventude e Atitude, blog que estreou na Folha Online com volume e qualidade de veterano, o André Lacerda já noticiou aqui, em primeira mão, que a indicação do deputado federal em fim de mandato e derrotado nas urnas a estadual, Geraldo Pudim, à direção-geral do Dnit, seria uma das condições impostas por Garotinho ao apoio do PR a Dilma.

Resta saber quais serão as outras…

Abaixo, a íntegra do artigo do veterano com atitude de jovem, Aluysio Barbosa:

 

Balcão de negócios
 

Quando o engenheiro Paulo Feijó, depois de ser eleito mais uma vez deputado federal, investiu contra entidades de classe do município (aqui), acusando-as de serem, em grande parte, responsáveis pela respeitável soma de votos de candidatos de fora em todas eleições, mais uma vez fez aflorar a sua inabilidade no trato com as forças produtivas do colégio eleitoral que o acolheu, técnico importado de Santa Maria Madalena, terra da sempre lembrada Dercy Gonçalves, para prestar serviços na Rede Ferroviária.

Mostrou, inclusive, talvez por conveniência, que a realidade é outra e bem antiga. Se tivesse que fazer crítica justa, ela teria que ser dirigida a classe a que pertence. Sim, porque os responsáveis maiores do motivo de sua destemperada reação são os políticos locais, não apenas em defesa da sigla partidária a que pertencem, mas pela compensação financeira que recebem ao longo da campanha de candidatos de fora que necessitam garantir, sem susto, suas eleições.

Os exemplos são muitos e antigos e o mais representativo deles no passado foi do ex-banqueiro Ronaldo César Coelho arrebanhando votos em uma região que na prática não conhecia e na qual que também não era conhecido. Essa compra desenfreada de votos não atinge apenas a disputa pela Câmara Federal, mas também, certamente em proporções maiores, vagas para a Assembléia Legislativa. Não surpreende, depois de apuradas as urnas, que candidatos forasteiros fiquem revoltados e lamentem o dinheiro gasto por votos que nem sempre chegam de acordo com a quantidade prometida.

Diante deste quadro que se repete de quatro em quatro anos, pergunta-se o que foi feito do decantado bairrismo que em outra época caracterizava o campista? Verdade que muitos candidatos locais, depois de eleitos, poucos fazem para sua cidade e região, mas verdade também que este fato não poderia e nem pode servir de justificativa para abrir o município para aventureiros que só aparecem por aqui, quando aparecem, para levar votos preciosos que garantam suas vitórias nas urnas.

Afinal de contas, nesta eleição, como explicar votações expressivas como as obtidas por Adrian Mussi, Domingos Brazão, Eduardo Cunha, Vitor Paulo, Felipe Pereira, Felipe Bornier e outros, principalmente do primeiro que, apesar de ser de Macaé, nunca deu as caras por essas bandas? Se cabos eleitorais foram responsáveis por tantas surpresas (?), o que receberam de recompensa? Sim porque de graça é que não foi. Quando não é grana, como ocorre na maioria dos casos, são interesses meramente pessoais e políticos que se misturam.

Fica difícil explicar, como Marina Silva, candidata sufragada nas urnas pelos jovens e intelectuais, conseguiu ser a mais votada em secções de Guarus. Num exame mais acurado e lógico, obviamente houve aí o dedo de uma liderança local forte, muito forte, naquele bairro de classes mais pobres e menos letradas. E não é difícil encontrar quem era  o maior interessado que houvesse 2º turno para melhor negociar seu cacife eleitoral. Na verdade, no Brasil, eleição se transformou em um grande balcão de negócios.