Olhares à caça

Sei que já havia me despedido, mas depois de vislumbrar a brilhante sequência de fotos expostas aqui, pelo Leonardo Berenger, o Beringela, em seu oportuno “Olhares”, o meu foi caçado como o peixe pelo bico da garça. Não por outro motivo, necesário acrescentar esse último diálogo (pelo menos por hoje) com essas novas vozes, capazes de dar brilho ao mármore de qualquer ágora…

 

A Caça

Por olhares, em 05-10-2010 – 12h50

Enquanto a cidade se movimenta, a natureza se mostra com seu instinto de sobrevivência.

Convites e expulsão

Para finalizar a madrugada, que tende a ficar cada vez mais insone, com tantos novos convites à leitura na Folha Online, a última do Esdras (aqui), jornalista, colunista, editor e agora também blogueiro…

 

Expulso do blog

Por Esdras, em 07-10-2010 – 0h53

Ele tanto fez, mas tanto fez, que foi expulso do blog dos, pelo visto, agora ex-amigos. Foi tipo PT: Pontapé no Traseiro. Confira aqui

A região depois de 3 de outubro

Outra excelente contribuição à discussão política pós-eleição de 3 de outubro, mas no cenário regional, não nacional, foi dada em outro novo blog da Folha (aqui), pelo jornalista Roberto Barbosa. Noves fora sua habitual carga nas tintas contra Armando Carneiro, prefeito de Quissamã, a análise do Roberto foi a mais ampla e profunda, até agora, em toda a blogosfera da região. Não por motivo diverso, vale conferir…

 

Mapa do poder regional

Por robertobarbosa, em 06-10-2010 – 17h51

O resultado que saiu das urnas eletrônicas no último domingo desenha um novo mapa político na região. Os números expressam os nomes que saem fortelecidos e enfraquecidos no cenário regional. Segue abaixo um pequeno resumo desta nova configuração em cinco cidades:

Campos

* O prefeito interino da cidade, Nelson Nahim (PR) sai fortalecido com a eleição de Roberto Henriques para Alerj. Ele bancou o risco para evitar um fortalecimento do deputado Geraldo Pudim, preferido do seu irmão Garotinho para disputar uma eleição extemporânea em Campos. Mas tende a cair em desgraça entre seus pares no PR.

* O ex-governador Anthony Garotinho também se fortalece em sua terra natal. Saiu da eleição com mais votos do que seu adversário Arnaldo Vianna (PDT), que não conseguiu se reeleger. Terá pela frente um grande desaiö: cresce na mesma proporção de sua votação ou manter-se pequeno, do tamanho de Campos, cidade que tudo lhe deu, mas que nos últimos anos serviu como sepulcro de suas pretensões. 

* A oposição sai enfraquecida do processo eleitoral. Um de seus expoentes, o vereador Marcos Bacellar (PT do B), apesar de obter uma boa votação na disputa por uma vaga na Alerj, não conseguiu se eleger. Mas ainda tem mandato e a tribuna da Câmara de Vereadores. Continuará como eco da oposição.

* Bom desempenho foi do ex-vereador Sérgio Diniz (PPS). Disputando um mandato na Câmara Federal, fez uma campanha por meio de cartas e e-mails, arrebatando mais de 16 mil votos. Foi a campanha mais barata da região. É uma estrela em ascensão.

* O deputado Arnaldo Vianna (PDT) sai enfraquecido sem o mandato a partir de 2011. Sua última trincheira no cenário local é a Câmara de Vereadores, onde sua ex-esposa e fiel aliada Ilsan Vianna exerce mandato.  Terá o desafio de renascer das cinzas.

Macaé

* O médico Aluízio Júnior (PV) embarcou na onda verde e se deu bem. Conquistou uma vaga na Câmara Federal com 95 mil votos. Desses, mais de 50 mil saíram de Macaé. Sai fortalecido para a eleição de 2012, quando pretende disputar a prefeitura.

* Christino Áureo (PMN) foi reeleito para Alerj com mais de 70 mil votos. É também candidato declarado a sucessão municipal de 2012, contudo, em Macaé conseguiu apenas 17 mil votos. A força não se iguala a de seu futuro opositor do PV.

* Adrian Mussi é irmão do prefeito Riverton Mussi. Teve pouco mais de 18 mil votos na cidade. Obteve uma votação expressiva em todo o Estado, graça ao prestígio de Riverton. Tem mandato, mas estará fora da eleição de 2012 por questão de parentesco com o atual prefeito.

* O prefeito Riverton Mussi licenciou-se do cargo para eleger o irmão. A estratégia deu certo, muito embora tenha preferido concentrar o trabalho em outros colégios eleitorais. Terá peso na escolha do próximo prefeito, pois ainda estará no comando da máquina na eleição de 2012.

* O ex-deputado Silvio Lopes e o filho Glauco Lopes ficaram fora do processo eleitoral. Preferiram não disputar reeleição. Mas o grupo ainda tem uma pequena gordura. Poderá ser fiel de balança em 2012.

São João da Barra

* Os candidatos da prefeita Carla Machado (PMDB) foram os mais votados em sua cidade: Arnaldo Vianna, Câmara Federal, e João Peixoto (PSDC), Alerj. Ela mostrou que ainda domina o seu território.

* O ex-prefeito Betinho Dauaire (sem partido),  por outro lado, mostrou que não está morto. Seus candidatos, Anthony Garotinho e Clarissa Garotinho foram os segundos mais votados no município. Está com fôlego.

* O presidente da Câmara, Alexandre Rosa (PPS) e seus companheiros do grupo dos cinco, naufragaram. Bancaram o apoio a Alexandre Santos (PMDB) e Comte Bitencourt (PPS), e ficam na rabeira.

Quissamã

* Apesar do discurso triunfalista, o prefeito Armando Carneiro (PSC) ficou em situação delicada. A votação dos candidatos apoiados pelo grupo de seu opositor, Octávio Carneiro (PP), Aluízio (PV) e Júlio Lopes (PP), superam a votação de Hugo Leal (PSC), que foi apoiado pela máquina.

* A vereadora Fátima Pacheco (PT) é uma estrela brilhando no cenário local. Seus candidatos Gilberto Palmares e Luiz Sérgio tiveram perto de mil votos, resultado considerável no pequeno colégio eleitoral.

Rio das Ostras

* O ex-prefeito Alcebíades Sabino (PSC) enfrentou o poder da máquina local, mas chegou bem na reta final. Foi o mais votado na cidade e um dos mais votados em sua legenda. É um forte candidato a retomar a prefeitura.

Segundo turno nos blogs da Folha

Nem bem começaram, os novos blogs da Folha já têm gerado discussões bem interessantes. Tomo aqui a liberdade de reproduzir uma delas, mantida entre mim e o André Lacerda, do “Juventude a Atitude” (aqui), onde democraticamente discordamos dos rumos que o PT pretende dar à campanha de Dilma no segundo turno. O André, para quem não lembra, é um dos tantos estudantes e ex-estudantes do IFF que recentemente usaram este blog (aqui) como espaço à democracia que entendem não acontecer na escola, pelo menos por parte do grupo que (ainda) controla a reitoria.

Abaixo, nosso debate mais recente…

 

PT calça sandálias da humildade

Por André Lacerda, em 07-10-2010 – 1h28

É fato que apóio a Dilma por questões ideológicas e pragmáticas. Mas verdade há de ser dita: o PT resolveu calçar as sandálias da humildade. O horário eleitoral ainda não começou e nem a corrida presidencial esquentou, mas já é possível perceber algumas mudanças consideráveis na campanha de Dilma. O convite a Ciro Gomes (PSB) e a José Alencar (PRB) para coordenar a campanha, respectivamente, no Nordeste e em Minas Gerais, é a prova que o PT resolveu ceder espaço aos aliados e dar a eles maior poder de decisão. Em suas aparições públicas, Dilma agora procura sempre estampar um longo sorriso no rosto. A ordem é que a candidata conceda entrevista aos veículos de comunicação durante as atividades de campanha e envolta aos jornalistas, e não mais em um púlpito como feito no primeiro turno. O objetivo é quebrar a formalidade e passar a imagem de que Dilma é do povão. Nas fotos das recentes atividades de campanha já é possível perceber que o aparato de segurança da Dilma foi muito bem escondido, os poucos seguranças que a cercam abandonaram o terno e utilizam até adesivo da campanha no peito. Outra preocupação também é reverter os votos evangélicos que migraram por conta de boatos. No final da entrevista ao Jornal Nacional, na segunda, um dia após a votação, a petista agradeceu a Deus pelos milhões de votos obtidos. É, parece que o PT está trocando o salto alto pelas sandálias da humildade.

 

Aluysio

Caro André,

Serra está longe daquilo que considero ideal, mas não votarei em Dilma, sobretudo pelas sombras do fascismo que rondam seu possível governo, com José Dirceu dando novamente as cartas sob a mesa do PT, indicando a possível falta de freios aos “aloprados” do partido, seja em Brasília ou Campos. Perfil técnico, antipático e soberbo por perfil técnico, antipático e soberbo, minha tendência é migrar o voto em Marina para quem, no segundo turno, tem mais bagagem como técnico e menos possibilidade de tutela. Mas, literal e metaforicamente, concordo com a piada que vem rodando a net, onde se lê abaixo dos retratos de Dilma e Serra: Essa disputa vai ser feia!!!… (rs)

Falando sério, se a idéia do PT é calçar as sandálias da humildade, convenhamos que Ciro Gomes, em quem votei para presidente em 2002, está longe de ser o acréscimo mais indicado ao comando campanha. Por outro lado, depois da coça com umbigo de boi aplicada pelo Aécio em Minas, que já se comprometeu em mergulhar de cabeça na campanha tucana do segundo turno, José de Alencar tampouco parece capaz de fazer grande diferença.

Concordo que, além da migração de Marina, o que também pode definir a eleição são os votos religiosos, não apenas evangélicos, posto que, Frei Betto e Leonardo Boff à parte, muitos padres católicos orientaram abertamente seus fiéis a não votar em Dilma, por sua posição pró-aborto. Embora não tenha posição fechada no assunto e julgue indevida a interferência religiosa no estado laico, vc há de convir que o assunto trata de uma delicada questão moral, tanto terrena, quanto divina, não sendo descabida ou anti-democrática a postura de quem não vota em alguém que defende algo que julga ser um crime contra a vida, independente da crença num Deus que a tenha concebido.

Por fim, gostem ou não os petistas, o fato de Dilma ser a favor do aborto não é boato. Juridicamente falando, é aquilo que se chama “exceção da verdade”. Ao fim e ao cabo, companheiro, assistir à candidata do PT agradecendo a Deus, cá pra nós, só pode ser piada. Não vi a edição do Jornal Nacional a que vc se refere, mas seria de se indagar se, nesse agradecimento divino pelos votos terenos, a golpista é mesmo a imprensa…

Abraço e sucesso!

Aluysio

Limite

Entre os 18 novos blogs que estrearam na última terça, lanço mão de uma distinção exata, exatíssima, feita hoje pela Luciana Portinho (aqui), como alerta a todos os 41 blogs hoje hospedados na Folha Online, bem como a todos os demais, que povoam o universo fora dela:

“Exposição não é exibição”.

Invejoso

Um dos letristas da Música Popular Brasileira que fez com maior sucesso a transição à poesia literária, chegando a faturar o conceituado Prêmio Jabuti, em 1993, com o livro “As Coisas”, o ex-titã Arnaldo Antunes não chega a ser um Shakespeare, mas deixou em letra e música uma precisa descrição do monstro da inveja…

 

 

 

Invejoso

O carro do vizinho é muito mais possante
E aquela mulher dele é tão interessante
Por isso ele parece muito mais potente
Sua casa foi pintada recentemente

E quando encontra o seu colega de trabalho
Só pensa em quanto deve ser o seu salário
Queria ter a secretária do patrão
Mas sua conta bancária já chegou no chão

Na hora do almoço vai pra lanchonete
Tomar seu copo d’água e comer um croquete
Enquanto imagina aquele restaurante
Aonde os outros devem estar nesse instante

Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço

Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço

Depois você caminha até a academia
Sem automóvel e também sem companhia
Queria ter o corpo um pouco mais sarado
Como aquele rapaz que malha do seu lado

E se envergonha de sua própria namorada
Achando que os amigos vão fazer piada
Queria uma mulher daquelas de revista
Uma aeromoça, uma recepcionista

E quando chega em casa liga a tevê
Vê tanta gente mais feliz do que você
Apaga a luz na cama e antes de dormir
Fica pensando o que fazer pra conseguir

Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço

Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço

Dilma tropeçou na soberba de Lula

De tudo que li sobre os motivos que levaram a candidatura de Dilma Rousseff ao segundo turno, quando o lulopetismo se arrogava elegê-la ainda no primeiro, uma das análises mais sóbrias partiu da blogosfera local, pelo músico Claúdio Kezen, do Sociedade Blog (aqui). Vale a pena conferir…

 

Soberba do Lula leva Dilma ao 2º turno

Nas últimas duas semanas de campanha, surfando nas ondas das pesquisas eleitorais amplamente favoráveis, e seguro da vitória no 1º turno, o nosso amável presidente Lula deixou um pouco a Dilma de lado e saiu à caça dos seus desafetos.

O calcanhar de Aquiles de Lula durante seu mandato foi o Senado Federal. Ali, ele sofreu suas piores derrotas, como a votação da CPMF e a abertura da CPI do mensalão, por exemplo. Ele não esqueceu isso.

Com a faca entre os dentes,  nosso Lula cumpriu um périplo por alguns estados, em manobras cirúrgicas para tentar aniquilar alguns desafetos.  É desta fase as frases “a opinião pública somos nós¨, “temos que varrer o DEM da face da terra”, etc…

Os senadores Marconi Perillo, Artur Virgílio, entre outros, foram alvos dos ataques do Presidente. Faz parte do jogo. Em alguns casos deu certo, em outros não.

O que nosso Lula esqueceu, na sua soberba, é que sem seu empurrão pessoal a Dilma não se elege nem síndica do meu prédio. Dilma foi abandonada pelo seu criador exatamente no momento da campanha em que os votos dos indecisos se direcionaram para Marina. Setores da campanha do PT acusaram o problema e teriam feito a questão chegar ao presidente, que preferiu acreditar no seu taco.

Deu no que deu…

A inveja

A inveja, para Shakespeare:

It is the green-eyed monster, which doth mock the meat it feeds on

Tradução licenciosa: “É um monstro de olhos verdes que se alimenta da própria carne”

(“Othelo”, Ato 3, cena 3)

Nós, felizes e poucos…

Na eleição do último domingo, como já disse aqui, um blog arrebentou acima de todos os outros, na Folha Online ou fora dela: o Ponto de Vista, do Christiano Abreu Barbosa. Além dele, no que se refere ao acompanhamento em São João da Barra, fui injusto ao não lembrar de outro grande trabalho, desenvolvido em outro blog: o Entrelinhas, da jornalista Júlia Maria. Pois quando ela estreou, disse algo (aqui) que gostaria de reproduzir aos 18 camaradas em armas que hoje passaram a também ecoar suas vozes, aqui, nesta modesta ágora:

 

We few, we happy few, we band of brothers!

(“Henry V”, de William Shakespeare, Ato 4, cena 3)

 

Se dúvida ainda há sobre os “18 do Forte” aos quais me refiro, confira você, pessoalmente:

Antonio Cruz
http://fmanha.com.br/blogs/blogdoantoniocruz/

Antunis Clayton
http://fmanha.com.br/blogs/valvuladoealuz/

Beth Landim
http://fmanha.com.br/blogs/bethlandim/

Diomarcelo Pessanha
http://fmanha.com.br/blogs/imaginar/

Elaina Galdino
http://fmanha.com.br/blogs/ploc/

Esdras Pereira
http://fmanha.com.br/blogs/esdras/

Fernando Rossi
http://fmanha.com.br/blogs/apartes/

João Paulo Granja
http://fmanha.com.br/blogs/aluzdajustica/

Leonardo Berenger
http://fmanha.com.br/blogs/olhares/

Luciana Portinho
http://fmanha.com.br/blogs/lucianaportinho/

Marco Barcelos
http://fmanha.com.br/blogs/marcobarcelos/

Neusinha Siqueira
http://fmanha.com.br/blogs/conectada/

Priscila Tardin
http://fmanha.com.br/blogs/codigofonte/

Roberto Barbosa
http://fmanha.com.br/blogs/robertobarbosa/

Robson Colla
http://fmanha.com.br/blogs/collanoblog/

Ronaldo Basconcelos
http://fmanha.com.br/blogs/passoapasso/

Viviane de Aquino
http://fmanha.com.br/blogs/viaquinoblog/

 

Atualizado às 21h19 de 06/10/10: Na abertura do post, fui corrigir uma injustiça, ao destacar o bom trabalho realizado pela jornalista Júlia Maria, na cobertura das eleições de 3 de outubro, e acabei reforçando uma outra, ao não lembrar a grande contribuição dada também aqui, pela Michelle Mayrink, outra jornalista e blogueira. Na blogosfera local, ela foi, incusive, a primeira a postar as listagens dos deputados federais e estaduais eleitos (aqui e aqui). Não por outro motivo, cerca de dois mil leitores mais atenados que este blogueiro prestigiaram o espaço virtual da Michelle, entre os dias 3 e 4 de outubro. À jornalista e blogueira, meu sincero pedido de desculpas.

Henriques não subestima oposição

(Foto de Leonardo Berenger)
(Foto de Leonardo Berenger)

 

Além da aposta certa em Nahim, no caso de eleição suplementar, outra diferença de Roberto Henriques para Paulo Feijó foi um maior respeito pela oposição, que o segundo disse “não existir em Campos”. Para o deputado estadual eleito, o seu próprio caso é uma prova de quem está fraco hoje, no caso da oposição local, que ontem não conseguiu eleger nenhum nome a nada, pode estar forte amanhã:

— Já fracassei em eleição para vereador e ontem me elegi deputado estadual. Cada pleito tem suas circunstâncias. Só quando estas se apresentarem, poderemos dizer quem tem mais ou menos chance.