Zico deixa porta aberta no Fla

Dóem as saudades rubro-negras dos anos 80, mas não há bem que sempre dure. Todavia, em contrapartida à lamentável realidade de hoje na Gávea, felizmente também não há mal que nunca se acabe. Não por outro motivo, no mesmo dia em que Marina acendeu a luz verde para ofuscar a soberba vermelha, Zico abriu a possibildade de voltar ao Flamengo, pelo menos depois que o clube se livrar do tal Capitão Léo e quetais, capazes de unir o que há de pior no mundo do futebol: a cartolagem e as torcidas organizadas.

A carta do eterno craque rubro-negro, deixando as portas abertas ao futuro, foi reproduzida hoje, na versão online de O Dia. Abaixo, a transcrição do site…

 

03.10.10 às 18h43

Em carta, Zico sinaliza que pode voltar ao Fla

 

Rio – O site ‘História de Torcedor’, do rubro-negro Moraes, publicou neste domingo uma carta de Zico onde o maior ídolo do clube e ex-diretor executivo de futebol deixa em aberto a possibilidade de voltar a trabalhar no Flamengo. O eterno camisa 10 da Gávea também revelou que o movimento para que ele não deixasse o clube mexeu com ele.

Confira, na íntegra, o texto enviado por Zico aos flamenguistas:

“Tenho visto no meu e-mail, nas chamadas redes sociais, em todos os lugares, mensagens pedindo para que eu volte ao clube, mensagens de carinho de torcedores de todos os cantos. Vi manifestações também na Gávea e no estádio.

Quero que vocês, que criaram e seguem com esse movimento que mexeu comigo, entendam que não é possível agora desenvolver o trabalho que eu acredito no Flamengo. As barreiras são muito fortes e era melhor sair para não atrapalhar, já que o time vive uma situação delicada.

O Flamengo precisa voltar a ser grande, mas as mudanças que precisam ser feitas não vão ocorrer do jeito que eu acreditava quando cheguei. Vai ser preciso um outro caminho para alcançarmos esses objetivos. Mas o momento é de parar, refletir e aguardar.

Preciso cuidar da minha família, preservá-la. E o time precisa de vocês, o clube precisa de muita coisa! Quero agradecer a todos pelo apoio incansável e pela mobilização constante. Peço que os protestos nunca se transformem em brigas ou ameaças a quem quer que seja. Acredito e sempre vou acreditar na batalha baseada no trabalho honesto, aquele com o qual sempre conduzi a minha carreira. Vamos torcer!” Abs Zico

Onda verde engole a vermelha na primeira maré

Não, felizmente a opinião pública “deste país” não é ditada por nenhum líder personalista, por mais popular ou carismático que seja. A onda verde tomou corpo e engoliu a vermelha, pelo menos em sua pretensão de quebrar sozinha na praia, ainda na primeira maré. Se o crescimento de Marina Silva, infelizmente, não foi capaz de levá-la adiante, serviu para espargir as sombras fascistas dos que ainda insistem em querer dividir o Brasil entre esquerda e direita, bem e mal, governo e qualquer crítico eleito à canalha, imprensa golpista e mídia alternativa chapa branca. 

Certos de que a eleição não é um plebiscito simplório entre os governos FHC e Lula, como sempre quiseram os petistas, os eleitores brasileiros poderão fazer agora a reflexão devida, entre Dilma Rousseff e José Serra, já que a maioria optou por maturar a decisão coletiva final num segundo turno. 

Certo também que, apesar da ducha gelada, Dilma segue como franco favorita. Todavia, numa eleição que teve número tão alto de abstenções (cerca de 17%) e votos em branco (cerca de 3%) e nulos (cerca de 5%), nada está definido.

Aos petistas que andam espumando de raiva contra a doce ex-companheira Marina, recomenda-se, pois, um pouco de humildade e bom senso. Além de já terem levado a devida lição de que, no grito, não ganharão nada, pelo menos enquanto o Brasil manter suas felizes distinções em relação a uma Venezuela ou um Irã, é a migração dos votos da brava mulher da floresta que definirá quem ocupará a cadeira da qual Lula, fazendo ou não seu sucessor, terá que se despedir.

Crivella amplia vantagem sobre Picciani

Com 87,37% das urnas apuradas no Estado do RJ, Crivella amplia sua vantagem sobre Picciani na disputada corrida pela segunda vaga ao Senado. O evangélico agora tem 2.850.282 votos (22,24%), contra a votação de 2.641.333 (20,61%) do homem forte de Cabral.

Crivella ou Picciani?

Com a vitória de Cabral definida em primeiro turno e a grande possibilidade de segundo turno entre Dilma e Serra, a grande disputa do momento, nas eleições majoritárias, é saber com quem ficará com a segunda cadeira ao Senado Federal. Com a primeira já nas mãos de Lindenberg (PT), a outra vaga segue numa disputa acirrada entre Marcelo Crivella (PRB) e Jorge Picciani (PMDB). Com 78,03% das urnas fluminenses apuradas, o bispo da Universal tem 2.494.059 votos (21,91%), enquanto o ex-presidente da Alerj  já acumula votação de 2.342.260 (20,58%).

Renúncia de Zico nas faces da torcida e dos jogadores

Em protesto de apoio a Zico, torcedores do Flamengo queimaram hoje sacos representando o poder do dinheiro que afastou o maior ídolo do clube (foto: Márcio Mercante / Ag. O Dia)
Em protesto de apoio a Zico, torcedores do Flamengo queimaram hoje sacos representando o poder do dinheiro que afastou o maior ídolo do clube (foto: Márcio Mercante / Ag. O Dia)

 

Hoje, com o impacto da notícia da renúncia de Zico ao comando do futebol do Flamengo, a torcida fez protestos na sede do clube, na Gávea, enquanto o ex-craque foi ao Centro de Treinamento, se despedir dos jogadores. Interessante notar que o semblante de revolta dos torcedores, na foto acima, está estampado, sem exceção, em rostos de jovens que nunca viram Zico jogar. Em contrapartida, a desesperança nas faces de quem hoje joga no Fla, na foto abaixo, deixa claro o quanto deve ser difícil a missão de escapar da zona do rebaixamento…

 

Em clima de velório antecipado, Zico se despediu dos jogadores do Flamengo (foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
Em clima de velório antecipado, Zico se despediu dos jogadores do Flamengo (foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

Erros também de Zico

Agora há pouco, quem também escreveu (aqui) sobre a saída de Zico, foi o jornalista e blogueiro Renato Maurício Prado. Concordo com ele em relação aos erros cometidos pelo ex-craque como dirigente, mas ainda assim, quando alguém do porte de Zico erra e sai, para figuras como Capitão Léo permanecerem dando as cartas na Gávea, começo a ter sérias dúvidas quanto às possibilidades de solução para o Flamengo, nesta ou em qualquer outra administração. 

Abaixo, o texto do Renato…

 
Enviado por Renato Maurício Prado
1.10.2010
|
16h12m

Caso Zico: todos erraram

  

                                      

Zico: como dirigente não foi nem sobra do gênio que era como jogador

Na noite de ontem, já ouvira alguns rumores a respeito da saída de Zico mas, confesso, não lhes dei crédito. Não conseguia acreditar que ele entregaria os pontos com apenas quatro meses de trabalho e num momento tão crítico para o clube. Não me parecia atitude digna do “Galo” que tantas vezes vi liderar o Flamengo em seus momentos de maior glória. Hoje, pela manhã, entretanto, veio a confirmação. E, com ela, uma grande decepção.

Antes de mais nada, é importante ressaltar: o jogador Zico jamais perderá a minha admiração. Na verdade, vou além: nunca deixarei de ter por ele autêntica veneração. Era um monstro. Um cracaço, dentro e fora do campo. Seu talento e, acima de tudo, seu profissionalismo exemplar guiaram várias gerações rubro-negras e levaram o Fla a conquistar os maiores títulos de sua história. Por isso, haja o que houver, merecerá ser sempre um ídolo da maior torcida do país.

O dirigente, entretanto, não conseguiu ser nem sequer uma sombra do que fora como atleta. Se as intenções eram as melhores possíveis (e não tenho dúvidas de que eram), as ações, em sua maioria, se revelaram desastrosas. Repetindo, monocordicamente, o discurso de que o importante era apostar na estrutura (construção do CT, revitalização das categorias de base etc), Zico esqueceu do presente e o time que montou para o pós-Copa no campeonato brasileiro revelou-se um desastre tão grande que ameaça seriamente o clube de viver o maior vexame de sua história – o rebaixamento à Segunda Divisão, provação da qual, até então, o Flamengo é o único carioca a escapar.

Esse é o seu maior pecado. Não creio em nenhuma das malidicências que espalharam a respeito de seus filhos, agindo como empresários, na Gávea. A honestidade e a ética de Zico, para mim, seguem inatacáveis. Ele pode ter se mostrado incompetente como gestor, mas daí a acusá-lo de usar o clube em benefício próprio vai uma distância colossal.

O acordo com o CFZ, de fato discutível, por igular deveres e haveres de duas instituições tão díspares em tamanhos e valores, foi firmado por Bruno Coimbra, seu filho, e pela presidenta Patrícia Amorim, antes de sua contratação como dirigente executivo. E, é importante ressaltar, já era ardentemente defendido, na gestão anterior, por Márcio Braga e Delair Dumbrosck.

Se Zico teve culpa na história foi por não perceber que tal contrato poderia sugerir um perigoso e desaconselhável conflito de interesses. Por causa dele, talvez nem devesse ter aceitado o convite do Flamengo. Ou então, no dia de sua posse, deveria ter anunciado oficialmente o seu cancelamento. Mas não o fez – até porque a decisão de rescindi-lo, o próprio Zico admite, só aconteceu quando da venda do clube para o grupo MFD, de investidores (embora Patrícia Amorim tenha emitido nota oficial garantindo o contrário, há poucos dias).

O resumo desta triste ópera rubro-negra é que todos no clube erraram feio e acabaram desperdiçando uma grande oportunidade de usar Zico como um instrumento eficiente para recuperar a imagem do clube e reerguê-lo financeiramente. Já escrevi, aqui mesmo neste blog e na minha coluna do GLOBO, que o maior ídolo da história do clube não poderia ter sido exposto e usado da forma que foi.

Zico era para ter se tornado uma grande bandeira, um símbolo, um embaixador do novo Flamengo. Poderia até ditar as maiores diretrizes do futebol profissional, mas não deveria jamais ter se desgastado no dia a dia das contratações, do relacionamento com o elenco, da discussão de prêmios e salários atrasados etc.

O Galo tinha tudo para ser o grande catalisador de novas receitas externas, que possibilitariam o saneamento financeiro do clube e viabilizariam grandes contratações – e não ficar mendigando recursos ao departamento financeiro, para trazer um bando de pernas-de-pau.

Faltou profissionalismo e competência à Patrícia Amorim, para perceber o erro a tempo de corrigi-lo, cercando Zico de profissionais de primeira linha, que pudessem lhe dar o respaldo necessário para ser a figura de proa que se esperava.

E faltou também a Zico a sensibilidade para entender que abandonar o barco em meio à tormenta não é atitude digna de um grande comandante.

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Patrícia, Patrícia, se, de fato, o “Capitão Léo” virou fiel da balança para qualquer coisa na Gávea, todos aos botes…

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Razão tem o leitor Eduardo Silame:

“Eu era mais feliz quando o “capitão Léo” que mandava no Flamengo era o Júnior.”

O Flamengo de hoje — Zico sai para Capitão Léo ficar

Cerca de 100 torcedores protestaram hoje, diante à sede do Flamengo, na Gávea, pela saída de Zico (foto: Fellipe Costa / Globoesporte.com)
Cerca de 100 torcedores protestaram hoje, diante à sede do Flamengo, na Gávea, pela saída de Zico (foto: Fellipe Costa / Globoesporte.com)

 

Li no Blogsportes (aqui e aqui), dos jornalistas Igor Siqueira e do Mateus Mandy, a notícia da renúncia de Zico do comando de futebol do Flamengo, bem como sua carta de despedida, onde externou os motivos da decisão. Entre eles, sobretudo os ataques que passou a sofrer, usando seu filho Bruno como alvo, por parte do presidente do Conselho Fiscal do clube, Leonardo Ribeiro, vulgo Capitão Léo.  

Criado nas divisões de base do Flamengo, Zico conquistou os campeonatos estaduais de 1972, 1974, 1978, 1979 (duas vezes), 1981 e 1986; brasileiros de 1980, 1982, 1983 e 1987; a Libertadores da América em 1981 e o Mundial Inter-Clubes, também em 1981. Com 568 gols, foi o maior artilheiro e jogador da história do clube. Grande craque brasileiro por mais de uma década, disputou com a Seleção Brasileira as Copas do Mundo de 1978, 1982 e 1986, sendo listado pela Fifa (cujo Hall da Fama integra) e pelas revistas France Football e World Soccer entre os 10 melhores jogadores que o mundo produziu no séc. 20. No futebol de areia, ainda como jogador, conquistou as Copas do Mundo e Copas América em 1995 e 1996. De volta aos gramados como técnico, conquistou a Copa da Ásia, em 2004, com a seleção do Japão; o Campeonato e a Supercopa da Turquia, em 2007, pelo Fenerbahçe; o Campeonato e a Copa do Uzbequistão, pelo Bunyodkor, em 2008; e a Supercopa e a Copa da Rússia, pelo CSKA Moscou, em 2009.

Já Capitão Léo começou a construir sua vida “esportiva” como líder da Torcida Jovem do Flamengo, considerada uma das mais violentas do Rio e pela qual, nos anos 90, teve acesso à política interna do clube. Através de contatos políticos, se tornou representante rubro-negro na Federação de Futebol do Rio, onde ganhou um cargo ainda na gestão de Eduardo Vianna, o Caixa D’Água, e ficou até 2007, na vice-presidência de Controle Interno. Em 1999, atuando pelo Conselho Fiscal do Fla, foi um dos principais responsáveis pela aprovação das contas do então presidente Edmundo dos Santos Silva, a quem ajudou também a se reeleger em 2000, até que este sofresse um processo de impeachment, em 2002, e fosse preso pela Polícia Federal, em 2003, por fraude na Receita Federal e no INSS. Fiel ao ex-líder, Capitão Léo passou recentemente dois dias na cadeia, mas por motivo diverso: agressão a torcedores do Fluminense e resistência à prisão, numa confusão após o empate de 3 a 3 no Engenhão.

Comparados os currículos de quem saiu e quem ficou, não é preciso entender muito de futebol ou leis para se constatar que tipo de gente está hoje no comando do clube de futebol mais popular do mundo. Pegando carona na “onda vermelha” prometida pelos eleitores de Dilma, ao melhor estilo da “Revolução Cultural” de Mao Tsé-Tung, para a eleição de domingo, enquanto rubro-negro tenho uma modesta sugestão aos colegas de torcida (de futebol, não política), para o clássico de amanhã, contra o Botafogo: abolir o vermelho e manter apenas o preto…. De luto!

Como a eleição presidencial pode afetar a suplementar

Garotinho e Dilma, no último dia 5 de abril, em Brasília, em ato do PR em apoio à candidata petista, quando ela lembrou carinhosamente do passado brizolista comum com o ex-governador (foto da assessoria do deputado Geraldo Pudim)
Garotinho e Dilma, no último dia 5 de abril, em Brasília, em ato do PR em apoio à candidata petista, quando ela lembrou carinhosamente do passado brizolista comum com o ex-governador (foto da assessoria do deputado Geraldo Pudim)

O que as diferenças entre as pesquisas da Datafolha (que indicam o segundo turno na eleição presidencial) e do Ibope/CNI (apontando a vitória de Dilma Rousseff ainda no primeiro turno) podem ter a ver com as declarações feitas ontem, pelo presidente do TRE, Nametala Jorge, ao presidente da Câmara de Campos, Rogério Matoso (PPS), garantindo que a eleição suplementar para prefeito acontecerá no início de 2011, de maneira direta, e sem necerrariamente esperar o julgamento do mérito do recurso de Rosinha, no TSE, como o jornalista e blogueiro Luiz Costa adiantou aqui, em primeira mão?

Se Dilma realmente levar em turno único, a coisa tende a influenciar menos em Campos. Mas, no caso do segundo turno, desatento é quem ainda não percebeu que o PR tem possibilidades reais de fazer até 50 deputados federais em todo o Brasil, incluindo o mais votado de São Paulo, Tiririca, e do Rio, Anthony Garotinho. Com este como líder de uma bancada que poderia representar até 10% da Câmara Federal, num partido da base de apoio a Dilma, improvável que essa força não seja usada não só na indicação de pelo menos um ministério no novo governo petista, como no fechamento de um acordo em Brasília que só não afetaria as decisões eleitorais em Campos para quem acredita, por exemplo, que a absolvição do casal Garotinho pelo TRE, em 2005, a partir do voto de minerva do seu presidente de então, não teve nada a ver com a escolha do irmão deste ao TJ, pouco tempo depois, pela governadora Rosinha.

Até que os eleitores expressem sua vontade soberana nas urnas de 3 de outubro, qualquer possível consequência dos seus resultados não deve ultrapassar o campo da especulação, sobretudo quando se invereda na dúvida quanto a devida separação entre os poderes da nossa República. Mas até para se evitar surpresas, bom não se perder de vista aquilo que, à parte o desejo pessoal, pode vir a ser…