Renúncia de Zico nas faces da torcida e dos jogadores

Em protesto de apoio a Zico, torcedores do Flamengo queimaram hoje sacos representando o poder do dinheiro que afastou o maior ídolo do clube (foto: Márcio Mercante / Ag. O Dia)
Em protesto de apoio a Zico, torcedores do Flamengo queimaram hoje sacos representando o poder do dinheiro que afastou o maior ídolo do clube (foto: Márcio Mercante / Ag. O Dia)

 

Hoje, com o impacto da notícia da renúncia de Zico ao comando do futebol do Flamengo, a torcida fez protestos na sede do clube, na Gávea, enquanto o ex-craque foi ao Centro de Treinamento, se despedir dos jogadores. Interessante notar que o semblante de revolta dos torcedores, na foto acima, está estampado, sem exceção, em rostos de jovens que nunca viram Zico jogar. Em contrapartida, a desesperança nas faces de quem hoje joga no Fla, na foto abaixo, deixa claro o quanto deve ser difícil a missão de escapar da zona do rebaixamento…

 

Em clima de velório antecipado, Zico se despediu dos jogadores do Flamengo (foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
Em clima de velório antecipado, Zico se despediu dos jogadores do Flamengo (foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
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Erros também de Zico

Agora há pouco, quem também escreveu (aqui) sobre a saída de Zico, foi o jornalista e blogueiro Renato Maurício Prado. Concordo com ele em relação aos erros cometidos pelo ex-craque como dirigente, mas ainda assim, quando alguém do porte de Zico erra e sai, para figuras como Capitão Léo permanecerem dando as cartas na Gávea, começo a ter sérias dúvidas quanto às possibilidades de solução para o Flamengo, nesta ou em qualquer outra administração. 

Abaixo, o texto do Renato…

 
Enviado por Renato Maurício Prado
1.10.2010
|
16h12m

Caso Zico: todos erraram

  

                                      

Zico: como dirigente não foi nem sobra do gênio que era como jogador

Na noite de ontem, já ouvira alguns rumores a respeito da saída de Zico mas, confesso, não lhes dei crédito. Não conseguia acreditar que ele entregaria os pontos com apenas quatro meses de trabalho e num momento tão crítico para o clube. Não me parecia atitude digna do “Galo” que tantas vezes vi liderar o Flamengo em seus momentos de maior glória. Hoje, pela manhã, entretanto, veio a confirmação. E, com ela, uma grande decepção.

Antes de mais nada, é importante ressaltar: o jogador Zico jamais perderá a minha admiração. Na verdade, vou além: nunca deixarei de ter por ele autêntica veneração. Era um monstro. Um cracaço, dentro e fora do campo. Seu talento e, acima de tudo, seu profissionalismo exemplar guiaram várias gerações rubro-negras e levaram o Fla a conquistar os maiores títulos de sua história. Por isso, haja o que houver, merecerá ser sempre um ídolo da maior torcida do país.

O dirigente, entretanto, não conseguiu ser nem sequer uma sombra do que fora como atleta. Se as intenções eram as melhores possíveis (e não tenho dúvidas de que eram), as ações, em sua maioria, se revelaram desastrosas. Repetindo, monocordicamente, o discurso de que o importante era apostar na estrutura (construção do CT, revitalização das categorias de base etc), Zico esqueceu do presente e o time que montou para o pós-Copa no campeonato brasileiro revelou-se um desastre tão grande que ameaça seriamente o clube de viver o maior vexame de sua história – o rebaixamento à Segunda Divisão, provação da qual, até então, o Flamengo é o único carioca a escapar.

Esse é o seu maior pecado. Não creio em nenhuma das malidicências que espalharam a respeito de seus filhos, agindo como empresários, na Gávea. A honestidade e a ética de Zico, para mim, seguem inatacáveis. Ele pode ter se mostrado incompetente como gestor, mas daí a acusá-lo de usar o clube em benefício próprio vai uma distância colossal.

O acordo com o CFZ, de fato discutível, por igular deveres e haveres de duas instituições tão díspares em tamanhos e valores, foi firmado por Bruno Coimbra, seu filho, e pela presidenta Patrícia Amorim, antes de sua contratação como dirigente executivo. E, é importante ressaltar, já era ardentemente defendido, na gestão anterior, por Márcio Braga e Delair Dumbrosck.

Se Zico teve culpa na história foi por não perceber que tal contrato poderia sugerir um perigoso e desaconselhável conflito de interesses. Por causa dele, talvez nem devesse ter aceitado o convite do Flamengo. Ou então, no dia de sua posse, deveria ter anunciado oficialmente o seu cancelamento. Mas não o fez – até porque a decisão de rescindi-lo, o próprio Zico admite, só aconteceu quando da venda do clube para o grupo MFD, de investidores (embora Patrícia Amorim tenha emitido nota oficial garantindo o contrário, há poucos dias).

O resumo desta triste ópera rubro-negra é que todos no clube erraram feio e acabaram desperdiçando uma grande oportunidade de usar Zico como um instrumento eficiente para recuperar a imagem do clube e reerguê-lo financeiramente. Já escrevi, aqui mesmo neste blog e na minha coluna do GLOBO, que o maior ídolo da história do clube não poderia ter sido exposto e usado da forma que foi.

Zico era para ter se tornado uma grande bandeira, um símbolo, um embaixador do novo Flamengo. Poderia até ditar as maiores diretrizes do futebol profissional, mas não deveria jamais ter se desgastado no dia a dia das contratações, do relacionamento com o elenco, da discussão de prêmios e salários atrasados etc.

O Galo tinha tudo para ser o grande catalisador de novas receitas externas, que possibilitariam o saneamento financeiro do clube e viabilizariam grandes contratações – e não ficar mendigando recursos ao departamento financeiro, para trazer um bando de pernas-de-pau.

Faltou profissionalismo e competência à Patrícia Amorim, para perceber o erro a tempo de corrigi-lo, cercando Zico de profissionais de primeira linha, que pudessem lhe dar o respaldo necessário para ser a figura de proa que se esperava.

E faltou também a Zico a sensibilidade para entender que abandonar o barco em meio à tormenta não é atitude digna de um grande comandante.

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Patrícia, Patrícia, se, de fato, o “Capitão Léo” virou fiel da balança para qualquer coisa na Gávea, todos aos botes…

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Razão tem o leitor Eduardo Silame:

“Eu era mais feliz quando o “capitão Léo” que mandava no Flamengo era o Júnior.”

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O Flamengo de hoje — Zico sai para Capitão Léo ficar

Cerca de 100 torcedores protestaram hoje, diante à sede do Flamengo, na Gávea, pela saída de Zico (foto: Fellipe Costa / Globoesporte.com)
Cerca de 100 torcedores protestaram hoje, diante à sede do Flamengo, na Gávea, pela saída de Zico (foto: Fellipe Costa / Globoesporte.com)

 

Li no Blogsportes (aqui e aqui), dos jornalistas Igor Siqueira e do Mateus Mandy, a notícia da renúncia de Zico do comando de futebol do Flamengo, bem como sua carta de despedida, onde externou os motivos da decisão. Entre eles, sobretudo os ataques que passou a sofrer, usando seu filho Bruno como alvo, por parte do presidente do Conselho Fiscal do clube, Leonardo Ribeiro, vulgo Capitão Léo.  

Criado nas divisões de base do Flamengo, Zico conquistou os campeonatos estaduais de 1972, 1974, 1978, 1979 (duas vezes), 1981 e 1986; brasileiros de 1980, 1982, 1983 e 1987; a Libertadores da América em 1981 e o Mundial Inter-Clubes, também em 1981. Com 568 gols, foi o maior artilheiro e jogador da história do clube. Grande craque brasileiro por mais de uma década, disputou com a Seleção Brasileira as Copas do Mundo de 1978, 1982 e 1986, sendo listado pela Fifa (cujo Hall da Fama integra) e pelas revistas France Football e World Soccer entre os 10 melhores jogadores que o mundo produziu no séc. 20. No futebol de areia, ainda como jogador, conquistou as Copas do Mundo e Copas América em 1995 e 1996. De volta aos gramados como técnico, conquistou a Copa da Ásia, em 2004, com a seleção do Japão; o Campeonato e a Supercopa da Turquia, em 2007, pelo Fenerbahçe; o Campeonato e a Copa do Uzbequistão, pelo Bunyodkor, em 2008; e a Supercopa e a Copa da Rússia, pelo CSKA Moscou, em 2009.

Já Capitão Léo começou a construir sua vida “esportiva” como líder da Torcida Jovem do Flamengo, considerada uma das mais violentas do Rio e pela qual, nos anos 90, teve acesso à política interna do clube. Através de contatos políticos, se tornou representante rubro-negro na Federação de Futebol do Rio, onde ganhou um cargo ainda na gestão de Eduardo Vianna, o Caixa D’Água, e ficou até 2007, na vice-presidência de Controle Interno. Em 1999, atuando pelo Conselho Fiscal do Fla, foi um dos principais responsáveis pela aprovação das contas do então presidente Edmundo dos Santos Silva, a quem ajudou também a se reeleger em 2000, até que este sofresse um processo de impeachment, em 2002, e fosse preso pela Polícia Federal, em 2003, por fraude na Receita Federal e no INSS. Fiel ao ex-líder, Capitão Léo passou recentemente dois dias na cadeia, mas por motivo diverso: agressão a torcedores do Fluminense e resistência à prisão, numa confusão após o empate de 3 a 3 no Engenhão.

Comparados os currículos de quem saiu e quem ficou, não é preciso entender muito de futebol ou leis para se constatar que tipo de gente está hoje no comando do clube de futebol mais popular do mundo. Pegando carona na “onda vermelha” prometida pelos eleitores de Dilma, ao melhor estilo da “Revolução Cultural” de Mao Tsé-Tung, para a eleição de domingo, enquanto rubro-negro tenho uma modesta sugestão aos colegas de torcida (de futebol, não política), para o clássico de amanhã, contra o Botafogo: abolir o vermelho e manter apenas o preto…. De luto!

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Como a eleição presidencial pode afetar a suplementar

Garotinho e Dilma, no último dia 5 de abril, em Brasília, em ato do PR em apoio à candidata petista, quando ela lembrou carinhosamente do passado brizolista comum com o ex-governador (foto da assessoria do deputado Geraldo Pudim)
Garotinho e Dilma, no último dia 5 de abril, em Brasília, em ato do PR em apoio à candidata petista, quando ela lembrou carinhosamente do passado brizolista comum com o ex-governador (foto da assessoria do deputado Geraldo Pudim)

O que as diferenças entre as pesquisas da Datafolha (que indicam o segundo turno na eleição presidencial) e do Ibope/CNI (apontando a vitória de Dilma Rousseff ainda no primeiro turno) podem ter a ver com as declarações feitas ontem, pelo presidente do TRE, Nametala Jorge, ao presidente da Câmara de Campos, Rogério Matoso (PPS), garantindo que a eleição suplementar para prefeito acontecerá no início de 2011, de maneira direta, e sem necerrariamente esperar o julgamento do mérito do recurso de Rosinha, no TSE, como o jornalista e blogueiro Luiz Costa adiantou aqui, em primeira mão?

Se Dilma realmente levar em turno único, a coisa tende a influenciar menos em Campos. Mas, no caso do segundo turno, desatento é quem ainda não percebeu que o PR tem possibilidades reais de fazer até 50 deputados federais em todo o Brasil, incluindo o mais votado de São Paulo, Tiririca, e do Rio, Anthony Garotinho. Com este como líder de uma bancada que poderia representar até 10% da Câmara Federal, num partido da base de apoio a Dilma, improvável que essa força não seja usada não só na indicação de pelo menos um ministério no novo governo petista, como no fechamento de um acordo em Brasília que só não afetaria as decisões eleitorais em Campos para quem acredita, por exemplo, que a absolvição do casal Garotinho pelo TRE, em 2005, a partir do voto de minerva do seu presidente de então, não teve nada a ver com a escolha do irmão deste ao TJ, pouco tempo depois, pela governadora Rosinha.

Até que os eleitores expressem sua vontade soberana nas urnas de 3 de outubro, qualquer possível consequência dos seus resultados não deve ultrapassar o campo da especulação, sobretudo quando se invereda na dúvida quanto a devida separação entre os poderes da nossa República. Mas até para se evitar surpresas, bom não se perder de vista aquilo que, à parte o desejo pessoal, pode vir a ser…

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Os votos do blogueiro

Peço desculpas aos leitores pela falta de atualização nos dois últimos dias, mas demandas de ordem pessoal acabaram atropelando a agenda profissional. A menos de três dias das eleições gerais de 3 de outubro, o blogueiro quebra o hiato ao assumir os votos que confirmará nas urnas, ressalvado que se tratam de opção meramente pessoal, que não pode ou deve ser confundida com a linha editorial da Folha, ou sequer deste blog, onde a opinião do chargista José Renato tem o mesmo peso… 

 

Presidente: Marina Silva (PV – 43)

Governador: Fernando Gabeira (PV – 43)

Senador: César Maia (DEM – 251) e Milton Temer (PSOL – 500)

Deputado federal: Sérgio Diniz (PPS – 2310)

Deputado estadual: Andral Tavares Filho (PV – 43015)

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Debate PT x imprensa

Não é de hoje que os comentários do blog têm gerado discussões interessantes, muitas vezes merecedoras de destaque maior, na forma de post. Não por outro motivo, segue abaixo a transcrição do debate estabelecido entre o comentarista George A. F. Gessário e o blogueiro, a partir da postagem (aqui) sobre as opiniões emitidas pelo candidato verde a deputado federal Alfredo Sirkis, em visita a Campos, como reflexo de um tema que tem dominado muitas rodas de discussão Brasil afora, sobretudo após o presidente Lula ter afirmado, num rompante de Luís XIV, que: “A opinião pública somos nós!” (refrindo-se apenas aos eleitores de Dilma)…

 

GEORGE A. F. GESSÁRIO
(Enviado às 14h38 de 25/09/10)

SAindo do ambito eleitoral, as críticas à GRANDE MÍDIA são devidas, e com a popularização da internet e dos meios independentes de informação, tendem a ser cada vez mais contudentes, não dá mais pra tolerar o cinismo, que se esconde utilizando o SACRO DIREITO à liberdade de expressão, e o direito à informação, tão essenciais ao regime democrático, pra mostrar fatos incompletos para atender aos interesses de determinado grupo, AGINDO SIM, A IMPRENSA COMO UM GRANDE PARTIDO, se essa se propõe a emitir sua opinião que a faça de forma clara, assumindo o que pensa, e não se escondendo numa falsa imparcialidade(Que deve reger a atividade de informar, não a de opinar) pra manipular seus leitores, se a imprensa compra o Serra como candidato que assuma, e faça um jornalismo ético e profissional, e não a VERGONHA que se tem visto, cada hora é um factóide novo, em fase de investigação, apresentado como verdade absoluta.

 

ALUYSIO

(Enviado às 23h07 de 26/09/10)

Em primeiro lugar, questionar aquele que critica, ou os motivos pelo qual critica, no lugar de se discutir a crítica, embora muito em voga no presente do Brasil, é um dos sofismas mais antigos da humanidade. Se fossem factóides as denúncias que a imprensa trouxe contra o governo federal, cuja origem o Sirkis revelou estarem no próprio PT, elas não teriam gerado a queda de Erenice Guerra. Aliás, entre os três ministros da Casa Civil que Lula teve em quase oito anos de governo, a única que não caiu em meio a escândalos de corrupção, é aquela que hoje lidera as pesquisas à presidência da República.

Ao fim e ao cabo, quanto ao papel da imprensa, no Brasil, na Argentina, na Venezuela, no Irã, ou em qualquer outro canto do mundo, necessário espargir as sombras “fascistóides” (outra boa definição do Sirkis) de hoje com a luz do grande Millôr Fernandes: “Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”.

Abraço e grato pela colaboração!

Aluysio

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Dante indica Fernando Rocha e barra Geraldo Venâncio no HGG

Cotado para assumir a secretaria de Saúde, como o blog divulgou aqui, em primeira mão, o médico e vereador Dante Pinto Lucas (PDT) ainda não assumiu o lugar de Paulo Hirano, mas já indicou quem renderá o ainda secretário da função acumulada na direção do Hospital Geral de Guarus (HGG). Em seu blog, o jornalista Alexandre Bastos já havia divulgado aqui, na última quinta, dia 23, que o novo diretor do hospital mais problemático da rede pública seria indicado nos próximos dias. Pois como acréscimo à informação, este blog revela o nome já escolhido por Dante: o neurologista Fernando Rocha, ex-secretário de Saúde de São Francisco de Itabapoana, com quem o hoje vereador de Campos trabalhou no governo pouco saudoso do radialista Barbosa Lemos.

Com a bagagem de ter antecipado aqui, desde o dia 30 de agosto, a queda do médico e ex-vereador Otávio Cabral (PPS) do HGG, consumada só no último dia 8 (aqui), o blog até entende que Dante venha preparando o terreno para quando assumir a secretaria, na mudança da equipe de governo que, segundo o próprio prefeito Nelson Nahim também revelou ao blog, só acontecerá quando o TRE marcar as eleições suplementares (aqui), ou se Rosinha perder o recurso do mérito de sua cassação também no TSE (aqui) — provavelmente, o que acontecer antes. Neste sentido, se justificam a intermediação do vereador, junto a Nahim, no financiamento municipal à compra do equipamento de radiologia para viabilizar o projeto oncológico da Clínica São José e Hospital Álvaro Alvim, bem como a indicação do novo diretor do HGG.

Noves fora o fato do Grupo IMNE já ter comprado, com capital privado, um aparelho de radiologia plenamente capaz de atender à demanda dos pacientes oncológicos de Campos, tornando o investimento público, se não desnecessário, pelo menos não uma prioridade, o que não se entende em Dante é a indicação de Fernando Rocha. Não se questiona a capacidade do ex-secretário de Barbosa Lemos, mas o fato do vereador que o indica ser do PDT, mesmo partido do também médico e ex-vereador Geraldo Venâncio, primeiro diretor do HGG, que revelou ao blog (aqui) já ter conversado com Nahim sobre a situação do hospital, afirmando que aceitaria voltar se fosse convidado.

Não por outro motivo, fica a pergunta: o que será que Dante tem contra o retorno do seu correligionário ao HGG?      

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