De saída
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:24 de maio de 2010 - 20:10
- Categoria do post:Sem categoria
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Uma briga dentro na Peper’s Club, no ponto mais badalado da av. Pelinca, na madrugada de hoje, terminou com a morte de Natanael Odilon Pereira da Silva, de 29 anos. Ele se envolveu numa confusão dentro da boate, foi posto para fora pelos seguranças, saiu e voltou com uma faca. Tentou entrar novamente e discutiu com os seguranças. Um policial militar, lotado em Macaé, interveio e pôs fim ao problema com um tiro na cabeça de Natanael. Legítima defesa, como alegou o PM???
Identificado, assim como sua lotação, no blog Campos 24 Horas (aqui), pelo jornalista Fabiano Venâncio, a ação do cabo PM Gandra foi questionada pela jornalista Jane Nunes, no blog Estou Procurando o que Fazer (aqui): “É preciso que os responsáveis pela segurança sejam pessoas mais preparadas e equilibradas para saber atuar em situações de conflitos, sem a necessidade de tirar a vida de qualquer pessoa”. E a blogueira não está sozinha. Na Folha Online (aqui), foram vários os comentaristas que seguiram a mesma linha de raciocínio:
— Precisava atirar na cabeça?? O cara com uma faca e ele com uma ARMA DE FOGO. Quem é o mais “FORTE”? — indagou Edi Cardoso.
— Falta de treinamento adequado dos PMs — concluiu Desorre Fioravanti.
— O quê, um PM lotado em Macaé estava em uma área de lazer, portando arma de fogo? — questionou Antonio Sodré.
— Todos os casos são iguais… os PMs sempre dizem que foi em legítima defesa… já está manjada essa desculpa — lembrou Ana Paula de Spuza.
— Que KÔ deste PM, atirar pq o cara tava com uma faca? Bastava 1 tiro para cima e o cara se tremia e soltava a faca, com certeza! Caso não desse jeito, um tiro no pé seria solução, ora! Mas na cabeça? Para o PM vai dar Pizza com certeza! — apostou Enoque Teles da Silva.
— Legítima defesa não é “uso moderado de meios que repelem justa agressão”, ou algo do tipo? E um headshot é legítima defesa onde? Cada uma viu… Se fosse um coitado ia se lascar pra defender essa tese no tribunal do júri, mas como é um PM duvido que dê em alguma coisa — lamentou Julio Mendel da Silva.
— Isso é um absurdo!!! PM atira no estudante como se ele fosse um bandido…Não podemos nem confiar na segurança esses PM precisam ser mais preparados para entra na corporação (…) Em quem podemos confiar???? — perguntou Roberta da Hora Damasceno.
— Ele não precisava atirar na cabeça para conter o rapaz! Hoje nós mães temos mt medo quando nossos filhos saem para se divertir. Já não bastando os bandidos ainda tem os policiais despreparados — advertiu Elisete de Oliveira Leitão.
— Esse PM tinha que pedir reforço e não agir dessa maneira. Será que se fosse filho dele agiria da mesma forma? Total despreoparo desse PM — acusou Marcos Antonio Gomes.
— Três coisas não podem ser discutidas: a alienação de quem porta uma faca num local de festa, o despreparo do policial e a imbecilidade de quem atribui ao estado a culpa! — sentenciou José Armando Ribeiro Barreto.
— De qualquer forma, o policial deveria esgotar c/ sua voz, sua autoridade, obedecendo a reação do esfaqueador. Ou seja: Vai atacar? Tiro na perna — explicou Fábio Aquino da Silva Tavares.
Um bom exemplo do que alega o Fábio, foi dado recentemente, por um sargento da PM, que no último dia 5 pôs fim à tentativa de assalto a uma lan house, na rua João Maria, após trocar tiros com dois assaltantes, baleando ambos nas pernas. O fato foi noticiado pela Folha, em sua edição impressa do dia seguinte.
Diante do constraste entre as duas ações, cabe a pergunta óbvia: Se um PM é capaz de deter dois assaltantes, portando armas de fogo, atirando em partes não letais dos seus corpos, como outro PM não é capaz de conter uma única pessoa, com uma faca, a não ser com um tiro na cabeça???
Atualização às 21h11: O blog Campos 24 Horas, que revelou o nome do PM (Gandra) que matou Natanael com um tiro na cabeça, informou agora há pouco (sem horário da atualização) que este último seria lutador e teria participado de um torneio de submission. Ademais, a repórter da Folha Valquíria Azevedo descobriu junto à Faculdade de Direito de Campos que Natanael havia trancado sua matrícula no 3º período do curso, em 2007, sendo portanto um ex-estudante de Direito, diferente do que informou inicialmente este blog. Em todo o caso, nenhuma das duas novas informações invalida a pergunta final do post original, feita a partir das participações de vários leitores da Folha Online e no contraponto entre duas ações de policiais militares em Campos: “Se um PM é capaz de deter dois assaltantes, portando armas de fogo, atirando em partes não letais dos seus corpos, como outro PM não é capaz de conter uma única pessoa, com uma faca, a não ser com um tiro na cabeça???”

A partir de hoje e até 11 de julho, estarei dividindo minhas atenções entre este Opiniões e o Folha na Copa (aqui), assim como meu parceiro aqui e lá, o chargista José Renato. Além dele, no Folha na Copa farei também companhia a Paulo Roberto Rangel, Matheus Nandy, Igor Siqueira, Christiano Barbosa, Luiz Costa e Alexandre Bastos. A maioria possui blog próprios, como é o caso dos quatro últimos, respectivamente titulares do Blogesportes (aqui), Ponto de Vista (aqui), Na Geral (aqui) e Blog do Bastos (aqui).
Na torcida pelo bom futebol, mais do que necessariamente pelo Hexa, vamos todos juntos com você, leitor, mergulhar nesses 30 dias em que são construídos e desfeitos os mitos…

Desde que Laura Ferraz me avisou, no fim da noite de ontem, da morte de Mônica Simões, tenho pensado no que dizer sobre ela. Poderia dizer, como disse ao Luiz Costa, em matéria publicada hoje na Folha, que ela foi a maior corretora de anúncios que vi nestas duas décadas em que atuo profissionalmente na mídia de Campos. Poderia dizer que foi uma mulher socialmente revolucionária, a primeira que vi falar abertamente sobre sexo, brincando com isso com um despudor que a misoginia costuma segregar como privilégio exclusivo de homens. Poderia dizer que foi uma mulher que amava a vida e construiu a sua sozinha, ascendendo de telefonista da Folha a maior publicitária dos 33 anos de história deste jornal por seus próprios méritos, sem ajuda de nenhum homem, ainda que tenha encontrado a paz ao lado de Rui, após ter ido morar em Macaé. Poderia dizer que não sei o que direi à minha mãe quando ela chegar de viagem, ainda sem saber da morte de quem amava como uma filha. Poderia dizer que, diferente de Mônica, sou homem e fraco, e por isso não tive coragem para ir ao seu velório ou ao seu enterro. Mas de tudo que poderia dizer, acho que nada traduz melhor o que sinto do que aquilo que Chico Buarque — este tradutor de nós todos — disse em letra e música:
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu…
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá…
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá…
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou…
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá…
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou…
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá …
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…

Noticiada em seus blogs pelos jornalistas Alexandre Bastos (aqui) e Saulo Pessanha (aqui), os ataques da prefeita Rosinha Garotinho (PMDB) dirigidos ao vereador Abdu Neme (PSB) não têm origem apenas no “trote” do presidente da Comissão de Saúde da Câmara, que conferiu por telefone e não aprovou a eficiência do programa “Emergência em Casa”. Embora externada contra Abdu, a revolta da prefeita, segundo fontes muito próximas a ela, teria sido na verdade motivada pela atitude dos também vereadores Nelson Nahim (PR) e Jorge Magal (PMDB), respetivamente presidente do Legilslativo e líder da bancada governista.
Ocorre que, diante de Rosinha, Nahim e Magal teriam criticado severamente a atitude de Abdu, se comprometendo ou dando a entender que assim também fariam na Câmara. Todavia, na sessão da última terça, dia 18, diante de Abdu, os dois vereadores governistas se solidarizaram com o colega de oposição. Não por outro motivo, na noite da mesma terça, na inauguração das obras de uma creche em Custodópolis, a prefeita teria aberto suas baterias contra Abdu, aumentando a carga na manhã do dia seguinte, no programa “De Olho na Cidade”, da TV Litoral, quando chegou a questionar a moral do ex-médico particular de Anthony Garotinho (PR) para criticar a Saúde no atual governo municipal.
Logo depois do programa, a sessão da Câmara acabou sendo adiada. Sem justificativa oficial, o motivo real foi o movimento de bastidores para tentar convencer Abdu a não revelar na tribuna tudo aquilo que sabe do casal Garotinho, nos tempos em que era seu aliado de primeira hora. Entre os que tentaram colocar panos quentes, estavam justamente Nahim e Magal, que logo após terem conseguido conter o espírito revanchista de Abdu, foram correndo à inauguração do reservatório da Águas do Paraíba em Queimado, tudo na mesma manhã de ontem, posando risonhos para as fotos ao lado de Rosinha, inclusive a publicada hoje, na capa da edição impressa da Folha.
E, só para não esquecer, a tal ligação de Abdu para o Emergência em Casa, que gerou toda a polêmica, segundo o próprio vereador revelou na tribuna da sessão de terça, foi feita no telefone, na sala e diante de Nahim…
Adiantada pelo jornalista e blogueiro Alexandre Bastos (aqui), a CPI da Pedofilia que a vereadora Odisséia Carvalho (PT) propôs na sessão de hoje, na Câmara, tem muitos outros detalhes. Em relação, por exemplo, à rede de prostituição de menores em Campos, cuja descoberta foi noticiada com exclusividade pela Folha (aqui), desde 7 de junho de 2009, muito antes do caso pautar outros veículos de mídia, a petista garantiu que os fortes indícios de manipulação de informações para tentativas de intimadação e extorsão serão igualmente alvo da investigação devida pela CPI — necessidade que este blog também vem alertando há tempos.
Hoje, Odisséia entregou no Ministério Público de Campos um ofício para dar ciência do que foi discutido e definido na audiência pública de ontem, na Câmara, bem como para agendar um encontro com o promotor Leandro Manhães, encarregado do caso, para saber em que pé estão as investigações. A petista não fala apenas por si, mas também pela colega vereadora Ilsan Vianna (PDT), pela Fundação Municipal da Infância e Juventude, pela Fundação (estadual) da Infância e Adolescência (FIA), pelo Conselho Tutelar, pela Vara da Infância e Juventude, pela Associação de Proteção à Infância de Campos (Apic), pelo projetos Resgate e Ronda Escolar e pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Todos mandaram representantes à audiência, que formaram uma comissão para promover e cobrar o combate à pedofilia em Campos e na região.
Enquanto o resultado das investigação não é conhecido, enquanto não ocorre em Campos a operação policial da qual este blog teve informação e anunciou (aqui), uma coisa Odisséia garante, não dissociada de motivos: diferente da CPI dos Royaties (aqui), que ela propôs e foi negada por todos os demais colegas de Câmara, a CPI da Pedofilia deve contar com apoio não só da bancada de oposição, como também de alguns vereadores da situação. É esperar para ver…