Bacellar espera definição jurídica para definir rumo em 2026

 

Rodrigo Bacellar e Alexandre de Moraes

 

E Bacellar?

E Bacellar? Como ele e seu grupo irão para as eleições de outubro? Esta semana, foi especulado por sites cariocas que ele poderia concorrer em outubro a deputado federal, para fortalecer a nominata do União. Mas, dele ou de seus aliados, ninguém confirma a intenção.

 

Revés com Moraes

Preso em 3 de dezembro (confira aqui, aqui e aqui) pela Polícia Federal (PF), acusado de vazar informações da prisão do ex-deputado TH Joias em 3 de setembro, por ligação deste com o Comando Vermelho, Bacellar foi solto (confira aqui) em 9 de dezembro. Mas saiu afastado da presidência da Alerj, entre outras medidas cautelares impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

 

Licença estratégica

Em 10 de dezembro, Bacellar pediu licença do mandato de deputado estadual. Como a coluna explicou (confira aqui) no dia 13: a licença poderia ser de até 120 dias, mas foi pedida de apenas 10 para emendar com o recesso parlamentar até o carnaval, em fevereiro.

 

Celulares e prisões

Foi (confira aqui) o celular de TH Joias que gerou a prisão de Bacellar. Cujos celulares geraram a prisão, no dia 16, do (confira aqui) desembargador federal Macário Júdice Neto. Que teria passado ao então presidente da Alerj a informação da prisão do deputado faccionado. Celulares de Macário também foram apreendidos pela PF, assim como (confira aqui) do campista Rui Bulhões, ex-chefe de gabinete de Bacellar.

 

Eleitoral espera jurídico

Até que se saiba se todos esses celulares apreendidos gerarão ou não mais operações da PF no RJ, como a Zargun, a Unha e Carne e Unha e Carne 2, Bacellar não tomará nenhuma decisão. Seu futuro político e eleitoral vai esperar sua situação jurídica ficar mais clara.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Garotinho e Sérgio Mendes sob as casuarinas de Chapéu de Sol

 

Anthony Garotinho, Sérgio Mendes, Murillo Dieguez e Thiago Virgílio

 

Reencontro em Chapéu de Sol (I)

Nada como as sombras das casuarinas e o vento nordeste de Chapéu de Sol para curar velhas feridas. Rompidos desde 1995, Garotinho e seu ex-aliado Sérgio Mendes (Cidadania), prefeito de Campos entre 1993 e 1996, se encontram ao acaso na manhã do último sábado (3), caminhando entre Atafona e Chapéu de Sol. E conversaram amistosamente por cerca de 1h30.

 

Reencontro em Chapéu de Sol (II)

Com Garotinho, estava Thiago Virgílio. Com Sérgio, Murillo Dieguez, empresário e colunista da Folha. Os dois também participaram ativamente da conversa. Que girou da política presente, de Campos e do RJ, às memórias do passado comum. Se desafetos não saíram dali aliados, foi um exemplo de civilidade que poderia inspirar este ano eleitoral de 2026.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Wladimir vice de Paes e Garotinho a deputado federal?

 

Wladimir e Anthony Garotinho, Eduardo Paes e Tassiana Oliveira (Montagem: Joseli Matias)

 

Wladimir vice de Paes e Garotinho a federal?

Hoje, a exatos oito meses e 24 dias à urna de 4 de outubro de 2026, o grupo dos Garotinhos tem um plano traçado. O prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) anunciaria o de Campos, Wladimir, como vice em sua chapa a governador após o carnaval. Garotinho (REP) viria a deputado federal. Sem a primeira-dama de Campos, Tassiana (PL), se lançar a nada.

 

Garotinho e o verbo

A deputado estadual, os Garotinhos trabalharão pela reeleição de Bruno Dauaire (União) e o presidente da Codemca, Thiago Virgílio (Podemos). Para Wladimir vir a vice de Paes, sairia do PP para o MDB ou o Republicanos do pai. E este, pelo menos por ora, para de bater no prefeito carioca, com quem trocou acusações pesadas, recentemente, nas redes sociais.

 

Contraponto de Bacellar?

Paes e Wladimir se encontraram pessoalmente no Rio, no dia 6. Nos corredores da política carioca, no entanto, há quem diga que o primeiro estaria só enrolando o segundo. Porque com o ex-presidente campista da Alerj Rodrigo Bacellar (União) fora do jogo a governador em 2026, a demanda estratégica por um vice de Campos não existiria mais. A ver.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Felipe Fernandes — Sonhos de trem: o luto entre a natureza e o progresso

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

Sonhos de trem: o luto entre a natureza e o progresso

Por Felipe Fernandes

 

Existe uma sensação de tragédia inerente ao protagonista Robert Grainier, personagem central de uma biografia ficcional que acompanha a jornada de um homem comum em busca de algo que nem ele próprio parece compreender. Através dele, observamos também as transformações de um país em franca expansão, num processo de modernização que consome tudo à sua frente.

Baseado no livro de Denis Johnson e roteirizado pela dupla Clint Bentley e Greg Kwedar (responsáveis pelo musical prisional Sing Sing, porém, aqui é Bentley quem assume a direção), o filme se constrói como uma jornada profundamente intimista e melancólica de um lenhador que vive imerso na natureza, em um trabalho pesado e perigoso, enquanto desenvolve uma visão muito particular do mundo ao seu redor.

Preso entre a distância imposta pelo trabalho e o desejo de estar mais presente junto à família que construiu, Grainier carrega uma tristeza que parece constitutiva de sua própria existência. Mesmo nos momentos de alegria ao lado da filha, há sempre um peso latente, sensação que reforça a importância dos instantes singelos e torna essas breves felicidades ainda mais genuínas. É um homem simples, endurecido pelo trabalho e pela vida difícil, evocando o anti-herói introspectivo dos westerns revisionistas, mais interessado na luta interna do que em conflitos externos.

O filme lança um olhar grandioso sobre a natureza. As imagens de árvores centenárias — ao mesmo tempo imponentes e frágeis diante da ganância humana — constroem uma contradição temática particularmente interessante. Nesse aspecto, o longa remete ao western: ainda que substitua desertos e fazendas por florestas e ferrovias, o cenário dialoga diretamente com a paisagem mito-histórica estadunidense típica do gênero.

A fotografia do brasileiro Adolpho Veloso (um dos favoritos a uma indicação ao Oscar) é primordial para a construção dessa atmosfera de beleza e melancolia. Seu trabalho retrata a grandiosidade da paisagem natural ao mesmo tempo em que privilegia a luz natural, buscando reproduzir com fidelidade a iluminação da época. O resultado é um aspecto quase documental, com planos contemplativos, muitos deles visualmente inspirados, explorando ângulos pouco usuais e construindo uma narrativa sensorial poderosa.

A câmera privilegia imagens amplas da natureza, florestas, céu e paisagens vastas, que frequentemente reduzem o personagem à escala do mundo, evidenciando a grandiosidade do ambiente e a fragilidade humana. A escolha por uma razão de aspecto mais vertical (3:2) reforça a imponência das árvores e a sensação de verticalidade constante.

Em determinado diálogo, uma personagem ressalta a importância de tudo o que existe na floresta: cada elemento tem seu valor, seja a árvore em pé ou a árvore morta. Dentro desse processo de modernização, de um progresso que diminui o homem e destrói a natureza em sua expansão, esse olhar atento para o micro em meio ao macro se destaca como um dos aspectos mais instigantes do filme.

Grainier é um homem em compasso de espera, envelhecendo enquanto a vida segue ao seu redor. Lidando com lembranças, luto, medos, solidão e sentimentos densos, ele se vê aprisionado em um tempo de mudanças. As imagens e a trilha sonora potencializam essa melancolia, compondo o retrato de um homem que tenta se conectar com algo que faça sentido ou que lhe ofereça uma nova perspectiva de existência.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme, disponível na Netflix:

 

Castro quer Nicola Miccione como governador-tampão do RJ

 

Cláudio Castro, Nikola Miccione e Altineu Cortês, na filiação do segundo ao PL para ser o governador-tampão do RJ (Foto: Divulgação)

 

Governador do RJ será Miccione?

Secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione (PL) é o nome escolhido a assumir como governador do RJ, em mandato tampão, se o titular Cláudio Castro (PL) sair até 4 de abril para se candidatar a senador em outubro. Neste objetivo, Miccione se filiou ao PL em dezembro, com aval de Castro e do presidente estadual da legenda, deputado federal Altineu Cortês.

 

Castro fala grosso

O nome de Miccione terá que ser referendado pela Alerj numa eleição indireta a governador. Mas o atual parece disposto a jogar duro e impor sua escolha. Em ligação com outro pretenso candidato, Castro cobrou seu apoio a este nos últimos anos. E falou grosso: “Faça o que a sua consciência mandar, mas saiba que se continuar nesta posição estará rompido comigo”.

 

À espera de Jair

No PL, Miccione já teria o apoio do senador Flávio Bolsonaro, mas faltaria ainda o endosso do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) de Brasília, após ser condenado por tentativa de golpe de Estado, ele ainda se mantém muito popular, sobretudo no RJ. E nada ocorre no PL fluminense sem sua palavra final.

 

O plano A de abril

Castro ficou sem vice quando Thiago Pampolha (MDB) trocou o cargo pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Foi em 19 de abril (confira aqui), como o blog detalhou (confira aqui) 10 dias antes. O objetivo era que o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), assumisse como governador na saída de Castro. Para concorrer ao cargo, já na cadeira, contra o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD).

 

Plano cai na Unha e Carne

Bacellar saiu do tabuleiro da sucessão após ser preso (confira aqui, aqui e aqui) em 3 de dezembro pela operação Unha e Carne da PF. E não teve como voltar após ser solto no dia 9, mas (confira aqui) afastado da presidência da Alerj. Com tornozeleira eletrônica, entrega de passaporte e recolhimento residencial à noite, entre as medidas cautelares que lhe foram impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Plano B

Como o novo presidente da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), por ser interino, não poderia assumir como governador, quem assumiria provisoriamente, na saída de Castro até abril, seria (confira aqui) o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto de Castro. Que terá até 30 dias para realizar a eleição indireta a governador na Alerj.

 

Os celulares no meio do caminho

Miccione não poderia tentar se reeleger governador em outubro. O que facilitaria a vida de Paes, favorito em todas as pesquisas ao cargo. O plano de Castro parece bem montado. Só que ninguém saber o que ainda sairá dos celulares apreendidos (confira aqui) de Bacellar, do seu ex-assessor Rui Bulhões (confira aqui) e do desembargador federal Macário Neto, preso pela PF (confira aqui) desde o dia 16. A ver.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

O que a esquerda e a direita ignoram em Maduro e Trump

 

Donald Trump e Nicolás Maduro

 

Maduro é indefensável

Nicolás Maduro e seu regime na Venezuela, por quase 13 anos, são indefensáveis. Prenderam, torturam e assassinaram opositores políticos na casa dos milhares. Fecharam veículos de mídia na casa das centenas. Condenaram 80% da população à pobreza, 50% à extrema-pobreza. E causaram a diáspora de 8 milhões de seus concidadãos, 1/3 dos venezuelanos vivos na Terra.

 

Eleições questionadas

Maduro foi presidente três vezes. Sua primeira eleição, em 2013, após a morte do antecessor Hugo Chávez, se deu por só 1,49 ponto de vantagem nos votos. E foi contestada pelo candidato opositor, Henrique Caprille. Em 2018, Maduro foi reeleito em um pleito boicotado pela oposição e não reconhecido por diversos países e organizações internacionais.

 

Eleição fraudada

Se nenhuma eleição presidencial de Maduro foi insuspeita, a mais escandalosa foi a última, em 2024. Quando a oposição apresentou atas de votação, atestadas por observadores internacionais, indicando a vitória do candidato de oposição Edmundo González. Que foi considerado o presidente eleito por Peru, Argentina, Costa Rica, Equador, Panamá e Uruguai.

 

Ignorância à esquerda e à direita

Boa parte da esquerda brasileira, pela aliança entre o lulopetismo e o bolivarianismo desde Chávez, ignorou isso. Como ignorou prisões, tortura e assassinatos políticos, a fome e o êxodo do povo venezuelano. Como a direita agora ignora a clara violação do direito internacional na ação militar dos EUA de Donald Trump (confira aqui e aqui), ao capturar Maduro e sua esposa em Caracas, no dia 3.

 

Colômbia e Groenlândia também?

Orgulhoso de uma ação militar perfeita, que a oposição venezuelana credita à colaboração de generais de Maduro que teriam preferido entregar dois anéis para salvar os dedos, Trump parece já ter elegido dois novos alvos. São Gustavo Petro, presidente de esquerda da Colômbia; e a Groenlândia, região autônoma que pertence ao Reino da Dinamarca desde 1721.

 

É o petróleo, estúpido!

Na Groenlândia, uma ação de Trump poria fim à aliança militar da Otan, que EUA e Dinamarca integram. E arrastaria a Europa, incluindo as potências nucleares do Reino Unido e França, ao conflito. Sobre a Venezuela, que não foi ocupada, Trump anunciou seu real objetivo: as empresas dos EUA controlarão as maiores reservas de petróleo do mundo no país sul-americano.

 

Maduro cai, regime fica

A quem iniciou o ano debatendo Havaianas, Maduro é o calçado da vez. Com vídeos de Lula apoiando Chávez e o sucessor pululando nas redes. Como deve ser até a eleição a presidente do Brasil em outubro. E é do jogo. Desde que com o devido adendo: com Trump, caiu Maduro. Seu regime repressor e ilegítimo, que teve apoio do PT, segue em cartaz na Venezuela.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Deputada federal Heloísa Helena no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Enfermeira, ex-senadora, ex-candidata a presidente da República em 2006 e deputada federal, que assumiu o mandato na suspensão de Glauber Braga (Psol), Heloísa Helena (Rede) é a convidada do Folha no Ar desta terça (6), ao vivo, a partir das 7h da manhã na Folha FM 98,3.

Ela falará sobre o caso que gerou a suspensão de Glauber por seis meses na Câmara dos Deputados e da CPMI do Banco Master, liquidado após fraude estimada em até 17 bilhões e que envolveria (confira aqui) grande nomes da República, que ela propôs com a colega deputada Fernanda Melchionna (Psol/RS).

Heloísa Helena também tentará projetar a eleição a governador (confira aqui), senador e deputado federal e estadual no RJ. Por fim, ela analisará a ação militar dos EUA na Venezuela (confira aqui e aqui), com a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, e a eleição a presidente do Brasil (confira aqui e aqui) em 4 de outubro, daqui a pouco mais de 8 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

Trump, Maduro, Doutrina Monroe, grande porrete e imperialismo

 

Nicolás Maduro, com olhos e ouvidos cobertos e mãos algemadas, após ser capturado pelas forças militares dos EUA com a esposa dentro de complexo militar da Venezuela em Caracas

“Tudo remonta à Doutrina Monroe. Ela é muito importante, mas nós a superamos por muito. Muito mesmo. Agora eles a chamam de ‘Documento Donroe’ (mistura de Donald Trump e James Monroe). É a doutrina que havíamos esquecido”. Foi o que o lembrou ontem (3) o presidente dos EUA, Donald Trump, em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida. Onde falou da sua ação militar na Venezuela e (confira aqui) da captura do presidente do país, Nicolás Maduro.

 

James Monroe

Doutrina Monroe

James Monroe foi presidente dos EUA entre 1817 e 1825. Contra a possibilidade de intervenção da Europa nas Américas, assumindo-as como área de influência dos EUA, ele anunciou sua doutrina em 1823, resumida no lema “América para os americanos”.

Na América Latina, sobretudo a partir das intervenções dos EUA desde o final o século 19, o lema de Monroe sempre foi corrigido: “para os norte-americanos”. Ou estadunidenses, a quem sabe que sabe México e Canadá também compõem a América do Norte. E sabe que Américo Vespúcio era um italiano numa missão portuguesa — latino duas vezes, portanto.

 

Grande porrete

Além da Doutrina Monroe, Trump reeditou outra política estadunidense do passado em relação às Américas: a do Big Stich (“grande porrete”), de Theodore Roosevelt, presidente dos EUA entre 1901 e 1909. Que, para reforçar a Doutrina Monroe e a prevalência dos EUA sobre o continente, nasceu curiosamente de um provérbio africano: “Fale com suavidade e tenha à mão um grande porrete” (“Speak softly and carry a big stick”).

 

Charge de Theodore Roosevelt e seu “grande porrete” no mesmo Mar do Caribe, nas costas da Venezuela, onde hoje está a esquadra de guerra dos EUA de Trump

 

Pelo visto na madrugada do 3ª dia de 2026, Trump foi além de Teddy Roosevelt. Numa ação militar perfeita, sem nenhuma baixa ou perda de equipamento, a Força Delta, tropa de elite do Exército dos EUA, entrou e saiu como quis do complexo militar Forte Tiuna, em Caracas. De onde levaram prisioneiros Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Foi só o grande porrete, sem nenhuma fala suave.

 

Destino de Maduro, hipocrisia de Trump

O casal foi primeiro transportado de helicóptero ao navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, que compõe a frota de guerra dos EUA estacionada no Caribe, nas costas da Venezuela. E, depois, de avião a Nova York, onde foi levado ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn. Segundo a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, Maduro será julgado numa corte de Nova York por narcoterrorismo.

Curiosamente, em novembro de 2025, Trump deu indulto total e incondicional ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández. Que havia sido condenado a 45 anos de prisão, em março de 2024, pela mesma Justiça de Nova York e por facilitar o envio de centenas de toneladas de cocaína aos Estados Unidos.

 

É o petróleo, estúpido!

A causa real da captura e prisão de Maduro foi admitida pelo próprio Trump, antes mesmo de o ex-presidente da Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo do mundo, chegar algemado aos EUA:

— Também conseguimos apreender o petróleo venezuelano para trazer para o solo americano porque eles retiraram isso, eles fizeram, eles roubaram bilhões de dólares no nosso petróleo (…) nós que construímos a indústria petrolífera na Venezuela com o nosso talento, o nosso trabalho, deixamos que um exílio socialista roubasse durante esses governos anteriores e roubassem usando a força.

Presidente da Venezuela Carlos Andrés Pérez nacionalizou o petróleo do país desde 1976

O petróleo na Venezuela não foi nacionalizado por Maduro. Nem por seu antecessor, Hugo Chávez, que governou de 1999 até morrer em 2013. Quem nacionalizou o petróleo na Venezuela foi o então presidente de centro-esquerda Carlos Andrés Pérez, em 1976. No vizinho Brasil, o mesmo ocorreu desde 1953, quando Getúlio Vargas criou a Petrobras.

Após usar seu grande porrete, Trump reafirmou e rebatizou a Doutrina Monroe. Mas não deu uma palavra sobre a restauração da democracia na Venezuela. Que foi golpeada desde que Maduro se manteve ilegalmente no poder após perder no voto popular a eleição presidencial em julho de 2024, com o injustificável apoio de parte da esquerda latino-americana. Por sua vez, o presidente dos EUA deu mais detalhes dos seus interesses econômicos:

— Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar (na Venezuela), gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país.

 

EUA vão administrar a Venezuela?

Trump também falou abertamente que os EUA passarão a administrar a Venezuela:

— Nós estamos lá e ficaremos até que uma transição adequada aconteça. Nós vamos basicamente executar, administrar o país até que uma transição apropriada aconteça.

Delcy Rodríguez, vice de Maduro e presidente interina da Venezuela

O presidente dos EUA só não explicou como fará isso. Se, de fato, capturaram sem grande trabalho Maduro e a esposa, os EUA não invadiram nem ocupam a Venezuela. Cuja vice-presidente, Delcy Rodríguez, assumiu interinamente. E disse ontem na posse: “A Venezuela só tem um presidente: Nicolás Maduro (…) Nunca seremos colônia de outro país”.

 

China pede liberdade de Maduro, mas quer Taiwan

A China, que recebia 80% da exportação de petróleo da Venezuela com Maduro, se manifestou hoje sobre o caso: “A China pede aos EUA que garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, que os libertem imediatamente e que cessem as ações para derrubar o governo da Venezuela”.

Em guerra comercial com os EUA, a China também tem interesse óbvio no petróleo da Venezuela. Por outro lado, a ação de Trump contra Maduro pode ser recebida como um sinal verde para o presidente Xi Jinping também usar seu grande porrete sobre Taiwan, país insular independente cuja posse Pequim reivindica. Como para a Rússia de Vladimir Putin sobre a Ucrânia e outras ex-repúblicas da extinta União Soviética, ou o Israel de Benjamin Netanyahu sobre a Palestina e outros vizinhos árabes.

 

Vladimir Putin, Benjamin Netanyahu e Xi Jinping

 

Francis Fukuyama

Imperialismo reinaugurado como ordem mundial

Após a queda do Muro de Berlim em 1989 e o fim da União Soviética em 1991, o mundo multilateral criado a partir dali não parece ter vingado até 2026. Se chegou a ser classificado de “fim da História”, em seu nascimento, pelo filósofo e economista nipo-estadunidense Francis Fukuyama, esse período dos últimos 35 anos parece ter sido só um hiato breve da História.

Com base no poder militar e econômico, o imperialismo parece ser a ordem mundial reinaugurada neste início do segundo quarto do século 21. Dos EUA nas Américas, da China na Ásia, da Rússia no Leste Europeu e de Israel no Oriente Médio. Todos sem constrangimento em usar falicamente seus grandes porretes sobre o que considerarem suas áreas de influência.

Jean-Paul Sartre

Noves fora o direito internacional e o juízo moral, quem se opuser com palavras suaves, mas sem nenhum grande porrete, pode ser remetido, em termos de consequência prática, ao filósofo Jean-Paul Sartre. Que, quando testemunhou as tropas nazistas da Alemanha de Adolf Hitler ocupando sua França em junho de 1940, questionou: “O que tínhamos a opor-lhes?”

 

 

Adolf Hitler após conquistar Paris

 

Após capturar Maduro, Trump diz que EUA administrarão a Venezuela

 

Donald Trump e Nicolás Maduro

 

O mundo acordou no 3º dia de 2026 com a notícia do ataque dos EUA, durante a madrugada, contra a Venezuela. Onde capturaram na capital, Caracas, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. No início da tarde, o presidente do EUA, Donald Trump, revelou em coletiva na sua residência, em Mar-a-Lago, na Flórida:

— Nós estamos lá (na Venezuela) e ficaremos até que uma transição adequada aconteça. Nós vamos basicamente executar, administrar o país até que uma transição apropriada aconteça.

Cercado de assessores administrativos e militares, Trump revelou também o motivo econômico para a operação militar no país da América do Sul que detém as maiores reservas de petróleo do mundo:

— Também conseguimos apreender o petróleo venezuelano para trazer para o solo americano porque eles retiraram isso, eles fizeram, eles roubaram bilhões de dólares no nosso petróleo (…) nós que construímos a indústria petrolífera na Venezuela com o nosso talento, o nosso trabalho, deixamos que um exílio socialista roubasse durante esses governos anteriores e roubassem usando a força.

O petróleo na Venezuela não foi nacionalizado por Maduro. Nem por seu antecessor, Hugo Chávez, que governou de 1999 até morrer em 2013. Quem nacionalizou o petróleo na Venezuela foi o então presidente de centro-esquerda Carlos Andrés Pérez, em 1976. No vizinho Brasil, o mesmo ocorreu desde 1953, quando Getúlio Vargas criou a Petrobras.

Trump não disse quanto tempo os EUA administrarão a Venezuela. Nem deu uma palavra sobre a restauração da democracia no país, solapada desde que Maduro se manteve ilegalmente no poder após perder no voto popular a eleição presidencial em julho de 2024. Mas o presidente dos EUA deu mais detalhes dos seus interesses econômicos:

— Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar (na Venezuela), gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país.

Capturado em seu complexo presidencial, aparentemente, enquanto dormia, Maduro foi levado para o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima. Onde está sendo transportando vendado, algemado e com audição bloqueada por fones para os EUA. Lá, segundo a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, deve ser julgado em uma corte de Nova York por narcoterrorismo.

Em editorial publicado logo após a ação militar contra Maduro, o New York Times sentenciou: “Ataque de Trump à Venezuela é ilegal e imprudente”. No mesmo texto, o principal jornal dos EUA, no entanto, não poupou críticas ao agora ex-presidente do país sul-americano:

— Poucas pessoas sentirão qualquer simpatia pelo Sr. Maduro. Ele é antidemocrático e repressivo, e desestabilizou o Hemisfério Ocidental nos últimos anos. A ONU divulgou recentemente um relatório detalhando mais de uma década de assassinatos, tortura, violência sexual e detenções arbitrárias por seus capangas contra opositores políticos. Ele (Maduro) fraudou a eleição presidencial da Venezuela em 2024. Ele alimentou a instabilidade econômica e política em toda a região, instigando um êxodo de quase 8 milhões de migrantes.

 

Repercussão no Brasil

Ex-aliado político de Maduro, de quem se afastou após a fraude nas eleições presidenciais da Venezuela em 2024, o presidente Lula (PT) se manifestou sobre a ação dos EUA. Que, mesmo sem citar o nome do ex-colega, condenou e cobrou uma posição da ONU:

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.

Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.

A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.

A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz.

A comunidade internacional, por meio da ONU, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, disse Lula em nota publicada no rede social X, antigo Twitter.

Já os presidenciáveis de oposição no Brasil, para a eleição de outubro de 2026, apoiaram a ação militar dos EUA na Venezuela:

— A Venezuela tornou-se um dos exemplos mais extremos de como um regime autoritário pode destruir uma nação (…) Maduro utilizava o território venezuelano como rota estratégica para a distribuição de drogas para diversos países — acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL).

— Que este 3 de janeiro entre para a história como o dia da libertação do povo venezuelano, oprimido há mais de 20 anos pela narcoditadura chavista. Que a democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem no país — pregou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União)

— Quero parabenizar o presidente Trump pela brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela, um povo que estava sendo oprimido há décadas por tiranos antidemocráticos. Viva a liberdade! Viva a democracia! Viva a Venezuela! — escreveu o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD)

— Que a queda de Maduro sirva para que o povo venezuelano finalmente reencontre paz, estabilidade e o caminho do desenvolvimento — desejou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

O único nome da oposição, entre os cotados a candidato presidente do Brasil em 2026, que criticou tanto Maduro quanto a ação dos EUA foi o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD):

— O regime ditatorial de Maduro é inadmissível. Viola direitos humanos, sufoca liberdades e impõe sofrimento ao povo venezuelano. No entanto, a violência exercida por uma nação estrangeira contra outra soberana, à margem dos princípios básicos do direito internacional, em especial o de não intervenção, é igualmente inaceitável.

 

Polêmicas e eleições 2026 no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Presidente da Companhia de Desenvolvimento da Companhia de Campos (Codemca), presidente municipal e coordenador regional do Podemos e pré-candidato a deputado estadual, Thiago Virgílio é o convidado do Folha no Ar desta terça (30), ao vivo, a partir das 7h da manhã, no Folha no Ar.

Ele falará das polêmicas recentes em que se envolveu nas redes sociais com o deputado estadual Vitor Junior (PDT), campista radicado em Niterói e pré-candidato a deputado federal, além das recentes na Câmara Municipal, entre o vereador Marquinho Bacellar (União) e a bancada governista.

Thiago também analisará o governo Wladimir 2, da perspectiva de quem ainda o integra, e os nomes de Campos e região (confira aquiaqui e aqui) como pré-candidatos a deputado federal e estadual.

Por fim, ele também tentará projetar as eleições a governador (confira aqui) e senador do RJ, como a presidente da República (confira aqui e aqui), na urna de 4 de novembro de 2026, daqui a pouco mais de 9 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

O reconhecimento e a lição ao Flamengo diante do PSG

 

Goleiro russo Safonov deu o inédito Intercontinental ao PSG ao defender quatro das cinco cobranças do Flamengo na disputa de pênaltis, após o empate de 1 a 1 no tempo normal e prorrogação da final de quarta, no Qatar

 

PSG confirma favoritismo

Na quarta (17), dia da final do Intercontinental entre Flamengo e Paris Saint-Germain, a coluna assumiu (confira aqui): “a seleção mundial do clube francês é favorita diante da seleção sul-americana da Gávea”. O PSG provou isso ao levar o título inédito na disputa de pênaltis. Mas o empate de 1 a 1 no tempo normal e prorrogação é a evidência do nível que o time de Filipe Luís atingiu.

 

Empate após golear Inter e Real

O PSG chegou à final do Intercontinental após golear a Inter de Milão por 5 a 0 na final da Champions da Europa, em 31 de maio. E goleou o espanhol Real Madrid por 4 a 0 na semifinal da Copa do Mundo de Clubes, em 9 de julho. Mas, na quarta, a despeito do gol do atacante georgiano Kvaratskhelia, em falha do goleiro Rossi, este não fez nenhuma defesa difícil.

 

“Sabe defender em qualquer forma”

Contra o tetracampeão da Libertadores, o PSG não teve o grande número de chances que criou para golear outros gigantes da Europa. O que revela a maior virtude do time de Filipe Luís na quarta: a defesa. Como reconheceu Luiz Enrique, técnico espanhol do clube francês, sobre seu adversário carioca: “Sabe defender em qualquer forma, pressionando alto ou linha baixa”.

 

Defesa desde o ataque

A grande atuação da linha defensiva do lateral-direito Varella, dos Léos Pereira e Ortiz na zaga e do lateral-esquerdo Alex Sandro refletiu o compromisso coletivo com o combate desde o ataque. Com Carrascal na esquerda, Bruno Henrique e Arrascaeta ao centro e, sobretudo, Plata na direita. Onde marcou o português Nuno Mendes, melhor lateral-esquerdo do mundo.

 

Pragmatismo das faltas

Entre defesa e ataque, Pulgar e Jorginho também se desdobraram no 1º tempo. No qual o PSG foi melhor e fez os dois volantes rubro-negros apelarem ao rodízio de faltas. O que não fariam sem a orientação de Filipe Luís, em pragmatismo tático para tentar dar o título ao Flamengo. Contra um time mais jovem, superior tecnicamente e que teve 60% de posse de bola.

 

Converteu pênalti e fez falta

Amarelados pelo excesso de faltas, Pulgar e Jorginho dariam lugar a De La Cruz e Saúl, que também tiveram excelentes atuações no 2º tempo. No qual o Flamengo foi melhor e empatou o jogo, ainda com Jorginho. Que converteu o pênalti sofrido por Arrascaeta, em uma cobrança perfeita que tanta falta faria depois.

 

Chances de fechar o jogo

Nos minutos finais do tempo normal, Plata e o centroavante Pedro, que também entrou no 2º tempo, tiveram chances de definir o jogo a favor do Flamengo. Como o zagueiro brasileiro Marquinhos, a favor do PSG, dentro da área rubro-negra. Na prorrogação, até pelo número inferior de jogos disputados na temporada, o time francês foi melhor.

 

Vitinha, Safonov e a cola

O volante português Vitinha, maestro do PSG, foi eleito o melhor jogador da final. Mas seu herói improvável foi o goleiro russo Safonov, que catou as cobranças de Saúl, Pedro, Léo Pereira e Luiz Araújo na disputa de pênaltis. Com a ajuda do auxiliar espanhol Borja Álvarez, preparador de goleiros do PSG, que passou ao seu a cola dos batedores do Flamengo.

 

O reconhecimento e a lição

A qualidade do futebol rubro-negro foi reconhecida pelos jornalistas esportivos do mundo, que aplaudiram Filipe Luís longamente antes da sua coletiva. O PSG tem um orçamento cinco vezes maior que o Flamengo. Mas essa diferença se encurtou num jogo igual. Que deixou como lição a diferença decisiva: time que perde quatro pênaltis na final não ganha nem torneio de várzea.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Celular de TH prendeu Bacellar, cujo celular prendeu Macário

Desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto foi preso pelo conteúdo do celular do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, que foi preso pelo conteúdo do celular do ex-deputado estadual TH Joias

 

 

Celulares e prisões no RJ

Foi o celular do ex-deputado estadual TH Joias, preso em 3 de setembro, por associação com a facção Comando Vermelho, que levou à prisão (confira aqui) do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), em 3 de dezembro. Como o celular de Bacellar levaria à prisão, no dia 16, do (confira aqui) desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2) Macário Ramos Júdice Neto.

 

As operações até aqui

TH foi preso e teve o celular apreendido na operação Zargun da Polícia Federal (PF). Bacellar foi preso e teve o celular apreendido na operação Unha e Carne. Relator do caso de TH no TRF 2, Macário foi preso e teve três celulares apreendidos na operação Unha e Carne 2. Que também apreendeu (confira aqui) três celulares de Rui Bulhões, ex-chefe de gabinete de Bacellar.

 

À esquerda, chefe de gabinete de Bacellar exonerado do cargo na Alerj, Rui Bulhões sai da Superintendência da PF no Rio após ter três celulares apreendidos pela PF em sua residência (Foto: Henrique Coelho/G1 Rio)

 

No celular de TH

Quando a PF chegou à residência de TH em setembro, encontrou o ambiente esvaziado às pressas e sem o então deputado. Ele acabaria preso horas depois, num condomínio de luxo, na zona sudoeste da cidade do Rio. E, no seu celular, estavam as mensagens trocadas com Bacellar. Nas quais este teria avisado a TH da operação e o orientado a eliminar provas.

 

Prisão de Bacellar

De posse desses dados e com mandado de prisão de Bacellar expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o superintendente da PF no RJ, delegado Fábio Galvão, chamou o então presidente da Alerj para um café. Desavisado, o político de Campos não zerou o celular. E levou em seu carro oficial R$ 91 mil em dinheiro.

 

Prisão de Macário

Bacellar não entregou a senha do celular após ser preso na Superintendência da PF no Rio, mas seu conteúdo foi acessado pela perícia. A partir das mensagens nele trocadas em alto grau de intimidade com Macário, este foi preso como suspeito de ter vazado ao então presidente da Alerj a informação da prisão de TH, na véspera da operação Zargun.

 

Destinos de TH, Macário e Bacellar

TH está no Presídio Federal de Brasília, enquanto Macário está na Cadeia Pública Constantino Cokotós, em Niterói. Bacellar teve sua soltura votada pela Alerj (confira aqui) no dia 8, por 48 votos a 21, e concedida no dia 9 (confira aqui) por Moraes. Mas com afastamento da presidência da Alerj, uso de tornozeleria eletrônica e entrega do passaporte, entre outras medidas cautelares.

 

Novas operações e prisões?

Em resumo, o celular de TH levou à prisão de Bacellar, cujo celular levou à prisão de Macário. O que ainda estiver nestes celulares, como nos três do desembargador e nos três de Bulhões, todos apreendidos pela PF, pode render novas operações e prisões. Todas geradas (confira aqui) a partir da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, a ADPF das Favelas do STF.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.