Opiniões

O Carnatal de Rosinha

Coreto do Liceu tem sua beleza coberta pela decoração carnavalesca de gosto duvidoso (foto de Ricardo Avelino)
Coreto do Liceu tem sua beleza coberta pela decoração carnavalesca de gosto duvidoso (foto de Ricardo Avelino)

 

Estava ao lado do poeta e diretor de teatro Antonio Roberto Kapi, quando a professora Beth Araújo, amiga comum, ligou para ele querendo expressar sua revolta com a decoração de Natal feita na praça do Liceu. Não havia visto ainda, tampouco sabia da inovação promovida este ano, aproveitando os carnavalescos locais na decoração natalina da cidade. 

Após ouvir o desabafo de Beth, Kapi me explicou que, no caso da praça do Liceu, o ideal seria carregar o menos possível na decoração, visando realçar a própria estrutura existente, com seus dois coretos, chafariz, bancos e árvores, abrigadas no entorno arquitetônico talvez mais belo da cidade, entre o Solar do Liceu, a Villa Maria e o antigo Fórum, hoje Câmara Municipal, cópia do Paternón de Atenas. Ademais, ainda segundo Kapi, os próprios carnavalescos de Campos careceriam de uma atualização estética relativa apenas ao carnaval, antes de se aventurarem à decoração urbana. 

Além de possuir formação em decoração, no Nilo Peçanha, e de cenografia, na Unirio, Kapi possuiu larga experiência de carnaval, tendo organizado seis desfiles de Campos, além de, como carnavalesco, ter conferido à escola Os Independentes o seu único título na categoria principal. Sem toda essa qualificação, só posso endossar, a partir da minha experiência gráfica como editor, o mesmo espanto de Beth após ter conferido por conta própria a “decoração” da praça do Liceu, encobrindo sua beleza própria, no lugar de realçá-la, numa poluição visual de extremo mal gosto, bem definida pelo jornalista Alexandre Bastos como “Carnatal”.

Se o governo Rosinha queria compensar os carnavalescos pelo adiamento do carnaval para abril, a emenda ficou bem pior que o soneto. Apesar da silhueta semelhante, Papail Noel e Momo não têm nada a ver um com o outro.

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Este post tem 3 comentários

  1. Gostaria também deixar minha opinião sobre alguns pontos decorados para o Natal na cidade. Sinceramente, adoro decoração de Natal e tudo que envolve a data, não pela troca de presentes, mas pelo real significado para muitos esquecido, que é a lembrança do nascimento do Menino Jesus.
    Posso dizer que a decoração da praça do Flamboyant não ficou bacana, laços de tecidos em árvores e uma tenda vermelha iluminada, não combinou com o rústico da praça. Gritou! Mas posso dizer que o espaço moderno da praça São Salvador combinou com o presépio gigante, não vou dizer que é a decoração mais bonita que ela já recebeu, mas é interessante. E mais, gostei muito dos três Reis Magos e suas luzes azuis na chegada da cidade, diferente, acolhedor, se bem que o comentário era de que eles viriam ao encontro do Menino Jesus, mas, por enquanto, ainda não deram nem um passo.
    Nessa história toda não sei a opinião da prefeita Rosinha Garotinho. Por três ocasiões distintas já estive com ela por esse período de Natal e parece real seu gosto pela data. Uma vez acompanhei Rosinha fazendo compra para ceia de Natal, num supermercado, — ela fazendo escolhendo as mercadorias e eu uma matéria sobre as compras da primeira-dama do Estado — e em outra vez estive, também trabalhando, fazendo a cobertura da ceia de Natal, em sua casa na Lapa, no período em que ela trocou de posição com o marido e assumiu o comando do Estado. E agora mais recente, em outra matéria, a vi falar com entusiasmo sobre a decoração natalina do município, em uma de suas visitas noturnas no Centro, anunciando que pretendia enfeitar Campos de ponta a ponta e ela fez, para muitos pode não ser a ideal, a de bom gosto, mas fazer o que… nem o Menino Jesus que nasceu, caminhou pela terra e morreu na cruz conseguiu agradar a todos.

  2. Imagino que Jose Martins Pinheiro (o Barao da Lagoa Dourada) esteja se revirando no tumulo, diante de tamanho mau gosto na decoracao do jardim do Liceu. Se a intencao era fazer chacota com nosso patrimonio, conseguiram!

  3. Caras Dora e Sil,

    À primeira, lembro que querer fazer, nem sempre é sinônimo de saber fazer. Não por outro motivo, a chacota atribuída pela segunda, talvez sem dolo, tenha se dado quando se passou a carvalescos uma tarefa que deveria ser restrita a decoradores.

    Grato pela colaboração de ambas!

    Aluysio

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