Pós-condenações — A avaliação mais precisa pela mudança

De todas as análises que li, em publicação virtual ou impressa, sobre as condenações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Garotinho, Rosinha, Arnaldo, Mocaiber e Hélio Anomal, nenhuma foi mais precisa que a publicada na edição de ontem da Folha, pelo jornalista Aluysio Cardoso Barbosa, consultor geral e alicerce sobre o qual se sedimenta todo este grupo de comunicação por ele fundado. Não por outro motivo, antes tarde do que nunca, lancemos também aos mares da blogosfera local a avaliação do velho jornalista, sem a qual esse debate que domina todas as rodas de conversa em Campos ficaria mais pobre…

 

É hora de mudar

 

A recente decisão do Tribunal Regional Eleitoral de tornar inelegível a alta cúpula da política campista, inclusive adversários, além da cassação da prefeita Rosinha Garotinho, causou euforia em grupos apaixonados de ambos os lados, cada um vibrando com o estrago feito no seu adversário, como compensação ao mesmo efeito causado no seu preferido.

Aliados e adversários na política de Campos se confundem. Confundem o eleitor e  embaralham até as cabeças dos cientistas políticos. De 1988, com a ascensão de Garotinho à Prefeitura, até os dias de hoje, cada acontecimento da política local poderia ser colocado em um tubo de ensaio para pesquisas, constituindo em um grande laboratório para, a partir do DNA, conseguir uma vacina contra o vírus. É uma política contaminada por todos os lados.

O pesquisador certamente concluiria que neste período surgiram políticos capazes, que foram se transformando em políticos capazes de tudo. Políticos que se apresentaram como compromissados com as futuras gerações, mas que, aos poucos, foram pensando somente nas futuras eleições. Ao invés de conquistar a maioria, acharam mais fácil construí-las.

Dessa forma sairia mais barato e, agora, pagam um preço muito caro. O mais escandaloso nos escândalos é quando a sociedade se habitua a eles. E isso vem acontecendo na política local. A política de Campos passou a ser uma reserva de mercado de um pequeno grupo. As pessoas que estão nela fazem o impossível para não sair e as que pretendem entrar não acham isso possível.

Um bom cientista político irá concluir que, em Campos, triunfou a regra de uma minoria unida, que descobriu a estratégia de dividir a maioria, em partes quase que iguais. Isso tudo parece fugaz, mas já dura quase três décadas e as ruínas correm o risco de serem eternas.

A alternância no poder sempre foi saudável. Analisem bem o atual quadro. Esqueçam momentaneamente essa cassação da prefeita Rosinha. Se ela se afasta do poder, quem assume é o Doutor Chicão, e a política fica em família. Se Doutor Chicão ficar, impossibilitado, quem assume é Nelson Nahim, presidente da Câmara. Ficaria também tudo em família.

Em Campos nos acostumamos com isso, mas essas possibilidades em outros lugares saltam aos olhos. O senhor Anthony Garotinho literalmente colocou o seu DNA na política local e já plantou uma semente na política do Rio, que é a sua filha vereadora. Neste contexto, segue o estilo do ex-presidente Sarney e de outros exemplares da nossa política, que para muitos não são exemplos.

Nesta ação de família e de amigos, os acontecimentos mostram que amigos tornam-se inimigos. Aconteceu com quase todos e o mais recente, Arnaldo Vianna, parece que foi o que mais aprendeu, ficando com parte do rebanho, em uma política não de eleitores, mas de fiéis seguidores. Práticas semelhantes que agora tiveram sentenças iguais. Arnaldo, talvez por uma questão de sobrevivência, e o senhor Anthony Matheus, pelo delírio da imortalidade.

O mais grave disto tudo é que estabeleceram dois caminhos para a política de Campos: as pe-gadas a serem seguidas ou uma trilha movediça onde os que querem mudar se atolam, inibindo futuras vocações. A política dos anos 80, em Campos, era uma promessa e hoje passou a ser uma penitência, dividida entre os que rezam em uma Bíblia revisada ou no andor de um santo cuja madeira é oca.

Isso só vai mudar na hora que o eleitor descobrir que ele é quem peca.

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Este post tem 3 comentários

  1. jose Renato Rangel Duarte

    No Direito Penal,, quando se apresentam provas ilícitas, têm-se o que se denomina de “OS FRUTOS DA ÀRVORE ENVENENADA”, onde o vício da planta se transmite a todos os seus frutos. A partir daí nada vale.
    Pois bem, nos meados dos anos 80, em cima de um caixote, havia uma semente, que, com muita sorte, de tanto pular e gritar, caiu em terra fértil em carência de esperança e liderança, necessitando de atenção e solução.
    Neste ambiente, germinou, mas não o suficiente para a Câmara. Gritou um pouco mais, engrossou seu caule, na Assembléia chegou.
    Cresceu, balançou bastante seus galhos, com muita força, na Prefeitura brotou e dominou. A boa nova à esperança, pretendia fazer muitas mudanças.. A ÁRVORE, agora é bem mais frondosa, então pensou: Posso engrossar ainda mais meu tronco, tenho galhos suficientes para chegar a um Estado, ineficiente.
    Mas para isso, devo permitir a construção de ninhos de AVES DE RAPINA, àquelas que destroem toda gente.
    Aí, Campos que parecia que iria “mudar” o canto das aves de rapina, lá começaram à gorjear. Então, mais uma vez a ÀRVORE pensou: Vou um galho meu retirar, que seja fino, seco e barba nele cresceu, mas logo desapareceu.
    Já no Rio, bons frutos não colheu. Precisava de mais galhos e ninhos. O petróleo jorrou , pra sua seiva irrigar,onde muita água suja iria passar.
    Vieram às ERVAS DANINHAS, trazidas pelas AVES DE RAPINA.
    Agora , com o tronco forte, sou a maior ÁRVORE do NORTE. Com vários galhos, vereadores; deputados e secretários, gente de toda sorte! Poderia sair da Terrinha e ir para a CAPITAL. Lá ficou por 8 (oito) anos. Pela hora da morte!!!!
    Arrancada, de tanto mau, jogada pelo Rio, no rio desceu, e, na planície Goytacá novamente floresceu.
    Treinada e com toda sua galhada toda viciada, ninhos de camaradas, haja aves “rapinadas”!!!!!!!
    As Arvores de Lei, crescer aqui não deixarei, combaterei: Os Amarus; Murilus; Robertus,…
    Agora, de repente, vou “mudar Campos para sempre novamente, aqui, esta gente é demente, se esquece rapidamente, de como a gente mente.”
    Sou ÁRVORE, ainda mais frondosa, galhosa; garbosa; majestosa. Os frutos, um lá deixei, o outro logo dará semente é uma nova ÁRVORE diferente, nascerá para enganar mais esta gente.
    Um novo fruto feminino da ÁRVORE, no Rio nasceu, e em Campos também floresceu.
    Agora, sou ÁRVORE para sempre, domino esta gente crescente, e quero é ser Presidente.
    Veio a Justiça. E de repente, meteram a moto-serra na gente, QUE PRESENTE!!!!!!!

    Autor: José Renato Rangel Duarte..

  2. Márcio

    Esqueceu de dizer que se o vice fosse o Dr Paulo Hirano como era inicialmente indicado,tudo mudaria.

  3. carlinhos

    MUITO BOM,INTERESSANTE,VERDADEIRO E ACIMA DE TUDO PALVRAS CONTUNDENTES E SÁBIAS.REALMENTE, DE 1988 PARA CÁ,NOSSA CIDADE JAMAIS FOI GOVERNADA EM PAZ.NAO TENHO PALAVRAS NEM CONHECIMENTOS VERBAIS A PONTO DE COLOCÁ-LAS COM EXPRESSOES BELAS COMO O ALUYSIO E O J.RENATO(ja que fiz supletivo a muito tempo).POREM APOIO E CONCORDO PLENAMENTE COM TUDO O QUE FOI ESCRITO,QUE NADA MAIS DO QUE A PURA REALIDADE DO QUE VEM OCORRENDO EM NOSSA CIDADE NOS ULTIMOS ANOS.PORQUE NAO LANÇAR NOVOS CANDIDATOS,MAS SEM ESSAS “PARCERIAS,COLIGAÇOES E SEM ESSE TOMA LÁ DÁ CÁ”.NAS CAMPANHAS FALAVAM EM MUDANÇAS,GOVERNAR EM PAZ E AÍ,VEIO AS “ASSOCIAÇOES(apadrinhamentos,os partidos,os amigos),AS DIVIDAS PARTIDARIAS(eu te apoei quero secretarias,cargos e tantas outras coisas mais).HOJE O QUE VEMOS DE NOVO,BASTA OLHAR NA CÂMARA,QUEm ESTAVA DO(os)LADO(os),JA ESTAO AFINADAO NO “NOVO”GOVERNO(pelo menos ate o momento).

    PARABENS AO ALUYSIO E AO J.RENATO.
    CARLINHOS-58 ANOS -J.CARIOCA

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