A Justiça e as capas entre Rosinha e Dilma

Capa da Folha de 27/10/08
Capa da Folha de 27/10/08

 

 

Ainda em relação ao trabalho gráfico e editorial desenvolvido pela Folha, o leitor mais atento do jornal deve ter percebido a repetição da manchete e as semelhanças de diagramação entre as capas que anunciaram as vitórias de Rosinha Garotinho e Dilma Rousseff nos últimos pleitos, respectivamente, à Prefeitura de Campos e à presidência da República. Além da importância superlativa das conquistas em si, ambas tiveram o aspecto histórico reforçado pelo ineditismo das primeiras mulheres eleitas prefeita da cidade e presidente (ou presidenta) do Brasil.

Os sempre belicosos seguidores do lulo-petismo hão de ressaltar que, na analogia, o perfil técnico de Dilma é bem superior. Ao que os não menos radicais defensores do garotismo poderiam argumentar que, politicamente, Rosinha tinha um nome bem mais consolidado junto ao eleitor comum. Do que nem uns, nem outros poderão discordar, é que por trás do sucesso das duas mulheres, na inversão do ditado popular, capitais foram a presença e a ação de dois homens: Lula e Garotinho.   

A questão do gênero e tudo que possa haver de justo nas teses feministas, pelo menos em Campos, parece ter perdido espaço não só diante da boa aceitação popular ao governo interino de Nelson Nahim, como pelo fato de que, aqui, Serra ganhou de Dilma. Agora, como esta minoria dos eleitores locais da petista parece ser majoritariamente favorável à manutenção do afastamento de Rosinha, relevante ressaltar que qualquer análise desapaixonada concluiria que, se a Justiça Eleitoral adotasse o mesmo rigor aplicado com a prefeita eleita, em relação a abusos cometidos durante a campanha, Dilma correria sério risco de também perder o mandato conquistado ontem.

 

    

Capa da Folha de hoje
Capa da Folha de hoje
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Vitória de Dilma na análise do Belido

Por e-mail, recebi aviso da nova postagem do jornalista Guilherme Belido, que fui conferir em seu site Opinião (aqui). Na verdade, se tratam de dois textos que, embora com títulos diferentes, se completam. De tudo que pude ver no horizonte virtual da planície, foi o que achei de mais sensato neste dia seguinte à vitória de Dilma. Não por motivo diverso, o blog toma a liberdade de republicar abaixo…

 

PT saudações

Confirmando o que todos os institutos de pesquisa apontavam, Dilma Rousseff venceu a eleição e acançou 56% dos votos, cerca de 12 milhões de vantagem sobre o tucano José Serra.

Não convém seguir o que fazem alguns ‘analisólogos’ que sem a menor cerimônia explicam o óbvio e ‘ensinam’ que Dilma venceu porque fez isso, assim, assado e Serra perdeu por ter feito assado, assim e isso…

Dilma Rousseff, se não fosse uma mala tão sem alça, teria vencido no 1º turno. Não venceu, mas colocou 14,5 milhões de vantagem — diferença que dificilmente se tira em um mês a mais de campanha.

Eleitoralmente falando, contudo, Dilma não é a candidata dos sonhos de partido algum. Pesa toneladas e venceu por circunstâncias que passam longe dela própria. Venceu porque Lula venceu. Da mesma forma que o presidente venceu há quatro anos quando conseguiu escorregar do “Mensalão” — o maior esquema de propina da história do Brasil, mas que ele, Lula, não tinha a menor idéia que existia. Não sabia, não viu nem ouviu. O esquemão se passara ali, na Casa Civil, e ali, no PT. Mas, enfim, Lula não sabia de nada e reelegeu-se.

 

Atitude

Mas, voltando ao pleito de ontem, já não interessa se Dilma ganhou ou se “ganharam para ela”. Tampouco se é pesada ou leve.  O que conta a partir de agora é que a presidente eleita tenha capacidade, força política e determinação para fazer o governo que o Brasil espera. E para isso ela não precisa ser boa de palanque ou de televisão. Precisa, sim, ter o propósito e a atitude de querer fazer.

Aliás, fazer acontecer, na prática, o que o PT diz ter feito na propaganda.

Quanto a José Serra, ele fez o que pôde. Fez o que sabia e foi mais longe do que a maioria imaginava. Vai continuar na política e disputar outros cargos. Talvez a própria Presidência.

Agora, dizer que com Aécio seria diferente… E que se fosse Aécio a Dilma não ganhava… é entrar nas “profundezas” dos “ses”, com a científica descoberta que se vovó fosse homem seria vovô.

Cada eleição é uma eleição e certamente que para Aécio Neves, cuja trajetória política tem sido excepcional, chegará a vez. O ex-governador e senador é um nome em potencial para disputar a sucessão de 2014.

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Por lembrança dos alunos do IFF, outra página gráfica da Folha

Ex-jornalista da Folha, o Thiago Freitas pediu e o blog republicou (aqui) a capa gráfica da Folha Dois de 28/08/04, com o vazio estampado às propostas de Geraldo Pudim à cultura de Campos, já que o então candidato a prefeito pelo PMDB se recusou a externar as suas diante do gravador, diferente de todos os demais concorrentes. Pois nos comentários àquela postagem, o Maycon Prado, a Francielly Pessoa e o Diego, alunos do Instituto Federal Fluminense (IFF), pertinentemente lembraram que o mesmo recurso gráfico foi também utilizado pela Folha, na página 6 da sua edição de 28/03/10.

No caso mais recente, o recurso serviu de contraste entre as respostas dadas pelo candidato de oposição à direção do campus Campos-Centro do IFF, Jefferson Manhães de Azevedo, e o silêncio adotado pela candidato da situação, Hélio Júnior de Souza Crespo. Dentro do princípio de equidade que sempre orientou a Folha nas coberturas eleitorais, a ambos foram feitas as mesmíssimas perguntas, elaboradas pelo jornalista Thiago Gomes, cujas respostas (inclusive as que não foram dadas) mereceram igual espaço e destaque.

Levado em consideração que tanto Pudim e o grupo de Garotinho, quanto Hélio e o grupo da reitoria do IFF, perderam suas respectivas eleições, por motivos e práticas políticas muito semelhantes, a conclusão lógica é que, embora sirva de prato cheio para quem tem um pouco de imaginação gráfica, o silêncio tem se revelado bastante indigesto para quem dele pretende fazer sua pièce de resistánce

Abaixo, a página gráfica com as duas entrevistas, a respondida e a sonegada…  

 

 

Página 6 da Folha de 28/03/10
Página 6 da Folha de 28/03/10
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