Opiniões

Hélio Coelho e ACL — Estreias na Folha com todas as letras

Da política, e do tema dominante dos royalties, à cultura, confira abaixo outra estreia de opinião na Folha, no espaço semanal da Folha Letras, publicada sempre às sextas na contracapa da Folha Dois, que será mensalmente ocupado por um imortal da Academia Campista de Letras (ACL), cujo pontapé inicial coube hoje ao seu presidente, o professor Hélio Coelho…

Academia Campista de Letras: 74 anos de história

Hélio Coelho
Hélio Coelho

Corria o ano de 1939. Lá fora, em breve começaria a segunda guerra mundial. No Brasil, vivíamos um tempo de restrições democráticas, sem eleições, sem partidos políticos, sem as liberdades formais para o livre debate das ideias em público. Campos era uma cidade que girava em torno das usinas, do comércio e da cana. Havia teatros, clubes, jornais, carnaval, jogos, casas de mulheres, os ritos e as rezas, faculdades, as confeitarias e os cafés onde se misturavam boêmios, jornalistas, advogados, médicos, músicos, poetas, intelectuais e políticos, todos buscando nas brechas possíveis espaços para se expressar. Foi nesse ambiente que a Academia Campista de Letras foi fundada em 21 de junho. Entre seus fundadores, ainda que figurassem progressistas no campo literário e político-ideológico, o grupo hegemônico — ainda que de indiscutível renome intelectual — era constituído por moderados, e conservadores. Tanto é verdade que, por muito tempo, a Academia ficaria blindada ao Modernismo e suas tendências que , numa espécie de Modernismo tardio, corajosamente e com brilho, despontava entre nós como resistência cultural ao longo dos anos 50. Dialeticamente, tempos depois, por ironia e imperativo histórico, seus mais representativos nomes passaram a fazer parte da instituição, em muito contribuindo para sua oxigenação e fortalecimento até os dias atuais…

Fundada no Café Clube (no Boulevard F. de Paula Carneiro/ “Calçadão”) entre falatórios, declamações e tertúlias, das mesas do Café saíram para concretização do ato no antigo Edifício Trianon, na sala de representação do Diário Oficial/RJ, como nos informa Herbson Freitas, sendo seu primeiro presidente o Advogado Nelson Pereira Rebel (1939-1944). Estavam lá: Barbosa Guerra, Gastão Graça, Alberto Ribeiro Lamego, Dióscoro Vilela, Manoel Joaquim da Silva Pinto, Jerônimo Ribeiro, Álvaro Duarte Barcelos, Rogério Gomes de Souza, Letelbe Barroso, José Honório de Almeida, Godofredo Tinoco, Herdy Garchet, Mário Barroso, Alberto Frederico de Moraes Lamego, Silvio Fontoura, Abelardo N. Vasconcelos, Jaime Landim, José Landim, Ewerton Paes da Cunha e Isimbardo Peixoto (segundo Dr. Welligton Paes).

Criada nos moldes da Academia Brasileira de Letras (modelo Academia Francesa), estruturou-se  a ACL com 40 Cadeiras reverenciando figuras ilustres nas letras e nas artes, nas idéias, no brilho cultural de Campos. Foi um começo difícil, funcionando precariamente aqui e ali — Automóvel Clube Fluminense, AIC, residências de Acadêmicos — até que, em 10 de abril de 1948 recebeu as chaves e instalou-se no belo e imponente prédio de sua sede no Jardim São Benedito. Esta conquista não impediu algumas dificuldades de funcionamento adequado, e, turbulências no fim da Era Godofredo Tinoco (um capítulo à parte, entre críticas e aplausos, 1944-1983), levaram a que suas reuniões  fossem realizadas no Salão Nobre da Santa Casa, no escritório do Acadêmico Dr. Renato Aquino e no Hotel Planície, retomando suas atividades na sede  em função dos esforços e gestões dos Presidentes Jamil Ábido (1983-1984), Américo Rodrigues da Fonseca (1984-1996), Walter Siqueira (1996), com destaque para a atuação de Renato Aquino (1996-1999), Waldir Carvalho (1999-2001) e  Raul Linhares (2001-2003). Nos últimos dez anos, sob a Presidência de Arlete Parrilha Sendra (2003-2005, 2007-2009), Herbson Freitas (2005-2007) e Elmar Martins (2010-2012/13), a Academia tem ampliado suas relações com a comunidade acadêmica para além da letras, buscando sua inserção com maior intensidade na vida cultural de nossa Terra, promovendo cursos, concursos literários, editando livros, jornal e revistas, dando visibilidade aos trabalhos de Acadêmico/a/s e autores convidados, celebrando convênios com o Poder Público municipal que viabilizaram ampliação e melhoria nas instalações. Essa parceria precisa ser restabelecida, pois é preciso retomar a excelência dessas publicações-interrompidas há mais de dois anos- e muito há por fazer no sentido da ACL vir a ocupar efetivamente seu papel  de instância e agência de produção cultural, circulação de idéias e socialização do saber. Salve a Folha da Manhã que, pela visão progressista de sua Direção, especialmente na pessoa de seu diretor e poeta Aluysio Abreu Barbosa, abre o espaço nobre desta página para a Academia e nos convoca para parcerias culturais com grandes desdobramentos! Vale dizer que, na  recente solenidade de posse, o representante da Prefeita e o Presidente da Câmara sinalizaram  positivamente na direção do apoio que precisamos. Assumo a Presidência para o biênio 2013/2014 com entusiasmo e esperança.

Em abril iniciaremos a publicação dos editais visando preencher as vagas existentes na instituição, na certeza de que o(a)s eleito(a)s fortalecerão as novas e irreversíveis tendências de uma Academia que, aos 74 anos de existência, vive, resiste, supera suas crises e avança como convém existir, ser e avançar no século XXI. Abaixo, as 40 Cadeiras da ACL:

01 – Patrono Alberto de Faria, Acadêmico Hélio Gomes Cordeiro;

02 – Álvaro Ribeiro de Barros,  José Cunha Filho;

03 – Anfilóquio de Lima, Welligton Paes;

04 -Amélia Gomes de Azevedo,  Sylvia Paes;

05 – Baltazar Carneiro, vaga/Sérgio Diniz;

06 – Benedito Pereira Nunes, Inês Cabral Ururahy de Souza;

07 – Eloy Ornellas, Marília Bulhões Carneiro;

08 – Flamínio Caldas, A. M. Alves Rangel;

09 – Saturnino de Brito, Aristides Arthur Soffiati Netto;

10 – Francisco Portela, vaga/José César Caldas;

11 – Francisco Augusto de Paula Carvalho, Heloisa Helena Crespo Henrique;

12 –  Heitor Silva, Hélio Coelho;

13 – Inácio de Moura, Renato Aquino;

14 – João Barreto, vaga;

15 – Azevedo Cruz, Joel Ferreira Mello;

16 – João Batista de Lacerda Filho, Arlete Parrilha Sendra;

17 – João Batista de Lacerda,  Elvo da Graça Raposo;

18 – João Batista Pereira, vaga/Espiridião Fadul;

19 – José Alexandre Teixeira de Mello, Christiano A. Fagundes Freitas;

20 – José Bernardino Batista. P. de Almeida, vaga/Ivanise Balbi Rodrigues;

21 – José Carlos do Patrocínio, Herbson  da Rocha Freitas;

22 – Conselheiro José Fernandes, Acadêmico Walter Siqueira;

23 – José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho, Levi Quaresma;

24 – José Pinto Ribeiro Sampaio, Gláucio Corrêa Soares;

25 – Júlio Feydit, Vilmar Rangel;

26 – Luiz Felipe Saldanha da Gama, Paulo Roberto de Aquino Ney;

27 – Manoel Landim, Antonio N.dos Santos;

28 – Manoel Martins do Couto Reis, Edinalda Maria Almeida Silva;

29 – Manoel Rodrigues Peixoto, Sebastião J.de Siqueira;

30 – Max de Vasconcellos, Fernando da Silveira;

31 – Manuel Múcio da Paixão Soares, Deneval Siqueira de A. Filho;

32 – Nilo Peçanha,  José F.Sales;

33 – Obertal Chaves, Orávio de Campos Soares;

34 – Pedro Augusto Tavares Junior, Sandra Maria França Viana;

35 – Manoel Moll, Elmar Martins;

36 – Viveiros de Vasconcelos, Joel Maciel Soares;

37 – Severino Lessa, Gilda Maria Wagner Coutinho;

38 – Teófilo Guimarães, vaga/Jorge Renato Pereira Pinto;

39 – Tomás José Coelho de Almeida, Alberto Rosa Fioravanti;

40 – Tancredo Saturnino Teixeira de Mello, Oswaldo B. de Almeida.

Edição de hoje da Folha Letras
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Este post tem um comentário

  1. Parabéns Pro Helio Coelho ,com o teu dinamismo certamente fará uma excelente gestão .
    Salve Salve Folha da Manhã ,mais um vez inovando

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