Opiniões

Porque usar os royalties para campanha eleitoral foi um fracasso anunciado

Apresentado pelo colega Alexandre Bastos, este blogueiro teve a oportunidade de conhecer o professor Alexandre Lourenço (PT), numa rápida conversa em frente à Folha da Manhã, já na reta final da eleição municipal de 2012, na qual ele disputava uma cadeira na Câmara. Foi pouco tempo, mas o suficiente para  gerar a sólida impressão de se estar diante de um jovem dinâmico, idealista, mas pragmático, desde que salvaguardados seus princípios éticos e morais. De tudo que já se escreveu sobre o Ato de Defesa do Royalties da última sexta, na praça São Salvador, seja do seu pouco prestígio público, seja dos motivos que o levaram a ser assim, lamentavelmente confirmados quando o evento foi transformado num belicoso ato de campanha, creio que o testemunho do Alexandre, feito aqui nas redes sociais, foi a coisa mais sóbria que já li. Não por outro motivo, leitor, divido-o com você, abaixo…

(Foto de Alexandre Lourenço)
(Foto de Alexandre Lourenço)
Alexandre Lourenço
Alexandre Lourenço

Então, ninguém me contou, não ouvi em rádio amiga nem em jornal parceiro, eu estava lá, presenciei tudo, ouvi os discursos… ontem (na sexta) aconteceu a tão anunciada manifestação do povo de Campos e região contra a decisão do Congresso de mudar as regras da divisão dos royalties do petróleo e de sensibilizar os ministros do STF. Foi anunciado durante a semana toda na televisão, todos na cidade e na região ficaram sabendo, falaram que seria um ato em que todos os partidos seriam respeitados, seria uma manifestação da população, que estava preocupada com as perdas e suas consequências. Esperavam 50 mil pessoas, no mínimo 30 mil pessoas, devido ao enorme número de cargos de confiança e milhares de contratados da Prefeitura. Proporcionalmente deve ser o município com mais funcionários públicos no mundo, por isso os serviços são tão “bons”. Acho que não tinha 10 mil pessoas, acho que umas 8 mil pessoas no máximo, e tirando eu e mais alguns poucos, todos que estavam lá trabalhavam na Prefeitura, ou para algum vereador. O que mais me chamou a atenção e me deixou pensativo, foi a população não ter dado moral ao evento, a prefeita, aos nossos representantes, e a própria questão dos royalties e muitos estão de fato, numa equivocada onda de revolta, torcendo para que a cidade e o Estado percam as verbas. A cidade estava normal ontem, ninguém dos meus amigos, alunos, professores, aqui no face, enfim, as pessoas que não trabalham diretamente na Prefeitura, foram. Acho que sentem vergonha dos nossos representantes, e entendo perfeitamente, pois tb fiquei com muita ontem (na sexta). É muito ruim quando o governo não tem moral, no palco somente políticos do grupo da prefeita, os vereadores daqui, alguns da região, mas todos do grupo, os prefeitos das cidades vizinhas não vieram, pois eram do grupo do Cabral e do Pezão. E como a eleição de 2014 já começou, e eles não estão nem aí para o povo, já começaram a brigar. Não deu outra, foi um ato totalmente de campanha política, cada um querendo aparecer mais que outro perto do chefe, com faixas com seus nomes os deputados bajuladores colocando a culpa no Cabral, no Lula, no PT. Enfim, a população já sabendo como seria, não confiando mais nessa turma, não foi. E não perdeu nada, foi um circo, uma palhaçada, um comício! Eu entendo a revolta das pessoas, mas é um enorme erro pensar assim, tudo pode piorar. E sem os royalties, pode piorar muito! Grande abraço!

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Este post tem 2 comentários

  1. Isto não vai ter um fim?Até quando vamos ficar a mercê deste povo.Campos ynão merece isto

  2. Foi como Alexandre falou: de “popular” não teve nada, pois todos sabiam que só iriam os políticos da situação e os contratados da Prefeitura, assim mesmo porque foram coagidos a isso. Infelizmente isso não é privilégio de Campos. Qualquer manifestação que seja organizada por políticos sem moral, como é o caso da nossa prefeita, e não pelo povo não mobiliza o povo. Isso foi uma prova que nem os eleitores de Rosinha acreditam na “luta” dela. Nem os que foram comprados com casas populares e bolsas-tudo. Quem não depende diretamente da prefeitura pra sobreviver quer mesmo é que a farras dos royalties acabe. Ignorância sim, mas não totalmente incompreensível.

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