Opiniões

Herói do Maracanazzo cobrou punição a Suárez e agora projeta Uruguai sem ele

Herói da Copa do 1950, quando esbanjava habilidade pelos campos, Ghiggia continua esbanjando lucidez fora deles
Herói da Copa do 1950, quando esbanjava habilidade pelos campos, Ghiggia continua esbanjando lucidez fora deles

 

Na entrevista coletiva de ontem, em Natal, o zagueiro e capitão uruguaio Diego Lugano atacou frontalmente um jornalista inglês da BBC que queria uma posição oficial sobre o episódio da mordida de Luis Suárez em Giorgio Chiellini, flagrada por uma câmara da SporTV, da Rede Globo. Ainda mais patético, Lugano seria endossado em suas teorias conspiratórias pelos próprios jornalistas uruguaios presentes à coletiva. Como o caso aconteceu no Brasil, parecia até um dos muitos ataques petistas à imprensa pelos fatos que esta noticia, sendo muitas vezes ignorados e até ecoados por jornalistas, blogueiros e associações de classe chapa branca. A hipocrisia foi tanta, que até o elogiado presidente uruguaio José Mujica, de Montevidéu, resolver se meter na discussão, tentando vender como argumento o óbvio: “Não o escolhemos [Suárez] para ser filósofo”.

Até que a Fifa aplicasse hoje sobre Suárez a maior punição já dada a um jogador em Copas do Mundo, suspendendo o atacante por nove jogos oficias da seleção do Uruguai, além de impedir que ele participe de qualquer atividade ligada a futebol [mesmo ir a um estádio assistir a uma partida] nos próximos quatro meses (confira aqui), a única voz uruguaia coerente com a realidade coube foi justamente ao grande herói da grande maior do país no futebol. Autor do gol da vitória de 2 a 1 da Celeste sobre a Seleção Brasileira, na final da Copa de 1950 que calou mais de 200 mil pessoas dentro Maracanã, no episódio histórico por isso chamado pelos uruguaios de “Maracanazzo”, o ex-craque Alcides Ghiggia demonstrou, mesmo aos 87 anos, mais lucidez do que quase todos os seus compatriotas. Ontem, ao ser indagado pela agência de notícias Reuters sobre o caso de Suárez, o ex-craque mandou de bate pronto:

— Creio que uma punição poderia ser [aplicada] porque é absurdo, não é a primeira vez que isso acontece. Não sei o que este rapaz pensa, o que tem na cabeça.

Hoje, a mesma SporTV cuja câmera exclusiva flagrou Suárez mordendo Chiellini, ouviu Ghiggia, já após a Fifa ter anunciado a punição ao maior craque uruguaio desta Copa. Mais uma vez, o craque daquela outra Copa projetou com lucidez o futuro próximo:

— Existem coisas no futebol que são extras, não? Quando se entra em campos é para jogar futebol e não o que ele [Suárez] fez. Uma seleção representa um país, uma nação, e essa atitude que ele [Suárez] tomou, não é uma atitude para se tomar quando se joga em uma seleção. O Uruguai temjogadores que podem substituí-lo bem. E, nesse caso, no futebol. Nós temos jogadores que podem substituir o Suárez. Sei que vai ser uma partida jogo difícil para as duas seleções [Uruguai e Colômbia]. Temos que esperar para ver o que vai acontecer.

 

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