Opiniões

Peregrino sai atirando e revela crise no PR do Rio

Peregrino e Garotinho

 

 

Por Marcelo Remigio

RIO – Terceiro maior partido na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ao lado PSD, e segundo em número de cadeiras na bancada fluminense na Câmara dos Deputados, o PR enfrenta sua maior crise no estado. Desde a derrota do deputado federal (PR) e ex-governador Anthony Garotinho ao Palácio Guanabara — não conseguiu garantir nem mesmo a participação no segundo turno das eleições deste ano —, integrantes da executiva estadual, parte dos parlamentares e um grupo expressivo da militância não se entendem. O ex-secretário-geral da legenda, Fernando Peregrino, que deixou o partido este mês, já anuncia para o início de janeiro um ato simbólico de desfiliação em massa de descontentes com o atual diretório regional.

Além de uma debandada coletiva do partido, os descontentes da legenda ameaçam cair nos braços do governador do Rio e adversário político de Garotinho, Luiz Fernando Pezão (PMDB). O apoio de parte da bancada do PR ao peemedebista enfraqueceria a oposição na Assembleia e a influência do ex-governador na casa. Há ainda a formação de um grupo independente no partido, que não pretende seguir as decisões da executiva, não necessariamente apoiando o governo de Pezão.

Os desentendimentos no PR de Garotinho — presidente regional — se arrastam desde a eleição municipal, em 2012, quando o partido fez dobradinha com o DEM no Rio. A legenda indicou a deputada estadual Clarissa Garotinho, filha do ex-governador, para vice na chapa do deputado Rodrigo Maia à prefeitura carioca. A escolha não agradou Peregrino, que tinha como desejo a disputa pelo município, mas acabou concorrendo à Câmara Municipal. Ele não conseguiu uma cadeira de vereador.

A disputa interna pelo controle do partido e divergências nas decisões da legenda levaram a um novo embate entre a família Garotinho e Peregrino. Mais uma vez Clarissa foi o pivô dos desentendimentos. Peregrino acusa o partido de ter colocado toda a sua estrutura em favor da campanha de Clarissa a deputada federal, preterindo os demais candidatos. A meta da família é cacifar a parlamentar para a disputa pela prefeitura do Rio em 2016. Peregrino concorreu a uma vaga de deputado federal, mas não conseguiu ser eleito.

 

DECISÕES SERIAM FAMILIARES

A deputada do PR — que foi eleita para a Câmara com a segunda maior votação do estado — teria, de acordo com Peregrino, impedido dobradinhas eleitorais e até prejudicado a campanha do pai ao governo do estado:

— Ao impor ao partido que toda a estrutura eleitoral fosse usada em favor de sua campanha, ela acabou prejudicando Garotinho. Muitas vezes ele foi para a rua sem qualquer apoio. Cabos eleitorais e a pouca militância eram usados por ela. A derrota não veio só de embates externos com ‘Pezões’ ou ‘Crivellas’. Fiz esse alerta — reclama Peregrino, que aponta a autoconfiança como outro motivo para a derrota do deputado. — O PR deixou de ter decisões ideológicas para ser um partido de decisões familiares. Cumpri meu papel, defendi eles (família Garotinho), fui leal. Mas saturei. Trabalhistas históricos que acompanham Garotinho não têm mais voz, desrespeitaram o histórico político do grupo — acusa o ex-secretário geral.

O PR tem hoje na bancada federal fluminense seis cadeiras, o mesmo número que o PSD. O PMDB soma oito parlamentares. Dos seis, quatro parlamentares acompanham Garotinho nas decisões e dois são independentes — também não dependem da transferência de votos para se elegerem. Já na Assembleia Legislativa, o PR possui sete deputados, atrás apenas do PMDB, com 15 parlamentares, e o PSD, com oito. Pelo menos cinco parlamentares têm se mantido fiéis ao ex-governador.

— Mas a influência de Garotinho tende a diminuir. Ele deixará de ter mandato, não possui mais a caneta de governador. A casa de Garotinho começou a cair. Já Clarissa é uma adversária dentro do próprio partido, disputa votos com os próprios colegas. Isso só atrapalha o partido — explica um deputado estadual.

Durante as eleições deste ano, Clarissa e Peregrino seguiram caminhos diferentes na campanha. Como se fossem filiados da partidos diferentes, promoviam reuniões em separado. De acordo com interlocutores de Clarissa, Peregrino teria até impedido a participação do grupo de Clarissa na condução do plano de governo de Garotinho. O ex-secretário geral, que foi um dos coordenadores da campanha do PR, também não teria cumprido agendas de rua para pedir votos para o ex-goverN ador.

As disputas internas no PR tem respingado até no apoio da bancada à eleição do futuro presidente da Assembleia Legislativa. O grupo de Clarissa defenderia o apoio a um novo mandato do atual presidente Paulo Melo (PMDB), apesar de adversário político de Garotinho. Já os descontentes querem apoiar a volta do deputado eleito Jorge Picciani (PMDB) ao cargo. A família Garotinho rejeitaria Picciani em função de seu filho, o deputado estadual reeleito Rafael Picciani, ser um nome para a disputa da prefeitura do Rio.

 

CLARISSA EVITA EMBATE

No centro da crise enfrentada pelo PR no Rio, a deputada Clarissa não quis comentar as críticas feitas por Peregrino e a possibilidade de o partido minguar com desfiliações prometidas para janeiro:

— Por todo o respeito que tenho pelo Peregrino e por tudo que ele fez por meus pais, prefiro não falar sobre essa questão. Peregrino sempre foi leal à minha família, foi um bom secretário no governo da minha mãe (Rosinha) e nunca abandonou meus pais quando foi preciso.

Garotinho também não comenta a postura de Peregrino e os estragos provocados pelas desfiliações no PR.

 

Publicado aqui na globo.com 

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Oba,IMPLOSÃO! !!!!
    Tudo o que eu queria.

  2. ESSA CLARISSA É UM POÇO DE ARROGÂNCIA E É TRAPALHONA !!!! ATÉ O CHEFE DE GABINETE DELA , O ALEX CASTELLAR DEBANDOU AGORA E FOI PARA ASSESSORIA DO RODRIGO MAIA . ELA DEVERIA ASSUMIR (trecho excluído pela moderação) !!!!

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