Opiniões

Juros sobre o brasileiro batem novo recorde: taxa do cheque especial é a maior desde 1996

Cheque especial mais caro

 

 

Por Gabriela Valente

 

Os juros cobrados das famílias brasileiras pelas instituições financeiras quebraram novo recorde. De acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central, as instituições financeiras aproveitaram para reajustar as modalidades emergenciais e cobrar mais de quem está no vermelho: a taxa do cheque especial saltou de 209% ao ano para nada menos que 214,2% ao ano. É a maior desde março de 1996.

Ainda de acordo com os dados, a média do custo financeiro de empréstimos com recursos livres (os que os bancos têm liberdade para escolher como emprestar) subiu de 52% ao ano para 54,3% ao ano em fevereiro. É o maior nível desde quando o BC passou a registrar os dados em 2011.

Já quem precisou entrar no crédito rotativo do cartão de crédito pagou uma conta ainda maior: os juros pularam de 334,6% ao ano para 342,2% ao ano, segundo os dados do BC.

No cenário mais restritivo para o crédito no país, as famílias diminuíram suas dívidas em 0,3% , ou seja, 2,4 bilhões no mês passado. Essa queda – a primeira registrada no período de um ano – foi vista, principalmente, porque as pessoas físicas gastaram menos no cartão de crédito.

— De fato, o que a gente vê é um arrefecimento no consumo — sintetizou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, que lembrou que isso é reflexo do ritmo de crescimento da economia e também do aumento dos juros.

Mesmo com os financiamentos mais caros, as empresas aumentaram o apetite por crédito de olho na alta do dólar e no que podem ganhar com as exportações. De acordo com a autoridade monetária, o aumento de 0,6% em fevereiro (subiu para R$ 783 bilhões) foi causado pelo influenciado pela depreciação cambial do período.

A inadimplência das operações de crédito ficou estável em 2,8%. No crédito às famílias, chegou a 3,8% (com uma leve alta de 0,1 ponto percentual no mês), enquanto, nas operações às empresas, permaneceu estável em 2%.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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