Licença de Rosinha ou impeachment de Dilma não resolvem problema, mas ajudariam

buraco

 

 

Jornalista e restauranter Esdras Pereira
Jornalista e restauranter Esdras Pereira

Aqui o buraco é mais embaixo

Por Esdras Pereira

 

Controlada por uma política de tamanho inverso ao da sua própria goela, tão grande que está se autodevorando pelo próprio rabo do descarado modus operandi dos seus desmandos e inconsequências, Campos está vivendo dentro de um buraco no fundo do grande buraco em que foi colocado o Brasil, que, só agora, parece ter descoberto, como o velho marido enganado, o que todo mundo já sabia há muito tempo: somos todos corneados por quadrilhas oficializadas pelos votos da ignorância, dos cheques cidadão, das casinhas populares, das bolsas família e de outros paternalismos com o mesmo índice de danosa periculosidade.

Agora que se levanta sem falsos pudores a saia da corrupção que demoliu a Petrobras, o sonho de uma economia regional fortalecida pelo advento do pré-sal fica cada vez mais distante, naufragado nas águas profundas da pouca vergonha que assola o país.

Diante de tudo isso, dói saber que, apesar da fantástica fortuna recebida em décadas de preciosos e voláteis royalties de morte anunciada, que nos escorreram pelos dedos das obras superfaturadas, terceirizações e outras inconfessáveis mumunhas, aqui não se construiu a sustentabilidade do incentivo à agricultura e o apoio à indústria sucroalcooleira, grande empregadora e nossa histórica vocação, novas indústrias ou empresas que estimulassem a economia local e gerassem postos de empregos que não fossem os geridos pelo populismo messiânico da Lapa com a dolorosa rédea curta do escambo eleitoral, que por aqui só produziu excrescências como dois prefeitos no mesmo município, um de fato e outro oficial.

Não será apenas o afastamento da prefeita por alegado motivo de saúde ou o da presidenta por impeachment que resolverá totalmente o nosso problema, mas já é um bom começo.

É preciso matar o mal pela raiz, excretando de vez esses grupos da nossa cena política. Enquanto isso não for feito, o velho ditado, que arremetia a valentia e orgulho, se aplicará a Campos e ao Brasil de forma lamentável, pois aqui o buraco agora é, realmente, mais embaixo, e nós fomos colocados dentro dele.

Resta ao campista, assim como ao resto do país, sair pelas próprias mãos, as mesmas que registram os votos nas urnas, desse escuro buraco em que nos meteram.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha

 

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Swissleakes — Empresários de mídia e jornalistas brasileiros tinham contas na Suíça

HSBC na Suíça

 

Por Chico Otávio, Cristina Tardaguila, Ruben Berta, Fernando Rodrigues e Bruno Lupion

 

Na lista dos 8.667 brasileiros que, em 2006 e 2007, tinham contas numeradas no HSBC da Suíça, aparecem donos, diretores e herdeiros de veículos de comunicação, além de jornalistas. Um levantamento feito pelo Glogo, em parceria com o UOL, com base nos documentos oficiais que foram vazados por um ex-funcionário da instituição financeira, indica que há ao menos 22 empresários e sete jornalistas brasileiros entre os correntistas do HSBC suíço.

Os correntistas localizados ou negaram a existência das contas ou qualquer irregularidade.

Nos documentos, constam os nomes de proprietários do Grupo Folha, ao qual pertence o UOL. Tiveram conta conjunta naquela instituição os empresários Octavio Frias de Oliveira (1912-2007) e Carlos Caldeira Filho (1913-1993). Luiz Frias (atual presidente da Folha e presidente/CEO do UOL) aparece como beneficiário da mesma conta, que foi criada em 1990 e oficialmente encerrada em 1998. Em 2006/2007, os arquivos do banco ainda mantinham os registros, mas, no período, ela estava inativa e zerada.

Quatro integrantes da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, também tinham contas no HSBC na época em que os arquivos foram vazados. Constam entre os correntistas os nomes do fundador da Bandeirantes, João Jorge Saad (1919-1999), da empresária Maria Helena Saad Barros (1928-1996) e de Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet, filho e sobrinha de João Jorge.

Lily de Carvalho, viúva de dois jornalistas e donos de jornais, Horácio de Carvalho (1908-1983) e Roberto Marinho (1904-2003), aparece na lista. Horácio de Carvalho foi proprietário do extinto “Diário Carioca”. Roberto Marinho foi dono das Organizações Globo, hoje Grupo Globo, ao qual pertence O GLOBO. O nome de Lily surge nos documentos com o sobrenome de Horácio, seu primeiro marido, e o representante legal da conta junto ao HSBC é a Fundação Horácio de Carvalho Jr. O saldo registrado em 2006/2007 era de US$ 750,2 mil. Lily morreu em 2011.

Do Grupo Edson Queiroz, dono da TV Verdes Mares e do “Diário do Nordeste”, estão Lenise Queiroz Rocha, Yolanda Vidal Queiroz e Paula Frota Queiroz (membros do conselho de administração). Elas tinham US$ 83,9 milhões em 2006/2007. Edson Queiroz Filho também surge como beneficiário da conta. Ele morreu em 2008.

Luiz Fernando Ferreira Levy (1911-2002), que foi proprietário do jornal “Gazeta Mercantil”, que não existe mais, teve conta no HSBC em Genebra entre os anos de 1992 a 1995.

Dorival Masci de Abreu (morto em 2004), que era proprietário da Rede CBS de rádios (Scalla, Tupi, Kiss e outras), foi correntista da instituição financeira na Suíça entre 1990 a 1998.

João Lydio Seiler Bettega, dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, no Paraná, tinha conta ativa em 2006/2007. O saldo era de US$ 167,1 mil.

Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, que tem a TV e a rádio Tribuna (no Espírito Santo e em Pernambuco) e o jornal “A Tribuna” tinha duas contas no período a que se refere os documentos. O saldo delas era de US$ 4,4 milhões e US$ 5,6 milhões.

Anna Bentes, que foi casada com Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do antigo Grupo Manchete, fechou sua conta no ano 2000.

O apresentador de TV Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho e dono da “Rede Massa” (afiliada ao SBT no Paraná) tinha uma conta com sua mulher, Solange Martinez Massa, em 2006/2007. O saldo era de US$ 12,5 milhões.

Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (Rede Transamérica), tinha US$ 120,6 milhões.

Os sete jornalistas que aparecem nos registros do HSBC são Arnaldo Bloch (“O Globo”), José Roberto Guzzo (Editora Abril), Mona Dorf (apresentadora da rádio Jovem Pan), Arnaldo Dines, Alexandre Dines, Debora Dines e Liana Dines, filhos de Alberto Dines. Fernando Luiz Vieira de Mello (1929-2001), ex-rádio Jovem Pan, teve uma conta, que foi encerrada em 1999.

As contas de Bloch e Guzzo estavam encerradas. Mona tinha US$ 310,6 mil. Os quatro jornalistas Dines guardavam US$ 1,395 milhão.

 

* A investigação jornalística multinacional é comandada pelo ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (www.icij.org)

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Stédile: “Dona Dilma, se tem coragem, saia do Palácio e vem para a rua ouvir o povo”

Stédile, líder do MST, ontem na manifestação do Rio, pró-Dilma, mas nem tanto (foto de Fabio Motta - Estadão)
Stédile, líder do MST, ontem na manifestação do Rio, pró-Dilma, mas nem tanto (foto de Fabio Motta – Estadão)

 

Por Antonio Pita, Clarissa Thomé e Felipe Werneck

 

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, desafiou a presidente Dilma Rousseff a sair “do palácio” e “ouvir o povo” durante ato em defesa da Petrobrás, realizado nesta sexta-feira, 13, no centro do Rio. Ele afirmou que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é um “infiltrado” no governo petista e voltou a atacar o que chamou de tentativa de golpe, referindo-se aos protestos pró-impeachment marcados para este domingo, 15.

A manifestação, que prometia ser também uma espécie de desagravo à presidente, deu espaço a críticas à política econômica e aos cortes de direitos trabalhistas. “Não aceitaremos redução de nenhum direito da classe trabalhadora”, discursou Stédile. “Para enfrentar a crise é preciso acabar com a transferência de juros dos bancos. E usar esse dinheiro para fortalecer os investimentos produtivos. Por isso, dona Dilma, se tem coragem, saia do Palácio e vem aqui para a rua para ouvir o que o povo quer de mudança.”

Escolta — Stédile, principal nome do ato, chegou escoltado por quatro seguranças. Em entrevista, pediu garantias de vida à Secretaria de Segurança Pública, por causa das ameaças sofridas pela internet. “O que a direita está fazendo é tentativa de homicídio pelas redes sociais”, disse, referindo-se à montagem com sua foto que está circulando pelo Facebook com um cartaz de “procurado”, que oferece “recompensa” de R$ 10 mil a quem capturá-lo “vivo ou morto”.

Apesar do tom crítico ao governo, Stédile lembrou que Dilma foi eleita democraticamente. “Estamos dizendo para a burguesia: vocês não se atrevam a falar em golpe. Nós estamos aqui para defender a democracia e o direito legítimo do povo de defender seu governante”, afirmou. No discurso, ele repetiu expressão dita na véspera, em Porto Alegre: “Vamos engraxar as botas para voltar a ocupar as ruas do Brasil”.

Stédile criticou os episódios de corrupção na Petrobrás e o benefício da delação premiada; “Estamos aqui por causa da corrupção na Petrobras. Meia dúzia de gerentes filhos da puta botaram as mãos no dinheiro. (…) Lugar de ladrão é na cadeia e não com delação premiada para se livrar da lei”, disse o coordenador do MST.

 

Leia a íntegra da matéria aqui, no estadao.com

 

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Manifestações pró-Dilma levaram cerca de 30 mil às ruas nas capitais brasileiras

Na avenida Paulista, em São Paulo, a maior manifestação pró-Dilma feita ontem em 24 capitais e no distrito federal, levou 12 mil pessoas às ruas, segundo os cálculos da PM, número multiplicado a  100 mil na versão dos organizadores do evento (foto de Tiago Queiroz - Estadão)
Na avenida Paulista, em São Paulo, a maior manifestação pró-Dilma feita ontem em 24 capitais e no distrito federal, levou 12 mil pessoas às ruas, segundo os cálculos da PM, número multiplicado a 100 mil na versão dos organizadores do evento (foto de Tiago Queiroz – Estadão)

 

Por Pedro Venceslau, Ricardo Chapola e Valmar Hupsel Filho

 

As manifestações promovidas nesta sexta-feira, 13, pela CUT, UNE, MST e outras entidades, a dois dias dos protestos que pedirão o “Fora Dilma”, levaram cerca de 30 mil pessoas às ruas em 24 Estados, segundo estimativas da Polícia Militar. Convocadas como atos de defesa da democracia e das instituições, as concentrações foram pacíficas e marcadas pela exaltação da presidente Dilma Rousseff, discursos “contra a privatização da Petrobrás” e ataques aos grupos que pedem o impeachment da petista.

Em São Paulo, o ato reuniu cerca de 12 mil pessoas, segundo a Polícia Militar — os organizadores falam em 100 mil. A concentração foi em frente ao escritório da Petrobrás, na Avenida Paulista. Os trabalhadores iniciaram a marcha por volta das 16 horas, uma hora depois do que havia sido acordado com a PM para evitar confrontos com o Revoltados On Line, um grupo anti-Dilma que havia marcado protesto no mesmo local às 15h. O grupo só chegou ao local às 17h.

A marcha seguiu pela Avenida Paulista e, em frente ao Masp, somou-se ao ato organizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Em assembleia, os professores da rede estadual decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. O grupo seguiu até a Praça Roosevelt, no centro, onde encerrou o ato.

 

Leia a íntegra da matéria aqui, no estadao.com

 

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Pedir impeachment de Dilma, ou acreditar nela, é tolice de desmemoriados

Em progresso

 

 

Jornalista Ruth de Aquino
Jornalista Ruth de Aquino

Por que sair às ruas

Por Ruth de Aquino

 

Um bom motivo para participar de manifestações — a favor ou contra Dilma Rousseff — chega a ser pueril. Podemos sair às ruas porque ainda é possível protestar pacificamente no país sem ser preso. O Brasil ainda não virou uma Venezuela; o regime democrático ainda não caiu de “maduro” e algumas instituições não estão podres. Melhor aproveitar e exercer o direito à livre expressão — ou será que não?

Um bom motivo para ficar em casa é não acreditar em nenhuma grande bandeira das manifestações pró e contra. Os grupos se confundem. Se existe algo que não identifica a grande massa de manifestantes e não manifestantes, é a ideologia. A maior burrice é rotular de “direita” ou “esquerda” quem vai numa ou na outra manifestação. Ou quem decide não sair às ruas. Quem são os fascistas? Em qual categoria ideológica se situam os que querem detonar, “com botas e chuteiras”, a política econômica atual de Dilma? Leia-se aí o MST de Stédile.

Pergunte se são de esquerda ou de direita os garis em greve contra o reajuste anual ridículo de 3%, os caminhoneiros que bloqueiam as estradas, os favelados sem-casa-esgoto-creche-hospital, os policiais, os professores, os médicos, os comerciantes, os estudantes em fila por senha para estudar. Pergunte se são de esquerda ou de direita os desempregados pela incompetência oficial, ou todos nós que pagamos contas de luz e gasolina estratosféricas pela má gestão do governo.

A resposta será: ah, vem para a vida real, sem esse papo de direita ou esquerda, somos a maioria sem voz, queremos um país que funcione, um governo que não assalte os cofres públicos, uma economia que favoreça o emprego e os empreendedores, sem descontrole da inflação, uma educação de qualidade para todos, uma saúde digna, uma aplicação honesta dos altos impostos que pagamos, uma infraestrutura que nos tire do Terceiro Mundo, uma política de segurança que não deixe as famílias à mercê de criminosos. Queremos bons exemplos de cima e fim da corrupção institucionalizada. É pedir muito?

Se você é a favor da Petrobras e contra o roubo sistemático do PT à Petrobras, a qual manifestação deve aderir? Se você abomina o cinismo dos últimos pronunciamentos de Dilma Rousseff mas é contra o impeachment, deve sair às ruas em protesto ou ir à praia e ao futebol? Se você é contra Eduardo Cunha e Renan Calheiros — e, consequentemente, contra o domínio do pior PMDB —, qual manifestação deve escolher? Ou vai ficar no sofá, um direito seu?

Se você acredita na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se você continua estarrecido com o depoimento frio do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, relatando a distribuição sistemática de propinas milionárias ao PT desde a era Lula até a campanha de Dilma em 2010, como deve se comportar? Sai ou não sai às ruas? Leva suas panelas para o fogo ou para a janela?

Se você se preocupa com a desigualdade social, deve se aliar ao MST e ir contra o ajuste fiscal de Dilma e Joaquim Levy? Mas aí você estará conspirando contra a presidente. Como ela disse na quinta-feira no Rio de Janeiro, o Brasil “esgotou todos os recursos para combater a crise”. Se empresários e sindicalistas se unem em São Paulo contra o ajuste, quem é burguês, quem é coxinha, mãozinha, perninha?

Você acredita que o Brasil está nesse buraco por causa da “crise internacional” e porque Dilma fez tudo pelos pobres — na educação e na saúde? Você acredita na presidente quando ela diz que o governo do PT cortou gastos da máquina? Está faltando pau de selfie no Planalto — a presidente precisa se enxergar sem distorções de foco. Sobra cara de pau. Até o ex-tesoureiro da campanha presidencial de Dilma fez mea-culpa, disse que o PT errou. Quando Dilma assumirá alguma responsabilidade e pedirá desculpas à nação? A presidente nos pede “paciência”. A população deveria pedir à presidente “sinceridade”. Mas é pedir muito.

Quem quer derrubar Dilma no grito esqueceu o que é uma ditadura, não respeita o voto democrático, não pensa no país nem no povo e ainda por cima é ingênuo. Está claro que manifestações por impeachment não são oportunas e não darão em nada.

Quem apoia incondicionalmente uma presidente que fez desandar a economia e as alianças políticas, que resistiu durante meses a afastar a presidente da Petrobras e que mentiu e continua a mentir sobre índices e análises de seu desempenho com uma desfaçatez nunca antes vista não pensa no país nem no povo e ainda por cima é ingênuo.

Pedir impeachment de Dilma não é golpismo, é tolice de desmemoriados. Acreditar em Dilma não é idealismo, é tolice de desmemoriados. Vamos tentar o caminho do meio. Saindo às ruas ou ficando em casa.

 

Publicado aqui, na epoca.com

 

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Dilma, uma presidente encurralada

ERA ROTINA — Dilma é festejada em visita ao Acre. Com a crise, recepções amistosas assim não são mais uma certeza (foto de Odairl Leal - Reuters)
ERA ROTINA — Dilma é festejada em visita ao Acre. Com a crise, recepções amistosas assim não são mais uma certeza (foto de Odairl Leal – Reuters)

 

 

Época Dilma encurraladaPor Leandro Loyola e Murilo Ramos

 

A presidente Dilma Rousseff não estava muito confortável naquele momento da conversa com líderes de partidos aliados, ao final da tarde da última segunda-feira. Sentada à frente de uma mesa grande, no Palácio do Planalto, Dilma dizia que os protestos ocorridos durante seu pronunciamento de 15 minutos em cadeia de rádio e TV, na noite anterior, haviam sido “uma coisa concentrada em alguns bairros” de São Paulo, referindo-se a  locais de classe média alta. Acrescentou que, em Brasília, os protestos ocorreram “no Sudoeste e em Águas Claras”, também bairros de classe média. “Em Recife foi só na Aldeota (outro bairro nobre)”, disse. “Aldeota é em Fortaleza, presidenta”, corrigiu o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira. Dilma foi então interrompida por um novato nesses encontros, o senador Omar Aziz, do PSD, ex-governador do Amazonas. “Presidenta, no domingo não vai ser assim…”, disse Aziz. Um novato permitia-se contradizer a presidente da República. Aziz prosseguiu: “Eu queria prestar minha solidariedade à senhora porque envolveram a senhora neste roubo na Petrobras, que é o maior roubo da história do Brasil. É uma vergonha fazerem isso com a senhora”. Constrangida e sem paciência, Dilma admoestou Aziz: “Governador (na verdade, Aziz agora é senador), o senhor está equivocado”.

 

>> Scott Mainwaring: “Protestos podem revigorar a democracia”

A conversa estava tensa. Em outro momento, Dilma alertou os líderes: “Nós temos de ter cuidado porque a política está muito criminalizada”. Parecia o ex-presidente Lula falando. Ele usa esse argumento sempre que um companheiro é acusado de corrupção. Em tempos de petrolão, é quase todo dia. Dilma, então, narrou os dissabores de quem vive sob a ameaça das vaias dos contribuintes que povoam as ruas do Brasil e enxergam a criminalização na política. Contou aos parlamentares o caso da ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster, sua amiga, que deixou o cargo em fevereiro após uma temporada exposta pelas investigações do petrolão. “Ela não pode sair de casa nem para ir à padaria”, disse Dilma. Graça vive hoje uma vida de aposentada no Rio de Janeiro, mas não tem sossego.

 

>> 8 achados no dicionário do petrolão

O governo acredita que os protestos recentes não são isolados, mas o início de um movimento

Omar Aziz é um político engraçado, um piadista que usa palavrões para descontrair a conversa e não se prende às mesuras do mundo político. Faria sucesso em reuniões com Lula. Entretanto, o fato de ele e outros terem tido abertura para dizer tanto a Dilma é sinal de que o governo enfrenta tempos difíceis. Sempre avessa a políticos, para seus padrões Dilma já fazia uma grande concessão ao recebê-los; sujeitar-se a ouvir conselhos beirava o inaceitável. Na semana passada, ouviu muitos. “A senhora tem de dialogar com o Congresso, o diálogo está obliterado”, disse o senador Fernando Collor, do PTB, um dos participantes. Collor, quanta ironia, serve às analogias políticas mais simplistas com Dilma: ignorava o diálogo com o Congresso e foi alvo de maciços protestos populares em 1992 – até sofrer o impeachment. “A senhora tem de ter humildade de pedir desculpas pelos seus erros”, disse. Que cena.

 

>> Os responsáveis pelo rebaixamento institucional do Legislativo
Dilma só se sujeitou às perorações dos políticos porque precisa deles para atravessar seu momento mais difícil na Presidência da República. A semana passada foi, provavelmente, a mais tormentosa de seu governo, ameaçado por uma crise econômica grave e uma inoperância política de grandes proporções. Dilma foi acuada por vaias ao visitar uma feira de construção em São Paulo – que nem estava aberta ao público. Contrariada e com semblante tenso, discursou para uma plateia semivazia. Comparecer ao evento era parte de uma estratégia traçada há um mês, para tentar recuperar a popularidade de Dilma, em queda livre desde a reeleição. Mas o cenário mudou rapidamente. No final da semana, Dilma cancelou a visita que faria a um evento em Belo Horizonte. O governo afirma que mudou os planos não por medo de vaias, mas porque a mãe da presidente, Dilma Jane, de 90 anos, não passava bem.

 

>> Os bastidores inéditos da Operação Lava Jato

“Há um sentimento ruim, que precisa ser revertido”, disse recentemente o ex-presidente Lula em um café da manhã na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros, em Brasília. Partindo de sua lógica preferida, a da divisão do Brasil entre classes sociais, Lula afirmou que antes o governo era vítima da desaprovação dos ricos por, na sua visão, ter privilegiado os pobres. Hoje, no entanto, haveria um sentimento difuso de desaprovação por outras camadas da população. A insatisfação expressa em junho de 2013 não desapareceu. A avaliação do governo é que os protestos marcados para domingo, dia 15, não devem se resumir a um evento isolado, mas devem marcar o ponto inicial de um movimento maior. O 15 de março será uma espécie de reunião para marcar o 15 de abril, o 15 de maio, e assim por diante. Será mais um problema agregado aos vários outros que Dilma já tem a resolver.

 

É GUERRA — Mulher vaia Dilma em São Paulo. Pesquisas do governo mostram que a popularidade de Dilma se mantém em queda (foto de Jorge Araujo - Folhapress)
É GUERRA — Mulher vaia Dilma em São Paulo. Pesquisas do governo mostram que a popularidade de Dilma se mantém em queda (foto de Jorge Araujo – Folhapress)

 

A crise política, que atrapalha a solução da crise econômica, é alimentada por muitos erros, aqueles mencionados por Collor. Centralizadora, Dilma sempre resistiu a ouvir opiniões para tomar decisões na área política. Paulatinamente, desidratou o poder do vice-presidente, Michel Temer. O resultado disso hoje é que Temer perdeu parte da capacidade de influenciar seu partido, o PMDB. No início do ano, Dilma fez uma reforma ministerial que lhe custa caro. A troca diminuiu a capacidade de influência do PMDB no governo, a ponto de o partido ter cinco ministérios e trabalhar boa parte do tempo na oposição; diminuiu a presença da mais forte corrente interna do PT; e deu força para que os ministros Gilberto Kassab e Cid Gomes turbinassem seus partidos. Assim, Dilma deixou claro que queria enfraquecer o PMDB e o PT. Foi um erro estratégico em um momento delicadíssimo, em que Dilma precisa justamente de PT e PMDB para afastar o país do abismo econômico construído durante sua gestão anterior. Dilma tem de fazer isso em um momento em que as pesquisas feitas sob encomenda do Palácio do Planalto mostram que a avaliação de seu governo está ainda pior do que a atestada pelo Datafolha, no mês passado, quando havia atingido seu mais baixo índice. Na ocasião, a maioria dos entrevistados afirmava que Dilma havia mentido sobre a situação da economia. Hoje, a maior parte dos insatisfeitos está em São Paulo, como o governo já sabia; mas cresceu o número de descontentes no Nordeste.

Lula e Dilma passaram dois meses sem conversar, entre o resultado da eleição e o início deste ano. Lula esteve em Brasília em algumas ocasiões para conversar com políticos. No recente café da manhã com senadores, Lula ouviu reclamações sobre a má relação com Dilma. Tentou contemporizar. Disse que Dilma, pelo menos, havia montado um núcleo político com seis ministros, estava ouvindo mais a opinião de outras pessoas. Contudo, disse que esse núcleo não poderia ser fechado nem excluir o vice Michel Temer.  “É um absurdo o governo não ter tido cuidado com o PMDB”, disse. Na semana passada, Lula e Dilma conversaram a sós no Palácio da Alvorada e, depois, jantaram com ministros do PT. Lula defendeu que é preciso abrir mais espaço para o PMDB no governo. No dia seguinte, Dilma anunciou que mais três ministros entrariam para o grupo, entre eles Eliseu Padilha, do PMDB.

Em público, Lula sugeriu ainda a troca do ministro da Articulação Política, Pepe Vargas, talvez a única unanimidade negativa no governo e no Congresso. Incumbido de trabalhar pela relação entre o governo e o Congresso, Vargas não pode articular na Câmara, porque o presidente Eduardo Cunha, do PMDB, não o recebe; também é sabotado por boa parte do PT, porque é de uma corrente minoritária dentro do partido. Também não tem apoio no governo. Na semana passada, Pepe chamou para uma reunião deputados para tratar da lei de socorro aos clubes de futebol. Após uma exposição de meia hora sobre a importância dos clubes, Pepe disse que, infelizmente, não tinha nada a apresentar porque os técnicos do Ministério da Fazenda não haviam terminado os estudos. “Estão todos envolvidos nesse negócio do Imposto de Renda”, disse Pepe. Os deputados saíram fulos de raiva. Hoje, ninguém aposta que Pepe Vargas permaneça muito mais tempo no cargo. A questão é que Dilma demora a tomar decisões. Se há sete meses o Supremo Tribunal Federal espera que ela escolha um substituto para Joaquim Barbosa, quanto tempo levará para nomear um substituto para Pepe?

O fracasso de Dilma na política já foi mascarado em outras ocasiões com a ajuda da popularidade e do marketing. Na semana passada, a saída da propaganda deu errado. O pronunciamento de Dilma era um legítimo texto escrito pelo marqueteiro João Santana. No entanto, foi a primeira vez que Dilma se dirigiu à nação sem anunciar uma novidade ou benefício — nas ocasiões anteriores, anunciou reajuste do Bolsa Família ou novos programas, como o Minha Casa Melhor, que concedia financiamentos de até R$ 5 mil aos beneficiários do Minha Casa Minha Vida para comprar eletrodomésticos. Há duas semanas, o governo acabou com o programa por causa da alta taxa de inadimplência. Provavelmente, nos quatro últimos anos de governo, Dilma terá de ouvir todos os conselhos que não ouviu dos políticos nos quatro primeiros.

 

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Época revela e Sindipetro NF confirma que pagou R$ 80 a cada campista no ato pró-Dilma

Manifestantes na Cinelândia, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (13) (foto de Raphael Gomide - Época)
Manifestantes na Cinelândia, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (13) (foto de Raphael Gomide – Época)

 

 

Por Raphael Gomide, Hudson Corrêa e Lívia Cunto Salles 

 

Sentada em um canteiro no centro da Cinelândia, no Rio de Janeiro, alheia aos longos discursos políticos, feitos de um carro de som, em apoio à Petrobras e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a desempregada Luciana, moradora de Campos dos Goytacazes (RJ), conversava desanimada com uma amiga na tarde desta sexta-feira (13). Parecia cansada. Ao redor da árvore, estavam ainda o marido, também desempregado, a filha de 6 anos e outros conterrâneos. Todos vestiam camisetas cor de laranja com os logotipos do Sindipetro e da Petrobras: “Defender a Petrobras é defender o Brasil”. Luciana, que não quis dizer seu sobrenome, não faz parte do sindicato e nunca trabalhou no setor petrolífero.

Sem trabalho, ela e o marido, Marco Aurélio, afirmaram ter recebido R$ 80 do sindicato para vir ao Rio participar de um protesto tão longe de casa. “O dinheiro chegou em boa hora”, disse. Quando o ato começou, Luciana e o marido estavam cansados. Acordaram às 5h30, saíram às 7h de Campos, a 274 km do Rio, e só chegaram ao centro da cidade às 15h. Segundo ela, vieram em uma caravana de mais de 20 ônibus do Norte Fluminense, alugados pelo Sindipetro. Sem ter com quem deixar a filha pequena, trouxeram a menina para passear no Rio. Demoraram mais que as quase cinco horas que a viagem costuma levar porque o grupo parou para almoçar na lanchonete Oásis Grill, na BR-101, na altura de Casimiro de Abreu. A despesa foi paga  pelo sindicato, disse ela.

A Época, o diretor do Sindipetro-RJ e diretor de comunicação da Federação Nacional dos Petroleiros Edson Munhoz afirmou desconhecer que militantes tenham sido pagos para ir ao ato. “Nossa militância trabalha na base de contrapartidas. Por exemplo, a associação de moradores ou de sem-teto precisa de advogado em uma ocupação e providenciamos, mas dinheiro na mão desconheço.”

Segundo ele, o mais normal é haver uma “troca política”, de apoio mútuo. “Quando há uma ação deles, sindicatos maiores, como o dos Petroleiros e Bancários dão cesta básica e ajudam no que é preciso. Todos colaboram com os cidadãos mais humildes. Acredito que algum político tenha até auxiliado [financeiramente], mas não é praxe dar dinheiro no movimento sindical”, afirmou Munhoz.

Luciana era uma das muitas pessoas que, com camisetas cor de laranja e ar deslocado, se misturavam às muitas com camisetas vermelhas e portando bandeiras da CUT (Central Única dos Trabalhadores), do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e do PT. Época perguntou a Luciana a razão do protesto e o motivo por que ela estava ali. “É o petróleo!”, disse. “É o petróleo!” Como se a explicação fosse insuficiente, disse que o protesto era por causa dos “royalties que estão querendo tirar do Estado do Rio”. A manifestação era de apoio à Petrobras e contra o impeachment da presidente Dilma. A passeata em defesa dos royalties aconteceu em novembro de 2012.

A Polícia Militar estimou entre mil e 2 mil pessoas os presentes ao ato na Cinelândia, que depois seguiu, de forma pacífica, em direção a sede da Petrobras. Havia 150 policiais acompanhando a manifestação, mas eles não tiveram trabalho.

 

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Atualização às 2h23: Após contato do blog, a assessoria do Sindipetro NF enviou a nota transcrita abaixo:

 

Sindipetro NF

 

“O Sindipetro-NF mantém uma política transparente de ajuda de custo aos militantes que participam de atos públicos apoiados ou promovidos pela entidade. Os valores envolvidos são declarados em seus balanços e de conhecimento dos associados. Quando da impossibilidade de oferecer alimentação, o sindicato entende ser necessário um auxílio para sua aquisição durante uma longa jornada, que, no caso do protesto de hoje (ontem) na Cinelândia, se iniciou às 7h com a saída dos ônibus de Campos dos Goytacazes (RJ) e tem previsão de encerramento à 1h da manhã deste sábado, com o retorno à cidade. A ajuda destinada hoje (ontem) foi de R$ 80 para cada militante, para cobrir gastos com almoço, lanche e jantar no Rio”.

 

Atualização às 14h12: Alertado aqui, em comentário do leitor Alvaro, o blog reproduz abaixo o vídeo no qual a equipe de reportagem da Folha de São Paulo flagra a distribuição do dinheiro pago pelo Sindipetro NF aos “militantes” pró-Dilma, na manifestação de ontem no Rio. Confira com seus próprios olhos e forme a sua opinião:

 

 

 

Atualização às 15h21: Apesar da nota da assessoria do Sindipetro NF ter alegado que “a ajuda destinada ontem foi R$ 80 para cada militante, para cobrir gastos com almoço, lanche e janta no Rio”, a equipe de reportagem da Folha de São Paulo revelou que, além da distribuição do dinheiro flagrada em vídeo, os militantes pagos de Campos já haviam recebido quentinhas. Confira aqui.

 

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Para atuar em outra vertente do jornalismo, na lida por certo mais prazerosa de crítico de cinema, este “Opiniões” fará uma outra pausa momentânea, até amanhã, na cobertura do Petrolão. Quem não quiser esperar, pode continuar acompanhando tudo sobre o assunto, em tempo real, no Blog do Arnaldo Neto.

Inté!!!…

 

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Campistas no Rio em apoio ao governo Dilma Rousseff

Blog do Arnaldo Neto

Universitários de Campos já integram ato pró-Dilma no Rio

Por Arnaldo Neto, em 13-03-2015 – 16h02

 

Campista pró-Dilma no Rio

 

Manifestantes campistas integram o ato pró-Dilma no Rio de Janeiro. Desde às 15h25, a cobertura em tempo real do jornal O Globo (aqui) mostrou que eles já estavam na Cinelândia, onde acontece o ato intitulado como “Dia Nacional de Luta em Defesa: dos Direitos da Classe Trabalhadora; da Petrobras; da Democracia; da Reforma Política e Contra o Retrocesso”.A foto mostra estudantes membro do Diretório Central de Estudantes  (DCE) da UFF Campos, com uma faixa em defesa da “soberania nacional”. O jornal também registrou a presença em grande número de participantes do Sindipetro do Norte Fluminense. Pelo país, o protesto acontece em pelo menos mais 28 cidades.

Como este blog mostrou aqui, cerca de 1.500 manifestantes de Campos — segundo números do Sindipetro e do presidente do PT Campos — foram para o Rio de Janeiro participar do ato pró-Dilma. Entre eles estão sindicalistas, petistas, simpatizantes e estudantes. A concentração na Cinelândia estava prevista para 15h. Uma passeata prevista para 17h começou pouco antes das 18h.

A Polícia Militar informou que, até às 16h35, nenhum incidente tinha ocorrido na manifestação no Rio. Os PMs, 400 escalados, liberaram o trânsito na região da Cinelândia, pedindo para as pessoas irem para a calçada. Muitas pessoas com camisas da CUT e do Sindipetro do Norte Fluminense participavam do ato. Nos cartazes, muitos pedidos pela democratização da mídia e pela punição dos envolvidos no escândalo da Petrobras.

Segundo o subcoodenador de policiamento do evento, tenente-coronel Carlos Tiango, às 17h20, cerca de 700 pessoas participavam do ato na Cinelândia, no Rio. Após 20 minutos, a PM divulgou novo boletim com número de 1.000 participantes.

Manifestantes começaram a deixar a Cinelândia, por volta das 17h45, e caminhar em direção à sede da Petrobras, na Avenida Chile. O ato, segundo a PM, acontece de forma pacífica.

Os primeiros manifestantes que chegaram à sede da Petrobras  realizaram um abraço simbólico e cantaram o Hino Nacional na porta do edifício. Em seguida, gritaram “viva Dilma”. o número oficial de manifestantes, segundo a Polícia Militar, foi de 1.500. Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT), responsável pelo protesto, diz que foram 5.000 presentes.

A manifestação em frente à sede da Petrobras terminou às 18h40. O protesto terminou sem incidentes, de forma pacífica.

Além do Rio de Janeiro, os manifestos pró-Dilma acontecem em outras 34 cidades pelo país. Até o momento, não houve confronto registrado em nenhum dos manifestos:

 

Mapa ato pró-Dilma

 

 

Atualizado à 0h22 de 14/03

 

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Investigado no Petrolão, governador Pezão diz já ter sido “julgado e condenado”

 Pezão

 

 

O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) afirmou nesta sexta-feira, 13, já ter sido “julgado e condenado” em razão das acusações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, em sua delação premiada nas investigações sobre corrupção na estatal. “Estou sendo acusado de ter participado de uma reunião que nunca ocorreu. É uma denúncia política”, disse Pezão.

O depoimento de Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, serviu de base para a abertura de inquérito por parte do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nessa quinta-feira. Além de Pezão, a investigação vai atingir o ex-governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB).

De acordo com o delator, em 2010 Pezão, então vice-governador, e o então governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e o secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, participaram com ele de uma reunião para combinar a arrecadação de fundos para a campanha da reeleição ao governo fluminense. Cabral e Régis também negam as acusações.

Segundo a Procuradoria, Cabral e Pezão agiram juntos, com colaboração do ex-secretário, para receber R$ 30 milhões em 2010 de empresas contratadas pela Petrobrás para a construção do Comperj. No entendimento da Procuradoria,  o recebimento da propina foi feito por meio do ex-diretor.

O ministro do STJ aceitou também pedidos da procuradora para efetuar diligências, a fim de aprimorar a investigação dos fatos narrados pelos delatores da Lava Jato. No inquérito para apurar o envolvimento de Cabral, Pezão e Fichtner, a Procuradoria pediu que sejam coletados documentos, vídeos e registros de entradas e saídas do hotel Caesar Park em Ipanema, zona sul do Rio, onde teria ocorrido a reunião em 2010.

Nesta sexta, Pezão reclamou que só agora terá direito de defesa. “Tenho 32 anos de carreira pública e lamento muito ter de passar por esse tipo de exposição. Já fui julgado e condenado e só agora vão me dar o direito de defesa”, afirmou.

O governador disse que já tornou públicas as declarações de bens e de renda, no começo do ano. “Tenho certeza de que a verdade vai aparecer. Confio na Justiça”, afirmou Pezão, ressaltando não ter sido oficialmente notificado pela Justiça.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

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Quem semeia raios econômicos, colhe tempestades políticas e trovoadas sociais

Tempestade

 

 

 

Jornalista, escritor e produtor musical Nelson Motta
Jornalista, escritor e produtor musical Nelson Motta

Raios e trovoadas

Por Nelson Motta

 

Nem tudo piorou de 2010 a 2014. Caíram de 131 para 98 por ano os brasileiros fulminados por raios em diversas regiões do país, de todas faixas etárias e sociais. As vítimas do que os antigos acreditavam ser a ira dos deuses são em número bem maior do que as temidas mortes em acidentes aéreos e não há nada que as explique, além de estar no lugar errado, na hora errada. Ou aquela palavra que não se diz.

Mas justo na hora em que o governo Dilma enfrenta um tiroteio cerrado de todos os lados e grandes turbulências, na semana passada, um raio atingiu em cheio o quartel da Guarda Presidencial, em Brasília, levando ao hospital 31 militares feridos, felizmente sem vítimas fatais. E sem que a oposição ou as elites golpistas pudessem ser responsabilizadas.

A advertência metafórico-meteorológica parece sob medida para a infalível, incontestável e incorrigível Dilma, mas também para cada um de nós. Os raios fulminam a onipotência humana e revelam a nossa fragilidade e precariedade, nos fazem aceitar que, se não há justiça na natureza, nem no cosmos, nem nos deuses e religiões, nos resta acreditar que a ideia de fazer justiça é só uma invenção humana, com todas as suas imprecisões e contradições, como parte do processo civilizatório.

Diz a lenda que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas há registros de descargas que atingem o mesmo ponto até mais de duas vezes. Mas, ao contrário da História, os raios não se repetem como farsa, mas como tragédia, inexorável e inexplicável. Raios políticos, como metáfora da força do acaso, já caíram várias vezes no Congresso, na Presidência e no Ministério da Fazenda.

Vítima constante de raios, como os que mataram Tancredo Neves, Luís Eduardo Magalhães e Eduardo Campos, o Brasil agora sofre com os raios econômicos semeados pelo governo Dilma, colhendo tempestades politicas e trovoadas sociais. Não há nenhuma crise internacional, os Estados Unidos cresceram 4,6% no trimestre, até a União Europeia e a América Latina cresceram mais do que o Brasil, com menos inflação. A crise é de quem a criou, a conta é nossa.

Mas, cuidado, panelas atraem raios.

 

Publicado aqui, no Blog do Moreno

 

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