Shinko durante depoimento à Justiça Federal (foto: reprodução)
Por Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo
O engenheiro Shinko Nakandakari,um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou à força tarefa do Ministério Público Federal que ofereceu “na cara e na coragem” propina para o gerente geral da Refinaria do Nordeste (Rnest) Glauco Colepícolo Legatti. Segundo Nakandakari, na Petrobrás “era muito difícil aprovar aditivo (aos contratos)”.
“Glauco não facilitava nada. Para que esse aditivo fosse aprovado é que era pago o valor para Glauco.”
Ao todo, segundo o delator, foram repassados R$ 400 mil para Legatti, valor pago “em parcelas”. O primeiro pagamento foi em junho de 2013. “A princípio a reação de Glauco não foi natural, em nenhum momento eu tinha tido esse tipo de relacionamento com ele”, disse Nakandakari.
Legatti foi afastado do cargo em novembro de 2014, oito meses depois da deflagração da Lava Jato. Os pagamentos para o então gerente geral da Abreu e Lima ocorreram principalmente ao longo de 2014, afirma o delator. No dia do primeiro encontro, disse Shinko Nakandakari, “sentiu que Glauco iria aceitar o suborno”.
No segundo encontro, Nakandakari levou R$ 50 mil em dinheiro vivo. Segundo ele, o então gerente da Refinaria Abreu e Lima aceitou a propina. Os encontros ocorriam em hoteis no Rio. O primeiro foi no Sofitel, depois no Hotel Cesar Park. Os pagamentos ocorriam em intervalos de 30 e 60 dias, “alguns com valores maiores, outros menores”.
Em meio à maior crise de sua história, a Petrobras pede aos acionistas que aprovem, na assembleia do próximo dia 29, um teto de remuneração 13% acima do que foi pago em 2014 para executivos que dirigem a empresa, considerando a média por executivo.
Além disso, num momento de resultados financeiros em risco, quer aumentar a proporção de salário fixo e reduzir a de remuneração variável, atrelada a resultados.
O teto médio fixo proposto, considerando os oito atuais diretores, é R$ 1,6 milhão para cada um por ano, 22,7% acima do R$ 1,3 milhão pago em 2014 e 9% acima do teto pedido no ano passado.
Dividido por 12 meses mais o 13º salário, o valor de 2015 equivale a um salário médio mensal de R$ 123 mil.
Em bônus por desempenho, a proposta é zero. Em participação nos resultados, é pagar, em média, R$ 92 mil a cada um dos oito diretores, 64% abaixo de 2014.
As informações constam do manual para participação de acionistas na assembleia.
“Preventivo”
A Petrobras afirma que a proposta de 2015 contempla inflação de 8,09% prevista pelo BC para este ano. Em 2014, a inflação oficial, medida pelo IPCA, foi de 6,41%. Também seriam incluídos itens não previstos, como passagens aéreas e auxílio moradia. A estatal diz, ainda, que reduziu as remunerações variáveis “preventivamente”, diante das incertezas do resultado de 2014.
Entre janeiro e setembro de 2014, a Petrobras lucrou R$ 13,4 bilhões, 22% abaixo de igual período de 2013. A produção cresceu 3% e a geração de caixa, afetada pela defasagem do preço dos combustíveis que vigorou até outubro, caiu 11%.
De 2013 para 2014, a Petrobras aumentou em 18% a remuneração total paga aos sete executivos que dirigiam a empresa. O salário fixo (incluindo férias e 13º) de todos os diretores foi 10,7% maior –avançou de R$ 8,25 milhões para R$ 9,13 milhões.
O total pago aos então sete executivos, entre eles a então presidente Graça Foster e seis diretores, subiu de R$ 13,1 milhões, para R$ 15,4 milhões. Na média, cada um fez jus a R$ 2,2 milhões em 2014, contra 1,87 milhões em 2013. Graça e cinco deles deixaram a empresa há dois meses. O maior incremento na remuneração veio da participação nos resultados: entre 2013 e 2014, o valor pago aos diretores foi multiplicado por três, de R$ 606 mil (R$ 86 mil por diretor), para R$ 1,790 milhão (R$ 256 mil por diretor).
O bônus por desempenho foi 0,1% menor, de R$ 631 mil em 2013, para R$ 615 mil.
Um conselheiro da Petrobras, que pediu anonimato, disse que valores relativos a desempenho (bônus e participação nos resultados) pagos em 2014 referem-se aos resultados de 2013. Naquele ano, o lucro aumentou 11%.
Os valores pagos em 2014 obedeceram aos tetos aprovados na assembleia de acionistas realizada em abril do ano passado, quando os principais desdobramentos da Operação Lava Jato ainda estavam por acontecer.
A proposta para 2015 propõe um teto 1,1% maior para a remuneração média de cada diretor e 13% a mais do que foi efetivamente pago a cada executivo em 2014.
Depois do que o jornalista Ricardo André Vasconcelos escreveu aqui, sobre a utilização de um jornal como veículo de ameça de um grupo político contra todos aqueles que ousem questioná-lo, em jornal, blogs e na democracia irrefreável das redes sociais, pouco ou nada resta a ser dito. Para resumir o ridículo da ação desastrada, bastaria lembrar, como Ricardo o fez, que o chefe desse mesmo grupo político não tem nenhuma formação para se destacar em sua ativa lida blogueira como Torquemada pretenso em Inquisição contra tudo e contra todos, na qual só há um Deus, com um único representante direto na Terra: Anthony Garotinho.
Sinceramente, pelo ridículo auto-explicativo de origem, não queria tratar do assunto. Todavia, como colaboradores da Folha Online e do jornal impresso foram publicamente “ameaçados” na mesma… matéria, me vejo na obrigação institucional (e moral) de me posicionar. Mas pelos mesmos motivos já explicitados aqui e aqui, faça-o apenas na dimensão menor deste blog, sem macular a Folha com miudezas. Certo da grandeza que habita em gente que conheço, creio falar pelo José Paes, pelo Murillo Dieguez, pelo José Armando e pelo José Geraldo, valiosos colaboradores da Folha “jurados” juridicamente, assim como pela Jane Nunes e pelo Cláudio Andrade, demais cabras marcados para “morrer” nos tribunais. Acho que na ânsia de lamber a sola das botas do chefe, alguém acabou se confundindo. Confundiram os seis com uma meia dúzia qualquer, capaz de dar alguma confiança a jagunços a mando de coronel.
Ao fim e ao cabo, em vez de se manchar um famoso romance de Dostoiévski (1821/81) no título de um texto de péssima qualidade, nessa obsessão patética para se demonstrar a cultura que não se tem, é sempre melhor ler o mestre russo, assim como saber onde se pode aplicá-lo à perfeição: “Oh, sim, quando é preciso, afogamos até nosso senso moral, a liberdade, a tranquilidade, até a consciência, tudo, tudo, vendemos tudo por qualquer preço!” (Crime e castigo)
O garoto da casa ao lado — Define-se o “slut shaming” como o ato de induzir uma mulher a se sentir culpada ou inferior devido a prática de certos comportamentos sexuais que desviam de expectativas ditas tradicionais de seu gênero. Estes comportamentos incluem, dependendo da cultura, ter um grande número de parceiros sexuais, ter relações sexuais fora do casamento, ter relações sexuais casuais, agir ou se vestir de uma maneira que é considerado excessivamente sexual.
Vivemos tempos de multitonalidades do cinza, mas também de muita luta e discursos feministas inflamados, que nos trazem à discussão sobre a igualdade de gênero, como o da atriz Patrícia Arquette, que ganhou o Oscar 2015 de melhor atriz pelo papel de Olivia Evans em “Boyhood — Da Infância à Juventude”.
Aí, vem a Universal Pictures e lança o thriller erótico/suspense “The Boy Next Door” ( “O Garoto da Casa ao Lado”). Com um orçamento de quatro milhões de dólares — muito abaixo dos padrões de Hollywood, roteiro da quase iniciante Barbara Curry (empapuçado de clichês) e com a direção do nova-iorquino Rob Cohen, de filmes como “A sombra do Inimigo” (2012), “A Múmia – Tumba do Imperador Dragão” (2008), “Ameaça Invisivel – Steath” (2005), “Velozes e Furiosos” (2001) e “Sociedade Secreta” (2000), que realiza toda filmagem, de seu segundo filme teatral, em um prazo apertado de 25 dias.
No elenco, Jennifer Lopez, a linda produtora, cantora e atriz americana de descendência e curvas latinas (“Selena”, de 1997; “Sangue e Vinho”, de 2006; e “Dança Comigo”, de 2004) interpreta a protagonista Claire Peterson. Ryan Gusman (“Força de Elite”, de 2014, “Ela Dança, Eu Danço” 4 e 5) como o sedutor sarado maníaco/obsessivo Noah Sandbom. John Corbett (“Bebê a Bordo”, de 2009; “Sex and the City”, de 2010; “NCIS: Los Angeles”, de 2012; e “Sex&Drugs&Rock&Roll”, de 2014), vive o marido traidor arrependido: Garrett Peterson. E Ian Nelson (“Jogos Vorazes”, de 2012; “O Melhor de Mim”, de 2014; e “O Juiz”, de 2014), como Kevin, o filho tímido e influenciável com problemas de saúde.
Na trama, após ser traída pelo seu marido Garrett Peterson (John Corbett) , a professora de literatura clássica Claire Peterson (Jennifer Lopez) está em vias de se divorciar. Ela vive sozinha com o filho adolescente Kevin, até perceber que um jovem acaba de se mudar para a casa ao lado. O sedutor, Noah Sandborn (Ryan Guzman) rapidamente oferece ajuda nas tarefas da casa e se torna o melhor amigo do filho de Claire. Diante da fragilidade, carência e beleza da professora, aos poucos, o vizinho passa a seduzi-la, levando a uma noite de amor entre os dois. No dia seguinte, a professora está decidida que tudo foi apenas um erro, mas Noah não pretende abandoná-la tão cedo. O caso de amor torna-se uma violenta obsessão e o drama erotizado se transforma em suspense com sustos bastante previsíveis. Confesso que não dava para contar com a seringada no olho do vilão.
Sem nenhum destaque nas atuações. O casal protagonista não passa muita paixão na cena mais ardente do filme, com movimentos e carícias burocráticas que não encantam. A beleza do casal, não se discute. O Ryan Gusman tenta um Noah que lembra, fisicamente, o Stanley Kowalski de Marlon Brando em “Uma Rua Chamada Pecado” (1951), com direito a camisetas brancas de mangas enroladas, e faz suas primeiras cenas de nudez, para a felicidade das mulheres e simpatizantes. A Jennifer Lopez não convence como professora de literatura clássica e nem como mulher sexy na carestia, mas é de uma beleza muito generosa, indo e vindo. De repente, correria com um Chevrolet esportivo roxo na descida e com freio sabotado. Depois, acidente de mini-van com explosão de caminhão tanque. Foi que aproveitaram a experiência do diretor Rob Cohen em “Velozes e Furiosos”.
A Diva tem fãs fieis pelo mundo todo, o que pode garantir uns caraminguás. O que me espanta, é que a atriz/cantora ainda precise fazer esses filmes e bancar uma coprodução para garantir o papel de protagonista.
Não está fácil para ninguém. De bom tom parar com esse negócio de “slut shaming” com a J-Lo!
Por Ricardo André Vasconcelos, em 29-03-2015 – 20h09
Através de seu porta-voz na mídia impressa, o jornal O Diário, o grupo político dominante na cidade, ameaçou, em sua edição de hoje (ontem, 29/03), com processos judiciais, militantes das redes sociais. Além de tentar desqualificar alguns dos mais ativos blogueiros da cidade — muitos dos quais com relevantes prestados ao mesmo grupo político a que hoje serve o jornal — a matéria revela, entre vários pecados, a mistura de críticos de carne e osso com fakes, sem citar um caso único caso concreto. E sonega ao leitor amostras de “crimes de calúnias, infâmias e injúrias”. Quem são os caluniados e caluniadores? Que calúnias foram publicadas?
E mais: se “esquece” de listar um dos blogs mais conhecidos do Estado, assinado pelo atual secretário de Governo e líder do grupo político que criou o jornal, Anthony Garotinho, que responde a diversos processos, inclusive movido pelo atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (aqui). Garotinho faz jornalismo investigativo e os outros caluniam?
Opinativa da primeira à última linha, a matéria que é manchete da edição deste domingo, curiosamente, não é assinada, ao contrário dos blogueiros citados no jornal, que expõe-se em textos assinados em seus espaços virtuais. Pois é. Só tem medo de ser processado quem não tem convicção do que escreve.
Na verdade, essas falsas vestais que empenham sua pena como ventrículos para dar voz ao chefe, deixam muito a desejar no exercício de seu abjeto ofício. Tanto, que a matéria da edição de hoje, que este Blog reproduz abaixo, deveria ser pregada nas salas de aula do Curso de Jornalismo da nossa Uniflu. Ao menos para ensinar como se faz um (mau) jornalismo.
Aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, postei um poema virgem de festival ou publicação, em atendimento ao pedido do poeta, produtor cultural, artista multimídia e professor Artur Gomes. Num distante 1992, numa edição do FestCampos de Poesia, no qual acabei tirando primeiro e segundo lugares, realizado no hoje abandonado anfiteatro do Parque Alberto Sampaio, Artur foi o primeiro intérprete dos meus versos. E isto é mais que muito. Não por outro motivo, neste domingo, dia mais dado às possibilidades de contemplação, republico abaixo o poema, escrito em Atafona, logo após ter metido o pé na estrada numa inesquecível viagem de carro, paradeira de ida e volta, até Salvador (BA):
Para sempre Alice — Meu pai dizia que nunca se deve usar a primeira pessoa em texto jornalístico. Tanto pior quando se trata de uma crítica, cujo distanciamento é ainda mais recomendável à análise do todo. E aqui desrespeito o sábio ensinamento em busca da sua compaixão, leitor, pois é inglória a tarefa de tentar analisar “Para sempre Alice”, depois que o fizeram, neste mesmo espaço, a Paula Vigneron (aqui) e o Gustavo Alejandro Oviedo (aqui). E, assumida a primeira pessoa, para quem nela de fato me conhece, sabe que não sou de fazer favor, sobretudo em se tratando de escrita e cinema.
Entre a “arte de perder” entalhada pela primeira crítica e a “alegria da tristeza” no oxímoro poetado do segundo, qual caminho distinto escolher para falar da história da brilhante professora Alice Howland, doutora em linguística e dedicada mãe de família que descobre, aos 50 anos, sofrer precocemente de uma variante bastante agressiva do Mal de Alzheimer? E se essa personagem for interpretada pela ainda bela Julianne Moore, no papel que lhe rendeu com toda justiça o Oscar, o Globo de ouro, o Screen Actors Guild, o Bafta, o Spirit Award, o SAG, o Hollywood Awards, o London Film Critic’s Circle, o National Board of Review e o Critic’s Choice de melhor atriz?
Para qualquer um que já tenha encarado de frente a possibilidade real de deixar de existir, inevitável a eletricidade correndo à pele, a respiração funda e os olhos marejados na identificação doída com a cena onde Alice, insone com a suspeita ainda não confirmada do Alzheimer, acorda o marido, o médico John Howland (um contido Alec Baldwin), para comungar no meio da madrugada seu pavor pela perda da identidade, composta nas memórias de uma mente sensível e privilegiada, à beira se erodindo do Nada. E para quem é mãe (ou pai), a fisga puxa pelas entranhas na cena na qual o casal revela aos três filhos adultos — Anna (Kate Bosworth), Tom (Hunter Parrish) e Lydia Howland (Kristen Stewart) — o diagnóstico já confirmado de Alzheimer de Alice, além da possibilidade que os três possam também desenvolver a doença, pela hereditariedade involuntária de uma mulher no “revés de um parto”, com o perdão do furto a Chico Buarque de Holanda.
Para quem nunca encarou a perspectiva concreta do fim da própria vida, nem gerou outra, basta ser humano e mortal para se solidarizar, como todos que em intenção a ajudam a recolher os papéis do seu discurso caídos ao chão, na cena onde Alice, já afetada pelo Alzheimer, fabrica forças para palestrar ainda com eloquência e arrebatar um público igualmente afetado, direta ou indiretamente, pela doença. E esta é outra grande virtude do filme: mostrar, sem apelos lacrimogêneos, como a família de um paciente de enfermidade incurável e terminal adoece toda junto.
Na vida que imita a arte para ser por ela imitada, foi o caso de Wash Westmoreland, que dirigiu e roteirizou “Para sempre Alice”, conjuntamente com seu marido, Richard Glatzer, falecido precocemente no último dia 10, aos 63 anos, vítima de esclerose lateral amórfica (ELA), doença que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo e causa a perda do controle muscular. Ele foi diagnosticado com ELA um pouco antes de começar o projeto do filme, que dirigiu enquanto a doença se agravava rapidamente.
Na ficção, desde sua primeira crise mais séria, enquanto corria, até o avanço inexorável da doença, onde os momentos de ausência das memórias mais elementares se tornam cada vez mais frequentes, a câmera do casal Glatzer e Westmoreland foca em Alice, deixando todo o fundo turvo, sob vertigem, na tentativa dos diretores de transferir ao espectador a perspectiva agônica da personagem, enquanto esta tenta em vão responder para si mesma quem ela própria é.
Da zona litorânea de Nova York, onde Alice caminha em busca de lembranças engolidas a cada onda, à foz do Paraíba do Sul que corta e forma esta planície, o Atlântico é o mesmo. Navegando por suas águas, se você ler esta crítica de cinema depois ou antes da matéria de capa desta edição de Folha Dois (aqui), não há mentira em dizer que Alice é Atafona, fêmea dotada de beleza, brilho e charme, cujas memórias ainda vivas se mantêm na mente dos que a amaram e foram nela amados, mesmo depois que a ação da natureza as carregou ao anonimato do oceano.
No dia 24 de março último o Diário Oficial da PMCG republicou o Balanço Orçamentário relativo ao terceiro bimestre de 2014, com a assinatura da Contadora Geral da Prefeitura Neiva Peres Gomes e a Prefeita Municipal. O caos já se revelava.
Analisando as contas, as receitas e as despesas correntes atualizadas projetadas para o ano de 2014 segue a mesma lógica financeira ocorrida a partir de 2010, quando o preço do barril do petróleo estava acima de 90 dólares. A média da arrecadação nestes anos foi de R$ 2,45 bilhões, sendo 15% de geração de impostos — IPTU e ISS —, e 85% de transferências governamentais, com participação da conta petróleo correspondendo a 53%, valor que chega a R$ 1,2 bilhão.
No ano de 2014 foram projetados R$ 2,43 bilhões. As Transferências Correntes projetadas foi de R$ 2,05 bilhões. Até junho entraram no caixa da Prefeitura, R$ 1,2 bilhões. Portanto, pelo lado das receitas, o fluxo de caixa seguiu a tendência normal com o preço do barril do petróleo acima de 90 dólares e sem a crise internacional, que justifiquem os falsos argumentos do secretário de Governo quando afirma que a prefeita está fazendo o dever de casa, colocando a culpa do caos das contas públicas de seis anos de seu governo na crise.
O desmando e caos financeiro são comprovadas quando as Despesas Correntes são expostas. A despesa com o legislativo teve aumento de R$ 5,1 milhões, passando para o valor estimado de R$ 32,9 milhões, correspondendo a um gasto mensal de R$ 131 mil por vereador. O parlamento de Campos é caro comparado com outras prefeituras do mesmo porte.
O curioso e o que chama atenção são os gastos judiciais. A dotação inicial orçada foi de R$ 3,7 milhões. Atualizada, passou para R$ 20,2 milhões, sendo R$ 11,1 milhões, liquidadas no primeiro semestre no início da campanha eleitoral para governo do estado. A conta abre espaço para os auditores e a sociedade civil de classes questionarem: quais os advogados e os processos judiciais que justifiquem um aumento de R$ 16,5 milhões de reais alocados nestas despesas? Será que foi só com ações da Prefeitura sem cunho político de campanha eleitoral para defender o secretário de Governo?
Entrando na caixa-preta da Conta Administração, o descalabro financeiro se agrava. O valor orçado para o ano de 2014 foi de R$ 650 milhões, representando um gasto linear de R$ 54 milhões ao mês. No semestre o total estimado seria de R$ 325 milhões, mas só foram liquidados valores de R$ 135 milhões. Esta conta agrega os gastos com 1.714 cargos gratificados, terceirizados e contratos com empresas prestadoras de serviços a administração.
Chama atenção a subconta, a Assistência social orçada em R$ 67 milhões. Destes valores, foram pagas R$ 41 milhões nos programas de políticas compensatórias de rendas. Este programa como o Cheque Cidadão e o Vale Transporte de R$ 1,00 tem forte apelo eleitoral, que pode se caracterizar como abuso de poder econômico na compra e sedução do voto. Uma hipótese a ser comprovada.
Nos gastos com Saúde, o orçado foi R$ 614 milhões e só foram quitados R$ 152 milhões. O estado de abando da saúde em Campos é percebido pela população. Médicos e enfermeiros demitidos e contratos com alugueis de ambulâncias suspeita de superfaturamento e com dispensa de licitação. A comprovar a hipótese levantada nos autos dos processos.
Na Educação, da previsão de R$ 364 milhões, só foram quitados R$ 95 milhões. O quadro da Educação em Campos é criminoso, pois só são investidos 14% das despesas no Ensino fundamental e com o município recebendo o maior volume de repasses da conta petróleo.
Na conta Urbanismo, Habitação e Saneamento, os valores históricos ficam na faixa de R$ 500 milhões. Nestas contas no primeiro semestre os gastos anuais orçados eram de R$ 444 milhões e só foram quitados R$ 129 milhões, ficando R$ 93 milhões para o segundo semestre em contas em atrasos.
Diante deste quadro de falência política implantado pelo grupo político do secretario de Governo, utilizando as contas da Prefeitura como trampolim para atingir os seus projetos ambiciosos no campo político, o caos financeiro é evidente.
Cabe a sociedade civil de toda a sociedade política de Campos em conjunto com a oposição entrar com ações judiciais pedindo prestação de contas abrindo o acesso aos auditores que o Juiz Claudio Cardoso de França determinou em ação judicial.
Para mudar este caos financeiro, a imprensa que não é comprada pelo grupo político do secretário de Governo tem papel determinante. Denunciar este modelo venezuelano de gestão pública baseado no Hugo Chávez e no Maduro.
A conferir com a publicação real das contas da Prefeitura no Diário Oficial.
Tirei terno e gravata do armário e fui a Brasília. Onde está a saída para a crise? Levei a pergunta para uma dezena de políticos experimentados. Nenhum deles apontou a saída imediata. É um cuidado razoável. O máximo que se consegue é apontar variáveis que possam definir os rumo da crise. Comportamento do governo, ajuste econômico, curso da Operação Lava-Jato são as mais citadas.
Asensação predominante é a de que algo vai acontecer, e ninguém sabe precisamente o que é. A hipótese de um governo sangrando até 2018 é a mais improvável, embora seja esse o desejo de uma parcela de observadores, dentro e fora do Congresso. Marchamos para o desconhecido. É uma fase delicada. Os conservadores tendem a achar que o diabo desconhecido é sempre pior do que o existente. Querem mudança, mas dentro de um quadro planejado, com resultados previsíveis. Mas, nesses casos, sempre existe o argumento de que, muitas vezes, é preciso caminhar, mesmo sem saber o que nos espera, com uma abertura para a novidade. Quanto ao ajuste econômico, deve ser objeto de muita discussão, basicamente sobre quem paga a conta. A tendência é de dias mais duros, com possibilidade de racionamento de energia. É o que os técnicos propõem. Não porque faltará energia para o consumo em 2015. Mas porque é preciso poupar, pois, sem oferta adequada de energia, não existe retomada em 2016.
De qualquer forma, o ajuste econômico passou a ser de interesse nacional, não só por causa da realidade interna, mas também da percepção externa. Graças à expectativa do ajuste, o Brasil não foi rebaixado à condição de país especulativo, com inevitável fuga do capital. Sou pessimista quanto aos passos do governo. O documento que vazou da Secretaria de Comunicação mostra como estão perdidos. Falam de tudo, de robôs, redes sociais, blogueiros, propaganda, mas não falam da mensagem. Dilma tem os microfones à disposição. Mas não sabe usá-los. Em alguns casos é possível aprender. Pessoas tímidas, executivos de grandes empresas fazem um treinamento, chamado media training. Mas não há treino que possa criar um líder para conduzir o país numa tempestade.
Não há mensagem nem presidente capaz de comunicá-la. O panelaço segue como a batida da temporada. A saída de Dilma é usar a tática de guerrilha: falar quando o adversário está desprevenido e recuar quando ele está atento. A outra variável é a Operação Lava-Jato, outro dado positivo que teve peso para que o Brasil não fosse rebaixado pelas agências internacionais. No momento, o foco é o PT.
Os políticos deram azar em ter o juiz Sérgio Moro pela frente. Especialista em lavagem de dinheiro, sabe que rastrear o curso da grana é o caminho real nas investigações. Com base na informação dos delatores e em recibos de empresas, as investigações demonstram o golpe do PT: transformar propinas em doações legais. Leio que o Planalto quer que o PT demita o tesoureiro. O PT hesita. É difícil passar a ideia de que foi tudo culpa de um só homem. É gente muito calejada para fingir que João Vaccari era uma fada de barba que produzia fortunas apenas com o toque de sua vara de condão. Isso irá parecer um pouco aquela lenda urbana da filha de família que trabalha fora e volta sempre com presentes caros para casa. E aí os parentes descobrem, um dia, que a menina faz programas.
A variável mais importante é pouco discutida em Brasília. Dois milhões de pessoas foram às ruas, sem nenhum incidente. A sociedade brasileira ganhou maturidade nas demonstrações e mantém-se vigilante porque sua sorte está em jogo. O agravamento da crise, a dureza do ajuste econômico e a mobilização social podem nos levar a um novo momento. Não ouso descrevê-lo. Sinto apenas que o dilema brasileiro poderá ser esse: fazer um omelete sem quebrar os ovos. Essa tarefa que parece impossível para os estrangeiros não é tão distante assim das soluções históricas no Brasil. Se os culpados pela corrupção na Petrobras forem punidos e chegarmos a um consenso mínimo sobre o ajuste econômico, abre-se a possibilidade de um governo de unidade nacional. O PMDB tem ocupado o lugar do PT. Mas está encalacrado na Operação Lava-Jato. Teria, em caso de sobrevida, a possibilidade de um aceno nacional. O PT, que sempre dividiu o país entre pobres e ricos, brancos e negros, reacionários e progressistas, não tem chance de tentar esse caminho.
O momento é verde-amarelo. Sem nenhum juízo de valor sobre símbolos históricos, quem o confundiu com o vermelho cometeu um erro decisivo. O Estado não é um partido, uma política externa não pode refletir a cabeça da minoria, os direitos humanos não englobam apenas os escolhidos. Quando desenharam uma estrela no jardim do Palácio e tiveram que removê-la, deveriam ter compreendido que é insuportável viver num país que tem dono, seja ele um partido ou um demagogo.
Não se conhecem os protagonistas do futuro. Mas já se sabe quem será atropelado por ele.
Infográfico do Estadão (clique na imagem para ampliá-la)
Por Alex Salomão
A maioria das pessoas não sabe para que serve o superávit primário — economia de recursos feita pelo governo para manter as contas no azul e garantir um extra que cobre o pagamento da dívida pública. Neste ano, porém, todos os brasileiros vão tirar dinheiro do bolso para ajudar nessa economia. Do bolo de recursos que o governo já garantiu para o superávit, 85% são bancados pela população.
Segundo cálculo do economista Mansueto Almeida, feito a pedido do Estado, as medidas anunciadas pela nova equipe conseguiram reunir até agora R$ 45 bilhões dos cerca de R$ 66 bilhões que fixou como meta para 2015 (o compromisso é fazer o equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto do ano). Ocorre que apenas R$ 7 bilhões são cortes na máquina pública, basicamente de despesas de custeio, como cafezinho e xérox.
O grosso dos recursos, R$ 38 bilhões, vai sair do orçamento das famílias (veja quadro acima). Uma parte virá da cobrança de tributos, como a volta da Cide nos combustíveis e a mudança no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com o fim da desoneração de veículos e a alta na taxa para cosméticos. Um estudo da LCA Consultores, encomendado pelas indústrias do setor, concluiu que um simples batom — que pelas estimativas vai subir mais de 12% — dará um quinhão ao ajuste fiscal. “Não tinha como ser diferente porque esforço fiscal se faz com corte de gasto ou alta de tributo”, diz Mansueto. “Ainda assim, o governo terá dificuldades para cumprir a meta.”
Para o economista, nem tudo que é esperado virá. Os R$ 18 bilhões estimados com as mudanças em benefícios sociais, como pensão das viúvas jovens e seguro-desemprego, devem cair a R$ 3 bilhões. Outras despesas, como o Bolsa Família, vão crescer e reduzir os ganhos da medida. O fim da desoneração da folha de pagamento, por sua vez, gerou tanta polêmica que, para Mansueto, é uma incógnita. Ele nem a considerou na estimativa. “Para fechar a meta, o governo terá de fazer um corte brutal de investimentos ou elevar carga tributária, punindo o já comprometido crescimento.”
Contas engessadas. Matematicamente, o superávit primário se dá quando a receita é maior que a despesa (excluindo-se gastos com juros). Assim, ele sinaliza que não vai deixar a dívida pública fugir do controle, o que fortalece a confiança dos investidores e gera um ciclo virtuoso na economia.
O Estado brasileiro sempre gastou demais. Em parte, com a proliferação de órgãos e funcionários. Pesam também as obrigações com a população, principalmente após a Constituição de 1988. O governo deve garantir previdência, saúde e educação universais sem ter mecanismos financeiros adequados. “Os benefícios criados na Constituição atentam contra a aritmética”, diz William Eid Junior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas.
Para os economistas, após a crise de 2008, a política adotada pelo governo aprofundou as distorções: houve excesso de desonerações e benefícios setoriais, além de outros mecanismos de intervenção na economia que levaram à queda da arrecadação, do investimento e do crescimento. “O descontrole dos últimos anos foi grave”, diz o economista Marcos Lisboa.
O governo sinaliza que pode cortar ministérios para dar a sua contribuição. A medida, porém, diz o economista Fábio Klein, da Tendências Consultoria, é “simbólica”. Os ministérios virariam secretarias. Não haveria demissões. A conta em pouco cairia. Só uma reforma no Estado mudaria o cenário.
Doméstica desempregada Jaguaraci Freitas, de Salvador (fto de Raul Spinassé – Folhappress)
Por Fernando Canzian e João Pedro Pitombo
O forte aumento da rejeição ao governo Dilma Rousseff no Nordeste ocorre no mesmo momento de uma perda importante do dinamismo na região, que chegou a crescer a velocidades “chinesas” ao longo da década passada.
Segundo o Datafolha, o índice de ruim/péssimo de Dilma saltou de 11% para 55% de outubro a março no Nordeste. O período coincidiu com a disparada da inflação medida regionalmente e com a primeira queda em vários anos do saldo líquido de empregos formais na região.
Embora ainda conserve desempenho superior à média nacional, a atividade no Nordeste vem convergindo para o baixo ritmo do resto do país.
A região também perde terreno em áreas intensivas em mão de obra, como a construção civil. Alguns grupos regionais já reveem abruptamente suas expectativas.
Em 2014, o Nordeste concentrou 30% das demissões na construção civil, setor que cortou 106 mil vagas no país. O recuo de 3,4% na média nacional foi menor que o de 4,6% na região nordestina.
Cortes nas verbas e nos pagamentos de obras de infraestrutura e do Minha Casa Minha Vida são alguns dos principais motivos para o aumento das demissões na região, avalia Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/Ibre.
Diante do novo cenário, um dos principais grupos do setor de material de limpeza do Norte e Nordeste, o Raymundo da Fonte — detentor da popular marca Brilux —, readequou sua projeção de crescimento para 2015, de 12% para 5%.
“Há uma acomodação do mercado e queda no consumo. Se conseguirmos manter o ritmo de produção e não demitir, já vai ser muito bom”, diz o diretor comercial do grupo, Romero Longman.
“As pessoas colocaram o pé no freio, comprando em quantidade menor e buscando marcas mais baratas”, afirma Teobaldo Costa, presidente da Associação Baiana de Supermercados e dono do grupo Atakarejo, o maior do segmento na Bahia.
Segundo o Datafolha, o Nordeste concentra a maior proporção de eleitores que votaram em Dilma em outubro e que agora consideram seu governo ruim/péssimo: 24% estão “frustrados”, ante a média nacional de 16%.
“A rejeição maior vem da frustração com a economia, do medo do desemprego e da percepção da inflação fora do controle. Tudo temperado pelos escândalos de corrupção”, afirma Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
Funcionários limpam a lama do espelho d’água do Senado (foto de Ailton de Freitas – O Globo)
Por Daniel Haidar
Mais da metade dos deputados federais em atividade no país recebeu doações dos grupos empresariais acusados de participar do megaesquema de corrupção que assaltou os cofres da Petrobras. Levantamento feito pelo site de Veja aponta que 286 dos 513 parlamentares tiveram parte de suas campanhas financiadas pelas empresas do clube do bilhão, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No total, as empresas investigadas ou suas subsidiárias doaram R$ 67 milhões para deputados federais na campanha do ano passado. Despontam na lista 45 parlamentares do PT que se beneficiaram com R$ 10,8 milhões, a bancada mais favorecida com contribuições eleitorais das empresas do cartel. O partido é apontado em depoimentos de delatores da Operação Lava Jato como o principal responsável pelo propinoduto. PMDB e PP, que também eram abastecidos no esquema, receberam respectivamente R$ 8,9 milhões e R$ 7,9 milhões em doações oficiais no ano passado. Deputados do PSDB amealharam R$ 8,1 milhões.
O levantamento considera as contribuições oficiais feitas diretamente aos parlamentares e também recursos repassados por diretórios ou comitês para eles. Isoladamente, as doações não representam nenhum problema já foram declaradas à Justiça Eleitoral. Mas uma das descobertas dos investigadores da Operação Lava Jato foi que parte do pagamento de propina das empresas do cartel foi desviado dos cofres da Petrobras e transformado em financiamento de campanha. Em depoimentos prestados no acordo de delação premiada, o empresário Augusto Mendonça Neto, sócio do grupo Toyo Setal, afirmou que o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque exigia que parte dos recursos superfaturados em obras da estatal fossem repassados como contribuições partidárias. Recentemente, o vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, que também fez acordo em troca de possível punição mais branda da Justiça, também assumiu que pagou propina disfarçada em doações eleitorais.
Dos 22 deputados investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no petrolão, 15 receberam doações das empresas do esquema de corrupção. O deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) foi quem mais faturou, com 1,1 milhão de reais da Galvão Engenharia. Vander Loubet (PT-MS), outro parlamentar na mira do STF, ganhou 327.283 reais, da Andrade Gutierrez e da Engevix.
Herdeiros de políticos investigados também foram beneficiados. Filho do ex-ministro José Dirceu (PT), o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) levantou 760.000 reiais de Engevix, Carioca Engenharia e UTC. Os pagamentos chamam atenção porque o Ministério Público investiga a legalidade de 2,3 milhões pagos pela UTC e 1,1 milhão de reais desembolsados pela Engevix para José Dirceu por supostos serviços de consultoria. Filho do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA), que é investigado no STF, Mário Negromonte Júnior ganhou 427.752,14 reais do clube do bilhão em doações.
As corridas eleitorais das principais lideranças foram bancadas no ano passado pelas empresas do clube. Estrelas do duelo da conflagrada base aliada da presidente Dilma Roussef, o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), obteve 799.000 reais, e o líder do PT, Sibá Machado (AC), ganhou 120.000 reais. O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), não ficou atrás: 285.000 reais.
CPI – Os beneficiados com doações do clube são maioria em praticamente cada reduto importante da Câmara. Na CPI da Petrobras, dos 54 integrantes, entre suplentes e titulares, 29 receberam contribuições de empresas investigadas no esquema. O presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), e o relator, Luiz Sérgio (PT-RJ), faturaram respectivamente 454.572 reais e 962.500 reais.
No Conselho de Ética, também foram beneficiados 24 dos 34 integrantes já empossados. O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), recebeu 20.817 reais, de Odebrecht, OAS e UTC. O corregedor da Casa, Carlos Manato (SD-ES), ganhou 200.351 reais das empresas do petrolão. Dos 11 integrantes da Mesa Diretora, seis receberam contribuições do cartel e, entre eles, o primeiro-secretário, Beto Mansur (PRB-SP), foi quem mais levantou fundos: 533.944 reais. Investigado no STF, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não declarou doação das empresas do petrolão no ano passado, mas recebeu 500.000 reais da Camargo Corrêa na campanha de 2010.
Entre os conglomerados investigados na Operação Lava Jato foi a Odebrecht quem mais contribuiu para campanhas de deputados federais em atividade. Repassou 12,1 milhões de reais só no ano passado. O grupo tenta, com um time de advogados, impedir que o Ministério Público tenha acesso a dados bancários da Suíça. De lá pode vir a confirmação do relato do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ele confessou em acordo de delação premiada que recebeu mais de 20 milhões de dólares do grupo empresarial.
Mas a empreiteira que mais preocupa os parlamentares no momento é a UTC. O sócio-controlador da empresa, Ricardo Pessôa, está preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 14 de novembro e negocia um acordo de delação premiada com os investigadores. O grupo doou 7,1 milhões de reais a deputados federais em atividade na última eleição. Como revelou VEJA, Pessôa diz ter repassado 30 milhões de reais para candidatos do PT na campanha eleitoral de 2014, sendo que a maior parte percorreu caminhos legais e foi declarada como doação eleitoral.
Responsável pela revelação de que a propina transitava no sistema financeiro como doação eleitoral, o grupo Toyo Setal diminuiu as doações na última eleição. Mas o empresário Mendonça Neto ainda deve esclarecer por que abriu o bolso no ano passado antes de fechar acordo de delação premiada para evitar a prisão. Distribuiu 200.000 reais, somente para deputados do PT. Quem mais faturou foi a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que ganhou 100.000 reais da Toyo Setal Empreendimentos e da Energex. Luiz Sérgio, relator da CPI da Petrobras, levou 50.000 reais e Henrique Fontana (PT-RS) faturou outros 50.000 reais.